Acabei de Ler – O Canto de Aquiles

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Cheguei a este livro por ver falar do mais recente livro desta autora, Circe, em todo o lado. Por algum motivo, apeteceu-me começar por um título mais antigo, este Song of Achilles. Começo por dizer que às vezes as traduções dos títulos para português me enervam um bocadinho, e este é um bom exemplo disso. Em quase todas as línguas que reconheço, o título foi traduzido tal como é, A Canção de Aquiles. Mas nós, na nossa ansia de ser diferentes, ou mais eruditos ou sei lá o quê, tivémos que ser diferentes e traduzir por O Canto de Aquiles, que não é de todo tão adequado. A canção é aqui utilizada como forma de imortalizar Aquiles, no sentido da canção com o seu feito épico que foi cantada através dos tempos, e não como a sua capacidade de cantar. Mas indignações à parte, que isso não tira mérito ao livro.

Não sou profundamente conhecedora de mitologia grega, apesar de ter tido um interesse fugaz durante a minha adolescência, por isso não corria o risco de ficar chocada com inconsistências. No entanto, pelo que tenho lido nas reviews, parece-me que a autora se manteve fiel ao cerne da história. E que história é essa? A de Aquiles, pois claro, o melhor de entre os gregos, guerreiro afamado filho de um homem e uma deusa, e que aqui é contada pelo seu fiel companheiro Patroclus. A visão desta autora é interessante e segue estes dois desde crianças, tornando-os humanos aos nossos olhos, mais do que meros mitos, mas pessoas com sentimentos, inseguranças, decisões importantes a tomar que moldam as suas vidas e as dos que os rodeiam. Isto aliado a uma boa escrita, segura, sem floreados desnecessários, com acção que corre pelas páginas e nos leva atrás.

Era mesmo um livro assim que me andava a apetecer ler, bem escrito, cheio de acção de nos fazer ficar agarrados às páginas, e este livro não desiludiu. Recomendo a todos os que gostam de uma boa história, bem ritmada, mais ainda se forem fãs de mitologia. Mas não precisam de o ser para apreciarem devidamente este livro, em que todos os personagens são ricos e interessantes.

Boas Leituras!

Goodreads Review

 

Acabei de Ler – Sangue na Piscina, Poirot #26

Poirot 26

Ora cá está finalmente um livro do Poirot que eu desconhecia verdadeiramente. Que refrescante poder ler sem qualquer tipo de ideia preconcebida, ou memória visual. E este foi um bom mistério, bem escrito, em que na maior parte do tempo parecia que tínhamos mais informação que o nosso herói, ou pelo menos que sabíamos pormenores importantes primeiro.

Uma série de convidados vão juntar-se na mansão chamada The Hollow, um nome já de si sugestivo. Até o crime acontecer tínhamos apenas leves suspeitas sobre quem ia ser assassinado, ou seja nem a vítima era óbvia. E durante a maior parte da trama eu tive apenas leves suspeitas de quem era o assassino. Um luxo.

O mais giro neste livro, para além do facto de não ser óbvio, é que nós estávamos sempre à frente do Poirot na trama. Como não tem um companheiro de investigações, um Hastings ou um Japp, tal como no livro anterior, nós não sabemos os factos por conversas entre eles, mas é-nos mostrada a narrativa à medida que ela decorre, e as deduções psicológicas vão-nos sendo apresentadas através de avanços ou recuos na trama. Mesmo a descoberta final é diferente da habitual, sem a habitual reunião de suspeitos e monólogo de Poirot, mas mais uma vez é com um acontecimento que descobrimos a verdade.

Gostei bastante, recomendo a todos os fãs de Poirot, e de mistérios em geral.

Boas Leituras!

Goodreads Review

 

Livros Que Recomendo – O Homem Sem Nome

o homem sem nome

O Homem Sem Nome é o livro que me fez entrar na obra de João Aguiar, um dos meus escritores portugueses favoritos, apesar de eu estar sempre a dizer que não tenho escritores favoritos. Mas tenho, e este é certamente um deles.

Os livros posteriores que li eram mais dedicados à ficção histórica, em épocas bem remotas e das quais sabemos pouco, e este é radicalmente diferente. Neste temos a história dum trovador, poeta, homem que se recusa a ter um nome, e que viaja por várias terras para chegar do Grande Deserto à Terra dos Nómadas.  Dele sabemos muito pouco, mas ele tem uma profunda influência em todos os sitios onde passa e nas pessoas com quem contacta.

Neste mundo de fantasia, que pode ser passado, presente ou futuro, vemos espelhados muitos dos problemas da sociedade, do convívio humano, e podemos reflectir sobre eles.

É uma história que nos envolve e seduz, uma alegoria muito bonita, e um livro que nos passa rapidamente pelas mãos deixando um travo a pouco quando acaba.

Infelizmente li uma cópia emprestada, por isso não posso reler como tanto me apetecia, mas ando em busca dele em segunda mão.

Recomendo a todos os que gostam de histórias ricas, bem escritas e que nos fazem pensar.

Boas Leituras!

Livros que Quero Ler – The Woodcutters

woodcuttersJá não me lembro exactamente onde vi falar deste autor recentemente, se no Goodreads se em algum dos blogs de literatura que sigo, mas mais uma vez o que me espantou foi nunca ter ouvido falar dele e ser considerado um dos melhores (e mais polémicos) autores germanófilos da segunda metade do século XX. Senti-me novamente como quando me deparei com Rubem Fonseca e pensei que tinha que colmatar essa falha.

Depois de alguma investigação vi que este é dos melhores títulos para começar a ler este autor. Contém muitas das suas características (sarcasmo, cinismo, repetições de cenas e situações) mas é mais fácil de ler que algumas das suas obras mais intrincadas. A sinopse pareceu-me deliciosa e algo que me dará prazer ler.

Neste momento tenho-me dedicado mais a ler obras de não-ficção, essencialmente (mas não só) leituras sobre viagens, talvez para contrariar o confinamento, por isso ainda não tive disponibilidade mental para pegar neste livro, mas é um dos próximos na minha lista.

Até lá, Boas Leituras!

Acabei de Ler – Os Cinco Suspeitos, Poirot #25

Poirot 25

Depois de ler 4 livros seguidos que não eram do Poirot cheguei a uma encruzilhada em que não sabia bem o que me apetecia ler a seguir. Nas últimas semanas, nem sei bem como, acrescentei largas dezenas de livros à minha interminável lista de livros para ler, ao ponto de ter ficado um bocadinho assoberbada e sem vontade de ler nada. Quando isso acontece, Poirot é sempre um porto seguro, um livro que se lê rápido, entretém, sem necessitar duma dose extra de células cinzentas, que nem sempre estão disponíveis nesta altura.

E portanto lá fui eu para este 25º título da série. Mais uma vez ao fim dumas páginas comecei a ver o episódio da série na minha cabeça, e já sabia perfeitamente quem era o assassino e como tinha feito o crime, mas o mais importante nestas coisas é a jornada e não o destino final.

E esta jornada é de excelência, do melhor que Agatha Christie nos habituou. Aqui Poirot vai investigar um crime cometido há 16 anos atrás, a pedido da filha da condenada pelo mesmo, que morreu um ano depois. Pode parecer confuso, mas na realidade é muito simples, e muito interessante. Todos os participantes da trama são entrevistados habilmente por Poirot, e é-lhes pedido um relato escrito do que se lembram do acontecimento, que vem incluido na narrativa. Poirot está muito presente neste livro, e temos acesso aos seus pensamentos, coisa que não acontecia nos livros anteriores. Talvez por não ter um contraponto, como Hastings, para nos ajudar a perceber os meandros do seu raciocinio.

O culpado não é de todo óbvio e pela primeira vez sai impune, o que também é uma raridade nestes livros de Agatha Christie. Apesar de conhecer tão bem a história, foi um prazer ler, e recomendo a todos os que são fãs, mesmo sem ser incondicionais. Este é um mistério mesmo bem montado. Vamos ao próximo!

Goodreads Review

Boas Leituras!

 

Livros que Recomendo – Crónica do Rei Pasmado

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Já lá vão muitos anos desde que li este livro, mas ainda me lembro da boa disposição com que me deixou. Esta Crónica do Rei Pasmado, de Gonzalo Torrente Ballester, autor galego, é uma sátira com várias criticas sociais bem disfarçadas no meio dum episódio caricato.

Filipe IV de Espanha passa a noite com uma prostituta e de manhã contempla o seu corpo nú, o que o deixa pasmado. Depois de ficar a remoer nesse acontecimento decide que quer ver a rainha nua. Seria de pensar que palavra de rei é lei, mas é exactamente aqui que a trama começa, pois todos têm uma opinião sobre o assunto, principalmente a Igreja. Na altura era crime ver uma mulher nua.

A esta distância não me lembro se por alturas do fim do livro o rei conseguiu ou não o seu intento, mas lembro-me bem do sentimento de diversão e boa disposição que ficaram depois de terminada a leitura. Talvez esteja na altura de reler e reflectir mais uma vez no poder das instituições na sociedade.

Recomendo a todos os que gostam dum livro divertido, duma boa alegoria e de uma história bem contada.

Boas Leituras!

Se o Rei consegue ver a Rainha nua, todos teremos pretexto para despir as nossas fêmeas, sejam esposas ou queridas, e despir-se-ão todas as destes reinos, e as mulheres das Índias, e acabarão nuas as mulheres do mundo inteiro, se pega a moda, o que vai sendo hora de que aconteça, porque de camisas de noite compridas e de disputas para que as levantem um pouco mais, estamos nós tão cansados como elas. O único perigo, e este meramente imaginário, reside em que se disponham a sair nuas para a rua, ou com trajos tão transparentes que deixem ver tudo, pois são bem conhecidos os desejos que têm as mulheres de publicarem os seus segredos.

Livros Que Quero Ler – Ilium

Ilium

Há autores que têm um dom especial, e com os quais acabamos por ter uma relação mais próxima que outros, tendo vontade de ler tudo o que escreveram. Comigo esses casos de amor literário vão mudando ao longo do tempo. Se nos meus 20 anos eu lia tudo o que saía de David Lodge, hoje já me sinto mais afastada desse escritor, e novos se impuseram nos meus horizontes, como David Mitchell ou mais recentemente Dan Simmons, autor do fantástico Hyperion Cantos.

Basta olhar para a capa para perceber o toque de Dan Simmons. Tal como como em quase todos os livros da saga Hyperion, também aqui vemos uma criatura (um homem?) de costas com o olhar perdido numa imensa paisagem. Para mim só isso já me dá vontade de agarrar no livro e começar a ler. Depois é clássico Simmons. Passado em Marte, um planeta que foi “terraformado”, ou seja totalmente alterado para conter vida humana, e com ligações aos clássicos, neste caso a mitologia grega.

Apesar de parecer ficção científica pura, estará assim tão longe da realidade quando se estuda a possibilidade de alterar planetas para serem capazes de albergar vida humana? Como se não fosse suficiente termos estragado um, temos de ver se arranjamos mais uns quantos para destruir, ignorando completamente a integridade do que lá existe, seja vida ou não? Há sempre algo para pensar nos livros de ficção científica dignos desse nome, e essa é mais uma das razões que me fazem estar entusiasmada por ler este livro.

Até lá, Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Lituma nos Andes

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Eu gosto muito de autores sul-americanos, e passei grande parte dos anos 90 a ler obras suas. Um dos meus favoritos é Mario Vargas Llosa, a quem entretanto foi atribuído um prémio Nobel. Llosa é autor duma vasta obra, passada quer no seu Perú Natal, quer na Europa, relatando a experiência de imigrantes latinos.

Este Lituma nos Andes é passado no Perú profundo, em meados dos anos 80 e traça-nos um retrato social a político daquele país, principalmente da violência a que as pequenas comunidades estavam sujeitas, quer pelo Sendero Luminoso, quer por forças governamentais. Uma história duma investigação policial (o desaparecimento de várias pessoas numa comunidade andina) vai-nos mostrar o dia a dia daquela população, as suas dificuldades e o que era viver no Perú dos anos 80. O cabo Lituma e o seu ajudante Tomás serão os responsaveis pela investigação, mas a sua história pessoal terá também um papel relevante na história.

Mario Vargas Llosa é um exímio contador de histórias, e este livro é quase impossível de pousar antes de chegar ao final. Na realidade, fiquei com saudades e com vontade de reler.

Recomendo a todos os que gostam duma boa história, impossível de pousar, de cenários sul-americanos, e de aprender enquanto lêm ficção.

Boas Leituras!

 

Livros que Quero Ler – Ballistic Kiss, Sandman Slim #11

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Quem segue este estaminé sabe que eu gosto de livros de fantasia, e que fiquei rendida a este heroi de fantasia urbana, o Sandman Slim. Ele é basicamente um tipo porreiro a quem a vida pregou umas partidas. Um daqueles duros de coração mole, que não conseguem deixar de nos cativar. Tem muitos trunfos na manga, nomeadamente a capacidade de se deslocar rapidamente entre sitios distantes, e o ser parte homem parte anjo. Ah, e não esquecer que durante um tempo chegou a ser o “director” do Inferno.

É uma série despretensiosa, bem disposta e com muita, muita acção. Ideal para passar umas horas literalmente noutro mundo, ou numa Los Angeles alternativa. Sem ser uma obra prima literária, entretém e cumpre o seu propósito.

Em Agosto sai o 11º volume, e eu estarei na fila da frente para o ler. Até lá, Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Madame Bovary

madame bovary

Gustave Flaubert foi um grande romancista francês do século XIX e Madame Bovary foi talvez o seu livro mais conhecido. Emma Bovary é uma jovem provinciana que passou a adolescência a ler romances de amor nos quais baseia a sua visão romanceada da vida. Após algumas peripécias, acaba por casar com Charles, um jovem médico de aldeia, mas acaba por não corresponder às suas expectativas irrealistas, e aborrece-se com a sua vida pequena e monótona.

Quando se mudam para outra cidade, Emma embarca numa série de romances extraconjugais, sempre na expectativa de trazer alguma cor à sua vida, e torná-la mais similar àquilo que tinha lido nos livros, com os resultados que podem imaginar.

Um livro muito bem escrito, por vezes nada fácil, uma vez que é impossível sentir qualquer empatia pela protagonista, ou mesmo pelos outros personagens. No entanto, está muito bem escrito e ficamos agarrados à história, mesmo que por vezes algo escandalizados. Principalmente com o modo como a vida da filha do casal evolui.

O livro deu muita polémica na altura em que foi publicado, como podem imaginar Emma não se coadunava muito com a moral vigente no século XIX, mas ao mesmo tempo várias mulheres diziam ter sido a inspiração para a personagem. Flaubert negou sempre dizendo “Madame Bovary, c’est moi”.

Recomendo a todos os amantes dos clássicos, de livros que têm muito cuidado com a palavra, que são representativos duma época histórica. Não se vão arrepender.

Até lá, Boas Leituras!