Acabei de Ler: Gina in the Floating World

gina

Keep scrolling if you prefer to read in English.

Já é mais que sabido que o Peixinho gosta de literatura erótica, e que anda um bocadinho desiludido com o que se escreve atualmente. Ainda não percebi se sou eu que ainda não descobri os livros bem escritos, sem implicações de moralidade puritana duvidosa, ou se pelo contrário o politicamente correcto também invadiu esta corrente da literatura, normalmente mais transgressiva. A regra parece ser, podes fazer as coisas mais escabrosas, desde que seja com o homem que vais casar (ainda a influência das 50 Shades).

No entanto, por vezes aparecem pequenas pérolas. Esta chegou até mim por intermédio do Netgalley e não fiquei desiludida.

Passado no Japão em 1981 este livro conta-nos a história de Dorothy, uma jovem americana de 23 anos que vai fazer um estágio em finança no Japão para ganhar experiência na área e em multiculturalidade para poder prosseguir os estudos numa Universidade Americana de renome.

Quando lá chega percebe que há um fosso cultural abismal, que afinal já não vai ter bolsa de estudos e que vai ter de arranjar trabalho para continuar a perseguir o seu sonho. O que se seguem são uma série de peripécias em que Dorothy se transforma em Gina, uma empregada em bares de Tóquio, onde vai vivendo uma série de experiências novas, desafiantes, onde se conhece a si mesma e aos seus limites e nos leva pelos meandros da sociedade japonesa dos 80’s.

Claro que o livro não é perfeito, e nalguns momentos as reacções de Gina parecem um pouco infantis, mas no geral é uma história bem escrita, bem contextualizada, cheia de sensualidade muito mais que cenas explicitas, um erotismo que nos é trazido através da arte japonesa, dos locais a visitar, da cultura em geral.

Gostei muito e recomendo a todos aqueles que gostam de erotismo e de viagens.

Goodreads Review

As you might know if you follow the blog, I am a fan of erotic literature, albeit a bit disappointed with what is being written at the moment. I still haven’t figured out if it’s me who haven’t come across well written books, without prudish moral concerns, or if on another hand the political correctness has invaded this type of literature that used to be more transgressive. The rule of thumb seems to be, you can do the most outrageous things, as long as you marry the guy in the end (still the 50 Shades influence).

Despite all this, every once in a while I come across a small treasure like this book, that came to me through Netgalley.

The action is set in 1981 Japan, and we follow the story of Dorothy, a young American girl that wants to proceed her studies in a renowned university, and to accomplish that she needs an internship abroad. This will provide both with experience on the job and a multicultural experience, crucial for the university she’s applying to.

Once in Japan she realises the cultural gap is bigger than she was expecting, her scholarship is also not happening and this means she is left with no money on a foreign country, needing a job to complete the internship. The rest is the depiction of her adventures as a hostess in Japanese bars, while she learns the language, art, food, but most of all she learns her limits and limitations. She has several interactions with different kinds of men, and all of these make her grow.

The book is not perfect and sometimes Gina (Dorothy) feels a bit childish, however the story is good, the background is coherent and adapted to the story, very sensual and full of beautiful scenes that intertwine eroticism with art and culture.

I liked it very much and recommend it to all fans of erotic literature and travels.

Happy Readings

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Livros que Recomendo – A Casa dos Budas Ditosos

A casa dos budas ditosos

Já começava a faltar por aqui a recomendação dum bom livro erótico. Então e porque razão, de tantos que já li, começar exactamente por este? Bom, primeiro porque tinha de começar por algum lado, depois porque nada melhor do que começar por um livro escrito na nossa língua e que é para além de literatura erótica, também muito descontraído, descomprometido, e sem leituras moralistas associadas. Os meus favoritos, portanto.

Já antes tinha falado brevemente nele aqui no blog, naquele que deve ser o meu artigo mais lido de sempre, já que pelo menos uma vez por dia alguém vem cá parar vindo dum motor de busca qualquer. O poder dum bom título, creio eu! Mas resolvi finalmente vir recomendá-lo como bom livro que é. Mas de que trata realmente, e quem são estes budas ditosos?

Escrito para fazer parte da colecção Plenos Pecados como representante da luxúria, este livro parte da premissa que o autor recebeu umas cassetes entregues no seu prédio onde uma senhora de 68 anos conta a sua vida desregrada e todas as suas experiências sexuais que foram vastas e experimentalistas. Este é um livro que tem dividido opiniões e que quando foi editado no Brasil chegou mesmo a ser proibida a sua venda em supermercados dado ao conteúdo explicito. No entanto hoje em dia (50 Shades depois, diria eu) já é vendido livremente apesar de continuar polémico.

Se nos limitarmos a olhar para o superficial, vemos apenas um desfilar de descrições de actos sexuais, contadas com muito bom humor e descontracção, mas nada mais que isso. No entanto, por trás das aparências e olhando ao contexto histórico brasileiro, podemos encontrar um subtexto de critica social e politica muito subtil, que desafia as convenções e os moralismos instituídos, bem como as nossas ideias pré concebidas sobre a sexualidade.

Está longe de ser um livro consensual. Se derem uma olhada aos comentários no Goodreads vêem que as avaliações são 5 ou 1 e os comentários fazem jus a esse facto. É um livro que se ama ou odeia. Eu gostei muito e recomendo, mas vão avisados, é preciso estômago e mente (muito) aberta. Leiam por vossa conta e risco.

Boas Leituras!

 

OS 6 melhores livros eróticos de sempre

Livros Eroticos

Em posts anteriores já falei de “marotices” e nem sempre nos termos mais elogiosos. Mais concretamente, já desanquei as 50 Sombras de Grey. No entanto livros eróticos estão definitivamente na minha lista de preferências, principalmente quando bem escritos e proporcionam sempre bons momentos de leitura. É uma pena que o mercado tenha sido invadido por sucedaneos das 50 Sombras, como na minha infância un senhores em Sete-Rios vendiam sucedâneo de chocolate em embalagens amarelas, mas deixo-vos aqui uma pequena amostra do que de bom se pode encontrar neste tipo de literatura. Muito mais exemplos existirão, partilhem comigo os que gostarem mais.

Venus na India (1889) – Um dos primeiros livros eróticos que li, às escondidas, ainda antes de ter atingido a adolescência e perceber exactamente o que estava a ler. Digamos que a minha mãe nunca foi muito boa a arranjar esconderijos para livros, e li muita coisa que talvez não devesse antes de tempo. Mesmo assim continuo a achar que era um livro bem escrito, com uma visão interessante e onde aprendi muita coisa que não tive de perguntar aos amigos. Relata as aventuras dum Capitão inglês na exótica India da época vitoriana, e contrariamente ao esperado, as mulheres são retratadas com alguma experiência e liberdade sexual.

Opus Pistorum (1936)- Arranjei este livro de Henry Miller numa daquelas colecções do Publico ou similar, já há alguns anos. Li-o duma assentada, num misto de espanto, horror e deleite. É um livro muito bem escrito, talvez demasiado forte nalguns momentos. Apesar de ser ficção, nalgumas descrições não conseguimos deixar de ter a sensação que o autor terá mesmo passado por aquela situação, tal a familiaridade com que a descreve. É um livro muito interessante, aconselho muito a quem tenha estomago forte e coragem. O protagonista é o próprio escritor e o pano de fundo é a Paris boémia dos anos 30, com os seus excessos libidinosos.

Emanuelle (1959)- Este livro é um clássico, embora a maioria das pessoas se recorde melhor do filme. Inicialmente publicado clandestinamente em França, este livro relata o desabrochar sexual duma mulher quando se muda para a Tailândia com o seu marido diplomata, e está escrito dum modo profundamente feminino, o que contribui grandemente para o seu apelo. É um livro intemporal, mas muito do seu sucesso deve-se também à altura da sua publicação, uma vez que coincide com o começo da libertação sexual da geração de 60.

Delta de Vénus (1977) – Anais Nin é outra grande escritora de erotismo, com uma sensibilidade muito feminina. Foi contemporânea de Henry Miller, partilharam muitas aventuras, mas a voz que retratam nos livros é radicalmente diferente. Dois lados da mesma moeda? Este livro é uma colecção de contos eróticos, lindamente escritos.

História de O (1954) – Este livro de Pauline Réage está aqui como uma escolha provocadora e na realidade causa-me um misto de emoções. Enquanto num primeiro olhar possa parecer um elogio à objectificação da mulher, já que descreve o desejo da protagonista de ser tratado como escrava sexual do seu amante, é também um livro que foi escrito por uma mulher e que lutou muito à época para ser editado e distribuido devido ao seu conteúdo considerado obsceno.

A Casa dos Budas Ditosos (1999) – Esta lista não ficaria completa sem um título escrito em português, neste caso do outro lado do Atlântico. João Ubaldo Ribeiro escreveu sobre a luxúria para a colecção Plenos Pecados e alegadamente relata a vida duma quase septuagenária baseado nuns relatos pessoais que lhe chegaram às mãos. Se as histórias são verídicas ou não, pouco importa. Estão muito bem escritas, variam entre o sensual e o totalmente depravado, mas sempre com bom humor e um toque de tropicalidade apetecível. Recomendo muito.