Acabei de Ler: The Woman Who Kept Everything

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Desta vez escolhi no Netgalley um livro que me pareceu divertido e descontraído e não estava enganada. The Woman Who Kept Everything conta-nos a história de Gloria, uma idosa de 79 anos, uma acumuladora de tralhas, revistas, recordações avulsas e lixo, de tal modo que a sua casa se torna inabitável e ela tem de ser temporariamente realojada, primeiro num lar e depois em casa do seu filho único.

Isso será o factor despoletador de mudanças profundas na sua vida, ajudada pelo seu amigo de infância Tilsbury e uma grande aventura de auto-descoberta vai mudar completamente o seu final de vida e a sua visão do mundo.

Se estiverem à espera dum livro extremamente preciso em relação aos problemas de acumulação, desenganem-se. Não é esse o objectivo desta história. No entanto conseguem abordar-se temas sérios, como doença mental e a falta de independência dos idosos. A certa altura da vida parece que se assume que uma pessoa já não é capaz de tomar conta de si própria e perde-se o direito a tomar decisões, escolher o que queremos, viver aventuras ou experimentar o amor.

Duma forma leve e descontraída este livro vem lembrar-nos que nunca é tarde demais para agarrar a vida com as próprias mãos e fazer as mudanças e decisões difíceis que nos levarão a tomar o rumo que queremos e achamos melhor para nós.

Recomendo a todos os que gostam duma história leve, bem contada e divertida. É apenas um livro descomprometido, mas nem sempre isso é mau, pois não?

Boas Leituras!

Goodreads Review

This time the book I chose on Netgalley was one that seemed fun, relaxed and I wasn’t wrong about it. The Woman Who Kept Everything tells us Gloria’s story, a 79 year old hoarder that accumulates magazines, memories and all kinds of junk on her house. This eventually leads to trouble and she needs to be rehomed, first in an old people’s home, later in her son’s house.

This will be the trigger that will provoke profound changes in Gloria’s life, first not pleasant ones but after a push from her long-time friend Tilsbury, she will experience a journey of self-discovery that will radically change her outlook on life.

If you are expecting an accurate depiction of hoarding problems, this book is not the place to look. That is not the purpose of the story. Nonetheless the author can still include some serious issues, like mental illness, depression, and the fact that we expect old people to give up on their lives as we deem them unable to make decisions, know what is best for them, live adventures or even find love.

In a light-hearted way this book reminds us that is never too late to grab our lives in our own hands and make all the necessary changes and adjustments to do what is best for us.

I recommend it to everyone who likes a light story, fun and well told. It is a light read, but that’s not always a bad thing, is it?

Happy Readings!

 

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Acabei de Ler: Gina in the Floating World

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Já é mais que sabido que o Peixinho gosta de literatura erótica, e que anda um bocadinho desiludido com o que se escreve atualmente. Ainda não percebi se sou eu que ainda não descobri os livros bem escritos, sem implicações de moralidade puritana duvidosa, ou se pelo contrário o politicamente correcto também invadiu esta corrente da literatura, normalmente mais transgressiva. A regra parece ser, podes fazer as coisas mais escabrosas, desde que seja com o homem que vais casar (ainda a influência das 50 Shades).

No entanto, por vezes aparecem pequenas pérolas. Esta chegou até mim por intermédio do Netgalley e não fiquei desiludida.

Passado no Japão em 1981 este livro conta-nos a história de Dorothy, uma jovem americana de 23 anos que vai fazer um estágio em finança no Japão para ganhar experiência na área e em multiculturalidade para poder prosseguir os estudos numa Universidade Americana de renome.

Quando lá chega percebe que há um fosso cultural abismal, que afinal já não vai ter bolsa de estudos e que vai ter de arranjar trabalho para continuar a perseguir o seu sonho. O que se seguem são uma série de peripécias em que Dorothy se transforma em Gina, uma empregada em bares de Tóquio, onde vai vivendo uma série de experiências novas, desafiantes, onde se conhece a si mesma e aos seus limites e nos leva pelos meandros da sociedade japonesa dos 80’s.

Claro que o livro não é perfeito, e nalguns momentos as reacções de Gina parecem um pouco infantis, mas no geral é uma história bem escrita, bem contextualizada, cheia de sensualidade muito mais que cenas explicitas, um erotismo que nos é trazido através da arte japonesa, dos locais a visitar, da cultura em geral.

Gostei muito e recomendo a todos aqueles que gostam de erotismo e de viagens.

Goodreads Review

As you might know if you follow the blog, I am a fan of erotic literature, albeit a bit disappointed with what is being written at the moment. I still haven’t figured out if it’s me who haven’t come across well written books, without prudish moral concerns, or if on another hand the political correctness has invaded this type of literature that used to be more transgressive. The rule of thumb seems to be, you can do the most outrageous things, as long as you marry the guy in the end (still the 50 Shades influence).

Despite all this, every once in a while I come across a small treasure like this book, that came to me through Netgalley.

The action is set in 1981 Japan, and we follow the story of Dorothy, a young American girl that wants to proceed her studies in a renowned university, and to accomplish that she needs an internship abroad. This will provide both with experience on the job and a multicultural experience, crucial for the university she’s applying to.

Once in Japan she realises the cultural gap is bigger than she was expecting, her scholarship is also not happening and this means she is left with no money on a foreign country, needing a job to complete the internship. The rest is the depiction of her adventures as a hostess in Japanese bars, while she learns the language, art, food, but most of all she learns her limits and limitations. She has several interactions with different kinds of men, and all of these make her grow.

The book is not perfect and sometimes Gina (Dorothy) feels a bit childish, however the story is good, the background is coherent and adapted to the story, very sensual and full of beautiful scenes that intertwine eroticism with art and culture.

I liked it very much and recommend it to all fans of erotic literature and travels.

Happy Readings

Acabei de ler: Murmuration

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O Netgalley desta vez deu-me a oportunidade de ler o livro de estreia de Robert Lock, um livro bonito e delicado, passado ao longo de cerca de 100 anos numa cidade costeira inglesa, com um cais vitoriano que permite aos veraneantes passearem ao longo da praia e em cima do mar, com um belo teatro no final.

Seguimos a história de cinco personagens, desde 1865 até aos dias de hoje, algumas estendidas no tempo, outras concentradas em poucos dias, mas todas interligadas de algum modo, desde os tempos áureos da estância balnear, ao seu declínio nos dias de hoje em que os ingleses preferem paragens mais quentes e com mar mais convidativo. Tudo isto pontuado com o voo crepuscular dos estorninhos, com os seus padrões e sons que formam a ponte entre todas as histórias.

Eu gostei do livro, está bem escrito, as histórias são coerentes, muitas vezes surpreendentes e com um subtil toque de misticismo. No final tudo se completa e forma uma narrativa sólida e alguns personagens, como Michael Braithwaite, são verdadeiramente deliciosos.

Recomendo a todos os que gostam de livros bonitos, diferentes, com uma história envolvente.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Netgalley gave me the opportunity to read Robert Lock’s debut novel, a beautiful and delicate book that takes place across 100 years on a small coastal town in the UK, with a Victorian pier that allows holiday makers to promenade along the beach and over the sea. It has a beautiful theater at the end that is central point of all stories.

We follow the stories of five characters, since 1865 till today, some stretched in time, others concentrated on a few days, but all of them intertwined. We start in the pier’s golden age and we follow through its declining years, where British holiday makers prefer warmer places with a gentler sea. All is marked by the starlings’ twilight flights, with its murmuration and beautiful patterns, forming a liaison between all the stories.

I liked the book very much, it is well written and the stories are cohesive and surprising at times, with just a hint of otherworldly details. It all comes together at the end, forming a solid narrative and some characters, like Michael Braithwaite, are delicious.

I recommend it to everyone who loves a good book, beautiful and different, with a catching plot.

Happy Reading!

Finalistas do Man Booker 2018

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Foram anunciados a semana passada os seis finalistas do prémio Man Booker 2018. Desta vez não conheço nenhum, apesar de reconhecer algumas capas do Netgalley. Na realidade 3 destes livros foram previamente disponibilizados por esta plataforma, o que me deixa a pensar que tenho que dar mais atenção aos livros que por lá andam e tentar escolher os certos.  Deixo-vos aqui embaixo a lista com as minhas impressões.

Anna Burns, Milkman (Faber & Faber): Livro de escrita original, frases e parágrafos longos e história densa. Parece interessante, já que se passa em Belfast no final dos 70’s, altura conturbada e cheia de instabilidade social. Fiquei com vontade de ler.

Esi Edugyan, Washington Black (Serpent’s Tail): A história dum rapaz de 11 anos, escravo, e de como consegue passar a homem livre, com ajudas improváveis. Não me pareceu o meu género de livro pelo que li na sinopse.

Daisy Johnson, Everything Under (Jonathan Cape): baseado em mitos e contos de fadas, é também um livro sobre linguagem, e uma viagem às memórias de infância. Tem excelentes criticas este primeiro trabalho da escritora, mas não sei se me entusiasmou.

Rachel Kushner, The Mars Room (Jonathan Cape): Uma história sobre uma mulher condenada a duas penas de prisão perpétua na Califórnia, este livro dividiu os seus leitores. As criticas são muito boas, ou muito más, mas a mim deixou-me curiosa o suficiente para lhe querer pegar.

Richard Powers, The Overstory (William Heinemann): um livro de ficção ambiental, sobre o poder das árvores e o modo como o homem se distancia dos outros habitantes do planeta. Mais um que divide opiniões, mas que me despertou bastante interesse.

Robin Robertson, The Long Take (Picador): a história dum soldado canadiano da Segunda Guerra Mundial que vai tentar fazer vida como jornalista em Los Angeles no pós-guerra. Os seus traumas e as suas dificuldades encontram espelho na decadência da cidade à sua volta, tudo isto permeado com poesia. Parece-me uma aposta segura.

Se leram algum, partilhem a vossa opinião.

Boas leituras!

The Winter’s Child, de Cassandra Parkin

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Mal vi um novo livro da Cassandra Parkin disponível no Netgalley não consegui resistir e tive que o pedir. Felizmente deram-me a oportunidade de o ler e passei-o bem à frente de outros que tenho na lista para me proporcionar o prazer de um livro bem escrito.

Em Winter’s Child, Cassandra conta-nos a história de Susannah Parker, a quem o filho Joel desapareceu vai fazer 5 anos. Susannah é uma mulher forte, que nunca desistiu de procurar o filho, mesmo depois do seu casamento não ter resistido ao trauma, e mesmo quando mais ninguém parece ajudar. Esta história é forte, complexa e recheada de pormenores interessantes.

Esta autora escreve muito bem. Mesmo quando os personagens não são simpáticos nem causam propriamente empatia, nós queremos saber o que lhes acontece. E as coisas nunca são como parecem à primeira vista. É exímia em descrever doença mental, e em mostrar-nos o que se esconde por trás duma capa de aparente normalidade.

O único senão para mim, que sou chata, é que a meio do livro já tinha adivinhado o plot twist e isso retirou um bocadinho o impacto do final.

Mas é um bom livro, bem escrito, e recomendo a todos os que gostam de histórias bem contadas.

Goodreads Review

Boas leituras!

As soon as I saw a Cassandra Parkin’s book available for request on Netgalley, I was unable to resist and had to try and get. Luckily I was given the chance to read it, so I moved it forward on my TBR list so I could enjoy the pleasure of a well written book.

In Winter’s Child, Cassandra tells us Susannah Parker’s story, whose 15 year old son went missing 5 years ago. Susannah is a strong woman who has never given up the search for her son, even after her marriage has failed, not resisting the trauma, and even if no one else seems to be helping her in that quest. This is a strong and complex story, rich in details.

Cassandra is an amazing writer. Even when her characters are not nice or relatable (like Susannah, after a while), we still want to know their fate. And things are never quite as they meet the eye. She describes mental illness brilliantly, and is able to show us what lies behind what seems to be normal.

The only thing that was not quite there for me was that by middle of the book I was already guessing the ending, but I’m annoying that way.

But it’s a very good, well written book, and I recommend it to everyone who likes a story well told.

Happy Readings!

The Third Swimmer

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Depois do último livro ter sido uma experiência de leitura brilhante mas aterradora, voltei a ler uma sugestão do Netgalley mais tranquila e intimista. Aliás, essa parece ser a temática de 2018, livros que contam histórias bonitas e delicadas, que se debruçam sobre as dificuldades de comunicação nas relações, sobre o manter a intimidade e o amor mesmo em face da adversidade.

Este livro acompanha a história de um casal, Olivia e Thomas, em dois momentos diferentes. Quando se conhecem em pleno despontar da Segunda Guerra Mundial, e mais tarde, em 1952, já casados e com 4 filhos, com um casamento longo mas algo distante, com dificuldade em manter intimidade, com muitas coisas que ficaram por resolver, por dizer e com as mazelas que a guerra deixou nos dois. Resolvem fazer uma viagem a dois ao Sul de França para ver o que restava do casamento, e perceber se ainda o podem salvar.

A história é relativamente simples, mas recheada de significados escondidos, camadas de interpretação, metáforas, interligações com momentos específicos da História real e da história pessoal da autora, que tornaram a experiência de ler este livro ainda mais prazerosa.

Mais uma vez uma experiência que não me deixou desiludida, e um livro que recomendo a todos os que gostem de histórias simples, mas bonitas e bem contadas.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Intimacy is just this, she thinks: talking to somebody in the night, talking and being heard. It’s harder than anything. And, there is no other way.

After the last book having been a brilliant yet terrifying reading experience, I went back to a more soothing suggestion from Netgalley. Actually, this seems to be this year’s trend, as in 2018 I’ve been reading books that tell beautiful and delicate stories, about relationship struggles, the difficulties in communicating, maintaining love and intimacy in the face of adversity.

This book leads us along the story of Olivia and Thomas in two separate moments. When they first met, at the dawn of WWII, and later, in 1952, when they are already a married couple with 4 children, with a long, difficult marriage, with many things left unsaid and struggling to remain intimate. It’s in this context that they decide to go on a trip to the south of France, trying to salvage what they can from their relationship.

This is a fairly simple story and yet filled with hidden meanings, layers of implications, metaphors, connections with real moments and people from History and from the author’s personal life, making the reading experience richer and more fulfilling.

Again, this was a very good experience, a book that I recommend to everyone that likes a simple story, beautiful and well told.

Happy Reading!

Os Ingleses

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Depois de Underwater Breathing, o Netgalley voltou a presentear-me com uma história bonita, difícil, sobre relações complicadas entre pessoas que foram profundamente marcadas por pais com doenças mentais. Novamente uma autora inglesa, desta vez o segundo livro de Helen E. Mundler, autora que eu também não conhecia.

Neste livro seguimos Ella, uma inglesa que vive em Estrasburgo e aí trabalha no meio académico literário. No entanto, como não casou nem tem filhos, nada do que faça poderá satisfazer as ambições da sua mãe para a sua vida. Margaret, a mãe, não teve propriamente um casamento feliz, e ambos os pais de Ella nunca foram muito presentes na sua vida.

Após a morte do pai ela conhece Max, mas terá de resolver muitos dos seus diálogos internos até estar preparada para uma relação.

Esta é a premissa deste livro, que está bem escrito e nos faz pensar mais uma vez no impacto que os pais têm na vida dos seus filhos, mesmo sem querer, mas que nos mostra também o sentimento de abandono que se sente quando se muda de país e já não se pertence bem nem cá nem lá.

Comparando com Underwater Breathing, a sua escrita é um pouco mais confusa e senti que por vezes algumas ideias ficavam a meio. Mas partilhou com este personagens muito bem construídas e das quais tive pena de me separar no final, e obriga os seus leitores a pensar mais, a escavar nas palavras para perceber os significados que estão escondidos por baixo e não nos são dados como papa para bebés, e isso também é muito gratificante.

Recomendo a todos os que gostam de uma boa história, bem contada, forte, e que nutrem como eu um certo carinho por França.

Goodreads Review

In English:

After Underwater Breathing I was again presented with a beautiful yet difficult  story from Netgalley, about complicated relationships between people that were deeply scarred by parents that struggled with mental health issues. Again a British author, another one that I was unfamiliar with.

In this book we follow Ella’s story, an English woman living in Strasbourg where she works in the academic literary world. Unmarried and childless, nothing that she has accomplished will be enough to satisfy her mother’s ambitions for her life. Margaret, her mother, has struggled through an unhappy marriage, and both her and her husband Hugo were in different ways absent from Ella’s upbringing and uninvolved in her life.

When her father passes away she meets Max, however she will have to deal with a lot of her own internal issues before she is ready to commit to a relationship.

This is basically the background story of this very well written book, that makes us think about the impact that the parents have in their children’s lives, even when they don’t mean to, but it also shows us the feeling of not belonging that we have when we move countries, and we are neither here nor there there anymore.

If compared with Underwater Breathing, the writing was a bit more confused and I sometimes felt some ideas were unclear, nonetheless it shared with it some very well constructed characters that I was really sad to part ways in the end and it also forced the readers to think more, and dig deeper in the words to find the hidden meanings that are not just given to us like baby food, and that was very gratifying.

I recommend it to everyone who likes a good story, strong and well told and all those, like me, who cherish France.

 

Nevoeiros Nocturnos

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Num futuro próximo, pós-Brexit, o Reino Unido desmembrou-se e tanto a Escócia como o País de Gales são nações independentes. Gales é uma nação jovem, a ajustar-se à nova soberania conquistada e tem de lidar com um fenómeno climatérico anormal, uns nevoeiros nocturnos que aparecem todas as noites e afectam mentalmente a população, especialmente as pessoas mais vulneráveis. Uma força de intervenção especial constituída por psiquiatras, psicólogos e neurologistas está todas as noites de prevenção para ajudar com os casos mais difíceis e impedir o caos. Mas qual será a verdadeira origem destes nevoeiros?

Esta é a premissa deste livro de Frances Hay, autora virtualmente desconhecida e sobre a qual não consegui encontrar nada a não ser a entrevista que deu ao Algonkian, mas do qual gostei bastante. Nem o livro tinha sido criado ainda no Goodreads, tive de ser eu a fazê-lo, o que classifica este livro como o mais obscuro que tenho lido nos últimos tempos.

Uma mistura entre ficção cientifica e fantasia, com um cenário bastante credível e que foi bastante agradável de ler, um bom esforço considerando que é o livro de estreia da autora. Juntamos a toda a história um americano que é acometido por visões do seu alter ego celta do tempo do Rei Artur, bem como das poucas vezes em que vi a profissão de psiquiatra retratada duma maneira tão dinâmica e digna dum filme de acção e temos a receita para umas horas bem passadas a ler esta história. Mais um título que me chegou à mãos através do Netgalley e mais um duma série de boas apostas que não têm desiludido.

Recomendo a todos os fãs do género.

Goodreads Review

Underwater Breathing

Underwater Breathing

Underwater Breathing foi o mais recente livro do Netgalley que eu terminei de ler e foi impressionante. É por este tipo de oportunidades que gosto tanto de pertencer a esta comunidade e ter acesso a livros que de outro modo nem teria conhecimento.

Neste livro de Cassandra Parkin, uma autora inglesa que já não é nova nestas andanças,  conhecemos Jason, Ella e Mrs. Armitage que vivem numa cidade de Yorkshire perto do mar, mesmo perto da falésia que está lentamente a ser erodida pela força do Mar do Norte, que ameaça levar as suas casas. Também conhecemos outros personagens, com mais ou menos relevância na história, mas estes são os três amigos que fazemos, os três actores principais se quisermos. A história em si não é tremendamente original, apesar de ser forte, mas o modo como o livro está tecido, em duas linhas temporais diferentes, onde tudo nos é desvendado aos poucos e sem concessões, faz com que a história brilhe. O principal aqui são as relações entre as personagens, as suas imperfeições, as suas debilidades face à adversidade, e isso torna o livro mais humano, bonito e credível.

Como pano de fundo temos a doença mental, o alcoolismo e as suas repercussões em toda uma família. Um livro difícil mas bonito que mais uma vez nos faz reflectir na nossa vida e nas nossas escolhas.

Vou ficar com saudades destes três personagens, e desejo-lhes uma vida feliz.

Recomendo a todos os que gostam de uma boa história sobre um tema difícil e muitas vezes tabu.

Goodreads Review

Boas Leituras!

 

Para Lá do Mapa

Beyond the map

Alastair Bonnet é um professor universitário inglês que vive em Newcastle, cidade de onde eu já não esperava nada de melhor que os Geordie Shore‘s desta vida, mas que me surpreendeu com este livro muito agradável sobre geografia, particularmente lugares que escapam à geografia dos mapas comuns.

Neste livro Alastair Bonnet conduz-nos numa visita a espaços tão díspares como a cidade do lixo no Cairo ou as Hidden Hills de Hollywood, ambos excluídos da ferramenta Street View do Google por razões opostas (os muito pobres vs. os muito ricos), ilhas no meio do Pacífico feitas exclusivamente de plásticos mas que há alguém a lutar para as reconhecer como país em nome próprio. O país mais pequeno do mundo (a Ordem Soberana e Militar de Malta) que tecnicamente ocupa um edifício em Roma, mas que na realidade tem lugar de observador nas Nações Unidas, emite passaporte, cunha moeda e tem muitas centenas de anos, e que fez o autor pensar no que realmente define um país, que fronteiras são essas que podemos defender.

Mas a parte que mais me tocou foi toda a reflexão sobre os espaços públicos, que à força de serem pertença de todos, dessa entidade abstracta que é o Estado, na realidade não pertencem a ninguém e muitas vezes nos sentimos inibidos de fazer as mais corriqueiras actividades nesses espaços. Temos o exemplo extremo da China, com a introdução de bancos de jardim com moedas, que se não forem pagos libertam espigões que obrigam os caminhantes cansados a voltar a andar ou gastar moedas de x em x minutos pelo privilégio de usufruir do mobiliário urbano. Mas temos exemplos mais próximos de mobiliário urbano aqui na Europa para nos impedir de caminhar em determinados espaços que à partida seriam públicos, em nome da “segurança”, ou as polémicas medidas anti sem-abrigo que tanto têm dado que falar.

Por tudo isto este autor nos conduz, sempre com uma visão muito sóbria, realista, mas nada iludida sobre a realidade que nos rodeia. Os últimos capítulos foram para mim particularmente penosos de ler, porque mais uma vez nos falam que enquanto andamos todos distraídos com as nossas vidinhas internas, os campeonatozinhos de futebol, os casamentos de revista, festivaizinhos, os fait-divers para distrair e essas coisinhas que a comunicação social nos vai dando à boca como papinha para bebés, a Rússia, o Reino Unido, Os EUA, a Dinamarca, desbravam a última fronteira possível, disputam as reservas do Ártico, e prevêem que tão cedo como 2020 já se consiga fazer uma rota exclusivamente marítima através do Pólo Norte graças ao contínuo degelo dos últimos anos, tornando cada vez mais acessíveis os recursos de gás natural e petróleo que se encontram lá por baixo, e dando mais uma machadada (a derradeira?) no já tão precário ambiente em que vivemos.

Como diz o autor: In future years, we may be known as the generation that gave away the Artic, even though it was not ours to give. Mas o que interessa isso, já não estaremos cá para ver, certo?

Boas Leituras!

Goodreads Review

There are many types of love, and many bonds between them. The love of nature and the love of place – biophilia and topophilia – have a particularly intimate relationship. Our lifelong affinity with animals and plants is a passionate commitment that tumbles over and into our bond with place. These love affairs merge in the garden, the age-old site and symbol of human well-being. This helps explain why we have such a problem with the modern city. Walking or, more likely, driving past barren and stony land – shards of unloved territory in between roads heavy with traffic, or endlessly ripped-up and rubbish-strewn ‘development sites’ – is an affront, a poke in the eye and, more than that, a source of guilt and loss. The land should be a garden. It should not just be beautiful; it should be alive. To see others treat it with contempt and, worse, to know that I treat it with contempt – for, of course, I just hurry past, eyes down – is unforgivable.