Livros que Recomendo – Quotidiano Delirante

Quotidiano Delirante

Nos meus 20 e poucos eu era muito fã de Moonspell, ao ponto de ter assistido a todos os concertos que deram em Lisboa e arredores durante anos. Ainda gosto bastante, mas já não os sigo para todo o lado, não compro todos os cd’s, nem vou a todas as sessões de autógrafos. Vou apenas a alguns concertos que me parecem interessantes e ouço de vez em quando, o novo e o antigo.

Mas que têm os Moonspell a ver com o galego criador de BD absolutamente delicada e delirante, Miguelanxo Prado? Porque foi através de um espectáculo na Brandoa a partir de textos dele, algures na década de 90, encenado pelo Fernando Ribeiro, onde eu fiquei rendida à mestria deste senhor. Obviamente só fui ver a peça de teatro porque tinha o cunho do vocalista de Moonspell, e na altura eu era uma incondicional. Mas os textos, retirados de um dos tomos de Quotidiano Delirante (há três) eram deliciosos, e fiquei imediatamente cheia de curiosidade de ir investigar quem era aquele autor.

E foi assim que cheguei até estes livros que vos apresento hoje. Comecei por ler os seus livros cómicos, em que lança um olhar sarcástico sobre a vida (Quotidiano Delirante, Crónicas Incongruentes). O facto de ser tão geograficamente próximo de nós também dá um carácter de frescura a esta leitura. No meu início de idade adulta foi com estes livros que eu comecei a gostar de BD mais elaborada, mais longe dos Tio Patinhas da minha infância, e a perceber que há mensagem em todas as formas de escrita.

Tal como eu, este autor também cresceu e evoluiu e os seus livros mais recentes afastaram-se deste olhar divertido, crítico e mordaz e entraram numa linguagem mais poética e mágica, belíssima. Os seus desenhos são duma beleza extraordinária e acho mesmo que este é o meu autor favorito de momento. Tenho em casa o Ardalén para ler em Galego, mas ando a guardar como quem não quer comer o ultimo quadradrinho de chocolate.

Aconselho este livro a todos os amantes de banda desenhada, de histórias divertidas e bem contadas e leitores em geral.

Boas Leituras!

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Traço de Giz

traço de giz

Por nenhuma razão em especial, o Verão é para mim tempo por excelência para ir pondo a minha leitura de novelas gráficas em dia. Talvez porque apetece menos ficar em frente à televisão embrulhada em cobertores, e mais a ler na varanda, ou porque apetecem coisas coloridas, o certo é que nesta altura dou um despacho às minhas BD’s que foram acumulando na estante.

Há umas semanas (meses?) atrás o Público lançou este pequeno livro de Miguelanxo Prado na sua colecção de novelas gráficas, e como sou grande fã deste autor não perdi a oportunidade de aumentar a minha colecção de títulos que possuo. E ainda bem. Bastante diferente do seu registo satírico e de crítica social a que nos habituou, Miguelanxo quis aqui fazer uma homenagem a Hugo Pratt escrevendo uma história em que o mar é personagem principal.

Este traço de giz que se fala é uma pequena ilha perdida no Atlântico, com um farol desactivado e uma população de 2 pessoas, mãe e filho. São as outras personagens que vão e vêm nos barcos que ancoram num pontão demasiado grande, cíclica e hipnoticamente que vão imprimir o ritmo estranho e por vezes claustrofóbico à narrativa.

Vale pela história, simples mas eficaz, mas sobretudo pela mestria das ilustrações, duma beleza e suavidade absolutamente únicas. Aconselho a todos os que gostam de BD, de histórias de amor, de histórias com algum mistério associado.

Goodreads review

traço de giz2

Para Ler – BD

bd-2017

Como Peixinho organizado que sou, começo o ano já com muitos livros de cada categoria para ler. Ou então podemos dizer que deixei acumular livros que não consegui ler o ano passado. É como preferirem.

Em BD, um dos géneros que me agrada muito mas que não leio tanto como gostaria, tenho na calha os 3 livros que se vêem na foto desfocada acima.

Eu, Assassino foi prémio num passatempo da Timeout já há algum tempo, mas ainda não lhe consegui pegar. É um livro muito premiado e uma edição esteticamente muito apelativa, cujo argumento também ganhou vários prémios, por isso estou expectante. O Peixinho Vermelho já o leu e recomenda.

Ardalén, dum dos meus autores de BD favoritos, o galego Miguelanxo Prado. E na sua língua original, será um desafio e um encanto lê-lo. Foi um presente de Secret Santa, por isso ainda está a marinar, que esta época foi pouco dada a leituras.

Os Vampiros, do Filipe Melo. Depois de ter lido toda a brilhante saga do Dog Mendonça e Pizzaboy sei que este livro não pode desiludir, apesar de ser radicalmente diferente. Prenda de Natal do Peixinho Vermelho, que o leu dum trago assim que mo ofereceu.

E claro, retomar a saga do Sandman do Neil Gaiman, assim chegue cá a casa o volume 7 pela mão da minha fornecedora habitual.

Nada mau para começo de ano. Boas Leituras!