Acabei de Ler – O Clube do Crime das Quintas-Feiras

thursday murder club

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Depois de muito tempo em lista de espera resolvi pegar no Clube do Crime das Quintas Feiras, que ganhei há algum tempo no canal da Dorinha. De vez em quando apetece-me um bom mistério, e chegou a altura deste. Ia um bocadinho de pé atrás porque as opiniões que tenho visto não são espectaculares, mas resolvi ver por mim própria.

Este clube é um grupo de 4 idosos que vivem num empreendimento para a terceira idade, algures no campo inglês. Juntam-se todas as quintas feiras para tentar deslindar casos antigos e sem solução. Mas quando se dão não um, mas dois assassinatos na aldeia, está na hora de porem os seus dotes a mexer. Os personagens são claramente o ponto forte desta história, estão bem construídos, são divertidos e no fundo todos esperamos conseguir viver a velhice com (quase) todas as faculdades intactas.

Gostei muito dos personagens, do ambiente, do sentido de humor subtil. A história flui bem e mantém-nos interessados, com a quantidade certa de reviravoltas e pistas falsas. Passei a maior parte do tempo a questionar porque razão as pessoas não gostavam do livro até chegar à resolução final. Aí é que foi a desilusão que fez este livro baixar umas estrelas. O culminar da história não fez sentido nenhum, não era verossímil, e não fez jus à qualidade do resto do livro. Mesmo assim valeu as três estrelas no Goodreads por tudo o que se passou até lá.

Recomendo a todos os que gostam de policiais, e de histórias que nos mostram que velhice não significa morrer em vida. Apesar de tudo foram umas horas bem passadas.

Rumo ao próximo. Até lá, Boas Leituras!

Goodreads Review

After a long time on the TBR, I finally picked up The Thursday Murder Club, that I won some time ago on Dorinha’s YouTube channel. Every once in a while, I’m on the mood for a cosy mystery, and this was one of these times. I was a bit reluctant, as I saw some not so good reviews, but that did not deter me.

This club refers to a group of 4 elderly people that live in a retired community somewhere in the English countryside. They get together every Thursday to look at old police cases and try to solve them together. But when no tone, but 2 murders happen in their neighbourhood it’s time to get together and solve them, the characters are this book’s strong point. They are engaging, well developed and most of all, fun. They are what we all hope will be a portrait of our older years, living a full life with all our capabilities.

I really enjoyed the main characters, the ambience, and the subtle sense of humour. The story has a nice pace, keeps us interested at all times with a lot of plot twists, some more obvious that others. I wondered throughout the book why there were so many negative opinions. But then I reached the end and I understood. Unfortunately, the ending is not very good. It did not make sense; it was sloppy and not on par with the rest of the book. Still, I gave 3 stars on Goodreads, as the overall experience was so enjoyable.

I recommend it to all that love cosy mysteries, and stories that show us that being old is not the same as being dead. In the end it was a time well spent.

On to the next, until then Happy Reading!

Acabei de Ler – A Casa no Mar Cerúleo

house in the cerulean sea

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Eu sou uma pessoa que não gosta por aí além de ler as coisas que toda a gente anda a ler, normalmente porque já vou com predisposição para não gostar. E por vezes esses receios são fundamentados, como aconteceu recentemente com Os Sete Maridos de Evelyn Hugo. Mas depois, noutras alturas, descobrimos que na realidade toda a gente tinha razão, como aconteceu com Bear Town. Este livro foi um desses.

A Casa no Mar Cerúleo é o que se chama uma “cosy fantasy”. Assim um livro de fantasia que aquece o coração, em vez de encher a cabeça com raças de elfos, e batalhas sem fim. Gosto de uns e outros, mas ultimamente ando mais virada a coisas simples, porque há muita beleza na simplicidade.

E há muita beleza na história de Linus Baker, um empregado da agência governamental encarregue dos orfanatos dedicados a crianças que são simultaneamente seres mágicos. Uma CPCJ da magia, e Linus tem como principal função garantir que as crianças são bem tratadas nestas instituições, e caso isso não se verifique, recomendar o seu encerramento. O que acontece às crianças depois, já não faz parte da sua jurisdicção, e por isso ele não sabe nem tenta saber. Mas um dia recebe como missão ir investigar um orfanato ultra-secreto, e vai descobrir que a sua vida cinzenta se calhar precisa de mais cor.

Houve duas coisas que me conquistaram neste livro. A primeira é sem dúvida o sentido de humor que está imbuído. Dum modo muito diferente, mas fez-me lembrar o À Boleia Pela Galáxia. Dei por mim com um sorriso na cara muitas vezes. A outra coisa que gostei foi da naturalidade com que a história fluiu. Muitas vezes parece que há personagens/situações que são colocadas na história “a martelo”, para fazer o livro estar mais dentro dos valores actuais, e isso não me deixa apreciar a história como ela é. Mas aqui tudo é natural, tudo flui, tudo faz sentido sem esforço. As personagens são fabulosas, e carregam toda a história que não tem nada de original, mas que é bonita e aquece o coração.

Se ainda não leram, eu recomendo muito, acho que vão passar umas boas horas, com um sorriso no rosto e um quentinho no coração.

Rumo ao próximo, até lá Boas Leituras!

Goodreads Review

I usually don’t like reading books that are trending because I have a predisposition to dislike them. Sometimes I am right, as it recently happened with The Seven Husbands of Evelyn Hugo, but in many cases I am wrong, as was the case of Bear Town, that I loved. This book was in the Bear Town category.

The House in the Cerulean Sea is a cosy fantasy. Like a warm blanket on your heart, instead of a head full of elf races and endless battles. I like both versions, but lately I’m more inclined to read simpler things, as there is a lot of beauty in simplicity.

And there was a lot of beauty in Linus Baker story. He is a case at the Department in Charge Of Magical Youth, DICOMY, a government agency that overseas the orphanages for children with magical abilities. His main job is to ensure that the children are well taken care off, and don’t suffer any abuse, and if that happens, he recommends said orphanage to be shut down. What happens after that is no longer his responsibility, and will be taken over by other departments. But one day he receives a very important mission, to conduct an investigation on a top-secret orphanage, with very special children and a unique master, and that will lend some colour to his otherwise grey life.

Two things grabbed with this book. First its sense of humour that permeates every page. Reminded me of The Hitchhikers’ Guide to the Galaxy, albeit being very different, and I had a smile on my face for most of the time. I also enjoyed the easiness with which the story flows. In some books we see characters or situations that are there mainly as conduit for the author’s ideas, or as a way to make the book trendier but that does not happen here. Everything makes sense, all has a purpose, everything flows naturally. The characters are fabulous and carry the story, that is not incredibly original but beautiful and endearing.

If you haven’t read it yet, I highly recommend it. It will warm your hearts and fill a couple of hours with much joy.

On to the next, until then Happy Reading!

Acabei de Ler – The London Séance Society

london seance society

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Mais ou menos há um ano li o romance de estreia de Sarah Penner, O Segredo da Boticária, e gostei. Não foi extraordinário, mas foi bom para passar o tempo, a parte histórica estava bem escrita e o ambiente da época estava bem descrito e bem criado. Por isso, quando apareceu o segundo livro da autora no Netgalley resolvi embarcar na aventura.

The London Séance Society é uma espécie de thriller histórico, passado em Londres em 1873. O ambiente está mais uma vez muito bem descrito, e é a melhor parte do livro. Conseguimos, sem esforço, visualizar ruelas sujas, estreitas e empedradas, miúdos de cara suja, e quase sentimos o cheiro nauseabundo do rio Tamisa. Neste cenário ocorreram dois assassinatos. O do presidente da London Séance Society, um clube só de cavalheiros dedicado às artes espiritualistas, coisa muito em voga na Londres vitoriana, e o de Evie, a irmã da nossa protagonista, que também era uma crente fervorosa do ocultismo. Leena tenta desvendar o mistério da morte da sua irmã, e para isso vai estudar com a médium mais famosa da altura, Vaudeline, que é perita em desvendar casos de homicídio. O que se segue é uma história interessante, com mistério, suspense, e muito ambiente gótico.

A primeira reviravolta do livro era muito óbvia, mas creio que isso foi propositado. As outras foram coerentes e fizeram sentido. A história estava bem construída e foram umas horas bem passadas a desenrolar este mistério com um pano de fundo tão interessante. Recomendo a todos os que gostam de ficção histórica, e de um bom mistério.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Close to a year ago I read Sarah Penner’s debut novel The Lost Apothecary and I liked it. It wasn’t extraordinary, but it was entertaining, the story was well told and the ambiance was great. So, when her second novel was made available on Netgalley, I did not hesitate.

The London Séance Society is an historical thriller set in the Victorian London, more precisely in 1873. Again, the ambiance was perfectly created and is indeed the best part of the book. I could easily envision London’s dirty, narrow alleys, filled with children with dirty faces, and smell the foul Thames River. It was in this setting that two murders occurred. The president of the London Séance Society, a gentleman’s club that dwells in the occult, which was very fashionable at that time, and Evie, our protagonist’s sister, also a believer in these arts. Leena tries to find out the truth about her sister’s death, and to do so she enlists the help of Evie’s former teacher, Vaudeline, a French medium, very famous for solving murder mysteries. What comes next is an interesting gothic story, filled with mystery and suspense.

The first plot twist was very obvious, and almost threw me off, but I soon realised it must have been done on purpose, so I persevered and ended up enjoying myself a lot. The plot was well constructed and I spent a few hours unravelling this mistery with such an interesting background. I recommend to everyone who likes historical fiction and a good mystery murder.

On to the next, until then Happy Reading!

Acabei de Ler -Acts of Service

acts of service

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Acho que depois de ler muitos romances seguidos fico demasiado xaroposa e tenho que encontrar coisas para contrabalançar. Foi essa premissa que me levou até este romance de estreia de Lillian Fishman, sobre o qual li e vi bastantes opiniões que me deixaram curiosa.

À semelhança do livro de Otessa Moshfegh, My Year of Rest and Relaxation, que li algures já este ano, aqui também parece que não se passa muito em termos de história. No entanto, passa-se imensa coisa, nomeadamente dentro da nossa cabeça. Eve tem uma vida pacata, uma namorada há bastante tempo, um emprego num café, no entanto sente-se inquieta e descontente com algo. Depois de postar algumas fotos suas online, conhece Olivia e, através dela, Nathan, que vão passar a fazer parte do seu quotidiano dum modo quase obsessivo.

Este triangulo, sexual mais que amoroso, vai fazer Eve questionar tudo sobre si própria, a sua relação, a sua (falta de) ambição de vida. Aquilo que ela sempre julgou ser, lésbica, activista dos direitos das mulheres, é agora posto em causa pelo lugar que ela encontra com Nathan e Olivia. Ela sabe que há algo muito errado na sua relação com Nathan, mas continua a voltar como uma traça atraída pela luz.

É no meio destes momentos de intimidade que se passam muitas conversas sobre sexualidade, identidade, o trabalho como algo que nos define, relações laborais e pessoais, o que é abuso e o que é auto-confiança. Foi um livro estranho, mas é daqueles que fica na nossa cabeça por algum tempo, e que nos faz questionar muita coisa.

Gostei muito, recomendo a todos os que gostam de uma boa história e que não se impressionam com copiosas quantidades de cenas sexuais.

Boas Leituras!

Anytime I want, I can forsake this dinner party and jump into real life.

Goodreads Review

After reading too many romance novels in a row I become too syrupy and need to find different things to balance me up. This was what lead me to this debut novel by Lillian Fishman, after reading and watching many online reviews.

Same as Otessa Moshfegh’s book, My Year of Rest and Relaxation, that I read earlier this year, the plot doesn’t seem to be much. There aren’t many things going on, apparently. However, there are a lot of things happening, mainly inside our heads. Our protagonist, Eve, has a normal, boring life, a steady girlfriend of many years, a job in a café as a barista. But she is also restless and one day she posts some nudes on a website, not quite sure why. As a result, she will meet Olivia, and that leads to meeting Nathan. Both of them will start to be a part of her life, almost in an obsessive way.

This triangle, sexual more than romantic, will make Eve question everything about herself, including her relationship and her (lack of) ambition. All the things that used to define her, being lesbian and a women’s rights activist, for example, is now confronted by her relationship with Nathan and Olivia, and the place she occupies in it. She senses there is something deeply wrong in their love triangle, and in her submissiveness to Nathan, but she keeps coming back, as a moth attracted to the light.   

It’s amidst their intimate moments that many important conversations go on. Reflections on identity, sexuality, work as something that defines us, work vs personal relations, what can be considered abuse and what can be considered assertiveness, and all the grey lines in between. This was a strange book, that stayed in my thoughts for a long time.

I really liked it and recommend it to anyone who loves a good story and doesn’t get put off by an abundance of sex scenes.

Happy Reading!

#OutubroHorrivel

livros outubro

Outubro é o mês do Halloween e nos últimos anos esse evento tem tido cada vez mais importância entre nós. Na comunidade livrólica isso traduz-se em dar uma maior visibilidade aos livros de terror/horror. Ora, essa não é certamente a minha praia, que sou uma fraquinha em termos de emoções fortes. Já tenho que chegue disso na minha vida pessoal, e prefiro ler coisas com menos suspense.

Mas no início deste Outubro decidi que me ia dedicar mais a este tipo de livros. Como anteriormente li dois livros do Gary Hendrix que até gostei, achei que era uma aposta segura, e peguei no Horrorstor. Claro que percebi que estava enganada, e apesar de ter gostado do livro, não conseguia ler de noite, e na realidade estava a causar-me ansiedade.

E foi então que o #OutubroHorrivel passou a ser mais um mês como outro qualquer, em que eu li exactamente o que me deu prazer. E houve muita coisinha boa a passar por este Outubro, incluindo não ficção em português, de que falei aqui. No total li 6 livros, menos que em Setembro, mas não-ficção demora sempre um bocadinho mais a ler. Li dois romançolas que não foram dignos de nota, e não deixaram grandes memórias. E um dos livros veio do Netgalley, foi uma agradável surpresa, e já falei dele aqui.

Terminei o mês com mais um daqueles livros publicados recentemente e que são ligeiramente estranhos, que ainda estou a digerir antes de vos falar aqui.

Foi um belo mês, e agora parece que finalmente chegou o frio, que convida a leituras mais aconchegantes. Sigamos para o #NovembroFrio.

Até lá, Boas Leituras!

Acabei de Ler – Such a Pretty Girl

such a pretty girl

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Andava sem grande vontade de ler nada específico e resolvi dar um saltinho ao Netgalley para ver o que andava por lá. Encontrei este livro duma autora que não conhecia, T. Greenwood, gostei da sinopse e resolvi pedir. Não fiquei desapontada.

Este livro conta-nos a história de Ryan, que foi actriz de cinema enquanto criança, e que acabou por deixar esse mundo quando sentiu que não conseguia continuar a lidar com a falta de privacidade. A história começa no tempo presente, quando Ryan descobre nos jornais uma foto sua de criança que foi encontrada em posse dum homem acusado de pedofilia, oferecida pela sua própria mãe. A partir daqui vamos assistir ao desenvolvimento da história no tempo presente, e no passado seguimos o percurso de Ryan até se tornar uma actriz famosa.

Como disse, não conhecia nada desta autora, mas fiquei rendida à sua escrita. Ryan é uma personagem interessante e complexa, os assuntos abordados não são leves, mas tudo foi escrito com muita elegância. Não há detalhes supérfluos, mas também não há contenção desnecessária, tudo tem a sua razão de ser.

A história vai desenvolvendo simultaneamente nas duas linhas temporais, e vamos sendo conduzidos para um final que antevemos, mas não sabemos bem com vai ser.

Gostei bastante, foi uma leitura muito agradável, e certamente irei pesquisar mais títulos desta autora. Recomendo a todos os que gostam de literatura contemporânea, e histórias interessantes, bem contadas.

Até ao próximo, Boas Leituras!

Goodreads Review

I was again on a reading slump, wanting to read everything and nothing at the same time, when I decided to go to Netgalley and check out what was interesting there. Nothing like more books to get you on a better mood. I found this book from T. Greenwood, whom I did not know, but the synopsis was interesting, and I decided to request it. And I am glad that I did.

This book is about Ryan who was a child actress a long time ago, and now leaves a secluded life. She gave up acting when she could no longer tolerate the intrusion on her private life. Our story starts in the present, when Ryan discovers in the papers a picture from when she was a child, which was in the possession of a man being charged with child abuse, and it had been gifted to him by her mother. From here onwards we will see the story unfold in a dual timeline, the present and the time when Ryan was a child on the path of becoming an actress.

As I said, I didn’t know this author, but I really enjoyed her writing. Ryan is an interesting and complex character, and the subjects broached are not light, but it was all very elegantly written. There are no unnecessary details, but also no unnecessary restraint, everything is in the story for a reason. The story will leads to an ending that we can foresee, but not quite guess.

I really liked it, it was an interesting read, and I will certainly look up other books by this author. I recommend it to all those that love literary fiction and interesting stories, well told.

On to the next. Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – Horrorstör

horrorstor

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Começo por dizer que não li este livro todo e mais à frente perceberão porquê. Chegados ao início de Outubro tudo à minha volta estava voltado para o Halloween. É uma data à qual não ligo nenhuma, e que espero sempre que na escola do Peixito também ninguém se lembre, mas este ano (quase) todos os Youtubers que sigo estavam com listas de leituras dedicadas ao tema. Resolvi que seria bom entrar no espírito, e pegar num livro dum autor que até gosto, e que andava há algum tempo para ler. Foi assim que cheguei a este Horrorstör.

Horrorstör é passado numa grande loja duma cadeia americana que imita o IKEA, a Örsk, e todo o livro está desenhado de modo a parecer um catálogo da loja, cujos produtos e suas descrições vão sendo cada vez mais perturbadores à medida que a história avança. Há muitas coisas boas neste livro. A crítica subliminar à cultura de consumo em que vivemos e as precárias condições laborais das pessoas que trabalham em grandes cadeias de retalho, por exemplo. O livro também é óptimo a construir um ambiente muito claustrofóbico e sufocante, que vai aumentando de intensidade à medida que a história progride.

Até que certa altura se torna num verdadeiro livro de horror, com descrições muito detalhadas, e eu tive que pausar, que sou fraquinha. A mistura do ambiente com as técnicas utilizadas estavam a causar-me ansiedade, e não da boa, por isso tive que saltar várias partes, e ler apenas intermitentemente. Suponho que isso qualifique Horrorstör como um bom livro de horror, porque claramente cumpre o seu propósito.

Achei um bom livro, sem ser o melhor dele que já li. Foi certamente diferente do que eu costumo ler, mas cimentou a minha ideia de que este género não é bem para mim. Mesmo assim sei que lá voltarei se a minha curiosidade for devidamente aguçada.

Recomendo a todos os fãs de emoções fortes, e deste género em particular. Vão passar um bom/mau bocado.

Até ao próximo, Boas Leituras!

Goodreads Review

I start with a disclaimer: I have not read the whole book, and you will find out why later. In the beginning of October everyone was talking about Halloween. I really don’t care about it, and I hope my son’s school does the same, however all the youtubers were sharing their spooky reading lists for October and I got infected with the Halloween spirit. I like Grady Hendrix’s books and was planning to read this one for a while, so I thought now was as good a time as any. And that’s how I started Horrorstör.

Örsk is a huge retail shop, an american version of IKEA, and it is the setting of this book, that is all designed in a way that resembles an IKEA catalogue, with more disturbing products and descriptions as the book progresses. There is a lot of good stuff here. Much criticism of consumerism and the poor working conditions in retail, for instance. But also, an incredibly claustrophobic ambience and a build up in intensity that is almost overwhelming.

Until eventually it became a little overwhelming for me and I had to skip some parts, as it was triggering my anxiety. The detailed horrific descriptions allied with the suspense build up were too much for me and I had to select the parts I read, so I could keep the sense of the story, but I could avoid the stronger bits. I guess this qualifies Horrorstör as a great horror book.

Despite all this, I really liked this book, even though it was not the best one I read from Grady Hendrix. It was certainly different than my usual reads, but it cemented the idea that horror is not my genre of election, far from it. Although I will come back to it, sooner or later.

I recommend it to all horror fans, and everyone that loves to be scared. You will have a good/bad time.

On to the next. Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – Fool Moon, Harry Dresden #2

fool moon

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Foi em Junho deste ano que me comecei a dedicar, sem compromisso de permanencia, a esta série de fantasia urbana escrita por Jim Butcher, os Dresden Files. Aqui seguimos as aventuras policiais de Harry Dresden, um feiticeiro de Chicago com anúncio nas páginas amarelas. Dresden é um tipo com piada, muito verosímel e o ritmo dos livros é muito bom. Foi assim que decidi terminar as leituras de Setembro, com uma fantasia urbana já a cheirar a Halloween.

A sensação com que eu fiquei é que vamos ser apresentados lentamente a cada tipo de criatura sobrenatural ao longo da série, e desta vez foi a vez dos lobisomens. Curiosamente, é um tipo de imaginário que não me diz muito, mas a história estava muito bem construída e interessante. Mais uma vez, isto é no fundo uma investigação policial com um enquadramento sobrenatural, mais que qualquer outra coisa.

O ritmo é sempre muito intenso, as coisas vão-se passando rapidamente, e o autor não perde muito tempo a descrever lutas e batalhas, coisa que por acaso até me aborrece, e dedica mais tempo a mostrar-nos as motivações e interacções entre os vários personagens. Gostei muito e é uma série que pretendo continuar a ler. Recomendo a todos os que gostam de fantasia, de mistério e de bons personagens.

Até ao próximo, Boas Leituras!

Goodreads Review

It was in June this year that I started the Dresden Files an urban fantasy series written by Jim Butcher, no strings attached. In these books we get to follow Harry Dresden, a wizard from Chicago that has an add on the yellow pages advertising his services. He also helps the police solve mysterious cases. Dresden is a funny, relatable, and self-deprecating guy, and the books are really fast paced, which I like. So, this was how I decided to end my September reads, with the second book in the series, to get the Halloween mood flowing.

I got the feeling that we will be slowly introduced to several different supernatural creatures throughout the series, and this was the werewolves turn. Funny enough, werewolves are not really my cup of tea, nonetheless the story was good and well-developed, and the book was very interesting. Again, this is a police investigation with a supernatural background, more than anything else.

The pace is intense, things happen in a quick succession and there is not much time wasted with fights and battles, which suits me really well, as they usually bore me. The author spends more time showing us the characters thoughts, motivations and interactions, which is more interesting. I really enjoyed it, and plan to continue this series in the foreseeable future. I recommend it to all those that enjoy urban fantasy, and thrillers with good characters.

On to the next, Happy Reading!

#SetembroLeve

Esplanada

Pensava eu que depois do descanso de Agosto, iria começar uma nova época descansada e capaz de mergulhar em livros mais densos e profundos. Estava enganada, obviamente. Na realidade Setembro foi um furacão de regresso ao trabalho, às aulas, tudo para ontem.

Haviam imensos desafios de leitura em que eu queria participar, como o #septemberthrills da Dorinha, mas acabei por ler o que conseguia, devagar, devagarinho. Claro que me estou a queixar de barriga cheia, porque ainda assim consegui ler 5 livros. 3 romances, que já me resignei a ser o género literário mais em alta por estes lados agora, um de viagens e um de fantasia urbana. Gostei de todos em doses diferentes, mas estes dois últimos deram-me muito prazer.

Para Outubro há imensos planos, nomeadamente ler alguns livros alusivos à época de sustos que se avizinha, mesmo sendo eu uma pessoa não muito dada a coisas de terror. Mas em Outubro há também uma agenda cheia, por isso logo se verá o que se consegue fazer por aqui.

Venham mais livros! Boas Leituras!

Acabei de Ler – Sahara, de Michael Palin

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Depois de um Agosto com muitas leituras comecei um Setembro muito seco. A cabeça esteve ocupada com o regresso à escola, que era nova, e com muitas adaptações necessárias. Retomar a natação depois duma paragem de um mês também trouxe os seus desafios, e ainda houve o regresso ao trabalho aí pelo meio.

Normalmente esta seria a altura em que um livro de fantasia era o ideal, mas li tantos em Agosto que perdi (temporariamente) a vontade. Pensei em finalmente participar no #septemberthrills da Dorinha, mas achei que a minha vida não precisava de mais agitação.

Quando assim é já sabem o que faço. Vou viajar vagarosamente com alguém meu conhecido. Desta vez fui com o Michael Palin fazer um périplo pelo Saara, circa ano 2000. E que viagem maravilhosa, acho que foi a minha favorita até agora deste autor.

Primeiro, eu tenho um fascínio por África, apesar de só ter estado na Tunísia e em São Tomé. Depois, o Michael Palin é um viajante fantástico que consegue ver para além do aparente, pôr-se na pele daqueles que o acolhem, sem deixar de questionar o que necessita de ser questionado, mas sempre com muita empatia. E doses imensas de humor britânico e capacidade de se rir de si próprio.

Todas estas qualidades se fazem sentir neste livro em que Palin viaja por sítios muito empobrecidos financeiramente, mas ricos em história e resiliência humana. Pressentimos nas páginas que a viagem não foi fácil fisicamente para um citadino de quase 60 anos, mas nunca as coisas são apresentadas em forma de queixume ou resmunguice. E isto inclui várias intoxicações alimentares, um almoço ao sol com temperaturas de quase 50 graus (filmagens, a quanto obrigam) e um 11 de Setembro que acontece quando eles estão no meio do Níger.

Foi uma leitura deslumbrante e que me deixou a pensar em quanto terão mudado os sítios em que ele esteve nestes 22 anos que passaram. Estes livros são também um retrato de um tempo que já não é o nosso, apesar de não ser muito distante.

Recomendo imenso a todos os interessados em viagens, em África, em aprender. A certa altura, no Mali, Palin conhece o músico Toumadi Diabaté, um griot que toca Kora, um instrumento típico maliano. Pus a tocar no YouTube enquanto lia e foi como se estivesse lá. Deixo aqui o link para ouvirem, é sublime.

Até à próxima viagem. Até lá, Boas Leituras!

Goodreads Review

After an August very rich in books, September was a dry spell. My head was to busy with all the back-to-school activities, as my little fish was going to a new school, and restarting the swimming pool also presented its challenges. Plus, the back to work equation. All this contributed to a very fuzzy mind indeed.

Usually, this would be the ideal time for a fantasy book, but I devoured so many in August that my appetite faded, at least temporarily. I also thought about joining the #septemberthrills challenge from Dorinha, but my mind was not thrilled about it either.

If you follow this blog, you already know what I do when I’m in one of these rumps. I go travelling with one of my favourite authors. This time I chose to visit the Sahara circa 2000 with Michael Palin. And I believe this has been my favourite journey with this author so far.

Firstly, Africa fascinates me, even though I only ever visited Tunisia and São Tome and Principe. Secondly, Michael Palin is an amazing traveller, who can see beyond the obvious and actually feel what it would be like to live as the ones who welcome him, without failing to question what needs to be questioned. Add to all of this, big doses of his well-known British humour, and an amazing ability to laugh at himself.

All these qualities are very clear in this book. Palin travels through impoverished countries, which are rich in history and in resilience. We can also see through the lines that this must have been a taxing journey physically for an almost 60 years old city dweller, but he never grumbles in the pages. And it included several food poisonings and a lunch in the sun that reached almost 50 degrees Celsius, just to get better footage. Plus, 9/11 happened while they were in the middle of nowhere in Niger.

It was an amazing read that left me wondering how much these countries have changed in the 22 years that have passed in the meantime. These books are also a portrait of a time, that even though is not that distant, it is also no longer ours.

I recommend it to all of those that love travelling, Africa, learning other cultures. At some point, in Mali, Palin meets Toumadi Diabaté, a Malian musician, a griot that plays Kora, an ancient instrument. I searched him on YouTube and played it while reading that passage and magic was made. It was sublime. I leave you here the link, so you can also check it out. 4 minutes of bliss. 

On to the next journey. Until then, Happy Reading!