Man Booker 2017

Manbooker 2017

Foi anunciada ontem a lista de nomeados para o prémio Man Booker 2017, um dos mais conceituados das letras da anglofonia. E, tal como tenho dito algumas vezes por aqui, um prémio que costuma distinguir autores com qualidade e onde descubro verdadeiras pérolas para ler.

Este ano a lista tem 13 autores de onde serão escolhidos os finalistas, e alguns já foram traduzidos para português. Temos também um mix interessante de autores consagrados com novatos nestas andanças. O Peixinho já leu um dos nomeados, Outono da Ali Smith, que já tinha sido finalista do mesmo galardão em 2014, e gostei bastante. Curiosa para ler alguns dos outros.

  • “4 3 2 1”, de Paul Auster
  • “Days Without End”, de Sebastian Barry
  • “History of Wolves”, de Emily Fridlund
  • “Exit West”, de Mohsin Hamid
  • “Solar Bones”, de Mike McCormack
  • “Reservoir 13”, de Jon McGregor
  • “Elmet”, de Fiona Mozley
  • “O Ministério da Felicidade Suprema”, de Arundhati Roy
  • “Lincoln no Bardo”, de George Saunders
  • “Home Fire”, de Kamila Shamsie
  • “Outono”, de Ali Smith
  • “Swing Time”, de Zadie Smith
  • “The Underground Railroad“, por Colson Whitehead.

A 13 de Setembro ficamos a conhecer os finalistas e a 17 de Outubro o vencedor.

A Vegetariana ou o mundo dos sonhos

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Falei há uns tempos no vencedor do Man Booker International deste ano, The Vegetarian, e finalmente tive a oportunidade de o terminar. Mesmo agora que a versão traduzida para português está quase a chegar.

Foi um livro difícil de entrar a principio, e durante as primeiras páginas estive um pouco indecisa se gostava ou não do que lia. O primeiro narrador não é um personagem por quem se sinta simpatia, e as diferenças culturais são notórias e nem sempre fáceis de gerir, principalmente para nós mulheres. No entanto a história começa a desenrolar-se e a ser cada vez mais envolvente e leva-nos de arrasto pelo estranho mundo dos sonhos.

Na realidade o vegetarianismo não é o ponto central do livro e serve apenas como ponto de partida, ou se quisermos, como ponto de referência. Neste caso é um símbolo de quebra das normas e convenções, de asserção de individualidade pessoal e de como isso pode ser incómodo para os que nos rodeiam.

Até que ponto é fácil para nós seguirmos os nossos sonhos e as nossas convicções, ou estamos na realidade presos a ideias pré concebidas, e conceitos de normalidade e sobretudo a uma ideia muito generalizada de como a vida deve ser vivida e a que padrões devemos aderir. Até que ponto seguir indiscriminadamente um sonho sem apoios acaba por nos poder levar à loucura.

Um livro que é por vezes lindíssimo, com imagens de pura beleza, principalmente no segundo capítulo, noutras vezes frio e brutal, lê-se num sopro e deixa-nos a pensar.

Recomendo a todos que gostam de histórias pouco convencionais, do colorido asiático e de reflectir.

Goodreads Review

“Perhaps this is all a kind of dream” She bows her head. But then, as though suddenly struck by something, she brings her mouth right up to Yeong-hye’s ear and carries on speaking, forming the words carefully, one by one. “I have dreams too, you know. Dreams… and I could let myself dissolve into them, let them take me over… but surely the dream isn’t all there is? We have to wake up at some point, don’t we? Because… because then…”

Finalistas do Man Booker 2016

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Como já tinha falado anteriormente, por altura da atribuição do prémio Man Booker International, saiu no final de Julho a lista dos finalistas na categoria de livros escritos originalmente em inglês. Como também referi, mais que qualquer outro prémio literário, este fala-me ao coração e tem-me dado excelentes indicações nos anos anteriores, por sigo-o sempre com atenção. Neste momento já tenho na calha o “The Vegetarian” (vencedor deste ano em livros traduzidos), tenho só de acabar uma longa lista de livros pendentes que teima em perseguir-me.

A lista está para consulta aqui, e nela encontram-se veteranos previamente galardoados (até com o Nobel), como o sul africano JM Coetzee ao lado de novatos nestas andanças.

Muitos deles estiveram previamente disponiveis no Netgalley, por isso eu poderia tê-los pedido às editoras. Fica a dica para o próximo ano, que para este já vou tarde. No entanto, depois de dar uma vista de olhos nos títulos e respectivas criticas no Goodreads fico com a ideia de ler alguns:

The School Days of Jesus – JM Coetzee: Na realidade até tenho a versão traduzida em português para ler, que me foi emprestada por um amigo do trabalho. Só ainda não tinha chegado ao topo da minha longuíssima lista de livros para ler (já li o Disgrace do mesmo autor e não foi um livro que adorei), mas após esta nomeação com certeza vai passar à frente na fila.

His Bloody Project – Graeme Macrae Burnet: Com 4.17 de rating no Goodreads este policial escocês promete entusiasmar até a mim que não sou uma fã incondicional do género.

The Many – Wyl Menmuir: Um mistério gótico numa praia inglesa é o primeiro livro deste autor. Com peixes mortos a darem à costa parece-me uma leitura leve para férias.

Eileen – Otessa Moshfegh: Um livro que revolve em torno duma mulher muito estranha e com uma história peculiar. Mesmo ao jeito das histórias bizarras que costumo gostar.

Já em Setembro saberemos quais os que chegam à lista final e em Outubro o grande vencedor. Até lá, boas leituras.

Man Booker Internacional 2016

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O prémio Man Booker existe desde 1969 e destina-se a premiar o que em cada ano é considerado o melhor livro de ficção, eleito por um painel de juizes. Existe em duas versões, o Man Booker propriamente dito, para todos os livros escritos originalmente em inglês independentemente da nacionalidade do autor, e o Man Booker International para os livros traduzidos para inglês. Em qualquer das versões os livros têm de ter sido publicados no UK.

No passado dia 16 de Maio foi atribuido o Man Booker International de 2016, The Vegetarian da sul-coreana Han Kang. Pela descrição parece um livro interessante e estranho, mesmo o género que eu costumo gostar. Já está na minha lista “to read”. Não esquecer também que José Eduardo Agualusa tinha chegado à shortlist com Teoria Geral do Esquecimento.

O prémio Man Booker ainda está em processo, sendo que a lista candidatos será divulgada a 27 de Julho, os finalistas serão conhecidos a 13 de Setembro e o vencedor será divulgado a 25 de Outubro.

Tradicionalmente  saem boas sugestões de leitura destas listas, e foi através deste prémio que conheci Ruth OsekiJhumpa Lahiri e Eleanor Catton, tudo livros excelentes.

Vou manter-me a par.