Livros que Recomendo – Tangências

tangencias

Quem lê este estaminé sabe bem da minha paixão pela BD deste senhor. Recentemente foi editado o seu novo livro O Pacto da Letargia, mas enquanto não compro esse vou-me entretendo a reler os que cá tenho.

O que nos leva a este livro, Tangências, mais uma vez de belissímos desenhos e muita qualidade artística. Nele vemos muitas relações interpessoais, essencialmente histórias de amor tangenciais, em que as pessoas se tocam de modo fugaz, num terminar de relações.

Um livro muito bonito quer esteticamente, quer na qualidade das histórias. A paleta cromática escolhida ajuda a acentuar os sentimentos de desencanto e insatisfação, e realmente é um livro que vale a pena ler.

Recomendo a todos os fãs de BD, de boas histórias e de coisas bonitas.

Boas Leituras!

Livros que Quero Ler – O Pacto da Letargia

letargia

O Peixinho adora o trabalho de Miguelanxo Prado, e já li praticamente todos os livros dele. Para além disso é também uma pessoa interessante e terra a terra, pelo que se pode ver no modo como lida com os fãs que o seguem no Facebook (eu, culpada, me confesso).

Saiu este Janeiro o novo livro dele, O Pacto da Letargia (El Pacto del Letargo, em galego) e mal posso esperar para lhe deitar as mãos. Este é um daqueles casos em que nem sequer preciso ver a sinopse, porque dificilmente sairei desiludida, mas em todo o caso espreitei e é uma história que se passa quando são encontradas as notas dum professor aposentado sobre uma antiga ordem de anjos e demónios, e o mistério começa aí.

Estou entusiasmada, e desejosa de lhe poder pôr as mãos para começar a ler.

Até lá, Boas Leituras!

Acabei de Ler – Ardalén

Ardalén

Quem anda pelo Peixinho já sabe que eu gosto muito de BD, e dentro dela tenho algumas preferências. Já falei de Miguelanxo Prado, um autor galego, aqui e aqui. Acho que posso mesmo dizer que é dos meus autores favoritos, com uma estética inconfundível. As suas histórias vão também do humor, à sensualidade, ao fantástico inspirado pela sua Galiza.

Este livro foi-me oferecido no Natal de 2016, no seu galego original e eu andei a guardá-lo como um tesouro, com pena de o ler a acabar a magia. Mas finalmente arranjei tempo de qualidade, com a dedicação que este livro merece, e, obviamente, terminei-o num dia.

Ardalén, que é o nome que se dá a um vento que vem do Atlântico, do imenso mar, e que carrega consigo a nostalgia e a história do povo galego, permeia toda esta história, que é relativamente simples. Sabela, uma mulher de 40 anos que se divorcia e está desempregada, quer saber quem é buscando as duas raízes. Sabe que teve um avô que andou embarcado e que acabou por morrer no estrangeiro, mas não sabe mais nada dele. A não ser a aldeia de onde é originário, e é aí que vai começar a sua busca por mais informações, na esperança de ganhar também um  sentido para a sua vida.

É aí que Sabela conhece o velho Fidel, que está fechado na sua casa rodeado das suas recordações do tempo que passou no mar, e que se senta regularmente à beira da floresta quando sopra o Ardalén, para ver as baleias que vivem no meio dos eucaliptos e retornam ao mar. Entre os dois gera-se cumplicidade e amizade, e as coisas tomam rumos que nós não esperávamos. Como sempre, Miguelanxo tem um olhar acutilante e muito certeiro sobre a vida e a maledicência nas aldeias, e não perde a sua oportunidade de nos mostrar essa dinâmica.

Como sempre com ilustrações belíssimas, de tirar o fôlego e de nos fazer entrar dentro da história. Recomendo a todos os amantes de BD, mas também àqueles que gostam de sonhar com histórias belas e diferentes.

Goodreads Review

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Quotidiano Delirante

Quotidiano Delirante

Nos meus 20 e poucos eu era muito fã de Moonspell, ao ponto de ter assistido a todos os concertos que deram em Lisboa e arredores durante anos. Ainda gosto bastante, mas já não os sigo para todo o lado, não compro todos os cd’s, nem vou a todas as sessões de autógrafos. Vou apenas a alguns concertos que me parecem interessantes e ouço de vez em quando, o novo e o antigo.

Mas que têm os Moonspell a ver com o galego criador de BD absolutamente delicada e delirante, Miguelanxo Prado? Porque foi através de um espectáculo na Brandoa a partir de textos dele, algures na década de 90, encenado pelo Fernando Ribeiro, onde eu fiquei rendida à mestria deste senhor. Obviamente só fui ver a peça de teatro porque tinha o cunho do vocalista de Moonspell, e na altura eu era uma incondicional. Mas os textos, retirados de um dos tomos de Quotidiano Delirante (há três) eram deliciosos, e fiquei imediatamente cheia de curiosidade de ir investigar quem era aquele autor.

E foi assim que cheguei até estes livros que vos apresento hoje. Comecei por ler os seus livros cómicos, em que lança um olhar sarcástico sobre a vida (Quotidiano Delirante, Crónicas Incongruentes). O facto de ser tão geograficamente próximo de nós também dá um carácter de frescura a esta leitura. No meu início de idade adulta foi com estes livros que eu comecei a gostar de BD mais elaborada, mais longe dos Tio Patinhas da minha infância, e a perceber que há mensagem em todas as formas de escrita.

Tal como eu, este autor também cresceu e evoluiu e os seus livros mais recentes afastaram-se deste olhar divertido, crítico e mordaz e entraram numa linguagem mais poética e mágica, belíssima. Os seus desenhos são duma beleza extraordinária e acho mesmo que este é o meu autor favorito de momento. Tenho em casa o Ardalén para ler em Galego, mas ando a guardar como quem não quer comer o ultimo quadradrinho de chocolate.

Aconselho este livro a todos os amantes de banda desenhada, de histórias divertidas e bem contadas e leitores em geral.

Boas Leituras!

Traço de Giz

traço de giz

Por nenhuma razão em especial, o Verão é para mim tempo por excelência para ir pondo a minha leitura de novelas gráficas em dia. Talvez porque apetece menos ficar em frente à televisão embrulhada em cobertores, e mais a ler na varanda, ou porque apetecem coisas coloridas, o certo é que nesta altura dou um despacho às minhas BD’s que foram acumulando na estante.

Há umas semanas (meses?) atrás o Público lançou este pequeno livro de Miguelanxo Prado na sua colecção de novelas gráficas, e como sou grande fã deste autor não perdi a oportunidade de aumentar a minha colecção de títulos que possuo. E ainda bem. Bastante diferente do seu registo satírico e de crítica social a que nos habituou, Miguelanxo quis aqui fazer uma homenagem a Hugo Pratt escrevendo uma história em que o mar é personagem principal.

Este traço de giz que se fala é uma pequena ilha perdida no Atlântico, com um farol desactivado e uma população de 2 pessoas, mãe e filho. São as outras personagens que vão e vêm nos barcos que ancoram num pontão demasiado grande, cíclica e hipnoticamente que vão imprimir o ritmo estranho e por vezes claustrofóbico à narrativa.

Vale pela história, simples mas eficaz, mas sobretudo pela mestria das ilustrações, duma beleza e suavidade absolutamente únicas. Aconselho a todos os que gostam de BD, de histórias de amor, de histórias com algum mistério associado.

Goodreads review

traço de giz2

Para Ler – BD

bd-2017

Como Peixinho organizado que sou, começo o ano já com muitos livros de cada categoria para ler. Ou então podemos dizer que deixei acumular livros que não consegui ler o ano passado. É como preferirem.

Em BD, um dos géneros que me agrada muito mas que não leio tanto como gostaria, tenho na calha os 3 livros que se vêem na foto desfocada acima.

Eu, Assassino foi prémio num passatempo da Timeout já há algum tempo, mas ainda não lhe consegui pegar. É um livro muito premiado e uma edição esteticamente muito apelativa, cujo argumento também ganhou vários prémios, por isso estou expectante. O Peixinho Vermelho já o leu e recomenda.

Ardalén, dum dos meus autores de BD favoritos, o galego Miguelanxo Prado. E na sua língua original, será um desafio e um encanto lê-lo. Foi um presente de Secret Santa, por isso ainda está a marinar, que esta época foi pouco dada a leituras.

Os Vampiros, do Filipe Melo. Depois de ter lido toda a brilhante saga do Dog Mendonça e Pizzaboy sei que este livro não pode desiludir, apesar de ser radicalmente diferente. Prenda de Natal do Peixinho Vermelho, que o leu dum trago assim que mo ofereceu.

E claro, retomar a saga do Sandman do Neil Gaiman, assim chegue cá a casa o volume 7 pela mão da minha fornecedora habitual.

Nada mau para começo de ano. Boas Leituras!