Update de Janeiro

alfarrabista

Agora que estamos bem dentro do novo mês, como é que correram as coisas neste Janeiro? Para começar fui ao cinema e ao teatro e só isso já é um bom indicador, mas os livros também não estiveram nada mal.

Consegui terminar 5 livros, dois dos quais estavam na minha lista de livros a ler no inicio de 2018, o que é uma vitória. Mas o mais importante é que, apesar de muitas tentações e solicitações, consegui passar o primeiro mês do ano sem comprar nenhum livro, tal como me propus. É incrível como pelo facto de ter escolhido não comprar livros este ano a vontade automaticamente multiplicou. Enfim, por enquanto tudo tranquilo, tenho-me mantido afastada de poesia e deixei de seguir alguns alfarrabistas no Instagram, veremos como corre o resto do ano.

Para além disso já ando com o meu Kindle novo para todo o lado e, após uma fase de habituação às características novas, tenho-me adaptado muito bem. Claro que como este vem com iluminação de ecrã incluída tenho andado a dormir menos horas, porque fico a ler até mais tarde, mas ler na cama é outro dos prazeres da vida.

Mais actualizações destes desafios virão ao longo do ano, até lá boas leituras!

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Desafio Man Booker 50

Man booker

Este ano é atribuido o quinquagésimo prémio Man Booker de ficção e a organização resolveu celebrar em grande oferecendo a um felizardo a oportunidade de participar no seu evento de Julho. Para isso só temos de ler o maior número de vencedores que conseguirmos e documentarmos no Instagram com o hashtag #Manbooker50 no post oficial. Parece fácil, e sobretudo uma oportunidade de lermos bons títulos de qualidade certificada.

Já sabem que o Peixinho não é muito dado a estes desafios, é demasiado rebelde para se conformar a ler por uma lista, mas ainda assim é uma lista de referência que vou aqui partilhar para a ela voltar sempre que me faltar inspiração para um bom livro. Em português, sempre que exista.

Até à data já li os anos de 1981, 1992, 1999, 2002 e 2013 e vejo alguns que não me apanhavam a ler nem que mos oferecessem (como o vencedor do ano passado), mas há aqui muita margem de escolha e se tiver tempo no meio dos que tenho na calha, ainda pego no da Margaret Atwood.

Boas Leituras!

2017Lincoln no Bardo de George Saunders

2016O Vendido de Paul Beatty

2015Breve História de Sete Assassinatos de Marlon James

2014A Senda Estreita para o Norte Profundo de Richard Flanagan

2013Os Luminares de Eleanor Catton

2012O Livro Negro de Hillary Mantel

2011O Sentido do Fim de Julian Barnes

2010A Questão Finkler de Howard Jacobson

2009Wolf Hall de Hillary Mantel

2008O Tigre Branco de Aravind Adiga

2007Corpo Presente de Anne Enright

2006A Herança do Vazio de Kiran Desai

2005O Mar de John Banville

2004A Linha da Beleza de Alan Hollinghurst

2003Vernon Little: O Bode Expiatório de D. B. C. Pierre

2002A Vida de Pi de Yann Martel

2001A Verdadeira História do Bando de Ned Kelly de Peter Carey

2000O Assassino Cego de Margaret Atwood

1999Desgraça de J. M. Coetzee

1998Amesterdão de Ian McEwan

1997O Deus das Pequenas Coisas de Arundhati Roy

1996Últimas Vontades de Graham Swift

1995The Ghost Road de Pat Barker

1994How Late it Was, How Late de James Kelman

1993Paddy Clarke Ha Ha Ha de Roddy Doyle

1992O Paciente Inglês de Michael Ondaatje

1991The Famished Road de Ben Okri

1990Possessão de A. S. Byatt

1989Os Despojos do Dia de Kazuo Ishiguro

1988Oscar e Lucinda de Peter Carey

1987Anel de Areia de Penelope Lively

1986Os Velhos Diabos de Kingsley Amis

1985The Bone People de Keri Hulme

1984Hotel du Lac de Anita Brookner

1983A Vida e o Tempo de Michael K de J. M. Coetzee

1982A Lista de Schindler de Thomas Keneally

1981Os Filhos da Meia Noite de Salman Rushdie

1980Ritos de Passagem de William Golding

1979Correntezas de Penelope Fitzgerald

1978O Mar, o Mar de Iris Murdoch

1977Staying On de Paul Scott

1976Saville de David Storey

1975Heat and Dust de Ruth Prawer Jhabvala

1974O Conservador de Nadine Gordimer

1973O Cerco de Krishnapur de J. G. Farrel

1972G. de John Berger

1971Num País Livre de V. S. Naipaul

1970The Elected Member de Bernice Reubens

1969Something to Answer For de P.H.Newby

 

Desafio para 2018

Livros

Sei que 2018 ainda mal começou, e que na realidade ainda há poucos dias eu estive aqui a debitar os meus objectivos para o ano, bem como a série de livros que tinha na calha para começar a ler.

Mas, como já devem ter percebido, isto da leitura tem muito a ver com a disposição e com aquilo que nos apetece fazer, e eu percebi que quero ganhar algum espaço na minha casa, fazer algum decluttering, libertar-me de livros que nunca mais vou ler para poder guardar apenas aqueles que fazem sentido para mim. Por isso comecei já a ler alguns dos que estavam eternamente pendentes na estante, como aquele que encerrou 2017, e vou seguir por aí fora enquanto me apetecer.

Mas o grande objectivo deste ano que se avizinha vai ser não comprar livros. Nem um.  Ler apenas os que ainda me faltam ler, os que ainda tenho para o Kindle, os que me chegam através do Netgalley e se tudo isso falhar, as mini bibliotecas que me rodeiam. Reciclar e reaproveitar também na literatura, se assim quiserem.

O grande perigo que poderá fazer soçobrar esta decisão será se me deparar com alguma pechincha poética, que não sei se conseguirei resistir!

Vamos ver como corre, irei dando notícias do progresso da empreitada por aqui.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Breve História de Quase Tudo

bill bryson

Nada como começar o novo ano a retomar as tradições, e a usar as sextas-feiras para recomendar livros que gosto dos meus autores favoritos. E como estamos no inicio do ano, aqui vai uma grande empreitada.

Bill Bryson, como já falei aqui recorrentemente, começou por ser essencialmente um escritor de viagens, e é um dos meus autores fetiche. Volta e meia lá volto a ele, na certeza que passarei certamente um bom bocado, e nunca fico desiludida. Possuidor dum sentido de humor muito apurado, de um refinado sarcasmo, e de um olho clínico para observar o mundo que o rodeia, é exímio a transmitir tudo isso de volta aos seus leitores.

E aqui há uns anos dedicou-se a escrever sucintamente a história de quase tudo. Isso mesmo, quase tudo o que possamos imaginar, desde o início do mundo até aos nossos dias. Tudo aquilo que torna a Humanidade naquilo que a conhecemos, as descobertas, os avanços científicos, por vezes os recuos, mas sobretudo os homens e mulheres que estiveram por trás dessas descobertas e as suas idiossincrasias, tudo contado com muito conhecimento, mas temperado com o bom humor que lhe é característico. Ainda hoje recordo com um sorriso as histórias de Isaac Newton, ou como o senhor era aparentemente completamente louco, como afinal muitos génios são. Uma das coisas que ele fez foi espetar uma agulha por trás dum olho para ver o que aconteceria. Pelos vistos nada, porque o senhor também tinha muita sorte.

É uma obra grande, mas que se lê num sopro, quase sem dar por isso, sempre com um sorriso no rosto, e que quase todos os Natais vai parar ao sapatinho de algum dos meus amigos ou familiares.

Recomendo a todos aqueles que têm curiosidade pelo mundo e pela vida, pelo modo como as coisas funcionam e pelas pessoas que estão por trás dos avanços do mundo. Mas sobretudo a todos aqueles que primam pelo bom humor.

Boas leituras.

 

Livros que Recomendo – Jonathan Strange & Mr. Norrel

norrel

Quem segue o Peixinho sabe do meu amor por fantasia, ficção cientifica, ficção especulativa e tudo o que nos leve para fora da nossa realidade por vezes limitada e aborrecida. Por isso teria de inevitavelmente vir recomendar um livro que obedecesse a essa temática, mais cedo ou mais tarde, e resolvi acabar as recomendações de 2017 com um toque de magia.

Este não foi um livro da minha infância ou adolescência, como alguns dos que já recomendei aqui, na realidade já o li no Kindle. Foi publicado em 2006 e durante muitos anos vi a sua capa nas prateleiras das livrarias e olhei para ele com algum desdém. Acho que a capa das edições portuguesas me remetia para o que eu designo na minha cabeça como “literatura de gaja” e eu sou um bocadinho (pouco…) preconceituosa em relação a esse “género literário”.

No entanto, depois de aderir ao Goodreads, ele foi-me sistematicamente sendo recomendado e eu finalmente dei-me ao trabalho de ler a sinopse e percebi que se calhar até ia gostar. Não estava enganada e passei a dar mais atenção às recomendações feitas pelo Goodreads.

Jonathan Strange e Mr. Norrel é uma história passada em Inglaterra na era vitoriana e que tem como pano de fundo a magia numa altura em que ela já está em declínio no mundo. Na realidade, longe dos esplendores de outrora, os mágicos limitam-se apenas a escrever longos tratados e a fazer maçadoras reuniões entre si onde discutem regras e limitações. Mr. Norrel vive bem nesse ambiente e é um seu grande defensor. Entretanto surge sangue novo, Jonathan Strange, um mágico com sangue na guelra, que quer deixar marca no mundo e voltar à antiga influência que os mágicos tinham nos destinos da nação. E de certo modo consegue fazê-lo, mesmo que por tempo limitado.

Durante 800 páginas Susanna Clarke leva-nos pela história do século XIX mas com uma pitada extra de excitação e de deslumbramento. Para mim, este livro teve o bónus extra de parte dele ser passado a acompanhar o exército de Wellington aquando das suas incursões pelas Linhas de Torres, em defesa dos portugueses contra as invasões napoleónicas, com um twist diferente.

É uma história muito elaborada, mas fácil de seguir. A autora recheou o livro de pormenores deliciosos, como notas de rodapé para dar credibilidade história a factos puramente inventados, e eu recomendo vivamente a todos os que gostam de se deixar encantar por um mundo maravilhoso de magia.

Projectos para 2018

New Year

Tal como no ano passado, depois de fazer o balanço está na altura de pensar em projectos. O que é que eu espero deste ano que se avizinha, para além do que é espectável, saúde, paz e amor? Vejamos, por pontos, que o Peixinho é amigo de listas.

– Regressar às viagens. Um ano de descanso foi o suficiente para pôr o Peixinho de novo com vontade de aventura e à procura do novo destino. Vontade há muita e há um destino em particular que me anda a falar ao ouvido, mas tenho de ver para onde o vento sopra em 2018, porque algumas surpresas podem estar detrás da porta. A ver.

– Não vale a pena fazer por menos, e lá vão os 50 livros do costume como objectivo do Goodreads. Se for mais é lucro, se for menos ninguém morre por isso.

– Continuar a minha utilização frequente do Netgalley e manter a percentagem  de feedback a 80%. Neste momento está a 85%.

– Poesia, poesia e mais poesia, no blog como na vida!

– O Peixinho está cheio de histórias cá dentro que querem ver a luz do dia. Será este ano?

E pronto, estes são os meus objectivos literários e bloguisticos para 2018 que se vão juntar aos pessoais no brinde das 12 badaladas.

FELIZ 2018!!

Livros que Recomendo – Os Sotãos Furados

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Hoje venho aqui recomendar um livro que me acompanhou na fase final da minha infância e me fez sonhar. Durante algum tempo tive este livro lá perdido em casa, mas por algum motivo não me puxou a lê-lo. A capa não me dizia nada, e o título também não. Mas um dia lá se devem ter esgotado as novidades e resolvi dar-lhe uma oportunidade, e foi como se um mundo de fantasia se abrisse.

A história é muito simples, mas para a mente duma criança cheia de transgressão e aventura. Centra-se em duas crianças (não me lembro se eram irmãos) que brincam no sótão da sua casa quando um dia são surpreendidos por um barulho nas paredes, e entra-lhes pelo sotão dentro um menino do sotão da casa vizinha.

E isso dá inicio ao abrir dos sótãos, sempre na expectativa de não se saber o que se vai encontrar do outro lado, se mais meninos para brincar, se adultos para terminar a brincadeira, até unirem todos os sotãos da rua inteira e forjarem uma sociedade dominada pelas crianças com regras e reuniões onde o único adulto que entra era o proprietário do sótão cheio de aves.

O objectivo final seria unir toda a cidade através das crianças, e fazer tudo às escondidas dos pais, e lembro-me que sempre que lia esse livro ficava desapontada por não haver sótãos na minha rua.

Infelizmente creio que o livro já não está em circulação, fazia parte duma antiga colecção infanto-juvenil da Verbo, e mesmo em alfarrabista será difícil encontrar. Tenho esperança que o meu exemplar ainda esteja perdido em casa dos meus pais e que o possa passar a uma criança sonhadora que goste de ler. Darei notícia se assim for.

Mas recomendo muito, se conseguirem deitar as mãos a algum exemplar, porque é um pedacinho de sonho em forma de livro.

Livros que Recomendo – Histórias Naturais

Clara Pinto Correia

Hoje, num dia que muita gente está a aproveitar para descansar ou ultimar compras natalícias, eu, que estou alegremente a trabalhar, aproveito para vir mais uma vez recomendar um livro que li há muito tempo e me acompanha o pensamento desde então.

Este livro é um caso um pouco diferente dos anteriores, porque na realidade não morro de amores por esta autora. Já tentei ler outros textos dela mas não me convenceram. No entanto acho este livro uma pequena pérola do bom humor científico.

Tal como o nome indica, o livro agrega uma série de pequenas histórias de todo o “mundo natural”, contadas dum modo muito simples mas muito cativante, recheadas de bom humor, que ao mesmo tempo entretém e ensinam. O objectivo do livro não é tanto dar uma aula de ciências da natureza, mas mais despertar o nosso interesse por pequenas curiosidades do mundo que nos rodeia, para nos podermos aperceber que é mais complexo e interessante do que aquilo que à primeira vista poderíamos pensar.

É claro que o facto de ser bióloga pode ter ajudado para achar este livro engraçado, mas creio que agradará a todo o tipo de pessoas. Apesar de o ter lido há imensos anos, ainda hoje olho para os jacarandás em Lisboa dum modo diferente por saber de onde vieram e que entram em floração todos ao mesmo tempo. Há pequenos contos dentro deste livro que ficaram sempre na minha memória e que ainda hoje partilho em conversas.

Depois, tentei ler romances da mesma autora e já não consegui sentir a mesma empatia, e mesmo O Ovário de Eva achei uma chatice. Este livro foi um grande amor, mas um amor único. Mesmo assim recomendo muito a quem goste de histórias bem contadas sobre o mundo que nos rodeia, com muito bom humor.

A Gata

Colette

Por razões familiares tenho andado muito pelo Hospital de Santa Maria. Quase todos os dias, ao vir embora, passo pelo Estádio Universitário onde está uma daquelas “Feiras do Livro” que mais não são que uma tenda que alberga uns fundos de catálogo de gosto duvidoso, essencialmente sobre jardinagem e dicas alimentares que estariam em voga nos anos 80.

Mas de tanto lá passar acabei por sucumbir à tentação e ir espreitar. Era mais ou menos o que eu já esperava, uns livros manhosos de auto-ajuda a tentar ajudar a carteira do autor e a falhar redondamente, Feng-Shui e Yoga desactualizado e outras pérolas semelhantes.

Mas, muito bem escondidos lá no meio, pude encontrar verdadeiros tesouros. Por um lado bastantes edições da mesma editora do livro Páscoa Feliz de José Rodrigues Migueis, que faz edições facsimiladas e eu li algures no inicio deste ano. E se são atentos, sabem do fascínio que o Peixinho tem por clássicos da literatura erótica. Pois eis que mesmo à minha frente estava o livro que vêem acima, A Gata, de Colette, uma escritora francesa do início do século XX e que eu já andava de olho há bastante tempo. Com um preço muito simpático, era o último exemplar disponível.

Pronto, não fui capaz de resistir e lá veio comigo para casa. Felizmente na prateleira da poesia não houve nada que me conquistasse o coração, apesar de ter vacilado bastantes vezes.

Só prova que em qualquer lado com livros há a possibilidade de se encontrar bons tesouros. Está na lista de livros a ler em 2018.

Boas leituras.

Livros que Recomendo – Meu Pé de Laranja Lima

Laranja Lima

Este era um dos muitos livros que estava em casa dos meus padrinhos e que durante a minha infância eu lia uma vez por ano. O meu grau de compreensão da história ia mudando com o meu grau de maturidade, mas uma coisa se mantinha constante, chorava sempre horrores com o final.

O livro conta-nos a história do Zezé, um miúdo pobre levado da breca, que passa a vida a fazer disparates, e que apanha proporcionalmente. O seu melhor amigo é um pé de laranja lima que está no quintal, o Minguinho, com quem ele desabafa e partilha aventuras. De certo modo crescem juntos, sozinhos no meio daquela família numerosa.

Aos meus olhos de criança era difícil não ficar irritada pelas vezes que o Zezé apanhava injustamente, ou era maltratado pela família. Com o meu próprio crescimento, as diferentes camadas da história foram-se revelando aos poucos, e dá para perceber que esta é uma obra muito rica e extremamente bela, que nos fala do poder da amizade e como ela pode atravessar barreiras sociais e culturais.

Olhando para a página do Goodreads hoje, vemos que é uma obra absolutamente transversal, com críticas em diversas línguas de pessoas das mais diversas nacionalidades, e isso faz-nos perceber que a história é simples mas apela a todas as sensibilidades.

Aconselho a corações de todas as idades.