Zé Pedro

Ze Pedro

O Peixinho tinha livros para recomendar hoje, como na semana passada, mas depois da notícia de ontem, do falecimento do Zé Pedro dos Xutos, não podia deixar de vir aqui deixar a minha homenagem a um homem que teve um contributo tão grande na música portuguesa, e nas adolescências de toda uma geração.

No meu caso particular, ele era o dono do Johnny Guitar, o melhor bar da noite lisboeta dos 90’s, que me proporcionou das melhores noites de borga da minha vida, bem como alguns dos melhores concertos que vi, nomeadamente os primeiros concertos de Moonspell, onde eu estava tão perto do “palco” que o manto vermelho que o Fernando Ribeiro usava durante o Vampiria me envolvia como num abraço.

Partilho aqui uma entrevista que ele deu a José Luis Peixoto para a Visão, de onde tirei a foto acima e que de algum modo resume aquilo que eu gostaria de dizer. Até sempre.

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Suzi Quatro

Suzi Quatro

Eu gosto de música desde que me lembro de ser gente, e os grandes “culpados” disso, como em muitas outras coisas, são os meus pais. Em minha casa havia muita música, muita leitura, muita interacção com as coisas boas da vida.

Hoje no trabalho alguém disse que estava a ouvir Suzi Quatro, e isso transportou-me imediatamente para memórias felizes de infância, quando punha este albúm vezes infinitas a tocar no gira-discos, milénios antes de se inventar o botão de repeat.

Ainda hoje acho que é um grande albúm de rock, e que esta senhora fez muito pela imagem feminina na música. Hoje vou andar a ouvir isto pelo meu youtube. Vejam em baixo algumas das minhas músicas favoritas.

Tudo a dançar!

48 Crash

Primitive Love

Glycerine Queen

 

Sunsets no CCB

Sunset CCB

Começou este fim-de-semana no CCB uma das propostas de animação de Verão que nós mais gostamos cá em casa. Os concertos de fim de tarde no Jardim das Oliveiras, sentados na relva, a ver o pôr-do-sol, enquanto ouvimos um jazz ou uma música do mundo a embalar-nos para o começo da noite.

O ano passado acabámos por ir duas vezes, e adorámos as duas. Um ambiente tranquilo e intimista, proximidade com os artistas, nada de enchentes, passam-se uns momentos relaxados que nos descontraem da loucura da semana.

Podem ver a programação aqui, há muita coisa boa por onde escolher.

20 anos de Placebo

Placebo

 

A primeira vez que ouvi Placebo foi no festival Sudoeste em 2000 ainda eles eram suficientemente obscuros para tocarem no primeiro dia antes do sol se pôr, e eu não fazia ideia de quem eles eram.

A viagem até ao festival foi atribulada por vários motivos, incluiu vários kms finais a pé por teimosias várias, e eu cheguei ao recinto cansada e fula da vida. Assim que cheguei deitei-me no chão a pensar na vida e como me apanhava em situações daquelas, e comecei a achar que a banda que estava a tocar era bastante boa. E lembro-me de pensar que, se naquele estado de espírito eu conseguia perceber isso, eles deviam ser mesmo bons. O festival depois compôs-se, e acabei por me divertir muito, e com Placebo foi o início duma história de amor que durou os três primeiros álbuns e muitos outros concertos.

Esta terça feira eles voltaram ao Coliseu para festejar os 20 anos e eu não sabia bem o que esperar porque não conhecia os últimos álbuns e há muito não os via ao vivo. Mas no fundo isto era também uma celebração à minha juventude passada, por isso não quis deixar de participar, e há muitos meses atrás comprei os​ bilhetes. Claro que a juventude era mesmo passado, e neste momento estou com uma grande crise de coluna que ameaçava tornar a experiência num festival de dor e desconforto, e passei o fim de semana todo semi-arrependida.

Mas resolvi o assunto ficando sentada nas cadeirinhas e só me levantando nas músicas que valiam mesmo a pena. E esse foi o problema do concerto, mas vamos por partes.
Quando entrou a banda de apoio eu pensei que já era a sério, e depois percebi a confusão. O guitarrista, Stefan Osdal, faz parte, mas nem isso foi o suficiente para encantar. Uma mix de batida com instrumentos de cordas e vozes ocasionais que não convenceu, nem deu grande vontade de dançar. Passemos aos próximos.

Os próximos só demoraram o costume destas ocasiões, qual atraso institucional de noiva, e cedo encheram o palco para começar a festa de aniversário. Aparentemente haviam 3 ecrãs gigantes, mas do lugar dos doentes não consegui ver nenhum, a não ser no ecrã do telemóvel das dezenas de pessoas à minha volta a filmar/fotografar. Aliás, já ninguém simplesmente vê um concerto. Toda a gente tem de validar que lá esteve. Alguns, como eu, tiram meia dúzia de fotos/vídeos. Outros filmam quase tudo. Outros ainda vão documentando tudo nas redes sociais em tempo real. #vidamoderna

Mas a música propriamente dita só lá para meio do concerto é que me começou a animar, o primeiro set de canções pareceu-me muito chocho. Claro que o facto de estar em pior forma física e o Coliseu estar criminosamente quente (a sério, o incentivo à venda de cerveja não pode justificar tudo!) contribuíram, mas na realidade é como tentar reatar uma relação em que ambas as partes sabem que acabou. Foi bom enquanto durou, mas seguimos caminhos diferentes (e àquela temperatura o meu dificilmente voltará a passar pelo Coliseu).

A última parte foi mais arrebitada, com êxitos mais dançáveis, e deu para abanar o que a coluna deixou. No final saímos com um até sempre, pela colina acima, a caminho de novas sonoridades.

Para fotos como deve ser, da fotógrafa de sempre Rita Carmo, vejam a reportagem no Blitz aqui.

Ama Romanta no Blitz

Blitz

Este mês de Março a revista Blitz oferece um CD com raridades da velhinha editora do João Peste, Ama Romanta. E isso fez-me comprar novamente o Blitz e recuar no tempo aos meus 16 anos quando eu comprava o jornal e a primeira coisa que lia eram os “pregões e declarações“. Foi assim que percebi pela primeira vez que havia uma rivalidade entre norte e sul (ou Lisboa e Porto se quiserem) ao ler as Polémicas, que eram obviamente as minhas favoritas.

Mas comprei religiosamente o Blitz por muito mais de 15 anos, lia as reportagens dos concertos a que tinha ido, ficava zangada quando os críticos não gostavam tanto como eu tinha gostado, claramente não percebiam nada de música, ou pelo menos daquele género de música. Lia as críticas aos cds e discordava religiosamente do António Freitas que não gostava do mesmo tipo de metal que eu. Abria horizontes para outros tipos de sonoridades e aprendia sobre a música e a diversidade.

Hoje ao ver a revista fico um bocadinho desiludida, sinto que não é bem a mesma coisa. Sou saudosista, o papel de jornal tem uma mística diferente, mas se calhar é a minha adolescência que me traz a saudade da descoberta. O Blitz (para mim será sempre O Blitz), tal como todos nós tem de se adaptar ao mundo dos androids e dos ios, e conquistar novos públicos para não morrer.

No entretanto fica um cheirinho a passado com este CD. Ainda se encontra por aí até ao fim do mês, para quem quiser aproveitar.

Deus ex machina

Men ex machina

Falei num post anterior que certos livros puxam certos álbuns, ou certos tipos de música. Eu gosto de literatura, mas gosto também de muitos outros tipos de artes, e a música tem uma grande influência e uma grande presença no meu dia a dia.

Ora, já acabei de ler a primeira parte da saga Hyperion do Dan Simmons, e isso significa também que já estou noutras músicas e larguei o álbum de Mão Morta. Todo o livro era à volta duma peregrinação ao templo do Shrike, uma divindade biomecânica, e, coincidentalmente ou não, o álbum era também sobre a atração do homem pela tecnologia, a fusão do corpo humano com o metal, enfim tudo relacionado.

Esta semana no autocarro enquanto lia escolhi casualmente uma música para me acompanhar e fui dar a este velhinho album de Tool, Aenima, que curiosamente, ou talvez não, é bastante apocaliptico. Mais uma vez adequa-se imenso a este segundo volume “The Fall of Hyperion”, onde toda a trama se passa à beira da destruição da humanidade. A banda sonora perfeita para aumentar o prazer da leitura.

Videoclip aqui

Some say the end is near.
Some say we’ll see Armageddon soon.
I certainly hope we will.
I sure could use a vacation from this

Bullshit three ring circus sideshow of freaks

Here in this hopeless fucking hole we call L.A.
The only way to fix it is to flush it all away.
Any fucking time. Any fucking day.
Learn to swim, I’ll see you down in Arizona Bay.

Fret for your figure and
Fret for your latte and
Fret for your lawsuit and
Fret for your hairpiece and
Fret for your Prozac and
Fret for your pilot and
Fret for your contract and
Fret for your car.

It’s a bullshit three ring circus sideshow of freaks

Here in this hopeless fucking hole we call L.A.
The only way to fix it is to flush it all away.
Any fucking time. Any fucking day.
Learn to swim, I’ll see you down in Arizona Bay.

Some say a comet will fall from the sky.
Followed by meteor showers and tidal waves.
Followed by fault lines that cannot sit still.
Followed by millions of dumbfounded dip shits.

Some say the end is near.
Some say we’ll see Armageddon soon.
I certainly hope we will cause
I sure could use a vacation from this

Stupid shit, silly shit, stupid shit…

One great big festering neon distraction,
I’ve a suggestion to keep you all occupied.

Learn to swim. [3x]

Mom’s gonna fix it all soon.
Mom’s comin’ round to put it back the way it ought to be.

Learn to swim.

Fuck L Ron Hubbard and
Fuck all his clones.
Fuck all these gun-toting
Hip gangster wannabes.

Learn to swim.

Fuck retro anything.
Fuck your tattoos.
Fuck all you junkies and
Fuck your short memory.

Learn to swim.

Fuck smiley glad-hands
With hidden agendas.
Fuck these dysfunctional,
Insecure actresses.

Learn to swim.

Cause I’m praying for rain
And I’m praying for tidal waves
I wanna see the ground give way.
I wanna watch it all go down.
Mom, please flush it all away.
I wanna see it go right in and down.
I wanna watch it go right in.
Watch you flush it all away.

Time to bring it down again.
Don’t just call me pessimist.
Try and read between the lines.

I can’t imagine why you wouldn’t
Welcome any change, my friend.

I wanna see it all come down.
Bring it down
Suck it down.
Flush it down.

Uma noite com salgadinhos

pz

Sábado passado, que já foi há uma eternidade, resolvemos voltar a ser jovens e sair à noite. Nos meus 20’s e inicio dos 30’s saía muito, era uma festeira, mas entretanto estou mais virada para os prazeres ligeiros dos jantares de amigos, cinema ou teatro. Mas há sempre excepções.

Neste sábado começámos por ir experimentar um restaurante mais pimpão aproveitando a Restaurant Week, o Sessenta. Somos fãs deste evento porque nos permite experimentar restaurantes que estão fora do nosso orçamento habitual, e termos experiências gastronómicas diferentes. Desta vez deliciamo-nos com uns lombos de atum e um risotto de espinafres e queijo da serra. Estava bom e o serviço era simpático, tal como na maioria dos sítios que temos experimentado desta maneira (o nosso favorito até agora foi o Eleven, e esta mania de pôr números nos nomes dos restaurantes é estranha). A Restaurant Week vai até dia 12 de Março, aproveitem.

Logo a seguir rumámos ao Cais do Sodré e sua famosa rua cor de rosa onde íamos ver o PZ no Music Box. Chegámos já depois das 22h, hora que era suposto começar, mas ainda esperámos uma saudável hora, porque concertos em bares devem começar mais tarde para nos permitir ir molhando o bico.

Fomos o caminho todo a planear vodkas e gins, e quando lá chegámos pedimos uma imperial e uma sidra. Ah pois é, os quarenta.

O concerto foi muito divertido, tal como esperávamos. A música é leve e descontraída, as letras às vezes são sérias às vezes são parvas, e o PZ conseguiu reunir uma pequena legião de fãs dedicados que dançaram energicamente, entoaram as músicas em coro e não o deixaram acabar. Literalmente, “Nunca Acaba” foi o que mais se ouviu no final do concerto e obrigou o músico a voltar mais que uma vez e a cantar duas das minhas músicas favoritas, Dinheiro e Croquetes.

Fenómeno interessante esse que consegue galvanizar um pequeno maralhal a cantar em uníssono uma letra sobre o seu amor aos croquetes, como se de uma qualquer devoção se tratasse. Que se foda o bacalhau, e estaremos lá para a próxima.

Vejam o vídeo aqui

Original Sound Track

Wait for me

 

Um bom livro geralmente merece uma boa banda sonora. Eu pelo menos sou muito influenciada pelo ambiente que me rodeia enquanto leio, e embora não necessite de silêncio absoluto (coisa impossível de obter nos autocarros da Carris), se a envolvência for demasiado hostil o meu leitor de MP3 ajuda sempre.

 Depois sou normalmente um bocadinho obssessiva e ouço o mesmo album ad eternum, em repeat, até me fartar. Por isso acontece muitas vezes um album acompanhar-me durante o tempo que me leva a ler um livro inteiro, tornando-se a sua banda sonora.

No caso do album acima (Moby – Wait for me), ainda hoje de cada vez que ouço alguma das suas músicas sou imediatamente transportada para paisagens geladas, inóspitas, cobertas de neve e tristeza profunda. Li com esse albúm dois livros de seguida do mesmo autor, Into the Wild e Into Thin Air, dois livros que me impressionaram imenso, por razões diferentes.

Ambos descrevem regiões inóspitas e geladas, o primeiro culmina no Alaska, e o segundo passa-se no Everest. Ambos retratam pessoas em busca de sentido em viagens impossiveis, e ambos terminam de maneira terrivel.

Creio que nos dois casos acabei com lágrimas a correr-me pela cara, o que para quem me conhece sabe que é dificil acontecer, não sou pessoa de emoção fácil. Os meus vizinhos de autocarro olharam-me com ar preocupado, entre a pena e a incredulidade.

Mas não consigo ouvir esta música sem me sentir ao mesmo tempo triste e a viajar. Um cheirinho aqui.

Desvios à Leitura – Música

Dias da musica

 

De cada vez que viajamos por cidades europeias aproveitamos sempre para visitar os seus museus. Normalmente de arte mais contemporânea, que é aquela que nos apela mais. Mas depois de alguns anos a viajar, e algumas cidades visitadas parece que o cérebro começa a pedir conhecimento diferente. Em Março do ano passado, depois de quase todo o dia no Museu d’Orsay, acho que ficámos um bocado vacinados e à procura de experiências mais exóticas.

O mesmo se passa em relação à música clássica. Depois de no dia 13 de Março termos ouvido um excelente concerto de Mozart no CCB pensámos que estava na altura de emoções diferentes.

E eis que os Dias da Música no CCb estão quase a chegar e este ano brindam-nos com músicas do mundo. É que parece que foi feito à medida, ou que os senhores da programação ouviram os nossos pedidos. O díficil vai ser escolher entre tudo o que está a disposição.

Recomendo vivamente a todos os que gostam de música. Não só os concertos a que já fui eram bons, como o ambiente que se vive pelo CCB nesses dias é muito especial e descontraído.