Bookshout

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Quem segue este espaço já percebeu que eu ando sempre à procura de maneiras de ter acesso a livros de modo barato (ou mesmo de borla), e sem que para isso tenha de sacrificar em qualidade dos títulos.

Quando procuro livros físicos já compro essencialmente em alfarrabistas ou lojas de segunda mão, que mato dois coelhos duma cajadada. É mais barato ao mesmo tempo que é mais ecológico. Para livros digitais já aqui falei do Projecto Adamastor, Project Gutenberg, Netgalley, Edelweiss, tudo plataformas onde podemos obter livros de forma gratuita e legal.

Agora descobri mais um, o Bookshout,  (na realidade quem descobriu foi a cara-metade), que é uma multi-plataforma onde se pode comprar livros digitais, lê-los online, mas que ao mesmo tempo disponibiliza muitos títulos gratuitamente para lermos. Para mim, a grande desvantagem é que temos de ler na plataforma, ou seja no computador ou na app deles, o que é bem menos confortável que no Kindle, mas por outro lado temos acesso a alguns títulos interessantes.

Para aqueles mais competitivos, a aplicação também permite manter um registo das horas que lemos, do número de páginas que lemos por dia, palavras por minuto, uma panóplia de estatísticas para nos manter felizes ou paranóicos.

Eu ainda estou a experimentar e comecei com O Estranho Caso de Benjamim Button, de F. Scott Fitzerald, mas como sou pessoa que não consegue ler muitos livros ao mesmo tempo ainda não fiz grandes progressos. De qualquer modo fica a recomendação, experimentem e digam se gostaram.

Boas Leituras!

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Livros que Recomendo – As Brumas de Avalon

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Começo por dizer que recomendo este livro (ou melhor dizendo, este conjunto de quatro livros na sua versão portuguesa) mas na realidade passaram-se muitos anos desde que os li. Talvez 20, talvez um pouco mais.

De qualquer modo, naquele final de adolescência foram livros importantes na minha formação pessoal, apesar da minha visão de hoje poder ser diferente se eu os relesse. As Brumas de Avalon contam uma história muito conhecida, até mesmo exaustivamente retratada em tantas outras obras, que é a lenda do Rei Artur e a busca do Santo Graal. No entanto, a grande diferença nesta visão de Marion Zimmer Bradley foi o ponto de vista que ela decidiu mostrar. A história é toda narrada dum ponto de vista feminino, mas também como uma batalha de culturas. As tradições antigas, celtas ou ainda mais remotas, a tentarem desesperadamente resistir à aniquilação do invasor romano, com o seu Deus único, centrado no homem e no pai, por oposição à deusa mãe mais tolerante e libertadora. Morgaine aqui não é a bruxa má e assustadora das outras histórias, mas apenas uma mulher a fazer o melhor que sabe para tentar sobreviver num mundo em declínio, com muitos erros à mistura.

Foram livros importantes para mim porque me mostraram como as coisas podem ter pesos e significados diferentes consoante o ponto de vista em que nos encontramos, e ainda hoje me esforço sempre por tentar entender reacções e culturas à luz do seu enquadramento histórico, geográfico, temporal.

Por outro lado esta foi a minha porta de entrada nos livros de fantasia, que até então não me tinham seduzido grandemente. Depois destes, segui lendo mais livros da autora, se bem que os outros eram todos mais fraquinhos e repetitivos. Mas a partir daí não mais parei de ler livros deste género, com um imenso prazer.

Anos mais tarde ainda apanhei numa feira do livro duas pechinchas da altura em que Zimmer Bradley escrevia ainda ficção científica, e achei-os ainda mais bem conseguidos. Mais uma vez foi a minha estreia nesse género, e nunca mais parei. Mas desses falarei noutra altura.

Recomendo a todos os que gostam de fantasia, magia, histórias bem contadas e querem ver a lenda do Rei Artur doutro ângulo.

Novas oportunidades

Ainda agora fiz um post em que falava das novas aquisições que fiz, mas toda a acção tem uma reacção, e tenho igualmente que arranjar algum espacinho em casa, que como sabem começa a parecer um casulo.

Por isso espreitem novamente ali no canto direito os livros à procura de casa e vejam se algum vos interessa. Alguns falei aqui no Peixinho (Os Jardins da Luz, Os Anjos Não Comem Chocolate) e estão prontos a encontrar quem também os aprecie.

Boas Leituras!

Dado Não É Comprado

Presentes

Não sei se estão recordados, mas um dos desafios que coloquei a mim própria em 2018 foi o de não comprar livros, para ver se finalmente dava um destino aos livros por ler que ainda tenho aqui em casa e arranjar espaço na estante para os que se começam a amontoar em todos os recantos disponíveis (cadeiras, chão, em cima de caixas de arrumação onde estão livros técnicos… começa a ser dramático).

No entanto os meus amigos sabem que pouca coisa me faz mais feliz que um livro novo, e neste aniversário encheram-me de mimos e títulos novos. E eu não podia ter ficado mais agradecida, porque isso significa que tenho coisas novas na estante para ler, sem ter feito batota! Ora então vamos ver o que tenho para ler nas próximas semanas:

Everything is Iluminated – de Jonathan Safran Foer. Curiosamente ainda há poucos dias tinha andado a investigar este livro no Goodreads nem me lembro a propósito de quê, e tinha decidido que seria um dos próximos a adquirir, assim que pudesse adquirir coisas novas. Acontece que é um dos autores favoritos desta minha amiga que partilha comigo o amor por Neil Gaiman, e foi assim que me veio parar às mãos. Estou ansiosa para o ler.

O Caminho Imperfeito – de José Luís Peixoto. Dispensa apresentações, é um dos meus autores de conforto e esta aventura passada na Tailândia estava na nossa lista de livros a ler ainda ele o estava a escrever.

Luiz Pacheco Essencial – de António Cândido Franco. Este é o tiro no escuro, mas à falta de originais disponíveis de Luiz Pacheco será pelo menos interessante ler uma boa biografia desta figura tão complexa, e é isto que eu espero que este livro seja.

E pronto, depois virei prestar contas da leitura destes títulos, bem como do progresso do desafio. Para mim não comprar poesia está a revelar-se de longe a tarefa mais difícil, já que este ano parece que os livros de poesia estão a saltar de baixo das pedras e aparecem de todos os lados, só para me afrontar, e cada vez descubro mais autores que queria MESMO ter. Felizmente ainda não me cruzei com nenhum livro de Manuel de Freitas em pessoa, porque não sei se conseguirei resistir. Vamos ver como corre a Feira do Livro este ano… se calhar não corre…

Boas Leituras!

Update de Janeiro

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Agora que estamos bem dentro do novo mês, como é que correram as coisas neste Janeiro? Para começar fui ao cinema e ao teatro e só isso já é um bom indicador, mas os livros também não estiveram nada mal.

Consegui terminar 5 livros, dois dos quais estavam na minha lista de livros a ler no inicio de 2018, o que é uma vitória. Mas o mais importante é que, apesar de muitas tentações e solicitações, consegui passar o primeiro mês do ano sem comprar nenhum livro, tal como me propus. É incrível como pelo facto de ter escolhido não comprar livros este ano a vontade automaticamente multiplicou. Enfim, por enquanto tudo tranquilo, tenho-me mantido afastada de poesia e deixei de seguir alguns alfarrabistas no Instagram, veremos como corre o resto do ano.

Para além disso já ando com o meu Kindle novo para todo o lado e, após uma fase de habituação às características novas, tenho-me adaptado muito bem. Claro que como este vem com iluminação de ecrã incluída tenho andado a dormir menos horas, porque fico a ler até mais tarde, mas ler na cama é outro dos prazeres da vida.

Mais actualizações destes desafios virão ao longo do ano, até lá boas leituras!

Desafio Man Booker 50

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Este ano é atribuido o quinquagésimo prémio Man Booker de ficção e a organização resolveu celebrar em grande oferecendo a um felizardo a oportunidade de participar no seu evento de Julho. Para isso só temos de ler o maior número de vencedores que conseguirmos e documentarmos no Instagram com o hashtag #Manbooker50 no post oficial. Parece fácil, e sobretudo uma oportunidade de lermos bons títulos de qualidade certificada.

Já sabem que o Peixinho não é muito dado a estes desafios, é demasiado rebelde para se conformar a ler por uma lista, mas ainda assim é uma lista de referência que vou aqui partilhar para a ela voltar sempre que me faltar inspiração para um bom livro. Em português, sempre que exista.

Até à data já li os anos de 1981, 1992, 1999, 2002 e 2013 e vejo alguns que não me apanhavam a ler nem que mos oferecessem (como o vencedor do ano passado), mas há aqui muita margem de escolha e se tiver tempo no meio dos que tenho na calha, ainda pego no da Margaret Atwood.

Boas Leituras!

2017Lincoln no Bardo de George Saunders

2016O Vendido de Paul Beatty

2015Breve História de Sete Assassinatos de Marlon James

2014A Senda Estreita para o Norte Profundo de Richard Flanagan

2013Os Luminares de Eleanor Catton

2012O Livro Negro de Hillary Mantel

2011O Sentido do Fim de Julian Barnes

2010A Questão Finkler de Howard Jacobson

2009Wolf Hall de Hillary Mantel

2008O Tigre Branco de Aravind Adiga

2007Corpo Presente de Anne Enright

2006A Herança do Vazio de Kiran Desai

2005O Mar de John Banville

2004A Linha da Beleza de Alan Hollinghurst

2003Vernon Little: O Bode Expiatório de D. B. C. Pierre

2002A Vida de Pi de Yann Martel

2001A Verdadeira História do Bando de Ned Kelly de Peter Carey

2000O Assassino Cego de Margaret Atwood

1999Desgraça de J. M. Coetzee

1998Amesterdão de Ian McEwan

1997O Deus das Pequenas Coisas de Arundhati Roy

1996Últimas Vontades de Graham Swift

1995The Ghost Road de Pat Barker

1994How Late it Was, How Late de James Kelman

1993Paddy Clarke Ha Ha Ha de Roddy Doyle

1992O Paciente Inglês de Michael Ondaatje

1991The Famished Road de Ben Okri

1990Possessão de A. S. Byatt

1989Os Despojos do Dia de Kazuo Ishiguro

1988Oscar e Lucinda de Peter Carey

1987Anel de Areia de Penelope Lively

1986Os Velhos Diabos de Kingsley Amis

1985The Bone People de Keri Hulme

1984Hotel du Lac de Anita Brookner

1983A Vida e o Tempo de Michael K de J. M. Coetzee

1982A Lista de Schindler de Thomas Keneally

1981Os Filhos da Meia Noite de Salman Rushdie

1980Ritos de Passagem de William Golding

1979Correntezas de Penelope Fitzgerald

1978O Mar, o Mar de Iris Murdoch

1977Staying On de Paul Scott

1976Saville de David Storey

1975Heat and Dust de Ruth Prawer Jhabvala

1974O Conservador de Nadine Gordimer

1973O Cerco de Krishnapur de J. G. Farrel

1972G. de John Berger

1971Num País Livre de V. S. Naipaul

1970The Elected Member de Bernice Reubens

1969Something to Answer For de P.H.Newby

 

Desafio para 2018

Livros

Sei que 2018 ainda mal começou, e que na realidade ainda há poucos dias eu estive aqui a debitar os meus objectivos para o ano, bem como a série de livros que tinha na calha para começar a ler.

Mas, como já devem ter percebido, isto da leitura tem muito a ver com a disposição e com aquilo que nos apetece fazer, e eu percebi que quero ganhar algum espaço na minha casa, fazer algum decluttering, libertar-me de livros que nunca mais vou ler para poder guardar apenas aqueles que fazem sentido para mim. Por isso comecei já a ler alguns dos que estavam eternamente pendentes na estante, como aquele que encerrou 2017, e vou seguir por aí fora enquanto me apetecer.

Mas o grande objectivo deste ano que se avizinha vai ser não comprar livros. Nem um.  Ler apenas os que ainda me faltam ler, os que ainda tenho para o Kindle, os que me chegam através do Netgalley e se tudo isso falhar, as mini bibliotecas que me rodeiam. Reciclar e reaproveitar também na literatura, se assim quiserem.

O grande perigo que poderá fazer soçobrar esta decisão será se me deparar com alguma pechincha poética, que não sei se conseguirei resistir!

Vamos ver como corre, irei dando notícias do progresso da empreitada por aqui.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Breve História de Quase Tudo

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Nada como começar o novo ano a retomar as tradições, e a usar as sextas-feiras para recomendar livros que gosto dos meus autores favoritos. E como estamos no inicio do ano, aqui vai uma grande empreitada.

Bill Bryson, como já falei aqui recorrentemente, começou por ser essencialmente um escritor de viagens, e é um dos meus autores fetiche. Volta e meia lá volto a ele, na certeza que passarei certamente um bom bocado, e nunca fico desiludida. Possuidor dum sentido de humor muito apurado, de um refinado sarcasmo, e de um olho clínico para observar o mundo que o rodeia, é exímio a transmitir tudo isso de volta aos seus leitores.

E aqui há uns anos dedicou-se a escrever sucintamente a história de quase tudo. Isso mesmo, quase tudo o que possamos imaginar, desde o início do mundo até aos nossos dias. Tudo aquilo que torna a Humanidade naquilo que a conhecemos, as descobertas, os avanços científicos, por vezes os recuos, mas sobretudo os homens e mulheres que estiveram por trás dessas descobertas e as suas idiossincrasias, tudo contado com muito conhecimento, mas temperado com o bom humor que lhe é característico. Ainda hoje recordo com um sorriso as histórias de Isaac Newton, ou como o senhor era aparentemente completamente louco, como afinal muitos génios são. Uma das coisas que ele fez foi espetar uma agulha por trás dum olho para ver o que aconteceria. Pelos vistos nada, porque o senhor também tinha muita sorte.

É uma obra grande, mas que se lê num sopro, quase sem dar por isso, sempre com um sorriso no rosto, e que quase todos os Natais vai parar ao sapatinho de algum dos meus amigos ou familiares.

Recomendo a todos aqueles que têm curiosidade pelo mundo e pela vida, pelo modo como as coisas funcionam e pelas pessoas que estão por trás dos avanços do mundo. Mas sobretudo a todos aqueles que primam pelo bom humor.

Boas leituras.

 

Livros que Recomendo – Jonathan Strange & Mr. Norrel

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Quem segue o Peixinho sabe do meu amor por fantasia, ficção cientifica, ficção especulativa e tudo o que nos leve para fora da nossa realidade por vezes limitada e aborrecida. Por isso teria de inevitavelmente vir recomendar um livro que obedecesse a essa temática, mais cedo ou mais tarde, e resolvi acabar as recomendações de 2017 com um toque de magia.

Este não foi um livro da minha infância ou adolescência, como alguns dos que já recomendei aqui, na realidade já o li no Kindle. Foi publicado em 2006 e durante muitos anos vi a sua capa nas prateleiras das livrarias e olhei para ele com algum desdém. Acho que a capa das edições portuguesas me remetia para o que eu designo na minha cabeça como “literatura de gaja” e eu sou um bocadinho (pouco…) preconceituosa em relação a esse “género literário”.

No entanto, depois de aderir ao Goodreads, ele foi-me sistematicamente sendo recomendado e eu finalmente dei-me ao trabalho de ler a sinopse e percebi que se calhar até ia gostar. Não estava enganada e passei a dar mais atenção às recomendações feitas pelo Goodreads.

Jonathan Strange e Mr. Norrel é uma história passada em Inglaterra na era vitoriana e que tem como pano de fundo a magia numa altura em que ela já está em declínio no mundo. Na realidade, longe dos esplendores de outrora, os mágicos limitam-se apenas a escrever longos tratados e a fazer maçadoras reuniões entre si onde discutem regras e limitações. Mr. Norrel vive bem nesse ambiente e é um seu grande defensor. Entretanto surge sangue novo, Jonathan Strange, um mágico com sangue na guelra, que quer deixar marca no mundo e voltar à antiga influência que os mágicos tinham nos destinos da nação. E de certo modo consegue fazê-lo, mesmo que por tempo limitado.

Durante 800 páginas Susanna Clarke leva-nos pela história do século XIX mas com uma pitada extra de excitação e de deslumbramento. Para mim, este livro teve o bónus extra de parte dele ser passado a acompanhar o exército de Wellington aquando das suas incursões pelas Linhas de Torres, em defesa dos portugueses contra as invasões napoleónicas, com um twist diferente.

É uma história muito elaborada, mas fácil de seguir. A autora recheou o livro de pormenores deliciosos, como notas de rodapé para dar credibilidade história a factos puramente inventados, e eu recomendo vivamente a todos os que gostam de se deixar encantar por um mundo maravilhoso de magia.

Projectos para 2018

New Year

Tal como no ano passado, depois de fazer o balanço está na altura de pensar em projectos. O que é que eu espero deste ano que se avizinha, para além do que é espectável, saúde, paz e amor? Vejamos, por pontos, que o Peixinho é amigo de listas.

– Regressar às viagens. Um ano de descanso foi o suficiente para pôr o Peixinho de novo com vontade de aventura e à procura do novo destino. Vontade há muita e há um destino em particular que me anda a falar ao ouvido, mas tenho de ver para onde o vento sopra em 2018, porque algumas surpresas podem estar detrás da porta. A ver.

– Não vale a pena fazer por menos, e lá vão os 50 livros do costume como objectivo do Goodreads. Se for mais é lucro, se for menos ninguém morre por isso.

– Continuar a minha utilização frequente do Netgalley e manter a percentagem  de feedback a 80%. Neste momento está a 85%.

– Poesia, poesia e mais poesia, no blog como na vida!

– O Peixinho está cheio de histórias cá dentro que querem ver a luz do dia. Será este ano?

E pronto, estes são os meus objectivos literários e bloguisticos para 2018 que se vão juntar aos pessoais no brinde das 12 badaladas.

FELIZ 2018!!