Acabei de Ler – As Cortes Todas da Sarah J. Maas

ACOTAR

Imagem retirada daqui

Scroll (a lot) if you prefer to read in English.

Quem segue o Peixinho sabe que em 2021 eu li muitos romances. A certa altura do ano parecia que o meu cérebro não conseguia absorver mais nada. Foram tantos que a minha cabeça se rebelou e só de pensar em chick lit dá um nó.

Foi por isso que resolvi começar o ano de 2022 com uma coisa radicalmente diferente para desenjoar e pensei em ler fantasia. Resolvi pegar na trilogia da Sarah J Maas, que andava toda a gente a ler/reler e a discutir nas redes sociais bibliófilas. Pausa dramática para quem já leu os livros dela se rir da minha ingenuidade. Pois é, eu sabia que era fantasia com Fae, e que as pessoas amam ou odeiam, mas como não costumo ler sinopses atirei-me para o desconhecido.
Na realidade ACOTAR é um grande romance com Fae (um crossover entre fadas e elfos). E nem é um romance qualquer, é uma história erótica explícita. A autora é completamente obcecada com personagens masculinas muito másculas (passe a redundância), daqueles cheios de músculos e que grunhem/rosnam/fazem ruídos estranhos em geral. E se leram alguns dos meus artigos anteriores, sabem o que eu penso em relação a isso. Mas passado o choque inicial a coisa fluiu, e foram os 4 livros duma assentada, que ainda foi coisa para 2500 páginas.

Agora, eu achava que tinha acordado tarde para esta festa porque o primeiro livro já é de 2015 e teve bastante sucesso, mas entretanto descobri que só vai sair em português de Portugal em 2022. Sem comentários em relação ao modo como o nosso mercado editorial se mantém actualizado.

Mas como não quero maçar (muito) mais, dou aqui a opinião dos 4.

Corte de Espinhos e Rosas – este é o primeiro livro da trilogia que nos fala da Feyre, uma rapariga humana duma família que empobreceu de repente, e desde os 14 anos que ela é o sustento da casa, principalmente através da caça. Qualquer semelhança com a Gata Borralheira não é coincidência, porque ela basicamente faz tudo pelas irmãs e o pai, enquanto eles reclamam da vida. Um dia, numa das suas caçadas, mata um lobo que afinal era Fae, e como resultado tem que ir viver para o mundo das fadas-elfos, e nós passamos a ler a história da Bela e o Monstro. Eu fui para este livro com expectativas muito baixas, por isso tenho a dizer que fiquei surpreendida. Acabei por gostar mais do que estava à espera, muito por culpa da terceira parte do livro que é mais tipo Harry Potter e o Cálice de Fogo. E por causa do Rhysand, que é um personagem com pinta. Acabei por dar 3 estrelas e seguir imediatamente para o próximo. Já vos disse que o Rhysand é xuxu?

A Court of Mist and Fury – no segundo volume as coisas mudam muito de feição. Feyre percebe que há amores que não são para a vida, e pessoas que nos surpreendem pela positiva. O livro continuou a ser interessante, se bem que começaram a existir algumas partes que me maçaram mais. A autora passa grande parte do tempo a descrever a masculinidade dos seus personagens dum modo algo infantil, e isso sobrepõe-se à história. O Rhysand também perdeu parte da sua ambiguidade e amoralidade, e com isso muito do seu interesse enquanto personagem. E para mim ciúmes e possessividade não são sexy, são motivo para passar páginas à frente.  Mas foi interessante o suficiente para eu querer saber o final da história. É célebre o capítulo 55 pelas suas cenas explícitas, que mais uma vez me pareceram um bocadinho infantis. Mas, vamos ao próximo que tudo isto não foi suficiente para me deter. Nem imagino quando este será publicado em Pt-Pt, mas não sustenham a respiração.

A Court of Wings and Ruin – E eis que chegamos aqui e as coisas descarrilam de vez. Já se estava a ver pelo livro anterior o rumo que isto ia levar, mas ainda assim consegui surpreender-me. Passamos a ter aqui um romance da Bianca. A palavra “mate” é dita 202 vezes, contou alguém no Goodreads. Imagino que másculo em todas as suas variantes ainda tenham superado esta contagem. O livro tinha tudo para ser engraçado, batalhas, intriga política, negociação, mas como é feito tudo de forma atabalhoada e infantil e ao fim de alguns capítulos eu já tinha medo que os olhos me caíssem, de tanto os revirar. Temos muito sexo, novamente, mas tudo muito dramático e exagerado. Foi uma festa, mas no mau sentido. Quero também salientar que querer matar toda a gente, desmembrar ou torturar pessoas não torna uma personagem feminina numa mulher forte. O mesmo se aplica a ser mal educada. Depois deste livro seria de esperar que nunca mais conseguiria ler um livro da Sarita, mas como sou profundamente masoquista, peguei logo no volume seguinte.

A Court of Silver Flames – Ora que este livro saiu o ano passado e os ânimos ainda estão agitados. As pessoas que se atreveram a dar poucas estrelas e ser muito verbais nas suas reviews do Goodreads foram trucidadas pela larga comitiva de fãs da Sarita. Eu confesso que já não tenho idade para estas coisas, dei duas estrelinhas e poucas explicações. Mas se investigarem há criticas de 1 estrela muito boas a explicar porque este livro é, como o anterior, mauzinho. Não vos vou maçar com muitas descrições, porque na realidade as razões são as mesmas. Excessivamente infantil e dramático, confunde propensão para a violência e ciúme doentio com força interior e amor assolapado. Mas este junta a isso tudo um péssimo tratamento a pessoas que sofrem de depressão e stress pós-traumático. A personagem principal deste livro, que inicia uma nova trilogia, é Nesta, a irmã da Feyre, que por razões várias que não posso divulgar sofre do que descrevi acima. Isso tornou-a num dos personagens mais enervantes da história dos personagens. Mas que ainda assim não é nada comparado com a maneira como é tratada, ou o seu “assunto” resolvido.

Enfim, desta vez posso mesmo dizer que não vou ler mais nenhum livro desta série, principalmente porque não há mais nenhum escrito. Corro sempre o risco de quando sair o próximo, daqui a uns aninhos, eu me ter esquecido do sofrimento e achar que é boa ideia ler. Espero vir ler este artigo antes.

Desculpem este grande testamento, mas foram 4 livros e muita refilice. Se aguentaram estoicamente até ao final, deixem um comentário com a palavra Sarita.

Até lá, Boas Leituras!

If you follow this blog, you know that I have read a lot of romance books in 2021. I read them until my brain hurt and started complaining he could not take it anymore. So, I decided to start 2022 in a totally different way and read some fantasy. As everyone on social media was discussing the ACOTAR series, I decided to give it a go. And now a pause for everyone who has read these books to laugh at me. I had no idea what these books were about, because I don’t read synopsis, or listen to YouTube about books I want to read, so I had no idea about the plot, except for the fact that it was about Fae. I also knew that people either hated or loved them, but that is a good thing for me, I always like to see where I stand in that.

In reality, ACOTAR is a big romance novel with Fae (imagine fairies mixed with elves). And not only a regular romance, it is an erotic one. Full of very explicit scenes, every other chapter. Sarah J. Maas is totally obsessed with big manly males, with muscles galore, that growl, groan and snarl every chance they gate. And if you have read any of my previous reviews, you know how I feel about that. After the initial shock subsided, I actually read pretty fast, and knocked over the 2500 pages in the first 10 days of the year.

I don’t want to drag this any more than necessary, so below you will find my opinion on the 4 books I read.

A Court of Thornes and Roses – ACOTAR is the first book in this trilogy that talks about Feyre, a human girl from a family that was well in life and suddenly lost everything. Since she was 14, she has been the main provider for the household, mainly through hunting. If you are getting Cinderella vibes, so did I. She basically does everything around the house whilst her sisters spend all the money she earns, and her father is paralysed with depression. One day, when she is out hunting, she kills a big wolf that was actually a Fae and as a result she has to go and live in the Spring Court, on the Fae side of the world, and suddenly we are now reading Beauty and the Beast. My expectations were very low, so I ended up enjoying this book more than I thought I would. Especially because of the last part of the book, that reads more like Harry Potter and the Goblet of Fire, and has some cool trials. And because of Rhysand, which was a very cool character, some kind of amoral goth guy. I ended up rating this 3 stars and picked up the next one immediately.

A Court of Mist and Fury – On this second book things change a lot. Feyre realizes some not all love stories end with happily ever after, and some dodgy people actually turn out pretty ok. It is still an interesting story; however, it starts to be both annoying and boring at times. The author is very thorough in describing the male characters, keeps referring to them as males, powerful males, very big and very powerful males, and this starts to overcome the actual story. Rhysand also loses his mystery aura, and most of his interest as a character. And I’ sorry, but jealousy and possessiveness are not sexy, are scary and make me flip pages like a mad woman. But it was engaging enough to make me want to know how their story ends. Chapter 55 is well known for his explicit sex scenes, but I have to say they were childish and overly dramatic. Still, on to the next one that I am not getting any younger and these books need to be read.

A Court of Wings and Ruin – We have come this far and now things really turn from bad to worse. I could sense from the previous book that this was not getting any better, but I still was surprised that this turned out to be a Harlequin novel. Someone in a Goodreads review went to the trouble of counting that the world mate appears 202 times. I can only imagine how many times the word male (and all its variations) also appears, but I expect it was even more. This book had potential. Battles, political intrigue and fierce negotiations, but it was all poorly executed, to the point of being childish. By the end of the first few chapters I had rolled my eyes so many times I was afraid they were going to fall. There’s a lot of sex, again, but all overly dramatic and exaggerated. It was a treat, only not! Also, being violent, threatening to kill or dismember everyone does not define a strong female character. Neither does being rude and obnoxious. After this book I thought I was really done with Sarah’s books, but as I am deeply masochistic, I had to pick up the next one.

A Court of Silver Flames – This book came out in 2021 and people are still very sensitive about it. Anyone who dared to rate it low on GRs was bullied by the raging fans. I’m too old for this, so I gave it 2 stars and few explanations why. But if you look closely there are a lot of very good 1-star reviews, that reflect what I thought about this book. It was not a good book. I won’t go into much detail, because I do not want to bore you to death, and also the reasons are the same as the last books. But this one also adds to the pot the poor way in which mental health was addressed. The main character is now Nesta, Feyre’s oldest sister, and for many reasons that I will not go into, she suffers from depression and PTSD. She was one of the worse characters to begin with, but the way her issues were handled and “solved” was appalling.

I believe I can safely say I will not read more books from this series, but chances are I will forget how much I disliked how it turned out, and pick it up whenever it comes out. I just hope that when the time comes and check what I wrote here.

Sorry for the long rant, and don’t mind me if you believe you will like the books, or if you have loved them. If you endured till the end, just leave me a comment down below with the word Sarita.

Happy Reading!

Acabei de Ler – Diário da Coreia do Norte

north korea journal

Keep scrolling if you prefer to read in English

Não é segredo para quem segue o estaminé que eu gosto muito de literatura de viagem e tenho lido imensas coisas do Michael Palin. Por norma as viagens que tenho lido foram passadas há algumas décadas, por isso foi uma mudança interessante passar para uma tão recente (2018).

Mais uma vez Michael Palin foi convidado para fazer um programa de televisivo de viagens, e este livro é uma compilação das anotações que ele fez no seu diário, uma espécie de complemento e behind the scenes do programa televisivo. Eu já tinha visto o documentário quando passou cá há alguns anos, e tinha achado muito interessante, por isso gostei bastante de ler.

Todos sabemos que as viagens à Coreia do Norte têm uma série de restrições, por isso podemos imaginar que se essa viagem inclui filmagens para uma cadeia de televisão estrangeira, os constrangimentos são ainda maiores. Por exemplo, a equipa andou sempre acompanhada com um conjunto de oficiais de turismo que supervisionavam tudo o que se filmava, e que influenciavam até os planos captados, para nunca passar má impressão do país.

Mas no livro conseguimos ter uma noção maior de até onde vai essa interferência, das dificuldades do país, mas também do dia a dia das pessoas comuns, e conseguimos perceber o esforço que Michael Palin fez para conseguir que os seus interlocutores lhe dessem mais algum retorno para além do discurso oficial.

Este não será o livro mais exaustivo ou profundo sobre como é viver num país como a Coreia do Norte, mas foi certamente um vislumbre interessante numa sociedade tão fechada e manipulada.

Recomendo a todos os amantes de literatura de viagem, e a todos os que gostam de ler sobre realidades radicalmente diferentes da nossa.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Those who follow me know that I really enjoy travel literature and I am particularly fond of Michael Palin. Usually, his travels have been done decades ago, which is not the case with this book, set in 2018. This was an interesting change, as the events leading up to it are so recent. 

Michael Palin was once again asked to do a travel documentary, this time to North Korea, and this book is a compilation of the notes he made on his travel journal, which complements really well the TV show. I had seen it already a few years ago, and could now get some insight to the behind the scenes, the preparation and all the difficulties in filming it, which was really good. 

We can all imagine how restricted and limited a trip to North Korea can be, especially when you are filming a documentary for a western channel. We know we can only see and experience what is allowed, and carefully negotiated. The film crew was always accompanied by a team of minders that worked for the Tourism Department, and that carefully selected the things to see and even the angles in which they could film, to ensure nothing could tarnish their country’s reputation. 

In the book we can understand how far this interference extends, the day-to-day difficulties of the film crew, but we can also see Palin’s efforts in maintaining normal interactions and bringing out the best in people, in order to get something more than the officially approved speech. 

This is not the deepest, most thorough book about life in North Korea, but it was an interesting glimpse into a very closed society, and a book that was very good to read. 

I recommend it to all those that love travel literature, and everyone who enjoys reading about realities very different from ours. 

Happy Reading!

Acabei de Ler – Luster

Luster

Keep scrolling if you prefer to read in English.

Começo 2022 com um livro que acabei de ler ainda em 2021, coisa que se vai manter por alguns livros ainda. Conjuntivites, otites e creches fechadas mantiveram-me longe do Goodreads mas não dos livros em si.

Luster foi um livro que descobri num dos muitos Youtubes que vejo sobre livros, e que me pareceu interessante. E, na realidade, não desapontou. Eddie é uma jovem afro-americana de 23 anos a viver em Nova Iorque, com dificuldades em manter um emprego e com um histórico de fazer escolhas duvidosas, ou que não são do seu melhor interesse. Conhece Eric na internet, um homem de meia idade com um casamento aberto e uma filha adotiva também afro-americana. Quando Eddie perde o emprego e o sítio onde viver, a esposa de Eric convida-a a ficar em casa do casal.

A história é suficientemente estranha para ser interessante, e o livro faz-nos pensar muito sobre o que é ser jovem numa sociedade cheia de oportunidades, mas que ao mesmo tempo nos devora, e a dificuldade acrescida de ser negro. Foi muito interessante, e mesmo tendo passado já bastante tempo desde que o terminei, ainda penso nele recorrentemente, o que para mim é a marca dum bom livro.

Recomendo a todos os que gostam de pensar sobre questões actuais com histórias diferentes.

Boas Leituras!

Goodreads Review

I start 2022 with a book I finished reading still last year, and this will be the trend for the following books. Between illnesses and closed day care, I was not able to update my Goodreads, but I did not stay away from books.

I discovered this book in one of the many Youtubes I’ve been watching. It seemed really interesting, and indeed it was. It talks about Eddie, a young African American woman living in New York that is struggling to keep a job and survive in general. She has a long history of making poor choices and sabotaging herself. Then she meets Eric online, a middle-aged man in an open marriage and with a teenager African American adopted daughter. When Eddie loses both her job and her home, Eric’s wife will bring her to their home, and the story goes from there. 

The plot was weird and strange enough to be interesting, and it makes us reflect on how difficult it is to be young in a city equally full off opportunities and threats and that can eat you up. And how being an African American young woman makes everything harder. It was a great read, and even after all this time I still think about it a lot, which for me is the mark of a good book.

I recommend it to everyone who likes to reflect on current affairs, and walk on someone else’s shoes for the duration of a book. 

Happy Reading!

Acabei de Ler – Lost Girls and Love Hotels

lost girls and love hotels

Keep scrolling if you prefer to read in English

Depois de tanta chick lit, com romances em tons de rosa, resolvi manter o rosa mas ir numa direcção diametralmente oposta para desenjoar. Margaret é uma jovem mulher que vive em Tóquio, um dos muitos lugares onde foi parar numa tentativa de fugir da sua vida familiar no Canadá. Em Tóquio encontra muitas pessoas como ela, que se deixam encantar pela estranheza do país enquanto se refugiam da sua própria estranheza e dificuldades de adaptação. Uma espécie de bando de inadaptados. Acaba por se apaixonar por Kazu, um misterioso japonês, casado e apelativo.

Há muitas substâncias neste livro. E muito sexo. E por vezes pouco sentido da vida. A escrita é muito boa, e sentimo-nos a descer a mesma espiral que Margaret, embriagados, intoxicados, mas sempre fascinados pela estranheza. Não foi surpresa para mim quando no posfácio a autora diz que viveu alguns anos no Japão, e que este livro é como uma carta de amor ao país. Eu senti muita vontade de experienciar este Japão de submundo, com love hotels estranhos, estações de metro sobrepovoadas, trabalhadores que vivem em tendas debaixo duma ponte. Onde nada faz sentido, mas tudo se combina. Foi um prazer perder-me nestas noites e dias com Margaret, e tentar perceber as suas motivações à medida que dávamos saltos temporais na sua vida.

Recomendo a todos os que gostam de livros diferentes, especiais, alternativos.

Boas Leituras!

Goodreads Review

After reading so much chick lit books in a row, I decided to keep the pink but go on a totally opposite direction, much less sugary. And so, I met Margaret, a young woman living in Tokyo, one of the many places she tried to escape from her family life in Canada. In Tokyo she meets many expats like her, that allow themselves to be amazed by the weirdness of the city, while also tending to their own strangeness and difficulties in belonging, like a lovely band of misfits. In the midst of all this, she falls in love with a mysterious Japanese man, only to find out that he is married. 

There are a lot of substances in this book. And a lot of sex. And many times, very little meaning for life. The writing is compelling and interesting, and we feel like we are descending the same spiral that our main character, a little bit high, a little bit intoxicated, but always mesmerised by everything. It was not a surprise to discover that the author had lived in Japan and wrote this book as a love letter to the country. I myself felt the urge to visit this country and experience all this underworld. Visit the love hotels, crowded subway stations, villages of tents under the bridges where some workers live. Places where nothing makes sense, but all falls into place. It was a delight to get to know Margaret and see her nights and days, understand her motivations.

I recommend it to everyone who loves alternative stories and lifestyles, and to see the darker side of life.

Happy Reading!

Acabei de Ler – Viagem Atribulada

the road trip

Keep scrolling if you prefer to read in English.

Para todos aqueles que pensavam que eu já tinha terminado a minha incursão em chick-lit, desenganem-se que isto é como as sobremesas, há sempre espaço para mais um. Como já tinha lido (e gostado) de  Apartamento Partilha-se e A Troca, achei que era valor seguro ler o novo livro da autora. Mas se calhar estava um bocadinho enganada. 

Nesta viagem atribulada vão Addie e Dylan, ex-namorados que terminaram a relação em termos menos que amigáveis há cerca de 2 anos. Ambos vão a um casamento de uma amiga comum, e um acaso como aqueles que só acontecem nos livros, juntam-nos no mesmo carro com a irmã de Addie, o melhor amigo de Dylan e um tipo semi-desconhecido que não se sabe muito bem porque lá está e que sinceramente não acrescenta nada à história.

História que, diga-se, deixa um bocadinho a desejar. Este amor assolapado entre Addie e Dylan não tinha muita substância, sendo que não havia falta de variadíssimas substâncias ao longo de todo o livro. Mas as personagens não convenceram, o desenrolar da história também não, e as reviravoltas finais, pseudocómicas foram só um bocadinho deprimentes. 

Portanto, a questão pertinente depois disto é: sendo que se eu fizesse as contas (que não vou fazer) a quantidade de livros destes que não gosto é largamente superior à que gosto, será que vou continuar a ler livros destes? A resposta é, claro que sim! E porquê? São tantas as razões que dariam um post à parte, mas a razão principal é que são rápidos de ler e divertidos (na maioria dos casos, noutras alturas são irritantes). 

Até ao próximo, Boas Leituras!

Goodreads Review

All of you that thought that I was done with the chick lit books, think again. These books are like desserts, there’s always room for one more. I had previously read Flatshare and The Switch by this author, and really liked both, so I dived into her third book with high expectations. I was biterly disappointed. 

On this Road Trip we have Addie and Dylan, exes that broke up in no amicable terms about 2 years ago. Now they are both heading to a mutual friend’s wedding, and by some freak accident that only happens in books, they find themselves sharing a very small car with Addie’s sister, Dylan’s best friend, and some Rodney guy no one knows for sure what is doing there. 

This was a weird story. Their love story was not very interesting, summer love that becomes permanent nobody knows why, lots of alcohol and ennui, no real substance. I could not relate to the characters at all, they were flat and boring, and the final twist was silly beyond repair and could easily not have been there. Did not seem quite like the same writer at all. 

And this leaves us with a question: considering I tend to dislike more than like these kind of books, how likely is it that I will pick up another one in the near future? You know the answer is Off Course! And why? There numerous reasons, I could write an entire post about it. But I think the main one is they are an easy, quick read and the majority of them are just fun! (ok, some are annoying as well). 

Until the next one, Happy Reading!

 

Acabei de Ler – A Crown of Swords, Wheel of Time #7

WOT 7

Keep scrolling if you prefer to read in English.

Muita coisa há para dizer sobre o sétimo volume da série A Roda do Tempo, que estou a ler no original (Wheel of Time) mas começo pelo facto que tenho um bocadinho de vergonha alheia desta capa. Tudo bem que é de 1998, mas ajuda a explicar porque é que fantasia era um género dum nicho muito especial, e pouco divulgada.

Depois, referir que comecei a ler este livro em 2019, quando o rebento tinha 4 meses, e depressa percebi que não ia conseguir acabar. Por isso ficou a marinar até agora, que a série já estreou na Amazon Prime, o que faz com que eu queira terminar de ler os livros antes da série terminar. Pensando que este é o sétimo de 14, ainda me falta um bom bocado.

Depois de ter lido estes 7, não sei bem se me apetece ler os 7 seguintes, por isso em vez duma review, vou fazer uma lista de prós e contras. Começo pelos prós:

  • A história, apesar de seguir uma linha conhecida de rapaz de aldeia pacata que se transforma no salvador do mundo, e que anda em jornada com um grupo de amigos, não deixa de ser interessante e bem contada.
  • O sistema de magia é engraçado, baseado nas diferenças entre homens e mulheres, o que é interessante, mas um pouco redutor às vezes.
  • Tem alguns personagens interessantes e que se desenvolvem bem ao longo da série. Quando li a minha review do primeiro livro, vi que detestei Mat Cauthon, personagem que é actualmente o meu favorito.
  • O mundo está bem construído, bem descrito, e conseguimos sentir como se lá estivéssemos a maior parte do tempo.

Agora, os contras:

  • Demasiados personagens descritos com demasiado detalhe. O que deve ter sido feito para dar realismo ao mundo e à história, acaba por se tornar uma salganhada tal que metade do tempo eu nem sei de quem estão a falar. E já não quero saber. Obviamente que não bastava ter os personagens principais. Mas se virmos, por exemplo, o Senhor dos Anéis, outro gigante de fantasia onde claramente Robert Jordan se inspirou, percebemos que os personagens secundários são apenas os necessários para dar ramificações interessantes à história. Não sabemos o nome de todos os Hobbits que são família do Frodo, nem o nome de todos os servos de cada rei, etc, etc. E não só isso, como a complexidade e semelhança entre os nomes é imensa, o que certamente não ajuda.
  • Em cada página (não falha uma) algum homem diz que é impossível perceber as mulheres, e vice-versa. Ninguém se percebe, nem casais que estão juntos há anos, e sobretudo todos acham coisas horríveis uns dos outros. As mulheres estão sempre a ameaçar puxar as orelhas aos homens, e violência física parece ser a resposta para a maioria dos problemas. É cansativo, e a ideia passava na mesma sem precisar de ser repetida até à exaustão.
  • Já que estamos neste tópico, este senhor não sabia escrever personagens femininas. De todo! Se é suposto serem personagens fortes ele escreve-as como se fossem umas mimadas insuportáveis e arrogantes. Nynaeve al’Meara é para mim o ponto alto disto. É simplesmente uma arrogante agressiva que me enerva em cada capítulo que entra. E não sei em que mundo é que ele “aprendeu” que as mulheres compõem a saia quando estão nervosas, mas isso também acontece em quase todas as páginas. Eu quando usava saias só as compunha quando saiam do lugar, mas se calhar sou que sou estranha. Mas as personagens femininas são quase todas tão más, que só me apetece passar à frente todos os capítulos em que elas são protagonistas.

No final desta lista, parece-me que o pêndulo pende mais para o lado de deixar a série fenecer aqui. Imediatamente após o final do livro, só me apetecia passar para o seguinte, e até comecei o audiolivro. Mas a cada dia que passa a vontade de voltar é menor, ao ponto de já ter lido dois livros completos desde então. Talvez daqui a 2 anos eu termine o oitavo volume.

Até lá, Boas Leituras!

Goodreads Review

There’s a lot to be said about the 7th volume of the Wheel of Time series, but I start by saying this cover makes me feel a bit ashamed, and I was not the one designing it. I understand this was released back in 1998, nonetheless I feel it helps explaining why fantasy was such a niche genre.
I started reading this book back in 2019, when my son was only a few months old, and soon realised it was not the right time to continue. I have never picked it up again, but now that the series has started on Amazon Prime and all the internet is talking about it, I just wanted to get this story through to the end. Considering this is the 7th of 14 instalments, there’s still a long way to go.
And yet, after coming this far I’m not quite sure if I really want to proceed, so instead of a book review, I’m putting here my pros and cons list, to see if I’ll carry on reading. Starting with the pros.
• The story, even though it can hardly be called original (village group of young people that are the saviours of the world), is interesting and well told. We always want to know what the next move will be.
• It has a nice magic system, based in the differences between men and women. However, the same thing that makes it interesting, also makes it a bit redundant at times.
• There are some very interesting characters, and they develop well throughout the series. For example, in the first books I really disliked Mat Cauthon, who is now my absolute favourite.
• The world is well built, believable, and the descriptions are detailed and makes us feel as if we were really there.
And now, the cons:
• Way too many characters all described with too much detail, and with impossible similar names. What was meant as a tool to bring this world to life, becomes such a confusion that it takes me a while to understand who are they talking about, and sometimes I really don’t care anymore. We all know we need some secondary characters to provide other plotlines that keep something this big going, however we didn’t really need to know the names of all Aes Sedai in the White Tower, or all the Ashaman, the minor nobles from all the cities, and so on and so on. You get the idea.
• In every single page (true story), there is a male character complaining he cannot understand women, or the opposite. It seems not even couples that have been together all their lives can actually understand each other, and they all think the other are terrible. Boxing man’s ears and spanking women seems to be the answer to all these problems, that I truly believe are part of the writer more than the world he portrayed (also, they were very prude and very forward at the same time, which is kind of weird. Almost as if Jordan did not quite know which way to go with this).
• But the worst of all are the way female characters are written. It borders on painful, so bad they are. In an effort to portray strong female characters he just managed to write spoiled, bullying brats, with Nynaeve being (so far), the highlight of this with all her braid tugging. She is so arrogant and aggressive that I really struggle to go through the chapters where she is featured. I’m afraid to think where the author got his inspiration for these female characters…
After all things considered, I believe I’m more inclined towards leaving this series unfinished. As soon as I finished this book, I immediately picked up the audiobook for the next one and listened to quite a bit, because the story really is catching. However, as time progresses and other books come in the way, the more I wonder if I’ll ever go back. Maybe 2 years from now I’ll be here reviewing book 8.

Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – Tempo Tardade

tempo tardade

Logo no início da pandemia um amigo emprestou-me este livro para eu ler. Achei a sinopse super interessante, mas como haviam sempre livros novos a chegar ao Kindle, este foi ficando para trás. Essencialmente porque estou a tornar-me uma toupeira, e a letra dos livros impressos é muito pequena para mim.

Mas já com 2021 a chegar ao final resolvi que estava na hora de lhe pegar finalmente. E não me arrependi. Tempo Tardade conta-nos a história de Branca, que após a morte da mãe volta à casa da sua família na aldeia onde cresceu e de onde fugiu. Incerta sobre o seu próprio futuro e rodeada de recordações de infância, vai ler umas cartas que um tio-avô misterioso enviou à família quando emigrou para Buenos Aires e isso vai desvendar alguns segredos.

Gostei bastante da descrição da vida na aldeia, no realismo como um possível regresso foi explorado, sem aquela patine cor-de-rosa de regresso ao paraíso, mas mostrando todas as dificuldades e diferenças do meio urbano. Percebe-se que há conhecimento em primeira mão dessa realidade.

O que gostei menos foi o desenrolar do segredo familiar, que me pareceu pouco coerente com o resto da narrativa. Achei que não houve nada no desenrolar da história que estabelecesse a psicologia do desfecho, se assim quiserem.

Mas foi um bom livro, com uma familiaridade geográfica que me agradou bastante, e um cantarzinho galego na escrita que foi muito interessante.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Acabei de Ler – A Troca

a troca

Keep scrolling if you prefer to read in English.

Nesta demanda em que eu ando de ler chic-lit, deparei-me com este A Troca, da mesma autora de Apartamento Partilha-se, que eu tinha gostado bastante. A senhora tem uma obsessão com imobiliário, mas por mim tudo bem.

Aqui temos Leena, que está a passar uma fase difícil após a morte da irmã mais nova, que se refugiou no trabalho como mecanismo de defesa e que partilha um apartamento com amigos em Londres. E Eileen, de 79 anos, avó de Leena, que sente que a sua vida precisa de alguma emoção depois do marido a ter abandonado após longos anos dum casamento morno e que vive numa pequena vila da Inglaterra rural. Quando Leena recebe umas férias compulsivas do trabalho, decide que está na altura de trocar de sítio com a avó e afastarem-se das suas rotinas.

Gostei bastante deste livro. Para já, fala numa coisa que eu ando a batalhar há alguns anos, e que é: ser idoso não significa que já estamos mortos, ou que nos tornámos crianças novamente. Temos muito a mania de tratar os mais velhos como pessoas que perderam a capacidade de decidir o que é melhor para eles, ou que têm livre arbítrio para fazerem o que lhes apetece, tal como nós. E fazemos isso esquecendo-nos que, possivelmente, chegaremos ao mesmo ponto, e que, apesar de mais dor aqui e ali, ou mais doença menos doença, no nosso íntimo continuaremos a ser os mesmos, e certamente continuaremos a querer ter as rédeas da nossa vida. E sexo! Com quem nos apetecer! Este livro foi excelente em fazer-nos olhar para o mundo como uma mulher de 79 anos, que ainda tem muito para viver, e só por isso já ganhou muitas estrelas na minha consideração.

Depois, estava bem escrito, com ideias engraçadas, personagens credíveis e que criam empatia, e foi uma delícia de ler do princípio ao fim. Ainda houve para lá um romance entre Leena e outro habitante da aldeia onde a avó vive, que foi, na minha modesta opinião, a parte mais previsível e menos interessante do livro, mas suponho que teria que existir.

Recomendo a todos os que gostam duma boa história, que não têm medo da velhice, e mais ainda se tiverem. Todos os que querem ler um livro que os faça sentir bem.

Boas Leituras!

Goodreads Review

On my quest to read all the chick lit known to man, I came across The Switch, from Beth O’Leary, author of The Flatshare, that I have previously read and liked a lot. And this made me want to jump right to this one.

Here we can find twentysomething Leena that is going through a rough time after her younger sister passed away due to cancer. She has dived into work as a coping mechanism, but that does not go well, and she finds herself on forced holidays for 2 months. Her grandmother, Eileen, is 79 years old, grieving the loss of her granddaughter, helping her daughter cope, while at the same time recovering from her failed marriage. Leena believes it’s time they swapped places for a while, for her to rest and for her grandmother to find love in London.

I really enjoyed this book, especially because of the way elderly life is depicted. I have been saying for a long time that being old does not equal being dead or being a child again, and old people deserve to be treated with same dignity and respect as us. Old people, except in dementia cases, have not lost the ability to decide what is best for their life, even we don’t agree with their choices, same as us. And we also tend to forget that we are becoming old people sooner rather than later. And when that happens, we will find out that we are more or less the same in our spirit, even if our body is giving us more grief. And we will still want to decide about our own life. And we will still want things like having fun, have hobbies, go out, and having sex. With whoever we want to! This book was excellent is making us see life as a 79 year old woman, and how much we still have to look forward to at that age, and I loved it because of that. 

On top of that it was well written, with believable characters and great side stories and it was delightful to read. There was also a romance thrown in the mix, between Leena and another guy from the small village, that for me was the least interesting part of the book, but it had to be there. 

I recommend it to everyone who loves a good story and are not afraid of getting old, but even more to all those that are. 

Happy Reading!

Acabei de Ler – Cai O Pano, O Último Caso de Poirot, Poirot #44

poirot 44

Keep scrolling if you prefer to read in English.

Foi em 2015 que comecei a minha saga de ler todos os Poirots por ordem de publicação, excluindo a maioria das colectâneas de contos. Devagarinho, sem pressa, para saborear e para ajudar em alturas em que faltava vontade de ler coisas mais elaboradas. E assim, 6 anos depois, chego finalmente ao final desta jornada, lendo o último caso de Poirot, que foi publicado em 1975, ano do meu nascimento, e que teve honras de obituário no New York Times. Nos últimos livros uma das coisas interessantes, se bem que estranhas, era sentir a dificuldade do Poirot se adaptar aos anos 60 e 70 do século passado. Mais estranho ainda porque todos os episódios que vi da série eram sempre passados nos meados dos anos 40. No entanto, neste livro parece que voltamos à era dourada de Poirot. E isso tem uma explicação muito simples. Este livro foi escrito em meados dos anos 40, em plena II Guerra Mundial, quando Agatha Christie teve medo que alguma coisa lhe acontecesse e os livros de Poirot não tivessem um final. Foi depois mantido num cofre, juntamente com o último volume de Miss Marple, e foram publicados em 1975, um ano antes da sua morte.

Eu gostei deste livro, mas confesso que mais por militância. Se pensar um bocadinho, a resolução foi toda anticlimática, e fiquei um bocadinho desapontada com o assassino. No entanto, a história também nos traz coisas muito boas, como o regresso do Capitão Hastings a ser ele próprio em todo o seu esplendor. E com a mais valia de conhecermos também a sua filha, um personagem interessante. A utilidade do Capitão Hastings no enredo foi o que mais gostei no livro, e só por isso já valeu a pena.

E foi uma tarefa concluída e prazerosa. Pensei em fazer o mesmo com a Miss Marple, ou o inspector Maigret, mas sinceramente nenhum destes tem a simplicidade genial do nosso pequeno detective belga. De certeza que arranjarei outra leitura de conforto, para me ajudar nos momentos em que nada apetece. 

Até lá, Boas Leituras!

Goodreads Review

In 2015 I started this task of reading all the Poirot novels in publication order, excluding the majority of the short story’s collections. Slow and steady, as I wanted to savour them and use them as a tool to help getting out of reading slumps. And so, six years later, I finish this journey by reading the last Poirot novel, published in 1975, the year I was born, and that generated an obituary in the NY Times. One of the interesting and strange things in the latest books was the way Poirot dealt with the passage of time and the different vibe from the 60’s and the 70’s, and that is not present here. In fact, it seems we are back at his golden age, the mid-forties, with its ambience and scenery. And that has a really simple explanation. During the second World War, Agatha Christie, afraid of not surviving, wrote the last stories for both Poirot and Miss Marple, and left them locked in a safe until she felt it was time to end their journey, which happened in 1975, a year before her own death.

I enjoyed this book, but more for a sense of duty. In reality, its closure was anticlimactic and I was a bit disappointed with how the story unfolded. But it also had some very good things, like the return of Captain Hastings being completely himself. The way he was used in the plot was really good, and I also liked his daughter as a character. 

All in all, mission accomplished, and it was a very enjoyable ride. I thought I could now do the same with either Miss Marple or Inspector Maigret, but in all honesty, they lack the charm of our little Belgian detective. I’m sure I’ll find some other comfort reads to get me out of reading slumps.

Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – Buried in the Sky

buried in the sky

Keep scrolling if you prefer to read in English.

Gostaria de começar por dizer que se ainda aí estão desse lado a ler as minhas opiniões de livros, muito obrigada, são uns heróis. Especialmente porque ultimamente o Peixinho anda pior que as monoculturas do Alentejo. São romances patetas salpicados de desastres em montanhas, numa espécie de equilíbrio macabro. Mas enfim, não se pode questionar a mood duma mood reader, nem obrigá-la a ler coisas que não quer, por isso aguentem mais um pouco que a emissão irá sintonizar mais qualquer coisa dentro de momentos.

Esta introdução toda para dizer que li mais um livro de montanhismo. E desta vez, pasme-se, não foi uma subida ao Evereste, a montanha mais alta do planeta. Foi uma subida ao K2, a segunda montanha mais alta do planeta. Mas este livro é radicalmente diferente dos anteriores, no sentido em que é o primeiro que leio que se foca essencialmente na história dos sherpas que acompanham os escaladores ocidentais. É um livro muito completo no modo como aborda a história dos sherpas, diferença entre transportadores de alta montanha e baixa montanha, diferenças entre transportadores paquistaneses ou nepaleses, e por fim as histórias pessoais dos que estiveram envolvidos nos incidentes da época de 2008, bem como as consequências para as suas famílias. Foi um livro muito interessante e muito completo, percebe-se que há uma pesquisa extensa por trás daquelas páginas.

Depois temos o mesmo de sempre, pessoas que tentam sempre ir mais além, desafiar os limites da capacidade humana, e numa montanha que é mais perigosa que o Everest, uns conseguem e outros não, de maneira aleatória. Algumas decisões que parecem acertadas acabam por custar a vida a alguém, e coisas que pareciam más acabam por salvar a vida a outros.

O livro que tinha lido antes deste, relatava a história dum homem que acabou por morrer sem ninguém lhe prestar auxílio, enquanto dezenas de montanhistas passaram por ele, muitos sem perceberem que ele estava em dificuldades. No espectro oposto temos muitos casos aqui de pessoas que decidiram socorrer montanhistas em dificuldades e acabaram por apenas engrossar o número de fatalidades, provando que não há respostas certas nestas coisas extremas. 

Aconselho muito a todos os que gostam de ler sobre aventuras, história, diferentes paisagens e culturas e desportos arriscados em geral. 

Boas Leituras!

Goodreads Review

Let me start off by saying that if you are still on that side reading these posts, you are a hero. Especially because I’ve been very monothematic lately. It’s either silly romance or climbing books, in a kind of macabre dance. But that’s what being a mood reader means, that I only read what I’m in the mood for, and my mood has been very weird. But stay tuned, because this will not last forever. 

All this to say that I have finished another climbing book. And this time it was not a book about climbing the world highest mountain, Everest, but a book about climbing the world’s second highest mountain, K2. However, this book was very different than all the previous ones I read, in the sense that is more focused on the sherpa’s, their history, their cultural differences and the impact this kind of tourism has in their families and their communities. Here we understand the difference between sherpas and Sherpa, sherpas and HAP (high altitude porters), between Pakistanis and Nepalese porters, and many other things. We end up experiencing the climbing season from their perspective, and realising the impact it has on their lives, their families and their communities. It was a very interesting and thorough book, and we can sense there was a lot of research in its making. 

The rest of the book is the same as the others, many people trying to push the boundaries of human endurance, testing themselves is some of the harshest conditions on earth. Some decisions that seemed wise at the time ended up costing lives, and some misfortunes were actually life saving events. 

The other mountaineering book I had read recently told us the story of David Sharp, that ended up dying due to lack of assistance while dozens of climbers passed him by. In this book we see the stark contrast of climbers that do the honourable thing and try to save others, only to end up adding to the death toll, proving there are no right or wrong decisions in these extreme conditions. 

I recommend it to all adventure seekers, travelling addicts, people who love to read about different cultures, extreme sports and risky things in general. 

Happy Reading!