Fantasy Block

ron padgett

I would like to have a sexual fantasy
about the young girl I see in the gym,
the one who undulates up and down
on an aerobic machine revealing
the smooth skin of her lower back
as it swells out toward her hips,
her hair pulled up in back
with a tortoiseshell clasp
and a misty blush spreading
from her high cheekbones back
to her ears in each of which
a small silver ring is glittering,
but I can’t think of anything.

Ron Padgett

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Passarinhos

Poemas à Segunda

Subo às tuas cavalitas

como quando tinha cinco anos

e a vida era simples.

Dos teus ombros vejo o mundo

até perder de vista.

Vejo uma linha reta

até um dia em que já não estás

para me dares a mão

e irmos aos passarinhos,

mesmo que eu ache que isso não se faz.

O mundo ficou mais vazio,

mesmo que tenha mais passarinhos.

Peixinho de Prata, 2018

Sobre a Poesia

poesia

Está quase a fazer um ano que começou a rubrica de poesia às segundas no Peixinho. Dá para perceber que gosto mesmo muito de poesia. Gosto desde miúda. Assim que aprendi a escrever enchi resmas de cadernos pautado com quadras sobre o meu quotidiano infantil.

A adolescência foi passada a escrever longas litanias angustiadas sobre solidão e desespero, e os rapazes que não gostavam de mim, enquanto na realidade eu era completamente cega àqueles que efectivamente estavam presentes. E hoje em dia sempre que a vontade surge dentro de mim escrevo umas linhas num ecrã.

Com o passar do tempo a escrita de poemas foi acompanhada pela leitura, primeiro dos óbvios, depois a descoberta de territórios mais inóspitos.
Tenho com a poesia a mesma relação que com a pintura: se gosto, é boa. Não analiso um poema desde o descalça vai para a fonte Leonor pela verdura, que convenhamos, é bastante convencional.
Tudo o que estudei sobre métrica, metáforas e coisas afins, está soterrado por baixo de anos de conhecimento inútil.

No outro dia pesquisei na net um curso de poesia. Há imensos de teatro, fotografia, dança, pintura, e nem todos vão ser actores, fotógrafos, bailarinos, pintores. Mas todos serão espectadores e consumidores mais informados e participativos.
Gostava que a poesia também se abrisse assim aos comuns mortais, e não ficasse encerrada no Olimpo de onde só se vislumbram umas Adilias, uns José Luíses e outras divindades maiores,  mas que pudéssemos apreciar todo o  panteão.

Ou então a poesia é mais para sentir, como quem vai a uma casa de fados e eu tenho é de encontrar uma tertúlia onde se bebam uns copos e recitem uns poemas.

Até lá vai sendo por aqui, nos postais dos amigos, em casa, onde posso. Poesia ajuda-me a pôr a vida em perspectiva.

Boas Leituras!

Curiosidades Estéticas

antonio botto

 

O mais
importante na vida
É ser-se criador – criar beleza.

Para isso,
É necessário pressenti-la
Aonde os nossos olhos não a virem.

Eu creio que sonhar o impossível
É como que ouvir uma voz de alguma coisa
Que pede existência e que nos chama de longe.

Sim, o mais importante na vida
É ser-se criador.
E para o impossível
Só devemos caminhar de olhos fechados
Como a fé e como o amor.

António Botto