Acabei de Ler – A Change of Time

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Depois do último título do Netgalley ter sido um prazer tão grande de ler, entusiasmei-me e pesquisei que mais tinha na minha pastinha do Kindle. E descobri este livro, duma autora dinamarquesa pouco conhecida entre nós, mas bastante relevante no seu país, e agora traduzida para inglês. Quem segue o Peixinho sabe que eu gosto de me afastar da hegemonia do mundo anglo-saxónico sempre que tenho essa oportunidade, e esta foi mais uma dessas vezes.

A Change of Time é uma narrativa construída com base no diário escrito pela protagonista, uma professora primária retirada, casada com o médico duma pequena vila dinamarquesa. A trama passa-se no início do século XX, quando o mundo era muito diferente e se encontrava em grande mudança. Quando fica viúva, de repente todo um mundo de possibilidades se abre, tão vasto como assustador.

E tal como o nome indica, este livro reflecte a passagem do tempo, desde as estações do ano, aos anos que passam pela nossa vida. O que muda em nós quando o tempo passa, o que muda no mundo que nos rodeia, e a percepção que temos dele. É um livro bonito e introspectivo, um pouco ao estilo dos filmes escandinavos, que nos fazem pensar sem grandes explosões a acontecer no ecrã.

Como sempre, acho difícil que este livro seja traduzido para português, graças à pequena dimensão do nosso mercado, dominado pelos suspeitos do costume, mas se dominarem o inglês isso não será obstáculo.

Recomendo a todos os que gostam de livros bonitos, diferentes, com tempo.

Boas Leituras

Goodreads Review

After having so much pleasure reading the last Netgalley book, I decided to look at my Kindle once again and choose another one. And I came across this one, a book from a Danish author, not very known in Portugal, but well known in her home country. This has now been translated into English and as you might know, I like to experiment with other books that are not from the Anglo-Saxon universe.

A Change of Time is built from diary entries from a former school teacher that is married to the local doctor. He is a domineering husband, and when he dies she is left with all the choices that are now in front of her.

This book reflects the passage of time, either in our lives, the seasons, the world around us and our perception of it. Everything changes and we change with it. It’s a beautiful and introspect book, just like Scandinavian movies, that make us think without all the fireworks we see nowadays.

Unfortunately I find it difficult that this book will be translated into Portuguese, as our market is so small, nonetheless if you are proficient in English you will not find it difficult to read.

Recommend it to all those that like beautiful slow paced books.

Happy Reading!

Acabei de Ler – Berezina

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Depois de vários livros do Poirot, resolvi investigar que livros do Netgalley ainda tinha para ler para ver se me apetecia algum deles. Deparei-me com este Berezina, do francês Sylvain Tesson e pensei que era mesmo isto que me estava a apetecer, um misto de livro de viagens e história.

Ainda hoje em França Berezina refere-se a estar em sarilhos, numa situação complicada de que é difícil sair. Berezina é também o nome do local onde se deu uma das mais brutais batalhas entre o exército russo e o que restava do grande exército napoleónico que se encontrava em fuga depois duma campanha sem sucesso na Rússia.

Em 2012, 200 anos depois de Napoleão ter tentado unificar toda a Europa através da conquista da Rússia, Sylvain Tesson resolveu reconstituir o caminho seguido pelos franceses na sua fuga desde Moscovo até Paris, em pleno inverno, onde os inimigos se multiplicavam, desde o exército russo, a grupos de cossacos, camponeses e pior que todos o frio extremo. Para isso juntou-se a mais 2 franceses e dois russos, em motas russas com side-car da marca Ural e deu-nos a conhecer a história daqueles homens.

De uma força de quase 500 mil homens que entraram pela Rússia directamente até Moscovo, e sem nunca serem derrotados no campo de batalha, os franceses foram de vitória em vitória até à aniquilação final, pelo frio, fome e doenças. Nada correu como Napoleão planeara nesta empreitada, e as consequências foram sérias, não só para os homens que o seguiram, mas também politicamente. Pode dizer-se que foi o princípio do fim do império. 200 anos depois a viagem destes 3 franceses e 2 russos é muito interessante e informativa, e dá-nos vontade de ir conhecer aquelas cidades, ver como são nos dias de hoje. Fiquei principalmente fascinada com as descrições da Bielorússia e da Lituânia, e deu-me vontade de fazer a minha própria road trip.

Recomendo a todos os que gostam de literatura de viagem, com um toque de história, e todos os que gostam de ler livros fora do universo anglófono.

Boas Leituras!

Goodreads Review

After Reading several Poirot books I decided to check which Netgalley books I still had outstanding and see if I felt like reading any of them. I came across this Berezina, from French author Sylvain Tesson, and it was exactly what I was looking for, a mix of travel and history book.

To this day in France, Berezina refers to impending disaster, something that will go really wrong. But it is also the place of one of the most important battles between The Grande Armée and the Russian army, when the first one was trying to escape from Russia after a disastrous campaign.

In 2012, 200 years after Napoleon tried unifying Europe by conquering Russia, Sylvain Tesson decided to gather some friends, some Ural bikes, and recreated the escape path followed by Napoleon’s army on their desperate attempt to return to Paris. This was in the peak of winter, and their enemies multiplied, as they were chased by the Russian army, the Cossacks, extreme cold and famine, and at last disease.

From nearly half a million soldiers that started the russian campaign, the French went from victory to victory until total annihilation. Nothing went as planned, and the consequences were dire, not only in casualties, but also in the turn the French empire had afterwards. It was like Napoleon’s luck ran out. 200 years later, 3 french and 2 russian friends embark on this trip and tell us about it in an interesting and informative way, and make us want to go and see these cities, and check how they are today. I was delighted with the depictions of Belarus and Lithuania.

Recomendo a todos os que gostam de literatura de viagem, com um toque de história, e todos os que gostam de ler livros fora do universo anglófono.

Recommend it to all those that enjoy travel literature, with a touch of history and to all those that like to read books that fall out from the anglo-saxon scope.

Happy Reading!

Acabei de Ler – Message from the Shadows, Antonio Tabucchi

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Como já devem ter reparado pela falta de posts, tenho andado novamente sem grande capacidade de leitura. Coisa que não se prevê que melhore nos próximos meses, mas faz-se o que se pode.

No meio de todo o marasmo chegou-me às mãos, através do Netgalley, mais uma pérola de Antonio Tabucchi, um dos meus novos autores favoritos. Tabucchi tem uma poesia muito própria na sua escrita, e para além disso tem uma profunda ligação ao nosso país, por isso cada livro é um prazer ler e desfrutar.

Este, como o nome indica, é um livro contos, ou pequenas histórias, que são como olhares furtivos a um momento especifico na vida das personagens que as compõem. Não têm uma história complexa, acção a rodos, mas têm um humor muito particular, uma visão do mundo própria, uma sensualidade suave, e muitas, muitas camadas para lá daquilo que lemos.

Tenho algumas histórias favoritas, começando logo pela primeira (The Reversal Game) que segue um grupo de amigos no Portugal pré 25 de Abril, mas também The Train That Goes to Madras, porque nos faz questionar a nossa ética e a nossa moral, e The phrase that follows this is false: the phrase that precedes this is true, porque é simplesmente estranha e bonita.

Recomendo a todos os fãs de Tabucchi, a todos os que gostam de histórias diferentes e envolventes, e a quem gosta de boa literatura em geral.

Boas Leituras

Goodreads Review

Tadeus didn’t expect much more than their complicity in staying up to the early hours: when he read poetry, he’d lose all notion of time. He said: it’s like when I write poetry, time goes fsssss, like a deflating balloon, I’m in a world with no atmosphere, a vacuum – when I read it, too – don’t you find it has the same effect?

As you might have noticed for the lack of blog posts, I have been on a reading rut lately. I don’t expect it to get better in the coming months, but I’ll do my best.

In the middle of all this boredom, Netgalley provided me with a new Antonio Tabucchi book. He is one of my new favourite authors, due not only to the connection he shares with Portugal, but also because I love his peculiar writing style.

As the name shows, this book is a collection of short stories that are like glimpses into the life of each character, a look at a specific moment in time on their lives. The story is not convoluted and complex, but is rich in peculiar sense of humour, soft sensuality, a unique world vision and many layers behind what we read.

I have a few favourite stories, starting with the first one, The Reversal Game, as it follows a group of friends in the post revolution Portugal, so it is dear to my heart. But I also love The Train That Goes to Madras, as it makes us question our own moral and ethics, and The phrase that follows this is false: the phrase that precedes this is true, because it is just weird and beautiful.

I recommend it to all Tabucchi’s fans, everyone that likes different, engaging stories and good literature fans in general.

Happy Readings!

Acabei de Ler – The Doll Maker

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O terceiro livro que li este ano foi o primeiro que verdadeiramente me entusiasmou. Mais uma oferta do Netgalley, escolhi-o essencialmente pelo titulo e pela pequena sinopse, porque me pareceu uma história diferente do habitual, e não estava enganada.

The Doll Maker apresenta-nos a história de Andrew e Bramber, duas pessoas diferentes e especiais mas que têm em comum o amor por bonecas de colecção, daquelas de porcelana feitas à mão. Na realidade, Andrew é o Doll Maker do título do livro, um mestre na sua arte. A história é-nos revelada lentamente, nada é dado antes de ser necessário, arte que se encontra perdida em tantos livros de agora, em que tudo é exposto preto no branco logo de inicio, como se os leitores não fossem capazes de relacionar conceitos, ler nas entrelinhas ou tolerar um pouco de ignorância inicial para ir descobrindo tudo a seu tempo, como quem desembrulha um presente.

Dentro deste livro temos ainda outro. Um livro de contos de Ewa Chaplin, uma fazedora de bonecas também, que escreveu estes contos que são tão fantásticos e grotescos como as bonecas que a tornaram famosa. Este livro é um dos favoritos de Bramber, e Andrew lê-o na esperança de a conhecer melhor. Acho que ambos se identificam com toda aquela estranheza e as histórias dão um pano de fundo às personagens principais, fazendo-nos vê-las com outros olhos, e percebendo as suas motivações.

Mas esta dualidade faz com que tenhamos que estar sempre a prestar muita atanção à trama, porque a menor distracção faz-nos perder o rasto aos personagens, ficar sem saber muito bem onde estamos, quer na história, quer geograficamente (Andrew está a fazer uma viagem por Inglaterra), quer cronologicamente, já que a vida das histórias principais vai-nos sendo revelada aos poucos sem nenhum marcador temporal para sabermos às quantas andamos.

Esta é uma história de amor, diferente e esquisita, mas é essencialmente um livro que nos fala sobre a diferença, sobre como sobreviver num mundo cheio de preconceito e julgamento sendo especial, e os mecanismos de sobrevivência que as pessoas desenvolvem. Foi um belissimo livro, uma mistura do fantástico com o real (há quem o considere ficção especulativa) que esteve comigo bastante tempo, como um tesouro.

Recomendo a todos os que gostam de histórias novas, diferentes, sobre o bizarro e o inexplicável, no fundo sobre todos nós.

Boas Leituras!

Goodreads Review

The third book I read this year was the first one that really excited me. It was another one requested on Netgalley, and I chose it essentially because of its title and description. It seemed to be an unusual story, and indeed it was.

The Doll Maker shows us the story of Andrew and Bramber, two very different and special people that share the love for collectible handmade dolls. In all fact, Andrew is the Doll Maker from the book’s title, or at least one of them, and he is a master in what he does. The story comes to us slowly, nothing is given before it is really necessary, and this was also an art. In most books nowadays we are told everything from the start, as if we could not think for ourselves or cope with the suspense of not knowing all the details immediately.

 Then there’s the book inside the book. Andrew is making a trip around the UK, and while he does so he reads the short story book from Ewa Chaplin, also a doll maker, and who is Bramber’s favourite author. He does so in the hopes to get some insight about Bramber, but while he is at it, he finds out the stories really relate to him on a very personal level. These stories help us understand some of the background for the main plot, historically, emotionally and help us understand the characters motivations.

 Due to this, we can never stop paying full attention while reading this book, as we might lose the plot, or stop understanding where and when we are in the main story. It is a challenge, as we are unaware of the exact timescales in which we navigate, but it is this challenge that makes this a great book.

This is a love story, but a different, special one. Essentially this book celebrates difference, how to embrace it and survive in a world full of prejudice and judgement, and the coping mechanisms we end up developing. This book was a treasure that stayed with me a long time.  

 I recommend it to all of those who like beautiful , weird stories, about the bizarre and the unexplained, which means about each and every one of us.

Happy Readings!

Acabei de Ler – One Part Woman

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Ano a terminar e eu resolvi prolongar a pausa na série Wheel of Time para ler mais um livro do Netgalley. Este é passado na Índia rural, algures no passado recente, e é escrito por um autor indiano de origem Tamil.

Conta-nos a história de Kali e Ponna, um casal novo mas já com 12 anos de casamento. Não têm filhos, apesar das inúmeras oferendas a muitos deuses diferentes e isso torna-os motivo de escárnio do resto da aldeia e preocupação/recriminação para o resto da família.

Kali e Ponna amam-se profundamente, e são muito felizes a dois, mas o peso da pressão social leva-os a tentar medidas cada vez mais desesperadas para conseguirem ser abençoados com uma criança e voltar a pertencer ao seu círculo social.

Este livro, que descreve a sociedade indiana dum modo tão cru e por vezes sarcástico, levou a violentos protestos no Sul da Índia por parte de grupos religiososos hindus, culminando com o livro a ser banido. Mais tarde o Supremo Tribunal considerou que isso era ilegal, e admoestou o Estado para proteger melhor os seus escritores. Essa foi a importância social que este livro já atingiu.

Podemos ler este livro como o retrato dum país numa determinada época, ou podemos aproveitar para fazer uma reflexão sobre nós próprios. Quantas vezes nos deixamos influenciar por aquilo que os outros esperam de nós, quantas vezes perseguimos uma coisa porque é aquilo que era suposto termos ou sermos, quantas vezes moldamos os nossos desejos à medida dos outros, mesmo inconscientemente? Não vivemos numa aldeia da Índia rural, mas as redes sociais e os seus justiceiros tornam a nossa vida bem mais pequenina. Se acham que não, pensem em quantas pessoas já foram despedidas ou fizeram pedidos de desculpas públicos por pressão das redes sociais. E quem de nós achar que está imune, é só fazer um dia o comentário errado no sítio errado.

E mais importante, quantos de nós, tal como Kali e Ponna, já são felizes sem o saberem?

Recomendo a todos os que gostam duma boa história, diferente e que nos faz pensar.

Boas Leituras!

Goodreads Review

As we near the end of the year I decided to prolong my break on the Wheel of Time series I’ve been Reading, and dive into another Netgalley book. This is set in rural India and was written by a Tamil writer.
It tells us the story of Kali and Ponna, a young couple with a childless, 12 years marriage. They still don’t have any children, despite all the offers they have made to countless deities and penances made to appease the gods.

Kali and Ponna love each other deeply and are very happy as a couple, however the social pressure takes them to the brink of despair, and they escalate the sacrifices made to the gods in the attempt of finally conceiving a child and come back to the good graces of family and neighbors alike.

We can look at this book as a portrait of a country on a particular time, or we can choose to make a reflection about ourselves. How many times do we let ourselves be influenced by other people’s expectations about how we should lead our lives? How many things do we pursue just because we believe we were meant to have them, or be a certain way to achieve happiness? How many times do we shape our wishes according to other people’s own desires, even without realizing it? We may not live in rural India, but the social media nowadays can make our world very small indeed. If you do not believe it, think about people that have lost their jobs or were forced to public apologies as a consequence of social media pressure. And if you believe you are immune to it, wait until unwillingly you make the wrong comment in the wrong place.

And, the most important thing of all, how many of us, just like Kali and Ponna, are already happy without realizing it?

I recommend it to everyone who likes a good story that also makes you think.

Happy Readings!

Acabei de Ler: The Quiet You Carry

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Apesar do que eu disse num dos últimos posts, acabei por conseguir descolar um bocadinho da série Wheel of Time. Quando peguei no quarto volume, percebi que afinal queria mesmo alguma coisa nova e diferente e por isso fui até às minhas sugestões do Netgalley buscar qualquer coisa radicalmente diferente para me entreter. E não me arrependi.

The Quiet You Carry é o romance de estreia de Nikki Barthelmess, uma escritora americana que passou parte da sua juventude em lares de acolhimento (dos 12 aos 18 anos percorreu 6 casas diferentes) e resolveu traduzir a sua experiência num livro. Como ela própria diz no posfácio, a história que ela conta não é a dela, nem a de ninguém próximo dela, mas o resultado de anos de experiência com um sistema que por vezes falha, e que ela conhece por dentro.

Neste livro seguimos a história de Victoria, uma jovem de 17 anos que vê a sua vida virada do avesso numa noite em que determinados acontecimentos com o seu pai precipitam a sua saída de casa e realojamento num lar de acolhimento com uma mãe adoptiva que gere as suas “filhas” como se fosse um militar num quartel. A partir daí acompanhamos as suas dificuldades de adaptação, as suas inseguranças, a falta de confiança em toda a gente quando a pessoa em quem ela mais confiava lhe falhou.

As reacções são muito verossímeis, conseguimos imaginar que a cabeça duma adolescente abusada tenha aquela espiral de pensamentos, oscilando entre a culpa, a raiva, a suspeita e a dúvida, causando um turbilhão interno que se estende ao meio envolvente.

Como sempre com estes livros do Netgalley não faço ideia se será editado em português, e ainda é cedo para saber porque o livro só será comercializado em Março de 2019, mas de qualquer modo fica já a recomendação para quem gosta de histórias bem contadas, sobre temas difíceis, sem melodramatismos desnecessários.

Boas Leituras!

Goodreads Review

No one can really see the quite you carry, unless you let them.

Despite what I said in one of my previous posts, that I would not be able to let go the Wheel of Time series to embark on a different reading, I managed to do just so. When I started the 4th book of the series I just felt like I wanted something different, so I opened my Netgalley folder on my Kindle and picked “The Quiet You Carry” on the hopes that it would be different enough. And I wasn’t wrong.

This book is Nikki Barthelmes debut novel, an american writer that spent part of her teen years in foster care in Nevada (from 12 to 18 years old she had 6 different homes) and she decided to translate her experience into a book. This story is not her personal story, or from anyone she knows, but a conjunction of the experiences she learned while in foster care, a system that is flawed and she knows from inside out.

We follow Victoria’s story, a 17 year old young girl that finds herself thrown out of her home by her own father overnight, and sees her life be turned upside down just when she was about to graduate. One night events send her to foster care, to Connie’s house that is ruled with an iron fist and is filled with rules and regulations. We then go on to see how she adapts to her new school, how she struggles to fit in, and how she has a difficulty in trusting someone else, seeing that the person she should trust the most failed her.

Her reactions are very believable, and it’s not hard to believe that those conflicted emotions would fill the mind of an abused teenage girl. She goes from guilt to anger to self-doubt causing such turmoil that will escalate to her environment.

As usual with Netgalley books, I have no idea if this will ever be translated to Portuguese, and it is still early to tell, as the book is only coming out next March, but I leave the recommendation anyway to all of those who like good stories, well told, about different things and settings than the ones we are used to.

Happy Readings.

 

 

Acabei de Ler: The Woman Who Kept Everything

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Desta vez escolhi no Netgalley um livro que me pareceu divertido e descontraído e não estava enganada. The Woman Who Kept Everything conta-nos a história de Gloria, uma idosa de 79 anos, uma acumuladora de tralhas, revistas, recordações avulsas e lixo, de tal modo que a sua casa se torna inabitável e ela tem de ser temporariamente realojada, primeiro num lar e depois em casa do seu filho único.

Isso será o factor despoletador de mudanças profundas na sua vida, ajudada pelo seu amigo de infância Tilsbury e uma grande aventura de auto-descoberta vai mudar completamente o seu final de vida e a sua visão do mundo.

Se estiverem à espera dum livro extremamente preciso em relação aos problemas de acumulação, desenganem-se. Não é esse o objectivo desta história. No entanto conseguem abordar-se temas sérios, como doença mental e a falta de independência dos idosos. A certa altura da vida parece que se assume que uma pessoa já não é capaz de tomar conta de si própria e perde-se o direito a tomar decisões, escolher o que queremos, viver aventuras ou experimentar o amor.

Duma forma leve e descontraída este livro vem lembrar-nos que nunca é tarde demais para agarrar a vida com as próprias mãos e fazer as mudanças e decisões difíceis que nos levarão a tomar o rumo que queremos e achamos melhor para nós.

Recomendo a todos os que gostam duma história leve, bem contada e divertida. É apenas um livro descomprometido, mas nem sempre isso é mau, pois não?

Boas Leituras!

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This time the book I chose on Netgalley was one that seemed fun, relaxed and I wasn’t wrong about it. The Woman Who Kept Everything tells us Gloria’s story, a 79 year old hoarder that accumulates magazines, memories and all kinds of junk on her house. This eventually leads to trouble and she needs to be rehomed, first in an old people’s home, later in her son’s house.

This will be the trigger that will provoke profound changes in Gloria’s life, first not pleasant ones but after a push from her long-time friend Tilsbury, she will experience a journey of self-discovery that will radically change her outlook on life.

If you are expecting an accurate depiction of hoarding problems, this book is not the place to look. That is not the purpose of the story. Nonetheless the author can still include some serious issues, like mental illness, depression, and the fact that we expect old people to give up on their lives as we deem them unable to make decisions, know what is best for them, live adventures or even find love.

In a light-hearted way this book reminds us that is never too late to grab our lives in our own hands and make all the necessary changes and adjustments to do what is best for us.

I recommend it to everyone who likes a light story, fun and well told. It is a light read, but that’s not always a bad thing, is it?

Happy Readings!

 

Acabei de Ler: Gina in the Floating World

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Já é mais que sabido que o Peixinho gosta de literatura erótica, e que anda um bocadinho desiludido com o que se escreve atualmente. Ainda não percebi se sou eu que ainda não descobri os livros bem escritos, sem implicações de moralidade puritana duvidosa, ou se pelo contrário o politicamente correcto também invadiu esta corrente da literatura, normalmente mais transgressiva. A regra parece ser, podes fazer as coisas mais escabrosas, desde que seja com o homem que vais casar (ainda a influência das 50 Shades).

No entanto, por vezes aparecem pequenas pérolas. Esta chegou até mim por intermédio do Netgalley e não fiquei desiludida.

Passado no Japão em 1981 este livro conta-nos a história de Dorothy, uma jovem americana de 23 anos que vai fazer um estágio em finança no Japão para ganhar experiência na área e em multiculturalidade para poder prosseguir os estudos numa Universidade Americana de renome.

Quando lá chega percebe que há um fosso cultural abismal, que afinal já não vai ter bolsa de estudos e que vai ter de arranjar trabalho para continuar a perseguir o seu sonho. O que se seguem são uma série de peripécias em que Dorothy se transforma em Gina, uma empregada em bares de Tóquio, onde vai vivendo uma série de experiências novas, desafiantes, onde se conhece a si mesma e aos seus limites e nos leva pelos meandros da sociedade japonesa dos 80’s.

Claro que o livro não é perfeito, e nalguns momentos as reacções de Gina parecem um pouco infantis, mas no geral é uma história bem escrita, bem contextualizada, cheia de sensualidade muito mais que cenas explicitas, um erotismo que nos é trazido através da arte japonesa, dos locais a visitar, da cultura em geral.

Gostei muito e recomendo a todos aqueles que gostam de erotismo e de viagens.

Goodreads Review

As you might know if you follow the blog, I am a fan of erotic literature, albeit a bit disappointed with what is being written at the moment. I still haven’t figured out if it’s me who haven’t come across well written books, without prudish moral concerns, or if on another hand the political correctness has invaded this type of literature that used to be more transgressive. The rule of thumb seems to be, you can do the most outrageous things, as long as you marry the guy in the end (still the 50 Shades influence).

Despite all this, every once in a while I come across a small treasure like this book, that came to me through Netgalley.

The action is set in 1981 Japan, and we follow the story of Dorothy, a young American girl that wants to proceed her studies in a renowned university, and to accomplish that she needs an internship abroad. This will provide both with experience on the job and a multicultural experience, crucial for the university she’s applying to.

Once in Japan she realises the cultural gap is bigger than she was expecting, her scholarship is also not happening and this means she is left with no money on a foreign country, needing a job to complete the internship. The rest is the depiction of her adventures as a hostess in Japanese bars, while she learns the language, art, food, but most of all she learns her limits and limitations. She has several interactions with different kinds of men, and all of these make her grow.

The book is not perfect and sometimes Gina (Dorothy) feels a bit childish, however the story is good, the background is coherent and adapted to the story, very sensual and full of beautiful scenes that intertwine eroticism with art and culture.

I liked it very much and recommend it to all fans of erotic literature and travels.

Happy Readings

Acabei de ler: Murmuration

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O Netgalley desta vez deu-me a oportunidade de ler o livro de estreia de Robert Lock, um livro bonito e delicado, passado ao longo de cerca de 100 anos numa cidade costeira inglesa, com um cais vitoriano que permite aos veraneantes passearem ao longo da praia e em cima do mar, com um belo teatro no final.

Seguimos a história de cinco personagens, desde 1865 até aos dias de hoje, algumas estendidas no tempo, outras concentradas em poucos dias, mas todas interligadas de algum modo, desde os tempos áureos da estância balnear, ao seu declínio nos dias de hoje em que os ingleses preferem paragens mais quentes e com mar mais convidativo. Tudo isto pontuado com o voo crepuscular dos estorninhos, com os seus padrões e sons que formam a ponte entre todas as histórias.

Eu gostei do livro, está bem escrito, as histórias são coerentes, muitas vezes surpreendentes e com um subtil toque de misticismo. No final tudo se completa e forma uma narrativa sólida e alguns personagens, como Michael Braithwaite, são verdadeiramente deliciosos.

Recomendo a todos os que gostam de livros bonitos, diferentes, com uma história envolvente.

Boas Leituras!

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Netgalley gave me the opportunity to read Robert Lock’s debut novel, a beautiful and delicate book that takes place across 100 years on a small coastal town in the UK, with a Victorian pier that allows holiday makers to promenade along the beach and over the sea. It has a beautiful theater at the end that is central point of all stories.

We follow the stories of five characters, since 1865 till today, some stretched in time, others concentrated on a few days, but all of them intertwined. We start in the pier’s golden age and we follow through its declining years, where British holiday makers prefer warmer places with a gentler sea. All is marked by the starlings’ twilight flights, with its murmuration and beautiful patterns, forming a liaison between all the stories.

I liked the book very much, it is well written and the stories are cohesive and surprising at times, with just a hint of otherworldly details. It all comes together at the end, forming a solid narrative and some characters, like Michael Braithwaite, are delicious.

I recommend it to everyone who loves a good book, beautiful and different, with a catching plot.

Happy Reading!

Finalistas do Man Booker 2018

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Foram anunciados a semana passada os seis finalistas do prémio Man Booker 2018. Desta vez não conheço nenhum, apesar de reconhecer algumas capas do Netgalley. Na realidade 3 destes livros foram previamente disponibilizados por esta plataforma, o que me deixa a pensar que tenho que dar mais atenção aos livros que por lá andam e tentar escolher os certos.  Deixo-vos aqui embaixo a lista com as minhas impressões.

Anna Burns, Milkman (Faber & Faber): Livro de escrita original, frases e parágrafos longos e história densa. Parece interessante, já que se passa em Belfast no final dos 70’s, altura conturbada e cheia de instabilidade social. Fiquei com vontade de ler.

Esi Edugyan, Washington Black (Serpent’s Tail): A história dum rapaz de 11 anos, escravo, e de como consegue passar a homem livre, com ajudas improváveis. Não me pareceu o meu género de livro pelo que li na sinopse.

Daisy Johnson, Everything Under (Jonathan Cape): baseado em mitos e contos de fadas, é também um livro sobre linguagem, e uma viagem às memórias de infância. Tem excelentes criticas este primeiro trabalho da escritora, mas não sei se me entusiasmou.

Rachel Kushner, The Mars Room (Jonathan Cape): Uma história sobre uma mulher condenada a duas penas de prisão perpétua na Califórnia, este livro dividiu os seus leitores. As criticas são muito boas, ou muito más, mas a mim deixou-me curiosa o suficiente para lhe querer pegar.

Richard Powers, The Overstory (William Heinemann): um livro de ficção ambiental, sobre o poder das árvores e o modo como o homem se distancia dos outros habitantes do planeta. Mais um que divide opiniões, mas que me despertou bastante interesse.

Robin Robertson, The Long Take (Picador): a história dum soldado canadiano da Segunda Guerra Mundial que vai tentar fazer vida como jornalista em Los Angeles no pós-guerra. Os seus traumas e as suas dificuldades encontram espelho na decadência da cidade à sua volta, tudo isto permeado com poesia. Parece-me uma aposta segura.

Se leram algum, partilhem a vossa opinião.

Boas leituras!