Livros que Recomendo – O Cozinheiro Prático

cozinheiro pratico

Já que estamos a chegar ao Natal, nada como recomendar um dos livros mais emblemáticos da nossa tradição culinária. Eu tive conhecimento dele porque sempre existiu em casa da minha mãe e ela consultava imensas vezes, nomeadamente para fazer os seus maravilhosos bolinhos de areia. Assim, quando eu me mudei para a minha própria casa e o encontrei à venda numa Feira do Livro, achei que não podia deixar escapar.

No entanto, caras dona(o)s de casa do século XXI, desenganem-se se pensam que vão encontrar aqui um precioso auxiliar de cozinha. Na realidade este é um livro com imensas receitas que serão seguramente úteis a quem já se saiba orientar com os tachos, já que as instruções dadas para além das quantidades são surpreendentemente vagas e pouco precisas. Fiquei um bocadinho desiludida e ainda não consegui fazer receita nenhuma por lá. Tenho confiado mais nas inúmeras páginas de receitas que abundam na internet, mas se fosse hoje voltaria a comprá-lo porque é como ter uma memória visual da minha mãe permanentemente na estante. E cada vez que o folheio lembro-me dos bolinhos de areia e como os meus nunca conseguiram ficar iguais.

Escrito por Mariazinha (!) em 1952 este livro foi um grande sucesso durante décadas, e está dividido em capítulos de acordo com o tipo de pratos, começando nas sopas e terminando nas sobremesas. No final ainda tem dois capítulos muito interessantes, sobre como servir vinhos e um regime de 18 dias para emagrecer. Vale a pena consultar este livro e descobrir as pérolas que encerra.

Boas Leituras!

Bolos de Areia: Misturam-se 100g de açúcar com 200g de manteiga e depois de bem ligado amassa-se à mão com 500g de farinha. Depois de tudo misturado faça pequenos bolos que vão ao forno em tabuleiro não untado.

Livros que Recomendo – Kitchen Confidential

Kitchen Confidential

Acho que os eventos recentes ditam que eu venha falar deste livro neste momento. Já o tinha posto na minha lista de livros a recomendar, mas um pouco mais lá para a frente, mas infelizmente repensei e vim falar dele agora. Kitchen Confidential, o livro que lançou a carreira de Anthony Bourdain, aquele que até então tinha sido um chef executivo dum restaurante de Manhatan, sem grande história, mas que decidiu, primeiro num artigo de jornal, depois nesta expansão para livro, contar tudo do que sabia das entranhas deste negócio da restauração, com uma clareza e sangue frio que me deixou deslumbrada.

Claro que a maioria das coisas que Anthony Bourdain desvenda neste livro nós intuitivamente sabíamos. Que se um restaurante está às moscas, o melhor é evitá-lo porque a probabilidade de nos servirem comida fresca é muito pequena. Que se a casa-de-banho, que é aquilo que os clientes vêem de certeza, está nojenta, qual a probabilidade de a cozinha, que nós nem vemos, estar limpa e imaculada? Mas mais que todos esses conselhos é o modo como são escritos, e o facto de terem como pano de fundo a sua biografia até então que nos fascina e cativa. O homem sabe escrever e descrever, como tão bem continuou a demonstrar ao longo das suas inúmeras séries televisivas.

É um livro que vale muito a pena, e se só o vão ler agora de certeza que o lerão com uma carga diferente. Quanto ao resto, já muito foi dito na comunicação social nestes últimos dias, e não vale a pena acrescentar muito mais. Na minha humilde opinião, que já tinha comentado cá por casa, ele era uma pessoa melancólica. Era isso que me cativava nele, eu sentia que partilhava com ele uma certa nostalgia por aquilo que já não existe, mesmo que nunca o tenhamos conhecido, o sentimento de perda dum mundo a mudar em muita coisa que não é para melhor. Muitos dos que admiram a sua postura rock n’roll são dos principais militantes da brigada do politicamente correcto que estamos inundados hoje, e nem sequer percebem a ironia. Mas sobretudo, a lição que espero que se tire disto tudo é que quem vê caras não vê corações, e uma vida que nós julgamos idílica (e julgar aqui em todo o sentido da palavra) pode esconder um inferno por trás.

“Conhecer” a figura pública é não conhecer nada, por vezes nem sabemos o que a pessoa ao nosso lado está a passar. Por isso, menos julgamentos e mais compreensão, a começar pelos que estão mesmo ao nosso lado, e a terminar nos que estão na ponta dos dedos do teclado é o que desejo a todos.

De resto, se nunca leram este livro, recomendo que não se arrependem certamente e aprenderão muito sobre restauração. Também aqui quem vê caras não vê corações.

Culinária

culinaria

Para além de ler e viajar, também adoro cozinhar. Desde pequena que me habituei a ver na cozinha da minha mãe o livro do Cozinheiro Prático, donde ela retirava inúmeros dos petiscos que fazia. Por isso assim que o descortinei numa banca da Feira do Livro não perdi a oportunidade de comprar uma cópia para mim.

Devo confessar que vale mais pelo valor sentimental, porque as receitas são descritas mais para quem já sabe todos os truques de cozinha, o que não é bem o meu caso, e hoje em dia já há imensos recursos online para quem quer pesquisar coisas mais modernas do que aquelas que a Mariazinha nos quer ensinar. E eu sou mais do género de ler várias receitas na net, e depois compilar a minha própria versão, que pode ou não correr bem.

Já o Manual de Cozinha é uma preciosidade de conselhos inúteis, que variam desde a maturação da carne, a como cortar um porco inteiro, coisas que a cozinheira dos nossos dias (felizmente) está dispensada. Também não inclui, como seria de esperar, nada sobre as modernices de seitans, tofus e woks, mas vale pelo entretenimento que nos proporciona.