Livros que Recomendo – Como Água para Chocolate

agua para chocolate

Já não sei há quantos anos terei lido este livro, mas foram com certeza 20 ou mais. Apesar de ser um livro que adoro e que já ofereci muitas vezes, não tenho nenhuma cópia minha, porque sempre que li foi por empréstimo (a maravilha da partilha de livros).

Já falei aqui dele, quando fiz uma lista dos 5 melhores livros de amor, porque realmente é uma belíssima história de amor, daquelas como só os sul-americanos sabem escrever, cheia de realismo mágico.

O livro conta-nos a história de Tita, a filha mais nova duma mãe à antiga, que segue as tradições à risca, no início do século XX. Tita e Pedro apaixonam-se, mas Tita nunca poderá casar porque o dever das filhas mais novas é ficarem solteiras e cuidarem das mães até estas morrerem. Assim Pedro casa com a irmã mais velha para poder pelo menos ficar perto do seu amor.

Este é o resumo da história, mas muita da beleza deste livro passa pelo modo como ela está contada. Está dividido em 12 capítulos, um para casa mês do ano, apesar da história se passar ao longo duma geração. Começamos sempre com uma receita tradicional mexicana, que Tita prepara como ninguém, e é na explicação de como executar cada receita que a trama nos é apresentada. A comida e a culinária como transmissores de emoções e de estados de espírito é algo que permeia toda a narrativa.

Existe também um filme, mexicano, que faz realmente juz à obra e que eu recomendo tanto como o livro.

Recomendo a todos os que gostam de livros de amor, de realismo mágico, de histórias bonitas e contadas com algum humor.

Boas Leituras!

Each of us is born with a box of matches inside us but we can’t strike them all by ourselves; we need oxygen and a candle to help. In this case, the oxygen for example, would come from the breath of the person you love; the candle would be any kind of food, music, caress, word, or sound that engenders the explosion that lights one of the matches. For a moment we are dazzled by an intense emotion.

A pleasant warmth grows within us, fading slowly as time goes by, until a new explosion comes along to revive it. Each person has to discover what will set off those explosions in order to live, since the combustion that occurs when one of them is ignited is what nourishes the soul. That fire, in short, is its food. If one doesn’t find out in time what will set off these explosions, the box of matches dampens, and not a single match will ever be lighted.

 

 

 

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Livros que Recomendo: Asterix o Gaulês

Asterix o gaules

Não consigo enumerar as vezes que li este livro, mas foram largas dezenas. Este não foi o primeiro livro do Asterix que li. Essa honra cabe a Astérix e Cleópatra, depois duma amiga dos meus pais me ter levado a ver o filme de animação, mas desde aí nunca mais parei.

Todos os anos, na nossa visita anual à Feira do Livro, eu comprava pelo menos mais um volume da colecção. E sempre que isso acontecia eu voltava religiosamente a ler todos os outros. Tinha alguns preferidos (ainda hoje me lembro do Astérix entre os Helvéticos, ou entre os Bretões). Na realidade, se pensar bem, os meus favoritos eram todos aqueles em que Astérix e Obélix viajavam para terras distantes para ajudar algum amigo em apuros. Isso fez-me aprender imenso sobre outros países e a sua história, tudo em suave brincadeira.

Estes livros são mágicos, divertidos e podemos aprender alguma coisa com eles. Claro que estes dois amigos improváveis resolvem quase tudo à pancada, e neste mundo em que vivemos hoje do branqueamento do politicamente correcto, tenho a certeza que alguém se há-de insurgir contra isso. No entanto, eu que não acredito em politiquices e nunca resolvi nada pela força, tinha nestes livros os meus favoritos de infância.

A história deste livro é simples, e centra-se no rapto de Panoramix pelos romanos para obterem o segredo da poção mágica, com todas as peripécias que já sabemos virão a seguir. Acaba como sempre, com um grande banquete em que o bardo é de algum modo impedido de cantar!

Recomendo a todos os jovens de espírito, a todos os que gostam de BD e bons livros, a todos os que querem passar um bom momento com os seus filhos em leituras conjuntas.

E quem não se lembra das famosas palavras de abertura?

Estamos no ano 50 a.C.. Toda a Gália está ocupada pelos Romanos… Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis Gauleses resiste agora e sempre ao invasor.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo: O Hobbit

hobbit

Como grande fã de livros de fantasia faltava vir aqui recomendar um livro do mestre do género, aquele que lançou as bases para muito do que se escreve actualmente e que criou todo um mundo novo, repleto de criaturas, linguagens, complexas relações sociais e uma beleza delicada.

Seria de esperar que recomendasse a trilogia do Senhor dos Anéis, já que é sem dúvida a obra maior e mais representativa. No entanto, caso ainda não tenham reparado, o Peixinho é um nadinha obsessivo-compulsivo e acredita nestas coisas estranhas de ler uma história por ordem, e na realidade o que dá o pontapé de saída em toda esta história é este Hobbit. Aqui ficamos a conhecer detalhadamente esta raça, que vai ser fulcral no resto da história, bem como percebemos de onde vem o anel, como foi introduzido na história, mas acima de tudo é uma história muitíssimo bem contada.

Não se deixem por favor enganar pela xaropada comercial que foram aqueles 3 filmes em que este livro se transformou, e que não lhe fizeram justiça. A história não se arrasta assim tanto, os anões são muito mais divertidos, e a acção é real e dinâmica.

Tolkien inspirou-se nas histórias que contava aos seus filhos, bem como no seu próprio interesse noutros trabalhos de fantasia, nas lendas nórdicas e até mesmo no contexto social que o rodeava. Apesar de ser considerado um livro juvenil, a qualidade da história e da escrita tornam-no acessível a todas as idades.

Recomendo este livro a todos aqueles que gostam de se deixar seduzir e encantar por uma história fantástica, cheia de significado e com personagens que nos fazem sonhar.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo: Os Homens que Odeiam as Mulheres

stieg Larsonn

Mais uma vez venho recomendar um livro que quase toda a gente já deve ter lido, mas mesmo assim chegou a sua altura. Há alguns anos atrás, o outro Peixe cá de casa andava a investigar as actualidades quando se deparou com a sinopse deste livro e comprou para nós lermos numas férias. Na realidade tratámos de arranjar logo as sequelas também, de tal modo ficámos entusiasmados com a história.

Para lá da história do livro, temos a história do seu autor, Stieg Larsson, que nem teve oportunidade de ver o sucesso estrondoso que os seus livros estavam a ter, já que morreu de ataque cardíaco ao fim dos três primeiros volumes. A história, que estava planeada para ser 10 volumes inicialmente, ficou assim sem continuação, no entanto, e ao contrário do Game of Thrones, por exemplo, as linhas de enredo que foram começadas terminaram e não nos sentimos abandonados de repente. Os livros seguintes estavam planeados para continuarmos a seguir as aventuras de Lisbeth Salander, mais do que para concluir este primeiro enredo.

Mas neste livro (e nos dois subsequentes) temos uma história policial, de investigação jornalística, aparentemente apenas mais um thriller do género. Um avô octagenário quer saber o que provocou o desaparecimento da sua neta algumas décadas atrás, e para isso contrata um jornalista de investigação Mikael Blomkvist (uma espécie de alter ego do autor) para investigar. No entanto o facto do autor ser sueco e o livro ser passado na Suécia traz logo um toque refrescante à acção. Saímos do território mais que explorado dos EUA ou UK, e entramos num mundo diferente, aprendemos muita coisa sobre a cultura do país, e percebemos que esta é uma história profundamente contemporânea e europeia.

Depois temos um dos melhores personagens que eu tenho memória, Lisbeth Salander, a rapariga com um passado conturbado, com uma inadequação social muito grande, de quem muita gente abusa, mas que também entra no coração de muitos outros. Lisbeth tem uma força e um impacto que não me lembro de ter visto noutros personagens femininos e só por isso estes livros merecem ser lidos.

Não me vou alongar muito sobre a história, apenas refiro que tem algumas passagens que podem chocar mentes mais sensíveis, mas que esse é também um dos encantos do livro.

Já se fizeram duas adaptações ao cinema, uma sueca e outra americana, mas esta última não passou do primeiro livro. Devo referir também que este é dos poucos casos em que a tradução portuguesa do título está mais fiel ao original sueco, do que a inglesa, que ficou uma versão higienizada: The Girl with the Dragon Tattoo.

Recomendo a todos os que gostam de policiais, com muito ritmo, fora do comum e personagens fortes.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Contos do Gin Tonic

gin tonic

Mário Henrique-Leiria já fez umas aparições aqui no Peixinho na Poesia de segunda-feira, mas achei que já estava na altura de recomendar o livro que me fez chegar até ele. Já não me lembro bem qual a história que me trouxe até este livro, no fundo da minha memória está associado a uma amiga muito louca com quem partilhei umas noitadas e o amor pelos livros, mas pode ter vindo de qualquer outra pessoa.

Sem dúvida que A nêspera foi o primeiro poema que me despertou a atenção e que me levou a querer conhecer mais deste autor surrealista.

Mário Henrique-Leiria era um escritor que fazia parte dum grupo  de surrealistas e isso está bem marcado na sua obra. Este livro é um conjunto de contos, mais em prosa que em poesia, mas todos com uma veia fantástica, humorística e satírica, a condizer com o espírito pré 25 de Abril que para se dizer umas verdades sociais e politicas elas tinham de vir mascaradas de algo diferente. Lido nesse contexto, a nêspera pode ser visto como um apelo à acção, a tomar o nosso destino nas próprias mãos, e muitos dos contos que estão contidos neste livros estão carregados de mensagens. Mas acima de tudo dão imenso prazer a ler.

Recomendo a todos os que gostam de literatura portuguesa, de coisas divertidas e diferentes e que se querem deixar encantar.

Se quiserem saber mais sobre o autor têm bons artigos aqui e aqui.

Boas Leituras!

Noivado
Estendeu os braços carinhosamente e avançou, de mãos abertas e cheias de ternura.
– És tu Ernesto, meu amor?
Não era. Era o Bernardo.
Isso não os impediu de terem muitos meninos e não serem felizes.
É o que faz a miopia.

Livros que Recomendo – O Rapaz que Prendeu O Vento

prendeu o vento

Imaginem que nasceram numa pequena aldeia remota no Malawi e que um dos maiores prazeres que têm é ir à escola, aprender e ler tudo aquilo a que conseguem deitar a mão. Depois imaginem que uma seca assola o vosso país, dependente duma agricultura incipiente, tradicional, e que uma fome avassaladora se abate por todo o lado, e os vossos pais deixam de ter capacidade de pagar o vosso uniforme escolar, e consequentemente vocês deixam de poder ir à escola.

Este é o começo da história de William Kamkwamba, que tinha tudo para ser uma história trágica como tantas que vemos na comunicação social diariamente, mas que na realidade é um hino à superação, à aprendizagem e ao engenho humano. William aprende com os livros que lhe vão emprestando na biblioteca enquanto não pode ir à escola, e com os conhecimentos rudimentares de física e engenharia, acaba por desenvolver um moínho de vento que vai trazer electricidade primeiro a casa dos seus pais, e mais tarde à sua aldeia.

Isto fez com que ele fosse descoberto no seu país e internacionalmente, fosse convidado a dar uma TedTalk, e a partir daí conseguiu patrocínios para concluir a sua educação.

Este livro, que me foi oferecido por uma amiga, impressionou-me bastante e eu própria já o ofereci algumas vezes. É uma lição de vida sobre como não desistir em face da adversidade, em como olhar à nossa volta e pensar que tudo são recursos e oportunidades e não obstáculos, e como realmente o lixo de uns são os tesouros dos outros.

Recomendo muito este livro a todos os que gostem de saber mais sobre outros países, outras culturas e realidades, mas que queiram ao mesmo tempo aprender sobre si próprios e sobre as suas capacidades.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Toda a Mafalda

mafalda

Quando era miúda ia passar muitos fins-de-semana a casa dos meus padrinhos. Uma coisa que eles tinham eram imensos livros, um dos quais já recomendei aqui, O Meu Pé de Laranja Lima. Mas também tinham muita BD alternativa dos anos 70, muita obscura de que não se ouviu mais falar, mas a minha favorita era sem dúvida a Mafalda.

A Mafalda é uma menina de 6 anos, que não gosta de sopa e tem uma visão do mundo surpreendentemente actual, considerando que é um cartoon argentino que foi publicado  por Quino de 1964 a 1973. A sua visão política e social é muito apurada, e a interacção com os seus amigos e mais tarde o irmão permitem-nos reflectir sobre problemas importantes da sociedade sempre com uma capa de aparente leveza.

Foi uma daquelas BD’s que eu comecei a ler em pequena e a rir de algumas tiras, principalmente as que relatavam o ódio à sopa, e quanto mais ia crescendo mais ia abarcando os significados que estavam contidos em cada quadradinho.

Já há muito tempo que não leio a minha Mafalda, mas tenho saudades. É um daqueles livros a que recorro quando o cérebro precisa de descanso informado.

Recomendo a todos os que gostam de pensar, divertir-se, rir enquanto pensam sobre coisas sérias, e perceber que embora o mundo evolua muito, se calhar tudo continua na mesma.

Boas Leituras!

mafalda 02

Livros que Recomendo – Crónica duma Morte Anunciada

GGM

Já há muito tempo que queria recomendar no Peixinho um livro do Gabriel García Márquez que me acompanhou no final da adolescência, no entanto demorei muito tempo a decidir qual. Muitos são aqueles que me encantaram, mas finalmente percebi que este tem um lugar especial no meu coração de leitora.

Este livro começa pelo fim. Começamos a saber que Santiago Nasar vai morrer, e como vai morrer. Na realidade, nunca houve morte mais anunciada e é isso que torna este pequeno livro absolutamente delicioso.

O narrador retorna à sua aldeia muitos anos depois dos acontecimentos terem ocorrido, e vai investigar como morreu o seu amigo. Bayardo San Roman casou com Angela Vicario e descobriu na noite de núpcias que ela já não era virgem. Pressionada a nomear o culpado, ela acusou Santiago Nasar, e foi devolvida à familia. Os irmãos juraram vingar a sua honra e matar o culpado. E a partir daí a sorte de Santiago está lançada, e toda uma série de eventos se desenrolam permitindo que a sua morte efectivamente aconteça, perante a impassividade/cumplicidade de toda a aldeia.

É realmente um livro pequeno, com cerca de 100 páginas ou menos, mas poderoso na forma com a história se desenrola, como o autor nos obriga a testemunhar este facto como se estivéssemos nós próprios nesta aldeia perdida do interior colombiano, e fossemos de algum modo coniventes com o que se está a passar. É, como muitos outros livros, um forte retrato das convenções sociais, dos moralismos e das regras rígidas que nos regem, um testemunho do facto que muitas vezes acreditamos no pior das pessoas.

Recomendo a todos os que gostam de literatura sul-americana, ou a querem descobrir, ou simplesmente querem uma história pequena mas muito bem contada.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Pela Estrada Fora

on the road

Jack Kerouac é um escritor medianamente conhecido, pelo menos entre nós, mas a sua influência na literatura anglo-saxónica foi fundamental. A ele é atribuído o nascimento da “Beat Generation“, uma geração de escritores e poetas pós segunda guerra mundial, que tentaram quebrar barreiras, ver o mundo com outros olhos e pavimentaram a posterior revolução que foram os anos 60. A isso tudo Jack Kerouac junta o facto de ser o único escritor que conheço que partilha o meu aniversário, por isso foi com redobrada curiosidade que li este seu livro.

Se retirarmos todo o contexto à obra, ela pode parecer-nos seca e desprovida de elegância. Parecem-nos as viagens sem rumo duns tipos falhados na vida, divorciados, alcoólicos, a experimentar com tudo o que deitam a mão.

Mas se pensarmos que isto é um relato de viagens feitas no final dos anos 40, com o pano de fundo duma América a recuperar da guerra, das casas de jazz, a pobreza das zonas mais interiores, o desespero e falta de visão de futuro duma nova geração, vemos que à altura isto foi tudo muito inovador. Estes amigos iam visitar locais onde a classe média não se atrevia a entrar, e voltavam para contar a história, que era escabrosa.

Também o modo como a história foi contada foi inovador. Jack Kerouac tirou anotações em blocos de notas aquando das suas viagens, e só alguns anos mais tarde, em 1951, se sentou durante 3 semanas e escreveu tudo de seguida, sem parar, num manuscrito de folhas todas iguais que colou umas às outras para formar um enorme rolo contínuo, que ainda hoje se encontra em exposição em algumas bibliotecas.

Hoje em dia, que já todos vivemos tudo, que tudo é permitido embora tudo seja criticado, pode ser difícil perceber qual foi a relevância desta obra na altura, mas ainda hoje é considerado um livro importante e influencia muitos escritores e músicos. Em 2012 foi feito um filme, que eu ainda não vi, mas que não me parece muito promissor.

Já o livro recomendo a todos os que gostam de literatura de viagem, de retratos duma geração, de coisas diferentes.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – A Lagoa do Sherman

Sherman

Não é a primeira vez que falo aqui no Peixinho deste tubarão castiço, meio tolo, que habita numa lagoa tropical dum atol no Pacífico. Vive lá com a sua esposa, e os seus amigos. Uma tartaruga existencialista, um caranguejo vigarista, um peixe adolescente que é um génio de computadores e um urso polar que vai e vem consoante lhe apetece calor. Todos os outros habitantes são mais ou menos território livre de alimentação, incluindo os “macacos peludos” que se passeiam inocentemente pelas praias a desfrutar do lugar paradisíaco.

Por baixo de tudo isto temos uma forte mensagem ambiental e de reflexão sobre a importância de todos os seres marinhos, por mais insignificantes que nos possam parecer, bem como alertas vários sobre situações actuais graças ás viagens que Sherman vai fazendo por outros mares do mundo.

Eu sei isto tudo porque sigo diariamente a tira que vai sendo publicada aqui, já que em Portugal apenas foram publicados dois volumes pela Devir. Mas creio que hoje já não se encontram disponíveis.

Recomendo a todos os que gostam de BD, principalmente com um tom humoristico/educativo.

Boas Leituras!