Acabei de Ler – Sahara, de Michael Palin

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Depois de um Agosto com muitas leituras comecei um Setembro muito seco. A cabeça esteve ocupada com o regresso à escola, que era nova, e com muitas adaptações necessárias. Retomar a natação depois duma paragem de um mês também trouxe os seus desafios, e ainda houve o regresso ao trabalho aí pelo meio.

Normalmente esta seria a altura em que um livro de fantasia era o ideal, mas li tantos em Agosto que perdi (temporariamente) a vontade. Pensei em finalmente participar no #septemberthrills da Dorinha, mas achei que a minha vida não precisava de mais agitação.

Quando assim é já sabem o que faço. Vou viajar vagarosamente com alguém meu conhecido. Desta vez fui com o Michael Palin fazer um périplo pelo Saara, circa ano 2000. E que viagem maravilhosa, acho que foi a minha favorita até agora deste autor.

Primeiro, eu tenho um fascínio por África, apesar de só ter estado na Tunísia e em São Tomé. Depois, o Michael Palin é um viajante fantástico que consegue ver para além do aparente, pôr-se na pele daqueles que o acolhem, sem deixar de questionar o que necessita de ser questionado, mas sempre com muita empatia. E doses imensas de humor britânico e capacidade de se rir de si próprio.

Todas estas qualidades se fazem sentir neste livro em que Palin viaja por sítios muito empobrecidos financeiramente, mas ricos em história e resiliência humana. Pressentimos nas páginas que a viagem não foi fácil fisicamente para um citadino de quase 60 anos, mas nunca as coisas são apresentadas em forma de queixume ou resmunguice. E isto inclui várias intoxicações alimentares, um almoço ao sol com temperaturas de quase 50 graus (filmagens, a quanto obrigam) e um 11 de Setembro que acontece quando eles estão no meio do Níger.

Foi uma leitura deslumbrante e que me deixou a pensar em quanto terão mudado os sítios em que ele esteve nestes 22 anos que passaram. Estes livros são também um retrato de um tempo que já não é o nosso, apesar de não ser muito distante.

Recomendo imenso a todos os interessados em viagens, em África, em aprender. A certa altura, no Mali, Palin conhece o músico Toumadi Diabaté, um griot que toca Kora, um instrumento típico maliano. Pus a tocar no YouTube enquanto lia e foi como se estivesse lá. Deixo aqui o link para ouvirem, é sublime.

Até à próxima viagem. Até lá, Boas Leituras!

Goodreads Review

After an August very rich in books, September was a dry spell. My head was to busy with all the back-to-school activities, as my little fish was going to a new school, and restarting the swimming pool also presented its challenges. Plus, the back to work equation. All this contributed to a very fuzzy mind indeed.

Usually, this would be the ideal time for a fantasy book, but I devoured so many in August that my appetite faded, at least temporarily. I also thought about joining the #septemberthrills challenge from Dorinha, but my mind was not thrilled about it either.

If you follow this blog, you already know what I do when I’m in one of these rumps. I go travelling with one of my favourite authors. This time I chose to visit the Sahara circa 2000 with Michael Palin. And I believe this has been my favourite journey with this author so far.

Firstly, Africa fascinates me, even though I only ever visited Tunisia and São Tome and Principe. Secondly, Michael Palin is an amazing traveller, who can see beyond the obvious and actually feel what it would be like to live as the ones who welcome him, without failing to question what needs to be questioned. Add to all of this, big doses of his well-known British humour, and an amazing ability to laugh at himself.

All these qualities are very clear in this book. Palin travels through impoverished countries, which are rich in history and in resilience. We can also see through the lines that this must have been a taxing journey physically for an almost 60 years old city dweller, but he never grumbles in the pages. And it included several food poisonings and a lunch in the sun that reached almost 50 degrees Celsius, just to get better footage. Plus, 9/11 happened while they were in the middle of nowhere in Niger.

It was an amazing read that left me wondering how much these countries have changed in the 22 years that have passed in the meantime. These books are also a portrait of a time, that even though is not that distant, it is also no longer ours.

I recommend it to all of those that love travelling, Africa, learning other cultures. At some point, in Mali, Palin meets Toumadi Diabaté, a Malian musician, a griot that plays Kora, an ancient instrument. I searched him on YouTube and played it while reading that passage and magic was made. It was sublime. I leave you here the link, so you can also check it out. 4 minutes of bliss. 

On to the next journey. Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – One Last Stop

one last stop

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Agosto Leve estava para durar e voltei a pegar num romance. One Last Stop tem feito furor nos youtubes internacionais, mas ainda não está traduzido para português. É uma história de amor entre duas mulheres jovens, mas com um toque sobrenatural, já que uma delas se encontra presa numa linha de comboio em Nova Iorque.

August muda-se para a grande cidade na expectativa de terminar a faculdade e encontrar o seu lugar no mundo. Aluga um quarto, arranja um part-time e fascina-se por uma estranha que conhece no comboio. Mas quando percebe que Jane não consegue sair da linha, vai desencadear-se uma investigação e um plano para resolver este mistério.

O livro está bem escrito, e a história é muito interessante. Ficamos presos às páginas na expectativa de saber o que se está a passar, e se será possível ter solução. Ao mesmo tempo vamos conhecendo os amigos de August, que se vão tornando família. Os personagens secundários também estão muito bem escritos, e dão vida a toda a história. É uma mistura de romance com thriller que nos deixa bem dispostos.

Foi um livro perfeito para o Verão, que se está a revelar um sucesso literário. Passemos ao próximo! Até lá, boas leituras!

Goodreads Review

The light August mood was here to stay, and I picked up another romance novel. One Last Stop has been all over YouTube but hasn’t been translated to Portuguese yet. It’s a romance between two girls with a supernatural twist, as one of them is stuck on a New York train line, who knows since when.

August just moved to the big city in the hopes of finishing college and finding her purpose in life. She rents a room, finds a part-time job and becomes fascinated with a young woman she meets on a train ride. But soon she discovers this girl, Jane, is stuck on the train, with no ability to leave. She will start an investigation on this, in the hope of understanding who Jane is, and how she can be released from the train.

The book is good, well written and a page turner. We get glued to the pages trying to understand what is happening and how will it be sorted. At the same time, we get to see August’s relationship with her new flatmates flourish, and they become her newfound family, which warms our hearts. The supporting characters are well written and bring the story to life. It’s a romance/thriller that leaves us in a good mood.

It was a perfect summer book, continuing the trend of good books I read this August. On to the next. Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – A Trilogia do Príncipe Cruel

cruel prince

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Depois de fantasia hollywoodesca da Evelyn Hugo, resolvi continuar a ler coisas leves e simples, mas virei para a fantasia a sério. Mais uma vez tinha visto boas opiniões desta trilogia, mas confesso que fui um bocado a medo. A experiência com a Sarah J Maas deixou-me de pé atrás em relação a fantasia moderna.

As fadas (fairy ou faery) existem na mitologia popular europeia desde tempos imemoriais, e crê-se que foram trazidas da ainda mais antiga mitologia persa. São seres míticos e nem sempre muito simpáticos. Podem ser trapaceiros e brincalhões, nas versões mais moderadas, ou mesmo perigosos e agressivos, em versões mais radicais. Mais recentemente a sua história cruza-se e confunde-se com a dos elfos, e ganharam novo folêgo na literatura fantástica.

Há traços mais ou menos comuns a todos, mas depois cada autor cria o seu mundo, com as suas próprias regras. Foi isso que Holly Black fez, criando um mundo de fadas que vive muito próximo do nosso, mas com criaturas diferentes e regras próprias.

Jude tem 7 anos quando a história começa. Está em casa com os seus pais e as duas irmãs, quando um homem estranho aparece e assassina os seus pais. Como dívida de honra leva as três irmãs consigo de volta para o Reino de Elphane, terra de fadas e criaturas míticas. Jude vai crescer neste ambiente que lhe é hostil, mas vai acabar por considerar como sua verdadeira casa. E vai tentar construir uma vida no meio de intrigas políticas , esquemas e tramas. Os Fae não podem mentir, mas são exímios a torcer a verdade. A sua nemesis é o mais jovem herdeiro do trono, o príncipe Cardan.

A partir daqui é mais ou menos óbvio o que vai acontecer. Esta é uma história de enemies to lovers, uma das minhas tramas favoritas. Mas sem a crueza e a deselegância de ACOTAR. O princípio base é o mesmo nas duas séries, uma rapariga humana obrigada a viver no mundo Fae, mas esta história é mais bem conseguida. Uma das críticas que lhe é apontada é que o mundo não está bem desenvolvido e o esquema de magia pouco explorado, mas para uma pessoa com pouca paciência como eu, isso acabou por ser uma vantagem.

A história tem princípio, meio e fim com os três livros, está recheada de acção, e era difícil pousar o livro para fazer tarefas comezinhas do dia a dia, como trabalhar ou cuidar da criança, por isso considero esta série um sucesso.

Perfeita para ler num mês de verão, à beira da piscina, mas ainda melhor no Outono que aí vem, enrolados numa manta.

Vamos ver o que mais me trouxe o Agosto Leve, mas até lá, Boas Leituras!

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After reading Evelyn Hugo’s Hollywood fantasy I decided to keep the lighter mood for August and dive into some real fantasy. I picked up Holy Black’s trilogy, The Cruel Prince, because I saw very good reviews about it, but I was a bit reluctant at first. The bad experience I had with Sarah J. Maas tainted this new wave of modern fantasy, and I was afraid I was going to be disappointed.

Fae creatures have existed on folk stories across Europe for a very long, and it is believed they first appeared in Persian mythology. They are mythical beings, not known for being nice. They range from tricksters to dangerous and recently their history blends with the elves and they have become fantastic creatures that often appear in this genre of literature.

There are common traits to all, but every author creates their own world with their own peculiarities, and Holly Black was no different. She has blended Fae’s world with ours, with everyone living within their boundaries, but some people able to dabble in both worlds.

Jude, our protagonist is 7 years old when the story starts. She is at home with her parents and her 2 sisters when a stranger appears and murders her parents. He brings the girls back with him to Elphane, in the Fae world, as a debt of honour to be repaid. Jude grows up in this hostile environment but cannot help to consider it her true home, where she so wishes to belong. She will try to build her life amidst intrigue, scheming and political alliances. Fae people cannot lie, but nothing stops them from bending the truth. Her nemesis is the youngest prince, Cardan.

We all know what goes on from here. This is an enemies to lovers trope, which happens to be one of my favourites. But it was so much better than ACOTAR, with none of its nonsense and much less sex (which is a good thing). The principle is the same on both series, that of a human girl that has to live in the Fae world, but it was so much better explored here. Some people complaint the world building is weak, and the magic system is not well explained, but someone as impatient has me, that was actually a good thing.

This story becomes complete with the 3 books, is packed full of action and it was very difficult to put it down to go about my daily life and do simple stuff like feeding my child or working. It was that entertaining. It is perfect as a summer read by the pool, but even better to read in the upcoming Autumn, with its cozy vibes.

Stick around to see what else the light August allowed me to read. Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – Os Sete Maridos de Evelyn Hugo

evelyn Hugo

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Agosto é um mês de silly season, não só nos telejornais mas na vida em geral. A primeira metade passo-a com aquele cansaço de quem está a chegar às férias, e a segunda com aquela exaustão de quem está de férias com uma criança de 3 anos. Por isso este ano foi #AgostoLeve, com leituras fáceis e interessantes.

Resolvi começar por um livro que tem andado nas bocas do mundo, e que toda a gente pareceu adorar, Os Sete Maridos de Evelyn Hugo. Evelyn era uma actriz dos anos de ouro de Hollywood, que resolveu escrever uma biografia agora que já se está a aproximar o final da sua vida. Para o fazer escolhe uma jovem jornalista, que ainda não se afirmou na sua profissão. O que se segue é um relato em primeira mão da sua história atribulada e as suas relações amorosas, tentando responder à questão de qual dos maridos é que ela amou verdadeiramente.

O problema quando lemos um livro assim é que vamos com as expectativas muito elevadas, que nem sempre são correspondidas, como foi o caso. A história é engraçada e surpreendente, está bem contada, mas não me encheu as medidas. Admito que o problema deve ser meu, porque sou imune ao glamour de Hollywood. As vidas dos artistas não me interessam muito, e até mesmo o nome dos actores eu tenho dificuldade em memorizar, tirando aqueles que só se vivesse debaixo de uma pedra é que não saberia. Evelyn não é uma personagem simpática (propositadamente), mas Monique também não me criou empatia.

Sei que a minha opinião não é popular, por isso não se detenham se vos apetecer ler este livro. Não é um mau livro, e para muita gente é mesmo um dos favoritos da vida, por isso leiam e venham dizer-me o que acharam.

Até lá, Boas Leituras!

Goodreads Review

August is silly season time, not only in the news but in everyday life as well. I spend the first half of the month longing for the holidays, and the second half exhausted by my 3-year-old toddler. This is why I lean towards light books, engaging and easy to read.

I decided to start with a bang, with a book that has been the talk of the town, and everybody loved, The Seven Husbands of Evelyn Hugo. Evelyn was an actress from the Golden Age of Hollywood, beautiful and glamorous, that decides to write her memoirs now that her life is approaching the end. For this she recruits a young journalist woman that is still trying to get recognition in her field. What ensues is the first-hand recollection of a very rich and troubled life, always with a question on the back, who did Evelyn Hugo really loved.

The problem when we read a book so hyped, is that we start with very high expectations and sometimes they come out short. This was the case for me. The story is good, interesting, and well told, but it was not up my alley. It is my problem, not the book, as I seem to be immune to the Hollywood glamour. I have no interest in the personal lives of actors, don’t follow Hollywood gossip, and struggle to even remember the names of the actors, apart from the most obvious ones. Evelyn is not a nice character, which quite suites the story, but I also failed to have empathy for Monique, or any of the others.

I know this is a (very) unpopular opinion, so if you were thinking of reading this book, please proceed, as many people see it as a favourite for life. It’s not a bad book, it was just a normal, somewhat boring book for me. Let me know how you feel about it in the comments.

On to the next one. Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – K2, Life and Death on the World’s Most Dangerous Mountain

k2

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Quem segue o Peixinho sabe que eu gosto de ler sobre montanhismo. Eu, que tenho vertigens se subir a um banco, gosto de ler as experiências de quem se aventura a escalar os picos mais altos do planeta. E não há altura melhor para o fazer que em plena vaga de calor. Talvez ler sobre temperaturas abaixo de zero ajude a suportar os quarenta que sentimos a meio de Julho.

K2 é a segunda montanha mais alta do mundo, e situa-se no Paquistão, na cordilheira do Karakoram. Não é tão popular como o Evereste, mas é bastante mais técnica e perigosa de subir. Ed Viesturs é um alpinista americano muito experiente, e foi o primeiro americano a subir todos os 14 picos com mais de 8000 metros de altura. Só há 4 alpinistas no mundo com maior número de subidas de alta montanha, a acreditar no que a Wikipedia nos diz.

Após a trágica época de 2008 no K2, em que morreram 11 alpinistas, e tendo tido uma experiência dramática quando fez a sua própria subida em 1992, Ed Viesturs decide investigar a história da montanha e mostrar-nos porque é tão perigosa, usando o relato de várias campanhas anteriores.

A premissa é boa, e Ed Viesturs é realmente uma autoridade na matéria, mas de algum modo este livro não foi brilhante. Acho que teria beneficiado de uma melhor edição. O autor fala-nos de várias expedições ao K2 desde 1902, os sucessos e os insucessos. Reconta novamente a sua própria experiência de 1992, com Scott Fisher que viria a falecer mais tarde no desastre de 1996 no Everest, mas por vezes os saltos entre experiências eram pouco claros, e confusos. Era necessário muita atenção para percebermos em que ano estávamos, e se já tínhamos ou não lido anteriormente sobre isso. Depois foram largos capítulos sobre a expedição de 1939 onde pela primeira vez morreram pessoas a escalar esta montanha, com uma análise detalhada sobre a atribuição de culpas, e confesso que essa parte não foi nada interessante e acabei por ler meio na diagonal. Devo dizer que me agradou bastante o destaque dado aos sherpas e paquistaneses que se distinguiram na montanha também, já que é tão raro vermos isso noutros livros.

No fundo, um livro que tinha imenso potencial mas que ficou um pouco aquém. Se gostarem de ler sobre montanhismo, há opções mais interessantes, nomeadamente Buried in the Sky, também sobre escalada no K2 mas com uma extensa história dos sherpas que acompanharam a expedição e que raramente recebem atenção mediática.

Rumo ao próximo. Até lá, Boas Leituras!

Goodreads Review

If you follow this blog, you already know I like to read about mountain climbing, even though I have severe vertigo if I climb something as high as a park bench. Still, I love reading about the experiences of those who dare to climb the highest mountains on the planet. And I was reading this through a heat wave, reading about freezing temperatures actually helped to bear the heat.

K2 is the second highest mountain on Earth, and is in Pakistan, on the Karakoram mountain range. It is not as widely known to the general public as the Everest, but is much more difficult and technical, making it one of the most dangerous peaks. Ed Viesturs is a very accomplished American climber, the first (and only) one to reach all the 14 peaks that stand above 8000m. According to Wikipedia, there are only other 4 climbers with more high peaks climbs than him.

He wrote a previous book detailing his journey to the 14 peaks, but after the 2008 tragic K2 season, with a death toll of 11 climbers, and having had his own dangerous experience in this mountain in 1992, Ed Viesturs decided to investigate K2’s history and delved into past ascents to show us why K2 is considered such a dangerous mountain.

This promised to be an interesting book, and Ed knows what he is talking about, however the book fell a little short for me, and I believed it would have benefited from better editing. The author details several K2 expeditions, since the first one in 1902, including his own experience in 1992 with none other than Scott Fisher that became sadly famous with the 1996 Everest disaster, where he perished. However, the leaps between each expedition were sometimes confusing and a lot of brain power was needed to understand in which timeline we were at any given point. There were also several chapters dedicated to the 1939 ascent, the first time K2 claimed lives. There was a detailed analysis, trying to justify who was (or not) to blame, which was not interesting to me. But it got better after that, and it was very refreshing to see the Sherpas and the high-altitude guides being recognized for their efforts and their sacrifices, which, sadly, is not something common in these books.

This book had a lot of potential, but it fell a bit short. If this is a theme that interests you, there are more interesting options out there. Buried in the Sky was also about K2, but the writing was more interesting and engaging, and it was very informative about the differences between high altitude and low altitude porters, all of which are amply used in these expeditions but with very low recognition.

On to the next one, Happy Reading!

Acabei de Ler – Slade House

slade house

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David Mitchell é o que mais se aproxima do que se pode chamar o meu autor favorito. É pelo menos um autor do qual eu leio tudo o que é publicado, e, obviamente sendo eu, eu, por ordem de publicação. Slade House é de 2015 e o penúltimo a ser publicado. Andei a guardá-lo religiosamente porque não quero acabar os livros dele sem ter outro no horizonte.

Se não conhecem David Mitchell começo por vos dizer que todos os seus livros estão ligados, mais subtilmente ou à bruta, como este com o anterior (The Bone Clocks). O autor considera que toda a sua obra é um grande romance que se passa num universo próprio, muito semelhante ao nosso mas com algumas regras próprias e algumas peculiaridades. É comum existirem personagens que vão fazendo aparições especiais em vários livros, e encontrar referências a obras anteriores é quase um passatempo adicional à normal leitura dos livros. No entanto todos podem ser lidos separadamente e sem conhecimento prévio dos anteriores. Há aí pela internet fora várias páginas que falam sobre as ligações entre os vários livros e são muito interessantes. Por outro lado, David Mitchell tem também uma história de vida muito rica, viveu em muitos lugares diferentes e a sua escrita tem essa matriz embebida e isso é outro dos factores que a torna deliciosa. É um dos autores que conheço que melhor consegue escrever vozes diferentes e todas soam realistas, o que é uma coisa bastante difícil. Mas vamos ao livro.

Este Slade House vem imediatamente a seguir a The Bone Clocks e está muito ligado a ele. A história não está relacionada, mas as personagens sim, e muito do vocabulário utilizado também. Não será obrigatório ler um antes do outro, mas certamente desejável. Eu já não me lembrava de algumas especificidades, mas elas foram sendo explicadas ao longo do livro, por isso nunca me senti perdida, tirando no primeiro capítulo em que não se sabia bem o que estava a passar, mas isso fez parte da jornada.

Este não é o melhor livro de David Mitchell. Mas, sendo ele quem é, foi mesmo assim um livro muito bom. A cada 9 anos, numa pequena viela duma cidade inglesa, aparece um pequeno portão de ferro. É a entrada para a Slade House, e quando cada convidado entra  nunca mais vai querer sair. Ou poder… Esta é a história em traços largos, sem estragar nenhuma surpresa. Está muito bem escrita, cada capítulo é contado na perspectiva dum convidado diferente, e tem momentos de bastante suspense. Conhecer os livros anteriores faz-nos sorrir de cada vez que aparece um nome familiar, e saber mais ou menos o que esperar em determinadas situações, o que amplifica a experiência.

Como disse, é um livro bom, umas sólidas 4 estrelas (em 5), um prazer de ler, mas não o melhor para quem se quer estrear neste autor. Para isso, continuo a achar que Cloud Atlas é o melhor. Agora só me falta o último, Utopia Avenue, mas vou esperar até estar quase a ser publicado o seguinte.

Até lá, Boas Leituras!

Goodreads Review

David Mitchell is the closest I have to a favourite author. I am reading everything he writes in publication order, as per usual with me. Slade House was published in 2015 and there is only one more after it, so I have been saving it for a long time.

If you are not familiar with Mitchell’s books, let me start by saying that they are all connected, either on a subtle way, or more bluntly, as is the case with this one and the previous, The Bone Clocks. The author considers that all his works form one big novel, all taking place in a big metaverse, similar to our own reality but with some different rules and peculiarities. In each book we can find characters that have appeared previously and will appear again, relatives of previous characters, and references to previous situations. However, they can all be read and enjoyed separately, and this previous knowledge is not necessary to understand the stories. We can find many pages online that refer to these connections, try to explain them, or at least cross reference the books, and they are all interesting. David Mitchell’s life story was also interesting, he lived in many different countries, like Japan, and all that he has learned and experienced now permeates his books and make them so rich. He is also one of the best author’s I know to write stories with different POV’s and making them all sound real, which is quite an accomplishment.

As I said, Slade House comes immediately after Bone Clocks and the two are very connected. The story is not related, but some of the characters are, and so is a lot of the vocabulary used. It is not mandatory to read one before the other, but in this case, I think it will make the experience better. As I read Bone Clocks a while back, I did not remember some of the details, but luckily those were explained throughout the book, so I never felt lost. The first chapter seems a bit confusing, but that is part of the experience, do not let it deter you.

This is not Mitchell’s best work, but it is still a very good book, with a delightful story. Every 9 years, on a narrow alley on an English town an iron gate appears. This is the entry to the Slade House, and when a guest goes in, they will not want to come out. Or might not be able to. This is the brief summary of the story, with no spoilers. Each chapter is written in the guest’s point of view, and we can really feel their personality. Knowing the previous books makes us smile in some situations, or when someone appears, and we can envision what might come next, which is always exciting.

This was a delightful book, 4 out of 5 stars, and a joy to read. If you have never read David Mitchell I recommend you start with something else, being Cloud Atlas the best choice. Now I only have the last one left, Utopia Avenue, but I will hold on to it for a while longer, as I do not want to run out of Mitchell’s books.

Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – Crime no Vicariato

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Terminei a minha “tarefa” de ler todos os Poirots por ordem de publicação o ano passado, mas não consegui ficar longe da Agatha Christie por muito tempo e resolvi experimentar a Miss Marple, sem compromisso de permanência desta vez. Comecei pelo primeiro livro dela, sendo que tecnicamente a sua primeira aparição foi num livro de contos, para os quais eu não tenho paciência em policiais. Sinto que falta tempo para desenvolver a trama de maneira satisfatória.

Mas atirei-me a esta Miss Marple com algumas saudades das peculiaridades da Senhora Agatha Christie, e não fiquei desiludida. Na realidade até fiquei alegremente surpreendida.

Não ia com expectativas muito elevadas para este livro. Sempre gostei muito de Poirot, e a série televisiva só veio reforçar essa ideia, mas a Miss Marple parecia-me chochinha, e nunca consegui interessar-me muito pela série televisiva. Mas em livro o caso muda de figura. Miss Marple nem aparecia assim tanto na história, que era narrada pelo vigário duma pequena aldeia inglesa. Mas o crime foi muito interessante, e acima de tudo, as descrições da vida numa pequena comunidade rural eram deliciosas. Mesmo sendo em Inglaterra, consegui sentir um cheirinho do que experiencei por terras lusas nas pequenas aldeias por onde andei. O retrato social da época está muito bem feito, os estereotipos estão todos lá, e há frases absolutamente deliciosas espalhadas por toda a parte. O facto da velhinha Miss Marple ser retratada como a bisbilhoteira da aldeia é também maravilhoso. Agatha Christie nem sempre era caridosa a descrever as suas personagens principais, e isso esteve bem patente neste livro.

De resto, a história não é surpreendente, é um clássico mistério ao estilo whodunnit, como dizem os nossos amigos britânicos. Há um homicídio, há um leque reduzido de suspeitos que são todos conhecidos e que todos podem ter motivo ou oportunidade para o cometer, e tudo vai sendo lentamente desvendado ao longo do livro. Não sabia quem era o culpado, mas isso nem foi o mais importante. Depois de ter lido tantos livros de Agatha Christie pensei que ela não tivesse nada de novo para me oferecer, mas aí sim estava redondamente enganada. Estava bem escrito, interessante, e deixou-me o gosto por ler os seguintes.

Recomendo vivamente a todos os que gostam de mistérios, policiais, thrillers, como quiserem chamar. Na minha humilde opinião, que só interessa a mim, não se pode ser fã de mistérios sem ter lido a raínha do género.

Rumo ao próximo. Até lá, Boas Leituras!

Goodreads Review

“The young people think the old people are fools — but the old people know the young people are fools.”

Last year I reached the end of my self-imposed task of reading all Poirot novels in publication order, but I could not stay way from Dame Agatha Christie for long. So, I dived into the Miss Marple series, but with no formal commitment this time. I started with her first full novel, and disregarded the first short stories that were published, as I don’t like short mystery books, they feel incomplete to me.

I started this book missing Agatha Christie’s peculiarities and was not disappointed. Quite the opposite, I was pleasantly surprised.

My expectations weren’t high when I started this book. I loved Poirot, both the novels and the TV series and I had the feeling Miss Marple was dull in comparison. I also could not relate to the TV series, did not bond with the actresses chosen for the part. But the book is so much better. Miss Marple is almost a secondary role in the story, which was narrated by the village’s vicar. The crime was interesting and the depictions of life in a small British village were delicious, and it could portray any small village in the world. It was also a very good portrait of its time, with all the expected stereotypes, and it was filled with glorious cheeky phrases. Miss Marple keeps getting portrayed as the town gossip, which spends her time gardening to better be able to see and listen everything that goes on. Brilliant. Agatha Christie was not very charitable in her characters descriptions and that was amazing.

The story itself is not a novelty, it’s a classic whodunnit mystery. There is a murder and a reduced cast of people that could have committed it. Many people had motive and opportunity, but the plot is slowly unveiled throughout the book. I could not guess who did it, but that was not the most important to enjoy this book. For someone that thought that Agatha Christie didn’t have anything more to offer, I was gladly proved wrong. I might even read the next ones.

I recommend it to all that like murder mysteries and thrillers. You cannot be a true fan of this genre without having read at least one Agatha Christie book, in my humble opinion.

On to the next. Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – Uma Questão de Conveniência (Convenience Store Woman)

convenience store woman

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Convenience Store Woman foi um livro que vi recomendado várias vezes nos canais de Youtube que sigo e que têm gosto mais parecido com o meu. Como tenho andado numa mood asiática foi a escolha óbvia de leitura para finalizar Junho.

Keiko Furukura é uma mulher de 36 anos que trabalha numa loja de conveniência há 18 anos. Na mesma loja, na mesma localização. Keiko foi uma criança estranha, que não se enquadrou bem na escola e os seus pais sempre tentaram que ela parecesse normal. Aprendeu a disfarçar a sua realidade para conseguir sobreviver na escola, mas foi quando aos 18 anos começou a trabalhar na loja que finalmente recebeu instruções sobre como se comportar, e conseguiu ter um propósito na vida.

Este é um livro muito interessante e diferente. Faz-nos pensar no modo como tratamos a diferença, especialmente aquela que não é aparente. Como vemos e tratamos pessoas que se comportam de maneira diferente, como somos rápidos a atribuir rótulos e, mesmo que inconscientemente, temos gravadas em nós as expectativas da sociedade em que crescemos. Isto é um tema que me é muito querido nos dias de hoje, e no qual tenho reflectido bastante, por isso esta leitura foi um bom complemento.

Rumo ao próximo, até lá Boas Leituras!

Goodreads Review

I have seen Convenience Store Women being recommended on Book tube repeatedly, especially by some people I follow and have similar book tastes to mine. As I have been in an Asian mood, this seemed the perfect choice to end my June readings.

Keiko Furukura is a 36-year-old woman that has been working on the same store, on the same location for the past 18 years. Nothing has remained the same since she started, except herself. Keiko was a strange child that has not adjusted well to school life, and was always deemed a bit weird, and even her parents struggled to make her seem normal. She learned to mask her true thoughts to be able to survive, but it was only at 18, when she joined the convenience store and received a manual on how to behave that she finally felt at home and found a purpose.

This was another different and interesting book (my year has been filled with those, thankfully). It made me think about the way we treat those that are different, especially when said difference is not an obvious one but more behavioural. Also, on how quick we are to label people and how society’s expectations are deeply ingrained in us, even if we don’t realize it. This is something I have been thinking about lately, for personal reasons, so this reading was a good addiction to my research.

I recommend this book to all that like to read different books, which shed some light on some modern concepts and ideas, and different world views. You will not regret it.

On to the next, until then Happy Reading!

Acabei de Ler – Sete Dias Em Junho

7 days in June

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Depois de mais um livro japonês diferente, resolvi voltar a um romance quentinho que arranjei no Netgalley. Já tinha experiência com esta autora e gostei, por isso resolvi voltar a ela. Tia Williams escreve romances que são mais que romances, e que nos fazem reflectir sobre as dificuldades raciais nos Estados Unidos duma maneira leve e inteligente. Este livro foi mais um caso desses.

Shane e Eva são dois escritores de sucesso, em géneros muito diferentes, mas que partilham uma história em comum na adolescência. Quando se reencontram muitos anos depois em Nova Iorque as recordações vêm ao de cima, e a bagagem emocional que cada um trás será descodificada e analisada. Gostei bastante da história, tudo fazia sentido, e era séria sem ser pesada. Os personagens secundários também eram interessantes e ajudavam a enriquecer a história. Foi uma história bonita para encher os dias de início de Verão, e é perfeito para esta altura, em que queremos leituras mais descomplicadas mas também não queremos ficar burras.

Recomendo, mesmo agora que Junho já chegou ao fim, porque o Verão ainda mal começou.

Boas Leituras!

Goodreads Review

After reading another exotic Japanese book I felt ready to return to the romance material. I found this one on Netgalley, and decided to pick it up, as I already knew the author and had a previous good experience. Tia Williams writes romance novels that are way more than just the fluff. She makes us think about the real struggles of being black in America in a light and clever way, and this book was no exception. 

Shane and Eva are two successful writers in very different genres, that share a convoluted story in their teen years. They find each other again many years later in New York and their story will pick up from there, with many baggage to unpack. The story was great, it all made sense and it was serious without being gloomy. The supporting characters were also very good and made the whole story richer. It was pretty and warm, perfect for the summer days it depicted. A good read for when we wish for something lighter but not dumber. 

Recommend it to all romance lovers, and everyone that enjoys light, summer reads.

Happy Reading!

Acabei de Ler – Antes que o Café Arrefeça

before the coffee gets cold

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À semelhança da Biblioteca da Meia Noite, este livro também lida com arrependimentos passados. Neste caso temos um café muito especial algures no Japão onde uma das mesas nos permite viajar até ao passado, se seguirmos algumas regras muito estritas. Isso vai permitir a uma série de personagens reviver algumas situações onde foram protagonistas e dar uma luz nova aos acontecimentos do tempo presente.

Foi um livro muito engraçado e que nos deixa com aquela sensação de coração quentinho. Todos os personagens geram empatia, não há vilões, há apenas momentos de vida que precisamos de resolver para ganhar aquela sensação de resolução. Acho que todos nos conseguimos identificar com isso, e teremos com certeza muitas situações em que gostaríamos de ter dito mais alguma coisa a alguém especial.

É um livro muito fácil de ler, rápido e bonito, que nos deixa aconchegados e prontos para realidades mais duras. Um livro bom para ser lido nas férias enquanto disfrutamos de algum tempo para nós. E sempre com aquele toque exótico que os livros japoneses nos oferecem. Recomendo a todos os que gostam duma (ou várias) boas histórias.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Similar to what happened in The Midnight Library, this book also deals with regret. In this case in a very special cafe somewhere in Japan, where there is a special table that allows us to travel in time, if we follow a strict set of rules. This will enable a cast of characters to relive some situations from their past and shed some light in their current events. 

This was a very wholesome book, that makes our heart warm. All the characters create empathy, there are no vilains, just life events that need closure. I believe we can all relate to this, and we all must have some situations where we wish we could have said something more to someone that was very dear to our heart. 

It was a good book, beautiful and easy to read, the perfect summer read, to enjoy by the pool while we spend some time with ourselves. With the added bonus of that perfect Japanese touch. I recommend to anyone who likes a good story (or several). 

Happy Reading!