Acabei de Ler – Morte no Nilo, Poirot #17

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Eu pensava que o Poirot anterior seria a última leitura do ano, mas ainda consegui ler este antes do início de 2020. Era um livro que já tinha lido em português na minha adolescência, e que já vi o episódio da TV inúmeras vezes, por isso a resolução do assassínio(s) não foi surpresa. Mas é sempre muito diferente ler na língua em que foi escrito, com as subtilezas culturais e geracionais próprias, e mais uma vez não foi decepção.

Neste livro conhecemos Linnet Ridgeway, uma jovem linda e rica, que aparentemente tem tudo na vida e por isso é invejada, perseguida e adulada por muita gente. Recém-casada resolvem passar a lua-de-mel no Egipto, onde vem a ser assassinada num cruzeiro do Nilo onde também se encontra Poirot. Para resolver o caso é chamado o Coronel Race que nós já conhecíamos como um dos suspeitos do livro Cartas na Mesa.

A acção é interessante, a história muito bem construída e o final muito bem pensado. O cenário é exótico e diferente e foi após Agatha Christie ter ela própria viajado com o marido pelo Médio Oriente e ficado fascinada com o que viu que escreveu uma série de mistérios de Poirot passados nesta zona do mundo.

Como sempre, aconselho a todos os fãs de policiais, do Poirot, ou simplesmente a quem goste duma boa história, bem contada.

Boas Leituras e Bom 2020

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Acabei de Ler – Poirot Perde uma Cliente, Poirot #16

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Depois de um ano cheio de leituras boas achei que era adequado terminar com mais um Poirot. Dei um grande avanço nesta minha maratona este ano, mas mesmo assim ainda não há fim à vista, já que são cerca de 39 títulos que estão disponíveis. É para se ir fazendo.

Este é um daqueles livros que creio que nunca tinha lido, apesar da história me ser algo familiar. Excesso de Poirot’s seguidos talvez. Foi uma história interessante, pudemos rever o Capitão Hastings, que apesar de aparecer em quase todos os episódios de TV apenas esteve presente em 8 novelas e muitos contos. É um personagem que eu gosto muito, foi um prazer rever  só voltará a aparecer no livro final, Cai o Pano, o Último Caso de Poirot.

Esta história foi simples mas bem conseguida e interessante, e estive quase até ao final sem perceber quem era o assassino. A pérola foi um diálogo entre Poirot e Hastings em que estes se comparavam ao Sherlock Holmes e Watson, numa clara referência a uma das grandes inspirações de Agatha Christie.

No geral foi um livro bem escrito e prazeiroso de ler, que recomendo como sempre a fãs do género e de Poirot em particular. A maratona continua.

Boas Leituras!

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Acabei de Ler – My Sister, the Serial Killer

my sister the serial killer

Por vezes penso que no Peixinho há um certo défice de novidades, livros que são muito recentes e andam nas bocas do mundo, que é como quem diz nos grupos de leitura em que ando inserida, ou noutros blogues que leio. Pessoalmente isso não me faz muita confusão porque há mais livros para ler que anos de vida para o fazer, e nuita coisa publicada no passado que me desperta verdadeiro interesse. Mas de vez em quando há livros recentes que à custa de os ver mencionados tantas vezes eu acabo mesmo por sucumbir à curiosidade.

Foi o caso deste My Sister the Serial Killer, da nigeriana Oyinkan Braithwaite, que causou furor um pouco por todo o lado. Passado na Nigéria, país natal da autora, é um livro diferente e refrescante. Nele conhecemos Korede e a sua irmã mais nova, Ayoola, que ficamos imediatamente a saber tem uma queda para matar os seus namorados. Aquilo que vamos descobrindo ao longo do livro é o que nos leva a ter um sentido de lealdade quase cega (educação, constrangimentos culturais) e onde é que fica o limite daquilo que somos capazes de fazer por aqueles que amamos.

Um dilema interessante, muito bem escrito e que é impossível de pousar até terminarmos o livro. O facto de ser passado em Lagos, na Nigéria, e não numa qualquer cidade europeia ou americana, é também uma mudança refrescante de cenário. Foi uma leitura perfeita para o final do ano.

Recomendo a todos os que gostam duma leitura simples, rápida, interessante e sem preconceitos. Mente aberta e desperta é o que se espera.

Boas leituras!

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Acabei de Ler – Baise-Moi (Rape Me)

virginie despentes

Conheci Virginie Despentes em 2017 com um livro excelente proporcionado pelo Netgalley, Vernon Subutex. Tenho andado à espera do segundo volume traduzido em inglês, que ainda não consegui arranjar para o meu Kindle. Enquanto espero resolvi que estava na altura de ler mais qualquer coisa desta senhora, já que foi uma autora que me impressionou. Tem o tipo de linguagem que eu gosto, moderna, do nosso tempo e do nosso mundo. Sem contemplações e sem filtro. Por isso atirei-me de cabeça a este livro, sabendo que ia ter uma jornada dura.

E foi uma jornada bastante dura, mas um livro que devorei em dois dias. E isso tem sido tarefa impossível ultimamente, já que o tempo disponível para ler tem sido curto. O livro é rápido, alucinante, difícil de digerir e muito violento. Nele conhecemos Nadine e Manu, duas jovens francesas duma cidade média, que vivem um pouco à margem da sociedade. Abusam de álcool e drogas, recorrem a prostituição para ganhar dinheiro e não têm uma vida fácil, nem a facilitam. Nadine e Manu não se conhecem, mas cruzam-se por coincidência e nunca mais se vão largar. São atraídas uma para a outra um pouco como a expressão “misery loves company” e a “aventura” que vão viver marca-nos pela dureza e pela crueza.

É um livro muito simples, mas cheio de emoções complexas. Tal como em Vernon Subutex, fala-se aqui de situações que preferimos acreditar que não existem, e pessoas com as quais nunca nos queremos cruzar. Mas estas pessoas existem, e estas situações, principalmente as que acontecem a Nadine e Manu antes de se conhecerem, acontecem mais frequentemente do que queremos admitir.

O título em inglês deixa um bocadinho a desejar. Depois de alguma investigação percebi que uma interpretação mais literal seria “Fuck Me”, mas os editores anglo-saxónicos devem ter achado este título mais chocante. Go figure!

Não recomendo a toda a gente. Se quiserem ler este livro vão preparados para muita violência gratuita, para muitas imagens gráficas e de cariz sexual, nem sempre consensual. Tem muito sexo, sem ser de todo um livro erótico. É preciso estômago, mas é uma viagem que não esqueceremos.

Noutra nota, já tenho na minha lista de autores a ler Georges Bataille e Dennis Cooper, que foram muitas vezes mencionados na sinopse deste livro. A ver em 2020, que agora sigo para leituras mais “limpas” para desintoxicar.

Boas Leituras!

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Acabei de Ler – Travelling to Work, Diário Michael Palin #3

michael palin diary 3

Tal como quando li os contos de Hyperion, pegar neste terceiro volume dos diários do Michael Palin foi como voltar a algo conhecido e familiar como a nossa casa. Eu tinha ficado com a pulga atrás da orelha para ler este terceiro volume, não só porque foi quando se deu a morte do único Python até à data, Graham Chapman, que foi co-autor com John Cleese de alguns dos melhores sketches deles, como o dead parrot sketch, mas também porque foi neste altura que a carreira de Palin como apresentador e escritor de viagens se lançou com força.

Assim aqui podemos ver o lado mais pessoal de projectos como A Volta ao Mundo em 80 Dias, ou de Polo a Polo, toda a preparação que é necessária, a pós-produção, a luta para arranjar financiamentos para começar enquanto ao mesmo tempo se tenta garantir alguma independência, e depois a agonia de seguir as audiências televisivas ou as vendas de livros para saber se o esforço valeu a pena. Foi também interessante ler sobre todo o trabalho preparatório dum livro que eu li este ano, Hemingway’s Adventure. Não é só viajar e registar, há muito trabalho envolvido antes e depois.

Mesmo no fim dos 40 início dos 50’s, Michael Palin mantêm-se um jovem de espírito, sempre com vontade de fazer mais, descobrir mais e fazer algo de bom pela sociedade onde se insere, já que é muito consciente do seu papel social. Ao mesmo tempo continua com as mesmas inseguranças sobre o seu trabalho, o que nos mostra que é realmente uma pessoa de pés bem assentes na terra. É também refrescante ver que depois de todos estes anos os Python mantêm a amizade, se encontram regularmente e ainda gostam de colaborar juntos, mesmo que em moldes diferentes.

Recomendo a todos os fãs de Monty Python e de Michael Palin em geral.

Boas Leituras!

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Acabei de Ler – Vénus na India

venus na india

Eu acho que já falei aqui algures que os meus pais tinham uma pequena colecção de livros eróticos (mal) escondidos, e aos quais eu acedi em tenra idade. Este foi um deles, que ajudou a preencher algumas tardes em vez de ver desenhos animados. Encontrei-o perdido na net, e resolvi descarregar para o Kindle e reler.

Este é supostamente um livro biográfico que narra as aventuras do capitão inglês, Charles Devereaux, aquando o seu destacamento na Índia e no Afeganistão, no final dos 1800. A primeira coisa que salta à vista é a escrita delicada, floreada e profundamente vitoriana. A quantidade de pormenores, nomes carinhosos e metáforas é bastante interessante, e está ao nível de alguns contos que eu li naquele livro que comecei, Dentro da Noute, contos góticos, e que falei aqui.

A segunda coisa que salta à vista é que a moralidade vitoriana é muito diferente da nossa, mas que em alguns aspectos se este livro fosse publicado hoje o seu autor seria preso por pedofilia. Talvez seja leitura difícil para quem não se consiga abstrair de como as coisas eram diferentes há mais de um século atrás, em que uma rapariga de 15 anos já estava em idade de casar.

Mas em geral é um livro muito bem escrito, um clássico deste género, e com uma história engraçada. Tem supostamente uma sequela, mas essa não a consegui encontrar em lado nenhum.

Aconselho a quem gosta de literatura erótica, e livros de época.

Boas Leituras!

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Acabei de Ler – Hyperion Tales

shrike

Como falei anteriormente, a minha escolha de leitura tem andado bastante reduzida e muito centrada em Agatha Christie. Mas como tudo o que é demais enjoa, resolvi pesquisar as coisas que tinha perdidas no Kindle e procurar algo que me satisfizesse.

Quem segue o blog sabe que Hyperion, de Dan Simmons, e subsequentes títulos da série, são dos melhores livros de ficção científica que li desde sempre. Por isso nada como “voltar a casa”, que neste caso significa ao Universo de Hyperion, e ler uma compilação de 3 contos passados no mesmo universo.

Estes contos foram uma forma do autor voltar a mostrar-nos o que se passava naquele universo, quer antes dos acontecimentos de Hyperion, quer algum tempo depois do final de Endymion, sem no entanto fazer uma sequela propriamente dita. O primeiro conto, Orphans of the Hellix foi o meu favorito, o que se passa muitos anos depois dos eventos de Rise of Endymion, e foi bonito e triste como deveria ser a despedida deste Universo. Porque é esse o sentimento que fica, de que nos estamos a despedir de um amigo que tanto nos agradou mas que não voltaremos a ver.

Remembering Siri, o segundo conto, esteve quase integralmente incluido em Hyperion, por isso não foi novidade. O terceiro conto, The Death of the Centaur, é talvez o mais biográfico dos 3, já que é uma alegoria contada por um professor de literatura à sua turma numa comunidade rural. Vemos um cheirinho da presença do Shrike, só para nos aguçar o apetite (tal como no primeiro conto, aliás).

Gostei muito, recomendo imensamente a todos os que leram os quatro Cantos de Hyperion. Aos que não leram, sinceramente não sei o que esperam. Ficção científica é tão mais do que naves espaciais aos tiros. Aqui reflecte-se sobre degradação ambiental, religião, filosofia, liberdades individuais versus obediência ao colectivo, política, e muito, muito mais, tudo com um monstro assassino de 4 braços à mistura. Recomendo!

Boas Leituras!

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Acabei de ler – Cards on the Table, Poirot #15

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Como já devem ter percebido entusiasmei-me com os Poirots e tenho lido em catadupa. Ajuda o facto do cérebro ainda não estar a 100% e estas leituras são interessantes e mais fáceis.

Este décimo quinto volume conseguiu mais uma vez surpreender.  O prefácio escrito pela autora estabelece logo o tom. Estamos perante um caso em que apenas 4 pessoas que se encontram a jogar Bridge poderiam ter cometido o crime, todas têm motivos e oportunidade. Será um trabalho de dedução chegar ao assassino. É o caso favorito do Poirot, mas o Hastings acha-o aborrecido. A autora lança-nos um repto, com quem nos identificamos mais?

Após a leitura do livro eu cheguei à conclusão que estou próxima do Poirot. Não sei se é o meu livro favorito, mas certamente não tem nada de aborrecido, é tem algumas voltas interessantes.

Como sempre aconselho a fãs do Poirot, de policiais e boas histórias em geral.

Boas leituras!

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Acabei de ler – Crime na Mesopotâmia, Poirot #14

crime na mesopotâmia

Se bem me lembro este foi um dos primeiros livros do Poirot que eu li, por volta dos meus 14/15 anos, quando estava de férias na terra. Li a versão dos Livros do Brasil, que tinha dois mistérios num só volume. Este vinha acompanhado de Morte no Nilo, talvez por serem os dois em locais exóticos.

Depois disso já o reli, e vi o respectivo episódio, mas resolvi reler de novo, agora em inglês. Também porque é o volume seguinte do Poirot que eu continuo a ler obsessivamente por ordem.

É um livro muito pitoresco. Não só é passado na Síria no início do século XX, como a narradora é uma das personagens participantes da trama. Poderíamos pensar que isso elimina logo uma das suspeitas, mas quem leu os Poirots anteriores sabe que ser narrador não é garantia de idoneidade.

Mas é esta enfermeira que narra a história que confere um toque ainda mais especial a esta história intrincada. Profundamente inglesa, vê com desconfiança e condescendência tudo e todos os que são estrangeiros, é isso dá uma cor muito engraçada à história. Creio que podemos vislumbrar um pouco da verdadeira Agatha Christie nesta personagem.

Mais uma vez recomendo a todos os que gostam de policiais e histórias bem contadas que nos prendem a atenção.

Boas leituras!

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