Livros que Recomendo – Nem Aqui, Nem Ali

bryson

Já não é a primeira vez que recomendo um livro do Bill Bryson no meu estaminé, e o mesmo se aplica a livros de viagens, no entanto é o primeiro livro de viagens deste autor que recomendo. O que é estranho, porque este é o seu principal género, e ele é muito bom a escrever estes livros. Mas Uma Breve História de Quase Tudo é tão genial que tive que o recomendar primeiro.

Este livro relata a viagem que o autor faz pela Europa, recreando os passos que deu na sua juventude com um amigo da escola. 20 anos depois parte em busca do que mudou e do que se manteve igual. Dotado dum sentido de humor bastante sarcástico, que por vezes roça o ofensivo, o livro é delicioso de se ler, tendo em conta que Bill Bryson é um turista americano no sue melhor.

Por cada país que passa faz observações mordazes e certeiras e podemos ter a certeza que nos divertiremos. Tendo sido escrito algures nos anos 90, o nosso país era ainda um alegre desconhecido, por isso estamos ausentes desta narrativa. Fica a questão, se nos dias de hoje os estudantes americanos que planeiam viagens de mochila às costas pela Europa já incluirão ou não o nosso país. Pelo estado em que eu encontro a nossa Baixa de Lisboa sempre que lá vou eu diria que sim, apesar de não ser das melhores coisas para a paisagem tradicional.

Recomendo a todos os que gostam de livros de viagens, de se divertir enquanto lêem e de meditar nas diferenças culturais.

Boas Leituras!

Anúncios

Acabei de Ler – The Fires of Heaven, Wheel of Time #5

wheel-of-time

Levei cerca de um mês e uma semana para terminar mais um volume da série de fantasia que comecei a ler o ano passado. Pelo meio, para não me aborrecer, ainda despachei dois livros de poesia e um policial. Estes livros não são um verdadeiro page turner, especialmente porque eu embirro solenemente com as persoangens femininas. São todas aborrecidas, irritantes e cheias de tiques repetitivos. A ideia do autor duma mulher forte era alguém que discutia com todos, comportava-se como uma criança mimada, e aparentemente isso garantia-lhe o respeito dos homens, mas não das outras mulheres igualmente irritantes e criançolas.

Infelizmente este volume centrou-se bastante nessas personagens femininas e não noutras que eu gosto bastante (Perrin), que não tiveram sequer direito a aparecer. Então porque continuo eu a ler isto, considerando que ainda me falta 9 volumes? Porque a história em si não é má, está bem construída, faz sentido, e agora quero saber como acaba.

Não sei se recomendo este livro a alguém que não seja fã incondicional de fantasia e deseje ler todas as obras de referência do género.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Livros que Recomendo – Os Filhos da Meia Noite

rushdie

Hoje venho recomendar um livro que me foi oferecido há alguns anos, e que demorei algum tempo a conseguir. É complexo, por vezes confuso, mas quando finalmente entramos na história e bastante recompensador.

Salman Rushdie é um grande contador de histórias, com um modo refinado de nos mostrar também a história do seu próprio país. Aqui fala-se de Saleem Sinai, um rapaz que nasceu exactamente à meia noite do dia em que a Índia se tornou independente. Isso conferiu-lhe poderes especiais, no seu caso relacionados com a audição e o olfacto, e também a capacidade de estar espiritualmente ligado às outras mil crianças que nasceram à mesma hora e que possuem outros poderes.

Através da história da sua família e do que o rodeia vamos descobrindo uma Índia em evolução, as suas convulsões sociais e religiosas, tudo muitíssimo bem escrito e contado. Este livro ganhou o Man Booker de 1981, se precisasse de mais recomendações.

Recomendo a todos os que gostam de boa literatura, não têm medo de mergulhar de cabeça numa história complexa, e gostam de paragens mais exóticas.

Se quiserem uma review mais completa, vejam aqui.

Boas Leituras!

Acabei de Ler – Inspector Maigret #4

simenon

Já há bastante tempo que tenho o projecto de ler/reler todos os livros de Poirot pela sua ordem de publicação, tarefa hérculea que eu tenho desempenhado lentamente (como sempre, é uma maratona, não um sprint). Depois de ter conhecido o Inspector Maigret através do Netgalley, acabei por estender esse projecto também aos livros de Simenon que são protagonizados por esta personagem.

Ora, como comecei mais tarde, naturalmente estou mais atrás, e supostamente deveria ter lido o livro número 2, The Late Mousieur Gallet. Infelizmente o meu cérebro de recém mamã está severamente debilitado, fiz confusão e saltei directamente para o quarto volume. Após um curtíssimo episódio de pânico obsessivo-compulsivo, resolvi que não era assim tão importante e retomarei a ordem no próximo livro. Mas ainda tenho alguns restos de urticária.

Então, acabei de ler The Carter of La Providence, e foi um livro muito desafiante. Como sabem faço a maioria das minhas leituras em inglês, mas nem sempre isso corre sem sobressaltos. Desta vez todo o livro é passado em cenário náutico, nos canais franceses, e o vocabulário era extremamente específico e também datado. Começa logo pelo título, o que é um carter, sendo que La Providence era o nome de um pequeno barco. O dicionário não foi ajuda neste caso, e depois de alguma investigação acabei por perceber que é uma figura que reboca barcos através dos canais quando estes estão impossibilitados de navegar, nomeadamente quando atravessam elevadores. Neste caso o reboque era feito por dois cavalos.

Passado este percalço inicial, fiquei com uma história bem interessante e onde o culpado não era óbvio, nem o enredo nos era dado de mão beijada. Talvez por não conhecer tanto de Simenon como de Agatha Christie, este ainda consegue ter algum mistério.

Não me vou alongar a relatar a história, mas recomendo-a a todos os que gostam de livros policiais, com uma história bem contada e longe dos estafados cenários anglo-saxónicos.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Acabei de Ler – Go

Go-23347-CV-FT.jpg

Quem segue o Peixinho sabe que sempre que posso gosto de me debruçar em literatura asiática, porque há muitas maneiras de viajar e ler é uma delas. Assim, quando surgiu a hipótese de ler este livro através da Amazon First Reads, eu não perdi a oportunidade.

Go é classificado como uma “coming of age novel”, que é como quem diz uma história para quem está a entrar na idade adulta. Neste caso, a história de amor entre um rapaz de ascendência coreana, e uma rapariga duma familia tradicional japonesa. Foi muito interessante ler este livro, principalmente porque foca muita a descriminação a que estão sujeitos todos aqueles que não são considerados verdadeiros japoneses. Principalmente os descendentes de coreanos, que mesmo tendo nascido e sido criados no Japão (bem como já os seus pais tinham sido), continuam a ter que se registar como estrangeiros, e sentem que não pertencem verdadeiramente a pátria nenhuma.

O livro tem uma história rápida, e quase que nos sentimos a percorrer as ruas de Tóquio com os protagonistas, e a extensa rede de metro.

Recomendo a todos os que gostam de literatura asiática e que gostam de aprender enquanto lêem uma boa história.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Acabei de Ler – Septuagenarian Stew

bukowski

 

Depois de ter terminado um livro de poesia de Bukowski, fiquei com vontade de mais e por isso resolvi pegar noutro logo de seguida. Desta vez escolhi um que foi escrito mais no final de vida do escritor, em 1994.

São grandes as diferenças em relação ao último que li. Para já não é exclusivamente poesia, mas também de contos. É como se seguissemos diferentes personagens pela Califórnia, mas todas elas nos mostrassem a condição humana. Temos o operário fabril, o vagabundo, a estrela de cinema, mas temos também o nosso conhecido alter ego Henry Chinaski.

O livro está muito bem escrito, tem poemas maravilhosos, mas tem também muitos contos sobre boxe, baseball, corridas de cavalos, tudo temas que não domino e que sinto que me faltou qualquer coisa para apreciar devidamente essas histórias.

Recomendo a todos os amantes de poesia, de livros diferentes e transgressivos, mas que são apenas como a vida real.

Boas Leituras!

Goodreads Review

 

Livros Que Recomendo – A Arte de Viajar

a arte de viajar

Viajar é uma das actividades favoritas do Peixinho, no entanto está neste momento em banho maria devido à recente adição familiar. No entanto isso não significa que não se continue a fazer planos futuros e a ler sobre o assunto.

E é sobre este assunto o livro que hoje vos recomendo. Alain de Botton é um filósofo suíço que se dedica a reflectir sobre diversos temas dum modo que seja apelativo aos comuns mortais. Já falou sobre o amor, relações, religião, mas neste livro reflecte sobre viagens. Porque temos o desejo de viajar? Porque escolhemos determinados sítios em detrimento de outros? O que é realmente viajar?

Este é um livro muito fácil de ler e ao mesmo tempo muito enriquecedor. Está recheado de pequenos episódios e histórias de outros viajantes famosos, ou famosos que viajam. Mas famosos a sério, como Van Gogh, Baudelaire, Flaubert. Gente que viajou dum modo muito diferente do nosso, mas com motivações semelhantes.

Podemos ler sobre a antecipação da viagem, as motivações associadas. Viajar para descobrir a beleza, para entrar em contacto com a natureza ou a arte, para procurar o exotismo. Mas o mais importante é que qualquer que seja o destino, não podemos fugir a nós próprios.

Termina com Xavier de Maistre, que fez viagens no seu quarto, para nos mostrar que muitas vezes basta olhar para o que nos rodeia com olhos de viajante para termos uma percepção muito diferente.

Recomendo a todos os que gostam de viajar, de pensar e reflectir sobre o quotidiano e nós próprios.

Boas leituras!

Livros Que Recomendo – Graças e Desgraças na Corte de El-Rei Tadinho

alice vieira

Agora que tenho um jaquinzinho cá em casa tenho andado a remexer na minha memória de infância em busca de livros que gostaria de partilhar com ele. Alice Vieira é uma escolha óbvia, mas dentro da panóplia de títulos desta escritora, este é um dos menos óbvios mas muito divertido.

Algures no final dos anos 80, no mesmo ano da eleição Soares-Freitas do Amaral, a minha professora de português do ciclo resolveu convidar escritores conhecidos para nos visitar e fazer-nos encenar partes dos seus livros. À nossa turma calhou este, a história dum rei desajeitado que se casa com uma fada desempregada e as peripécias em que ele envolve a família.

Dentro do livro resolvemos encenar o último capítulo, em que a princesa, filha dos dois, passa por dificuldades na escola porque acredita que todas as palavras ficam mais bonitas com muitos hhhh no meio, no príncipio e no fim. Eu fiz o papel de professora desesperada que tenta por todos os meios corrigir a princesa, e ainda hoje me lembro muito bem desse teatro que fizemos.

É um livro muito divertido, cheio de ironia e uma caricatura ao típico desenrascanço português. Excelente leitura para toda a família.

Recomendo a todos os que gostam de livros infantis, ou que querem partilhar boa literatura com os seus pequenotes.

Boas Leituras!

Acabei de Ler – Love is a Dog From Hell

bukowski

Na sequência de estar a preparar um “Livros que Recomendo” aqui para o estaminé tive que ir pesquisar Bukowski e deu-me uma vontade avassaladora de ler um livro de poemas dele. Como tenho o Kindle sempre bem apetrechado, foi isso mesmo que fiz, e escolhi este Love is a Dog from Hell, de 1977, um dos seus primeiros livros de poemas.

Nem sei bem o que dizer deste livro, coisa rara em mim. Acho que a poesia de Bukowski tem que ser experimentada, mais que descrita, mas admirada sem os condicionalismos politicamente correctos deste nosso inicio de século XXI. Muitas coisas que estão escritas neste livro não sei se seriam aceites hoje em dia, mas é lembrar-nos que a moral dominante nos anos 70 era muito diferente, e que há beleza em todas as vidas, apenas depende de como olhamos para elas e do significado que retiramos.

E por baixo dos versos aparentemente simples e quotidianos de Bukowski esconde-se um universo de significados, uma descida ao que significa ser humano, e as escolhas ou falta delas que a vida nos traz.

Ir às corridas de cavalos, ter sexo com desconhecidas que lhe telefonam por gostar dos seus versos, beber cerveja na rua, observar jovens adolescentes nas paragens do autocarro, tudo é motivo para fazer poesia, e para analisar a vida.

Aconselho a todos os amantes de poesia, pessoas de cabeças arejadas em geral, e quem queira descobrir o sentido da vida no fundo duma garrafa de cerveja!

Boas Leituras!

Goodreads Review

Livros que Recomendo – Post Office

bukowski

Charles Bukowski é um dos meus poetas favoritos e já aqui partilhei um poema dele. Só não o faço mais frequentemente porque tento privilegiar poesia escrita em português, que é vasta e com muita qualidade. Mas dos estrangeiros Bukowski tem certamente um toque especial.

Mas ele não se limitou a escrever poesia, escreveu também outros livros de “ficção”, grandemente baseados na sua própria vida e onde também deixou o seu cunho único. Bukowski tem o condão de pegar nas situações mais corriqueiras e cruas da nossa vida e pintá-las com cores de genialidade. Este foi o seu primeiro romance, escrito em 1971, quando ele já tinha 50 anos de idade. Aparentemente nunca é tarde para se ser descoberto e começar a publicar, e isso é uma esperança a que me agarro.

Mas voltando a este livro, nele seguimos Henry Chinaski, a versão autobiográfica do próprio Bukowski nos dois períodos em que ele trabalhou para os correios americanos nos anos 50, como carteiro primeiro e mais tarde como distribuidor de correspondência (sorter). A crueza com que ele descreve a sua própria realidade, a falta de condescendência para consigo próprio e o humor cínico com que vê a sua realidade são as grandes mais valias da escrita deste autor. Bukowski não é um modelo a seguir. Alcoólico, viciado em jogo e em mulheres, Bukowski não é sem dúvida um escritor dos nossos tempos politicamente correctos e asséticos. Ele diz as coisas como elas são, sem paninhos quentes, e na sua vida, como tantas vezes na nossa, as coisas não são flores e passarinhos. São erros, excessos, vertigem, culpa e situações complicadas, mas que mesmo assim conseguem ser poesia e mestria.

Recomendo o livro a todas as pessoas que não se impressionam ou escandalizam facilmente, que conseguem ver para lá das aparências, que gostam de escrita crua e apaixonada, que abraçam a diferença e se deixam surpreender.

Boas Leituras!

Can you remember who you were, before the world told you who you should be?