Dado Não É Comprado

Presentes

Não sei se estão recordados, mas um dos desafios que coloquei a mim própria em 2018 foi o de não comprar livros, para ver se finalmente dava um destino aos livros por ler que ainda tenho aqui em casa e arranjar espaço na estante para os que se começam a amontoar em todos os recantos disponíveis (cadeiras, chão, em cima de caixas de arrumação onde estão livros técnicos… começa a ser dramático).

No entanto os meus amigos sabem que pouca coisa me faz mais feliz que um livro novo, e neste aniversário encheram-me de mimos e títulos novos. E eu não podia ter ficado mais agradecida, porque isso significa que tenho coisas novas na estante para ler, sem ter feito batota! Ora então vamos ver o que tenho para ler nas próximas semanas:

Everything is Iluminated – de Jonathan Safran Foer. Curiosamente ainda há poucos dias tinha andado a investigar este livro no Goodreads nem me lembro a propósito de quê, e tinha decidido que seria um dos próximos a adquirir, assim que pudesse adquirir coisas novas. Acontece que é um dos autores favoritos desta minha amiga que partilha comigo o amor por Neil Gaiman, e foi assim que me veio parar às mãos. Estou ansiosa para o ler.

O Caminho Imperfeito – de José Luís Peixoto. Dispensa apresentações, é um dos meus autores de conforto e esta aventura passada na Tailândia estava na nossa lista de livros a ler ainda ele o estava a escrever.

Luiz Pacheco Essencial – de António Cândido Franco. Este é o tiro no escuro, mas à falta de originais disponíveis de Luiz Pacheco será pelo menos interessante ler uma boa biografia desta figura tão complexa, e é isto que eu espero que este livro seja.

E pronto, depois virei prestar contas da leitura destes títulos, bem como do progresso do desafio. Para mim não comprar poesia está a revelar-se de longe a tarefa mais difícil, já que este ano parece que os livros de poesia estão a saltar de baixo das pedras e aparecem de todos os lados, só para me afrontar, e cada vez descubro mais autores que queria MESMO ter. Felizmente ainda não me cruzei com nenhum livro de Manuel de Freitas em pessoa, porque não sei se conseguirei resistir. Vamos ver como corre a Feira do Livro este ano… se calhar não corre…

Boas Leituras!

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Update de Janeiro

alfarrabista

Agora que estamos bem dentro do novo mês, como é que correram as coisas neste Janeiro? Para começar fui ao cinema e ao teatro e só isso já é um bom indicador, mas os livros também não estiveram nada mal.

Consegui terminar 5 livros, dois dos quais estavam na minha lista de livros a ler no inicio de 2018, o que é uma vitória. Mas o mais importante é que, apesar de muitas tentações e solicitações, consegui passar o primeiro mês do ano sem comprar nenhum livro, tal como me propus. É incrível como pelo facto de ter escolhido não comprar livros este ano a vontade automaticamente multiplicou. Enfim, por enquanto tudo tranquilo, tenho-me mantido afastada de poesia e deixei de seguir alguns alfarrabistas no Instagram, veremos como corre o resto do ano.

Para além disso já ando com o meu Kindle novo para todo o lado e, após uma fase de habituação às características novas, tenho-me adaptado muito bem. Claro que como este vem com iluminação de ecrã incluída tenho andado a dormir menos horas, porque fico a ler até mais tarde, mas ler na cama é outro dos prazeres da vida.

Mais actualizações destes desafios virão ao longo do ano, até lá boas leituras!

Os Jardins de Luz

Jardins de Luz

Nada como começar o novo ano a ler um livro perdido na estante, que estava sem atenção há pelo menos uma dezena de anos. Este tinha-o trazido quando me mudei de casa dos meus pais, em 2008, e já andava na lista TBR muito antes disso. O autor parecia interessante, o tema também, mas por alguma razão nunca lhe pegava. Este ano decidi olhar seriamente para as minhas estantes e dar atenção aos filhos perdidos, para eventualmente lhes dar um rumo e criar espaço, e este foi o segundo escolhido. Isto vem também no seguimento do desafio que coloquei a mim própria de não comprar livro nenhum este ano, por isso faz todo o sentido.

Amin Maalouf é um escritor de origem libanesa a viver em França desde 1976 e esta mistura transparece na sua escrita. Este livro conta-nos a história de Mani, um jovem parto, criado no seio duma seita ascetica dois séculos depois de Cristo, numa cidade que hoje já não existe mas seria próxima da actual Bagdad. Mani foi um profeta no seu tempo e criou uma nova religião que foi grande e poderosa, mas que abalou tanto os poderes instituidos na altura, que foi severamente atacada até hoje dela não restar mais que uma leve memória e uma palavra com má conotação, maniqueísmo.

Mas na realidade a religião que Mani originou apenas pregava a unidade entre todas as outras, e que cada homem tinha dentro de si simultaneamente luz e sombras. E talvez por não condenar abertamente ninguém, tornou-se inimigo de todos.

O livro é interessante, de leitura fácil e rica, as imagens com que o autor nos presenteia são de grande beleza. O mais interessante é imaginarmos a zona do Médio Oriente como rica e próspera não só em fortuna e riquezas, mas também culturalmente. O império romano e o persa rivalizavam em poder, riqueza e desenvolvimento, sendo que este último era consideravelmente mais estável porque não estava constantemente assolado por disputas de poder como o império romano em declínio.

No entanto sinto que faltou algo a esta descrição de Mani. Talvez alguma força nas suas convicções, algum ardor na sua defesa, ou alguma profundidade na exploração da sua filosofia de base. (…. )

Recomendo a todos os que gostam de uma boa história contada por um autor diferente, não anglo-saxónico e que têm interesse em história e filosofia.

Por fim, outra coisa que me custou seriamente foi ler um livro de capa dura. Seriamente habituada ao meu Kindle, andar nos transportes públicos e precisar das duas mãos para ler já é uma coisa que não dá jeito nenhum. Almoçar sozinha no emprego e precisar das duas mãos para ler era uma coisa que não me acontecia também há muito tempo, por isso senti muita falta da praticalidade do meu fiel amigo. De tal modo que vou ter de fazer uma pausa nos livros físicos por uns dias.

Goodreads Review

Boas Leituras!

Desafio para 2018

Livros

Sei que 2018 ainda mal começou, e que na realidade ainda há poucos dias eu estive aqui a debitar os meus objectivos para o ano, bem como a série de livros que tinha na calha para começar a ler.

Mas, como já devem ter percebido, isto da leitura tem muito a ver com a disposição e com aquilo que nos apetece fazer, e eu percebi que quero ganhar algum espaço na minha casa, fazer algum decluttering, libertar-me de livros que nunca mais vou ler para poder guardar apenas aqueles que fazem sentido para mim. Por isso comecei já a ler alguns dos que estavam eternamente pendentes na estante, como aquele que encerrou 2017, e vou seguir por aí fora enquanto me apetecer.

Mas o grande objectivo deste ano que se avizinha vai ser não comprar livros. Nem um.  Ler apenas os que ainda me faltam ler, os que ainda tenho para o Kindle, os que me chegam através do Netgalley e se tudo isso falhar, as mini bibliotecas que me rodeiam. Reciclar e reaproveitar também na literatura, se assim quiserem.

O grande perigo que poderá fazer soçobrar esta decisão será se me deparar com alguma pechincha poética, que não sei se conseguirei resistir!

Vamos ver como corre, irei dando notícias do progresso da empreitada por aqui.

Boas Leituras!