Livros que Recomendo – Cathy

cathy

Algures no início dos anos 90 começou a ser traduzida para português a BD Cathy, editada pela Gradiva. Nesse Natal eu e a minha melhor amiga oferecemo-nos mutuamente o livro, sem uma saber da outra. Cathy é uma BD que foi publicada nos Estados Unidos diariamente de 1976 a 2010 e reflectia a “mulher real”. Pelo menos uma mulher real com a qual nos podíamos relacionar. Sempre a lutar com o peso, namorados errados, e uma mãe que o que mais queria é que ela estivesse no lugar da Princesa Diana e casasse com realeza.

Muito divertido e escrito com muito auto-conhecimento, estas BD’s proporcionaram-me muitas horas de diversão, até a minha vida ter mudado de direcção e a personagem deixar de se adequar tanto à minha própria realidade.

Ainda devo ter muitos volumes em casa dos meus pais, que um dia gostarei de reler. Creio que na maior parte as piadas já estarão datadas, e mesmo o tipo de desenho já parece muito rústico, mas creio que o espírito divertido de auto-censura ainda se manterá. Para quem não se importa com o inglês, todas as tiras podem ser encontradas aqui, e uma descrição da autora aqui.

Recomendo a todos os amantes de BD e de mulheres reais.

Boas Leituras.

Acabei de Ler – Frango com Ameixas

ameixas

 

Já sabem que sou grande fã de novelas gráficas, e também de Marjane Satrapi, autora de Persepolis que já aqui recomendei.

Descobri através do Instagram do Peixinho que o Público e a Levoir tinham lançado este Frango com Ameixas e corri a comprá-lo. Claro que nesta fase da vida, livros em que precise das duas mãos para ler tendem a ficar na estante mais tempo (já sou pró a usar o Kindle pousado numa superfície e passar páginas quase com o cotovelo), mas finalmente arranjei um tempinho para me dedicar a ele.

A história é a do tio avô da autora, famoso tocador de tar, a quem partem o precioso instrumento. Depois de muitas tentativas para o substituir, Nasser Ali Khan perde o sentido da vida e decide que quer morrer.

É uma história triste e romântica, cheia de volte faces tão surpreendentes como a natureza humana, simples mas muito bem construída.

Recomendo a todos os que gostam de novelas gráficas, histórias de amor, beleza em geral. Não se vão arrepender.

Boas leituras!

Goodreads Review

Livros que Recomendo – Salamão e Mortadela

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Ora quem segue o Peixinho sabe da minha predilecção por BD, especialmente aquela que é mesmo uma arte, como Neil Gaiman ou Miguelanxo Prado. Mas às vezes também sabe bem ler daquela BD que não tem mais intuito nenhum a não ser fazer-nos dar umas gargalhadas, e muitas vezes por coisas bastante parvas.

É o caso destes livros do Salamão e Mortadela que li algures no final da minha adolescência e muito me divertiram. O humor não é fino e refinado, e o traço não é absolutamente belo, como tantas coisas que tenho partilhado aqui, mas é entretenimento para toda a família, e sobretudo ideal para alturas, como aquela em que me encontro, que o cérebro não consegue absorver informação muito complexa.

Salamão e Mortadela são agentes da TIA, mas não são uns agentes quaisquer. Salamão é profundamente azarado, e Mortadela tenta sempre resolver tudo com um disfarce inútil, que só ajuda à confusão. São também ajudados por uma fiel secretária, um inventor duvidoso, e claro, têm um chefe irascível e pouco eficaz. Clara paródia aos mistérios do James Bond e às agências secretas como a CIA. O seu autor é um espanhol Francisco Ibañez e a primeira publicação em Espanha já data de 1958.

Sei que se fez um filme recentemente, mas sinceramente não vi e não creio que seja uma obra prima. Os livros também já devem andar esgotados nas livrarias, mas ainda anda muita coisa nos OLX da vida, caso estejam mesmo interessados.

Recomendo a todos os que gostam de divertimento sem compromissos, humor com um toque ibérico e BD em geral.

Boas Leituras!

Acabei de Ler – Ardalén

Ardalén

Quem anda pelo Peixinho já sabe que eu gosto muito de BD, e dentro dela tenho algumas preferências. Já falei de Miguelanxo Prado, um autor galego, aqui e aqui. Acho que posso mesmo dizer que é dos meus autores favoritos, com uma estética inconfundível. As suas histórias vão também do humor, à sensualidade, ao fantástico inspirado pela sua Galiza.

Este livro foi-me oferecido no Natal de 2016, no seu galego original e eu andei a guardá-lo como um tesouro, com pena de o ler a acabar a magia. Mas finalmente arranjei tempo de qualidade, com a dedicação que este livro merece, e, obviamente, terminei-o num dia.

Ardalén, que é o nome que se dá a um vento que vem do Atlântico, do imenso mar, e que carrega consigo a nostalgia e a história do povo galego, permeia toda esta história, que é relativamente simples. Sabela, uma mulher de 40 anos que se divorcia e está desempregada, quer saber quem é buscando as duas raízes. Sabe que teve um avô que andou embarcado e que acabou por morrer no estrangeiro, mas não sabe mais nada dele. A não ser a aldeia de onde é originário, e é aí que vai começar a sua busca por mais informações, na esperança de ganhar também um  sentido para a sua vida.

É aí que Sabela conhece o velho Fidel, que está fechado na sua casa rodeado das suas recordações do tempo que passou no mar, e que se senta regularmente à beira da floresta quando sopra o Ardalén, para ver as baleias que vivem no meio dos eucaliptos e retornam ao mar. Entre os dois gera-se cumplicidade e amizade, e as coisas tomam rumos que nós não esperávamos. Como sempre, Miguelanxo tem um olhar acutilante e muito certeiro sobre a vida e a maledicência nas aldeias, e não perde a sua oportunidade de nos mostrar essa dinâmica.

Como sempre com ilustrações belíssimas, de tirar o fôlego e de nos fazer entrar dentro da história. Recomendo a todos os amantes de BD, mas também àqueles que gostam de sonhar com histórias belas e diferentes.

Goodreads Review

Boas Leituras!

Livros que Recomendo: Asterix o Gaulês

Asterix o gaules

Não consigo enumerar as vezes que li este livro, mas foram largas dezenas. Este não foi o primeiro livro do Asterix que li. Essa honra cabe a Astérix e Cleópatra, depois duma amiga dos meus pais me ter levado a ver o filme de animação, mas desde aí nunca mais parei.

Todos os anos, na nossa visita anual à Feira do Livro, eu comprava pelo menos mais um volume da colecção. E sempre que isso acontecia eu voltava religiosamente a ler todos os outros. Tinha alguns preferidos (ainda hoje me lembro do Astérix entre os Helvéticos, ou entre os Bretões). Na realidade, se pensar bem, os meus favoritos eram todos aqueles em que Astérix e Obélix viajavam para terras distantes para ajudar algum amigo em apuros. Isso fez-me aprender imenso sobre outros países e a sua história, tudo em suave brincadeira.

Estes livros são mágicos, divertidos e podemos aprender alguma coisa com eles. Claro que estes dois amigos improváveis resolvem quase tudo à pancada, e neste mundo em que vivemos hoje do branqueamento do politicamente correcto, tenho a certeza que alguém se há-de insurgir contra isso. No entanto, eu que não acredito em politiquices e nunca resolvi nada pela força, tinha nestes livros os meus favoritos de infância.

A história deste livro é simples, e centra-se no rapto de Panoramix pelos romanos para obterem o segredo da poção mágica, com todas as peripécias que já sabemos virão a seguir. Acaba como sempre, com um grande banquete em que o bardo é de algum modo impedido de cantar!

Recomendo a todos os jovens de espírito, a todos os que gostam de BD e bons livros, a todos os que querem passar um bom momento com os seus filhos em leituras conjuntas.

E quem não se lembra das famosas palavras de abertura?

Estamos no ano 50 a.C.. Toda a Gália está ocupada pelos Romanos… Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis Gauleses resiste agora e sempre ao invasor.

Boas Leituras!

The Watchmen

watchmen

Depois de ter terminado toda a saga do Sandman, fiquei um bocadinho sem saber o que ler em termos de BD. Claro que tenho muita coisa cá em casa ainda à espera de ser lida, e que entretanto já se compraram mais alguns, mas a mesma amiga que me emprestou os do Neil Gaiman percebeu a minha sensação de perda e imediatamente a colmatou emprestando-me este volume e garantindo-me que eu iria gostar.

Tendo acabado de sair dum mundo tão fantástico e onírico, o choque que senti com as primeiras páginas deste livro não foi pequeno. Ambos são negros, mas Neil Gaiman é mais negro gótico, e este é mesmo negro desespero. Distopia, como seria o mundo se uma série de premissas não se tivessem verificado. Não me senti preparada para uma transição tão abrupta, e deixei-o a marinar um bocadinho na minha estante.

Até que finalmente nestas férias achei que estava na altura de o agarrar de frente, e enfrentar este mundo de super heróis decadentes, tão decadentes e proscritos que a própria BD que se vende aqui é toda sobre piratas, porque ninguém quer ler sobre super heróis. Aliás, de preferência, ninguém quer saber que eles ainda existem, tirando um que ainda pode ter alguma utilidade desde que bem controlado pelo governo, e isolado numa redoma da restante população.

Este livro é a simbiose perfeita entre desenho e argumento. Não consigo imaginar esta história contada de outro modo que não este, e só as múltiplas camadas atingidas com o texto e o desenho nos conseguem transmitir todos os significados que o autor nos queria fazer chegar. Desenganem-se aqueles que estão convencidos que BD é coisa de crianças, ou que o universo dos super heróis é tão linear e insípido como Hollywood nos quer fazer crer.

Estes super heróis são pessoas com algumas características que lhes permitem serem diferentes de nós e lutarem contra o crime de algum modo, no entanto as próprias máscaras que os ajudam a proteger a identidade a partir de certa altura denunciam-nos e cobrem-nos de ridículo. A certo ponto um deles, depois duma cena mais violenta, pergunta contra quem é que eles estão a proteger o público, se dos vilões se dos “bons”. Estes “bons” são pessoas carregadas de defeitos, neuroses, dificuldades sociais e de adaptação e que no momento em que história começa estão não só proibidos de exercer, como começam a ser atacados por uma força desconhecida e mortos um a um. É este o catalisador de toda a série de acontecimentos que se seguem, embebidos numa história mundial e de guerra fria muito complexa, e com imensos sub textos paralelos que eu tenho sérias dúvidas que tenha conseguido abarcar na totalidade.

Aconselho a todos os fãs de BD, mas principalmente aos que não se deixam intimidar por uma história longa, complexa, que é preciso ler com uma atenção que normalmente não associamos a este género de livro. Vão ver que não se vão arrepender, este é um verdadeiro clássico do género.

Goodreads Review

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Toda a Mafalda

mafalda

Quando era miúda ia passar muitos fins-de-semana a casa dos meus padrinhos. Uma coisa que eles tinham eram imensos livros, um dos quais já recomendei aqui, O Meu Pé de Laranja Lima. Mas também tinham muita BD alternativa dos anos 70, muita obscura de que não se ouviu mais falar, mas a minha favorita era sem dúvida a Mafalda.

A Mafalda é uma menina de 6 anos, que não gosta de sopa e tem uma visão do mundo surpreendentemente actual, considerando que é um cartoon argentino que foi publicado  por Quino de 1964 a 1973. A sua visão política e social é muito apurada, e a interacção com os seus amigos e mais tarde o irmão permitem-nos reflectir sobre problemas importantes da sociedade sempre com uma capa de aparente leveza.

Foi uma daquelas BD’s que eu comecei a ler em pequena e a rir de algumas tiras, principalmente as que relatavam o ódio à sopa, e quanto mais ia crescendo mais ia abarcando os significados que estavam contidos em cada quadradinho.

Já há muito tempo que não leio a minha Mafalda, mas tenho saudades. É um daqueles livros a que recorro quando o cérebro precisa de descanso informado.

Recomendo a todos os que gostam de pensar, divertir-se, rir enquanto pensam sobre coisas sérias, e perceber que embora o mundo evolua muito, se calhar tudo continua na mesma.

Boas Leituras!

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Livros que Recomendo – A Lagoa do Sherman

Sherman

Não é a primeira vez que falo aqui no Peixinho deste tubarão castiço, meio tolo, que habita numa lagoa tropical dum atol no Pacífico. Vive lá com a sua esposa, e os seus amigos. Uma tartaruga existencialista, um caranguejo vigarista, um peixe adolescente que é um génio de computadores e um urso polar que vai e vem consoante lhe apetece calor. Todos os outros habitantes são mais ou menos território livre de alimentação, incluindo os “macacos peludos” que se passeiam inocentemente pelas praias a desfrutar do lugar paradisíaco.

Por baixo de tudo isto temos uma forte mensagem ambiental e de reflexão sobre a importância de todos os seres marinhos, por mais insignificantes que nos possam parecer, bem como alertas vários sobre situações actuais graças ás viagens que Sherman vai fazendo por outros mares do mundo.

Eu sei isto tudo porque sigo diariamente a tira que vai sendo publicada aqui, já que em Portugal apenas foram publicados dois volumes pela Devir. Mas creio que hoje já não se encontram disponíveis.

Recomendo a todos os que gostam de BD, principalmente com um tom humoristico/educativo.

Boas Leituras!