Férias no Sapal

Preparo este post nas notas do telemóvel à beira da piscina no meio do sapal de Castro Marim. Apesar de ter a aplicação do blog, ainda não me entendo a fazer os posts por lá, nem tive paciência para me dedicar a estudar como é que se faz.  Enquanto escrevo, temo pela saúde do telemóvel por causa de dois miúdos com verdadeiras metralhadoras de água que encetam uma guerra sem quartel à volta da piscina, com um intrincado conjunto de regras que faria inveja a um verdadeiro estratega militar. É refrescante ver miúdos que ainda sabem brincar sem ecrãs, mesmo enquanto eu temo pelo meu.

Vim passar uma semana a Castro Marim, no espírito vá para fora cá dentro que pauta este ano. Trouxe tudo o que preciso. Muitos livros novos no Kindle, dos quais vou ler apenas uma fração, revistas para a praia, que sou demasiado picuinhas para sujeitar o meu Kindle a tão altas temperaturas e perigo de roubos, muito protetor solar e, acima de tudo, muito stress acumulado para deixar na água do mar.

O sítio que descobrimos, o Sobral de Baixo, é uma quinta perdida no meio do sapal, com pequenos apartamentos acolhedores e uma piscina onde apetece estar. Está suficientemente isolado para só se ouvirem os passarinhos, mas perto para só demorarmos 5 minutoss para a praia ou restaurante mais próximos. Ideal para o tipo de férias que gostamos.

Os dias são passados entre caminhadas na praia, a tentar retomar alguma da forma física que o problema de costas me tem retirado. 7 a 8 kms por dia, devagarinho na areia rija. Depois muitos banhos de mar, que lavam a alma e levam consigo más energias e maus pensamentos. As tardes, como esta em que vos escrevo, à beira da piscina, a ver as andorinhas beber água e a ouvir pouco mais que os pássaros. Pelo meio tudo o que apeteça, entre gelados e peixe grelhado e muitos livros.

Quando finalmente puser este texto no blog, já estarei a trabalhar, e este vento que toca nas árvores não é mais que uma recordação, ou talvez nem isso, engolido pelo peso dos dias.

Mas enquanto isso não acontece, vou até ali dar umas braçadas, para aproveitar as tréguas na guerra sem quartel que se desenrola à minha volta.

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Caminhadas na praia
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Tardes de piscina
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Muita leitura
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Passeios no pomar, no meio do sapal
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Praia ao amanhecer
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Praia ao anoitecer
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Próxima paragem: Alentejo!

Um Ano de Paraíso

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Está a fazer um ano que viajámos para o que foi até agora a melhor viagem da minha vida, São Tomé. Todos os pormenores estão ainda muito marcados na minha memória, especialmente na afectiva.

Lembro-me de chegar e ser recebida por um cheiro quente, primeiro a alcatrão da pista de aterragem, depois a humidade, calor e mar. De ser já escuro e noite, apesar de ainda ser cedo e do motorista que nos esperava, o Sr. Agnaldo, ser extremamente simpático e explicar-nos tudo o que íamos vendo pelo caminho.

Das casas serem quase todas de madeira, sem janelas para afugentar o calor, e da quantidade imensa de pessoas que estavam na rua a celebrar a noite de sexta. O cheiro a mar que nos esperava no quarto, e um jantar delicioso, prenúncio da melhor comida do mundo que nos iria acompanhar em toda a viagem.

Comida maravilhosa, paisagens lindas, um mar que nos embala, e as pessoas de sorriso fácil e animais maravilhosos. E calor, calor por todo o lado, humidade que se agarra a nós e não nos deixa fazer tudo aquilo que queríamos.

Os sitios que escolhemos para ficar, o Mucumbli e a Sweet Guest House foram não só maravilhosos, como nos proporcionaram conhecer gente muito interessante que vai ficar no coração, e os passeios que fizemos foi só uma pequena amostra do que a ilha tem para oferecer (almoçar na Roça dos Angolares e o chocolate do Claudio Corallo foram experiências inesquecíveis).

Muito ficou por fazer, muitos planos para próximas viagens. São Tomé começa agora a estar na moda, o que pode ser uma boa notícia para as suas gentes, mas eu espero sinceramente que avancem na direcção certa, com respeito pela natureza única que têm, com turismo sustentável e com respeito pelas suas gentes.

Eu espero voltar, conhecer o Príncipe, dar a volta à ilha de barco, ver golfinhos, baleias e tartarugas, e levar a vida leve-leve.

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Barracuda

Mucumbli - Por do Sol

O Cacau

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Rumo ao Sul

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O Peixinho Vermelho fez anos no fim de semana passado e nós resolvemos tirar um dia para descansar e aproveitar uns raios de sol. São Pedro quase que nos estragava os planos, mas manteve-se firme até ao final, e foi simpático connosco.

Acabou por calhar tudo lindamente, porque morando em Benfica, previa-se um fim de semana um bocadinho mais agitado do que gostaríamos, mais a mais com Salvador e Fátima à mistura. E assim fomos rumo a terras de Aljezur. Mais concretamente um monte perdido perto do Rogil, terrinha que nunca tinha ouvido falar, mas que gostei muito de conhecer.

Andávamos há que tempos para ir para o “outro” Algarve, mas na realidade apenas um fim de semana sabe-nos a pouco, porque parecendo que não ainda são cerca de 3 horas de caminho, e uma viagem tão longa merece que lá estejamos mais tempo a desfrutar. Assim o aniversário do Peixinho Vermelho foi a desculpa perfeita.

Sábado fomos em passo de caracol por aí abaixo e fizemos a nossa primeira paragem num cantinho que gostamos muito, que é Porto Covo, para almoçar um belo peixe grelhado. Fomos ao Torreão, o peixe estava mesmo no ponto, bem grelhado e saboroso, os acompanhamentos é que podiam ser um bocadinho mais elaborados. Um naco gigante de couve cozida e espapaçada já não é coisa que se apresente nos dias de hoje, especialmente com tanto pesadelo na cozinha a passar na televisão. O pudim da sobremesa era delicioso.

Passeio pela vila para desmoer, sentadinhos à beira mar a ver as ondas bater na rocha, e lá nos pusemos a caminho que o Rogil ainda estava a mais de meio caminho. O nosso destino, o Monte da Xara, estava perdido no meio da Costa Vicentina, mesmo a seguir a uma terrinha chamada Azia. Valeu-nos o são GPS para lá chegar, mas valeu bem a pena.

O Monte da Xara é encantador, um oásis de calma e silêncio, uma casinha muito bem decorada, muito funcional, a 10 minutos de praias fantásticas e um pequeno-almoço digno de reis. E claro, a D. Isabel tem dois cães absolutamente maravilhosos, o Mar e a Nala, que sempre que lhes apetece nos vêm fazer uma visita, pedir festas e ver se temos petisquinho para lhes dar.

No dia em que chegámos já estava o dia no final e pouco mais fizemos que passear a pé pelas imediações e deitarmo-nos preguiçosamente no alpendre a apanhar sol e a fingir que líamos. Na realidade acho que passámos pelas brasas. Fomos cedo para dentro de casa, porque apesar de longe ainda havia quem quisesse ver o Benfica ser campeão, e temos de respeitar esses desejos. Essa foi a parte mais engraçada, ver pela televisão todo um  mundo de loucura pelas vitórias nessa noite, e nós virmos até ao alpendre escutar o barulho das rãs nos charcos, que era a única coisa que se conseguia ouvir na noite algarvia. O sossego é uma coisa maravilhosa.

O domingo e a segunda foram muito semelhantes. Fomos até à praia do Vale dos Homens, recomendada pela D. Isabel, a nossa anfitriã, que no auge de ocupação tinha umas 10 pessoas, e aproveitamos a maré baixa para ir até à praia deserta do lado e ficar por lá a torrar ao sol e a tomar banhos de mar numa piscina improvisada. Três dias de Costa Vicentina deram para recarregar baterias para mais umas semanas de trabalho intenso.

Pelo meio ainda conseguimos encaixar uma visita a Aljezur a à praia da Amoreira. Bonitos, mas estávamos mais virados a isolamento. Uma coisa que achei curiosa e me deixou com esperança na humanidade e na sua capacidade de fazer escolhas e encetar lutas, foi que um pouco por toda a parte, nas estradas, nas paredes das casas se podiam ver cruzes vermelhas a dizer não ao petróleo e gás natural no Algarve. E estando na beleza natural daquelas praias selvagens, que ainda esta semana a Conde Nast classificou como um dos melhores lugares do mundo para fazer caminhada em trilhos naturais, parece-me incrível que sequer se pense em trocar uma coisa absolutamente irrecuperável, que pode durar gerações, por um punhado de dólares que vai para o bolso dos mesmos do costume.

Como sempre, estamos distraídos com o nosso fado e futebol, e quem pode faz pela calada, e quando um dia realmente dermos por isso teremos este tesouro irremediavelmente destruído. O Vale do Tua já foi, quanto tempo restará à Costa Vicentina?

E assim deixo as fotos possíveis, mas que vos inspirem a ir até lá, ou pelo menos a estar atentos àquilo a que ninguém quer que estejamos atentos, as decisões que dizem respeito ao nosso futuro e que estão a ser tomadas nas nossas costas.

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O alpendre do Monte da Xara
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Deitados a ver o céu
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A praia de Vale dos Homens
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A vista cá de cima
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As poças de água e os seus tesouros

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O nosso spa
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A praia da Amoreira, mais perto de Aljezur, mais acessível e com apoio de praia. 
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Há que lutar!

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Por Aldeias de Xisto

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Uma rua em Gondramaz

Como já referi em vários posts anteriores, este ano vai ser a oportunidade de ir para fora cá dentro. No fim de semana passado os planos eram passar pelo Porto para ver a exposição de Miró em Serralves que já vos tinha sugerido aqui, e depois rumar até Bragança para passarmos uns dias imersos no Parque Natural de Montesinho, sítio onde estive há alguns anos atrás e onde desejo muito voltar.

Infelizmente uma crise muito grande de coluna há umas semanas deixou-me imprópria para consumo, caminhadas longas, e longos percursos de carro. Aliás, até bem perto do fim de semana nem sabia se conseguiria sair da cama, mas finalmente, com ajuda de muitos analgésicos lá voltei ao mundo da mobilidade e fomos até Penela, para um hotel já nosso conhecido, para uns dias de descanso à beira duma piscina rodeada por rãs verdes e momentos de zen.

No primeiro dia resolvemos ir explorar um bocadinho a região e fomos dar a uma aldeia de xisto próximo de Miranda do Corvo, mesmo no cimo duma encosta da Serra da Lousã, chamada Gondramaz. Muito diferente das aldeias que eu conheço na zona, principalmente pela cor do xisto que aqui é mais avermelhado, é uma aldeia encantadora, super arranjadinha, cheia de percursos pedestres e mesmo um centro de BTT. E, apesar de muito pequenina, tem dois turismos rurais com um ar muito interessante.

Mas nós fomos até lá para eu apanhar um bocadinho de sol e ar de montanha depois de tanto tempo fechada em casa, e ao mesmo tempo para almoçarmos num sítio catita, porque andamos sempre à cata de sítios onde se coma bem com boa vista. No final da aldeia temos o Pátio do Xisto, restaurante pequeno e com ementa exclusivamente feita de pratos do dia. É preciso ir de mente aberta para este restaurante. A senhora tem o que eu chamaria de “simpatia serrana”. Eu, que passei os verões na Serra do Açor, mesmo ali ao lado, estou perfeitamente habituada a ouvir comentários como: não queria a tua saia nem dada para ir ao mato, de pessoas da minha família, por isso os modos directos da dona do restaurante não nos chocaram minimamente, mas pude ver pelos comentários do trip advisor que algumas pessoas ficaram mais melindradas.

A chanfana foi das melhores que já comi num restaurante e sinceramente fez-me lembrar a da minha avó. A única diferença é que a caçoila não era de barro preto mas vermelho. Mas sinceramente quando me lembro ainda me cresce água na boca. A sopa era normal, e as sobremesas também não estavam mal. Com tanta medicação apenas bebi uma águinha, mas ouvi dizer que os vinhos eram bons. Sinceramente, só aconselho a quem esteja alojado na aldeia, porque a estrada sinuosa precisa dos sentidos bem alerta. E no final a conta foi muito simpática.

O resto da tarde foi passada à beira da piscina a aproveitar o sol que fez o fim de semana passado envergonhar este. Não consegui não ficar enervada por ver 2 pessoas a tarde toda a guardar 9 cadeiras de piscina, não deixando mais nenhuma vaga para as pessoas que chegavam, e para pessoas fantasma que nunca chegaram a aparecer. Sinceramente não percebo a fobia que os portugueses têm a ficar uns minutos sem cadeiras. Sempre nestas situações, ou em centros comerciais cheios, acumulam cadeiras como se fosse um bem precioso que fosse acabar a qualquer momento e que toda a humanidade dependesse disso, e eles, machos e fêmeas alfa e muito mais espertos que os outros mortais, sobrevivessem rodeados de cadeiras vazias.

Enfim, normalmente ter-me-ia sentado no chão sem problema, mas as costas não mo permitiram. Felizmente apanhamos um casal a ir embora quando saímos da piscina e pudemos sentar-nos tranquilamente sem ter de perturbar os acumuladores e tudo terminou em bem.

O resto do fim de semana foi passado em serena tranquilidade Penelense, entre piscina com relas e D. Sesnando, como quem revê velhos amigos. É sempre um prazer voltar e ser tão bem recebido.

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Mesmo à entrada da aldeia de Gondramaz está esta casa de sonho, com um poço e tudo. 
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As casas do largo
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Um pouco por toda a aldeia podemos encontrar estas esculturas nas paredes das casas.
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A vista do Pátio do Xisto
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Chanfana… hum…
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A piscina das relas no Duecitânia… 

À Beira-Mar

O Peixinho Vermelho sabe bem que o melhor presente que me pode dar em qualquer ocasião é passeata, por isso toca de me surpreender com um fim de semana de aniversário à beira mar. Como 2016 foi muito intenso de viagens, este ano estamos a recuperar a carteira com pequeninos passeios cá por dentro, mas o entusiasmo dum peixinho é sempre o mesmo, basta haver água.

Pois que a primeira paragem foi no Portinho da Arrábida, para nos esticarmos ao sol a ouvir as ondas. O plano era ler um bocadinho na areia, mas como estou esgotada da minha cabeça acabei por ficar simplesmente a desfrutar do silêncio, dos pássaros e da natureza. Claro que isso durou pouco, porque apareceram dois irmãozinhos deliciosos a brincar com um papagaio e a brincadeira não tinha graça se eles não estivessem a brigar um com o outro com o volume dum jacto supersónico a descolar. Os pais, casal sapiente e sabedor, estava a mais de 500m da sua prole para proteger os próprios ouvidos, o que claro causava a que à briga se juntassem ainda os clamores de: “OH MÃE OLHA O MANO!”

Estávamos nós a pensar para os nossos botões que raio de karma é que nos faz sempre isto, quando um vento maravilhoso (estava um dia com algum vento, parte da areia da praia ainda não saiu dos meus cabelos) deu um sacão e levou o papagaio que deve estar agora algures em Marrocos. O silêncio voltou à praia e pudemos continuar a desfrutar da manhã em tranquilidade.

Depois dum almoço simpático numa das esplanadas da praia, onde fomos muito bem atendidos, rumámos ao destino final do fim-de-semana, Sesimbra. Da última vez que lá tinha ido, há cerca de 30 anos, foi para acampar com a minha madrinha e o meu primo que teria cerca dum anito, e lembrava-me duma vila pequena e simpática, e da longa subida para o parque de campismo.

Digamos que a simpatia da vila perdeu-se algures nestes 30 anos. Simplesmente não há lugar para estacionar em lado nenhum, supostamente há um parque algures, mas não conseguimos dar com ele, paga-se parquimetro todos os dias, incluindo ao fim de semana, e o hotel para onde íamos cobrava 10€ de parque (claro, toda a gente vai pagar, sob pena de ter de andar com o carro debaixo do braço).

Ora, nós somos teimosos e descobrimos um recanto onde não se pagava algures cá para cima, mas a descida era íngreme e com malas foi uma aventura. Enfim, senhores autarcas, não é simpático, não promove o turismo, deixo a minha opinião.

Depois a praia está com muito pouca areia, e também não convida a a passeata, porque nos sentimos ao colo das pessoas no paredão, por isso Sesimbra não deslumbrou. Valeu a piscina interior do hotel, muito acolhedora e onde passámos a tarde a escaldar o resto da cara. À noite fomos comer um belo peixe grelhado a um restaurante muito catita também, O Velho e o Mar, aconselho se forem para aqueles lados, mais uma vez o serviço foi simpático, a comida foi boa e a sobremesa, gigantesca, era bastante interessante.

Domingo começámos por dar uma passeata até ao Castelo de Sesimbra, que nenhum dos dois conhecia. Custou mais do que o previsto chegar lá, porque o meu telemovel estava nos seus estertores finais e o GPS resolveu achar que o castelo era uma casa abandonada no caminho para o Meco, mas depois desse equívoco resolvido valeu a pena o desvio, porque o Castelo verdadeiro está muito bem recuperado e tem uma vista lindíssima sobre a vila de Sesimbra. As exposições também são interessantes e explicam um bocadinho sobre a história da zona, dá para perceber há quanto tempo a fortificação existe e a importância estratégica que teve. Giro para miúdos e graúdos.

Para terminar achámos por bem voltar onde tínhamos sido felizes, e fomos de novo para o Portinho, mas infelizmente íamos levantando voo. Estava um vendaval que ninguém conseguia estar na areia, e o nosso peixinho grelhado acabou por ficar mais temperado do que desejaríamos.

Mas as praias da Arrábida são deslumbrantes, e gostamos muito de lá ir off season, para descontrair um bocadinho e aproveitar o sol de Inverno/Primavera. É sem dúvida das paisagens mais bonitas de Portugal.

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A nossa vista sobre a marginal de Sesimbra
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No Castelo de Sesimbra

Amazing Thailand

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Sawadee ka!

Os seguidores deste espaço sabem que em 2016 eu fui até Phuket cortesia da Autoridade de Turismo da Tailândia, porque fui a vencedora do seu passatempo Amazing Thailand.

Como eu acredito no conceito de Pay it Forward este ano resolvi partilhar o concurso com os meus leitores para dar a mais pessoas a possibilidade de desfrutar o mesmo que eu.

Concorram, é fácil, e o prémio vale definitivamente a pena. Este ano inclui ainda um saltinho a Bangkok.

Basta irem até aqui, registarem-se e participar no quizz. Boa sorte.

A arte de mudar e viajar

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Aqui há uns dias (bastantes) terminei de ler mais um livro proporcionado pelo Netgalley. Este será publicado algures no início de 2017 e relata-nos a história verídica de Kim Dinan e o seu marido que largaram casa, emprego estável, família e largaram pelo mundo a viajar. Para puderem de algum modo ser parte deste projecto, uns amigos próximos ofereceram-lhes um envelope amarelo com dinheiro para distribuírem como achassem relevante, sem grandes preocupações a não ser sentirem-se bem a fazê-lo.

Este é o ponto de partida daquele que à primeira vista é um livro de viagens, mas que na realidade é uma história sobre a procura do auto-conhecimento, uma jornada de crescimento, e o que é que cada um de nós precisa realmente para nos sentirmos felizes.

Kim precisou de 2 anos a viajar e um envelope amarelo para fazer uma busca interior e perceber o que é que a fazia sentir feliz e realizada. Outros precisarão de mais ou de menos, mas acho que a mensagem mais importante deste livro é que nunca é tarde para fazermos alguma coisa por nós e realmente olharmos para dentro e percebermos o que nos faz felizes. Se nesse processo conseguirmos trazer felicidade a mais alguém, melhor ainda.

A vida de Kim é muito diferente hoje, e podemos segui-la no seu blog, onde ela ainda tenta espalhar alegria.

Goodreads Review

Dia 9 – Adeus a Phuket

O nono dia de viagem foi o dia de dizer adeus, com alguns sentimentos contraditórios. Por um lado sentimos que ficou tanto por ver num país tão maior e mais diverso que o nosso, por outro estávamos sinceramente cansados e a precisar de recuperar, principalmente a boa forma.

Mas ainda tínhamos o dia todo pela frente e tencionávamos aproveitar cada minuto. Claro que de boas intenções está o inferno cheio, e uma tremenda chuvada logo pela manhã fez-nos reféns do hotel e já era quase hora de almoço quando finalmente conseguimos sair.

Tínhamos um destino muito preciso em mente. Uma coisa muito especial que ainda não tínhamos conseguido experimentar por termos estado doentes, e que não iríamos sair da Tailândia sem passar por isso. Uma massagem tailandesa. A alergia do peixinho vermelho desaconselhava uma massagem mais tradicional, por isso optámos por uma hora de reflexologia, que é como quem diz pézinhos. Eu já esperava que a massagem tailandesa fosse boa, não esperava que fosse tão boa. Eu que demorei muitos anos a apreciar as maravilhas das massagens (quando era mais nova fazia-me impressão e enervava-me mais do que me relaxava), fiquei genuinamente impressionada com a destreza e capacidade das senhoras. Claro que rirem-se do tamanho dos meus dedinhos antes de começarem a massagem não teve graça, mas faz parte. Agora eu sou uma pessoa que sofre IMENSO de cócegas, o que levou a minha massagista a passar o tempo a mandar-me relaxar os pés até eu finalmente rebentar num ataque de riso enquanto fugia pela poltrona reclinável acima. A palavra que mais ouvi foi “Relax!” ou a sua variante “Relax! No relax, no good!”, enquanto me dava pancadinhas nos tornozelos. Aconselho vivamente a qualquer pessoa que viaje para a Tailândia a não sair de lá sem passar pela experiência de se deixar massajar. É uma porta para um novo mundo. Mesmo quando parece que nos vão partir o pescoço, é sempre em bom.

Pézinhos de novo no chão, estávamos no pico do calor e fomos fazer um almoço leve num sítio com ar condicionado. Já não conseguíamos apanhar mais sol, e com a perspectiva de 18h de vôo à nossa frente também não estávamos para grandes aventuras exploratórias. Quando nos sentimos suficientemente frescos, rumámos à praia para aproveitar o último fim de dia e a brisa que vem do mar. O nosso verão estava mesmo a chegar ao fim e mesmo assim tínhamos conseguido que durasse até final de Outubro. Ainda demos um salto à rua principal para ir buscar jantar, que foi unicamente um gelado de fruta, feito na altura. O meu banana, o dele maracujá e íamos alternando entre o doce e o ácido de um e outro enquanto passeávamos à beira mar.

A contemplar o último pôr-do-sol ainda tivemos tempo de regatear uns magníficos óculos escuros, que nem queríamos comprar mas que a simpatia do vendedor acabou por nos conquistar. E pela primeira vez nas férias todas, o transporte que nos iria levar ao aeroporto atrasou-se. Até então a pontualidade tinha sido sempre absolutamente exemplar. Mas isso foi apenas mais uma oportunidade para o staff do hotel demonstrar a sua imensa simpatia e disponibilidade em resolver o assunto. 1 minuto depois da hora marcada para o transfer (e não estou a usar um exagero literário, foi exactamente às 20:01) já estavam a ligar para a moça que nos tinha organizado o transporte e a coordenar tudo para saberem o que se passava, e não nos deixaram até o motorista (que tinha ido para outro Chanalai resort) chegar e nos levar até ao aeroporto a uma velocidade supersónica.

Regresso a casa foi oportunidade de ver os episódios que me faltavam da Teoria do Big Bang, mais o Finding Dory, Where to Invade Next, do Michael Moore e alguns episódios do Family Guy. Volto a referir, passe a publicidade, que a Emirates impressiona. Como a nossa escala era de 4 horas no Dubai, tivemos direito a um voucher para uma refeição num dos muitos restaurantes do aeroporto. O menu era restrito, mas era uma refeição completa. Um luxo.

Na altura cheguei cansada, ainda com algumas mazelas, e este foi um ano com duas viagens grandes que, como dizia a minha mãe, nos sairam do corpinho. Dissemos um para o outro que tão cedo não voltávamos a viajar. A realidade é que ainda não parámos de ver outros destinos, sonhar com novas paragens e investigar o que nos falta ver no Sudeste Asiático. Eu quero muito voltar lá e a São Tomé também. Não será já para o ano, mas certamente será mais cedo do que antecipámos. O mundo é uma caixa de surpresas!

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A ver a chuva cair
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Pézinhos massajados, prontos para o regresso.
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Isto é que são tuc-tuc modernos e confortáveis.
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A nossa praia (Kata Beach) vai deixar saudades.
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Pézinhos massajados na areia
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Gelados de fruta e leite de coco feitos na hora… nham nham.
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WC do aeroporto… é que continuo sem perceber.
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Não há livraria que me escape.
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Uma recordação de paz, o Buda Dourado. Até breve!

Dia 8 – O dia espiritual

Este foi mais um dia de passeio, mas virado para a reflexão espiritual. No entanto começou um bocado atribulado. Logo de manhã o peixinho vermelho queixou-se que estava com olheiras, mas tinha na realidade uma brutal reacção alérgica que lhe tinha feito inchar a cara toda ao ponto de quase não se verem os olhos. Resolvi não entrar em pânico, dar-lhe um anti-histaminico, e seguimos para o passeio como combinado, que estaria terminado à hora de almoço. Se até lá ele não melhorasse, seguiríamos para um médico. Claro que ele teve de tomar o pequeno-almoço de óculos escuros para não assustar os outros hóspedes do nosso hotel, mas ao longo da manhã a cara foi ficando (quase) do tamanho normal. O tronco é que continuava com uma urticária que teimava em não passar.

Adiante, como dizia a minha mãe. Lá entrámos nas nossas muito conhecidas carrinhas com ar condicionado e ficámos contentes por ver que teríamos uma guia, simpática como era apanágio do local. Nok, era o seu nome, e, como suspeitávamos, isso era apenas uma abreviação do seu longo e inpronunciável nome para nosso beneficio.

A primeira paragem foi bem perto, num miradouro chamado Karon View Point de onde se consegue ter uma bela vista para as 3 baías da zona: Karon Beach, Kata Beach and Kata Noi Beach (Noi significa pequena, por isso é a praia pequena de Kata). Muita gente, mas nada que nos impedisse de desfrutar da vista e deu para tirar fotos a um casal americano em troca deles nos tirarem fotos a nós, o que foi bom porque é raro termos fotos nossas decentes nas viagens.

Paragem seguinte, o Big Buddha. Esta estátua de 45m foi construída essencialmente com base em doações, no cimo duma colina com uma vista fantástica, e com pequenos azulejos de mármore branco da Birmânia que brilham em dias de céu azul. Felizmente o diz estava com bom tempo, e pudémos desfrutar da beleza em todo o seu esplendor. É um sítio mágico, que emana muita calma e paz.

Paragem seguinte o maior templo budista de Phuket, Wat Chalong. A nossa guia foi todo o caminho a dar-nos algum contexto histórico, religioso e isso só enriqueceu a experiência. As pessoas eram mais uma vez uma simpatia, e iam-nos guiando nos passos que era suposto fazermos. Onde acender a vela, onde deixar a flor, etc etc. O templo é muito bonito e apesar de ter imensa gente não deixa de ser um sitio que emana paz. Na realidade, as únicas pessoas que ouvimos a falar altíssimo foram uns portugueses. Nada que nos surpreendesse, infelizmente. Mas fizemos a nossa oferta, e colocámos uma vela, uma flor e uma folha de ouro nos locais certos, fizemos um bocadinho de meditação interior e desfrutámos do local e da paz que oferecia.

Na tradição tailandesa as estátuas de Buda aparecem sempre em posições muito diferentes. Isto deve-se essencialmente ao facto dos tailandeses acreditarem que consoante o dia da semana em que nascemos, assim temos uma posição de Buda associada, que corresponde a uma determinada personalidade. Podem ver aqui ou aqui. Quarta feira, o meu dia de nascimento, é o único que tem duas posições associadas, consoante tenhamos nascido antes ou depois do meio dia.

A paragem seguinte foi sem grande história, um enorme show room de jóias e souvenirs para aliciar turistas. Nada que não estivéssemos à espera, teve a vantagem de nos mostrar o interior da fábrica de joias, e depois disso não nos demorámos por lá e fomos em direcção a casa. Ainda pensámos rumar a outras paragens da ilha, mas estava imenso sol e a pele do outro peixinho não aguentaria mais calor.

Mas ainda acabámos o dia a passear pelas ruas de Kata, a comer um gelado feito à nossa frente de fruta e leite de coco (que na realidade foi o nosso jantar), e a comprar bananas e mangas para trazer para Lisboa connosco. A fruta, à semelhança do que experienciámos em São Tomé, tem um sabor muito especial e diferente do que encontramos por aqui.

Estava a aproximar-se o último dia em Phuket, e o final da aventura.

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Karon View Point, se eu fosse mais alta viam-se as 3 praias.
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Uma das divindades que ladeava o Big Buddha. Alvíssaras a quem souber quem é.
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Diz-me o Google que este é Durga, que significa O Invencível.
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A vista para o mar de Andaman
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Ainda a vista do Big Buddha
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O Big Buddha num dia de sol. 
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A vista para o interior.
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Alguns ensinamentos budistas que se encontram no interior da estátua. 
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À saída do Big Buddha, o único elefante que veríamos em toda a viagem. 
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Dentro de um dos templos de Wat Chalong
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Um dos edifícios que não era visitável, era só acessível aos monges.
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Pertinho do céu.
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Toda a decoração era lindíssima.
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A sala dos Budas, nas duas diversas posições. 
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“O” Buda. 
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O Buda de quarta feira à tarde. História aqui
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Final do dia, pôr do sol em Kata Beach
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A banca onde comprámos um cacho de bananas, como os que estão pendurados, e mangas, como aquelas amarelinhas. 

7º Dia – As ilhas Phi Phi

Que se lêem Pi, sem o h, como aprendemos por lá. O dia começou cedo, depois de eu ter dormido umas 12 horas para recuperar. Mesmo assim ainda foi preciso mais um paracetamol e 4 Imodiums para eu estar em condições de me meter dentro duma lancha aos saltos em alto mar.

Tal como no dia anterior, sentámo-nos estrategicamente para não enjoar e aguentar a hora de viagem. Viria a revelar-se ainda mais importante, porque o mar era mais agitado, já não estávamos numa baía protegida. No entanto também não era nada que assustasse, e a viagem decorreu sem incidentes.

A primeira paragem foi em Bamboo Island. O nosso guia diligentemente disse-nos os nome de todas as ilhas, mas eu confesso que já só me lembro recorrendo a um mapa. A praia onde parámos era daquelas típicas de postal, águas quentes azul turquesa, a ver-se o fundo e os peixes que decidiam passar por nós. Uma maravilha. Tirando o pequeno pormenor de mais uma vez só podermos tomar banho num pequeno espaço confinado, e a praia estar tão cheia como a Costa da Caparica em Agosto. Nem quero pensar como será na época alta, porque felizmente fomos em época baixa. Mesmo assim bastava dar umas quantas braçadas para já estarmos quase sozinhos no mar, porque a maioria das pessoas estava mais entretida a tirar selfies do que a desfrutar do que estava mesmo à sua frente.

Segunda paragem seria para mim o ponto alto de toda a viagem, e infelizmente durou só 40 minutos. Fazer snorkell ao largo duma ilhota. Nós íamos preparados de Lisboa com o nosso equipamento por variadíssimas razões, uma das quais o facto de eu ter os pés pequenos e ser difícil arranjar pés de pato que me fiquem confortáveis. Como já tínhamos tudo pronto fomos dos primeiros a sair do barco, e parecia uma cena de filme. Como descer escadas com pés de pato é difícil, eu atirei-me de mergulho, qual sereia desajeitada, e larguei a pedalar dali para fora. Apesar dos corais não estarem muito vivos, o que é natural graças ao intenso tráfego daquela zona, os peixes eram absolutamente deslumbrantes e ainda mais abundantes que em São Tomé, e eu teria ficado à vontade duas horas sem levantar a cabeça da água.

Seguiu-se o almoço, que não foi brilhante ao contrário do dia anterior. Não se perdeu muito porque ainda não estávamos muito capazes de comer, mas mesmo assim a variedade de escolhas inócuas não era muita. O sítio era engraçado e ainda relaxamos numas cadeiras à beira mar. O pior foi voltar para o barco depois. A maré tinha baixado e o barco não conseguia chegar perto da praia, o que nos fez caminhar cerca de 100m por rocha, com ondas a desequilibrar-nos. Note to self: nunca mais ir para estas coisas sem os pezinhos de praia. Mesmo assim não me posso queixar de mais que um dedito arranhado, o nosso guia andava para a frente e para trás a certificar-se que ajudava toda a gente a entrar em segurança e carregou a minha mochila grande parte do caminho.

Seguiu-se uma paragem ao largo duma praia para ver macacos ao longe e noutra para ver as grutas com estruturas montadas para recolher ninhos de andorinhas para as famosas sopas chinesas. Confesso que me fez um bocado de confusão. Quando era miúda não acreditava que fossem mesmo ninhos de andorinha e barbatanas de tubarão que entravam naquelas sopas, e preferia ter mantido essa ingenuidade. Mas a água era dum azul turquesa deslumbrante, e valeu por isso.

Próxima e última paragem foi em Maya Bay, o local onde foi gravado o mítico filme do Danny Boyle, A Praia, local que ainda é parque nacional. Ora, eu tinha mixed feelings sobre ir a este local, sabendo que a produção do filme literalmente “rearranjou” a flora local para ficar mais parecida com o que queriam, e plantaram imensas espécies não autóctones de palmeiras, para dar um ar mais paradisíaco ao local, como se isso fosse possível. Mas acho que não ter visto o filme no cinema e já foi a minha forma de protesto, e seria bom ver se o local tinha recuperado, mais que das filmagens, do tsunami que o assolou em 2004. O local é realmente lindíssimo, não desilude, apesar do tema “excesso de pessoas” ter sido uma constante. Segundo o nosso guia irmos de tarde é melhor, porque de manhã há muito mais gente, por causa das marés. À tarde implica uma pequena caminhada por cima de rocha, mas beneficiamos de ter menos gente. E se o número de pessoas que ali estavam era o que se considera “menos gente” tenho medo de pensar no que serão as manhãs passadas ali.

Outro fenómeno engraçado são as sessões fotográficas. Mais do que as dezenas de selfie sticks, vimos famílias que levaram consigo um fotógrafo e estavam literalmente a fazer sessões por toda a praia, para desespero dos seus petizes que apenas queriam tomar uma banhoca descansada. Facebook, a quanto obrigas.

Tempo de voltar a casa, em melhor forma que no dia anterior. Cansados, mas já sem febre e sem corridas desenfreadas ao wc mais próximo. Achámos que já valia a pena ir jantar fora e tentar mais um Pad Thai… achámos mal. O restaurante tinha muito bom aspecto e era muito conhecido, mas não tinha ar condicionado, coisa habitual nos restaurantes locais, supomos nós que para ajudar a vender cervejas fresquinhas, e o pad thai tem uma certa ciência para ser bem conseguido senão fica uma massa pastosa, que infelizmente foi o caso. Foi uma pequena bomba que me caiu no estômago, não ajudada pelo facto de termos sido literalmente despachados em 30 minutos para dar o lugar a outros clientes que consumissem mais. A não voltar.

No dia seguinte teríamos o último passeio turístico pelas redondezas, e estávamos ansiosos. A aventura ainda não tinha terminado.

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Primeira paragem, uma praia de postal, em Bamboo Island
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Com águas deslumbrantes, e muita, muita gente.
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Descansar a ver o mar depois de almoço. O nosso barco é obviamente o que está mais longe da praia.
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A entrada para as grutas onde se recolhem os ninhos de andorinha duas vezes por ano.
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Maya Bay, Phi Phi Ley. O senhor na foto é um funcionário do parque a inspecionar a areia à procura sabe Deus de que perigos.
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Ainda Maya Bay
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Parecia deserta, mas na realidade estava assim.
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Vista para dentro.
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O jantar. Bonito, mas não convenceu.