Acabei de ler – Crime na Mesopotâmia

crime na mesopotâmia

Se bem me lembro este foi um dos primeiros livros do Poirot que eu li, por volta dos meus 14/15 anos, quando estava de férias na terra. Li a versão dos Livros do Brasil, que tinha dois mistérios num só volume. Este vinha acompanhado de Morte no Nilo, talvez por serem os dois em locais exóticos.

Depois disso já o reli, e vi o respectivo episódio, mas resolvi reler de novo, agora em inglês. Também porque é o volume seguinte do Poirot que eu continuo a ler obsessivamente por ordem.

É um livro muito pitoresco. Não só é passado na Síria no início do século XX, como a narradora é uma das personagens participantes da trama. Poderíamos pensar que isso elimina logo uma das suspeitas, mas quem leu os Poirots anteriores sabe que ser narrador não é garantia de idoneidade.

Mas é esta enfermeira que narra a história que confere um toque ainda mais especial a esta história intrincada. Profundamente inglesa, vê com desconfiança e condescendência tudo e todos os que são estrangeiros, é isso dá uma cor muito engraçada à história. Creio que podemos vislumbrar um pouco da verdadeira Agatha Christie nesta personagem.

Mais uma vez recomendo a todos os que gostam de policiais e histórias bem contadas que nos prendem a atenção.

Boas leituras!

Goodreads Review

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Livros que Recomendo – Retrato Dum Artista Quando Jovem

james joyce

Por algum motivo que me escapa, sempre confundi este livro com o Retrato de Dorian Gray, que recomendei aqui no Peixinho há algum tempo. Creio que foi por os ter lido na mesma altura, e por ambos terem retrato no nome. No entanto as semelhanças não são muitas mais, exceptuando talvez o facto que James Joyce e Oscar Wilde eram irlandeses.

Este livro foi o primeiro que li deste autor, e único até agora. Não sei o tamanho dos outros me intimida, se simplesmente ainda não me senti suficientemente motivada para os ler, mas a impressão com que fiquei deste livro foi bastante boa.

O retrato do artista quando jovem é mesmo o que o título diz. Uma ficção inspirada na juventude do próprio autor, e em que Stephen Dedalus é como que o seu espelho. Tal como James Joyce, Stephen também nasceu na Irlanda, filho de pais muito católicos, e com uma relação conturbada. Com uma infância conturbada, e depois de uma passagem traumática por um colégio católico,  Stephen questiona a sua identidade e os seus valore e acaba por sair da sua Irlanda natal e embarcar rumo à Europa, mais liberta de tradicionalismos.

Escrito num estilo modernista, em que a linguagem se vai adaptando ao crescimento da personagem, este livro tem também inspiração no mito grego de Dédalo, o grande artesão. Foi também aqui que Joyce lançou as fundações para a sua obra maior Ulysses.

Recomendo a todos os que gostam de literatura clássica, de ler livros bem escritos e diferentes. Aqui deixo-vos o link onde podem obter a versão digital gratuita, pois já está em domínio público.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – A Máquina do Tempo

HGWElls

O Peixinho anda virada aos clássicos nas últimas semanas. Desta vez escolhi um clássico de ficção científica, por um dos mestres, H. G. Wells. A máquina do tempo foi uma expressão que apareceu pela primeira vez nesta novela e a partir daí nunca mais deixou de ser utilizada. Uma máquina como instrumento para nos fazer viajar através de diferentes épocas foi uma ideia que apelou ao nosso imaginário colectivo e que tem sido utilizada infinitamente desde a publicação deste livro em 1895.

O nosso viajante do tempo, como a personagem é apresentada, é um cientista e um inventor, explica aos seus convidados de jantar que descobriu que o tempo é uma quarta dimensão que pode ser percorrida como as outras e que está a construir uma máquina para o fazer.

Na semana seguinte convida as mesmas pessoas e assume a narração da história para contar tudo aquilo que viu nas suas viagens. A partir daí entramos num mundo fantástico em que nos é relatada a evolução do planeta através das paragens que o nosso viajante vai fazendo, descobrindo cada vez mais diferenças até à espécie humana estar quase irreconhecível. Temos aqui uma forte alegoria à diferença entre classes, à industrialização e ao fim do mundo como o conhecemos.

Este livro já deu azo a muitos estudos académicos, e inúmeras obras relacionadas, quer em livro, quer em teatro e cinema.  Todo um mundo de obras que se baseiam nesta simples premissa, que viajar no tempo é possível e desejável.

Recomendo muito este livro, não só a amantes de ficção científica, mas a todos os que gostam de ler os clássicos, de descobrir livros bem escritos e que serviram de inspiração a tantos outros. Eu gostei muito e sinto que tenho de o reler em breve.

Boas Leituras!

Acabei de Ler – A Change of Time

change of time

Keep scrolling if you prefer to read in English

Depois do último título do Netgalley ter sido um prazer tão grande de ler, entusiasmei-me e pesquisei que mais tinha na minha pastinha do Kindle. E descobri este livro, duma autora dinamarquesa pouco conhecida entre nós, mas bastante relevante no seu país, e agora traduzida para inglês. Quem segue o Peixinho sabe que eu gosto de me afastar da hegemonia do mundo anglo-saxónico sempre que tenho essa oportunidade, e esta foi mais uma dessas vezes.

A Change of Time é uma narrativa construída com base no diário escrito pela protagonista, uma professora primária retirada, casada com o médico duma pequena vila dinamarquesa. A trama passa-se no início do século XX, quando o mundo era muito diferente e se encontrava em grande mudança. Quando fica viúva, de repente todo um mundo de possibilidades se abre, tão vasto como assustador.

E tal como o nome indica, este livro reflecte a passagem do tempo, desde as estações do ano, aos anos que passam pela nossa vida. O que muda em nós quando o tempo passa, o que muda no mundo que nos rodeia, e a percepção que temos dele. É um livro bonito e introspectivo, um pouco ao estilo dos filmes escandinavos, que nos fazem pensar sem grandes explosões a acontecer no ecrã.

Como sempre, acho difícil que este livro seja traduzido para português, graças à pequena dimensão do nosso mercado, dominado pelos suspeitos do costume, mas se dominarem o inglês isso não será obstáculo.

Recomendo a todos os que gostam de livros bonitos, diferentes, com tempo.

Boas Leituras

Goodreads Review

After having so much pleasure reading the last Netgalley book, I decided to look at my Kindle once again and choose another one. And I came across this one, a book from a Danish author, not very known in Portugal, but well known in her home country. This has now been translated into English and as you might know, I like to experiment with other books that are not from the Anglo-Saxon universe.

A Change of Time is built from diary entries from a former school teacher that is married to the local doctor. He is a domineering husband, and when he dies she is left with all the choices that are now in front of her.

This book reflects the passage of time, either in our lives, the seasons, the world around us and our perception of it. Everything changes and we change with it. It’s a beautiful and introspect book, just like Scandinavian movies, that make us think without all the fireworks we see nowadays.

Unfortunately I find it difficult that this book will be translated into Portuguese, as our market is so small, nonetheless if you are proficient in English you will not find it difficult to read.

Recommend it to all those that like beautiful slow paced books.

Happy Reading!

Acabei de Ler – Berezina

berezina

Please scroll down if you prefer to read in English.

Depois de vários livros do Poirot, resolvi investigar que livros do Netgalley ainda tinha para ler para ver se me apetecia algum deles. Deparei-me com este Berezina, do francês Sylvain Tesson e pensei que era mesmo isto que me estava a apetecer, um misto de livro de viagens e história.

Ainda hoje em França Berezina refere-se a estar em sarilhos, numa situação complicada de que é difícil sair. Berezina é também o nome do local onde se deu uma das mais brutais batalhas entre o exército russo e o que restava do grande exército napoleónico que se encontrava em fuga depois duma campanha sem sucesso na Rússia.

Em 2012, 200 anos depois de Napoleão ter tentado unificar toda a Europa através da conquista da Rússia, Sylvain Tesson resolveu reconstituir o caminho seguido pelos franceses na sua fuga desde Moscovo até Paris, em pleno inverno, onde os inimigos se multiplicavam, desde o exército russo, a grupos de cossacos, camponeses e pior que todos o frio extremo. Para isso juntou-se a mais 2 franceses e dois russos, em motas russas com side-car da marca Ural e deu-nos a conhecer a história daqueles homens.

De uma força de quase 500 mil homens que entraram pela Rússia directamente até Moscovo, e sem nunca serem derrotados no campo de batalha, os franceses foram de vitória em vitória até à aniquilação final, pelo frio, fome e doenças. Nada correu como Napoleão planeara nesta empreitada, e as consequências foram sérias, não só para os homens que o seguiram, mas também politicamente. Pode dizer-se que foi o princípio do fim do império. 200 anos depois a viagem destes 3 franceses e 2 russos é muito interessante e informativa, e dá-nos vontade de ir conhecer aquelas cidades, ver como são nos dias de hoje. Fiquei principalmente fascinada com as descrições da Bielorússia e da Lituânia, e deu-me vontade de fazer a minha própria road trip.

Recomendo a todos os que gostam de literatura de viagem, com um toque de história, e todos os que gostam de ler livros fora do universo anglófono.

Boas Leituras!

Goodreads Review

After Reading several Poirot books I decided to check which Netgalley books I still had outstanding and see if I felt like reading any of them. I came across this Berezina, from French author Sylvain Tesson, and it was exactly what I was looking for, a mix of travel and history book.

To this day in France, Berezina refers to impending disaster, something that will go really wrong. But it is also the place of one of the most important battles between The Grande Armée and the Russian army, when the first one was trying to escape from Russia after a disastrous campaign.

In 2012, 200 years after Napoleon tried unifying Europe by conquering Russia, Sylvain Tesson decided to gather some friends, some Ural bikes, and recreated the escape path followed by Napoleon’s army on their desperate attempt to return to Paris. This was in the peak of winter, and their enemies multiplied, as they were chased by the Russian army, the Cossacks, extreme cold and famine, and at last disease.

From nearly half a million soldiers that started the russian campaign, the French went from victory to victory until total annihilation. Nothing went as planned, and the consequences were dire, not only in casualties, but also in the turn the French empire had afterwards. It was like Napoleon’s luck ran out. 200 years later, 3 french and 2 russian friends embark on this trip and tell us about it in an interesting and informative way, and make us want to go and see these cities, and check how they are today. I was delighted with the depictions of Belarus and Lithuania.

Recomendo a todos os que gostam de literatura de viagem, com um toque de história, e todos os que gostam de ler livros fora do universo anglófono.

Recommend it to all those that enjoy travel literature, with a touch of history and to all those that like to read books that fall out from the anglo-saxon scope.

Happy Reading!

Acabei de ler – Os Crimes do ABC, Poirot #13

Os-Crimes-do-ABC

Acho que depois de tanto tempo a ler livros que me demoravam um mês, como a saga Wheel of Time, ganhei o gosto por voltar a ler livros de um dia para o outro e peguei em mais um Poirot.

Não sei se já tinha lido este livro no passado, ou visto o episódio da série, mas a base da história era minha conhecida. Um assassino em série que desafia Poirot a apanhá-lo enquanto vai matando pessoas em ordem alfabética. No entanto os pormenores eram-me desconhecidos e deu-me muito prazer ler este livro. Também porque voltou o nosso amigo, Capitão Hastings, que é um personagem quase tão querido como o próprio Poirot.

Mais uma vez a história é fluida e bem construída e com um desfecho surpreendente. A narrativa é novamente diferente, já que todo o livro é narrado por Hastings, que está a documentar o caso em livro. Muito engraçado.

Recomendo a todos os apaixonados por Poirot, ou a quem lhe apetece uma boa história de crime.

Boas leituras!

Goodreads review

Acabei de Ler – Morte nas Nuvens, Poirot #12

Morte-nas-Nuvens

Depois de ter (re)tomado o gosto de ler livros do Poirot, já não quero outra coisa e peguei logo noutro. Este teve a vantagem acrescida de ser uma história que eu ainda não conhecia, coisa rara mas muito agradável.

Voltamos a uma narrativa mais tradicional, Poirot está presente quando se dá o crime, e faz até parte dos suspeitos. Vai trabalhar rápido para evitar mais mortes e limpar o seu nome para a opinião pública.

Gostei, está bem escrito como sempre, e a história é fluida e rápida. Só quase no fim é que percebi quem era o assassino, o que torna a leitura mais apetecível. Poirot mostra aqui os seus dotes de casamenteiro.

Recomendo a todos os que gostam de policiais e boas histórias.

Boas leituras!

Goodreads Review

Acabei de Ler – Frango com Ameixas

ameixas

 

Já sabem que sou grande fã de novelas gráficas, e também de Marjane Satrapi, autora de Persepolis que já aqui recomendei.

Descobri através do Instagram do Peixinho que o Público e a Levoir tinham lançado este Frango com Ameixas e corri a comprá-lo. Claro que nesta fase da vida, livros em que precise das duas mãos para ler tendem a ficar na estante mais tempo (já sou pró a usar o Kindle pousado numa superfície e passar páginas quase com o cotovelo), mas finalmente arranjei um tempinho para me dedicar a ele.

A história é a do tio avô da autora, famoso tocador de tar, a quem partem o precioso instrumento. Depois de muitas tentativas para o substituir, Nasser Ali Khan perde o sentido da vida e decide que quer morrer.

É uma história triste e romântica, cheia de volte faces tão surpreendentes como a natureza humana, simples mas muito bem construída.

Recomendo a todos os que gostam de novelas gráficas, histórias de amor, beleza em geral. Não se vão arrepender.

Boas leituras!

Goodreads Review

Livros que Recomendo – Fernão Capelo Gaivota

fernaocapelogaivota

Quando eu era adolescente Richard Bach estava muito na moda, e este era o seu livro bandeira. Era um daqueles escritores como agora há muitos, de se escrever as frases favoritas em caderninhos e depois escrever nos postais de aniversário dos amigos, no tempo em que não era só uma frase com efeitos no Facebook.

Sendo aviador, os seus livros estão cheios de referências a aviões e ao acto de voar, uma espécie de Saint-Exupery dos pobres. No entanto, e apesar deste começo tão desolador, há méritos neste livros de 1970.

O nosso protagonista é uma gaivota que se cansa da vida diária, das lutas por comida, do quotidiano sem significado, e acredita que voar há-de ser mais que apenas um modo de deslocação. Porque não retirar prazer dessa actividade, aperfeiçoá-la? Ele começa então a fazer acrobacias, a tentar todos os dias voar melhor, e isso faz com que seja incompreendido pelo seu bando e posto de parte. Esta é a primeira parte desta fábula, que fala sobre nós e o nosso desejo de aperfeiçoamento constante, a nossa relação com Deus e com os outros, usando as gaivotas como pano de fundo.

Poderá ter saído de moda, e já não andar nas bocas do mundo, mas não deixa de ser uma boa reflexão, que nos faz pensar, trazida dum modo leve e despretensioso. Não será com certeza pior que os Chagas Freitas desta vida.

Recomendo a todos os que gostam de livros que nos ajudam a pensar, levezinhos e que nos prendem a uma história.

Boas Leituras!

Acabei de Ler – Tragédia em Três Actos, Poirot #11

poirot 11

Fez em Agosto 4 anos que eu comecei a empreitada de ler todos os livros do Poirot por ordem de publicação. 4 anos volvidos e eu vou no número 11, já que isto é uma maratona e não um sprint, como a vida.

Este 11º volume foi bastante refrescante. Na primeira metade do livro mal vemos o nosso detective, apenas aparece como personagem bastante secundária, e é só quase no final que ele se junta aos outros personagens para desvendar o mistério. Uma narrativa diferente do habitual, sem o fiel amigo Hastings, mas bastante interessante e original.

Não vou desvendar muito da história, apenas refiro que os nossos investigadores aqui, um actor de teatro retirado dos palcos e o seu pragmático amigo, são bastante convincentes e eficientes nos seus papeis, e a história é suficientemente interessante para se ler num sopro.

Como sempre, recomendo a fãs do género, e leitores que gostem duma boa história.

Boas Leituras!

Goodreads Review