Os Cinco Melhores Livros de 2021

Ora já estamos a meio de Janeiro, mas ainda assim gostava de partilhar aqui os cinco melhores livros que li durante o ano passado. 2021 foi um ano surpreendente, principalmente no número de livros que consegui ler, uns prodigiosos 63. Mas, como é óbvio, nem todos ficaram com lugar marcado na minha memória. Mesmo assim, a grande maioria foi muito prazerosa e vou aproveitar para revisitar os que considero os 5 melhores, sem nenhuma ordem em particular.

Piranesi – Susanna Clarke

Foi dos primeiros livros que li em 2021, e mesmo assim ainda me lembro dele frequentemente. Comprei para oferecer no Natal, sugeri a quem me quis ouvir. Foi o vencedor do Women’s Prize for Fiction de 2021, não surpreendentemente.

É um livro estranho, passado numa casa que não tem fim, com vários andares, quartos, mares e marés, corredores cheios de estátuas e habitada por Piranesi, um homem que a conhece profundamente. É fantasia, mas daquela sem fadas nem elfos, é um thriller de mistério, é sobretudo um livro que nos faz pensar. Se ainda não leram, contemplem fazê-lo.

The Midnight Library – Matt Haig

Mais um livro que me fez pensar. Este dividiu opiniões, houve quem o achasse um “favorito para a vida”, outros acharam-no assim-assim. Eu gostei bastante, achei que tem uma abordagem interessante aos problemas de ansiedade, depressão, saúde mental, e acho que é interessante para ler e nos ajudar a refletir sobre a nossa vida e a dos outros.

The Collected Works – Scott McClanahan

Que pérola de livro. Cheguei a ele por uma recomendação feita no Goodreads a outra pessoa, mas aquela capa não me deixou indiferente. Maravilhoso, é como estar num café com um amigo meio estranho e ouvi-lo falar da vida, e sermos surpreendidos a cada instante. Apesar de ser feito de pequenas histórias, não fui capaz de o pousar até ter tudo lido.

Recomendo muito, vale mesmo muito a pena.

Romance de Cordélia – Rosa Lobato de Faria

Obviamente que tinha que incluir um autor português nesta lista, e o ano passado Rosa Lobato de Faria foi a que mais se distinguiu. Como é que demorei tanto tempo a perceber que os livros desta senhora eram pérolas refinadas que eu precisava mesmo ler. A subtileza, o humor, a clareza da escrita, é tudo maravilhoso.

Este livro em particular não tem uma história muito feliz, mas a maneira como está escrito é muito boa, e prende-nos do princípio ao fim. Aconselho muito a lerem livros desta autora!

Odeio-te e Amo-te – Sally Thorne

Considerando que dos 63 livros que li em 2021, 16 foram romances no sentido estrito, acho que é justo que ponha nesta lista o que eu gostei mais. Há alguns mesmo muito fraquinhos, nem sei o que me passou pela cabeça, mas houve alguns muito engraçados e bem escritos. É o caso deste de Sally Thorne, que me agradou imenso. Foi o primeiro desta autora, e da minha experiência o único que vale a pena. Os dois seguintes eram muito fraquinhos.

Mas descobri com este livro que o enredo que mais me diverte é o de enemies to lovers, e que sabe sempre bem ter um pouco de humor à mistura. No geral foi um livro que dispôs bem, divertiu e que se leu num sopro.

Estes foram os meus livros favoritos de 2021 e que eu aconselho a quase toda a gente. Se lerem, partilhem comigo o que acharam.

Até lá, Boas Leituras!

Balanço de 2021

The Yellow Books by Vincent Van Gogh

 

Apesar das expectativas em contrário, 2021 voltou a ser um ano estranho, e apesar de terminar melhor que 2020, ainda está muito longe da normalidade que tanto ansiávamos. Juntando a isto um jaquinzinho nos terrible two’s, dá para perceber que o ano foi tudo menos fácil. Mas mesmo assim foi recheado de leituras, umas melhores que outras, como seria de esperar. Mas o balanço final é muito positivo. Ora vejamos: 

  • Foi o ano que mais li desde que faço o registo do que leio no Goodreads, 2012, com 63 livros, e já tenho mais alguns começados. Foi um ano muito produtivo e este número deve-se à muita chick lit que li nos últimos meses. Esses livros são como rebuçados, de consumo rápido, porque a atenção que temos que dispensar não é tanta. Mas são divertidos e foram perfeitos para este final de ano. 
  • Este foi também o ano em que terminei a minha maratona de ler todos os Poirots por ordem de publicação. Foi uma tarefa árdua, que começou em 2015, e que me acompanhou estes 6 anos, essencialmente em alturas em que mais nada parecia despertar o meu interesse. O plano seria começar os livros da Miss Marple de seguida, mas tenho sérias dúvidas que isso vá acontecer em breve. 
  • Em 2021 foi também publicado o último volume da série Sandman Slim, por isso foi outro adeus que se deu nas minhas leituras. Foi uma série muito divertida, muito diferente do que eu costumo ler, mas que me proporcionou momentos do mais puro entretenimento. 
  • Consegui ler mais um volume da série da Roda do Tempo, em preparação para a série que acabou de estrear na Amazon Prime. O júri ainda está a deliberar se continuarei esta série ou não, considerando que ainda me faltam 7 dos 14 volumes. 
  • Voltei a ler livros de viagens, e especificamente muitos sobre o Everest (ou montanhismo em geral). Numa altura em que, por muitas razões, viajar é cada vez mais difícil para mim, estes livros são óptimos para manter essa paixão viva, e dão-me muito prazer. 

Mais de 50% dos livros que li foram de autores que ainda não conhecia, e isso foi muito compensador também, gosto sempre de conhecer novos autores que me entusiasmem. Li muitos géneros diferentes, coisas que não costumo ler, foi uma verdadeira festa literária. 

Posso dizer que literariamente 2021 foi um ano bem cheio! Venham mais 63 para o ano!

Até lá, Boas Leituras!

 

Finalistas do Women’s Prize for Fiction

womens orize fiction 2021

Gosto de andar de olho nos prémios literários porque normalmente arranja-se por lá boas ideias de leitura. Este ano andei a seguir o Women’s Prize for Fiction, que anunciou a semana passada a sua lista de finalistas. Este prémio literário teve origem em 1996, e surgiu como resposta ao facto que todos os finalistas do Booker Prize de 1991 serem homens. Premeia obras literárias em inglês, escritas por mulheres e editadas no ano anterior.  

Este ano chamou-me particularmente a atenção por duas razões. A primeira é Piranesi, de Susanna Clarke ter chegado aos finalistas, esse que foi sem dúvida o melhor livro que li este ano e que ainda ressoa cá dentro. Depois por outra das autoras ser Claire Fuller, de quem já li um livro que adorei, e que tenho muitos outros à espera no meu kindle. 

Isso dá-me vontade de olhar para as outras finalistas e escolher algo para ler. Vejam uma pequena sinopse em baixo. 

Susanna Clarke – Piranesi. Já disse tudo o possível aqui, só me resta aconselhar mais uma vez a leitura.

Claire Fuller – Unsettled Ground. Parece-me muito interessante, a história de uns gémeos de 51 anos que sempre viveram com a mãe, e que após a sua morte têm que lidar com as ameaças do mundo moderno ao seu estilo de vida. 

Patricia Lockwood – No One Is Talking About This. Um estranho livro sobre o novo mundo das redes sociais e o impacto que viver sob o seu domínio pode ter. Parece interessante, dum modo alternativo. 

Yaa Gyasi – Transcendent Kingdom. A história de uma família de emigrantes ganeses nos Estados Unidos, as suas lutas, dificuldades e sucessos. Parece interessante, se bem que do mesmo estilo dum livro que terminei recentemente. 

Cheerie Jones – How The One-Armed Sister Sweeps Her House. De longe, o livro com o título mais curioso, que só por si me dá imensa vontade de pegar nele. Depois descubro que retrata a vida nos Barbados, uma ilha das Caraíbas, aparentemente um paraíso para todos os que lá não vivem. Para os locais a realidade é um bocadinho diferente. Parece ser bastante interessante e ficará no meu radar. 

Brit Bennet – The Vanishing Half. Quais as probabilidades de 2 dos 6 finalistas serem uma história sobre gémeos? Aparentemente muitas, porque aqui está a segunda. Desta vez gémeas afro-americanas no sul dos EUA, e a sua história díspar de encontros e desencontros. Não fiquei com muito interesse, confesso. Corrijam-me se estiver enganada. 

Temos aqui muito material e coisas boas para experimentar, o problema será sempre o mesmo. Demasiado poucos anos de vida para tanto livro interessante para ler.

Boas Leituras!

 

Acabei de Ler – Midnight Library

midnight library

Keep scrolling if you prefer to read in English.

Se aos 35 anos ainda acordavam de noite a pensar em coisas que podiam ter mudado no secundário, então este é o livro para vocês. Claramente foi livro para mim, que me encontro nesta categoria.

Nora Seed tem 35 anos e decide morrer. Isto não é um spoiler, está bem visível desde as primeiras páginas do livro. Só que em vez de morrer, Nora fica presa num limbo, neste caso uma biblioteca, em que cada livro conta a história de como é a vida dela naquele momento se ela tivesse tomado decisões diferentes. E é-lhe dada a possibilidade de experimentar tudo aquilo que ela sempre achou que teria mudado a sua vida. A partir desta premissa vamos ver as diferentes vidas de Nora Seed, ao mesmo tempo que avaliamos o impacto de grandes e pequenas decisões.

A história é muito interessante e muito bem explorada. Claramente o autor percebe de ansiedade, depressão e outros males semelhantes que nos assolam neste mundo moderno. E apesar de abordar temas complicados o livro não é derrotista nem pesado de ler. Avança muito bem e ficamos colados às páginas a tentar perceber o que vai acontecer a seguir.

Lá para meio do livro eu já suspeitava como iria ser o final, e mais lá para a frente tinha medo que o final pudesse ser doutra maneira, que para mim não faria qualquer sentido. Afinal não foi muito diferente do que tinha imaginado, e pude sossegar o meu coração.

Aconselho a todos os que lamentam algumas decisões que tomaram na vida, aos que desejavam poder ter feito algumas coisas de modo diferente, aos que acham que outro caminho teria sido melhor. Talvez fiquem surpreendidos com este livro. A todos os outros aconselho na mesma, porque vale a pena conhecer outras visões do mundo.

Boas Leituras!

Goodreads Review

If by the time you were 35 you turned in bed at night thinking about things you could have done better back in high school, then this book is for you. It was a book for me, as I fit in this category like a glove.

Nora Seed is 35 years old when she decides to die. This is not a spoiler, it’s a fact presented to us since the beggining of the book. But instead of dying, Nora becomes stuck in a limbo, in this case a library, where every book is one of her lives, in which she has made different options, either big or small. From this we will be able to watch many of her different lives and the outcome of many different decisions.

This is a very interesting and well written story. Clearly Matt Haig is no stranger to the struggles of anxiety, depression and other mental health issues that are so common nowadays. And even though the book speaks about delicate issues, it is not a heavy read and is indeed a page turner. We are glued to the book trying to figure out what is happening next. 

By the middle of it I started suspecting how it would end, and a little later I started dreading that the end might be different than what I envisioned, as in my head ending differently would not make any sense. I was reassured to see that it was very similar to what I had imagined, and my heart could finally rest. 

I recommend it to everyone who has any regret in life, some decisions that could be changed and things done differently. Maybe this book will surprise you, or make you see things differently. To all the others I also recommend this book, as different perspectives are always enriching. 

Happy Reading!

Nomeados do International Booker Prize 2021

international booker 2021

Foi anunciado no passado dia 30 de Março os nomeados para o International Booker Prize, que premeia livros traduzidos para inglês e editados no Reino Unido ou na Irlanda. Os 13 nomeados deste ano são diversificados, de muitas nacionalidades e línguas diferentes, como se espera dum prémio cujo objectivo é divulgar literatura não anglófona. O prémio é partilhado pelo escritor e pelo tradutor. Deixo-vos abaixo a lista dos nomeados, com respectivo link para o Goodreads e uma brevíssima impressão minha.

  1. I Live in the Slums, de Can Xue. Traduzido do chinês por Karen Gernant e Chen Zeping (Yale University Press) – Livro de contos, tem potencial, mas tenho lido bastantes contos ultimamente.
  2. At Night All Blood is Black, de David Diop. Traduzido do francês Anna Mocschovakis (Pushkin Press) – Pode ser fabuloso ou aterrador, provavelmente uma mistura dos dois. A história pouco comum de soldados senegaleses na Primeira Guerra Mundial.
  3. The Pear Field, de Nana Ekvtimishvili. Traduzido do georgiano por Elizabeth Heighway (Peirene Press) – Uma história passada num orfanato da Georgia, parece ser uma história bonita e triste.
  4. The Dangers of Smoking in Bed, de Mariana Enríquez. Traduzido do espanhol por Megan McDowell (Granta Books) – Mais um livro de contos, mas com um título destes é impossível não ter vontade de ler. Ainda mais porque a autora é associada a Shirley Jackson e Jorge Luis Borges. Direitinha para a minha TBR list.
  5. When We Cease to Understand the World, de Benjamín Labatut. Traduzido do espanhol por Adrian Nathan West (Pushkin Press) – Uma espécie de livro de ficção científica sobre ciência, com excelentes críticas no Goodreads. Parece muito interessante, mas talvez necessite de mais cérebro que aquele que tenho disponível no momento.
  6. The Perfect Nine: The Epic Gikuyuand Mumbi, de Ngũgĩ wa Thiong’o. Traduzido da língua quicuio pelo próprio autor (VINTAGE, Harvill Secker) – Um épico em verso sobre um povo queniano. Não me parece o meu género de livro.
  7. The Employees, de Olga Ravn. Traduzido do dinamarquês por Martin Aitken (Lolli Editions) – Mais um de ficção cientifica sobre condições de trabalho numa sociedade dum futuro distante. Muito potencial aqui.
  8. Summer Brother, de Jaap Robben. Traduzido do holandês por David Doherty (World Editions) – Dois irmãos que vão passar o verão juntos, o mais velho com necessidades especiais, e que fica ao cuidado do mais novo. Não consigo ler nada sobre pessoas com necessidades especiais neste momento, mas parece um livro muito bonito.
  9. An Inventory of Losses, de Judith Schalansky. Traduzido do alemão por Jackie Smith (Quercus, MacLehose Press) – Em que serão relevantes para nós 12 tesouros que foram definitivamente perdidos para o mundo. É o que vamos descobrir neste livro.
  10. Minor Detail, de Adania Shibli. Traduzido do árabe por Elisabeth Jaquette (Fitzcarraldo Editions) – a visão palestiniana sobre os acontecimentos do verão de 1949, parece ser um livro muito interessante.
  11. In Memory of Memory, de Maria Stepanova. Traduzido do russo por Sasha Dugdale (Fitzcarraldo Editions) – Através das memórias duma família vamos meditar nas memórias dum povo e dum país, a Rússia. Parece um documento interessante, mas demasiado para mim.
  12. Wretchedness, de Andrzej Tichý. Traduzido do sueco por Nichola Smalley (And Other Stories) – Umas voltas no underground europeu, dadas por duas personagens de origens muito distintas. Uma espécie de fábula urbana que vai direitinha para a minha lista.
  13. The War of the Poor, de Éric Vuillard. Traduzido do francês por Mark Polizzotti (Pan Macmillan, Picador) – As injustiças sociais como base de lutas por melhores direitos, no Séx XVI tal como hoje.

Como sempre parece-me que temos aqui uma lista muito rica e muito diversa. Potencialmente poderia lê-los todos, pois todos me parecem interessantes na sua essência. Alguns, pela forma ou pelo conteúdo estão mais distantes daquilo a que me proponho (ou consigo) ler neste momento. Conhecem algum?

Boas Leituras!

Livros que Quero Ler – Bad Behavior

bad behavior

Há quem diga que as conversas são como as cerejas, vêm umas atrás das outras, e o mesmo se passa com os livros. Através do meu Goodreads, onde registo os livros que leio porque a minha mente científica gosta de fazer análises estatísticas, consigo ver livros que estão relacionados. Quer por recomendação directa, quer mencionados por pessoas que gostaram dos mesmos livros que eu. Já assim conheci muitos autores que gostei bastante, e tenho sempre mais livros a entrar na minha lista de livros a ler.

O mais recente foi este Bad Behavior, de Mary Gaitskill. Gostaria de vos poder falar imenso sobre a autora, mas sei exactamente zero sobre ela. Poderia ir pesquisar no Google para parecer muito erudita, mas na realidade só costumo fazer isso se o livro me começar a interessar. Portanto sei que a senhora é americana e que este foi o seu primeiro livro publicado, em 1989. Sei também que é daqueles livros que parecem polarizar opiniões, que são normalmente 1 ou 5 estrelas, e isso quer dizer que tem potencial para ser muito bom (ou muito mau), mas só por si parece-me suficientemente interessante para experimentar.

É uma colecção de histórias sobre amor, sexo e obsessão, algumas contadas dum ponto de vista masculino, outras com uma visão feminina, mas todas… diferentes. Uma delas deu origem a um filme em 2002 ao qual também se pode chamar… diferente, mas que eu por acaso gostei.

Depois vos direi o que achei, até lá, Boas Leituras!

Livros que Recomendo – O Amor nos Tempos de Cólera

amor nos tempos de colera

Mais um livro de Gabriel García Márquez que venho aqui recomendar, depois dos Cem Anos de Solidão, e da Crónica duma Morte Anunciada. Estes três títulos são, na minha opinião, os melhores de toda a sua bibliografia e uma lição na arte de bem escrever.

Amor nos Tempos de Cólera é uma história de amor. Um amor longo e recheado de dificuldades, como todos os grandes amores costumam ser na literatura. Estes amantes estão desencontrados durante grande parte da sua vida, e é já na velhice que finalmente se reencontram para dar continuação à sua história. É uma bonita história de amor, sem ser um romance lamechas.

O poder deste livro está na escrita poderosa de García Marquéz, no vislumbre que ele nos dá da sociedade colombiana através dos tempos, dos constrangimentos sociais que por vezes ditam as opções de cada um, e que têm efeito na sua vida toda. É um livro maravilhoso e intemporal, que aconselho a todos os amantes de boa literatura.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Os Dragões do Eden

carl sagan

Começo por dizer que este é um livro de ciência de 1977, por isso é provavel que alguns conceitos não tenham envelhecido muito bem. No entanto lembro-me bem de estar sempre fascinada enquanto lia este livro, que me fez pensar a me lançou na leitura de livros de ciência.

Carl Sagan é um conhecido astrónomo que tentou tornar a ciência acessível aos comuns mortais com o seu livro e série Cosmos. No entanto, ainda antes disso tinha escrito este Dragões do Eden, que venceu o prémio Pulitzer em 1978, e onde fala da evolução da inteligência humana.

É a escrita de Carl Sagan que torna este livro tão interessante. O modo como interliga conceitos cientificos com mitos e histórias bem conhecidas da humanidade faz com que esta leitura seja informativa e um verdadeiro prazer. Mesmo que alguns conceitos estejam já desactualizados, dado que ele nos deu uma visão muito geral da evolução humana é provável que apenas falhem questões de pormenor.

Aconselho a todos os que gostam de aprender, pensar e reflectir sobre diferentes aspectos da humanidade.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Born to Run

born to run

Talvez não seja grande surpresa se eu vos disser que não sou muito dada a corridas. Desde pequena que nunca gostei muito de correr, não era coisa que me entusiasmasse. Eu sou mais virada para tudo o que tenha a ver com água. No entanto, uma coisa que sempre gostei foi de um bom livro, com uma boa história, e é o que temos aqui.

Christopher McDougall é um jornalista que gosta de correr. Após uma lesão num pé começa a investigar sobre a qualidade do calçado desportivo e isso leva-o ao conhecimento duma tribo mexicana que corre grandes distâncias maioritariamente descalços. Os Tarahumara não só correm muito, como correm bem e parecem bastante saudáveis enquanto população.

A investigação sobre esta tribo leva-o a conhecer imensos personagens fantásticos, mas também os seus problemas já que o seu território é também o território de alguns carteis de droga. Vamos também entrar no mundo das ultramaratonas e os seus desafios, e a meio do livro já só me apetecia levantar do sofá e ir correr pela natureza descalça.

Muita gente argumenta que a ciência por trás de algumas afirmações não está 100% correcta, mas isso não denigre em nada a qualidade do livro, e se possível até lhe dá mais força. Tendo em conta que uma das afirmações feita é que o calçado de corrida, principalmente o mais caro e mais desenvolvido, é também aquele que mais lesões provoca, é natural que se encontre alguma disputa em relação a isto.

Recomendo a todos os amantes de corrida, mas também de viagens e culturas diferentes, ou simplesmente quem gosta duma boa história, bem contada.

Boas Leituras!

Livros que Quero Ler – The Nine Horizons

nine horizons

Já sabem que gosto muito de ler livros de não ficção, principalmente livros de viagens e sobre sítios diferentes. Já tenho este livro de Mike Robbins na minha lista de espera há bastante tempo, e espero finalmente lê-lo em 2021.

Mike Robbins é um jornalista inglês que começou a viajar em 1987 quando fez voluntariado no Sudão. Depois disso nunca mais parou e este livro é não só um relato de viagens, mas um conjunto de observações sobre locais que Robbins conheceu quer em viagem, quer por lá ter vivido algum tempo. 

Um olhar diferente sobre um mundo que está em constante mudança, e um retrato duma época, à semelhança de livros que li recentemente como o de Michael Palin. Parece-me bastante interessante. 

Até lá, Boas Leituras!