Os Cinco Melhores Livros de 2021

Ora já estamos a meio de Janeiro, mas ainda assim gostava de partilhar aqui os cinco melhores livros que li durante o ano passado. 2021 foi um ano surpreendente, principalmente no número de livros que consegui ler, uns prodigiosos 63. Mas, como é óbvio, nem todos ficaram com lugar marcado na minha memória. Mesmo assim, a grande maioria foi muito prazerosa e vou aproveitar para revisitar os que considero os 5 melhores, sem nenhuma ordem em particular.

Piranesi – Susanna Clarke

Foi dos primeiros livros que li em 2021, e mesmo assim ainda me lembro dele frequentemente. Comprei para oferecer no Natal, sugeri a quem me quis ouvir. Foi o vencedor do Women’s Prize for Fiction de 2021, não surpreendentemente.

É um livro estranho, passado numa casa que não tem fim, com vários andares, quartos, mares e marés, corredores cheios de estátuas e habitada por Piranesi, um homem que a conhece profundamente. É fantasia, mas daquela sem fadas nem elfos, é um thriller de mistério, é sobretudo um livro que nos faz pensar. Se ainda não leram, contemplem fazê-lo.

The Midnight Library – Matt Haig

Mais um livro que me fez pensar. Este dividiu opiniões, houve quem o achasse um “favorito para a vida”, outros acharam-no assim-assim. Eu gostei bastante, achei que tem uma abordagem interessante aos problemas de ansiedade, depressão, saúde mental, e acho que é interessante para ler e nos ajudar a refletir sobre a nossa vida e a dos outros.

The Collected Works – Scott McClanahan

Que pérola de livro. Cheguei a ele por uma recomendação feita no Goodreads a outra pessoa, mas aquela capa não me deixou indiferente. Maravilhoso, é como estar num café com um amigo meio estranho e ouvi-lo falar da vida, e sermos surpreendidos a cada instante. Apesar de ser feito de pequenas histórias, não fui capaz de o pousar até ter tudo lido.

Recomendo muito, vale mesmo muito a pena.

Romance de Cordélia – Rosa Lobato de Faria

Obviamente que tinha que incluir um autor português nesta lista, e o ano passado Rosa Lobato de Faria foi a que mais se distinguiu. Como é que demorei tanto tempo a perceber que os livros desta senhora eram pérolas refinadas que eu precisava mesmo ler. A subtileza, o humor, a clareza da escrita, é tudo maravilhoso.

Este livro em particular não tem uma história muito feliz, mas a maneira como está escrito é muito boa, e prende-nos do princípio ao fim. Aconselho muito a lerem livros desta autora!

Odeio-te e Amo-te – Sally Thorne

Considerando que dos 63 livros que li em 2021, 16 foram romances no sentido estrito, acho que é justo que ponha nesta lista o que eu gostei mais. Há alguns mesmo muito fraquinhos, nem sei o que me passou pela cabeça, mas houve alguns muito engraçados e bem escritos. É o caso deste de Sally Thorne, que me agradou imenso. Foi o primeiro desta autora, e da minha experiência o único que vale a pena. Os dois seguintes eram muito fraquinhos.

Mas descobri com este livro que o enredo que mais me diverte é o de enemies to lovers, e que sabe sempre bem ter um pouco de humor à mistura. No geral foi um livro que dispôs bem, divertiu e que se leu num sopro.

Estes foram os meus livros favoritos de 2021 e que eu aconselho a quase toda a gente. Se lerem, partilhem comigo o que acharam.

Até lá, Boas Leituras!

Acabei de Ler – Lost Girls and Love Hotels

lost girls and love hotels

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Depois de tanta chick lit, com romances em tons de rosa, resolvi manter o rosa mas ir numa direcção diametralmente oposta para desenjoar. Margaret é uma jovem mulher que vive em Tóquio, um dos muitos lugares onde foi parar numa tentativa de fugir da sua vida familiar no Canadá. Em Tóquio encontra muitas pessoas como ela, que se deixam encantar pela estranheza do país enquanto se refugiam da sua própria estranheza e dificuldades de adaptação. Uma espécie de bando de inadaptados. Acaba por se apaixonar por Kazu, um misterioso japonês, casado e apelativo.

Há muitas substâncias neste livro. E muito sexo. E por vezes pouco sentido da vida. A escrita é muito boa, e sentimo-nos a descer a mesma espiral que Margaret, embriagados, intoxicados, mas sempre fascinados pela estranheza. Não foi surpresa para mim quando no posfácio a autora diz que viveu alguns anos no Japão, e que este livro é como uma carta de amor ao país. Eu senti muita vontade de experienciar este Japão de submundo, com love hotels estranhos, estações de metro sobrepovoadas, trabalhadores que vivem em tendas debaixo duma ponte. Onde nada faz sentido, mas tudo se combina. Foi um prazer perder-me nestas noites e dias com Margaret, e tentar perceber as suas motivações à medida que dávamos saltos temporais na sua vida.

Recomendo a todos os que gostam de livros diferentes, especiais, alternativos.

Boas Leituras!

Goodreads Review

After reading so much chick lit books in a row, I decided to keep the pink but go on a totally opposite direction, much less sugary. And so, I met Margaret, a young woman living in Tokyo, one of the many places she tried to escape from her family life in Canada. In Tokyo she meets many expats like her, that allow themselves to be amazed by the weirdness of the city, while also tending to their own strangeness and difficulties in belonging, like a lovely band of misfits. In the midst of all this, she falls in love with a mysterious Japanese man, only to find out that he is married. 

There are a lot of substances in this book. And a lot of sex. And many times, very little meaning for life. The writing is compelling and interesting, and we feel like we are descending the same spiral that our main character, a little bit high, a little bit intoxicated, but always mesmerised by everything. It was not a surprise to discover that the author had lived in Japan and wrote this book as a love letter to the country. I myself felt the urge to visit this country and experience all this underworld. Visit the love hotels, crowded subway stations, villages of tents under the bridges where some workers live. Places where nothing makes sense, but all falls into place. It was a delight to get to know Margaret and see her nights and days, understand her motivations.

I recommend it to everyone who loves alternative stories and lifestyles, and to see the darker side of life.

Happy Reading!

Acabei de Ler – Viagem Atribulada

the road trip

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Para todos aqueles que pensavam que eu já tinha terminado a minha incursão em chick-lit, desenganem-se que isto é como as sobremesas, há sempre espaço para mais um. Como já tinha lido (e gostado) de  Apartamento Partilha-se e A Troca, achei que era valor seguro ler o novo livro da autora. Mas se calhar estava um bocadinho enganada. 

Nesta viagem atribulada vão Addie e Dylan, ex-namorados que terminaram a relação em termos menos que amigáveis há cerca de 2 anos. Ambos vão a um casamento de uma amiga comum, e um acaso como aqueles que só acontecem nos livros, juntam-nos no mesmo carro com a irmã de Addie, o melhor amigo de Dylan e um tipo semi-desconhecido que não se sabe muito bem porque lá está e que sinceramente não acrescenta nada à história.

História que, diga-se, deixa um bocadinho a desejar. Este amor assolapado entre Addie e Dylan não tinha muita substância, sendo que não havia falta de variadíssimas substâncias ao longo de todo o livro. Mas as personagens não convenceram, o desenrolar da história também não, e as reviravoltas finais, pseudocómicas foram só um bocadinho deprimentes. 

Portanto, a questão pertinente depois disto é: sendo que se eu fizesse as contas (que não vou fazer) a quantidade de livros destes que não gosto é largamente superior à que gosto, será que vou continuar a ler livros destes? A resposta é, claro que sim! E porquê? São tantas as razões que dariam um post à parte, mas a razão principal é que são rápidos de ler e divertidos (na maioria dos casos, noutras alturas são irritantes). 

Até ao próximo, Boas Leituras!

Goodreads Review

All of you that thought that I was done with the chick lit books, think again. These books are like desserts, there’s always room for one more. I had previously read Flatshare and The Switch by this author, and really liked both, so I dived into her third book with high expectations. I was biterly disappointed. 

On this Road Trip we have Addie and Dylan, exes that broke up in no amicable terms about 2 years ago. Now they are both heading to a mutual friend’s wedding, and by some freak accident that only happens in books, they find themselves sharing a very small car with Addie’s sister, Dylan’s best friend, and some Rodney guy no one knows for sure what is doing there. 

This was a weird story. Their love story was not very interesting, summer love that becomes permanent nobody knows why, lots of alcohol and ennui, no real substance. I could not relate to the characters at all, they were flat and boring, and the final twist was silly beyond repair and could easily not have been there. Did not seem quite like the same writer at all. 

And this leaves us with a question: considering I tend to dislike more than like these kind of books, how likely is it that I will pick up another one in the near future? You know the answer is Off Course! And why? There numerous reasons, I could write an entire post about it. But I think the main one is they are an easy, quick read and the majority of them are just fun! (ok, some are annoying as well). 

Until the next one, Happy Reading!

 

Acabei de Ler – A Crown of Swords, Wheel of Time #7

WOT 7

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Muita coisa há para dizer sobre o sétimo volume da série A Roda do Tempo, que estou a ler no original (Wheel of Time) mas começo pelo facto que tenho um bocadinho de vergonha alheia desta capa. Tudo bem que é de 1998, mas ajuda a explicar porque é que fantasia era um género dum nicho muito especial, e pouco divulgada.

Depois, referir que comecei a ler este livro em 2019, quando o rebento tinha 4 meses, e depressa percebi que não ia conseguir acabar. Por isso ficou a marinar até agora, que a série já estreou na Amazon Prime, o que faz com que eu queira terminar de ler os livros antes da série terminar. Pensando que este é o sétimo de 14, ainda me falta um bom bocado.

Depois de ter lido estes 7, não sei bem se me apetece ler os 7 seguintes, por isso em vez duma review, vou fazer uma lista de prós e contras. Começo pelos prós:

  • A história, apesar de seguir uma linha conhecida de rapaz de aldeia pacata que se transforma no salvador do mundo, e que anda em jornada com um grupo de amigos, não deixa de ser interessante e bem contada.
  • O sistema de magia é engraçado, baseado nas diferenças entre homens e mulheres, o que é interessante, mas um pouco redutor às vezes.
  • Tem alguns personagens interessantes e que se desenvolvem bem ao longo da série. Quando li a minha review do primeiro livro, vi que detestei Mat Cauthon, personagem que é actualmente o meu favorito.
  • O mundo está bem construído, bem descrito, e conseguimos sentir como se lá estivéssemos a maior parte do tempo.

Agora, os contras:

  • Demasiados personagens descritos com demasiado detalhe. O que deve ter sido feito para dar realismo ao mundo e à história, acaba por se tornar uma salganhada tal que metade do tempo eu nem sei de quem estão a falar. E já não quero saber. Obviamente que não bastava ter os personagens principais. Mas se virmos, por exemplo, o Senhor dos Anéis, outro gigante de fantasia onde claramente Robert Jordan se inspirou, percebemos que os personagens secundários são apenas os necessários para dar ramificações interessantes à história. Não sabemos o nome de todos os Hobbits que são família do Frodo, nem o nome de todos os servos de cada rei, etc, etc. E não só isso, como a complexidade e semelhança entre os nomes é imensa, o que certamente não ajuda.
  • Em cada página (não falha uma) algum homem diz que é impossível perceber as mulheres, e vice-versa. Ninguém se percebe, nem casais que estão juntos há anos, e sobretudo todos acham coisas horríveis uns dos outros. As mulheres estão sempre a ameaçar puxar as orelhas aos homens, e violência física parece ser a resposta para a maioria dos problemas. É cansativo, e a ideia passava na mesma sem precisar de ser repetida até à exaustão.
  • Já que estamos neste tópico, este senhor não sabia escrever personagens femininas. De todo! Se é suposto serem personagens fortes ele escreve-as como se fossem umas mimadas insuportáveis e arrogantes. Nynaeve al’Meara é para mim o ponto alto disto. É simplesmente uma arrogante agressiva que me enerva em cada capítulo que entra. E não sei em que mundo é que ele “aprendeu” que as mulheres compõem a saia quando estão nervosas, mas isso também acontece em quase todas as páginas. Eu quando usava saias só as compunha quando saiam do lugar, mas se calhar sou que sou estranha. Mas as personagens femininas são quase todas tão más, que só me apetece passar à frente todos os capítulos em que elas são protagonistas.

No final desta lista, parece-me que o pêndulo pende mais para o lado de deixar a série fenecer aqui. Imediatamente após o final do livro, só me apetecia passar para o seguinte, e até comecei o audiolivro. Mas a cada dia que passa a vontade de voltar é menor, ao ponto de já ter lido dois livros completos desde então. Talvez daqui a 2 anos eu termine o oitavo volume.

Até lá, Boas Leituras!

Goodreads Review

There’s a lot to be said about the 7th volume of the Wheel of Time series, but I start by saying this cover makes me feel a bit ashamed, and I was not the one designing it. I understand this was released back in 1998, nonetheless I feel it helps explaining why fantasy was such a niche genre.
I started reading this book back in 2019, when my son was only a few months old, and soon realised it was not the right time to continue. I have never picked it up again, but now that the series has started on Amazon Prime and all the internet is talking about it, I just wanted to get this story through to the end. Considering this is the 7th of 14 instalments, there’s still a long way to go.
And yet, after coming this far I’m not quite sure if I really want to proceed, so instead of a book review, I’m putting here my pros and cons list, to see if I’ll carry on reading. Starting with the pros.
• The story, even though it can hardly be called original (village group of young people that are the saviours of the world), is interesting and well told. We always want to know what the next move will be.
• It has a nice magic system, based in the differences between men and women. However, the same thing that makes it interesting, also makes it a bit redundant at times.
• There are some very interesting characters, and they develop well throughout the series. For example, in the first books I really disliked Mat Cauthon, who is now my absolute favourite.
• The world is well built, believable, and the descriptions are detailed and makes us feel as if we were really there.
And now, the cons:
• Way too many characters all described with too much detail, and with impossible similar names. What was meant as a tool to bring this world to life, becomes such a confusion that it takes me a while to understand who are they talking about, and sometimes I really don’t care anymore. We all know we need some secondary characters to provide other plotlines that keep something this big going, however we didn’t really need to know the names of all Aes Sedai in the White Tower, or all the Ashaman, the minor nobles from all the cities, and so on and so on. You get the idea.
• In every single page (true story), there is a male character complaining he cannot understand women, or the opposite. It seems not even couples that have been together all their lives can actually understand each other, and they all think the other are terrible. Boxing man’s ears and spanking women seems to be the answer to all these problems, that I truly believe are part of the writer more than the world he portrayed (also, they were very prude and very forward at the same time, which is kind of weird. Almost as if Jordan did not quite know which way to go with this).
• But the worst of all are the way female characters are written. It borders on painful, so bad they are. In an effort to portray strong female characters he just managed to write spoiled, bullying brats, with Nynaeve being (so far), the highlight of this with all her braid tugging. She is so arrogant and aggressive that I really struggle to go through the chapters where she is featured. I’m afraid to think where the author got his inspiration for these female characters…
After all things considered, I believe I’m more inclined towards leaving this series unfinished. As soon as I finished this book, I immediately picked up the audiobook for the next one and listened to quite a bit, because the story really is catching. However, as time progresses and other books come in the way, the more I wonder if I’ll ever go back. Maybe 2 years from now I’ll be here reviewing book 8.

Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – Tempo Tardade

tempo tardade

Logo no início da pandemia um amigo emprestou-me este livro para eu ler. Achei a sinopse super interessante, mas como haviam sempre livros novos a chegar ao Kindle, este foi ficando para trás. Essencialmente porque estou a tornar-me uma toupeira, e a letra dos livros impressos é muito pequena para mim.

Mas já com 2021 a chegar ao final resolvi que estava na hora de lhe pegar finalmente. E não me arrependi. Tempo Tardade conta-nos a história de Branca, que após a morte da mãe volta à casa da sua família na aldeia onde cresceu e de onde fugiu. Incerta sobre o seu próprio futuro e rodeada de recordações de infância, vai ler umas cartas que um tio-avô misterioso enviou à família quando emigrou para Buenos Aires e isso vai desvendar alguns segredos.

Gostei bastante da descrição da vida na aldeia, no realismo como um possível regresso foi explorado, sem aquela patine cor-de-rosa de regresso ao paraíso, mas mostrando todas as dificuldades e diferenças do meio urbano. Percebe-se que há conhecimento em primeira mão dessa realidade.

O que gostei menos foi o desenrolar do segredo familiar, que me pareceu pouco coerente com o resto da narrativa. Achei que não houve nada no desenrolar da história que estabelecesse a psicologia do desfecho, se assim quiserem.

Mas foi um bom livro, com uma familiaridade geográfica que me agradou bastante, e um cantarzinho galego na escrita que foi muito interessante.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Acabei de Ler – A Troca

a troca

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Nesta demanda em que eu ando de ler chic-lit, deparei-me com este A Troca, da mesma autora de Apartamento Partilha-se, que eu tinha gostado bastante. A senhora tem uma obsessão com imobiliário, mas por mim tudo bem.

Aqui temos Leena, que está a passar uma fase difícil após a morte da irmã mais nova, que se refugiou no trabalho como mecanismo de defesa e que partilha um apartamento com amigos em Londres. E Eileen, de 79 anos, avó de Leena, que sente que a sua vida precisa de alguma emoção depois do marido a ter abandonado após longos anos dum casamento morno e que vive numa pequena vila da Inglaterra rural. Quando Leena recebe umas férias compulsivas do trabalho, decide que está na altura de trocar de sítio com a avó e afastarem-se das suas rotinas.

Gostei bastante deste livro. Para já, fala numa coisa que eu ando a batalhar há alguns anos, e que é: ser idoso não significa que já estamos mortos, ou que nos tornámos crianças novamente. Temos muito a mania de tratar os mais velhos como pessoas que perderam a capacidade de decidir o que é melhor para eles, ou que têm livre arbítrio para fazerem o que lhes apetece, tal como nós. E fazemos isso esquecendo-nos que, possivelmente, chegaremos ao mesmo ponto, e que, apesar de mais dor aqui e ali, ou mais doença menos doença, no nosso íntimo continuaremos a ser os mesmos, e certamente continuaremos a querer ter as rédeas da nossa vida. E sexo! Com quem nos apetecer! Este livro foi excelente em fazer-nos olhar para o mundo como uma mulher de 79 anos, que ainda tem muito para viver, e só por isso já ganhou muitas estrelas na minha consideração.

Depois, estava bem escrito, com ideias engraçadas, personagens credíveis e que criam empatia, e foi uma delícia de ler do princípio ao fim. Ainda houve para lá um romance entre Leena e outro habitante da aldeia onde a avó vive, que foi, na minha modesta opinião, a parte mais previsível e menos interessante do livro, mas suponho que teria que existir.

Recomendo a todos os que gostam duma boa história, que não têm medo da velhice, e mais ainda se tiverem. Todos os que querem ler um livro que os faça sentir bem.

Boas Leituras!

Goodreads Review

On my quest to read all the chick lit known to man, I came across The Switch, from Beth O’Leary, author of The Flatshare, that I have previously read and liked a lot. And this made me want to jump right to this one.

Here we can find twentysomething Leena that is going through a rough time after her younger sister passed away due to cancer. She has dived into work as a coping mechanism, but that does not go well, and she finds herself on forced holidays for 2 months. Her grandmother, Eileen, is 79 years old, grieving the loss of her granddaughter, helping her daughter cope, while at the same time recovering from her failed marriage. Leena believes it’s time they swapped places for a while, for her to rest and for her grandmother to find love in London.

I really enjoyed this book, especially because of the way elderly life is depicted. I have been saying for a long time that being old does not equal being dead or being a child again, and old people deserve to be treated with same dignity and respect as us. Old people, except in dementia cases, have not lost the ability to decide what is best for their life, even we don’t agree with their choices, same as us. And we also tend to forget that we are becoming old people sooner rather than later. And when that happens, we will find out that we are more or less the same in our spirit, even if our body is giving us more grief. And we will still want to decide about our own life. And we will still want things like having fun, have hobbies, go out, and having sex. With whoever we want to! This book was excellent is making us see life as a 79 year old woman, and how much we still have to look forward to at that age, and I loved it because of that. 

On top of that it was well written, with believable characters and great side stories and it was delightful to read. There was also a romance thrown in the mix, between Leena and another guy from the small village, that for me was the least interesting part of the book, but it had to be there. 

I recommend it to everyone who loves a good story and are not afraid of getting old, but even more to all those that are. 

Happy Reading!

Acabei de Ler – Cai O Pano, O Último Caso de Poirot, Poirot #44

poirot 44

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Foi em 2015 que comecei a minha saga de ler todos os Poirots por ordem de publicação, excluindo a maioria das colectâneas de contos. Devagarinho, sem pressa, para saborear e para ajudar em alturas em que faltava vontade de ler coisas mais elaboradas. E assim, 6 anos depois, chego finalmente ao final desta jornada, lendo o último caso de Poirot, que foi publicado em 1975, ano do meu nascimento, e que teve honras de obituário no New York Times. Nos últimos livros uma das coisas interessantes, se bem que estranhas, era sentir a dificuldade do Poirot se adaptar aos anos 60 e 70 do século passado. Mais estranho ainda porque todos os episódios que vi da série eram sempre passados nos meados dos anos 40. No entanto, neste livro parece que voltamos à era dourada de Poirot. E isso tem uma explicação muito simples. Este livro foi escrito em meados dos anos 40, em plena II Guerra Mundial, quando Agatha Christie teve medo que alguma coisa lhe acontecesse e os livros de Poirot não tivessem um final. Foi depois mantido num cofre, juntamente com o último volume de Miss Marple, e foram publicados em 1975, um ano antes da sua morte.

Eu gostei deste livro, mas confesso que mais por militância. Se pensar um bocadinho, a resolução foi toda anticlimática, e fiquei um bocadinho desapontada com o assassino. No entanto, a história também nos traz coisas muito boas, como o regresso do Capitão Hastings a ser ele próprio em todo o seu esplendor. E com a mais valia de conhecermos também a sua filha, um personagem interessante. A utilidade do Capitão Hastings no enredo foi o que mais gostei no livro, e só por isso já valeu a pena.

E foi uma tarefa concluída e prazerosa. Pensei em fazer o mesmo com a Miss Marple, ou o inspector Maigret, mas sinceramente nenhum destes tem a simplicidade genial do nosso pequeno detective belga. De certeza que arranjarei outra leitura de conforto, para me ajudar nos momentos em que nada apetece. 

Até lá, Boas Leituras!

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In 2015 I started this task of reading all the Poirot novels in publication order, excluding the majority of the short story’s collections. Slow and steady, as I wanted to savour them and use them as a tool to help getting out of reading slumps. And so, six years later, I finish this journey by reading the last Poirot novel, published in 1975, the year I was born, and that generated an obituary in the NY Times. One of the interesting and strange things in the latest books was the way Poirot dealt with the passage of time and the different vibe from the 60’s and the 70’s, and that is not present here. In fact, it seems we are back at his golden age, the mid-forties, with its ambience and scenery. And that has a really simple explanation. During the second World War, Agatha Christie, afraid of not surviving, wrote the last stories for both Poirot and Miss Marple, and left them locked in a safe until she felt it was time to end their journey, which happened in 1975, a year before her own death.

I enjoyed this book, but more for a sense of duty. In reality, its closure was anticlimactic and I was a bit disappointed with how the story unfolded. But it also had some very good things, like the return of Captain Hastings being completely himself. The way he was used in the plot was really good, and I also liked his daughter as a character. 

All in all, mission accomplished, and it was a very enjoyable ride. I thought I could now do the same with either Miss Marple or Inspector Maigret, but in all honesty, they lack the charm of our little Belgian detective. I’m sure I’ll find some other comfort reads to get me out of reading slumps.

Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – Buried in the Sky

buried in the sky

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Gostaria de começar por dizer que se ainda aí estão desse lado a ler as minhas opiniões de livros, muito obrigada, são uns heróis. Especialmente porque ultimamente o Peixinho anda pior que as monoculturas do Alentejo. São romances patetas salpicados de desastres em montanhas, numa espécie de equilíbrio macabro. Mas enfim, não se pode questionar a mood duma mood reader, nem obrigá-la a ler coisas que não quer, por isso aguentem mais um pouco que a emissão irá sintonizar mais qualquer coisa dentro de momentos.

Esta introdução toda para dizer que li mais um livro de montanhismo. E desta vez, pasme-se, não foi uma subida ao Evereste, a montanha mais alta do planeta. Foi uma subida ao K2, a segunda montanha mais alta do planeta. Mas este livro é radicalmente diferente dos anteriores, no sentido em que é o primeiro que leio que se foca essencialmente na história dos sherpas que acompanham os escaladores ocidentais. É um livro muito completo no modo como aborda a história dos sherpas, diferença entre transportadores de alta montanha e baixa montanha, diferenças entre transportadores paquistaneses ou nepaleses, e por fim as histórias pessoais dos que estiveram envolvidos nos incidentes da época de 2008, bem como as consequências para as suas famílias. Foi um livro muito interessante e muito completo, percebe-se que há uma pesquisa extensa por trás daquelas páginas.

Depois temos o mesmo de sempre, pessoas que tentam sempre ir mais além, desafiar os limites da capacidade humana, e numa montanha que é mais perigosa que o Everest, uns conseguem e outros não, de maneira aleatória. Algumas decisões que parecem acertadas acabam por custar a vida a alguém, e coisas que pareciam más acabam por salvar a vida a outros.

O livro que tinha lido antes deste, relatava a história dum homem que acabou por morrer sem ninguém lhe prestar auxílio, enquanto dezenas de montanhistas passaram por ele, muitos sem perceberem que ele estava em dificuldades. No espectro oposto temos muitos casos aqui de pessoas que decidiram socorrer montanhistas em dificuldades e acabaram por apenas engrossar o número de fatalidades, provando que não há respostas certas nestas coisas extremas. 

Aconselho muito a todos os que gostam de ler sobre aventuras, história, diferentes paisagens e culturas e desportos arriscados em geral. 

Boas Leituras!

Goodreads Review

Let me start off by saying that if you are still on that side reading these posts, you are a hero. Especially because I’ve been very monothematic lately. It’s either silly romance or climbing books, in a kind of macabre dance. But that’s what being a mood reader means, that I only read what I’m in the mood for, and my mood has been very weird. But stay tuned, because this will not last forever. 

All this to say that I have finished another climbing book. And this time it was not a book about climbing the world highest mountain, Everest, but a book about climbing the world’s second highest mountain, K2. However, this book was very different than all the previous ones I read, in the sense that is more focused on the sherpa’s, their history, their cultural differences and the impact this kind of tourism has in their families and their communities. Here we understand the difference between sherpas and Sherpa, sherpas and HAP (high altitude porters), between Pakistanis and Nepalese porters, and many other things. We end up experiencing the climbing season from their perspective, and realising the impact it has on their lives, their families and their communities. It was a very interesting and thorough book, and we can sense there was a lot of research in its making. 

The rest of the book is the same as the others, many people trying to push the boundaries of human endurance, testing themselves is some of the harshest conditions on earth. Some decisions that seemed wise at the time ended up costing lives, and some misfortunes were actually life saving events. 

The other mountaineering book I had read recently told us the story of David Sharp, that ended up dying due to lack of assistance while dozens of climbers passed him by. In this book we see the stark contrast of climbers that do the honourable thing and try to save others, only to end up adding to the death toll, proving there are no right or wrong decisions in these extreme conditions. 

I recommend it to all adventure seekers, travelling addicts, people who love to read about different cultures, extreme sports and risky things in general. 

Happy Reading!

 

Acabei de Ler – 99 Per Cent Mine

99 per cent mine

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Depois de ter lido e ter gostado do Hating Game desta autora, resolvi pegar em mais um dela. Aparentemente o seguinte era este 99 Percent Mine, ainda não traduzido para português. E sinceramente, nem sei o que dizer disto, a não ser… não percam tempo. Não podia ser mais diferente do anterior. Personagens com idade mental pouco superior a cinco anos de idade, e muitos rugidos. Deve ser uma coisa que apela a algumas pessoas, que não é a primeira vez que vejo romances em que o tipo ruge, rosna, ou qualquer que seja a melhor tradução para growling para demonstrar interesse, mas confesso que eu acho isso apenas… estúpido? Não sei, claramente falta-me qualquer coisa para saber apreciar os bons rugidos/latidos/rosnados da vida.

E se fossem só as demonstrações animalescas, ainda estava tudo (mais ou menos) bem. Mas há muita coisa que na história não faz sentido nenhum, e isto já com o desconto que se dá a este tipo de livros incluído. Por exemplo, o livro começa no bar de motards em que a nossa protagonista trabalha, ao qual é dado um grande destaque porque é uma parte importante da sua vida. Só que no resto do livro nunca mais se fala disso, e quase parece que ela é desempregada.

Enfim, creio que este foi o pior de todos os livros de romance que eu li nesta maratona do mês de Outubro, e olhem que a competição era feroz. Será suficiente para eu ganhar juízo? Veremos nos próximos episódios.

Até lá, Boas Leituras!

Goodreads Review

After really liking The Hating Game from this author I decided to read another one of her books, and this was the next one. And I am a bit out of words for this one, and the only thing I can say is don’t bother. Don’t waste your precious time with this. It is radically different from The Hating Game, and not in a good way. The characters seem like they are toddlers, and they growl a lot. It must be something that appeals to the masses, as it appears time and again in romance books, however the appeal is lost on me. Just sounds stupid. Clearly I’m missing something to be able to appreciate the all the growling and groaning that seems to go on in this book. Is it meant to turn people on? If I heard my husband’s chest rumbling (like I’ve read in some books), I would probably take him to a doctor to check for asthma. 

But if it was just these animalistic demonstrations it would not have been that bad. But most of the story did not make any sense, even if we already consider the type of book it was. It was just silly. As an example, the book starts with the main character at the biker bar she works, clearly to show what a badass she is (she’s just childish and inconsiderate), and it seems that it is a big part of her life. Turns out we never hear about the bar again, as if she sudenly became unemployed. I mean, she invites some people to the bar later in the book, but that’s it. 

I believe this was the worse romance novel I read in my October’s marathon, and the competetion was fierce. I wonder if I’ve learned my lesson and moved on to better things? We’ll soon find out.

Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – Shipped

shipped

Keep scrolling if you prefer to read in English.

Mais uma vez voltei aos romances leves e que lembram o Verão, depois de ter lido uma coisinha mais animada. Este Shipped parecia uma boa aposta, todo passado num cruzeiro às Galápagos, sítio que estará para sempre na minha lista de viagens de sonho.

A nossa protagonista trabalha numa empresa de cruzeiros e vai candidatar-se a directora de Marketing. O nosso protagonista vai ser o seu adversário na corrida. É sugerido aos dois (ambos com nomes estranhíssimos) passar uma semana num dos cruzeiros da empresa, para sentirem a experiência e elaborarem um plano para a entrevista.

E é isso. De resto nada de novo, apenas o que acontece sempre nestes livros. Eles odeiam-se só que afinal não. O final é muito fraquinho, pelo menos a mim não me convenceu. Acabei a dar três estrelas, porque as Galápagos estão muito bem representadas, claramente a autora conhece-as e tem carinho pela sua conservação, e isso passou muito bem na história. No final a autora partilha com os leitores alguns modos como podem ajudar nos esforços de conservação que estão a ser desenvolvidos nas ilhas, e modos de sermos turistas mais conscientes, e isso sim derreteu o meu coração.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Once again I’m back at romances, the light summery ones, after reading something faster. This one seemed a good alternative, staged in a cruise through the Galapagos, that have been on my travelling wish list for many years now. 

Our main character works in a company that operates cruises in several parts of the world and is now applying to a new position as Marketing Manager. Her nemesis, a coworker she does not like will also apply to the same job. Their boss suggests they go on a cruise to the Galapagos to sort out a maketing plan that they can present as part of the recruiting process. 

And then magic happens. The kind of magic that usually happens in these books. They hate each other until they don’t. The ending was a bit far fetched and I did not particularly liked it. I ended up rating this book with 3 stars, mainly because the Galapagos are so well described, it is clear the author knows and loves them, and they made a beautiful background to the story. Also, as a post note, the client shares with us ideas on how to contribute to the conservation projects they have there, and some ideas on how to be more conscious tourists, and that was what melted my heart. 

Happy Reading!