Livros e Música no Fim-de-Semana

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Este fim-de-semana que passou eu tinha muitas tentações à porta. Era a já famosa Festa do Livro de Belém, à qual fui pela primeira vez o ano passado, diverti-me muito e acabei por não resistir a comprar um livro do Gonçalo Cadilhe que terminei de ler estas férias.

Mas como sabem o Peixinho está determinado em não comprar livros este ano, por isso tinha de encontrar alternativas. Entretanto era também o fim-de-semana do meu festival de música favorito, o Lisb-on, eu já tinha comprado bilhetes para Domingo há meses e estava animadíssima.

Trocar música por livros, parece-me bem, uma tarde bem passada é sempre uma tarde bem passada. Claro que o que eu não contava é que depois de tanto tempo à espera em ansiedade, na semana antes do concerto apanhei uma bicheza qualquer desconhecida e estive com uma febre baixa mas persistente durante mais de uma semana, e estava bastante debilitada.

Por isso o que se esperava uma festa de dançar sem parar, na realidade tornou-se numa dança de cadeiras. Sentadinha num banco de jardim próxima do Hilside Stage, depois sentadinha na colina a ouvir os dois palcos ao mesmo tempo, depois sentadinha a jantar e a ouvir o palco principal. Depois finalmente um pezinho de dança no palca principal durante Larry Heard, que fez com que quase caísse dentro do wc portátil quando fui fazer um xixizinho a seguir.

Mas valeu a pena, como sempre. É o meu festival favorito porque a localização é muito bonita, central, um jardim de música mesmo. Para o ano espero estar mais arrebitada, e quem sabe conseguir usufruir do jardim da música e da escrita.

Boas leituras!

Lisb-On

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Ponto da Situação

estante

Logo no início do ano vim aqui fazer um desafio a mim própria de não comprar nenhum livro este ano, na tentativa de ler os que ainda tenho aqui na estante ao mesmo tempo que me vou desfazendo de alguns que tenho cá por casa e que nunca mais relerei. A situação é grave, já tenho duas filas de livros em frente uma à outra, livros por cima, e espalhados pelo resto da casa.

Eu tenho-me mantido fiel ao desafio, recebi livros pelo aniversário, que já li, mas ainda não comprei nada. O outro Peixe cá de casa já comprou alguns livros, mas ele está livre destes meus desafios, obviamente. Também já li os livros que ele comprou.

O balanço é claramente positivo. Este ano que está longe de ter chegado ao fim, já li 9 livros que andavam por cá na estante a ganhar pó, e alguns já ganharam uma nova casa. O ano passado, por comparação, li 8 livros cá de casa no ano todo. O plano para o resto do ano vai ser continuar a ler livros que tenho por aqui, intercalados com outros, para continuar a dar um rumo mais coerente à minha colecção de livros.

Mas mais tarde, porque neste momento, e contrariamente ao que disse num post anterior, que só era capaz de ler um livro de cada vez, estou a ler um livro no Kindle e uma BD. Comecei pela BD, que é longa e complexa e está a demorar-me mais do que eu antecipei. Como não consigo transportá-la comigo, lá tenho de ler outra coisa no autocarro. O que significa que nunca mais acabo nem um, nem outro. Enfim, há problemas piores.

Boas Leituras!

Uma Nova Livraria

Trezor
Foto daqui

Pode sempre parecer estranho nos dias que correm uma nova livraria que abre, quando a tendência é vê-las a fechar e cada vez mais as pessoas que lêem são uma raridade. No entanto ainda vamos tendo algumas boas surpresas, como nos dá conta esta entrevista do Público.

Se razões nos faltassem para (mais) uma visita ao Porto, agora temos mais um motivo para dar lá um saltinho, conhecer a Trezor, escolher um livro, folheá-lo e discuti-lo enquanto bebemos uma cerveja. Tudo isto sem recorrer ao telemóvel, claro, esse grande inimigo da leitura. Se forem até lá antes de mim, digam-me o que acharam.

Boas leituras!

 

 

 

 

Um Dia nas Aldeias de Xisto

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A vista da nossa casa na Comareira, sempre acompanhados. 

Apesar de ter passado a maior parte das férias a desfrutar de Lisboa, ainda consegui dar um saltinho à zona centro para ver se apanhava uns sítios catitas para relaxar e descansar. Como falei num post anterior, passámos por Mirando do Corvo para conhecer o Parque Biológico da Serra Lousã, e aproveitámos que já estávamos a meio caminho para dar um salto à dita Serra.

O plano inicial era ir almoçar a um dos nossos restaurantes favoritos, O Burgo, que se situa numas piscinas naturais e tem uma comida mesmo serrana boa, mas tanto eu como o outro Peixe já tivémos estômagos mais fortes, e depois de uns dias na zona centro já não conseguíamos pensar em cozido do Talasnal, nem veado com castanhas, nem nada dessas coisas elaboradas mas pesadas. Assim andámos por sítios mais modestos mas mais leves, e adequados às estradas sinuosas da montanha. E depois de almoço lá partimos na romaria pelas aldeias do xisto da zona.

Começámos pela Aldeia da Pena, só que viémos pelo sítio errado. Se se aproximarem vindos de Góis têm uma bela estrada alcatroada até ao local, e chegam lá sem problemas. Se, como nós, vierem do lado da Lousã, o meu conselho é não vão. A não ser que tenham um jipe ou um carro capaz de aguentar uma forte descida por estrada de terra batida e pedras soltas. Foi a segunda vez nestes poucos dias fora que pusémos o nosso boguinhas nestas andanças, eu acho que ele já anda a contar os dias para se ver livre de nós.

De qualquer modo, lá chegados, a paisagem é belíssima. A aldeia é num pequeno vale, com uma ribeira, rodeada pela paisagem dramática dos penedos de Góis. Muito impactante, consigo imaginar-me a passar umas belas tardes a ler à beira daquela ribeira fresquinha. Demos um pequeno passeio a pé pela aldeia, tirámos umas fotos para ir pondo no Instagram, respirámos fundo e atacámos novamente a subida pela terra batida.

A paisagem cá de cima é ainda mais bonita. Quando chegamos ao cimo da serra vê-se dum lado a pequena aldeia de Aigra Velha, e do outro uma paisagem de montes e vales a perder de vista. Para quem, como eu, tem vertigens, chega a ser demasiado intenso. Continuando a descer a estrada vamos desembocar na aldeia de Aigra Nova, que é o coração destas aldeias renovadas, e onde temos um Museu Etnográfico, uma loja com produtos típicos da região e se podem fazer várias actividades serranas, mediante marcação prévia.

No final viemos parar ao local onde íamos dormir (se bem que há alojamentos em todas estas aldeias, é só escolherem a que vos apela mais), a Comareira. Pelo que percebemos a aldeia tem apenas uma habitante, uma pastora idosa com o seu pequeno rebanho de cabras, 2 cães e 4 gatos. As cabras só vimos passar, mas os restantes animais vieram fazer-nos companhia ao jantar e ao pequeno-almoço do dia seguinte, desejosos de festas e algum petisco que lhes déssemos.

A Comareira, que tivémos a sorte de estar deserta de outros turistas, foi um paraíso de silêncio, tranquilidade e bela paisagem, e gostámos muito de lá estar. Este tipo de tranquilidade, mesmo que apenas por dois dias, faz maravilhas a recarregar as nossas baterias. Eu necessito de estar em contacto com o verde para me sentir de novo revigorada, e apenas preciso de fazer um pequeno (grande) esforço para não me deixar enervar muito com os verdadeiros atentados ambientais que o nosso país é tão pródigo, porque senão seria sempre incapaz de desfrutar fosse o que fosse.

Mas se pensarem num pequeno pedaço de tranquilidade onde se ouvem pássaros ao amanhecer, aconselho com certeza estas aldeias de xisto. Deixo-vos algumas imagens.

Boas viagens e boas leituras!

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Os penedos de Góis vistos da aldeia da Pena
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Aigra Nova
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Aigra Nova
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Um miradouro na Comareira
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A comissão de boas vindas da Comareira
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Sinais de outros tempos
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A leve descida até nossa casa
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O banquinho de leitura à porta
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O nosso pátio, sempre com companhia. 

 

Um dia em Miranda do Corvo

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Pirâmide do Templo Ecuménico de Miranda do Corvo, cujo vértice se v~e um pouco por toda a vila. 

O Peixinho, como já devem estar cansados de saber, não gosta mesmo nada de ter férias em Agosto, mas tem mesmo de ser. Há muito poucas coisas que se consigam fazer com qualidade e sem magotes de gente, mas há que continuar a tentar.

Este ano fomos tentar um local mais interior, mas ainda assim com algo para fazer, e rumámos a Miranda do Corvo com a ideia de visitarmos uma ou duas coisas catitas por lá.

A primeira impressão com que ficámos é que Miranda é uma vila fantasma. Tudo bem que é Agosto, mas a quantidade de gente que não se via em todo o lado era impressionante. Os cafés e restaurantes fechados (e sem papel a dizer férias), as casas para venda, casas em que a construção parou a meio davam a tudo um ar de que as pessoas a meio desistiram e foram para outro sítio qualquer. E não pensem que estou a exagerar, porque na vizinha Lousã, por exemplo, via-se muito mais gente a andar na rua e as coisas estavam muito mais vibrantes. Mistérios.

Miranda tem um centro engraçado, com umas esplanadas agradáveis, das quais só uma tem clientes. Escusado será dizer que foi a essa que fomos, e fomos sempre bem atendidos, apesar da obessão do sítio por kebabs.

Mas o ponto alto da vila é sem sombra de dúvida o Parque Biológico da Serra da Lousã e o Templo Ecuménico Universalista. Ambos valem a pena uma visita, e pode comprar-se um bilhete que inclua os dois.

Nós fomos visitar o Parque Biológico muito cedinho para fugir ao calor, e fomos recebidos pela Noz, a cadela serra da estrela que é a mascote do local. Muito meiguinha e brincalhona, andou connosco boa parte do percurso, até nos trocar por umas saudáveis corridas atrás de patos suficientemente ingénuos para se cruzarem no seu caminho. O facto de irmos cedo significou também que fomos antes da hora da alimentação, por isso quase todos os animais se aproximavam de nós para ver se já lhes trazíamos o mata-bicho. Uma maravilha.

O parque biológico está cheio de animais que são típicos do nosso país (ou foram em tempos, como o urso pardo, extinto há alguns séculos), o que torna a visita ainda mais especial. Para quem nunca viu um saca-rabos ao vivo, por exemplo, será com certeza uma experiência maravilhosa. Eu gostei muito e recomendo. Dá também para fazer várias actividades, vejam na página deles.

À tarde fomos visitar o templo ecuménico, que fica no alto dum monte, e se são daqueles que só não levam o carro para casa para dormir convosco, pensem duas vezes antes de ir, porque parte do caminho é em terra batida. Como o nosso boguinhas desde os 4 dias de vida que anda nestas andanças, já nem estranha, mas à saída demos um zig em vez dum zag, descemos pelo caminho errado e confesso que foi uma descida arrepiante. Mas valeu a pena. Não só as vistas lá de cima são maravilhosas, como a experiência da visita foi muito interessante. Suponho que seja diferente de pessoa para pessoa, por isso não vale a pena desvendar muito, mas só o local em si já fala muito ao coração.

Deixo algumas fotos como partilha, e recomendo uma visita a Miranda para visitar pelo menos estes dois sítios.

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Noz, a cadela do Parque Biológico da Serra da Lousã, que nos acompanhou parte do percurso. 
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Um gamo, à espera da hora da alimentação, que ainda não vinha connosco.
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Uma raposa já com qualquer coisa peluda na boca.
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O percurso dos 7 pecados que nos afastam do divino, à volta da pirâmide no Centro Ecuménico de Miranda. 
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Um cheirinho a Tailândia em Miranda. 

Roy Lichtenstein no Colombo

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À semelhança do ano passado em que o Colombo nos mostrou uma série de obras da Paula Rego e que o Peixinho deu conta aqui no blog, este ano a iniciativa “A Arte Chegou ao Colombo” traz-nos um dos pais da Pop Art, Roy Lichtenstein.

São 41 peças divididas em 4 categorias, por ordem cronológica e que são uma amostra representativa da obra do autor. A exposição pode ser visitada gratuitamente até dia 23 de Setembro, e é uma maneira de rentabilizar uma ida ao Colombo, para ser mais que uma tarefa que adormece o cérebro a ver montras sem fim.

Eu gostei bastante do espaço, o modo como cria um ambiente totalmente diferente da envolvente, e como se adequa perfeitamente às obras expostas. Aconselho a visita!

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Hopeless
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As I Opened Fire

 

Book Sharing Portugal

book Sharing

É meu dever de Peixinho de encontrar e divulgar ideias bibliófilas novas que acho interessantes, por isso aqui vai mais uma que acabei de descobrir. Um bocadinho à semelhança do projecto internacional apadrinhado pela Emma Watson, I Believe in Book Fairies, temos agora por cá o Book Sharing Portugal.

A ideia é simples. Pegar em livros que gostamos e partilhar com outros anonimamente. Para isso temos uns autocolantes como o que vemos acima, que colamos na capa do livro, e deixamo-lo num sítio público para alguém o desfrutar. Idealmente fotografamos e documentamos nas redes sociais com #booksharingportugal para que o percurso do livro possa ser seguido.

Eu já pedi autocolantes para mim porque já tenho algumas ideias de livros para partilhar e sítios onde os deixar, depois deixarei notícia disso.

Boas Leituras!

 

Um Dia no Nos Alive, ou Está Tudo Bem

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Foto de Rita Carmo, no Blitz

A primeira vez que eu fui a um festival de Verão ainda eles não tinham esse nome, e foi ao Super Bock Super Rock de 1996. Na realidade a edição estava a ter tão pouco sucesso que eu ouvi na rádio que iam abrir as portas ao público e isso fez-me rumar a Alcântara fardada a rigor de preto e botas da tropa para ver algumas das minhas bandas favoritas da altura, Moonspell , Nefilim e Paradise Lost. Foi um dia memorável, mesmo sendo eu na altura uma papa concertos.

Em 2000 fui experimentar o Sudoeste, depois de já ter falhado edições com Portishead e Massive Attack, mas foi festival que não me encheu as medidas. Os desconfortos não suplantaram os concertos e a única coisa que ganhei nessa edição foi ter conhecido Placebo.

Em 2004 voltei ao Super Bock, naquele mítico dia com Pixies e Massive Attack, que estava a rebentar pelas costuras, tudo esgotou, não se conseguia andar e jurei pela minha saúde mental que não me voltava a meter nessas coisas. Fiz um ano de paragem e voltei em 2006 para ver Tool, Placebo e Alice in Chains. Naquele tempo chegava-se ao recinto pouco antes dos concertos e comprava-se o bilhete lá à porta, não tinha de ser com meses de antecedência com medo de esgotar.

Em 2007 despedi-me dos grandes festivais, novamente no Super Bock, a ver Underworld, Scissor Sisters e conheci aí Interpol, que foi um amor que não mais me deixou. Depois continuei obviamente a ir a concertos, é um hábito que não me larga, mas prefiro largamente os em nome próprio, sítios mais sossegados em vez destes fast foods de bandas.

No entanto este ano decidimos ir ao Alive porque nenhum de nós tinha visto ainda Pearl Jam ao vivo e não queríamos que eles acabassem sem passar por essa experiência. Acho que dos grandes da minha juventude só me faltava mesmo ouvir Pearl Jam (bom, e Type O Negative, mas esses infelizmente nunca terei oportunidade).

Fomos preparadíssimos. Felizmente estava mau tempo, o que significou que não apanhamos nenhuma estopada de calor, levámos uma sandes de casa para não ter de estar nas filas para comer mais do que o necessário, roupa e calçado confortável, e espírito aventureiro. Chegámos cedo para evitar a confusão, e fomos de Uber porque já não temos paciência para ir de transporte e não fizemos mal a ninguém para passar horas a tentar estacionar e depois deixar o carro quase ao pé de casa.

O espaço está bem organizado, cheio de ideias de sustentabilidade giras. Os copos de cerveja são de material vegetal biodegradavel, igual ao plástico, as palhinhas de papel, há imensos ecopontos. Há muita coisa para ver e para fazer, mas 55 mil pessoas são 55 mil pessoas e o concerto de Pearl Jam foi… aconchegante. Para quem tem pouco mais que 1.50m foi mesmo claustrofóbico. Nas primeiras músicas não vi mais do que as costas do gigante que estava postado à minha frente, até conseguir uma aberta para lhe passar à frente e ver finalmente o ecrã. Afinal até circulava um ventinho agradável.

Para mim os melhores concertos da noite foram sem dúvida os Pearl Jam, que foram brilhantes, mas também os Franz Ferdinand que me fizeram saltar do principio ao fim. The Last Internationale, a banda que abriu o palco principal também foi uma agradável surpresa. Jack White era promissor, mas em algum momento nós teríamos que abraçar a árdua tarefa de enfrentar a fila para o wc e comer qualquer coisa, e foi essa a altura escolhida. Foi complicado, e fez com que bebesse muito menos água e cerveja do que me apetecia só para não ter de lá voltar. Mas ainda consegui voltar a tempo de ver a última música.

Pearl Jam tocaram não só as músicas esperadas e ansiadas, como algumas versões bonitas, do Imagine por exemplo. Eddie Vedder tem o dom da comunicação, fala imenso com o público e dá-se ao trabalho de ter uns textos em português para se sentir mais próximo dos seus fãs. Aquele está tudo bem do título vem do refrão duma das músicas, entoado por todos em bom português, um dos momentos bonitos do concerto. No fim ainda chamaram Jack White para cantarem a música do Neil Young Rockin’ in the Free World em conjunto, numa apoteose final.

Eu estava oficialmente morta, mas como ainda ninguém me tinha dito, decidimos esperar por MGMT. Gosto da Pop electrónica desta banda, as quatro primeiras músicas foram logo muito boas, começando pela minha panca recente My Little Dark Age, sem esquecer Time to Pretend.

Mas estava na hora de rumar ao Uber antes que os últimos convivas começassem a sair e fosse demasiado tarde. Não sei se voltaremos a estas aventuras, porque acho que prefiro concertos em nome individual e bandas mais do momento do que festivais de revivalismo, mas certamente não me arrependo da experiência. Em baixo para quem não quis ler tudo, um resumo dos concertos, com os principais momentos.

Resumo dos concertos:

The Last Internationale: a tipa tem uma grande voz e ele sabe dizer Força, caralho!

Alice in Chains: relembrem-me lá porque é que gostei tanto disto? As letras já desapareceram da minha cabeça, e as músicas pareceram-me todas iguais.

Franz Ferdinand: Ainda se dança tão bem ao som destes tipos, a idade não passou por eles. Por mim mais ou menos, mas ainda andei aos saltos a cantar This fire is out of control, I’m gonna burn this city, burn this city. Grande concerto!

Jack White: Pão com chouriço não é o que eu escolheria, mas era o que tinha menos fila e a paciência para filas esgotou com a da casa-de-banho. Seven Nations Army é uma grande malha.

Pearl Jam: Uns senhores, um grande concerto, mas como diria a minha mãe, não vai mais vinho para essa mesa. A falta de sobriedade de Eddie Vedder só trouxe mais animação ao concerto, e pessoas com mais de 1,80m deviam ser obrigadas a ficar nas filas de trás.

MGMT: Essas 4 músicas foram óptimas, mas se não for embora agora nunca mais apanho um Uber para casa. Obrigada por terem começado logo com o Little Dark Age, assim vou sem peso na consciência.

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Foto de Rita Carmo aqui

Man Booker 50

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Já aqui falei no início do ano que este era o ano em que se oferecia o quinquagésimo prémio Man Booker, e que para isso se iria escolher o melhor entre os melhores. Na altura publiquei a lista de todos os vencedores, e esta semana foi finalmente escolhido o grande vencedor, O Paciente Inglês, de Michael Ondaatje.

Um painel de especialistas escolheu o que achava melhor de cada década, e depois coube ao público eleger o grande vencedor. Podem consultar os pormenores do evento aqui.

Devo dizer que fiquei contente por ser um livro que gostei bastante, e que realmente é um belíssimo trabalho de ficção que nos envolve e emociona. Se ainda não leram, agora é uma boa oportunidade.

Boas Leituras!

Jogos de Cartas

cartas peixinho

Numa altura em que o vintage está na moda, há revivalismo por toda a parte, há uma coisa da minha infância da qual tenho muitas saudades e que ainda não foi ressuscitada, e parece-me que nunca o será, que é o jogo da sueca. Por algum motivo os jogos de cartas continuam relegados para idosos em mesas de jardim (a sueca) ou para esquemas manhosos online (o poker). No entanto, das melhores recordações que tenho dos meus verões na aldeia são tardes e noites a jogar às cartas, nas suas diversas vertentes.

Havia vários “campeonatos” chamemos-lhe assim. Quando eram os primos todos, só para a galhofa, normalmente escolhiamos o Keims (nunca tive de escrever isto antes, escolhi livremente a grafia). Este jogo envolvia um complexo sistema de sinais que invariavelmente acabava com gritaria e acusações de batota, e proporcionava horas de diversão enquanto fazíamos a digestão antes de ir para a banhoca no rio.

À noite, quem tinha idade jogava à sueca. Os adultos na minha sala (as reuniões eram sempre em casa da minha avó), os primos mais crescidos na mesa do terraço, e os primos pequenos que ainda não tinham idade jogavam todos juntos à ronda, com a minha avó que era a única com paciência para nos aturar e ensinar. Subir de divisão era o que todos almejavam, e ir compor a mesa dos adultos se faltava alguém era sinal de ter entrado num patamar superior.

Algumas pessoas, como a minha mãe, mantinham-se sempre à parte disto tudo. Ela gostava de paciências pela noite dentro, ou crapô com o meu pai, lugar que eu assumi depois de ele ficar doente, mas nada mais que isso.

Mas muitos serões se passaram na terra em torno das cartas e o pior que nos podia acontecer era não sermos 4 parceiros para uma boa jogatana. Anos mais tarde, já eu adulta feita, quando ia sozinha passar uns dias com a minha avó, ainda me lembro da alegria dela e da minha tia por finalmente sermos quatro e podermos disputar umas partidas. Eu costumava fazer par com a minha avó, excepto quando um primo mais competitivo aparecia e as irmãs se protegiam e me calhava a mim jogar com ele. Ainda me lembro dele muito enervado a questionar-me porque raio tinha posto a minha sota debaixo do conde dele. Ora, eu até sabia o que era uma sota e um conde, apesar de não ser a terminologia que habitualmente usávamos, mas a estratégia profunda daquela questão escapava-me, a mim que jogava para me divertir e não para descobrir o sentido da vida, ou validar nada, e percebi porque o meu primo nunca tinha o mesmo parceiro.

Em Lisboa jogavam-se outras coisas, como o sobe e desce, o King, e mais tarde na faculdade deixei-me apanhar pela febre do Magic, mas isso já era um post totalmente diferente.

De qualquer modo tenho muitas saudades de jogar às cartas. A cara-metade não gosta nada, o que significa que nem umas partidas de Crapô jogamos, para grande pena minha, e nunca encontrei um sitio digno onde se dispute um torneio de sueca. As regras da ronda, primeiro jogo que a minha avó me ensinou, já se desvaneceram na minha memória, e mesmo na sueca já não seria capaz de contar os pontos e as cartas que saíram ao mesmo tempo que o jogo decorre. Qualquer dia também as regras se perderão na minha memória cada dia mais frágil, mas antes que isso aconteça quis deixar aqui este pedacinho do meu passado.

Hoje em dia tudo se transformou numa app, e claro que já há apps da sueca. Mas nunca será tão satisfatória como quatro pessoas à volta duma mesa num terraço numa noite de Verão.