Livros que Recomendo – Crónica duma Morte Anunciada

GGM

Já há muito tempo que queria recomendar no Peixinho um livro do Gabriel García Márquez que me acompanhou no final da adolescência, no entanto demorei muito tempo a decidir qual. Muitos são aqueles que me encantaram, mas finalmente percebi que este tem um lugar especial no meu coração de leitora.

Este livro começa pelo fim. Começamos a saber que Santiago Nasar vai morrer, e como vai morrer. Na realidade, nunca houve morte mais anunciada e é isso que torna este pequeno livro absolutamente delicioso.

O narrador retorna à sua aldeia muitos anos depois dos acontecimentos terem ocorrido, e vai investigar como morreu o seu amigo. Bayardo San Roman casou com Angela Vicario e descobriu na noite de núpcias que ela já não era virgem. Pressionada a nomear o culpado, ela acusou Santiago Nasar, e foi devolvida à familia. Os irmãos juraram vingar a sua honra e matar o culpado. E a partir daí a sorte de Santiago está lançada, e toda uma série de eventos se desenrolam permitindo que a sua morte efectivamente aconteça, perante a impassividade/cumplicidade de toda a aldeia.

É realmente um livro pequeno, com cerca de 100 páginas ou menos, mas poderoso na forma com a história se desenrola, como o autor nos obriga a testemunhar este facto como se estivéssemos nós próprios nesta aldeia perdida do interior colombiano, e fossemos de algum modo coniventes com o que se está a passar. É, como muitos outros livros, um forte retrato das convenções sociais, dos moralismos e das regras rígidas que nos regem, um testemunho do facto que muitas vezes acreditamos no pior das pessoas.

Recomendo a todos os que gostam de literatura sul-americana, ou a querem descobrir, ou simplesmente querem uma história pequena mas muito bem contada.

Boas Leituras!

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A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón

carlos ruiz zafon

Já andava há imenso tempo para ler algo deste autor porque em todo o lado eu via excelentes críticas aos seus livros. Entretanto comecei a ler um livro do Netgalley que me estava genuinamente a enervar, resolvi mudar para outro e achei que estava na altura de dar uma chance a este senhor.

Pois, olhando para o Goodreads, se calhar eu não vou ser muito consensual desta vez, porque apesar de ter achado um bom livro, não achei espectacular como a maioria das críticas faziam antever. Primeiro tive de me adaptar à prosa excessivamente floreada do autor. Muitos adjectivos para mim complicam, mais do que embelezam a escrita, mas obviamente isso é uma questão de gosto pessoal, e uma vez que a história descolou eu estava prontinha para ignorar esse facto, já o enredo era suficientemente criativo e absorvente para nos fazer querer ler o livro a toda a hora.

O segundo problema para mim foi a dificuldade em perceber a passagem do tempo. Nós seguimos a história de Daniel Sempere, um rapaz que começa a narrativa poucos dias antes de fazer 11 anos, quando vai com o seu pai ao Cemitério de Livros Esquecidos, local mágico onde se encontram todos os livros que já ninguém lê. Aí ele escolhe (ou é escolhido) um livro escrito por Julian Carx e assim começa toda uma história de mistério que se passa nas ruas de Barcelona, na tentativa de descobrir qual foi o destino desse obscuro escritor e de toda a sua vida. Ao longo da investigação Daniel vai crescendo e de alguma forma a sua vida vai espelhando a de Julian. No entanto, para mim foi confuso seguir a evolução do tempo e perceber qual a idade de Daniel a cada momento da história.

Mas a machadada final, que não poderei contar aqui, foi o chamado plot twist, que para mim me pareceu algo infantil, digno de uma novela da TVI. Mas isto tem tudo a ver com gestão de expectativas. Quando vemos toda a gente a dar 5 estrelas a um livro, esperamos uma coisa perfeita, e começamos a ler com essa ideia, e cada pequena coisa que não corresponde torna a desilusão maior. Por isso, como disse no início, um bom livro, com uma história envolvente e cativante, mas não um livro genial.

Parece-me o livro perfeito para nos acompanhar nas férias e nos proporcionar boas horas de entretenimento, com a vantagem adicional que se conhecerem Barcelona irão reconhecer muito do cenário onde é passado. Tem também a vantagem de ser passado durante a guerra civil espanhola e nos dar a conhecer um pouquinho mais dessa realidade. Nesse aspecto foi bastante bem conseguido.

Goodreads Review

Boas Leituras!

 

Uma Nova Livraria

Trezor
Foto daqui

Pode sempre parecer estranho nos dias que correm uma nova livraria que abre, quando a tendência é vê-las a fechar e cada vez mais as pessoas que lêem são uma raridade. No entanto ainda vamos tendo algumas boas surpresas, como nos dá conta esta entrevista do Público.

Se razões nos faltassem para (mais) uma visita ao Porto, agora temos mais um motivo para dar lá um saltinho, conhecer a Trezor, escolher um livro, folheá-lo e discuti-lo enquanto bebemos uma cerveja. Tudo isto sem recorrer ao telemóvel, claro, esse grande inimigo da leitura. Se forem até lá antes de mim, digam-me o que acharam.

Boas leituras!

 

 

 

 

As Pessoas Sensíveis

sophia melo breyner

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa

Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

«Ganharás o pão com o suor do teu rosto»
Assim nos foi imposto
E não:
«Com o suor dos outros ganharás o pão»

Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem

Sophia de Mello Breyner Andresen, in ‘Livro Sexto’

Livros que Recomendo – Pela Estrada Fora

on the road

Jack Kerouac é um escritor medianamente conhecido, pelo menos entre nós, mas a sua influência na literatura anglo-saxónica foi fundamental. A ele é atribuído o nascimento da “Beat Generation“, uma geração de escritores e poetas pós segunda guerra mundial, que tentaram quebrar barreiras, ver o mundo com outros olhos e pavimentaram a posterior revolução que foram os anos 60. A isso tudo Jack Kerouac junta o facto de ser o único escritor que conheço que partilha o meu aniversário, por isso foi com redobrada curiosidade que li este seu livro.

Se retirarmos todo o contexto à obra, ela pode parecer-nos seca e desprovida de elegância. Parecem-nos as viagens sem rumo duns tipos falhados na vida, divorciados, alcoólicos, a experimentar com tudo o que deitam a mão.

Mas se pensarmos que isto é um relato de viagens feitas no final dos anos 40, com o pano de fundo duma América a recuperar da guerra, das casas de jazz, a pobreza das zonas mais interiores, o desespero e falta de visão de futuro duma nova geração, vemos que à altura isto foi tudo muito inovador. Estes amigos iam visitar locais onde a classe média não se atrevia a entrar, e voltavam para contar a história, que era escabrosa.

Também o modo como a história foi contada foi inovador. Jack Kerouac tirou anotações em blocos de notas aquando das suas viagens, e só alguns anos mais tarde, em 1951, se sentou durante 3 semanas e escreveu tudo de seguida, sem parar, num manuscrito de folhas todas iguais que colou umas às outras para formar um enorme rolo contínuo, que ainda hoje se encontra em exposição em algumas bibliotecas.

Hoje em dia, que já todos vivemos tudo, que tudo é permitido embora tudo seja criticado, pode ser difícil perceber qual foi a relevância desta obra na altura, mas ainda hoje é considerado um livro importante e influencia muitos escritores e músicos. Em 2012 foi feito um filme, que eu ainda não vi, mas que não me parece muito promissor.

Já o livro recomendo a todos os que gostam de literatura de viagem, de retratos duma geração, de coisas diferentes.

Boas Leituras!

Um Dia nas Aldeias de Xisto

Xisto_08
A vista da nossa casa na Comareira, sempre acompanhados. 

Apesar de ter passado a maior parte das férias a desfrutar de Lisboa, ainda consegui dar um saltinho à zona centro para ver se apanhava uns sítios catitas para relaxar e descansar. Como falei num post anterior, passámos por Mirando do Corvo para conhecer o Parque Biológico da Serra Lousã, e aproveitámos que já estávamos a meio caminho para dar um salto à dita Serra.

O plano inicial era ir almoçar a um dos nossos restaurantes favoritos, O Burgo, que se situa numas piscinas naturais e tem uma comida mesmo serrana boa, mas tanto eu como o outro Peixe já tivémos estômagos mais fortes, e depois de uns dias na zona centro já não conseguíamos pensar em cozido do Talasnal, nem veado com castanhas, nem nada dessas coisas elaboradas mas pesadas. Assim andámos por sítios mais modestos mas mais leves, e adequados às estradas sinuosas da montanha. E depois de almoço lá partimos na romaria pelas aldeias do xisto da zona.

Começámos pela Aldeia da Pena, só que viémos pelo sítio errado. Se se aproximarem vindos de Góis têm uma bela estrada alcatroada até ao local, e chegam lá sem problemas. Se, como nós, vierem do lado da Lousã, o meu conselho é não vão. A não ser que tenham um jipe ou um carro capaz de aguentar uma forte descida por estrada de terra batida e pedras soltas. Foi a segunda vez nestes poucos dias fora que pusémos o nosso boguinhas nestas andanças, eu acho que ele já anda a contar os dias para se ver livre de nós.

De qualquer modo, lá chegados, a paisagem é belíssima. A aldeia é num pequeno vale, com uma ribeira, rodeada pela paisagem dramática dos penedos de Góis. Muito impactante, consigo imaginar-me a passar umas belas tardes a ler à beira daquela ribeira fresquinha. Demos um pequeno passeio a pé pela aldeia, tirámos umas fotos para ir pondo no Instagram, respirámos fundo e atacámos novamente a subida pela terra batida.

A paisagem cá de cima é ainda mais bonita. Quando chegamos ao cimo da serra vê-se dum lado a pequena aldeia de Aigra Velha, e do outro uma paisagem de montes e vales a perder de vista. Para quem, como eu, tem vertigens, chega a ser demasiado intenso. Continuando a descer a estrada vamos desembocar na aldeia de Aigra Nova, que é o coração destas aldeias renovadas, e onde temos um Museu Etnográfico, uma loja com produtos típicos da região e se podem fazer várias actividades serranas, mediante marcação prévia.

No final viemos parar ao local onde íamos dormir (se bem que há alojamentos em todas estas aldeias, é só escolherem a que vos apela mais), a Comareira. Pelo que percebemos a aldeia tem apenas uma habitante, uma pastora idosa com o seu pequeno rebanho de cabras, 2 cães e 4 gatos. As cabras só vimos passar, mas os restantes animais vieram fazer-nos companhia ao jantar e ao pequeno-almoço do dia seguinte, desejosos de festas e algum petisco que lhes déssemos.

A Comareira, que tivémos a sorte de estar deserta de outros turistas, foi um paraíso de silêncio, tranquilidade e bela paisagem, e gostámos muito de lá estar. Este tipo de tranquilidade, mesmo que apenas por dois dias, faz maravilhas a recarregar as nossas baterias. Eu necessito de estar em contacto com o verde para me sentir de novo revigorada, e apenas preciso de fazer um pequeno (grande) esforço para não me deixar enervar muito com os verdadeiros atentados ambientais que o nosso país é tão pródigo, porque senão seria sempre incapaz de desfrutar fosse o que fosse.

Mas se pensarem num pequeno pedaço de tranquilidade onde se ouvem pássaros ao amanhecer, aconselho com certeza estas aldeias de xisto. Deixo-vos algumas imagens.

Boas viagens e boas leituras!

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Os penedos de Góis vistos da aldeia da Pena
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Aigra Nova
Xisto_03
Aigra Nova
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Um miradouro na Comareira
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A comissão de boas vindas da Comareira
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Sinais de outros tempos
Xisto_05
A leve descida até nossa casa
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O banquinho de leitura à porta
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O nosso pátio, sempre com companhia. 

 

The Winter’s Child, de Cassandra Parkin

winters child

 

Keep scrolling if you prefer to read in English!

Mal vi um novo livro da Cassandra Parkin disponível no Netgalley não consegui resistir e tive que o pedir. Felizmente deram-me a oportunidade de o ler e passei-o bem à frente de outros que tenho na lista para me proporcionar o prazer de um livro bem escrito.

Em Winter’s Child, Cassandra conta-nos a história de Susannah Parker, a quem o filho Joel desapareceu vai fazer 5 anos. Susannah é uma mulher forte, que nunca desistiu de procurar o filho, mesmo depois do seu casamento não ter resistido ao trauma, e mesmo quando mais ninguém parece ajudar. Esta história é forte, complexa e recheada de pormenores interessantes.

Esta autora escreve muito bem. Mesmo quando os personagens não são simpáticos nem causam propriamente empatia, nós queremos saber o que lhes acontece. E as coisas nunca são como parecem à primeira vista. É exímia em descrever doença mental, e em mostrar-nos o que se esconde por trás duma capa de aparente normalidade.

O único senão para mim, que sou chata, é que a meio do livro já tinha adivinhado o plot twist e isso retirou um bocadinho o impacto do final.

Mas é um bom livro, bem escrito, e recomendo a todos os que gostam de histórias bem contadas.

Goodreads Review

Boas leituras!

As soon as I saw a Cassandra Parkin’s book available for request on Netgalley, I was unable to resist and had to try and get. Luckily I was given the chance to read it, so I moved it forward on my TBR list so I could enjoy the pleasure of a well written book.

In Winter’s Child, Cassandra tells us Susannah Parker’s story, whose 15 year old son went missing 5 years ago. Susannah is a strong woman who has never given up the search for her son, even after her marriage has failed, not resisting the trauma, and even if no one else seems to be helping her in that quest. This is a strong and complex story, rich in details.

Cassandra is an amazing writer. Even when her characters are not nice or relatable (like Susannah, after a while), we still want to know their fate. And things are never quite as they meet the eye. She describes mental illness brilliantly, and is able to show us what lies behind what seems to be normal.

The only thing that was not quite there for me was that by middle of the book I was already guessing the ending, but I’m annoying that way.

But it’s a very good, well written book, and I recommend it to everyone who likes a story well told.

Happy Readings!

Hoje É Dia de Coisas Simples

al-berto

 

hoje é dia de coisas simples
(Ai de mim! Que desgraça!
O creme de terra não voltará a aparecer!)
coisas simples como ir contigo ao restaurante
ler o horóscopo e os pequenos escândalos
folhear revistas pornográficas e
demorarmo-nos dentro da banheira
na aldeia pouco há a fazer
falaremos do tempo com os olhos presos dentro das
chávenas
inventaremos palavras cruzadas na areia… jogos
e murmúrios de dedos por baixo da mesa
beberemos café
sorriremos à pessoas e às coisas
caminharemos lado a lado os ombros tocando-se
(se estivesses aqui!)
em silêncio olharíamos a foz do rio
é o brincar agitado do sol nas mãos das crianças
descalças
hoje

Al Berto

Livros que Recomendo – A Lagoa do Sherman

Sherman

Não é a primeira vez que falo aqui no Peixinho deste tubarão castiço, meio tolo, que habita numa lagoa tropical dum atol no Pacífico. Vive lá com a sua esposa, e os seus amigos. Uma tartaruga existencialista, um caranguejo vigarista, um peixe adolescente que é um génio de computadores e um urso polar que vai e vem consoante lhe apetece calor. Todos os outros habitantes são mais ou menos território livre de alimentação, incluindo os “macacos peludos” que se passeiam inocentemente pelas praias a desfrutar do lugar paradisíaco.

Por baixo de tudo isto temos uma forte mensagem ambiental e de reflexão sobre a importância de todos os seres marinhos, por mais insignificantes que nos possam parecer, bem como alertas vários sobre situações actuais graças ás viagens que Sherman vai fazendo por outros mares do mundo.

Eu sei isto tudo porque sigo diariamente a tira que vai sendo publicada aqui, já que em Portugal apenas foram publicados dois volumes pela Devir. Mas creio que hoje já não se encontram disponíveis.

Recomendo a todos os que gostam de BD, principalmente com um tom humoristico/educativo.

Boas Leituras!

 

Um dia em Miranda do Corvo

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Pirâmide do Templo Ecuménico de Miranda do Corvo, cujo vértice se v~e um pouco por toda a vila. 

O Peixinho, como já devem estar cansados de saber, não gosta mesmo nada de ter férias em Agosto, mas tem mesmo de ser. Há muito poucas coisas que se consigam fazer com qualidade e sem magotes de gente, mas há que continuar a tentar.

Este ano fomos tentar um local mais interior, mas ainda assim com algo para fazer, e rumámos a Miranda do Corvo com a ideia de visitarmos uma ou duas coisas catitas por lá.

A primeira impressão com que ficámos é que Miranda é uma vila fantasma. Tudo bem que é Agosto, mas a quantidade de gente que não se via em todo o lado era impressionante. Os cafés e restaurantes fechados (e sem papel a dizer férias), as casas para venda, casas em que a construção parou a meio davam a tudo um ar de que as pessoas a meio desistiram e foram para outro sítio qualquer. E não pensem que estou a exagerar, porque na vizinha Lousã, por exemplo, via-se muito mais gente a andar na rua e as coisas estavam muito mais vibrantes. Mistérios.

Miranda tem um centro engraçado, com umas esplanadas agradáveis, das quais só uma tem clientes. Escusado será dizer que foi a essa que fomos, e fomos sempre bem atendidos, apesar da obessão do sítio por kebabs.

Mas o ponto alto da vila é sem sombra de dúvida o Parque Biológico da Serra da Lousã e o Templo Ecuménico Universalista. Ambos valem a pena uma visita, e pode comprar-se um bilhete que inclua os dois.

Nós fomos visitar o Parque Biológico muito cedinho para fugir ao calor, e fomos recebidos pela Noz, a cadela serra da estrela que é a mascote do local. Muito meiguinha e brincalhona, andou connosco boa parte do percurso, até nos trocar por umas saudáveis corridas atrás de patos suficientemente ingénuos para se cruzarem no seu caminho. O facto de irmos cedo significou também que fomos antes da hora da alimentação, por isso quase todos os animais se aproximavam de nós para ver se já lhes trazíamos o mata-bicho. Uma maravilha.

O parque biológico está cheio de animais que são típicos do nosso país (ou foram em tempos, como o urso pardo, extinto há alguns séculos), o que torna a visita ainda mais especial. Para quem nunca viu um saca-rabos ao vivo, por exemplo, será com certeza uma experiência maravilhosa. Eu gostei muito e recomendo. Dá também para fazer várias actividades, vejam na página deles.

À tarde fomos visitar o templo ecuménico, que fica no alto dum monte, e se são daqueles que só não levam o carro para casa para dormir convosco, pensem duas vezes antes de ir, porque parte do caminho é em terra batida. Como o nosso boguinhas desde os 4 dias de vida que anda nestas andanças, já nem estranha, mas à saída demos um zig em vez dum zag, descemos pelo caminho errado e confesso que foi uma descida arrepiante. Mas valeu a pena. Não só as vistas lá de cima são maravilhosas, como a experiência da visita foi muito interessante. Suponho que seja diferente de pessoa para pessoa, por isso não vale a pena desvendar muito, mas só o local em si já fala muito ao coração.

Deixo algumas fotos como partilha, e recomendo uma visita a Miranda para visitar pelo menos estes dois sítios.

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Noz, a cadela do Parque Biológico da Serra da Lousã, que nos acompanhou parte do percurso. 
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Um gamo, à espera da hora da alimentação, que ainda não vinha connosco.
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Uma raposa já com qualquer coisa peluda na boca.
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O percurso dos 7 pecados que nos afastam do divino, à volta da pirâmide no Centro Ecuménico de Miranda. 
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Um cheirinho a Tailândia em Miranda.