Acabei de Ler – Sahara, de Michael Palin

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Depois de um Agosto com muitas leituras comecei um Setembro muito seco. A cabeça esteve ocupada com o regresso à escola, que era nova, e com muitas adaptações necessárias. Retomar a natação depois duma paragem de um mês também trouxe os seus desafios, e ainda houve o regresso ao trabalho aí pelo meio.

Normalmente esta seria a altura em que um livro de fantasia era o ideal, mas li tantos em Agosto que perdi (temporariamente) a vontade. Pensei em finalmente participar no #septemberthrills da Dorinha, mas achei que a minha vida não precisava de mais agitação.

Quando assim é já sabem o que faço. Vou viajar vagarosamente com alguém meu conhecido. Desta vez fui com o Michael Palin fazer um périplo pelo Saara, circa ano 2000. E que viagem maravilhosa, acho que foi a minha favorita até agora deste autor.

Primeiro, eu tenho um fascínio por África, apesar de só ter estado na Tunísia e em São Tomé. Depois, o Michael Palin é um viajante fantástico que consegue ver para além do aparente, pôr-se na pele daqueles que o acolhem, sem deixar de questionar o que necessita de ser questionado, mas sempre com muita empatia. E doses imensas de humor britânico e capacidade de se rir de si próprio.

Todas estas qualidades se fazem sentir neste livro em que Palin viaja por sítios muito empobrecidos financeiramente, mas ricos em história e resiliência humana. Pressentimos nas páginas que a viagem não foi fácil fisicamente para um citadino de quase 60 anos, mas nunca as coisas são apresentadas em forma de queixume ou resmunguice. E isto inclui várias intoxicações alimentares, um almoço ao sol com temperaturas de quase 50 graus (filmagens, a quanto obrigam) e um 11 de Setembro que acontece quando eles estão no meio do Níger.

Foi uma leitura deslumbrante e que me deixou a pensar em quanto terão mudado os sítios em que ele esteve nestes 22 anos que passaram. Estes livros são também um retrato de um tempo que já não é o nosso, apesar de não ser muito distante.

Recomendo imenso a todos os interessados em viagens, em África, em aprender. A certa altura, no Mali, Palin conhece o músico Toumadi Diabaté, um griot que toca Kora, um instrumento típico maliano. Pus a tocar no YouTube enquanto lia e foi como se estivesse lá. Deixo aqui o link para ouvirem, é sublime.

Até à próxima viagem. Até lá, Boas Leituras!

Goodreads Review

After an August very rich in books, September was a dry spell. My head was to busy with all the back-to-school activities, as my little fish was going to a new school, and restarting the swimming pool also presented its challenges. Plus, the back to work equation. All this contributed to a very fuzzy mind indeed.

Usually, this would be the ideal time for a fantasy book, but I devoured so many in August that my appetite faded, at least temporarily. I also thought about joining the #septemberthrills challenge from Dorinha, but my mind was not thrilled about it either.

If you follow this blog, you already know what I do when I’m in one of these rumps. I go travelling with one of my favourite authors. This time I chose to visit the Sahara circa 2000 with Michael Palin. And I believe this has been my favourite journey with this author so far.

Firstly, Africa fascinates me, even though I only ever visited Tunisia and São Tome and Principe. Secondly, Michael Palin is an amazing traveller, who can see beyond the obvious and actually feel what it would be like to live as the ones who welcome him, without failing to question what needs to be questioned. Add to all of this, big doses of his well-known British humour, and an amazing ability to laugh at himself.

All these qualities are very clear in this book. Palin travels through impoverished countries, which are rich in history and in resilience. We can also see through the lines that this must have been a taxing journey physically for an almost 60 years old city dweller, but he never grumbles in the pages. And it included several food poisonings and a lunch in the sun that reached almost 50 degrees Celsius, just to get better footage. Plus, 9/11 happened while they were in the middle of nowhere in Niger.

It was an amazing read that left me wondering how much these countries have changed in the 22 years that have passed in the meantime. These books are also a portrait of a time, that even though is not that distant, it is also no longer ours.

I recommend it to all of those that love travelling, Africa, learning other cultures. At some point, in Mali, Palin meets Toumadi Diabaté, a Malian musician, a griot that plays Kora, an ancient instrument. I searched him on YouTube and played it while reading that passage and magic was made. It was sublime. I leave you here the link, so you can also check it out. 4 minutes of bliss. 

On to the next journey. Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – K2, Life and Death on the World’s Most Dangerous Mountain

k2

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Quem segue o Peixinho sabe que eu gosto de ler sobre montanhismo. Eu, que tenho vertigens se subir a um banco, gosto de ler as experiências de quem se aventura a escalar os picos mais altos do planeta. E não há altura melhor para o fazer que em plena vaga de calor. Talvez ler sobre temperaturas abaixo de zero ajude a suportar os quarenta que sentimos a meio de Julho.

K2 é a segunda montanha mais alta do mundo, e situa-se no Paquistão, na cordilheira do Karakoram. Não é tão popular como o Evereste, mas é bastante mais técnica e perigosa de subir. Ed Viesturs é um alpinista americano muito experiente, e foi o primeiro americano a subir todos os 14 picos com mais de 8000 metros de altura. Só há 4 alpinistas no mundo com maior número de subidas de alta montanha, a acreditar no que a Wikipedia nos diz.

Após a trágica época de 2008 no K2, em que morreram 11 alpinistas, e tendo tido uma experiência dramática quando fez a sua própria subida em 1992, Ed Viesturs decide investigar a história da montanha e mostrar-nos porque é tão perigosa, usando o relato de várias campanhas anteriores.

A premissa é boa, e Ed Viesturs é realmente uma autoridade na matéria, mas de algum modo este livro não foi brilhante. Acho que teria beneficiado de uma melhor edição. O autor fala-nos de várias expedições ao K2 desde 1902, os sucessos e os insucessos. Reconta novamente a sua própria experiência de 1992, com Scott Fisher que viria a falecer mais tarde no desastre de 1996 no Everest, mas por vezes os saltos entre experiências eram pouco claros, e confusos. Era necessário muita atenção para percebermos em que ano estávamos, e se já tínhamos ou não lido anteriormente sobre isso. Depois foram largos capítulos sobre a expedição de 1939 onde pela primeira vez morreram pessoas a escalar esta montanha, com uma análise detalhada sobre a atribuição de culpas, e confesso que essa parte não foi nada interessante e acabei por ler meio na diagonal. Devo dizer que me agradou bastante o destaque dado aos sherpas e paquistaneses que se distinguiram na montanha também, já que é tão raro vermos isso noutros livros.

No fundo, um livro que tinha imenso potencial mas que ficou um pouco aquém. Se gostarem de ler sobre montanhismo, há opções mais interessantes, nomeadamente Buried in the Sky, também sobre escalada no K2 mas com uma extensa história dos sherpas que acompanharam a expedição e que raramente recebem atenção mediática.

Rumo ao próximo. Até lá, Boas Leituras!

Goodreads Review

If you follow this blog, you already know I like to read about mountain climbing, even though I have severe vertigo if I climb something as high as a park bench. Still, I love reading about the experiences of those who dare to climb the highest mountains on the planet. And I was reading this through a heat wave, reading about freezing temperatures actually helped to bear the heat.

K2 is the second highest mountain on Earth, and is in Pakistan, on the Karakoram mountain range. It is not as widely known to the general public as the Everest, but is much more difficult and technical, making it one of the most dangerous peaks. Ed Viesturs is a very accomplished American climber, the first (and only) one to reach all the 14 peaks that stand above 8000m. According to Wikipedia, there are only other 4 climbers with more high peaks climbs than him.

He wrote a previous book detailing his journey to the 14 peaks, but after the 2008 tragic K2 season, with a death toll of 11 climbers, and having had his own dangerous experience in this mountain in 1992, Ed Viesturs decided to investigate K2’s history and delved into past ascents to show us why K2 is considered such a dangerous mountain.

This promised to be an interesting book, and Ed knows what he is talking about, however the book fell a little short for me, and I believed it would have benefited from better editing. The author details several K2 expeditions, since the first one in 1902, including his own experience in 1992 with none other than Scott Fisher that became sadly famous with the 1996 Everest disaster, where he perished. However, the leaps between each expedition were sometimes confusing and a lot of brain power was needed to understand in which timeline we were at any given point. There were also several chapters dedicated to the 1939 ascent, the first time K2 claimed lives. There was a detailed analysis, trying to justify who was (or not) to blame, which was not interesting to me. But it got better after that, and it was very refreshing to see the Sherpas and the high-altitude guides being recognized for their efforts and their sacrifices, which, sadly, is not something common in these books.

This book had a lot of potential, but it fell a bit short. If this is a theme that interests you, there are more interesting options out there. Buried in the Sky was also about K2, but the writing was more interesting and engaging, and it was very informative about the differences between high altitude and low altitude porters, all of which are amply used in these expeditions but with very low recognition.

On to the next one, Happy Reading!

Acabei de Ler – Then It Fell Apart

Moby

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Mais uma vez tive que fazer uma pausa na ficção para limpar o palato e resolvi ler um dos volumes das memórias do Moby. Não costumo ler biografias, as minhas escolhas de não ficção estão mais viradas para viagens ou ciência, mas esta foi-me recomendada pelo outro peixe leitor cá de casa e resolvi pegar-lhe.

Moby não escreveu uma biografia no sentido tradicional, com princípio, meio e fim. Neste livro ele focou-se no seu segundo período de fama, no início dos anos 2000, intercalado com momentos chave da sua infância que podem trazer luz a alguns dos seus comportamentos. Não se esforça por parecer simpático ou boa pessoa aos olhos do leitor, antes pelo contrário. É extremamente honesto ao relatar a sua obsessão pela fama, a sua vida dissoluta de alcóol, drogas e mulheres e a relatar episódios menos felizes.

O facto de estarmos constantemente a fazer saltos temporais resultou muito bem neste livro, e impediu que se tornasse apenas uma sucessão de festas com VIPs e má vida, dando-lhe contexto e criando empatia pelo autor, coisa que dificilmente teríamos se lessemos só a parte sobre a fama.

Moby não teve uma infância e adolescência fáceis, e fez muitas escolhas menos boas ao longo da vida. Este livro é também um grande manifesto sobre a importância da doença mental, e como ela atinge qualquer pessoa independentemente do seu estatuto social e do dinheiro que se tem, e como não deve ser ignorada ou desvalorizada apenas porque a pessoa parece estar bem aos olhos do mundo.

Foi um livro que gostei bastante e que acho que pode ser apelativo para qualquer pessoa, independentemente de gostar ou não da música do Moby. Eu por acaso gosto, principalmente dos albúms que são falados ao longo do livro, o que foi um bónus especial. Voltei a ouvi-los durante a leitura, bem como outros artistas e bandas que são descritos intensamente, e que pertencem também ao meu baú de memórias.  Se vão à espera dum livro acerca do processo criativo, ou como cada albúm foi criado, desenganem-se porque não isso que se mostra aqui.

Boas Leituras!

Goodreads Review

I have had another break from fiction to cleanse my palate, and I picked up this volume of Moby’s memoirs that was recommended by the other reader in this house. I usually don’t read biographies or memoirs, I gravitate more towards science and travelling books, but I trusted the recommendation and dived in the book.

This is not a traditional biography, but more a collection of his memoirs from specific timelines, his second bout at fame on the early 2000’s interspersed with episodes from his childhood that shed some light on his adult behaviours. He doesn’t ingratiate himself to the reader, quite the opposite. He is very candid in sharing with us his obsession with fame and his relationship with drugs, alcohol, and women.

The fact that we keep jumping back and forth in time worked really well, because it provided a needed break to the succession of parties, drugs, and VIP’s descriptions, gave some context for Moby’s mental state, and actually created empathy with the reader. Moby did not have an easy childhood and adolescence and made a lot of poor choices along the way.

This book is also a testimony to the importance of mental health, how it can affect anybody regardless of social status, success, fame, and money available. It should not be dismissed just because you have a better life financially. When someone wishes to end their life, it is of little use the square footage of their home, or the money in the bank, and their mental state should not be dismissed just because it appears “they have it all.” We can think of so many examples of this…

I really liked this book and I believe it can appeal to many people, regardless of like Moby’s music or not. I like it, especially the albums that were created in this period, and that was an extra bonus. This book made me go back and listen to them, but also other artists and bands that Moby referred to and belong to my memory lane as well. However, do not expect a book that dives deeply into the meanders of composing and producing an album, because that is not what the focus here.

Happy Reading!

Acabei de Ler – It Was a Good Plan

it was a good plan

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Mais uma vez me apeteceu ler uma não ficção para desanuviar um bocadinho, e o Netgalley providenciou-me a oportunidade certa. Nada como um livro sobre uma viagem épica numa época em que eu posso viajar tão pouco.

Quando duas pessoas planeiam atravessar um continente de mota devem preparar-se para todas as eventualidades e imprevistos. Assim aconteceu com o inglês Mark e a sua companheira italiana Selly, que decidiram fazer a auto-estrada panamericana, que liga a Patagónia ao Alaska, e demorar cerca de um ano a fazê-lo. Pensaram em tudo, inclusive fizeram pequenas viagens preparatórias pela Europa para testar o equipamento de campismo e perceber que necessitavam de tudo novo. Prepararam todas as coisas que acharam possível acontecer no caminho, só não estavam preparados para ser atingidos por uma pandemia mesmo a meio da viagem.
Mark e Selly decidiram começar pela Patagónia em Outubro de 2019, para conseguir chegar ao Alaska no verão de 2020, única altura aconselhável para desfrutar do Alaska em cima de uma mota. Levavam um itinerário mais ou menos construído, com paragens estratégicas para verem coisas interessantes e desfrutar do melhor que cada país tinha para lhes oferecer. Começaram a subir lentamente pela Argentina, Chile, Perú, Equador, e estavam a passar momentos maravilhosos.
Das poucas vezes que conseguiam ver notícias viam umas menções a um vírus que estava a causar problemas na China. Mas de cada vez que tinham tempo para algo mais, iam percebendo que a coisa ia aumentando de dimensão. Primeiro começou por atingir a Itália, mas o Reino Unido não demorou muito a ser atingido severamente também. Até que a realidade que parecia tão remota começa a entrar nas suas vidas também, e por alturas da América Central a decisão a tomar é: em que país queremos ficar retidos indefinidamente?
E a decisão que tomaram moldou o rumo da vida deles de um modo muito diferente de companheiros de viagem que tomaram outras decisões, e pode nem ter sido tudo mau. Afinal, às vezes há que saber transformar os limões da vida num cocktail de final de dia.
Gostei bastante do livro. É muito actual, e cria genuína curiosidade em saber o que vão fazer a seguir, e como acabou a história daquela viagem. Dá para ver não só diferenças entre a Europa e a América do Sul, mas também entre os diferentes países por onde eles iam passando, o que tornou a leitura muito interessante.
Para mim só teve dois contras. No início do livro as descrições das alterações feitas à mota foram muito extensas e técnicas para quem, como eu, não percebe nada de motas e mecânica. Por outro lado, se gostarem e perceberem vão ter aqui muita coisa boa. O outro foi que, depois de termos seguido este casal por quase um ano nas suas aventuras, o final foi um bocadinho apressado e deixou algumas coisas no ar. Eu pelo menos queria saber mais, até de planos futuros para terminar coisas que ficaram por fazer na viagem.
Aconselho muito a quem gosta de literatura de viagem, mas também a quem gosta de ler coisas actuais, e tem interesse em ver um impacto da pandemia numa perspectiva completamente nova.
Boas Leituras!

I decided to pick up some nonfiction again, and Netgalley provided me with just the right opportunity. Nothing like a book about an epic journey on a time when my own travelling is so reduced.

When two people plan to cross a continent on a motorcycle, there is a lot of planning involved, and you prepare for a lot of unexpected events in advance. That exactly what the British Mark and his Italian partner Selly did when they decided to ride the whole extent of the pan American highway, from Patagonia to Alaska, in little under a year. They thought about everything, they even did some smaller rides in Europe to test the camping gear and the bike’s endurance, and realized they need some new equipment and adjustments to the bike. They prepared for everything they could think of that could happen; they just didn’t think they could be hit by a worldwide pandemic right in the middle of their journey.

Mark and Selly started in Patagonia in October 2019, so they could reach Alaska in the following summer, when it is easier and safer to ride there. They had planned a loose itinerary, with many sight seeing stops, and smaller trips included, so they could enjoy the best each country in their path had to offer. They started their route up slowly, from Argentina, to Chile, to Peru, Ecuador and they were having an amazing time.

On the few occasions that they could watch the news, they saw some reports about a distant virus in China, but that seemed a remote event that had nothing to do with their journey. But then it reached Italy, and after that the UK, and suddenly things were growing bigger, and what seemed so remote was now threatening their journey as well. By this time, they had reached Central America and the decision to make was: in what country to we want to get stranded?

The decision they made impacted their lives for the following 8 months, in a quite different way than their road friends that took different decisions, and it might not have been that bad. Sometimes, when life gives you lemons, you can use them on an after-hours cocktail.

I really enjoyed this book. It’s very current and keeps us engaged wanting to know what they will do next and how will this trip evolve. We can also see some differences on how this pandemic was handled by different countries and continents, and that was also very interesting.

There were just two things I did not enjoy as much. Right in the beginning the lengthy explanations about the bike and its alterations, with many names and details, were a little boring for someone like me, that does not know much about bikes and their parts. The ending was also a bit rushed. After being part of Mark and Selly’s lives for almost a year, there were many things I would like to know how they played out. I wanted to know what happened to the bike, and if they have future plans to finish their adventure.

Overall, I really recommend it to all those that love travelling books, but also to all those that like to read about current events and would like to see a different and unique angle about the impact of the pandemic.

Happy Reading!

Acabei de Ler – Isto Vai Doer

this is going to hurt

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De vez em quando tenho que fazer o meu périplo por livros de não-ficção para limpar o palato e voltar com ânimo renovado. Desta vez escolhi um livro que foi recentemente adaptado para série no UK e dei o meu tempo por muito bem empregue.

Adam Kay seguiu a tradição familiar e formou-se em medicina, é quando começou a exercer no sistema nacional de saúde inglês deparou-se com a dura realidade. As horas de trabalho são absurdas, as condições escassas, as folgas são uma miragem e manter qualquer espécie de vida pessoal é impossível.

Este livro é uma compilação dos seus diários durante os cerca de 10 anos em que trabalhou no NHS, e em que se especializou em ginecologia/obstetrícia. Está cheio de relatos incríveis, mas escrito com um impecável humor britânico. Apesar de se falar de assuntos sérios e por vezes difíceis, muitas foram as vezes em que me ri com gosto.

É uma leitura que aconselho vivamente e que nos pode trazer algum apreço por aqueles médicos que encontramos quando vamos a uma urgência, e que nos ajuda a valorizar um sistema de saúde universal como o NHS e o SNS, mesmo com todas as falhas que conhecemos bem. Agora vou tentar ver a série.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Every once in a while, I return to non-fiction books to cleanse the palate and renew the spirit. This time I chose a book that has been recently adapted into a TV show in the UK, and it was time well spent.

Adam Kay followed his family tradition and went to medical school. He graduated as a doctor and went on to practice on the NHS, first as a junior doctor, later as an ob-gyn specialist. He worked there for nearly 10 years, before quiting and becoming a television writer. While in the NHS he came across the harsh reality. The working hours are absurd, the working conditions scarce, days off are non-existing and personal life is a mirage.

This book compiles his time working on the NHS and was based on the diaries he kept at the time. It is full of amazing anecdotes and delightful stories, all written with the known British sense of humour. Even though some of the events were painful, and the matters discussed were serious, I often found myself laughing with gusto.

It is a book I sincerely recommend, and that brought me a new appreciation for all those that work on the front line, and for all the doctors i came across every time I had to go to the emergencies. It made me value a system like the NHS or the portuguese SNS, even with all its known flaws. Now it’s on to the series.

Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – The Last Rhinos

last rhinos

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Quando leio muitos livros, muito rapidamente, fico cheia duma certa inquietude que não me permite pegar em mais livro nenhum. Pode parecer estranho, mas é algo que já estou habituada e simplesmente deixo correr. Posso simplesmente não ler por alguns dias, ou fazer como agora e dedicar-me à não ficção. Há dois temas que raramente falham, viagens ou ciência, e neste caso optei pela segunda. Mais concretamente conservacionismo.

Lawrence Anthony era um conservacionista sul-africano muito devotado a elefantes que criou uma reserva natural no seu país onde acolheu uma manada de elefantes problemática e criou com ela laços inexplicáveis. Isso deu origem a um livro que eu já li e falei aqui.

Desta vez a sua atenção está focada nos rinocerontes, que estão ainda em mais perigo que os elefantes. Não só os caçadores furtivos apanham alguns exemplares dentro da sua reserva, como o destino duma subespécie do Congo parece ameaçado por uma guerra civil que dura há décadas. Este livro relata os esforços absolutamente inacreditáveis que Lawrence Anthony vai fazer na tentativa de salvar estes animais ancestrais.

Adorei este livro e ao mesmo tempo detestei-o. Para ler um livro como este é preciso ter estômago, capacidade de resistir à estupidez humana, que existe aqui a rodos, e ser emocionalmente forte. Está muito bem escrito, aprendi muito e passei muito tempo zangada. Muito zangada. É preciso dizer que estas criaturas estão prestes a desaparecer do mundo natural com a conivência de muitos governantes asiáticos, que não só não dissuadem o tráfico dos chifres como muitas vezes se gabam de ser consumidores.

É preciso dizer que as reservas e os Zoos têm um papel vital na conservação destes seres, apesar de muitas vezes estarem na mira de activistas desinformados. É preciso dizer que tudo isto se passa com a nossa conivência porque não queremos saber.

Este foi um livro em que aprendi muito, e fiquei muito zangada, e em que o meu coração se partiu um pouco mais.

Sei que este meu desabafo não vale de nada, mas tenho pena que o meu filho vá crescer num mundo em que se permitiu que tantos animais maravilhosos tenham desaparecido e em que sabemos o nome das Kardashians todas mas não queremos saber que morrem 400 rinocerontes por ano em África.

Aconselho a todos os que gostam de ler sobre conservação, animais e contexto sócio-politico.

Boas leituras!

Goodreads Review

When I read many books very fast, I end up with a certain restlessness that does not allow me to pick up any other books. It might seem weird, but it happens occasionally, so I just let it run its course. I might simply not read for a few days or do as I did now and pick up some non-fiction. There are two subjects that never fail, either travelling or science and in this case, I chose the latter. Namely a book about conservation.

Lawrence Anthony was a South African conservationist devoted to elephants, that created a natural reserve on his country. In there he welcomed a problematic elephant herd with which he bonded in an unexpected way. He wrote a book about that experience that I’ve already discussed here.

This time he focused on rhinos, which are even more endangered than the elephants. Not only the poachers are hunting some specimens in his own reserve, but also the fate of the Congolese white rhino seems ominous due to a civil war that is raging on for decades. This book narrates the absolutely unbelievable efforts that Lawrence Anthony did in the last attempt of saving these ancestral animals.

I loved and hated this book. To read something like this you must have the ability to resist human stupidity and you must be emotionally strong. The book is very well written, I’ve learned a lot, but I was angry most of the time. Very angry. the rhinos are fast disappearing from the natural world, due to being poached for traditional Asian medicine, and many Asian leaders don’t do anything to dissuade this kind of traffic, but many times assume themselves as consumers of rhinoceros horns.

We need to point out that zoos and natural reserves have a crucial part in conservation, despite being targeted by much misinformation. We also need to say that all of this is happening with our silent consent, as we, as a society, really don’t care about all the endangered species we are losing fast. Reading this book I learned a lot, was very angry, but my heart just broke a little bit more.

I know my words mean nothing and will make no real difference, but I cannot help being sad knowing my son will grow up in a world where we allowed so many beautiful animals to disappear, and where we know the names of all the Kardashians, but we don’t want to know that every year 400 rhinos die in Africa.

I recommend this book to everyone that likes to know more about conservation, about wildlife, about history and politics and everything that influences the destinies of these beautiful creatures. All told with an amazing voice, that sadly is no longer with us.

Happy Reading!

Acabei de Ler – Diário da Coreia do Norte

north korea journal

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Não é segredo para quem segue o estaminé que eu gosto muito de literatura de viagem e tenho lido imensas coisas do Michael Palin. Por norma as viagens que tenho lido foram passadas há algumas décadas, por isso foi uma mudança interessante passar para uma tão recente (2018).

Mais uma vez Michael Palin foi convidado para fazer um programa de televisivo de viagens, e este livro é uma compilação das anotações que ele fez no seu diário, uma espécie de complemento e behind the scenes do programa televisivo. Eu já tinha visto o documentário quando passou cá há alguns anos, e tinha achado muito interessante, por isso gostei bastante de ler.

Todos sabemos que as viagens à Coreia do Norte têm uma série de restrições, por isso podemos imaginar que se essa viagem inclui filmagens para uma cadeia de televisão estrangeira, os constrangimentos são ainda maiores. Por exemplo, a equipa andou sempre acompanhada com um conjunto de oficiais de turismo que supervisionavam tudo o que se filmava, e que influenciavam até os planos captados, para nunca passar má impressão do país.

Mas no livro conseguimos ter uma noção maior de até onde vai essa interferência, das dificuldades do país, mas também do dia a dia das pessoas comuns, e conseguimos perceber o esforço que Michael Palin fez para conseguir que os seus interlocutores lhe dessem mais algum retorno para além do discurso oficial.

Este não será o livro mais exaustivo ou profundo sobre como é viver num país como a Coreia do Norte, mas foi certamente um vislumbre interessante numa sociedade tão fechada e manipulada.

Recomendo a todos os amantes de literatura de viagem, e a todos os que gostam de ler sobre realidades radicalmente diferentes da nossa.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Those who follow me know that I really enjoy travel literature and I am particularly fond of Michael Palin. Usually, his travels have been done decades ago, which is not the case with this book, set in 2018. This was an interesting change, as the events leading up to it are so recent. 

Michael Palin was once again asked to do a travel documentary, this time to North Korea, and this book is a compilation of the notes he made on his travel journal, which complements really well the TV show. I had seen it already a few years ago, and could now get some insight to the behind the scenes, the preparation and all the difficulties in filming it, which was really good. 

We can all imagine how restricted and limited a trip to North Korea can be, especially when you are filming a documentary for a western channel. We know we can only see and experience what is allowed, and carefully negotiated. The film crew was always accompanied by a team of minders that worked for the Tourism Department, and that carefully selected the things to see and even the angles in which they could film, to ensure nothing could tarnish their country’s reputation. 

In the book we can understand how far this interference extends, the day-to-day difficulties of the film crew, but we can also see Palin’s efforts in maintaining normal interactions and bringing out the best in people, in order to get something more than the officially approved speech. 

This is not the deepest, most thorough book about life in North Korea, but it was an interesting glimpse into a very closed society, and a book that was very good to read. 

I recommend it to all those that love travel literature, and everyone who enjoys reading about realities very different from ours. 

Happy Reading!

Acabei de Ler – Buried in the Sky

buried in the sky

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Gostaria de começar por dizer que se ainda aí estão desse lado a ler as minhas opiniões de livros, muito obrigada, são uns heróis. Especialmente porque ultimamente o Peixinho anda pior que as monoculturas do Alentejo. São romances patetas salpicados de desastres em montanhas, numa espécie de equilíbrio macabro. Mas enfim, não se pode questionar a mood duma mood reader, nem obrigá-la a ler coisas que não quer, por isso aguentem mais um pouco que a emissão irá sintonizar mais qualquer coisa dentro de momentos.

Esta introdução toda para dizer que li mais um livro de montanhismo. E desta vez, pasme-se, não foi uma subida ao Evereste, a montanha mais alta do planeta. Foi uma subida ao K2, a segunda montanha mais alta do planeta. Mas este livro é radicalmente diferente dos anteriores, no sentido em que é o primeiro que leio que se foca essencialmente na história dos sherpas que acompanham os escaladores ocidentais. É um livro muito completo no modo como aborda a história dos sherpas, diferença entre transportadores de alta montanha e baixa montanha, diferenças entre transportadores paquistaneses ou nepaleses, e por fim as histórias pessoais dos que estiveram envolvidos nos incidentes da época de 2008, bem como as consequências para as suas famílias. Foi um livro muito interessante e muito completo, percebe-se que há uma pesquisa extensa por trás daquelas páginas.

Depois temos o mesmo de sempre, pessoas que tentam sempre ir mais além, desafiar os limites da capacidade humana, e numa montanha que é mais perigosa que o Everest, uns conseguem e outros não, de maneira aleatória. Algumas decisões que parecem acertadas acabam por custar a vida a alguém, e coisas que pareciam más acabam por salvar a vida a outros.

O livro que tinha lido antes deste, relatava a história dum homem que acabou por morrer sem ninguém lhe prestar auxílio, enquanto dezenas de montanhistas passaram por ele, muitos sem perceberem que ele estava em dificuldades. No espectro oposto temos muitos casos aqui de pessoas que decidiram socorrer montanhistas em dificuldades e acabaram por apenas engrossar o número de fatalidades, provando que não há respostas certas nestas coisas extremas. 

Aconselho muito a todos os que gostam de ler sobre aventuras, história, diferentes paisagens e culturas e desportos arriscados em geral. 

Boas Leituras!

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Let me start off by saying that if you are still on that side reading these posts, you are a hero. Especially because I’ve been very monothematic lately. It’s either silly romance or climbing books, in a kind of macabre dance. But that’s what being a mood reader means, that I only read what I’m in the mood for, and my mood has been very weird. But stay tuned, because this will not last forever. 

All this to say that I have finished another climbing book. And this time it was not a book about climbing the world highest mountain, Everest, but a book about climbing the world’s second highest mountain, K2. However, this book was very different than all the previous ones I read, in the sense that is more focused on the sherpa’s, their history, their cultural differences and the impact this kind of tourism has in their families and their communities. Here we understand the difference between sherpas and Sherpa, sherpas and HAP (high altitude porters), between Pakistanis and Nepalese porters, and many other things. We end up experiencing the climbing season from their perspective, and realising the impact it has on their lives, their families and their communities. It was a very interesting and thorough book, and we can sense there was a lot of research in its making. 

The rest of the book is the same as the others, many people trying to push the boundaries of human endurance, testing themselves is some of the harshest conditions on earth. Some decisions that seemed wise at the time ended up costing lives, and some misfortunes were actually life saving events. 

The other mountaineering book I had read recently told us the story of David Sharp, that ended up dying due to lack of assistance while dozens of climbers passed him by. In this book we see the stark contrast of climbers that do the honourable thing and try to save others, only to end up adding to the death toll, proving there are no right or wrong decisions in these extreme conditions. 

I recommend it to all adventure seekers, travelling addicts, people who love to read about different cultures, extreme sports and risky things in general. 

Happy Reading!

 

Acabei de Ler – Dark Summit

dark summit

Keep scrolling if you prefer to read in English.

Gosto muito de ler sobre escalada em alta montanha, nomeadamente nos Himalaias. Não sei se é pelo perigo que existe em subir picos acima dos 8 mil metros, se pelas histórias de superação, sei que desde que li Into Thin Air do Jon Krakaeur que fiquei absolutamente viciada neste tipo de literatura muito específica. E de vez em quando, quando não sei bem o que ler a seguir porque nada me enche as medidas, lá volto eu aos picos do mundo. E foi isso que aconteceu mais uma vez.

1996 foi o pior ano em termos de mortes em subida ao Everest. 10 anos depois, 2006 estava prestes a tornar-se igualmente mortífero, o que acabou por não acontecer graças a uma recuperação miraculosa de um dos escaladores. Mas mais que o número de mortes, 2006 levantou muitas questões acerca da solidariedade (ou falta dela) entre estes montanhistas.

David Sharp era um jovem inglês com muita experiência em montanha, mas que ainda não tinha chegado ao topo do Everest, apesar de já ter tentado. 2006 ia, presumivelmente, ser a sua última tentativa, porque aproximava-se uma mudança de vida. Em vez de se juntar a uma empresa que organiza estas expedições em larga escala, e com muito apoio, resolveu ir de um modo mais independente, e juntar-se a uma expedição low cost, que custava menos porque proporcionava pouco mais que a licença de subida e transporte até ao campo base.

David Sharp escalou sozinho, e acabou por morrer na montanha, por exaustão. Esse facto não é estranho, acontece todos os anos. O que foi diferente é que dezenas de outros escaladores passaram por ele e, por diversos motivos, não lhe prestaram ajuda. Nick Heil investigou o que se passou e o resultado é apresentado neste livro. Mas aqui conta-se também a história, radicalmente diferente, de Lincoln Hall, que após ter sido dado como morto, conseguiu recuperar o suficiente para ser resgatado da montanha. Estas duas histórias parecem duas faces da mesma moeda.

O livro é muito interessante. Começa com a história do Everest, como foi descoberto que era a montanha mais alta do mundo e o fascínio imediato que isso exerceu em muita gente. Fala-nos dos exploradores mais conhecidos que conseguiram, ou não, atingir o seu cume. Fala do desastre de 1996 como pano de fundo, e como altura em que primeiro se começou a questionar a existência de grandes empresas a levarem pessoas despreparadas ao cume. E termina com a história da época de 2006 na subida norte, a mais difícil. É inevitável termos uma opinião sobre o que aconteceu, mas na realidade sem passar por uma experiência tão perigosa e transformadora, apenas podemos especular no conforto do nosso sofá sobre se as nossas acções seriam diferentes se lá estivéssemos, quando tentar salvar uma vida pode acabar por matar todos os envolvidos.

Recomendo a todos os que gostam de ler sobre aventura, sobre viagens, escalada, montanhismo, ou apenas viver experiências diferentes através dos livros. Eu comecei já a procurar o livro do João Garcia, porque gostava de ler uma perspectiva portuguesa sobre o assunto.

Até lá, Boas Leituras!

Goodreads Review

I really like to read books about climbing and mountaineering, especially in the Himalayas. It might for the danger of climbing above 8000 meters, or because of all the stories of people outdoing themselves, but since I read Into Thin Air, by Jon Krakaeur I was hooked. And when I’m not sure what to read next, or I don’t want anything specific, I usually pick one of these books and go back to the highest mountains on earth. 

1996 was the worse year in death toll. 10 years later, 2006 was about to reach their record of 12 people dead in a climbong season, but a miraculous recovery by Lincoln Hall cheated the statistics. But more than the number of deaths, 2006 was controversial and opened a debate about humanity and solidarity between climbers at high altitude. 

David Sharp was a british climber with a lot of high altitude experience, but he still hadn’t summited Everest even though he had tried before. Due to a career change, 2006 was probably going to be his last atempt. He liked to climb independently, so instead of joining one of the big players in mountain climbing, he purchased the services of a smaller company, that was cheaper but provided only the mere basics, like the permit and transportation to a rudimentary base camp. After that he was on his own. 

David climbed mostly alone, and no one was really accountable for his whereabouts, so he ended up dying alone in the mountain, from exposure. That fact in itself is not strange. The strange part is that dozens of other climbers passed him by, some engaged and others didn’t, some realised he was dying, some thought he was ok, but no one tried to rescue him. When finally someone did, it was already too late. His expedition leader didn’t even realised he was missing. Nick Heil investigated what happened and gives us his account on this book. But that’s not the only story. Later in the same season Lincoln Hall was reported as dead and abandoned by his teamates, only to be found alive on the following day, and recovered enough to return to camp on his feet. These two stories feel like different sides of the same coin. 

This book was very interesting. It paints an historical background of Everest, with a summarised tale of the most important climbers and expeditions that tried to summit it since it was confirmed as the highest mountain on earth. It tells us about the fascination big mountains have, even for people like me that are afraid of heights. It speaks about the 1996 disaster to finally set the tone for the 2006 season, from the northeast ridge, the hardest path to the summit. It is inevitable that we have an opinion about these events, but without ever being there and understanding the toll the high mountains make on our strength and our judgement, we can only speculate from the confort of our couchs what we would have done differently. 

I recommend it to all adventurers, travellers, mountain climbers and to everyone who likes radical experiences, even if only through books. Meanwhile I’m looking for João Garcia‘s book, to get a portuguese perspective as well. 

Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – How to Walk a Puma

walk a puma

Keep scrolling if you prefer to read in English.

Peter Allison é um australiano que decidiu desde cedo que um trabalho de escritório não era para si, e resolveu rumar a África para trabalhar como guia de safari. Andou pela África do Sul, Botswana, Namíbia e as suas aventuras nesses locais belíssimos estão relatadas nos seus primeiros livros, de que eu já falei aqui e aqui.  Desta vez Peter decide voltar à natureza depois duma paragem de 10 anos onde tentou enquadrar-se na vida “normal”. Resolve fazer uma viagem pela América do Sul, sempre em busca dum jaguar, o maior felino do continente.

Pelo caminho vai ter aventuras incríveis com pumas, aves, anacondas, e acima de tudo, pessoas. Peter Allison tem o dom de fazer os seus interlocutores contarem histórias incríveis, que por sua vez vêm até nós sempre com muito humor.

Numa época em que as viagens se encontram tão amputadas por causa da pandemia, é um verdadeiro prazer poder viajar através dos livros. Infelizmente, o lado menos glamouroso destes livros é sempre pensar como estarão hoje as zonas que já estavam em perigo grave de destruição pela industria da madeira há 10 anos atrás, quando o autor as visitou. Ou aquela tribo que ainda vivia praticamente em isolamento na Amazónia. Dificilmente estarão melhores, pelos ecos que vamos ouvindo da zona.

De qualquer modo foi um prazer muito grande ler este livro, e recomendo para todos os amantes de literatura de viagem e vida selvagem.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Peter Allison is an australian that decided he was not fit for an office job very early in his life. This lead him to Africa, where he started a carreer as a safari guide, in amazing places like South Africa, Botswana and Namibia. His adventures in those countries are told on his first two books, that I already reviewed here e here. After a city break, where Peter tried to fit in some office jobs, he decides to get back on the road and this time he goes to South America, searching, among others, the elusive jaguar. 

While he’s there he experiences some amazing adventures with pumas, birds, anacondas, but most of all people. He has the gift to make people open up to him and tell him incredible stories that he shares with us, always filled with humour.    

In a time where travelling is has been so hindered by the pandemic, that has no end in sight, it is an absolute joy to be able to travel through books. Unfortunately not all is beautiful. Some of the places the author has visited 10 years ago where already severely under threat from the logging companies and other dangers, so one tends to wonder what has become of those places now. Or that tribe that still lived according to their old ways, always fighting for their land. We can infer that should not be better, especially considering the news we keep seeing from those countries. 

Despite that, it was a real pleasure to read this book, and I cannot recommend it enough to all travel and wildlife lovers. 

Happy Reading!