Acabei de Ler – Diário da Coreia do Norte

north korea journal

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Não é segredo para quem segue o estaminé que eu gosto muito de literatura de viagem e tenho lido imensas coisas do Michael Palin. Por norma as viagens que tenho lido foram passadas há algumas décadas, por isso foi uma mudança interessante passar para uma tão recente (2018).

Mais uma vez Michael Palin foi convidado para fazer um programa de televisivo de viagens, e este livro é uma compilação das anotações que ele fez no seu diário, uma espécie de complemento e behind the scenes do programa televisivo. Eu já tinha visto o documentário quando passou cá há alguns anos, e tinha achado muito interessante, por isso gostei bastante de ler.

Todos sabemos que as viagens à Coreia do Norte têm uma série de restrições, por isso podemos imaginar que se essa viagem inclui filmagens para uma cadeia de televisão estrangeira, os constrangimentos são ainda maiores. Por exemplo, a equipa andou sempre acompanhada com um conjunto de oficiais de turismo que supervisionavam tudo o que se filmava, e que influenciavam até os planos captados, para nunca passar má impressão do país.

Mas no livro conseguimos ter uma noção maior de até onde vai essa interferência, das dificuldades do país, mas também do dia a dia das pessoas comuns, e conseguimos perceber o esforço que Michael Palin fez para conseguir que os seus interlocutores lhe dessem mais algum retorno para além do discurso oficial.

Este não será o livro mais exaustivo ou profundo sobre como é viver num país como a Coreia do Norte, mas foi certamente um vislumbre interessante numa sociedade tão fechada e manipulada.

Recomendo a todos os amantes de literatura de viagem, e a todos os que gostam de ler sobre realidades radicalmente diferentes da nossa.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Those who follow me know that I really enjoy travel literature and I am particularly fond of Michael Palin. Usually, his travels have been done decades ago, which is not the case with this book, set in 2018. This was an interesting change, as the events leading up to it are so recent. 

Michael Palin was once again asked to do a travel documentary, this time to North Korea, and this book is a compilation of the notes he made on his travel journal, which complements really well the TV show. I had seen it already a few years ago, and could now get some insight to the behind the scenes, the preparation and all the difficulties in filming it, which was really good. 

We can all imagine how restricted and limited a trip to North Korea can be, especially when you are filming a documentary for a western channel. We know we can only see and experience what is allowed, and carefully negotiated. The film crew was always accompanied by a team of minders that worked for the Tourism Department, and that carefully selected the things to see and even the angles in which they could film, to ensure nothing could tarnish their country’s reputation. 

In the book we can understand how far this interference extends, the day-to-day difficulties of the film crew, but we can also see Palin’s efforts in maintaining normal interactions and bringing out the best in people, in order to get something more than the officially approved speech. 

This is not the deepest, most thorough book about life in North Korea, but it was an interesting glimpse into a very closed society, and a book that was very good to read. 

I recommend it to all those that love travel literature, and everyone who enjoys reading about realities very different from ours. 

Happy Reading!

Acabei de Ler – Buried in the Sky

buried in the sky

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Gostaria de começar por dizer que se ainda aí estão desse lado a ler as minhas opiniões de livros, muito obrigada, são uns heróis. Especialmente porque ultimamente o Peixinho anda pior que as monoculturas do Alentejo. São romances patetas salpicados de desastres em montanhas, numa espécie de equilíbrio macabro. Mas enfim, não se pode questionar a mood duma mood reader, nem obrigá-la a ler coisas que não quer, por isso aguentem mais um pouco que a emissão irá sintonizar mais qualquer coisa dentro de momentos.

Esta introdução toda para dizer que li mais um livro de montanhismo. E desta vez, pasme-se, não foi uma subida ao Evereste, a montanha mais alta do planeta. Foi uma subida ao K2, a segunda montanha mais alta do planeta. Mas este livro é radicalmente diferente dos anteriores, no sentido em que é o primeiro que leio que se foca essencialmente na história dos sherpas que acompanham os escaladores ocidentais. É um livro muito completo no modo como aborda a história dos sherpas, diferença entre transportadores de alta montanha e baixa montanha, diferenças entre transportadores paquistaneses ou nepaleses, e por fim as histórias pessoais dos que estiveram envolvidos nos incidentes da época de 2008, bem como as consequências para as suas famílias. Foi um livro muito interessante e muito completo, percebe-se que há uma pesquisa extensa por trás daquelas páginas.

Depois temos o mesmo de sempre, pessoas que tentam sempre ir mais além, desafiar os limites da capacidade humana, e numa montanha que é mais perigosa que o Everest, uns conseguem e outros não, de maneira aleatória. Algumas decisões que parecem acertadas acabam por custar a vida a alguém, e coisas que pareciam más acabam por salvar a vida a outros.

O livro que tinha lido antes deste, relatava a história dum homem que acabou por morrer sem ninguém lhe prestar auxílio, enquanto dezenas de montanhistas passaram por ele, muitos sem perceberem que ele estava em dificuldades. No espectro oposto temos muitos casos aqui de pessoas que decidiram socorrer montanhistas em dificuldades e acabaram por apenas engrossar o número de fatalidades, provando que não há respostas certas nestas coisas extremas. 

Aconselho muito a todos os que gostam de ler sobre aventuras, história, diferentes paisagens e culturas e desportos arriscados em geral. 

Boas Leituras!

Goodreads Review

Let me start off by saying that if you are still on that side reading these posts, you are a hero. Especially because I’ve been very monothematic lately. It’s either silly romance or climbing books, in a kind of macabre dance. But that’s what being a mood reader means, that I only read what I’m in the mood for, and my mood has been very weird. But stay tuned, because this will not last forever. 

All this to say that I have finished another climbing book. And this time it was not a book about climbing the world highest mountain, Everest, but a book about climbing the world’s second highest mountain, K2. However, this book was very different than all the previous ones I read, in the sense that is more focused on the sherpa’s, their history, their cultural differences and the impact this kind of tourism has in their families and their communities. Here we understand the difference between sherpas and Sherpa, sherpas and HAP (high altitude porters), between Pakistanis and Nepalese porters, and many other things. We end up experiencing the climbing season from their perspective, and realising the impact it has on their lives, their families and their communities. It was a very interesting and thorough book, and we can sense there was a lot of research in its making. 

The rest of the book is the same as the others, many people trying to push the boundaries of human endurance, testing themselves is some of the harshest conditions on earth. Some decisions that seemed wise at the time ended up costing lives, and some misfortunes were actually life saving events. 

The other mountaineering book I had read recently told us the story of David Sharp, that ended up dying due to lack of assistance while dozens of climbers passed him by. In this book we see the stark contrast of climbers that do the honourable thing and try to save others, only to end up adding to the death toll, proving there are no right or wrong decisions in these extreme conditions. 

I recommend it to all adventure seekers, travelling addicts, people who love to read about different cultures, extreme sports and risky things in general. 

Happy Reading!

 

Acabei de Ler – Dark Summit

dark summit

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Gosto muito de ler sobre escalada em alta montanha, nomeadamente nos Himalaias. Não sei se é pelo perigo que existe em subir picos acima dos 8 mil metros, se pelas histórias de superação, sei que desde que li Into Thin Air do Jon Krakaeur que fiquei absolutamente viciada neste tipo de literatura muito específica. E de vez em quando, quando não sei bem o que ler a seguir porque nada me enche as medidas, lá volto eu aos picos do mundo. E foi isso que aconteceu mais uma vez.

1996 foi o pior ano em termos de mortes em subida ao Everest. 10 anos depois, 2006 estava prestes a tornar-se igualmente mortífero, o que acabou por não acontecer graças a uma recuperação miraculosa de um dos escaladores. Mas mais que o número de mortes, 2006 levantou muitas questões acerca da solidariedade (ou falta dela) entre estes montanhistas.

David Sharp era um jovem inglês com muita experiência em montanha, mas que ainda não tinha chegado ao topo do Everest, apesar de já ter tentado. 2006 ia, presumivelmente, ser a sua última tentativa, porque aproximava-se uma mudança de vida. Em vez de se juntar a uma empresa que organiza estas expedições em larga escala, e com muito apoio, resolveu ir de um modo mais independente, e juntar-se a uma expedição low cost, que custava menos porque proporcionava pouco mais que a licença de subida e transporte até ao campo base.

David Sharp escalou sozinho, e acabou por morrer na montanha, por exaustão. Esse facto não é estranho, acontece todos os anos. O que foi diferente é que dezenas de outros escaladores passaram por ele e, por diversos motivos, não lhe prestaram ajuda. Nick Heil investigou o que se passou e o resultado é apresentado neste livro. Mas aqui conta-se também a história, radicalmente diferente, de Lincoln Hall, que após ter sido dado como morto, conseguiu recuperar o suficiente para ser resgatado da montanha. Estas duas histórias parecem duas faces da mesma moeda.

O livro é muito interessante. Começa com a história do Everest, como foi descoberto que era a montanha mais alta do mundo e o fascínio imediato que isso exerceu em muita gente. Fala-nos dos exploradores mais conhecidos que conseguiram, ou não, atingir o seu cume. Fala do desastre de 1996 como pano de fundo, e como altura em que primeiro se começou a questionar a existência de grandes empresas a levarem pessoas despreparadas ao cume. E termina com a história da época de 2006 na subida norte, a mais difícil. É inevitável termos uma opinião sobre o que aconteceu, mas na realidade sem passar por uma experiência tão perigosa e transformadora, apenas podemos especular no conforto do nosso sofá sobre se as nossas acções seriam diferentes se lá estivéssemos, quando tentar salvar uma vida pode acabar por matar todos os envolvidos.

Recomendo a todos os que gostam de ler sobre aventura, sobre viagens, escalada, montanhismo, ou apenas viver experiências diferentes através dos livros. Eu comecei já a procurar o livro do João Garcia, porque gostava de ler uma perspectiva portuguesa sobre o assunto.

Até lá, Boas Leituras!

Goodreads Review

I really like to read books about climbing and mountaineering, especially in the Himalayas. It might for the danger of climbing above 8000 meters, or because of all the stories of people outdoing themselves, but since I read Into Thin Air, by Jon Krakaeur I was hooked. And when I’m not sure what to read next, or I don’t want anything specific, I usually pick one of these books and go back to the highest mountains on earth. 

1996 was the worse year in death toll. 10 years later, 2006 was about to reach their record of 12 people dead in a climbong season, but a miraculous recovery by Lincoln Hall cheated the statistics. But more than the number of deaths, 2006 was controversial and opened a debate about humanity and solidarity between climbers at high altitude. 

David Sharp was a british climber with a lot of high altitude experience, but he still hadn’t summited Everest even though he had tried before. Due to a career change, 2006 was probably going to be his last atempt. He liked to climb independently, so instead of joining one of the big players in mountain climbing, he purchased the services of a smaller company, that was cheaper but provided only the mere basics, like the permit and transportation to a rudimentary base camp. After that he was on his own. 

David climbed mostly alone, and no one was really accountable for his whereabouts, so he ended up dying alone in the mountain, from exposure. That fact in itself is not strange. The strange part is that dozens of other climbers passed him by, some engaged and others didn’t, some realised he was dying, some thought he was ok, but no one tried to rescue him. When finally someone did, it was already too late. His expedition leader didn’t even realised he was missing. Nick Heil investigated what happened and gives us his account on this book. But that’s not the only story. Later in the same season Lincoln Hall was reported as dead and abandoned by his teamates, only to be found alive on the following day, and recovered enough to return to camp on his feet. These two stories feel like different sides of the same coin. 

This book was very interesting. It paints an historical background of Everest, with a summarised tale of the most important climbers and expeditions that tried to summit it since it was confirmed as the highest mountain on earth. It tells us about the fascination big mountains have, even for people like me that are afraid of heights. It speaks about the 1996 disaster to finally set the tone for the 2006 season, from the northeast ridge, the hardest path to the summit. It is inevitable that we have an opinion about these events, but without ever being there and understanding the toll the high mountains make on our strength and our judgement, we can only speculate from the confort of our couchs what we would have done differently. 

I recommend it to all adventurers, travellers, mountain climbers and to everyone who likes radical experiences, even if only through books. Meanwhile I’m looking for João Garcia‘s book, to get a portuguese perspective as well. 

Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – How to Walk a Puma

walk a puma

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Peter Allison é um australiano que decidiu desde cedo que um trabalho de escritório não era para si, e resolveu rumar a África para trabalhar como guia de safari. Andou pela África do Sul, Botswana, Namíbia e as suas aventuras nesses locais belíssimos estão relatadas nos seus primeiros livros, de que eu já falei aqui e aqui.  Desta vez Peter decide voltar à natureza depois duma paragem de 10 anos onde tentou enquadrar-se na vida “normal”. Resolve fazer uma viagem pela América do Sul, sempre em busca dum jaguar, o maior felino do continente.

Pelo caminho vai ter aventuras incríveis com pumas, aves, anacondas, e acima de tudo, pessoas. Peter Allison tem o dom de fazer os seus interlocutores contarem histórias incríveis, que por sua vez vêm até nós sempre com muito humor.

Numa época em que as viagens se encontram tão amputadas por causa da pandemia, é um verdadeiro prazer poder viajar através dos livros. Infelizmente, o lado menos glamouroso destes livros é sempre pensar como estarão hoje as zonas que já estavam em perigo grave de destruição pela industria da madeira há 10 anos atrás, quando o autor as visitou. Ou aquela tribo que ainda vivia praticamente em isolamento na Amazónia. Dificilmente estarão melhores, pelos ecos que vamos ouvindo da zona.

De qualquer modo foi um prazer muito grande ler este livro, e recomendo para todos os amantes de literatura de viagem e vida selvagem.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Peter Allison is an australian that decided he was not fit for an office job very early in his life. This lead him to Africa, where he started a carreer as a safari guide, in amazing places like South Africa, Botswana and Namibia. His adventures in those countries are told on his first two books, that I already reviewed here e here. After a city break, where Peter tried to fit in some office jobs, he decides to get back on the road and this time he goes to South America, searching, among others, the elusive jaguar. 

While he’s there he experiences some amazing adventures with pumas, birds, anacondas, but most of all people. He has the gift to make people open up to him and tell him incredible stories that he shares with us, always filled with humour.    

In a time where travelling is has been so hindered by the pandemic, that has no end in sight, it is an absolute joy to be able to travel through books. Unfortunately not all is beautiful. Some of the places the author has visited 10 years ago where already severely under threat from the logging companies and other dangers, so one tends to wonder what has become of those places now. Or that tribe that still lived according to their old ways, always fighting for their land. We can infer that should not be better, especially considering the news we keep seeing from those countries. 

Despite that, it was a real pleasure to read this book, and I cannot recommend it enough to all travel and wildlife lovers. 

Happy Reading!

Livros que Recomendo – Os Dragões do Eden

carl sagan

Começo por dizer que este é um livro de ciência de 1977, por isso é provavel que alguns conceitos não tenham envelhecido muito bem. No entanto lembro-me bem de estar sempre fascinada enquanto lia este livro, que me fez pensar a me lançou na leitura de livros de ciência.

Carl Sagan é um conhecido astrónomo que tentou tornar a ciência acessível aos comuns mortais com o seu livro e série Cosmos. No entanto, ainda antes disso tinha escrito este Dragões do Eden, que venceu o prémio Pulitzer em 1978, e onde fala da evolução da inteligência humana.

É a escrita de Carl Sagan que torna este livro tão interessante. O modo como interliga conceitos cientificos com mitos e histórias bem conhecidas da humanidade faz com que esta leitura seja informativa e um verdadeiro prazer. Mesmo que alguns conceitos estejam já desactualizados, dado que ele nos deu uma visão muito geral da evolução humana é provável que apenas falhem questões de pormenor.

Aconselho a todos os que gostam de aprender, pensar e reflectir sobre diferentes aspectos da humanidade.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Born to Run

born to run

Talvez não seja grande surpresa se eu vos disser que não sou muito dada a corridas. Desde pequena que nunca gostei muito de correr, não era coisa que me entusiasmasse. Eu sou mais virada para tudo o que tenha a ver com água. No entanto, uma coisa que sempre gostei foi de um bom livro, com uma boa história, e é o que temos aqui.

Christopher McDougall é um jornalista que gosta de correr. Após uma lesão num pé começa a investigar sobre a qualidade do calçado desportivo e isso leva-o ao conhecimento duma tribo mexicana que corre grandes distâncias maioritariamente descalços. Os Tarahumara não só correm muito, como correm bem e parecem bastante saudáveis enquanto população.

A investigação sobre esta tribo leva-o a conhecer imensos personagens fantásticos, mas também os seus problemas já que o seu território é também o território de alguns carteis de droga. Vamos também entrar no mundo das ultramaratonas e os seus desafios, e a meio do livro já só me apetecia levantar do sofá e ir correr pela natureza descalça.

Muita gente argumenta que a ciência por trás de algumas afirmações não está 100% correcta, mas isso não denigre em nada a qualidade do livro, e se possível até lhe dá mais força. Tendo em conta que uma das afirmações feita é que o calçado de corrida, principalmente o mais caro e mais desenvolvido, é também aquele que mais lesões provoca, é natural que se encontre alguma disputa em relação a isto.

Recomendo a todos os amantes de corrida, mas também de viagens e culturas diferentes, ou simplesmente quem gosta duma boa história, bem contada.

Boas Leituras!

Livros que Quero Ler – The Nine Horizons

nine horizons

Já sabem que gosto muito de ler livros de não ficção, principalmente livros de viagens e sobre sítios diferentes. Já tenho este livro de Mike Robbins na minha lista de espera há bastante tempo, e espero finalmente lê-lo em 2021.

Mike Robbins é um jornalista inglês que começou a viajar em 1987 quando fez voluntariado no Sudão. Depois disso nunca mais parou e este livro é não só um relato de viagens, mas um conjunto de observações sobre locais que Robbins conheceu quer em viagem, quer por lá ter vivido algum tempo. 

Um olhar diferente sobre um mundo que está em constante mudança, e um retrato duma época, à semelhança de livros que li recentemente como o de Michael Palin. Parece-me bastante interessante. 

Até lá, Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Zeitoun

zeitoun

Em Agosto de 2005 o furacão Katrina desolou a cidade de Nova Orleães, e criou destruição por onde passou. Abdulrahman e Kathy Zeitoun são um casal que tem um pequeno negócio de construção civil. Kathy foge da cidade com os filhos, em procura dum local seguro para ficarem a salvo do furacão, e Abdul fica para trás para pôr os seus instrumentos de trabalho a salvo e tentar salvar a casa de família.

Depois da devastação, Abdul fica pela vizinhança a ajudar idosos presos nas suas casas, cães abandonados, e a dar uma mãozinha por onde pode. Até que chega o exército americano para pôr as coisas nos eixos, e a vida de Zeitoun muda radicalmente.

Zeitoun é um livro complicado de ler, quase um manual de más práticas governativas, ou como não gerir um desastre. Para nós que vimos de fora, tivémos uma ideia de quão mau foi, mas não a extensão de todas as dificuldades que aquelas pessoas passaram. Um bom livro para nos ajudar a reflectir sobre o que significa exactamente ser um país desenvolvido, sobre o que significa proteger os cidadãos de ameaças reais versus ameaças fabricadas, e sobre o que queremos realmente para a nossa sociedade.

Recomendo a todos os que gostam de livros de não-ficção que nos fazem pensar, mas que estão tão bem escritos como qualquer livro de ficção.

Boas Leituras.

Livros que Recomendo – Hope For Animals and Their World

hope for animals and their world

De vez em quando gosto de ler livros sobre ciência, principalmente relacionados com animais, sendo eu bióloga de formação. Jane Goodall é uma referência incontornável neste campo, e sempre portadora de esperança.

Neste livro, que infelizmente ainda não está traduzido para português, ela escolhe falar-nos não do seu trabalho de décadas com chimpanzés, mas sim sobre projectos de conservação com espécies bastante ameaçadas e que estão a dar resultados. Sendo de 2009, já muita coisa, boa ou má, se pode ter passado com cada um daqueles projectos, mas é incrível ler sobre a dedicação e empenho de alguns cientistas e comunidades em salvar espécies em risco.

Por exemplo no caso de uma espécie de garças migratórias que tinham perdido a capacidade de efectuar as suas migrações por não haver aves que ainda soubessem a rota, os cientistas usaram um planador coberto de tecido branco para se assemelhar a uma garça e lideraram vários percursos até elas retomarem sozinhas.

Aconselho muito a todos os que gostam de ciência, de livros sobre esperança e de animais no seu estado selvagem. Indicado para estes tempos incertos.

Boas Leituras!

Acabei de Ler – Himalaya

himalaya

Na minha missão de 2020 que é viajar pelos livros, voltei a pegar num de Michael Palin. Gosto imenso de ler sobre montanhismo e tenho um particular fascínio pelos Himalaias em geral, o Everest em particular, por isso ler Himalaya deste autor era um passo natural.

Quando terminou a sua série/livro sobre o Sahara, que foi difícil e extenuante, Michael e a sua equipa pensaram em fazer algo mais tranquilo, que não fosse tão fisicamente exigente. Mas o bichinho da rota da seda ficou a pairar, e daí a fazer mais um trecho desta rota, precisamente aquele que passava por estas impressionantes montanhas, falou mais alto e eles meteram pés a caminho. Esta viagem foi feita entre 2003 e 2004, com Palin já à beira dos 60 anos e um mundo algo diferente do que temos hoje.

Mais do que seguir religiosamente a cordilheira, Palin concentrou-se em visitar cada um dos países a que ela pertence, Paquistão, India, Nepal, Tibete, China, Butão e Bangladesh, com alguns territórios indianos de fronteira entre a China e o Butão. Foi muito interessante conhecer várias minorias étnicas que têm vivido nas altas montanhas, com mais semelhanças que diferenças, atenuando as fronteiras físicas, e ver as dificuldades que atravessam nos dias de hoje face ao turismo massificado. Foi muito interessante também o encontro com o Dalai Lhama e saber um pouco da história do Tibete, Nepal e Butão que eu não conhecia muito.

O livro está escrito com muito bom humor, e mesmo quando as acomodações onde eles ficam são menos que ideias, eufemisticamente falando, ele nunca perde a compostura, ou se deixa cair em lamentações, apesar de não mascarar a realidade.

Gostei particularmente da visita ao Bangladesh, país sobre o qual sabia muito pouco e que me fascinou. Recomendo a todos os amantes de viagens, que querem saber o que mais há nos Himalaias para além do Everest e montanhismo, e que gostam de viajar pelos livros.

Boas Leituras!

Goodreads Review