O Peixinho foi à Feira

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O Peixinho deu um salto à feira do livro depois do trabalho na ideia de dar uma volta descomprometida e tentar atingir a sua meta diária de 10 mil passos. O Peixinho é um incorrigível optimista, pois nenhuma destas coisas foi conseguida.

Esta é supostamente a maior feira de sempre, com inúmeros expositores e mais talhões que no passado. No entanto, os aglomerados editoriais da Porto Editora, Presença, Leya e 20/20 (quem são estes, estou desactualizada! Não encontrei lá nada digno de registo, diga-se), tornam difícil encontrar algo verdadeiramente diferente e original. No entanto deixo aqui a minha penitência pública, porque fui incapaz de resistir a Todas as Palavras de Manuel António de Pina, na Assírio e Alvim, agora detida pela Porto Editora. Estava uma pechincha, em livro do dia, a sorrir para mim e a implorar por um lar. Tive que o trazer.

Mas ainda há pérolas perdidas, na pessoa de pequenas editoras que recuperam autores mais pequenos da nossa história em edições fac-similadas e a preços muito convidativos. Este ano pude desfrutá-los com livros d‘A Bela e o Monstro, na banca da Editorial Planeta, ou na e-Primatur.

E depois, se há coisa que me desgraça é um funcionário simpático que gosta do seu trabalho. Na e-primatur estava calmamente a folhear os livros do Vilhena, pelos quais tenho algum carinho já que me lembram a minha infância. O único senhor da banca estava entretido com um dos seus autores que claramente tinha aparecido de surpresa para ver que destaque estavam a dar aos seus livros, e, muito subtilmente, queria a atenção que a sua posição merecia.

Por mim, óptimo, que eu já tinha esgotado o meu orçamento e não tencionava comprar mais nada. Estava simplesmente deliciada com a qualidade das edições. Assim que o autor deu espaço, o senhor da banca vem ter comigo e diz que não pôde deixar de reparar que eu tinha estado a ver os livros do Vilhena, e começou uma​conversa animada sobre o autor, o plano editorial que têm para as próximas obras, quando é que vão estar em livro do dia com o máximo de desconto. Já adivinharam, vim com o livro que estava em promoção, e ainda trouxe um saquinho com ofertas. Sou uma fácil.

De resto a feira está igual a si própria. Com mais roulottes de comida, mas que me pareceram bem enquadradas no espaço, com muita gente a passear, gente a levar os filhos a ter contato com os livros​, como os meus pais faziam comigo. E claro, passear na feira significa também encontrar amigos por acaso, comer um gelado enquanto nos arrependemos porque assim não podemos folhear os livros que queremos, e todos estes pequenos rituais tornam a experiência mais rica.

A frase do dia veio da boca duma turista brasileira, que gritou para uma amiga que ia mais à frente: “Oh Hilda, vamos embora que já vi que isto são só livros mesmo”!

E agora com licença, que tenho uns poemas para ir ler.

Feira do Livro 2017

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Chegámos àquela altura do ano em que se celebra a grande festa dos livros. Começa já amanhã, dia 1 de Junho, que acumula com o Dia da Criança, desculpa boa para levar lá os petizes, e para todos aqueles que como eu não foram abençoados com essa graça fugirem de lá a sete pés e escolherem outro dia para ir.

Já aqui disse o ano passado que os grandes monopólios editoriais tiraram um bocadinho de glamour à feira. Já não conseguimos encontrar grandes pechinchas, nem fundos de catálogo, apenas os mesmos nomes batidos que encontramos nas livrarias ou nos supermercados, mas mesmo assim a Feira continua a ser uma grande festa e um encontro de gente unida pelo interesse pelos livros e nesse aspecto é uma celebração que se sente no ar.

Como trabalho lá perto gosto de sair dum dia de trabalho e passear por lá a descontrair antes de ir para casa, mesmo que volte de mãos a abanar, ou apenas com algum livro de poesia comprado num alfarrabista.

Este ano espera-se que seja a maior Feira de sempre, com um número record de pavilhões e de expositores. Para não nos perdermos há um mapa aqui, e para podermos escolher cuidadosamente em que dia(s) fazer a visita, podemos consultar o livro do dia aqui

Está quase a começar, e a do Porto virá mais lá para a frente, em Setembro. Não percam, está lá até dia 18.

Fátima e a festa do cinema

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Esta semana que passou viu passar mais uma Festa do Cinema, em que durante 3 dias e por apenas 2.5€ podemos ter acesso a qualquer filme que queiramos ver, apenas pagando mais as taxas de 3D ou VIP, se for aplicável. Nós aproveitámos o último dia, quarta-feira, para celebrar o cinema português e fomos ver o Fátima de João Canijo.

Não podia ser mais apropriado ao mês em que estamos, com as comemorações do centenário das aparições, já que o filme segue o percurso de 11 mulheres que durante 9 dias fazem o percurso mais longo de peregrinação no nosso país, desde Vinhais até Fátima.

No entanto, a religião aqui é um mero pano de fundo do filme, já que a verdadeira história se centra nas relações entre aquelas 11 mulheres numa situação limite, e nas dinâmicas entre elas.

Eu pessoalmente gostei bastante do filme. Houve pormenores bastante bem conseguidos, as actrizes eram genuinamente transmontanas, e os diálogos muito verossímeis. É fácil acreditar que na realidade não houvesse um guião estruturado, e simplesmente indicações e depois lhes dessem rédea livre para improvisar conversas, de tal modo tudo soa natural. E claro, a Rita Blanco é uma belíssima actriz, como já nos tem habituado, mas devo dizer que a achei muito bem acompanhada, e aquelas jovens  não lhe ficaram atrás.

Depois achei a fotografia bastante interessante. Conseguimos apreciar as mudanças geográficas à medida que vamos descendo o país, a paisagem deixa de ser tão bela e dramática, como era em Trás-os-Montes e passa a ser um aglomerado de pinheiro e eucalipto quando entramos nas Beiras, e mesmo pormenores como a quase ausência de trânsito para a opressão constante dos camiões quanto mais nos aproximamos de Fátima, também está muito bem conseguida.

Depois, tendo eu passado por vezes verões inteiros na aldeia da minha avó, consigo ver claramente aquelas interações entre aquelas mulheres como tão possíveis. Aquela intrusão na vida alheia, o “não tenho nada a ver com isso, tu é que sabes, mas se fosse eu” constante.

E mesmo a organizadora da peregrinação está muito bem conseguida. Num dos verões que passei na aldeia, a minha avó quis levar-me a Vigo numa excursão. E eu pensei que seria engraçado passar esse tempo com ela, gostava desses programas que fazíamos só as duas, acabávamos sempre a divertirmo-nos. Bom, a organização era indescritível. O autocarro teria os normais 55 lugares, por aí, e ainda antes do último sítio de recolha de passageiros já ia gente sentada nas escadas de entrada. As últimas pessoas já foram deixadas “em terra”. E depois foi sempre a piorar. Passámos a noite em Vigo, mas o único sítio para dormir era o autocarro, o tempo de visitar a cidade foi entre as 7:30 da manhã e as 8:00, e só havia um motorista que à volta para casa já vinha a dormir a fazer as curvas do Luso. Um pesadelo, mas que faz perceber que há muita verdade na D. Isaura do filme.

Tendo dito tudo isto, aconselho vivamente, mas também aviso que devem ir preparados para um filme que dura cerca de 2:30, porque uma peregrinação nunca é curta.

Rumo ao Sul

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O Peixinho Vermelho fez anos no fim de semana passado e nós resolvemos tirar um dia para descansar e aproveitar uns raios de sol. São Pedro quase que nos estragava os planos, mas manteve-se firme até ao final, e foi simpático connosco.

Acabou por calhar tudo lindamente, porque morando em Benfica, previa-se um fim de semana um bocadinho mais agitado do que gostaríamos, mais a mais com Salvador e Fátima à mistura. E assim fomos rumo a terras de Aljezur. Mais concretamente um monte perdido perto do Rogil, terrinha que nunca tinha ouvido falar, mas que gostei muito de conhecer.

Andávamos há que tempos para ir para o “outro” Algarve, mas na realidade apenas um fim de semana sabe-nos a pouco, porque parecendo que não ainda são cerca de 3 horas de caminho, e uma viagem tão longa merece que lá estejamos mais tempo a desfrutar. Assim o aniversário do Peixinho Vermelho foi a desculpa perfeita.

Sábado fomos em passo de caracol por aí abaixo e fizemos a nossa primeira paragem num cantinho que gostamos muito, que é Porto Covo, para almoçar um belo peixe grelhado. Fomos ao Torreão, o peixe estava mesmo no ponto, bem grelhado e saboroso, os acompanhamentos é que podiam ser um bocadinho mais elaborados. Um naco gigante de couve cozida e espapaçada já não é coisa que se apresente nos dias de hoje, especialmente com tanto pesadelo na cozinha a passar na televisão. O pudim da sobremesa era delicioso.

Passeio pela vila para desmoer, sentadinhos à beira mar a ver as ondas bater na rocha, e lá nos pusemos a caminho que o Rogil ainda estava a mais de meio caminho. O nosso destino, o Monte da Xara, estava perdido no meio da Costa Vicentina, mesmo a seguir a uma terrinha chamada Azia. Valeu-nos o são GPS para lá chegar, mas valeu bem a pena.

O Monte da Xara é encantador, um oásis de calma e silêncio, uma casinha muito bem decorada, muito funcional, a 10 minutos de praias fantásticas e um pequeno-almoço digno de reis. E claro, a D. Isabel tem dois cães absolutamente maravilhosos, o Mar e a Nala, que sempre que lhes apetece nos vêm fazer uma visita, pedir festas e ver se temos petisquinho para lhes dar.

No dia em que chegámos já estava o dia no final e pouco mais fizemos que passear a pé pelas imediações e deitarmo-nos preguiçosamente no alpendre a apanhar sol e a fingir que líamos. Na realidade acho que passámos pelas brasas. Fomos cedo para dentro de casa, porque apesar de longe ainda havia quem quisesse ver o Benfica ser campeão, e temos de respeitar esses desejos. Essa foi a parte mais engraçada, ver pela televisão todo um  mundo de loucura pelas vitórias nessa noite, e nós virmos até ao alpendre escutar o barulho das rãs nos charcos, que era a única coisa que se conseguia ouvir na noite algarvia. O sossego é uma coisa maravilhosa.

O domingo e a segunda foram muito semelhantes. Fomos até à praia do Vale dos Homens, recomendada pela D. Isabel, a nossa anfitriã, que no auge de ocupação tinha umas 10 pessoas, e aproveitamos a maré baixa para ir até à praia deserta do lado e ficar por lá a torrar ao sol e a tomar banhos de mar numa piscina improvisada. Três dias de Costa Vicentina deram para recarregar baterias para mais umas semanas de trabalho intenso.

Pelo meio ainda conseguimos encaixar uma visita a Aljezur a à praia da Amoreira. Bonitos, mas estávamos mais virados a isolamento. Uma coisa que achei curiosa e me deixou com esperança na humanidade e na sua capacidade de fazer escolhas e encetar lutas, foi que um pouco por toda a parte, nas estradas, nas paredes das casas se podiam ver cruzes vermelhas a dizer não ao petróleo e gás natural no Algarve. E estando na beleza natural daquelas praias selvagens, que ainda esta semana a Conde Nast classificou como um dos melhores lugares do mundo para fazer caminhada em trilhos naturais, parece-me incrível que sequer se pense em trocar uma coisa absolutamente irrecuperável, que pode durar gerações, por um punhado de dólares que vai para o bolso dos mesmos do costume.

Como sempre, estamos distraídos com o nosso fado e futebol, e quem pode faz pela calada, e quando um dia realmente dermos por isso teremos este tesouro irremediavelmente destruído. O Vale do Tua já foi, quanto tempo restará à Costa Vicentina?

E assim deixo as fotos possíveis, mas que vos inspirem a ir até lá, ou pelo menos a estar atentos àquilo a que ninguém quer que estejamos atentos, as decisões que dizem respeito ao nosso futuro e que estão a ser tomadas nas nossas costas.

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O alpendre do Monte da Xara
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Deitados a ver o céu
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A praia de Vale dos Homens
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A vista cá de cima
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As poças de água e os seus tesouros

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O nosso spa
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A praia da Amoreira, mais perto de Aljezur, mais acessível e com apoio de praia. 
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Há que lutar!

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Por Aldeias de Xisto

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Uma rua em Gondramaz

Como já referi em vários posts anteriores, este ano vai ser a oportunidade de ir para fora cá dentro. No fim de semana passado os planos eram passar pelo Porto para ver a exposição de Miró em Serralves que já vos tinha sugerido aqui, e depois rumar até Bragança para passarmos uns dias imersos no Parque Natural de Montesinho, sítio onde estive há alguns anos atrás e onde desejo muito voltar.

Infelizmente uma crise muito grande de coluna há umas semanas deixou-me imprópria para consumo, caminhadas longas, e longos percursos de carro. Aliás, até bem perto do fim de semana nem sabia se conseguiria sair da cama, mas finalmente, com ajuda de muitos analgésicos lá voltei ao mundo da mobilidade e fomos até Penela, para um hotel já nosso conhecido, para uns dias de descanso à beira duma piscina rodeada por rãs verdes e momentos de zen.

No primeiro dia resolvemos ir explorar um bocadinho a região e fomos dar a uma aldeia de xisto próximo de Miranda do Corvo, mesmo no cimo duma encosta da Serra da Lousã, chamada Gondramaz. Muito diferente das aldeias que eu conheço na zona, principalmente pela cor do xisto que aqui é mais avermelhado, é uma aldeia encantadora, super arranjadinha, cheia de percursos pedestres e mesmo um centro de BTT. E, apesar de muito pequenina, tem dois turismos rurais com um ar muito interessante.

Mas nós fomos até lá para eu apanhar um bocadinho de sol e ar de montanha depois de tanto tempo fechada em casa, e ao mesmo tempo para almoçarmos num sítio catita, porque andamos sempre à cata de sítios onde se coma bem com boa vista. No final da aldeia temos o Pátio do Xisto, restaurante pequeno e com ementa exclusivamente feita de pratos do dia. É preciso ir de mente aberta para este restaurante. A senhora tem o que eu chamaria de “simpatia serrana”. Eu, que passei os verões na Serra do Açor, mesmo ali ao lado, estou perfeitamente habituada a ouvir comentários como: não queria a tua saia nem dada para ir ao mato, de pessoas da minha família, por isso os modos directos da dona do restaurante não nos chocaram minimamente, mas pude ver pelos comentários do trip advisor que algumas pessoas ficaram mais melindradas.

A chanfana foi das melhores que já comi num restaurante e sinceramente fez-me lembrar a da minha avó. A única diferença é que a caçoila não era de barro preto mas vermelho. Mas sinceramente quando me lembro ainda me cresce água na boca. A sopa era normal, e as sobremesas também não estavam mal. Com tanta medicação apenas bebi uma águinha, mas ouvi dizer que os vinhos eram bons. Sinceramente, só aconselho a quem esteja alojado na aldeia, porque a estrada sinuosa precisa dos sentidos bem alerta. E no final a conta foi muito simpática.

O resto da tarde foi passada à beira da piscina a aproveitar o sol que fez o fim de semana passado envergonhar este. Não consegui não ficar enervada por ver 2 pessoas a tarde toda a guardar 9 cadeiras de piscina, não deixando mais nenhuma vaga para as pessoas que chegavam, e para pessoas fantasma que nunca chegaram a aparecer. Sinceramente não percebo a fobia que os portugueses têm a ficar uns minutos sem cadeiras. Sempre nestas situações, ou em centros comerciais cheios, acumulam cadeiras como se fosse um bem precioso que fosse acabar a qualquer momento e que toda a humanidade dependesse disso, e eles, machos e fêmeas alfa e muito mais espertos que os outros mortais, sobrevivessem rodeados de cadeiras vazias.

Enfim, normalmente ter-me-ia sentado no chão sem problema, mas as costas não mo permitiram. Felizmente apanhamos um casal a ir embora quando saímos da piscina e pudemos sentar-nos tranquilamente sem ter de perturbar os acumuladores e tudo terminou em bem.

O resto do fim de semana foi passado em serena tranquilidade Penelense, entre piscina com relas e D. Sesnando, como quem revê velhos amigos. É sempre um prazer voltar e ser tão bem recebido.

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Mesmo à entrada da aldeia de Gondramaz está esta casa de sonho, com um poço e tudo. 
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As casas do largo
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Um pouco por toda a aldeia podemos encontrar estas esculturas nas paredes das casas.
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A vista do Pátio do Xisto
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Chanfana… hum…
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A piscina das relas no Duecitânia… 

Dias da Música 2017

Dias da Musica 2017

No próximo dia 29 começa mais uma edição dos Dias da Música em Belém no CCB, evento a que eu gosto muito de assistir, este ano sob o tema “As Letras da Música”, tema bastante literário é que tem muito a ver com o Peixinho.

Olhando para o programa consigo ver já imensos concertos aos quais gostava de assistir, até porque o ambiente no CCB durante estes dias é muito descontraído e contagiante, mas ainda não sei se vou conseguir ir este ano, que tem sido um bocadinho conturbado.

No entanto deixo-vos algumas ideias de coisas que se eu pudesse não perderia com certeza:

Sexta, 28 de Abril às 21:00 – JP Simões: Buarque, Bloom e Outras Canções (A2)

Sábado, 29 de Abril às 14:00 – Orquestra Sinfónica Ensemble: Sedução e Amores Proibidos (B2)

Domingo, 30 de Abril às 13:00 – DSCH – Schostakovich Ensemble: O Carnaval dos Animais (C10)

Espero que gostem.

Bookcrossing e Cabify

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Se há coisa que o Peixinho gosta são ideias novas de partilhar livros. O Bookcrossing não é de todo uma ideia nova, o conceito original já existe desde 2001, mas desde aí já muitas variações foram sendo criadas.

Há uns tempos falei aqui de várias bibliotecas de partilha de livros que existem um pouco por toda a Lisboa e ainda há pouco tempo libertei um livro numa aqui perto de casa.

Ora, de dia 23 a 28 a Cabify e a Saida de Emergência juntaram-se para fazer uma iniciativa semelhante. Sempre que andar num Cabify pode levar um livro dos seus e trocar por um livro daquela editora, segundo o que eu recebi deles e em baixo partilho.

Ainda esta semana andei a deslocar-me várias vezes para o centro de saúde e fazer raio-x de Uber e Cabify, portanto uma iniciativa destas teria dado jeito, para renovar o stock que tenho cá em casa, mas fica a dica para a próxima semana.

Adira ao bookcrossing Cabify & Saída de Emergência, a troca de livros em movimento na sua cidade.

No próximo dia 23 de Abril, celebra-se o Dia Mundial do Livro. E haverá melhor forma de viajarmos do que lermos uma boa história? Celebre connosco e junte-se ao movimento de bookcrossing que vamos promover em parceria com as edições Saída de Emergência! 

O que é o bookcrossing? 

O Bookcrossing é um conceito norte-americano que define a prática de deixar um livro num local público para ser trocado por outro livro, e assim sucessivamente.

A partir de domingo, 23 de abril, e até 28 de abril todos os veículos Cabify terão a bordo um livro das edições Saída de Emergência para troca, ou seja, para levar o livro que se encontrar disponível no automóvel o utilizador tem de deixar um para o próximo utilizador, deixando-o partir na sua próxima grande aventura.

Se vai pedir um Cabify, traga um livro consigo.

Boas viagens,

A equipa Cabify

Passeata na Tapada

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Pois quem anda pelo Peixinho já percebeu que isto é tanto um blog de livros como de passeata, e foi isso que aconteceu mais uma vez este Domingo. Depois de alguns fins de semana mais caseiros por causa duma constipação/asma que teimavam em não me deixar em paz, este Domingo resolvi que, mesmo que tossisse os pulmões para fora do peito, estava na altura de caminhar na natureza.

Conseguimos um voucher do Sapo para a Tapada de Mafra, sítio onde marcamos o ponto pelo menos uma vez por ano, e que dava direito a um percurso 360º, incluindo um atelier de apicultura, uma demonstração de aves de rapina e um percurso pedestre.

A ideia inicial era fazer um percurso de 8km, mas como eu queria terminar ainda com pulmões, e eventualmente vir dormir a casa, tivemos de optar por uma solução de compromisso, e dar uma volta a pé pelos caminhos principais, menos íngremes, mas não menos interessantes. No final do passeio o podómetro do Peixinho Vermelho marcava um pouco mais de 7km, por isso parece-me missão cumprida. O meu podómetro marca 12km, mas sendo do chinês tenho as minhas dúvidas.

O melhor da Tapada, para além de ser pouco humanizada e dar para fazer uns percursos pedestres engraçados como se estivéssemos no meio do mato, é que se formos silenciosos (coisa difícil para a maioria das famílias com que nos cruzamos, facto) conseguimos ver imensa fauna, porque os senhores do parque alimentam-nos perto do caminho. Ontem vimos um gamo, veados e javalis. Os machos são muito engraçados e olham-nos duma distância considerável, a tentar perceber se vão investir ou passar ao largo. Felizmente para nós, até hoje optaram sempre pela segunda opção, e ficaram a comer alegremente, sempre de olho em nós não fosse necessário tomar medidas a qualquer momento. Era mútuo, nós também não tirámos os olhos deles e das hastes do senhor veado, que aquilo ainda tem ar de poder aleijar.

Final do passeio ainda teve direito a paragem na Malveira para comer umas trouxas do Oeste, que há que repor as calorias gastas a caminhar. A Tapada é daqueles tesouros mesmo à porta de casa, que por uns tostões nos providencia horas de contacto com a Natureza. Vale a pena.

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Os veados no ínicio da refeição

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Uma ponte para um dos caminhos secundários que não pudemos seguir
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Calmamente a ruminar depois do almoço
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As trouxas do Oeste. Alguém comeu duas, mas não fui eu 😉

Ama Romanta no Blitz

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Este mês de Março a revista Blitz oferece um CD com raridades da velhinha editora do João Peste, Ama Romanta. E isso fez-me comprar novamente o Blitz e recuar no tempo aos meus 16 anos quando eu comprava o jornal e a primeira coisa que lia eram os “pregões e declarações“. Foi assim que percebi pela primeira vez que havia uma rivalidade entre norte e sul (ou Lisboa e Porto se quiserem) ao ler as Polémicas, que eram obviamente as minhas favoritas.

Mas comprei religiosamente o Blitz por muito mais de 15 anos, lia as reportagens dos concertos a que tinha ido, ficava zangada quando os críticos não gostavam tanto como eu tinha gostado, claramente não percebiam nada de música, ou pelo menos daquele género de música. Lia as críticas aos cds e discordava religiosamente do António Freitas que não gostava do mesmo tipo de metal que eu. Abria horizontes para outros tipos de sonoridades e aprendia sobre a música e a diversidade.

Hoje ao ver a revista fico um bocadinho desiludida, sinto que não é bem a mesma coisa. Sou saudosista, o papel de jornal tem uma mística diferente, mas se calhar é a minha adolescência que me traz a saudade da descoberta. O Blitz (para mim será sempre O Blitz), tal como todos nós tem de se adaptar ao mundo dos androids e dos ios, e conquistar novos públicos para não morrer.

No entretanto fica um cheirinho a passado com este CD. Ainda se encontra por aí até ao fim do mês, para quem quiser aproveitar.

À Beira-Mar

O Peixinho Vermelho sabe bem que o melhor presente que me pode dar em qualquer ocasião é passeata, por isso toca de me surpreender com um fim de semana de aniversário à beira mar. Como 2016 foi muito intenso de viagens, este ano estamos a recuperar a carteira com pequeninos passeios cá por dentro, mas o entusiasmo dum peixinho é sempre o mesmo, basta haver água.

Pois que a primeira paragem foi no Portinho da Arrábida, para nos esticarmos ao sol a ouvir as ondas. O plano era ler um bocadinho na areia, mas como estou esgotada da minha cabeça acabei por ficar simplesmente a desfrutar do silêncio, dos pássaros e da natureza. Claro que isso durou pouco, porque apareceram dois irmãozinhos deliciosos a brincar com um papagaio e a brincadeira não tinha graça se eles não estivessem a brigar um com o outro com o volume dum jacto supersónico a descolar. Os pais, casal sapiente e sabedor, estava a mais de 500m da sua prole para proteger os próprios ouvidos, o que claro causava a que à briga se juntassem ainda os clamores de: “OH MÃE OLHA O MANO!”

Estávamos nós a pensar para os nossos botões que raio de karma é que nos faz sempre isto, quando um vento maravilhoso (estava um dia com algum vento, parte da areia da praia ainda não saiu dos meus cabelos) deu um sacão e levou o papagaio que deve estar agora algures em Marrocos. O silêncio voltou à praia e pudemos continuar a desfrutar da manhã em tranquilidade.

Depois dum almoço simpático numa das esplanadas da praia, onde fomos muito bem atendidos, rumámos ao destino final do fim-de-semana, Sesimbra. Da última vez que lá tinha ido, há cerca de 30 anos, foi para acampar com a minha madrinha e o meu primo que teria cerca dum anito, e lembrava-me duma vila pequena e simpática, e da longa subida para o parque de campismo.

Digamos que a simpatia da vila perdeu-se algures nestes 30 anos. Simplesmente não há lugar para estacionar em lado nenhum, supostamente há um parque algures, mas não conseguimos dar com ele, paga-se parquimetro todos os dias, incluindo ao fim de semana, e o hotel para onde íamos cobrava 10€ de parque (claro, toda a gente vai pagar, sob pena de ter de andar com o carro debaixo do braço).

Ora, nós somos teimosos e descobrimos um recanto onde não se pagava algures cá para cima, mas a descida era íngreme e com malas foi uma aventura. Enfim, senhores autarcas, não é simpático, não promove o turismo, deixo a minha opinião.

Depois a praia está com muito pouca areia, e também não convida a a passeata, porque nos sentimos ao colo das pessoas no paredão, por isso Sesimbra não deslumbrou. Valeu a piscina interior do hotel, muito acolhedora e onde passámos a tarde a escaldar o resto da cara. À noite fomos comer um belo peixe grelhado a um restaurante muito catita também, O Velho e o Mar, aconselho se forem para aqueles lados, mais uma vez o serviço foi simpático, a comida foi boa e a sobremesa, gigantesca, era bastante interessante.

Domingo começámos por dar uma passeata até ao Castelo de Sesimbra, que nenhum dos dois conhecia. Custou mais do que o previsto chegar lá, porque o meu telemovel estava nos seus estertores finais e o GPS resolveu achar que o castelo era uma casa abandonada no caminho para o Meco, mas depois desse equívoco resolvido valeu a pena o desvio, porque o Castelo verdadeiro está muito bem recuperado e tem uma vista lindíssima sobre a vila de Sesimbra. As exposições também são interessantes e explicam um bocadinho sobre a história da zona, dá para perceber há quanto tempo a fortificação existe e a importância estratégica que teve. Giro para miúdos e graúdos.

Para terminar achámos por bem voltar onde tínhamos sido felizes, e fomos de novo para o Portinho, mas infelizmente íamos levantando voo. Estava um vendaval que ninguém conseguia estar na areia, e o nosso peixinho grelhado acabou por ficar mais temperado do que desejaríamos.

Mas as praias da Arrábida são deslumbrantes, e gostamos muito de lá ir off season, para descontrair um bocadinho e aproveitar o sol de Inverno/Primavera. É sem dúvida das paisagens mais bonitas de Portugal.

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A nossa vista sobre a marginal de Sesimbra
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No Castelo de Sesimbra