Finalistas do Women’s Prize for Fiction 2022

Womens prize for fiction 2022

Já saiu a lista das finalistas do Women’s Prize for Fiction 2022, duma lista de 16 nomeadas da qual dei conta aqui. As finalistas são apenas 6 e eu continuo sem ter lido ainda nenhuma, mas já acrescentei 4 à minha lista de espera, principalmente após ter ouvido boas críticas em youtubes literários que sigo.

Build Your House Around My Body by Violet Kupersmith – Já está no meu Kindle, apesar de não saber muito sobre ele. Mas o título impressionou-me o suficiente para considerar lê-lo.
Great Circle by Maggie Shipstead – Um gigante de 608 páginas que me pareceu interessante o suficiente para lhe pegar. Confesso que quando o abro e o Kindle me mostra as horas que eu demoraria a lê-lo, tenho fechado e escolhido coisas mais pequenas. Não estou preparada para um comprometimento tão grande com um livro que tenho mesmo que prestar atenção neste momento.
Sorrow and Bliss by Meg Mason – Não me chamou a atenção, apesar de ter uma classificação altíssima no Goodreads. Não me parece que seja para o meu eu actual, no futuro logo se vê.
The Book of Form and Emptiness by Ruth Ozeki – É Ruth Ozeki e só isso já fez com que fosse o primeiro da lista. Tenho-o, mas ainda não tive o espírito certo para lhe pegar. Com um cachopo de 3 anos que alterna entre estados de doença e hiperactividade é difícil ter a atenção que este livro merece, disponível para ser dada.
The Bread the Devil Knead by Lisa Allen-Agostini – o título que me faz lembrar tanto a minha mãe e as suas expressões. Uma personagem principal com 40 anos. Boas críticas em todo o lado. Menos de 300 páginas. Tanta coisa que me faz querer pegar neste livro.
The Island of Missing Trees by Elif Shafak – Ora este tenho no meu Kindle há meses, vindo direitinho do Netgalley. Já devia ter lido e feito review, mas ainda não consegui ter cabeça para isso. Mas está definitivamente na minha lista de livros para 2022, que, como sempre, posso seguir ou não.

Fiquem por aqui para saber se alguns destes aparecem no futuro próximo, idealmente antes de ser nomeada a vencedora. Se já leram algum, partilhem a vossa opinião.

Até lá, Boas Leituras!

Zeitgeist

Fernando Pinto do Amaral

Os meus contemporâneos falam muito
e dizem: “Então é assim”,
com o ar desenvolto de quem se alimenta
do som da própria voz, quando começam
a explicar longamente as actuais tendências
das artes ou das letras ou das sociedades
a pouco e pouco iguais umas às outras
neste primeiro mundo em que nascemos,
agora que o segundo deixou de existir
e que o terceiro, mais guerra, menos fome,
continua abstracto, em folclore distante.

Parece que está morta a metafísica
e que a verdade adormeceu, sonâmbula,
nos corredores vazios onde, às escuras,
se vão cruzando alguns milhões de frases
dos meus contemporâneos. Todavia,
falam de tudo com o entusiasmo
de quem lança «propostas» decisivas
e percorre as «vertentes» de novos caminhos
para a humanidade, enquanto saboreiam
a cerveja sem álcool, o café
sem cafeína e sobretudo
o amor sem amor, pra conservarem
o equilíbrio físico e mental.

Os meus contemporâneos dizem quase sempre
que não são moralistas, e é por isso
que forçam toda a gente, mesmo quem não quer,
a ser livre, saudável e feliz:
proíbem o tabaco e o açúcar
e se por vezes sofrem, tomam comprimidos
porque a alegria é uma questão de química
e convém tê-la a horas certas, como
o prazer vigiado por preservativos
e outros sempre obrigatórios cintos
de segurança, pra que um dia possam
sentir que morrem cheios de saúde.

Quando contemplo os meus contemporâneos
entre as conversas trendy e os lugares da moda,
“tropeço de ternura”, queria ser
pelo menos tão ingénuo como eles,
partilhar cada frémito dos lábios,
a labareda vã das gargalhadas
pela madrugada fora. No entanto,
assedia-me a acédia de ficar
assim, mais preguiçoso do que um Oblomov
à escala portuguesa – ó doce anestesia
a invadir-me o corpo, a libertar-me
desse feitiço a que se chama o «espírito
do tempo» em que vivemos, sob escombros
de um céu desmoronado em mil pequenos cacos
ainda luminosos, virtuais
estrelas que se apagam e acendem
à flor de todos os écrans
que os meus contemporâneos ligam e desligam
cada dia que passa, nunca se esquecendo
de carregar nas teclas necessárias
para a operação save
e assim alcançarem a eternidade.

Fernando Pinto do Amaral in Poesia Reunida

Finalistas do Prémio International Booker 2022

Booker International 2022

E num instantinho temos aqui a lista de finalistas do International Booker Prize deste ano, um ranchinho de 6 nomes. Temos a já conhecida, e vencedora em 2018, Olga Tokarczuk, juntamente com nomes novos, num colectivo bastante diverso em nacionalidade e estilo literário. Eu ainda não li nenhum, mas deixo em baixo uma pequena sinopse de cada um.

Heaven, de Mieko Kawakami – autora já traduzida para inglês anteriormente, este novo livro é narrado por um jovem de 14 anos que sofre de bullying dum modo estoico, algures nos anos 90. A descrição, algo vaga, bem como algumas críticas positivas de pessoas com gostos semelhantes ao meu, fizeram com que este livro esteja na minha lista (interminável) de livros a ler.

Elena Knows, de Claudia Piñeiro – Livro de uma autora argentina já com alguma bagagem. É um livro de investigação criminal, mas que ao mesmo tempo nos fala das dificuldades da nossa sociedade. Parece uma boa aposta, fiquei interessada.

A New Name: Septology VI-VII de Jon Fosse – este é o último volume desta série de livros do autor norueguês. A sinopse pareceu-me confusa, mas claramente deve ser culpa minha que me perdi em tantos nomes Noruegueses. Não ficou na minha lista de livros a ler, até porque teria que ler todos os anteriores, e neste momento tenho séries de livros para ler até estar na próxima encarnação. Perda minha, de certeza. No entanto, fiquei com vontade de ver um episódio dos Vikings!

Tomb of Sand de Geetanjali Shree – Uma mulher de 80 anos entra em depressão após a morte do marido. No entanto, resolve voltar a viver em pleno, para espanto da própria filha que não sabe o que fazer com a súbita modernidade da mãe. Fiquei fã desta descrição, adoro histórias de idosos que têm o controlo da sua própria vida, está na minha lista de próximos a ler.

The Books of Jacob de Olga Tokarczuk – esta nossa autora já conhecida, volta a ser novamente finalista depois de ter ganho em 2018, e de ter sido prémio Nobel entretanto. Ainda não li o de 2018, e não sei se irei ler este para já. Relato-nos a ascensão e queda dum líder religioso em meados do séc. XVIII na Polónia, e baseado num personagem real e envolto em mistério até hoje. Parece uma boa aposta.

Cursed Bunny de Bora Chung – Um livro de contos duma autora coreana, que vão desde o realismo mágico ao horror que são aqui usados para aludir aos horrores da nossa própria sociedade. Também foi para a lista.

Depois de ler as sinopses acabei por adicionar quase todos à minha lista de livros a não perder, que assim ficou um bocadinho mais irrealista. Se me reformasse já amanhã ainda podia ter hipóteses de conseguir ler todos os livros que acho interessantes.

E que tal, acharam algum deles interessante? Já leram ou pensam ler algum? Digam-me de vossa justiça.

Até lá, Boas Leituras!

Acabei de Ler – The Ones Who Walk Away From Omelas

omelas

Keep scrolling if you prefer to read in English.

Depois dum brilhante mas intenso livro de não ficção, estava pronta para voltar a mundos inexistentes. Depois de andar às voltas no meu Kindle, percebi que queria mergulhar numa bela sci-fi e nada melhor que ir espreitar o trabalho duma mestre no assunto, Ursula K. Le Guin. Como sempre, não leio sinopses para não estragar a leitura e resolvi mergulhar num livro que tinha um título intrigante. The Ones That Walk Away From Omelas foi uma grande surpresa. Primeiro, no tamanho. Este livro é um conto relativamente pequeno. Na minha edição vem também um prefácio e um posfácio, ambos da autora, em que explica um pouco onde lhe surgiu a ideia para a história, e também um pouco a recepção que teve.

E pelo meio temos poucas páginas dum conto que me surpreendeu profundamente. É tão pequeno que não posso dizer nada sob pena de o estragar, mas vale a pena dizer que me deixou a pensar por vários dias no significado e no preço da minha felicidade. O que é que é necessário sacrificar para eu ser feliz? E, colocada na situação impossível do conto, eu seria das que ficavam ou das que partiam? E mesmo partindo, que impacto real é que isso tem na situação?

Críptico? Com certeza. Se quiserem ler apenas o conto, podem encontrá-lo aqui, no entanto aconselho o e-book com os acrescentos que enriquecem muito a leitura.

Se lerem e quiserem discutir, podem encontrar-me aqui no meu estaminé.

Até ao próximo, Boas Leituras!

Goodreads Review

After a brilliant and intense non-fiction book I was more than ready to dive into non-existent worlds. After some shuffling in my Kindle, I realised I was in the mood for some sci-fi and nothing short than the master, Ursula K. Le Guin. As usual, I did not read any blurbs before starting, and just picked the one with the most intriguing title, so I was in for a surprise. First with the size of the book, as it was a really short story. My e-book also had a foreword and afterword from the author, where she explains a bit about where the idea came from and how it was perceived by the public.

And in the middle, we have a few pages with the actual story, that was very surprising. Due to its size, I cannot say much as I might spoil it, suffices to say that thought about this book for many days after finishing it (still think about it almost daily), and wondering about the price of my happiness. What sacrifices must be made for me to be happy? And if I was in Omelas, would I stay or would I go (singing pause now). And if I left Omelas, like some did, what real impact does it have on that particular situation? 

Cryptic thoughts, like the story. If you wish to read it, you can find it here, however I really recommend the e-book with the extras, as they add a lot to the thought process. 

If you’ve read it and wish to discuss it, you can find me in the usual places, here, Facebook or Instagram. 

On to the next, Happy Reading!