Livros que Recomendo – Cathy

cathy

Algures no início dos anos 90 começou a ser traduzida para português a BD Cathy, editada pela Gradiva. Nesse Natal eu e a minha melhor amiga oferecemo-nos mutuamente o livro, sem uma saber da outra. Cathy é uma BD que foi publicada nos Estados Unidos diariamente de 1976 a 2010 e reflectia a “mulher real”. Pelo menos uma mulher real com a qual nos podíamos relacionar. Sempre a lutar com o peso, namorados errados, e uma mãe que o que mais queria é que ela estivesse no lugar da Princesa Diana e casasse com realeza.

Muito divertido e escrito com muito auto-conhecimento, estas BD’s proporcionaram-me muitas horas de diversão, até a minha vida ter mudado de direcção e a personagem deixar de se adequar tanto à minha própria realidade.

Ainda devo ter muitos volumes em casa dos meus pais, que um dia gostarei de reler. Creio que na maior parte as piadas já estarão datadas, e mesmo o tipo de desenho já parece muito rústico, mas creio que o espírito divertido de auto-censura ainda se manterá. Para quem não se importa com o inglês, todas as tiras podem ser encontradas aqui, e uma descrição da autora aqui.

Recomendo a todos os amantes de BD e de mulheres reais.

Boas Leituras.

Hoje Também Não Recomendo Livros

estante

Já há cerca de dois anos que recomendo livros à sexta feira para nos alegrar os fins de semana. Segundo os meus registos já aqui falei de 86 livros, que de uma maneira ou outra me encheram as medidas, me deixaram recordações e que achei pertinente partilhar com os outros.

O ano passado pedi recomendações e recebi excelentes ideias de leitura, por isso este ano pergunto o mesmo. Que livros vos chamaram a atenção nos últimos tempos e que desejam recomendar?

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Ghostwritten

david mitchell

Já não é a primeira vez que falo aqui de David Mitchell, já que li alguns livros dele desde que comecei o Peixinho, e até já recomendei o Cloud Atlas. Foi com Cloud Atlas que conheci este autor. Primeiro vi o filme, depois li o livro que achei muito original e entusiasmante, e depois disso resolvemos ler toda a obra do autor por ordem de publicação, o que nos leva a Ghostwritten, o seu primeiro livro.

David Mitchell viveu alguns anos no Japão o que deu um toque muito especial e exótico à sua escrita, que tem muitos temas asiáticos. Este seu primeiro livro é uma colecção de histórias, aparentemente sem relação umas com as outras, mas que facilmente nos apercebemos que um aspecto da anterior passa sempre para a história seguinte. Como diz um jornalista da TVI, isto anda tudo ligado. Mas neste caso não se percebe imediatamente o que liga cada história, e se há algum fio condutor que una todo o livro. Isso vai sendo desvendado ao longo do livro, e tudo está conectado, tal como dum modo mais abrangente toda a obra de David Mitchell se comporta como se fosse uma história gigante.

Foi ao ler recentemente o Bone Clocks que me lembrei deste livro, já que uma entidade presente no primeiro livro está consideravelmente mais desenvolvida no mais recente. Também vários personagens de Ghostwritten vão aparecer mais tarde noutros livros do autor, sempre com outro prisma e com algo mais adicionado à sua história.

Recomendo a todos aqueles que gostam de boas histórias, bem contadas, que nos mantêm agarrados ao livro ansiosos por saber o fim. Também a quem gosta de histórias exóticas e que nos deixam ansiosos por mais.

Boas leituras!

Livros que Recomendo – Retrato Dum Artista Quando Jovem

james joyce

Por algum motivo que me escapa, sempre confundi este livro com o Retrato de Dorian Gray, que recomendei aqui no Peixinho há algum tempo. Creio que foi por os ter lido na mesma altura, e por ambos terem retrato no nome. No entanto as semelhanças não são muitas mais, exceptuando talvez o facto que James Joyce e Oscar Wilde eram irlandeses.

Este livro foi o primeiro que li deste autor, e único até agora. Não sei o tamanho dos outros me intimida, se simplesmente ainda não me senti suficientemente motivada para os ler, mas a impressão com que fiquei deste livro foi bastante boa.

O retrato do artista quando jovem é mesmo o que o título diz. Uma ficção inspirada na juventude do próprio autor, e em que Stephen Dedalus é como que o seu espelho. Tal como James Joyce, Stephen também nasceu na Irlanda, filho de pais muito católicos, e com uma relação conturbada. Com uma infância conturbada, e depois de uma passagem traumática por um colégio católico,  Stephen questiona a sua identidade e os seus valore e acaba por sair da sua Irlanda natal e embarcar rumo à Europa, mais liberta de tradicionalismos.

Escrito num estilo modernista, em que a linguagem se vai adaptando ao crescimento da personagem, este livro tem também inspiração no mito grego de Dédalo, o grande artesão. Foi também aqui que Joyce lançou as fundações para a sua obra maior Ulysses.

Recomendo a todos os que gostam de literatura clássica, de ler livros bem escritos e diferentes. Aqui deixo-vos o link onde podem obter a versão digital gratuita, pois já está em domínio público.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – A Máquina do Tempo

HGWElls

O Peixinho anda virada aos clássicos nas últimas semanas. Desta vez escolhi um clássico de ficção científica, por um dos mestres, H. G. Wells. A máquina do tempo foi uma expressão que apareceu pela primeira vez nesta novela e a partir daí nunca mais deixou de ser utilizada. Uma máquina como instrumento para nos fazer viajar através de diferentes épocas foi uma ideia que apelou ao nosso imaginário colectivo e que tem sido utilizada infinitamente desde a publicação deste livro em 1895.

O nosso viajante do tempo, como a personagem é apresentada, é um cientista e um inventor, explica aos seus convidados de jantar que descobriu que o tempo é uma quarta dimensão que pode ser percorrida como as outras e que está a construir uma máquina para o fazer.

Na semana seguinte convida as mesmas pessoas e assume a narração da história para contar tudo aquilo que viu nas suas viagens. A partir daí entramos num mundo fantástico em que nos é relatada a evolução do planeta através das paragens que o nosso viajante vai fazendo, descobrindo cada vez mais diferenças até à espécie humana estar quase irreconhecível. Temos aqui uma forte alegoria à diferença entre classes, à industrialização e ao fim do mundo como o conhecemos.

Este livro já deu azo a muitos estudos académicos, e inúmeras obras relacionadas, quer em livro, quer em teatro e cinema.  Todo um mundo de obras que se baseiam nesta simples premissa, que viajar no tempo é possível e desejável.

Recomendo muito este livro, não só a amantes de ficção científica, mas a todos os que gostam de ler os clássicos, de descobrir livros bem escritos e que serviram de inspiração a tantos outros. Eu gostei muito e sinto que tenho de o reler em breve.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Fernão Capelo Gaivota

fernaocapelogaivota

Quando eu era adolescente Richard Bach estava muito na moda, e este era o seu livro bandeira. Era um daqueles escritores como agora há muitos, de se escrever as frases favoritas em caderninhos e depois escrever nos postais de aniversário dos amigos, no tempo em que não era só uma frase com efeitos no Facebook.

Sendo aviador, os seus livros estão cheios de referências a aviões e ao acto de voar, uma espécie de Saint-Exupery dos pobres. No entanto, e apesar deste começo tão desolador, há méritos neste livros de 1970.

O nosso protagonista é uma gaivota que se cansa da vida diária, das lutas por comida, do quotidiano sem significado, e acredita que voar há-de ser mais que apenas um modo de deslocação. Porque não retirar prazer dessa actividade, aperfeiçoá-la? Ele começa então a fazer acrobacias, a tentar todos os dias voar melhor, e isso faz com que seja incompreendido pelo seu bando e posto de parte. Esta é a primeira parte desta fábula, que fala sobre nós e o nosso desejo de aperfeiçoamento constante, a nossa relação com Deus e com os outros, usando as gaivotas como pano de fundo.

Poderá ter saído de moda, e já não andar nas bocas do mundo, mas não deixa de ser uma boa reflexão, que nos faz pensar, trazida dum modo leve e despretensioso. Não será com certeza pior que os Chagas Freitas desta vida.

Recomendo a todos os que gostam de livros que nos ajudam a pensar, levezinhos e que nos prendem a uma história.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo -O Deus das Moscas

o senhor das moscas

O Peixinho continua a sua senda de recomendar livros, principalmente neste tempo de férias que temos mais disponibilidade temporal e mental para pôr alguma leitura em dia.

O Deus das Moscas não é um livro fácil, e às vezes é mesmo muito gráfico, mas é uma excelente alegoria sobre o ser humano e a sua capacidade de gerar caos quando se encontra numa sociedade sem regras e sem punição. Foi o primeiro romance de William Golding, que acabaria por ganhar o Nobel em 1983, e talvez o seu título mais conhecido.

Neste livro seguimos um grupo de jovens rapazes que fica preso numa ilha após um desastre de avião. Lá vão tentar sobreviver e criar a sua própria sociedade, aproveitando os recursos que a ilha lhes dá. Mas o que começa como uma empreitada já de si difícil, depressa descamba num caos agressivo, em que as disputas pela liderança, pelo que deve ser prioritário e a total liberdade levam a situações cada vez mais desastrosas.

Uma alegoria sobre a condição humana faz-nos também reflectir na “inocência” infantil, e as ideias preconcebidas que temos a seu respeito.

Aconselho a todos os que gostam de ler clássicos, livros para reflectir, e boa literatura em geral.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Cemitério de Pianos

cemiterio de pianos

 

Hoje venho recomendar um livro de José Luís Peixoto, autor que gosto particularmente, apesar de não ser fã militante e de frequentemente precisar de intervalos para digerir a sua prosa.

Este livro foi particularmente interessante para mim. É uma história familiar, estendida no tempo, com vários pontos de vista e vários personagens a relatar as suas memórias de forma intercalada. É necessário muita concentração para não perder o fio à meada, mas vale certamente a pena. Está recheado de personagens fortes e interessantes, que relatam a maravilha que é a vida quotidiana ao longo de gerações, com as suas alegrias, mas sobretudo com os seus sofrimentos.

Tem o bónus adicional de uma das personagens ser baseada na história verídica do maratonista português que morreu na maratona de Estocolmo em 1912. A morte está muito presente neste livro, e a forma como lidamos com ela e a encaramos. A morte como parte da vida.

Recomendo a todos os fãs do José Luís, e de boa literatura que nos faz pensar.

Boas Leituras.

 

 

Livros que Recomendo – Nem Aqui, Nem Ali

bryson

Já não é a primeira vez que recomendo um livro do Bill Bryson no meu estaminé, e o mesmo se aplica a livros de viagens, no entanto é o primeiro livro de viagens deste autor que recomendo. O que é estranho, porque este é o seu principal género, e ele é muito bom a escrever estes livros. Mas Uma Breve História de Quase Tudo é tão genial que tive que o recomendar primeiro.

Este livro relata a viagem que o autor faz pela Europa, recreando os passos que deu na sua juventude com um amigo da escola. 20 anos depois parte em busca do que mudou e do que se manteve igual. Dotado dum sentido de humor bastante sarcástico, que por vezes roça o ofensivo, o livro é delicioso de se ler, tendo em conta que Bill Bryson é um turista americano no sue melhor.

Por cada país que passa faz observações mordazes e certeiras e podemos ter a certeza que nos divertiremos. Tendo sido escrito algures nos anos 90, o nosso país era ainda um alegre desconhecido, por isso estamos ausentes desta narrativa. Fica a questão, se nos dias de hoje os estudantes americanos que planeiam viagens de mochila às costas pela Europa já incluirão ou não o nosso país. Pelo estado em que eu encontro a nossa Baixa de Lisboa sempre que lá vou eu diria que sim, apesar de não ser das melhores coisas para a paisagem tradicional.

Recomendo a todos os que gostam de livros de viagens, de se divertir enquanto lêem e de meditar nas diferenças culturais.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Os Filhos da Meia Noite

rushdie

Hoje venho recomendar um livro que me foi oferecido há alguns anos, e que demorei algum tempo a conseguir. É complexo, por vezes confuso, mas quando finalmente entramos na história e bastante recompensador.

Salman Rushdie é um grande contador de histórias, com um modo refinado de nos mostrar também a história do seu próprio país. Aqui fala-se de Saleem Sinai, um rapaz que nasceu exactamente à meia noite do dia em que a Índia se tornou independente. Isso conferiu-lhe poderes especiais, no seu caso relacionados com a audição e o olfacto, e também a capacidade de estar espiritualmente ligado às outras mil crianças que nasceram à mesma hora e que possuem outros poderes.

Através da história da sua família e do que o rodeia vamos descobrindo uma Índia em evolução, as suas convulsões sociais e religiosas, tudo muitíssimo bem escrito e contado. Este livro ganhou o Man Booker de 1981, se precisasse de mais recomendações.

Recomendo a todos os que gostam de boa literatura, não têm medo de mergulhar de cabeça numa história complexa, e gostam de paragens mais exóticas.

Se quiserem uma review mais completa, vejam aqui.

Boas Leituras!