5 Desvantagens do Kindle

Compras Feira 2017

Ora falei-vos no último post sobre as vantagens mais importantes de ler num e-reader, mas é claro que não são tudo rosas e também há desvantagens. Vou falar-vos das principais já a seguir.

1. Livros em Português: Tirando o Projecto Gutenberg e Adamastor, é muito díficil arranjar livros em português para o Kindle. E como estes trabalham apenas com livros que já estão em domínio público, isso significa que autores recentes é dificílimo arranjar. As editoras vendem formatos digitais, mas altamente protegidos, e nunca consegui fazer com que nenhum funcionasse no meu kindle, apenas no computador. Ora convenhamos que ler no computador não é a mesmo coisa. E no mercado português o preço dos livros digitais é ridiculamente próximo dos físicos, considerando que não há gastos de produção nem distribuição. Não compensa. Para livros em português, recorro ao alfarrabista ou, em último caso, ao OLX.

2. Não se consegue emprestar: Um dos maiores prazeres que tiro dum livro que gosto muito é a seguir emprestá-lo àquela amiga/o que eu sei que vai gostar muito. Ora, com o formato digital esse prazer é amputado. Eu sei que a Amazon tentou colmatar isso e criar a figura do empréstimo digital, mas tem prazo para a outra pessoa ler e todos nós sabemos que o risco de nunca mais nos devolverem um livro que gostamos muito faz parte da emoção de emprestar. Ainda agora li um livro maravilhoso que me chegou precisamente pelas mãos duma amiga, e que me vai obrigar a marcar um cafezinho para devolver. Os livros ao serviço da socialização.

3. Não serve para BD: Eu adoro BD, e o kindle tem um ecrã pequeno e a preto e branco. A Amazon bem tentou colmatar isso com o Kindle Fire, mas isso já é mais um tablet, e ficou uma coisa que não é carne nem peixe, por isso resignemo-nos. Para ler boa BD, de bom tamanho e com boa qualidade, o bom e veljho papel ainda é a melhor opção. E aí sim, a textura do papel conta muito para mim, parece que os desenhos saltam cá para fora.

4. É um gadget: e como tal, é frágil. Ou seja, tem de ser protegido. No meu caso, eu nun ca o levo para a praia porque as nossas são ventosas e se entra areia na reentrância de carregar, lá se vai o e-reader. Por outro lado já tem uns risquitos no ecrã, coisa normal ao fim de 5 anos, mas mesmo assim estou a limpá-lo e ao fim de um bocado percebo que por mais que limpe é um risco, não vai sair, e sim vai estar sempre por cima das letras.

5. Toda a gente consegue publicar: Aquilo que é uma grande vantagem, também é uma desvantagem. Se toda a gente consegue publicar livros sem passar pelo crivo de uma editora, isso quer dizer que há muita gente por aí sem nada de interessante para dizer que nos bombardeia com as suas criações. No meu Goodreads há uma quantidade infinda de coisas com uma estrela que o provam. No entanto, continuo a preferir ler umas desilusões de vez em quando, das quais posso desistir a meio se me apetecer, e mesmo assim ter o mercado aberto a mais gente. Haverá espaço para todos.

E pronto, os bons e velhos livros nunca nos irão deixar, e isso é uma coisa boa, no entanto é sempre bom haver opções para cada ocasião.

Boas Leituras!

Anúncios

As 5 Vantagens de ter um Kindle

P60612-134730

Resolvi vir aqui falar das vantagens de ter um e-reader (não necessita ser um Kindle, temos cá em casa um Kobo e as vantagens são exactamente as mesmas), porque é uma temática com que me deparo imensas vezes no meu dia a dia. Muita gente com quem me cruzo, que são leitores tão ávidos como eu, têm muita relutância em experimentar ler digitalmente, e sentem uma profunda antipatia pelo gadget, muitas vezes sem sequer terem dado uma hipótese.

Ora, eu não sou de todo uma fundamentalista, e leio em qualquer formato, mas tenho de convir que pelos motivos descritos abaixo, o Kindle mudou a minha abordagem à leitura. Ora vejam.

1. Portabilidade: Sem dúvida, para mim, a sua maior vantagem. Como já disse inúmeras vezes, leio essencialmente nos transportes públicos, e carregar volumes como a Guerra dos Tronos na mala, ou mesmo conseguir ler em pé enquanto não chega a nossa paragem é virtualmente impossível. Por outro lado, tenho sempre o kindle carregado, por isso é-me possível acabar o volume 1 à ida para o trabalho e começar imediatamente o volume 2 à vinda para casa (ou à hora de almoço, se for impossível esperar). Já para não falar que nunca mais tive de me preocupar com quantos livros vou levar para férias. Um Kindle e está o problema resolvido.

2. Espaço: Se forem como eu, o espaço em casa não aumenta e chega um ponto em que ou nos vemos livres de roupa e tachos, ou temos de por um travão na compra de mais livros. Eu atingi esse ponto do não retorno, sendo que ainda tenho bastantes livros em casa dos meus pais, que tenho de ir lá buscar (sooner rather than later). Ora, neste momento, tenho mais livros dentro do Kindle do que em minha casa, e na minha biblioteca digital tenho certamente mais títulos do que terei anos de vida para os ler. Sem gasto de espaço. Nenhum.

3. Ecologia: Pois, menos livros físicos, menos papel gasto, menos árvores abatidas, menos eucaliptos que foram necessários. Só vantagens. E como eu sou uma moça pouco estragadinha, o meu e-reader já fez 5 anos,o que quer dizer que em termos de durabilidade também não está mau, e quando eventualmente se estragar (batam na madeira) irá certamente para a reciclagem também.

4. Acesso a livros: Com plataformas como o Netgalley, o Edelweiss ou o Kindle Unlimited da Amazon, é muito fácil termos acesso a uma grande variedade de livros, quer gratuitamente, quer a preços muito simpáticos. Mais por cá podemos aceder ao Projecto Gutenberg ou o Adamastor para procurar autores portugueses. Nada mau, já nos dá pano para mangas, e se pesquisarmos com cuidado a panóplia de coisas que temos acesso não se fica por aqui.

5. Toda a gente consegue publicar: Hoje em dia, com o advento do formato digital, toda a gente que tenha acesso a um computador e que tenha algo a dizer pode, em teoria, editar o seu livro. Os recursos são facilmente acessiveis, e através da Amazon pode pôr-se o livro em formato digital ao alcance de toda a gente que o queira ler. Isso veio dar oportunidade a imensa gente que tinha portas fechadas antigamente, especialmente em mercados tão pequenos como o nosso, completamente dominados por grandes grupos editoriais que apenas publicam uma meia dúzia de nomes de sucesso garantido. Os gastos com distribuição são nulos, e com a ajuda das redes sociais consegue, mais uma vez em teoria, fazer-se chegar o nosso livro até uma maior audiência, assim haja trabalho, esforço e passa a palavra.

Eu desde que comecei fiquei fã incondicional. Não leio e-reader em exclusividade, porque há imensa coisa que continuo a ler em papel, mas mais por casa, ou na praia, para onde não levo o kindle (areia não combina com electrónica). Há com certeza mais vantagens, mas estas são as que me falam mais ao coração.

Boas leituras.

Miró e os Livros

Miro_01
Pormenor duma tela, ou como o Miró afinal conhecia o Peixinho. 

Resolvi começar a contar as minhas aventuras destas férias exactamente pelo fim, que foi o dia de hoje. Depois de uma semana no Alentejo com alguns contratempos pelo meio, esta manhã decidimos ter um tempo cultural. Já que tinha perdido a exposição do Miró em Serralves, desta vez não quis deixar escapar a oportunidade de a ver na Ajuda, por isso foi por lá que começámos o dia.

A exposição não é grande, apesar de ter 85 obras, mas creio que é bastante representativa de vários momentos da evolução deste pintor. O enquadramento dado pelo Palácio da Ajuda é também uma mais valia, uma espécie de casamento entre o antigo e a modernidade. Eu gostei muito, mas também seria difícil não gostar já que sou uma grande fã de Miró desde que via reproduções de quadros dele nas paredes da casa dos meus padrinhos. Por isso, para mim, está sempre associado a boas recordações. Achei também que era adequado no meio de tantas convulsões independentistas catalãs ver um pintor que era conhecido pelo seu orgulho catalão.

Depois da exposição vista, aproveitámos estar na zona para irmos até à Festa do Livro em Belém, mais para aproveitar e conhecer os jardins do Palácio de Belém, onde nunca tínhamos ido, do que propriamente comprar livros. Pelo menos, esse era o propósito inicial, juro que tinha a firme ideia de não comprar nada, mas foi claramente prova não superada. Eu e as pechinchas, ainda para mais quando aliam livros e viagens. Não resisti. Mas gostei muito da iniciativa, os jardins são lindíssimos, o facto de só estarem à venda autores portugueses foi um apontamento muito curioso e pertinente, o ambiente esta óptimo, ainda para mais com o Grupo Dixie da Banda da Armada que nos acompanhou durante todo o tempo que lá estivemos foi um bocado muito bem passado. Se forem ao Instagram do Peixinho vêm um bocadinho da atuação.

Cereja no topo do bolo foi que pudemos sair pelo Jardim Botânico e Tropical e ainda dar um pequenino passeio por lá, desfrutando das sombras e dos recantos escondidos.

A Festa do Livro está só até hoje, mas o Palácio de Belém e o Jardim são visitáveis noutras alturas e eu aconselho vivamente.

Miro_02
A Festa do Livro, com a banda lá ao fundo.
Miro_03
Depois vos digo se valeu a pena 😉

7 dicas para navegar no Netgalley

Print

Como percebem pelas reviews que faço aqui no Peixinho, muitos dos livros que leio vêm do Netgalley. Como vos disse nesse artigo, o site tem imenso potencial para nos fornecer livros interessantes de autores que gostamos, novos autores de géneros que nos interessam e entretenimento em geral.

No entanto, para quem está a começar pode ser muita informação, e receber muitas respostas negativas dos editores pode desmoralizar até os mais persistentes. Eu bem sei que houve alturas em que me apeteceu mandar emails de volta com algumas respostas menos simpáticas (Bill Bryson e Neil Gaiman ainda me doem no coração). Mas há pequenas coisas que podemos fazer para melhorar as nossas possibilidades de nos aprovarem para os livros que queremos mesmo. Este artigo recente da Curly fez-me compilar aqui um pequeno guia de dicas para navegar no Netgalley:

1.  Investir na Bio. Tal como um CV , os editores vão olhar para a informação que está na nossa Bio para saber se vale a pena dar-nos a ler o seu livro ou não. A minha primeira versão era muito simplista e pouco mais elaborada do que “eu gosto muito de ler”, por isso as rejeições eram frequentes. Especialmente porque eu ainda não tinha nenhum historial no site. Neste momento tenho um texto simples e resumido com 130 palavras, mas que diz claramente onde publico as minhas criticas (com links) e quais os meus interesses em geral, e os efeitos nas aprovações foram muito positivos.

2. Ter uma boa percentagem de feedback (review de livro pedido). O site aconselha 80%, eu neste momento tenho 87%. Quando comecei todos os livros me pareciam interessantes e oportunidades a não perder, por isso acabei por pedir imensos sem terminar nenhum. Isso fez com que a minha percentagem de feedback fosse zero por muito tempo, e todos os livros que pedia eram-me recusados. Tive de ler e fazer criticas sem intervalos durante mais de 2 meses até um livro me ser novamente aprovado. Neste momento sou mais racional e tento não pedir livros às editoras se ainda não revi os que me foram atribuídos o mês passado.

3. Não é preciso ter um blog para ter acesso ao Netgalley. Podemos apenas ser os chamados Consumer Reviewer (I review on sites like Goodreads and Amazon) e tendo em conta que o meu blog é em português eu ainda hoje me mantenho nessa categoria.

4. Não se prendam muito com erros gramaticais e de formatação do livro. São ARC’s (advanced reading copy) o que significa que esses pormenores ainda não foram finalizados para publicação. Foquem-se essencialmente no conteúdo. Se bem que sinceramente apenas apanhei 2 ou 3 exemplos em cada livro, nada de chocante.

5. Ser honestos no feedback. Eu nunca digo que gostei dum livro se não gostei. No entanto esforço-me por ser cortês e delicada, mesmo quando estou a dar apenas 1 ou duas estrelas. Por vezes é o próprio autor que fornece as cópias, e estão com certeza muitas horas de trabalho e dedicação investidas por trás daquele livro, convêm levar isso em conta. Da mesma forma é de bom tom colocar na review que o livro foi fornecido gratuitamente pela Netgalley (nalguns países é mesmo um requisito legal).

6. Fazer o download do livro para o kindle assim que o pedido for aprovado. Os livros têm uma archiving date e depois dessa data já não podem ser descarregados, no entanto ainda se podem ler se já estiverem no dispositivo e pode à mesma fazer-se a critica para o editor.

7. Por último aproveitem ao máximo as potencialidades e as leituras que o site vos pode proporcionar. E tenham algum cuidado em ler a descrição do livro antes. Eu tenho tido excelentes surpresas e coisas boas, é só saber evitar o que pressentimos que não nos vai agradar. Mas confesso que tenho uns quatro livros que nunca me consegui obrigar a ler porque eram demasiado chatos. E sinceramente, a vida é demasiado curta para fazermos fretes em coisas que não são obrigações, por isso passei aos seguintes.

Boas leituras!

Feira da Luz

Até 24 de Setembro vai estar no Largo da Luz em Carnide mais uma edição da Feira da Luz, que é como dizer que a aldeia desce á cidade. Temos vendedores de especiarias, loiças e tuperwares, lado a lado com artesanato e alguma (pouca) contrafacção. Tudo isto apimentado por música popular portuguesa nos altifalantes, e concertos ao fim de semana.

Podem ver toda a programação aqui, para ter a certeza que não perdem nada de importante. Eu sugiro uma fartura,  uns pães com chouriço (há restaurantes com grelhados para quem procurar algo mais substancial), e umas voltinhas a ver as vistas. Se precisarem de colheres de pau também estão no sítio certo.

Para mim a Feira da Luz é um ritual que eu fazia anualmente com a minha mãe, e que ela fazia com a minha avó muito antes de eu existir. É um regresso à infância e por isso agridoce, porque relembra o que já perdi. Por isso a importância de criar novos rituais e rumar até lá com amigos, beber uma ginjinha e fazer uma saúde.

Vão até lá dar uma espreitadela e entrem num mundo paralelo mesmo dentro da cidade.

Feira da Luz 01
A banca dos chás e especiarias
Feira da Luz 02
Testemunhos doutros tempos
Feira da Luz 03
A reinvenção do sabão macaco

No autocarro

Leio Por Aqui_Autocarro

O autocarro circula devagar por causa do trânsito e eu pergunto-me se se passa algo de errado com ele. Do lado de fora as pessoas olham com cara de espanto para o flanco que está virado para a estrada e eu fico preocupada se haverá alguma avaria, mas na realidade deve ser apenas algum anúncio mais ousado na lateral.

Na minha mão acompanha-me o Kindle aberto numa página indefinida dum livro que até agora falhou em captar-me a atenção. Às vezes a vida que corre lá fora supera a que se passa aqui dentro, mas olhar para pessoas na rua e imaginar as vidas que possam ter é um grande cliché que já toda a gente usou.

As conversas que me acompanham no autocarro teimam em invadir-me o cérebro e ocupar todo o espaço que devia estar a ser preenchido pelas frases que estão à minha frente. É uma cacofonia de realidades que não me interessam, mas que teimam em entrar-me à força pelos ouvidos, e eu resolvo proteger-me com a música que carrego sempre no meu MP3.

Mas a minha cabeça hoje está cheia de histórias, palavras, cores, danças, histórias minhas que querem ter uma vida e sair cá para fora, e a música apenas as faz voar, dançar, colidir umas com as outras e gerar novas criações num loop constante e vertiginoso.

São 8h da manhã, uma rua tornou-se outra, um largo passou a avenida, semáforos abriram e fecharam e eu cheguei ao meu destino, na mesma página em que comecei a jornada. Estou novamente com bloqueio de leitor.

Tempo de Voltar

Porto03
Uma loja típica

Enquanto escrevo estas linhas estou já embalada pelos movimentos pendulares de volta para casa. Hoje foi o nosso último dia no Porto, embora só vá passar isto para o blog daqui a algum tempo, não quis deixar de escrever já as últimas impressões.

Depois dos dois dias intensos de visitas e caminhadas e passeios, sobre os quais ainda nem tive tempo de reflectir, hoje foi um dia mais calmo, finalmente. Deixar o nosso apartamento que se tinha tornado uma casa (sítio acolhedor, antigo quartel de bombeiros redecorado, aconselho muito), mochila às costas e dar as últimas voltinhas na cidade que já deixa saudades. A pergunta que se faz sempre que se sai de casa (seria capaz de viver aqui? não sei). Como sempre nos últimos dias, tínhamos um planos gastronómico em mente. Faltava comer a francesinha obrigatória em cada visita. Desta vez, de GPS na mão, íamos em busca do Café Santiago. Dá última vez que estivémos no Porto, há 3 anos, assim que chegámos largámos num sprint Rua de Santa Catarina acima para ir experimentar o Bufete Fase, porque a parva que viu o caminho só viu que era ao cimo da rua, e esqueceu-se do pequeno pormenor de ver a escala. Deixem que vos diga que eram 1.6 km do sítio onde estavamos hospedados, e onde já chegámos à hora de almoço. Largámos em passo rápido, e só depois percebemos que não estávamos assim tão perto. E quando lá chegámos, bofes de fora… o Bufete Fase estava fechado para férias. E naquela zona já não havia nada aberto. Não há palavras que descrevam o nosso desalento.

Este ano não fizémos sprint, era cedo, e estavamos a 550 metros do Café Santiago, que era o escolhido, nosso e da Time Out. Quando o GPS nos indica que chegámos, e nos deparámos com um café fechado para obras, íamos tendo uma apoplexia nervosa. Já era quase meio dia e um quarto, e o que vale é que tínhamos tempo até ao comboio. Plano b, Capa Negra, largámos a caminho, mas eis senão quando, falso alarme e lá está outro Café Santiago, com UMA mesa acabadinha de vagar mesmo para nós (a que horas é que alguém começou a comer uma francesinha para estar terminado às 12:15?).

E pronto, foi um pedacinho de céu. 5 minutos depois estivémos tentados a pôr um papel na janela a dizer: trespassa-se mesa à janela por 50€, tal era o número de pessoas lá fora à espera, mas aguentámos estoicamente a pressão e deliciamo-nos com duas belas francesinhas. Agora podemos esperar mais dois ou três anos, que aquilo é demasiado forte para se comer muitas vezes.

O resto da tarde foi passado em calmaria, que tanta carne não nos deixa andar assim tão rápido. Fomos até aos Poveiros beber café, andámos até ao Bolhão, em eternas obras de melhoramentos, passeámos nos Aliados, Igreja da Trindade. Entretanto eram horas para o Alfa de regresso, e agora enquanto o Peixinho Vermelho dorme tranquilamente eu vou pondo a leitura em dia.

Adeus Porto, até breve.

Porto01
Porquê açúcar na água com gás?
Porto02
A francesinha!
Porto04
A dona do Bolhão
Porto05
Igreja da Trindade

Lisboa ao Fundo

Almada01
A vista do Ponto Final

Dizer que não gosto de tirar férias em Agosto é pecar gravemente por defeito. Os sítios estão cheios de gente que não tem outra solução de férias, e são mais caros. No entanto, por razões várias que não interessam inumerar, há muitos anos que nos calha a fava dos primeiros 15 dias, e férias são férias e há que tirar o melhor partido delas.

Já experimentámos todas as combinações possíveis, e na realidade vamos sempre encontrando umas coisas engraçadas e que desafiam exactamente a lógica que estava a dizer acima. Hoje vou falar-vos dum passeio bem jeitoso que nos ocupou o dia todo e onde estávamos tão tranquilos que nem parecia Agosto.

Não foi preciso acordar muito cedo, porque às vezes sabe bem não madrugar. Foi preciso, isso sim, pegar no passe e apanhar transportes públicos, que estão bastante mais aliviados nesta altura. O metro não desilude (Carris… eu tinha de estar muito desesperada para me meter nessa aventura em tempo de férias… já me basta o resto do ano). E depois uma pequenina viagem num cacilheiro até, exactamente, Cacilhas.

Do lado de lá encontramos um pontão mal amanhado, ladeado por edificios em ruínas, mas que nos leva sempre ao lado do Tejo que nos embala e que nos mostra a Lisboa que nunca vemos, a do lado de lá. Uma paisagem deslumbrante que nos permite ver a luz branca que emana da nossa cidade quando o sol lhe bate, e perceber porque tantos turistas andam agora encantados. Uma caminhada curta mas intensa leva-nos até dois restaurantes com esplanadas onde apetece ficar. Escolhemos o Ponto Final. Não foi preciso reservar mesa, porque era cedo, e dia de semana, mas aconselho a fazê-lo porque é um sítio bastante concorrido. Os senhores foram incansaveis a descobrir-nos a sombra perfeita onde pudémos desfrutar os nossos carapaus com arroz de tomate, que estavam bastante bons. Sem pressas, ficámos por ali a saborear um almoço a ver o rio passar.

Continuando o nosso passeio, vamos dar a um pequeno jardim que foi todo arranjado onde se vêem pessoas a aproveitar o rio. É sempre bom ver que os habitantes fizeram as pazes com o Tejo, que nos esteve tantos anos vedado. Ali pudemos escolher se queriamos ir em frente até ao Museu Naval, ou subir o elevador até Almada. Escolhemos o elevador, estávamos em dia de ar livre. Lá em cima, a vista só melhora, e pode passear-se por Almada velha. Para os mais afoitos ir até ao Cristo Rei, para os menos aventureiros, a Casa da Cerca está já ali e vale bem a pena a visita. Foi o que fizémos. Quase só para nós, não fazemos ideia onde páram as multidões de Agosto, mas ali não era de certeza. Jardim, exposição de arte moderna, esplanada, vista, tudo à nossa disposição com paz e sossego.

Quando nos cansámos foi só fazer o percurso inverso, relaxados e descansados, turistas na própria cidade.

Almada02
Uma dose foi generosa o suficiente para os dois. 
Almada03
A ponte é uma passagem… 
Almada04
Cadê um livro quando precisamos dele?
Almada05
A vista cá de cima do elevador
Almada08
A caminho da Casa da Cerca
Almada07
Exposição nos jardins da Casa da Cerca

 

 

Man Booker 2017

Manbooker 2017

Foi anunciada ontem a lista de nomeados para o prémio Man Booker 2017, um dos mais conceituados das letras da anglofonia. E, tal como tenho dito algumas vezes por aqui, um prémio que costuma distinguir autores com qualidade e onde descubro verdadeiras pérolas para ler.

Este ano a lista tem 13 autores de onde serão escolhidos os finalistas, e alguns já foram traduzidos para português. Temos também um mix interessante de autores consagrados com novatos nestas andanças. O Peixinho já leu um dos nomeados, Outono da Ali Smith, que já tinha sido finalista do mesmo galardão em 2014, e gostei bastante. Curiosa para ler alguns dos outros.

  • “4 3 2 1”, de Paul Auster
  • “Days Without End”, de Sebastian Barry
  • “History of Wolves”, de Emily Fridlund
  • “Exit West”, de Mohsin Hamid
  • “Solar Bones”, de Mike McCormack
  • “Reservoir 13”, de Jon McGregor
  • “Elmet”, de Fiona Mozley
  • “O Ministério da Felicidade Suprema”, de Arundhati Roy
  • “Lincoln no Bardo”, de George Saunders
  • “Home Fire”, de Kamila Shamsie
  • “Outono”, de Ali Smith
  • “Swing Time”, de Zadie Smith
  • “The Underground Railroad“, por Colson Whitehead.

A 13 de Setembro ficamos a conhecer os finalistas e a 17 de Outubro o vencedor.