Fresh Complaint

Fresh Complaint

Estava com algum receio de ler um livro de contos logo a seguir à mestria de Chekhov, mas na realidade este foi mais um presente do Netgalley e já sou fã deste autor há muitos anos, desde que li o genial Middlesex. Em Midlesex o autor falava-nos de temas tão díspares como a emigração, a revolução sexual, Detroit na era da Proibição, tudo através da saga duma familía de origem grega que culmina em Caliope, um hermafrodita que mais tarde escolhe tornar-se Cal. É uma obra duma grande envergadura, quer em páginas, quer em história, e tenho a certeza que voltarei a ela mais tarde.

Jeffrey Eugenides foi também o autor de Virgens Suicidas, que mais tarde se transformou num também belissimo filme de Sofia Coppola, e um terceiro livro que ainda não tive oportunidade de ler. Tudo isto serviu para que me lançasse de cabeça à oportunidade que o Netgalley estava a oferecer de ler este livro de contos, e que desse pulos de contente quando finalmente me disseram que tinha sido aprovada.

E não fiquei mesmo nada desiludida. Tal como Chekhov, mas num estilo diferente, Eugenides é um mestre a descrever a condição humana, as idiossincrasias dos nossos tempos, a dificuldade de viver nos tempos modernos.

Creio que os meus favoritos foram logo os primeiros contos, e alguns deixaram-me com lágrimas nos olhos. Talvez porque ressoaram com algo cá dentro que está muito próximo da minha realidade, e não consegui ter distanciamento, mas também isso é a marca duma boa prosa. O primeiro, The Complainers, fala de duas amigas que já passaram a flor da idade. Na realidade, estão já bem avançadas naquilo que se convencionou chamar a terceira idade, e a mais velha encontra-se à beira da demência a viver numa residência adaptada à espera do apagão final. Mas o que as une é um livro com a história de duas idosas índias que foram abandonadas pela sua tribo num Inverno particularmente rigoroso e de extrema fome, numa tentativa de poupar recursos. E foram abandonadas não por acaso, mas porque eram as que mais reclamavam do grupo todo. No final são capazes de regressar aos ensinamentos de juventude e sobreviver à fome. Esse livro existe na realidade, e foi escrito por uma nativa americana que nasceu e cresceu no Alasca, e é baseado numa das lendas da sua tribo. O modo como Eugenides o tece na sua história está bastante emocionante, e deu-me vontade de adicionar este livro à minha lista de futuras leituras.

Outro que me emocionou foi The Baster, o terceiro conto, que nos fala duma mulher que chega aos 40 solteira e sem filhos e desesperada por assim ser. Resolve então dar uma festa onde vai escolher um dador para ter um filho por inseminação artificial. Todo o conto se desenvolve à volta das oportunidades perdidas na vida, nos desencontros, em casos mal resolvidos, e a cena em que ela olha os autocarros escolares e vê as crianças que poderiam ter sido suas a acenar-lhe lá de dentro, como se fossem fantasmas, está bastante forte.

No seu todo está um livro bastante conseguido, e apesar das histórias terem sido escritas ao longo de várias décadas, sente-se alguma coesão nos temas. Aconselho a fãs do autor e pessoas que gostam de boas histórias, pouco convencionais.

E com este, já só me faltam 3 livros para o meu objectivo anual do Goodreads. Mais um esforço.

Goodreads Review

 

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A Beleza de Chekhov

Chekhov

Desta vez o Netgalley proporcionou-me uma incursão à Rússia do final do século XIX pelas mãos de Anton Chekhov, conhecido dramaturgo mas também um belíssimo autor de contos (aclamado por alguns como o mestre da escrita deste género). E é exactamente isso que este “The Beauties” é, um livro cheio de pequenas pérolas que nos enchem de espanto e reflexão.

Estes 13 contos pretendem ser mais do que pequenas histórias, e na realidade são um retrato duma pequena porção da vida das pessoas que os habitam, que não são assim tão importantes enquanto personagens, mas que são fundamentais enquanto documento da mentalidade e sociedade dum país. Neste caso, o interior da Rússia rural do final do século XIX. Eu costumo sublinhar passagens que acho interessantes ou marcantes, e nalguns contos apetecia-me sublinhar quase tudo.

Como sempre percebemos que estamos a ler contos sobre o interior russo mas poderiam bem ser passados em Trás os Montes, ou na América do Sul, porque na realidade a natureza humana é igual em todo o lado, para o melhor e para o pior. Mas é sempre a caricatura do pior que nos faz sorrir.

Dois destes contos marcaram-me especialmente, por razões diferentes. O segundo (The Man in a Box), descreve a figura dum homem que vivia absolutamente espartilhado nos seus pensamentos do que é certo e com isso influencia toda a aldeia onde vive mesmo após a sua morte é absolutamente delicioso e tem paralelismos incriveis com os nossos tempos de viver sob uma ditadura. Um dos seus lemas de vida era: Se não há uma lei a permiti-lo é porque não se pode fazer, que é uma completa subversão da realidade mas que com isso conseguiu subjugar todos os seus pares.

Noutro conto chamado A Blunder, temos um casal escondido atrás da porta a escutar a conversa da filha com um pretendente, e a planear aparecerem com o icone ortodoxo na mão depois do rapaz professar o seu amor, para, segundo a tradição ele ser obrigado a casar. Os pais estavam claramente desesperados para casar a sua filha, não nos é dito porquê, mas quando conseguimos “ouvir” a conversa entre os namorados percebemos que na realidade o rapaz não está assim tão apaixonado e a filha está aborrecida que ele não corresponda às suas expecativas de amor romântico. Quando finalmente os pais saem de icone em punho, triunfantes, e o rapaz se sente encurralado, dá-se o mais divertido twist que dá o nome ao conto, já que em vez do icone, simbolo da tradição e compromisso, trazem o retrato dum artista para grande alivio do “noivo”.

Aconselho muito, principalmente a quem, como eu, não está familiarizado com literatura russa, já que este é com certeza um excelente ponto de entrada. Deixo uma última nota para o tradutor desta versão, Nicolas Pasternak Slater, neto doutro autor russo, Boris Pasternak, que soube manter a autenticidade do discurso.

Goodreads Review

 

Reality upset him, frightened him, kept him in a constant state of alarm; and perhaps it was to justify this timidity on his part, his aversion towards the present time, that he always praised the past, and things which had never been. The ancient languages he taught served essentially the same purpose as his galoshes and umbrella – he used them to hide away from real life. “‘Oh, how resonant, how splendid is the Greek language!’ he used to say with a sweet smile. And as if to demonstrate the truth of his words, he would screw up his eyes, point a finger in the air, and pronounce ‘Anthropos!’ “And Belikov tried to hide his thoughts in a case, too. Nothing seemed clear to him except circulars and newspaper articles prohibiting something. If there was a circular forbidding pupils to go out into the streets after nine at night, or if some article proscribed carnal love, that made sense to him. Those things were forbidden, and that was that. Authorizations and permissions, however, always seemed to him to conceal an element of doubt, something vague and not fully expressed. When there were discussions in town about setting up a drama group, or a reading room, or a tearoom, he would shake his head and quietly say: “‘Well, that’s all well and good, of course, but it might lead to something…’

 

But aren’t we ourselves, living in stuffy towns, in cramped conditions, writing pointless papers, playing at vint – aren’t we living in boxes too? And the way we spend our whole lives surrounded by idle, petty men and vain, stupid women, talking and listening to all sorts of rubbish – isn’t that living in a box?

Mais Olhos que Barriga

goodreads

Eis que estamos chegados ao início do último mês do ano e neste momento ainda me faltam ler 5 dos 50 livros que me propus ler no Goodreads. 4 semanas para 5 livros, pode parecer exequível, e noutra altura qualquer seria, mas à velocidade a que a minha vida anda agora parece-me uma tarefa titânica.

Por isso, das duas três. Ou o autocarro demora mais tempo no percurso agora que estamos em época de Natal e consigo atingir o objectivo, ou não leio 50 livros e nada acontece (a não ser as normais convulsões duma obsessiva/compulsiva), ou ando na última semana a ler Tio Patinhas para chegar aos 50.

Na realidade, já devo ter ultrapassado essa marca, mas alguns dos livros grátis que me chegaram às mãos eram tão mauzinhos que até para mim própria tive vergonha de admitir que tinha perdido tempo naquilo. E isto no ano em que regressei às Sombras.

Actualizarei este tópico mais para o final do ano, até lá boas leituras.

Tyler Ranch

Colorado
Na minha imaginação é assim o rancho onde se passa a acção. 

Uma antiga colega de trabalho que se mudou para outros vôos resolveu juntar a todas as mudanças o seu gosto pela escrita e pegar a sério na coisa. E desde que nos deixou já escreveu um livro, When Life Gets in The Way, que tem tido críticas muito positivas mas que eu ainda não tive oportunidade de ler, e lançou agora um conto mais pequeno, Tyler Ranch, para ser incluido na colectânea natalicia 25 Days of Christmas. Esta novela, mais apimentada, pareceu mais ao meu gosto e cá me chegou às mãos.

O mais engraçado quando se lê um livro escrito por alguém que se conhece é que todas as personagens parecem falar com a mesma voz. E neste caso, a voz da Inês, e isso é uma coisa boa. A Inês é uma pessoa muito positiva e divertida, e isso transparece em todos os diálogos e pensamentos de cada personagem. Eu dei comigo a rir com gosto das parvoíces que o par romântico em questão pensava acerca quer de si próprio, quer um do outro.

A linguagem é fluida, solta, e a leitura faz-se num fôlego. Como é uma novela curtinha a história desenvolve talvez demasiado rápido, mas deixa vontade de ficarmos a conhecer mais das aventuras destes dois, e sobretudo da voz da Inês em novos livros.

Recomendo a quem gostar de romances com uma pontinha de pimenta.

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Eu, Peixinho, me confesso

eu_sara_me_confesso

Gostava muito de dizer que só leio livros de alta literatura, complexos e intrincados e que sempre foi assim, mas esse não é o caso. Na realidade leio o que me apetece na altura, e se já não houver nada mais de interessante, leio o que estiver à mão. Foi assim que quando era adolescente e passava meses inteiros de férias na terra da minha avó eu lia Selecções do Readers Digest dos anos 70 que ainda andavam por lá perdidas, BD’s do Vilhena e livros sem fim da colecção Harlequin.

E foi assim também que neste meu último retiro alentejano eu dei por mim com o livro da Sara Norte nas mãos e a despachá-lo numa tarde à beira de água. E foi um bocadinho como os livros da Bianca, lê-se num sopro, mas no final não nos fica assim nada de importante na cabeça.

Está longe de ser o pior livro que li este ano (esses não aparecem aqui, nem no Goodreads, e acreditem que já li muitos livros muito maus este ano. Só em livros maus já daria para ultrapassar o objectivo de 50 livros que me propus no inicio do ano), na realidade foi como ler uma reportagem gigante da Sábado ou do Correio da Manhã. Ficamos a saber a história da vida dela, como foi parar a uma prisão espanhola numa idade muito jovem, tudo contado sem grandes rodeios nem branqueamentos.

E pronto, não aconselho, mas podia ser pior.

Boas leituras!

Afirma Pereira

Mina_40

A mesma amiga que me apresentou o João Sem Medo, e que partilha comigo o amor pela poesia, quando viu o quanto eu gostara de Para Isabel, uma Mandala, de António Tabucchi, imediatamente fez promessa de me emprestar Afirma Pereira. E nada melhor do que ler um livro emprestado por uma alentejana que em pleno distrito de Beja. Por isso foi dos primeiros livros que li nestas férias que passei na Mina de São Domingos, mesmo na praia fluvial.

Pereira é um homem que está numa encruzilhada na sua vida, apesar de não se ter ainda apercebido. Homem de hábitos rígidos, forjados por muitos anos a fazer as mesmas coisas, Pereira é um jornalista responsável pela secção cultural do vespertino Lisboa, em plena época Salazarista. E Pereira interroga-se. Sobre a morte, a ressurreição da carne, a vida, as escolhas que fez e as que deixou de fazer. Pereira sonha, mas pouco porque isso não interessa para a história, e arrepende-se dum modo limítrofe do rumo da sua vida.

Mas Pereira cruza-se com o jovem Monteiro Rossi e isso causa um profundo impacto na sua personalidade. A partir daí ele não consegue mais olhar para o mundo com o mesmo manto de passividade, algo o impele a participar na acção, mesmo que ao de leve.

Afirma Pereira lê-se num sopro, como uma brisa quente de fim de Verão que traz consigo mudança. Foi para mim impossível não ver algo de mim naquele homem acomodado, vivendo no passado, mas onde um novo eu hegemónico vem lentamente à superfície tomar as rédeas. Eu própria sinto neste momento, em que contenho em mim a resposta para a vida, o universo e todas as coisas, que tenho um novo eu hegemónico a tentar surgir e tomar controlo da minha vida, ou se quisermos duma forma menos prosaica, sinto aos 42 anos a necessidade de me reinventar na busca incessante da felicidade. Este livro captura muito bem esse espírito.

O modo como o autor brinca com as palavras e as frases é delicioso, todo o livro está muito bem escrito e é um prazer de ler. Aconselho a todos os que gostam de boa literatura, histórias que nos mudam por dentro e que estão profundamente ancoradas na nossa história.

Goodreads Review

Sandman, A Tempestade dos Sonhos

Sandman_Worlds End

Parece-me apropriado depois de ler os livros do Sandman Slim, voltar ao Sandman original, o senhor dos sonhos, neste que é o oitavo volume da sua colecção de histórias.

Desta vez seguimos Brant Tucker que se perde numa tempestade e vai ter a uma estalagem em World’s End, onde fica preso, junto com muitos outros comensais, e todos se entretêm a partilhar histórias para passar o tempo até que passe a tempestade e possam retomar a sua viagem. Sendo isto contado por Neil Gaiman, conseguimos facilmente imaginar que cada personagem habita uma linha temporal diferente, e mesmo uma realidade muito diversa. Para intensificar essa percepção, cada conto foi ilustrado por um conjunto de artistas diferente, por isso difere também no estilo em que nos é apresentado.

Eu sou uma fã incondicional de Sandman, como já devem ter reparado, mas acho sinceramente que à medida que caminhamos para o final destes volumes as histórias vão ganhando mais consistência e maturidade, as referências a outros imaginários literários e mitológicos multiplicam-se e enriquecem a história, e com certeza que eu nem as consegui abarcar todas. O facto de ter utilizado ilustradores diferentes deu imenso caracter a esta compilação, e veio dar-lhe uma coerência quase paradoxal.

O final deste livro é também dos mais poderosos que já li até agora em toda a saga do deus dos sonhos. Depois de todos terem contado as suas histórias (as minhas favoritas foram as duas primeiras), todos os que estão presos na estalagem assistem à passagem dum cortejo fúnebre no céu, imponente, com figuras gigantes no meio das estrelas. A encabeçá-lo vemos o Destino (como se nos mostrasse que no final de tudo é ele que nos rege) e a fechá-lo vêm as irmãs Desejo e Morte. Todos os Endless estão presentes menos o nosso protagonista, por isso não nos é difícil adivinhar qual a causa do cortejo, e, consequentemente, o que causou a tempestade. A solenidade imprimida à cena, e a maneira como tudo nos é mostrado e não contado, deixou-me com um aperto no estômago, como se de um amigo se tratasse.

Gostava também de deixar aqui uma nota para a introdução que foi feita por Stephen King. Nestes livros as introduções são quase sempre muito longas, e pecam muitas vezes por serem demasiado explicativas e quase anteverem toda a trama que se vai seguir. Por várias vezes que as abandonei para ler apenas no final, ou nem isso porque não tive paciência. Mas esta introdução revela que Stephen King é um grande escritor, mesmo numa tarefa tão simples como fazer uma abertura para um outro livro. Sem revelar nada que não deva ser revelado, ele aguça-nos a curiosidade e espicaça-nos a vontade de ler o mais rapidamente possível aquilo que temos nas mãos, chamando subtilmente a atenção para pormenores que poderiam passar despercebidos. Gostei muito.

Como sempre, recomendo a todos os que gostam de banda desenhada, mitologia, boas histórias e boa literatura em geral. Deixo-vos com um cheirinho.

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Neil Gaiman_Worlds End 02

Finalistas Man Booker 2017

Man Booker 2017

Foram finalmente anunciados os finalistas do prémio Man Booker deste ano, duma lista previamente divulgada. Até agora apenas li o da Ali Smith, que gostei bastante. Paul Auster por algum motivo não me parece apelativo. Os outros acho que são definitivamente uma boa recomendação.

Segundo o painel de jurados: the novels, each in its own way, challenge and subtly shift our preconceptions — about the nature of love, about the experience of time, about questions of identity and even death. 

O vencedor será anunciado a 17 de Outubro e cá estaremos para dizer quem foi.

De volta ao Sandman Slim

Sandman Slim_Kill Society

Pois que às vezes o difícil é começar. Como tinha dito há uns dias atrás, descobri por acaso que o Richard Kadrey tinha editado mais dois volumes da história do Sandman Slim, aka James Stark, e devorei-os num sopro.

O último volume que li tinha acabado duma maneira muito abrupta e deixou-nos literalmente pendurados num precipício vertiginoso, por isso ainda bem que tinha mesmo à mão o volume seguinte para poder prosseguir a história. E felizmente o autor não desilude e pega mesmo onde nos deixou, resolvendo a trama muito habilidosamente. Mas ao mesmo tempo dá uma volta de 180º à história, e põe-nos numa cruzada ao melhor estilo Mad Max, com um comboio de veículos a percorrer Tenebrae, o mundo de trevas às portas do Inferno.

Aqui vamos encontrar velhos amigos de James Stark, a guerra entre diferentes facções angélicas continua a pontuar a trama, os diálogos continuam a ser violentamente cómicos e a acção é rápida e intensa. James não desilude, continua a destruir roupa a cada 10 páginas, e Samael/Lucifer continua a ser o anjo mais interessante da criação. O livro devora-se numa vertigem até culminar num final que nos vai deixar novamente de queixo caído, mas desta vez ainda não há volume seguinte à vista.

Resta a consolação que não estamos a lidar com George R.R. Martin e sabemos que com certeza teremos continuação da história para breve. Como sempre, recomendo a quem gosta de livros de fantasia de inspiração motard.

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De volta à Leitura – Sandman Slim

Sandman Slim_Perdition Score

Às vezes quando estamos com bloqueio de leitor durante muito tempo, o mais seguro é regressar a um velho conhecido, daqueles que entretêm e não desiludem. Fui em busca de velhos amigos, e quase sem querer percebi que o Richard Kadrey já tinha aumentado a sua saga do Sandman Slim em mais dois títulos desde a última vez que eu tinha investigado. Mesmo o que eu estava a precisar, um anti-herói improvável que resolve tudo na base da violência e que tem aventuras tão loucas e desvairadas que as páginas parecem voar.

Assim peguei no Perdition Score, o oitavo volume das histórias de James Stark, um homem que esteve durante 11 anos no Inferno, vivo, a lutar nas arenas ao serviço de um demónio, mandado para lá por um dos seus associados terrenos que o traiu. Sobreviveu porque é uma abominação, meio homem meio anjo, o que lhe confere poderes extraordinários e um mau feitio igualmente lendário.

As histórias são simples mas convincentes, tanto quanto fantasia urbana o pode ser, com criaturas nossas conhecidas e outras inventadas pelo autor, com muito humor à mistura, e sempre com um ritmo frenético. Apesar de já ser o oitavo volume, o autor tem sabido evoluir a personagem de modo a nunca se tornar aborrecido, nem perder aquele toque que o torna único. A acção passa-se maioritariamente em LA, e por vezes para quem não conhece a cidade torna-se dificil visualizar determinados cenários, mas as descrições são suficientemente interessantes para manter os livros apelativos.

No entanto, mesmo apesar de oito títulos, Richard Kadrey consegue, ao mesmo tempo que nos dá velhos personagens favoritos como Mustang Sally, inovar sempre, e colocar um twist final que me fez ir a correr para o volume seguinte.

Aconselhado a todos os que gostam de fantasia urbana, livros tão rápidos como os seus carros e motas, e muitas referências de sub-cultura pop.

Goodreads Review

So, this is how regular people live. They get paid to do a job, then have to spend the money on clothes they don’t want to wear somewhere they don’t like, then spend even more money commuting. And that doesn’t count the years of their lives spent going from home to a desk and back again. Fuck that. At least in the arena in Hell they didn’t charge us for our weapons. And we got to steal better ones from who or whatever we killed that day. Sure, we didn’t have 401(k)s, but if there was a boss who wouldn’t get off your back, we didn’t have to go to HR about it. We just cut the fucker’s throat. That’s job satisfaction.