Dia Mundial da Poesia

Assim que aprendi a escrever que comecei a brincar com as palavras e a fazer pequenos versos. Creio que a maioria deles perdidos para sempre em cadernos que ficaram na casa dos meus pais. Quando entrei na adolescência a minha madrinha ofereceu-me O Livro em Branco para eu poder registar os fervores da vida que me assolavam. Esse ainda o tenho lá por casa, guardado numa estante.

Quando comecei a crescer e a realmente apreciar poesia, percebi que faria melhor em ler quem percebe do assunto e deixar-me de fantasias. E mergulhei de cabeça, primeiro nos clássicos de Florbela Espanca, e depois por ali fora, devagarinho, saboreando, partilhando com que desfruta do mesmo prazer.

Isto tudo para dizer que na próxima segunda feira dia 21 é o Dia Mundial da Poesia. E que o CCB vai fazer amanhã uma série de actividades ligadas a esse tema, incluindo uma feira do livro de poesia. Programação aqui.

E para celebrar a poesia, nada melhor que Ricardo Reis, um dos heterónimos de Fernando Pessoa:

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

Ricardo Reis, in “Odes”