Sunsets no CCB

Sunset CCB

Começou este fim-de-semana no CCB uma das propostas de animação de Verão que nós mais gostamos cá em casa. Os concertos de fim de tarde no Jardim das Oliveiras, sentados na relva, a ver o pôr-do-sol, enquanto ouvimos um jazz ou uma música do mundo a embalar-nos para o começo da noite.

O ano passado acabámos por ir duas vezes, e adorámos as duas. Um ambiente tranquilo e intimista, proximidade com os artistas, nada de enchentes, passam-se uns momentos relaxados que nos descontraem da loucura da semana.

Podem ver a programação aqui, há muita coisa boa por onde escolher.

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20 anos de Placebo

Placebo

 

A primeira vez que ouvi Placebo foi no festival Sudoeste em 2000 ainda eles eram suficientemente obscuros para tocarem no primeiro dia antes do sol se pôr, e eu não fazia ideia de quem eles eram.

A viagem até ao festival foi atribulada por vários motivos, incluiu vários kms finais a pé por teimosias várias, e eu cheguei ao recinto cansada e fula da vida. Assim que cheguei deitei-me no chão a pensar na vida e como me apanhava em situações daquelas, e comecei a achar que a banda que estava a tocar era bastante boa. E lembro-me de pensar que, se naquele estado de espírito eu conseguia perceber isso, eles deviam ser mesmo bons. O festival depois compôs-se, e acabei por me divertir muito, e com Placebo foi o início duma história de amor que durou os três primeiros álbuns e muitos outros concertos.

Esta terça feira eles voltaram ao Coliseu para festejar os 20 anos e eu não sabia bem o que esperar porque não conhecia os últimos álbuns e há muito não os via ao vivo. Mas no fundo isto era também uma celebração à minha juventude passada, por isso não quis deixar de participar, e há muitos meses atrás comprei os​ bilhetes. Claro que a juventude era mesmo passado, e neste momento estou com uma grande crise de coluna que ameaçava tornar a experiência num festival de dor e desconforto, e passei o fim de semana todo semi-arrependida.

Mas resolvi o assunto ficando sentada nas cadeirinhas e só me levantando nas músicas que valiam mesmo a pena. E esse foi o problema do concerto, mas vamos por partes.
Quando entrou a banda de apoio eu pensei que já era a sério, e depois percebi a confusão. O guitarrista, Stefan Osdal, faz parte, mas nem isso foi o suficiente para encantar. Uma mix de batida com instrumentos de cordas e vozes ocasionais que não convenceu, nem deu grande vontade de dançar. Passemos aos próximos.

Os próximos só demoraram o costume destas ocasiões, qual atraso institucional de noiva, e cedo encheram o palco para começar a festa de aniversário. Aparentemente haviam 3 ecrãs gigantes, mas do lugar dos doentes não consegui ver nenhum, a não ser no ecrã do telemóvel das dezenas de pessoas à minha volta a filmar/fotografar. Aliás, já ninguém simplesmente vê um concerto. Toda a gente tem de validar que lá esteve. Alguns, como eu, tiram meia dúzia de fotos/vídeos. Outros filmam quase tudo. Outros ainda vão documentando tudo nas redes sociais em tempo real. #vidamoderna

Mas a música propriamente dita só lá para meio do concerto é que me começou a animar, o primeiro set de canções pareceu-me muito chocho. Claro que o facto de estar em pior forma física e o Coliseu estar criminosamente quente (a sério, o incentivo à venda de cerveja não pode justificar tudo!) contribuíram, mas na realidade é como tentar reatar uma relação em que ambas as partes sabem que acabou. Foi bom enquanto durou, mas seguimos caminhos diferentes (e àquela temperatura o meu dificilmente voltará a passar pelo Coliseu).

A última parte foi mais arrebitada, com êxitos mais dançáveis, e deu para abanar o que a coluna deixou. No final saímos com um até sempre, pela colina acima, a caminho de novas sonoridades.

Para fotos como deve ser, da fotógrafa de sempre Rita Carmo, vejam a reportagem no Blitz aqui.

Dias da Música 2017

Dias da Musica 2017

No próximo dia 29 começa mais uma edição dos Dias da Música em Belém no CCB, evento a que eu gosto muito de assistir, este ano sob o tema “As Letras da Música”, tema bastante literário é que tem muito a ver com o Peixinho.

Olhando para o programa consigo ver já imensos concertos aos quais gostava de assistir, até porque o ambiente no CCB durante estes dias é muito descontraído e contagiante, mas ainda não sei se vou conseguir ir este ano, que tem sido um bocadinho conturbado.

No entanto deixo-vos algumas ideias de coisas que se eu pudesse não perderia com certeza:

Sexta, 28 de Abril às 21:00 – JP Simões: Buarque, Bloom e Outras Canções (A2)

Sábado, 29 de Abril às 14:00 – Orquestra Sinfónica Ensemble: Sedução e Amores Proibidos (B2)

Domingo, 30 de Abril às 13:00 – DSCH – Schostakovich Ensemble: O Carnaval dos Animais (C10)

Espero que gostem.

Mitos do Norte

Norse Mythology

American Gods é uma série que está mesmo quase a estrear (dizem que dia 30 de Abril num canal de cabo americano), e só isso já seria razão suficiente para pegar num livro do Neil Gaiman (outro, para além do Sandman que tenho andado a ler por aqui). Claro que a escolha óbvia seria o homónimo, mas não consegui resistir a este Norse Mythology, acabadinho de sair, que ainda por cima vem complementar lindamente a outra série que ando a acompanhar, Vikings.

Foi por essa razão que os nomes dos deuses e deusas estavam frescos na minha memória, e isso ajudou muito a relacionar as histórias e os mitos. A mitologia nórdica, apesar de grandemente perdida no tempo, é muito rica em personagens e histórias, e talvez seja essa a razão que me levou a achar este um dos livros mais fracos do autor. Normalmente, ele costuma deslumbrar-nos com a riqueza das suas personagens, o envolvimento das suas narrativas, ao ponto de nos sentirmos parte do mundo fantástico que ele criou para nós em cada livro. Neste o começo foi um pouco confuso, como se o autor tivesse de condensar muita informação logo de início para conseguirmos abarcar o mundo todo, mas à medida que íamos progredindo nos contos, o génio contador de histórias de Neil Gaiman ia vindo progressivamente ao de cima. No entanto, nunca me consegui sentir verdadeiramente envolvida no mundo e nas descrições, sempre me senti como se fossem apenas contos avulsos, mal ataviados uns aos outros, sem continuidade, sem aquela sensação de saga que eu estava à espera.

No final de tudo, o meu conto preferido foi o Ragnarok, ou a descrição do final dos tempos e o seu renascimento, que é suposto encher-nos de temos e esperança ao mesmo tempo, e que deixa no ar a questão se já terá ou não sucedido com o final da era desses personagens distantes.

Ler este livro despertou-me a vontade de voltar a ouvir os velhinhos Amorphis, uma banda finlandesa cujos primeiros álbuns eram inspirados na Kalevala, um poema épico finlandês fundamental no desenvolvimento da identidade deste povo, pleno de histórias, mitologia e sagas. Um cheirinho aqui.

E pronto, a caminho do próximo livro, que espero me entusiasme mais.

Goodreads Review

 

Ama Romanta no Blitz

Blitz

Este mês de Março a revista Blitz oferece um CD com raridades da velhinha editora do João Peste, Ama Romanta. E isso fez-me comprar novamente o Blitz e recuar no tempo aos meus 16 anos quando eu comprava o jornal e a primeira coisa que lia eram os “pregões e declarações“. Foi assim que percebi pela primeira vez que havia uma rivalidade entre norte e sul (ou Lisboa e Porto se quiserem) ao ler as Polémicas, que eram obviamente as minhas favoritas.

Mas comprei religiosamente o Blitz por muito mais de 15 anos, lia as reportagens dos concertos a que tinha ido, ficava zangada quando os críticos não gostavam tanto como eu tinha gostado, claramente não percebiam nada de música, ou pelo menos daquele género de música. Lia as críticas aos cds e discordava religiosamente do António Freitas que não gostava do mesmo tipo de metal que eu. Abria horizontes para outros tipos de sonoridades e aprendia sobre a música e a diversidade.

Hoje ao ver a revista fico um bocadinho desiludida, sinto que não é bem a mesma coisa. Sou saudosista, o papel de jornal tem uma mística diferente, mas se calhar é a minha adolescência que me traz a saudade da descoberta. O Blitz (para mim será sempre O Blitz), tal como todos nós tem de se adaptar ao mundo dos androids e dos ios, e conquistar novos públicos para não morrer.

No entretanto fica um cheirinho a passado com este CD. Ainda se encontra por aí até ao fim do mês, para quem quiser aproveitar.

Deus ex machina

Men ex machina

Falei num post anterior que certos livros puxam certos álbuns, ou certos tipos de música. Eu gosto de literatura, mas gosto também de muitos outros tipos de artes, e a música tem uma grande influência e uma grande presença no meu dia a dia.

Ora, já acabei de ler a primeira parte da saga Hyperion do Dan Simmons, e isso significa também que já estou noutras músicas e larguei o álbum de Mão Morta. Todo o livro era à volta duma peregrinação ao templo do Shrike, uma divindade biomecânica, e, coincidentalmente ou não, o álbum era também sobre a atração do homem pela tecnologia, a fusão do corpo humano com o metal, enfim tudo relacionado.

Esta semana no autocarro enquanto lia escolhi casualmente uma música para me acompanhar e fui dar a este velhinho album de Tool, Aenima, que curiosamente, ou talvez não, é bastante apocaliptico. Mais uma vez adequa-se imenso a este segundo volume “The Fall of Hyperion”, onde toda a trama se passa à beira da destruição da humanidade. A banda sonora perfeita para aumentar o prazer da leitura.

Videoclip aqui

Some say the end is near.
Some say we’ll see Armageddon soon.
I certainly hope we will.
I sure could use a vacation from this

Bullshit three ring circus sideshow of freaks

Here in this hopeless fucking hole we call L.A.
The only way to fix it is to flush it all away.
Any fucking time. Any fucking day.
Learn to swim, I’ll see you down in Arizona Bay.

Fret for your figure and
Fret for your latte and
Fret for your lawsuit and
Fret for your hairpiece and
Fret for your Prozac and
Fret for your pilot and
Fret for your contract and
Fret for your car.

It’s a bullshit three ring circus sideshow of freaks

Here in this hopeless fucking hole we call L.A.
The only way to fix it is to flush it all away.
Any fucking time. Any fucking day.
Learn to swim, I’ll see you down in Arizona Bay.

Some say a comet will fall from the sky.
Followed by meteor showers and tidal waves.
Followed by fault lines that cannot sit still.
Followed by millions of dumbfounded dip shits.

Some say the end is near.
Some say we’ll see Armageddon soon.
I certainly hope we will cause
I sure could use a vacation from this

Stupid shit, silly shit, stupid shit…

One great big festering neon distraction,
I’ve a suggestion to keep you all occupied.

Learn to swim. [3x]

Mom’s gonna fix it all soon.
Mom’s comin’ round to put it back the way it ought to be.

Learn to swim.

Fuck L Ron Hubbard and
Fuck all his clones.
Fuck all these gun-toting
Hip gangster wannabes.

Learn to swim.

Fuck retro anything.
Fuck your tattoos.
Fuck all you junkies and
Fuck your short memory.

Learn to swim.

Fuck smiley glad-hands
With hidden agendas.
Fuck these dysfunctional,
Insecure actresses.

Learn to swim.

Cause I’m praying for rain
And I’m praying for tidal waves
I wanna see the ground give way.
I wanna watch it all go down.
Mom, please flush it all away.
I wanna see it go right in and down.
I wanna watch it go right in.
Watch you flush it all away.

Time to bring it down again.
Don’t just call me pessimist.
Try and read between the lines.

I can’t imagine why you wouldn’t
Welcome any change, my friend.

I wanna see it all come down.
Bring it down
Suck it down.
Flush it down.

Uma noite com salgadinhos

pz

Sábado passado, que já foi há uma eternidade, resolvemos voltar a ser jovens e sair à noite. Nos meus 20’s e inicio dos 30’s saía muito, era uma festeira, mas entretanto estou mais virada para os prazeres ligeiros dos jantares de amigos, cinema ou teatro. Mas há sempre excepções.

Neste sábado começámos por ir experimentar um restaurante mais pimpão aproveitando a Restaurant Week, o Sessenta. Somos fãs deste evento porque nos permite experimentar restaurantes que estão fora do nosso orçamento habitual, e termos experiências gastronómicas diferentes. Desta vez deliciamo-nos com uns lombos de atum e um risotto de espinafres e queijo da serra. Estava bom e o serviço era simpático, tal como na maioria dos sítios que temos experimentado desta maneira (o nosso favorito até agora foi o Eleven, e esta mania de pôr números nos nomes dos restaurantes é estranha). A Restaurant Week vai até dia 12 de Março, aproveitem.

Logo a seguir rumámos ao Cais do Sodré e sua famosa rua cor de rosa onde íamos ver o PZ no Music Box. Chegámos já depois das 22h, hora que era suposto começar, mas ainda esperámos uma saudável hora, porque concertos em bares devem começar mais tarde para nos permitir ir molhando o bico.

Fomos o caminho todo a planear vodkas e gins, e quando lá chegámos pedimos uma imperial e uma sidra. Ah pois é, os quarenta.

O concerto foi muito divertido, tal como esperávamos. A música é leve e descontraída, as letras às vezes são sérias às vezes são parvas, e o PZ conseguiu reunir uma pequena legião de fãs dedicados que dançaram energicamente, entoaram as músicas em coro e não o deixaram acabar. Literalmente, “Nunca Acaba” foi o que mais se ouviu no final do concerto e obrigou o músico a voltar mais que uma vez e a cantar duas das minhas músicas favoritas, Dinheiro e Croquetes.

Fenómeno interessante esse que consegue galvanizar um pequeno maralhal a cantar em uníssono uma letra sobre o seu amor aos croquetes, como se de uma qualquer devoção se tratasse. Que se foda o bacalhau, e estaremos lá para a próxima.

Vejam o vídeo aqui

A morte não é mais do que uma predisposição para a horizontalidade!

Comecei esta semana a ler um livro que andou todo o 2016 no meu Kindle à espera de vez. Hyperion, de Dan Simmons, uma coisa de ficção cientifica hardcore. Eu leio (quase) todos os géneros literários, mas scy-fi é aquele que mais custa a entrar. Como leio essencialmente em inglês e estes livros estão recheados de palavras que não existem em língua nenhuma, torna-se bastante desafiante conseguir entrar no mundo específico de cada obra, que regra geral é densa e palavrosa.

Mas desta vez achei que era hora, até porque as críticas no Goodreads são bastante boas, e já há muito tempo que me está a apetecer qualquer coisa de fora deste mundo, neste caso literalmente.

Só que eu leio essencialmente nos transportes públicos, e para me conseguir abstrair das conversas alheias costumo ouvir música ao mesmo tempo. Normalmente cada tipo de livro adequa-se a determinado tipo de música, ou em tão continuo a ouvir em repeat a mania que me acompanhar na altura.

Ora, esta semana por motivos vários que nem eu saberei explicar, mas que se prendem muito com esta música que só agora descobri, estou a ouvir o álbum de Mão Morta Pesadelo em Peluche. E descobri que é praticamente incompatível ouvir música com boas letras e ler ao mesmo tempo. O título deste post é só um dos exemplos das coisas que me fazem começar o dia com um sorriso nos lábios (ou um esgar de surpresa com alguma expressão mais crua).

Diz a Wikipédia que este álbum, conceptual como muitos os da banda, se baseia numa obra de J. G. Ballard, autor famoso pela sua visão da relação entre o homem e a máquina, como os nossos desejos e pulsões se relacionam com a tecnologia e o desenvolvimento. Li deste autor o livro Crash, que deu também origem ao filme de 1996 de Cronenberg, e que é bastante hipnótico e perturbador. Uma visão forte da sociedade actual, e que me foi difícil de digerir.

Conclusão, tem sido complicado progredir com o livro, principalmente porque não consigo deixar de ouvir a música. Deixo-vos aqui as letras, para verem do que estou a falar. Mas, na realidade, e como diz o outro, isto anda tudo ligado.

Dias da Música

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Como tinha dito neste post este fim de semana está a decorrer no CCB os Dias da Música. Este ano o tema é Volta ao Mundo em 80 concertos, e nós iamos muito entusiasmados com a perspectiva de ouvir sons diferentes. Não ficámos desiludidos porque no primeiro concerto tivemos a experiência de ouvir a Orquestra Yogistrangong a tocar gamelão de Java. Se não sabem o que é, como eu não sabia, são uma série de instrumentos de percursão maioritariamente gongos em bronze.

O segundo concerto que escolhemos chamava-se “Uma Tarde Num Jardim Persa”, e era mais baseado em música iraniana, com 3 intérpretes que também declamaram alguns poemas.

Amanhã é o último dia, e eu aconselho a experiência. Não só os concertos são interessantes, como o ambiente que se vive no CCB nesta altura é muito eclético e variado. A experimentar.

Original Sound Track

Wait for me

 

Um bom livro geralmente merece uma boa banda sonora. Eu pelo menos sou muito influenciada pelo ambiente que me rodeia enquanto leio, e embora não necessite de silêncio absoluto (coisa impossível de obter nos autocarros da Carris), se a envolvência for demasiado hostil o meu leitor de MP3 ajuda sempre.

 Depois sou normalmente um bocadinho obssessiva e ouço o mesmo album ad eternum, em repeat, até me fartar. Por isso acontece muitas vezes um album acompanhar-me durante o tempo que me leva a ler um livro inteiro, tornando-se a sua banda sonora.

No caso do album acima (Moby – Wait for me), ainda hoje de cada vez que ouço alguma das suas músicas sou imediatamente transportada para paisagens geladas, inóspitas, cobertas de neve e tristeza profunda. Li com esse albúm dois livros de seguida do mesmo autor, Into the Wild e Into Thin Air, dois livros que me impressionaram imenso, por razões diferentes.

Ambos descrevem regiões inóspitas e geladas, o primeiro culmina no Alaska, e o segundo passa-se no Everest. Ambos retratam pessoas em busca de sentido em viagens impossiveis, e ambos terminam de maneira terrivel.

Creio que nos dois casos acabei com lágrimas a correr-me pela cara, o que para quem me conhece sabe que é dificil acontecer, não sou pessoa de emoção fácil. Os meus vizinhos de autocarro olharam-me com ar preocupado, entre a pena e a incredulidade.

Mas não consigo ouvir esta música sem me sentir ao mesmo tempo triste e a viajar. Um cheirinho aqui.