Oportunidades

Oportunidades

O Peixinho já estava com dificuldades em navegar no seu aquário, o que em linguagem literária significa que já não temos espaço nas prateleiras. Na realidade, já temos filas duplas, livros por cima, no topo da estante e espalhados pela casa (e na casa dos pais). Ora, está na altura de pôr ordem nisto e ficar apenas com os livros que queremos mesmo, ou que eventualmente um dia gostariamos de reler.

Ao mesmo tempo que já libertámos alguns dos nossos livros em mini-bibliotecas por aí, outros estamos a vender. Podem vê-los aqui, e por enquanto é uma lista pequena (sim, tenho alguns problemas em separar-me de livros), mas de certeza que vai continuar a crescer. Mas vamos por partes:

Eu Assassino. de António Altarriba: uma BD maravilhosa, com uma qualidade visual muito bem conseguida. Temos dois exemplares, por isso estamos a vender um deles, novo.

2666, Roberto Bolano: um livro delicioso, mas que felizmente já temos em Kindle, por isso podemos libertar para outras casas. Em inglês.

V, Thomas Pynchon: a mesma coisa que o anterior. Já o temos na versão kindle, por isso podemos passá-lo a alguém. Também em inglês.

All the Countries We’ve Ever Invaded, Stuart Laycock

Raspberry Pi, a Practical Guide: acho que não preciso dizer que este era do outro peixe cá de casa.

Colecção Adam, BD: Comprei alguns volumes destes comics até perceber que realmente não posso comprar todas as BDs que gosto sob pena de não conseguir entrar em casa um dia. Espero que possa fazer alguém sorrir.

Os Vampiros de Filipe Melo

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Depois de ter lido toda a série do Dog Mendonça e Pizza Boy estava ansiosa por ler o novo e radicalmente diferente livro da dupla Filipe Melo/Juan Cavia. O Peixinho Vermelho ofereceu-mo como prenda de Natal e leu-o vorazmente nessa mesma noite, mas eu tinha estado a guardá-lo para um dia em que estivesse mesmo com disposição para uma boa novela gráfica.

O livro impressiona. Desde a qualidade do papel, às cores, à qualidade do desenho, passando pelo argumento, que rivaliza com qualquer BD internacional, mas é cravado na nossa história não tão distante e tantas vezes escondida debaixo do tapete.

Diz a sinopse que a trama se passa na Guiné em 1972, onde seguimos um grupo de soldados portugueses destacados para uma missão no Senegal. À medida que se vão embrenhando na selva estes homens terão de lidar com sucessivos demónios – os da guerra e os que trouxeram consigo.

As cores imprimem o quente da Guiné, o sufoco da guerra colonial e o ritmo do argumento é o exacto para nos embrenhar na história e ficarmos ansiosos e expectantes com cada frame. O final, quanto a mim, é um pouquinho mal resolvido, mas não deixa de ser forte mesmo assim.

Gostei muito do livro e do tema que explora, já que, ao contrário dos americanos por exemplo, nós parecemos muito pouco em paz com os tempos da guerra colonial e temos muita dificuldade em falar sobre esse assunto enquanto nação.

Por outro lado, li este livro enquanto faço uma pausa no Miss Burma, uma visão da independência da Birmânia pelos olhos duma das suas minorias étnicas, e o que é incrível é perceber que na realidade a guerra é semelhante em todo o lado, afecta homens e mulheres sempre do mesmo modo e desumaniza-nos sempre da mesma maneira independentemente da nacionalidade ou da parte do mundo em que vivemos.

A capacidade humana para causar sofrimento nunca deixa de me impressionar, a guerra é apenas a sua face mais visível. Na realidade em qualquer caixa de comentários duma rede social temos um pequeno vislumbre destes ímpetos.

Recomendo a todos os amantes de BD, da nossa história e de uma história bem contada.

Goodreads Review

Para Ler – BD

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Como Peixinho organizado que sou, começo o ano já com muitos livros de cada categoria para ler. Ou então podemos dizer que deixei acumular livros que não consegui ler o ano passado. É como preferirem.

Em BD, um dos géneros que me agrada muito mas que não leio tanto como gostaria, tenho na calha os 3 livros que se vêem na foto desfocada acima.

Eu, Assassino foi prémio num passatempo da Timeout já há algum tempo, mas ainda não lhe consegui pegar. É um livro muito premiado e uma edição esteticamente muito apelativa, cujo argumento também ganhou vários prémios, por isso estou expectante. O Peixinho Vermelho já o leu e recomenda.

Ardalén, dum dos meus autores de BD favoritos, o galego Miguelanxo Prado. E na sua língua original, será um desafio e um encanto lê-lo. Foi um presente de Secret Santa, por isso ainda está a marinar, que esta época foi pouco dada a leituras.

Os Vampiros, do Filipe Melo. Depois de ter lido toda a brilhante saga do Dog Mendonça e Pizzaboy sei que este livro não pode desiludir, apesar de ser radicalmente diferente. Prenda de Natal do Peixinho Vermelho, que o leu dum trago assim que mo ofereceu.

E claro, retomar a saga do Sandman do Neil Gaiman, assim chegue cá a casa o volume 7 pela mão da minha fornecedora habitual.

Nada mau para começo de ano. Boas Leituras!

Sonhos no Publico

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Já referi várias vezes este ano que estou a reler a colecção do Sandman do Neil Gaiman, graças a uma amiga que a está a reconstruir na versão original. Tem sido um processo saboreado e que me tem transportado a um passado não muito longinquo onde a vida era possibilidades e promessas.

A partir de hoje e durante 11 semanas o Publico oferece-nos a possibilidade de ter esta colecção nas nossas casas, versão portuguesa. Tivesse eu mais espaço em casa para uma biblioteca como deve ser e não hesitava.

Boas leituras.

 

O último Pizzaboy

Dog Mendonça

Na realidade o último Pizzaboy é quase exclusivamente sobre o nosso amigo lobisomem Dog Mendonça. Posso agradecer aos passatempos da TimeOut o facto de poder ter lido este livro, porque apesar de ter comprado todos os outros volumes da colecção ainda não me tinha decidido a comprar este. Mas assim que a oportunidade apareceu agarrei-a e fui uma das contempladas. Já tinha falado desta série aqui.

Este livro tem 4 episódios e não uma única narrativa central como os outros, uma vez que tinha sido uma encomenda da editora americana Dark Horse para uma colectânea de vários autores. Talvez por isso se note que não há a mesma força das histórias mirabolantes dos outros volumes. No entanto, a qualidade gráfica continua a ser deslumbrante (e a justificar em pleno o convite da Dark Horse), e a cumplicidade entre os personagens é deliciosa. O sentido de humor que salta de cada página é também o que já nos foi acostumando desde sempre.

Aconselho também lerem esta review de quem segue BD mais que eu, a Cristina do blog Rascunhos.

Aconselho a quem gosta de BD, de bons livros, e de fantasia.

Goodreads Review

A sensualidade de Milo Manara

manara

Já deu para perceber que tenho uma relação de longa data com livros de BD. Começou há muitos anos atrás com os típicos livros do Tio Patinhas, mas com o tempo foi evoluindo para muitas outras coisas que foram cruzando o meu caminho.

No início dos meus 20’s cruzei-me com este senhor e fiquei rendida. Mais uma vez mistura dois mundos que eu gosto, a BD e o erotismo. Claro que é um erotismo idealizado, e duma perspectiva muito masculina, mas é também extremamente belo e na maioria das vezes muito cómico. A BD europeia tem sempre um carácter muito distinto da americana, uma elegância própria, e esta não é excepção. As mulheres de Manara são lindissimas e sensuais.

E como há coisas boas que andam aos pares, Milo Manara foi o ilustrador dum capítulo dum livro do Sandman do Neil Gaiman. Em Endless Nights fala-se de cada um dos Endless, e este autor foi o responsável por ilustrar o capítulo que descreve o Desejo. Óbvio, não?

Recomendo para todos aqueles que gostam de traços bonitos e histórias engraçadas, e claro, que não se deixam chocar facilmente.

Desire_Sandman

A BD Ambiental

Sherman

Quando duas coisas que nos interessam estão reunidas no mesmo formato. Sherman é um adorável tubarão branco que vive numa lagoa tropical em Kapupu na Micronésia, rodeado pela sua mulher, e restantes amigos que basicamente são aqueles que conseguem sobreviver ao seu apetite voraz. Como refeição gourmet vai petiscando uns quantos macacos sem pelos, ou seja, nós. E esta é a premissa base duma BD ambientalista que serve como chamada de atenção para o estado dos nossos oceanos.

Sherman tem a facilidade de viajar por todo o mundo oceânico e faz mesmo algumas incursões em terra com a ajuda duma cabeça mágica da Ilha da Páscoa, que tem poderes para o transformar em humano. Assim podemos meditar sobre questões ambientais prementes de modo descontraído mas não menos interessante. O sentido de humor deste comic é muito apurado e existencialista, faz-nos sorrir muitas vezes.

Em Portugal apenas dois volumes foram editados e traduzidos (na foto), ambos pela Devir e estão sempre presentes na Feira do Livro.

Eu pessoalmente sigo diariamente as tiras no site para começar o dia com uma dose de boa disposição.

Sherman's Lagoon

Garfield

Garfield Comic Book

Eu não sou (muito) esquisita no que concerne a estilo de livros e gosto de quase todos os géneros, desde que tenham qualidade. Sou bastante fã de comics, e dentro destes nutro um carinho especial pelo Garfield que me acompanha há vários anos.

Acho que há muito de motivador em começar o dia com um sorriso, e deve ser por isso que quase todos os jornais incluem uma tira diária. Eu tento espalhar esse sorriso com o meu Garfield diário.

To Sleep, perchance to Dream

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Há mais anos do que aqueles que eu gosto de me lembrar, uma colega de faculdade introduzia-me no fabuloso mundo dos Joy Division e dos livros do Sandman. Foi uma emotion overload, e o meu coração povoado de hormonas, angústia existencial e excesso de horas de estudo conseguiu apenas devotar-se militantemente à música gótica, destino que carrego até hoje de forma mais ou menos evoluida.

O Sandman acabei por ler na Fnac, quase todos os volumes, mas de passagem e sempre com a promessa de voltar. Este ano é o ano do sonho novamente. Por intermédio de outra amiga tenho-me reencontrado com o regente dos sonhos, devagarinho, e temos redescoberto a nossa relação.

Já li os três primeiros volumes, e espero acabar 2016 com os 10 volumes terminados. A delicadeza dos desenhos acentua a crueza das histórias, já que o Neil Gaiman nunca tem pudor em espicaçar a nossa mente e testar os nossos limites.

Verdadeiramente, banda desenhada não é uma coisa de crianças. Pelo menos a que é feita a sério, com mensagem e a expandir os limites da criatividade e realidade.

Quem quiser saber um resumo pode encontrá-lo aqui

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Terceiro Apocalipse em Lisboa

Dog Mendonca

Esta saga de BD do Filipe Melo é uma pérola para todos os amantes do género. Não só é visualmente muito bonita, com um traço delicado e envolvente, como tem uma luz quente que nos lembra muito o ambiente duma certa Lisboa decadente mas sempre vibrante, a cidade do Bairro Alto, de Alfama, e até de Sintra. A ponte 25 de Abril também costuma fazer sempre uma cameo appearance, porque é tão cinematográfica.

Este é já o terceiro volume da série e eu creio que o tinha comprado há mais de um ano, mas uma certa nostalgia antecipada por ser o último duma série que não vai continuar tinham-me impedido de o ler até agora. Estava a custar-me despedir-me destes personagens, especialmente o Pazuul, um demónio milenar que habita o corpo duma menina de 12 anos. O livro não desiludiu, era mais intimista e põe realmente um ponto final na história. Para quem, como eu, está quase a fazer 41 anos, foi aconchegante ver o carinho com que se lida com envelhecer, o passar do tempo.

pazuul

Aconselhado a todos os que acham que banda desenhada é intemporal, os Lisbon Lovers e todos os que gostam duma boa história.

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