Acabei de Ler – A Casa no Mar Cerúleo

house in the cerulean sea

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Eu sou uma pessoa que não gosta por aí além de ler as coisas que toda a gente anda a ler, normalmente porque já vou com predisposição para não gostar. E por vezes esses receios são fundamentados, como aconteceu recentemente com Os Sete Maridos de Evelyn Hugo. Mas depois, noutras alturas, descobrimos que na realidade toda a gente tinha razão, como aconteceu com Bear Town. Este livro foi um desses.

A Casa no Mar Cerúleo é o que se chama uma “cosy fantasy”. Assim um livro de fantasia que aquece o coração, em vez de encher a cabeça com raças de elfos, e batalhas sem fim. Gosto de uns e outros, mas ultimamente ando mais virada a coisas simples, porque há muita beleza na simplicidade.

E há muita beleza na história de Linus Baker, um empregado da agência governamental encarregue dos orfanatos dedicados a crianças que são simultaneamente seres mágicos. Uma CPCJ da magia, e Linus tem como principal função garantir que as crianças são bem tratadas nestas instituições, e caso isso não se verifique, recomendar o seu encerramento. O que acontece às crianças depois, já não faz parte da sua jurisdicção, e por isso ele não sabe nem tenta saber. Mas um dia recebe como missão ir investigar um orfanato ultra-secreto, e vai descobrir que a sua vida cinzenta se calhar precisa de mais cor.

Houve duas coisas que me conquistaram neste livro. A primeira é sem dúvida o sentido de humor que está imbuído. Dum modo muito diferente, mas fez-me lembrar o À Boleia Pela Galáxia. Dei por mim com um sorriso na cara muitas vezes. A outra coisa que gostei foi da naturalidade com que a história fluiu. Muitas vezes parece que há personagens/situações que são colocadas na história “a martelo”, para fazer o livro estar mais dentro dos valores actuais, e isso não me deixa apreciar a história como ela é. Mas aqui tudo é natural, tudo flui, tudo faz sentido sem esforço. As personagens são fabulosas, e carregam toda a história que não tem nada de original, mas que é bonita e aquece o coração.

Se ainda não leram, eu recomendo muito, acho que vão passar umas boas horas, com um sorriso no rosto e um quentinho no coração.

Rumo ao próximo, até lá Boas Leituras!

Goodreads Review

I usually don’t like reading books that are trending because I have a predisposition to dislike them. Sometimes I am right, as it recently happened with The Seven Husbands of Evelyn Hugo, but in many cases I am wrong, as was the case of Bear Town, that I loved. This book was in the Bear Town category.

The House in the Cerulean Sea is a cosy fantasy. Like a warm blanket on your heart, instead of a head full of elf races and endless battles. I like both versions, but lately I’m more inclined to read simpler things, as there is a lot of beauty in simplicity.

And there was a lot of beauty in Linus Baker story. He is a case at the Department in Charge Of Magical Youth, DICOMY, a government agency that overseas the orphanages for children with magical abilities. His main job is to ensure that the children are well taken care off, and don’t suffer any abuse, and if that happens, he recommends said orphanage to be shut down. What happens after that is no longer his responsibility, and will be taken over by other departments. But one day he receives a very important mission, to conduct an investigation on a top-secret orphanage, with very special children and a unique master, and that will lend some colour to his otherwise grey life.

Two things grabbed with this book. First its sense of humour that permeates every page. Reminded me of The Hitchhikers’ Guide to the Galaxy, albeit being very different, and I had a smile on my face for most of the time. I also enjoyed the easiness with which the story flows. In some books we see characters or situations that are there mainly as conduit for the author’s ideas, or as a way to make the book trendier but that does not happen here. Everything makes sense, all has a purpose, everything flows naturally. The characters are fabulous and carry the story, that is not incredibly original but beautiful and endearing.

If you haven’t read it yet, I highly recommend it. It will warm your hearts and fill a couple of hours with much joy.

On to the next, until then Happy Reading!

Acabei de Ler – The London Séance Society

london seance society

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Mais ou menos há um ano li o romance de estreia de Sarah Penner, O Segredo da Boticária, e gostei. Não foi extraordinário, mas foi bom para passar o tempo, a parte histórica estava bem escrita e o ambiente da época estava bem descrito e bem criado. Por isso, quando apareceu o segundo livro da autora no Netgalley resolvi embarcar na aventura.

The London Séance Society é uma espécie de thriller histórico, passado em Londres em 1873. O ambiente está mais uma vez muito bem descrito, e é a melhor parte do livro. Conseguimos, sem esforço, visualizar ruelas sujas, estreitas e empedradas, miúdos de cara suja, e quase sentimos o cheiro nauseabundo do rio Tamisa. Neste cenário ocorreram dois assassinatos. O do presidente da London Séance Society, um clube só de cavalheiros dedicado às artes espiritualistas, coisa muito em voga na Londres vitoriana, e o de Evie, a irmã da nossa protagonista, que também era uma crente fervorosa do ocultismo. Leena tenta desvendar o mistério da morte da sua irmã, e para isso vai estudar com a médium mais famosa da altura, Vaudeline, que é perita em desvendar casos de homicídio. O que se segue é uma história interessante, com mistério, suspense, e muito ambiente gótico.

A primeira reviravolta do livro era muito óbvia, mas creio que isso foi propositado. As outras foram coerentes e fizeram sentido. A história estava bem construída e foram umas horas bem passadas a desenrolar este mistério com um pano de fundo tão interessante. Recomendo a todos os que gostam de ficção histórica, e de um bom mistério.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Close to a year ago I read Sarah Penner’s debut novel The Lost Apothecary and I liked it. It wasn’t extraordinary, but it was entertaining, the story was well told and the ambiance was great. So, when her second novel was made available on Netgalley, I did not hesitate.

The London Séance Society is an historical thriller set in the Victorian London, more precisely in 1873. Again, the ambiance was perfectly created and is indeed the best part of the book. I could easily envision London’s dirty, narrow alleys, filled with children with dirty faces, and smell the foul Thames River. It was in this setting that two murders occurred. The president of the London Séance Society, a gentleman’s club that dwells in the occult, which was very fashionable at that time, and Evie, our protagonist’s sister, also a believer in these arts. Leena tries to find out the truth about her sister’s death, and to do so she enlists the help of Evie’s former teacher, Vaudeline, a French medium, very famous for solving murder mysteries. What comes next is an interesting gothic story, filled with mystery and suspense.

The first plot twist was very obvious, and almost threw me off, but I soon realised it must have been done on purpose, so I persevered and ended up enjoying myself a lot. The plot was well constructed and I spent a few hours unravelling this mistery with such an interesting background. I recommend to everyone who likes historical fiction and a good mystery murder.

On to the next, until then Happy Reading!

Acabei de Ler -Acts of Service

acts of service

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Acho que depois de ler muitos romances seguidos fico demasiado xaroposa e tenho que encontrar coisas para contrabalançar. Foi essa premissa que me levou até este romance de estreia de Lillian Fishman, sobre o qual li e vi bastantes opiniões que me deixaram curiosa.

À semelhança do livro de Otessa Moshfegh, My Year of Rest and Relaxation, que li algures já este ano, aqui também parece que não se passa muito em termos de história. No entanto, passa-se imensa coisa, nomeadamente dentro da nossa cabeça. Eve tem uma vida pacata, uma namorada há bastante tempo, um emprego num café, no entanto sente-se inquieta e descontente com algo. Depois de postar algumas fotos suas online, conhece Olivia e, através dela, Nathan, que vão passar a fazer parte do seu quotidiano dum modo quase obsessivo.

Este triangulo, sexual mais que amoroso, vai fazer Eve questionar tudo sobre si própria, a sua relação, a sua (falta de) ambição de vida. Aquilo que ela sempre julgou ser, lésbica, activista dos direitos das mulheres, é agora posto em causa pelo lugar que ela encontra com Nathan e Olivia. Ela sabe que há algo muito errado na sua relação com Nathan, mas continua a voltar como uma traça atraída pela luz.

É no meio destes momentos de intimidade que se passam muitas conversas sobre sexualidade, identidade, o trabalho como algo que nos define, relações laborais e pessoais, o que é abuso e o que é auto-confiança. Foi um livro estranho, mas é daqueles que fica na nossa cabeça por algum tempo, e que nos faz questionar muita coisa.

Gostei muito, recomendo a todos os que gostam de uma boa história e que não se impressionam com copiosas quantidades de cenas sexuais.

Boas Leituras!

Anytime I want, I can forsake this dinner party and jump into real life.

Goodreads Review

After reading too many romance novels in a row I become too syrupy and need to find different things to balance me up. This was what lead me to this debut novel by Lillian Fishman, after reading and watching many online reviews.

Same as Otessa Moshfegh’s book, My Year of Rest and Relaxation, that I read earlier this year, the plot doesn’t seem to be much. There aren’t many things going on, apparently. However, there are a lot of things happening, mainly inside our heads. Our protagonist, Eve, has a normal, boring life, a steady girlfriend of many years, a job in a café as a barista. But she is also restless and one day she posts some nudes on a website, not quite sure why. As a result, she will meet Olivia, and that leads to meeting Nathan. Both of them will start to be a part of her life, almost in an obsessive way.

This triangle, sexual more than romantic, will make Eve question everything about herself, including her relationship and her (lack of) ambition. All the things that used to define her, being lesbian and a women’s rights activist, for example, is now confronted by her relationship with Nathan and Olivia, and the place she occupies in it. She senses there is something deeply wrong in their love triangle, and in her submissiveness to Nathan, but she keeps coming back, as a moth attracted to the light.   

It’s amidst their intimate moments that many important conversations go on. Reflections on identity, sexuality, work as something that defines us, work vs personal relations, what can be considered abuse and what can be considered assertiveness, and all the grey lines in between. This was a strange book, that stayed in my thoughts for a long time.

I really liked it and recommend it to anyone who loves a good story and doesn’t get put off by an abundance of sex scenes.

Happy Reading!

Acabei de Ler – Such a Pretty Girl

such a pretty girl

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Andava sem grande vontade de ler nada específico e resolvi dar um saltinho ao Netgalley para ver o que andava por lá. Encontrei este livro duma autora que não conhecia, T. Greenwood, gostei da sinopse e resolvi pedir. Não fiquei desapontada.

Este livro conta-nos a história de Ryan, que foi actriz de cinema enquanto criança, e que acabou por deixar esse mundo quando sentiu que não conseguia continuar a lidar com a falta de privacidade. A história começa no tempo presente, quando Ryan descobre nos jornais uma foto sua de criança que foi encontrada em posse dum homem acusado de pedofilia, oferecida pela sua própria mãe. A partir daqui vamos assistir ao desenvolvimento da história no tempo presente, e no passado seguimos o percurso de Ryan até se tornar uma actriz famosa.

Como disse, não conhecia nada desta autora, mas fiquei rendida à sua escrita. Ryan é uma personagem interessante e complexa, os assuntos abordados não são leves, mas tudo foi escrito com muita elegância. Não há detalhes supérfluos, mas também não há contenção desnecessária, tudo tem a sua razão de ser.

A história vai desenvolvendo simultaneamente nas duas linhas temporais, e vamos sendo conduzidos para um final que antevemos, mas não sabemos bem com vai ser.

Gostei bastante, foi uma leitura muito agradável, e certamente irei pesquisar mais títulos desta autora. Recomendo a todos os que gostam de literatura contemporânea, e histórias interessantes, bem contadas.

Até ao próximo, Boas Leituras!

Goodreads Review

I was again on a reading slump, wanting to read everything and nothing at the same time, when I decided to go to Netgalley and check out what was interesting there. Nothing like more books to get you on a better mood. I found this book from T. Greenwood, whom I did not know, but the synopsis was interesting, and I decided to request it. And I am glad that I did.

This book is about Ryan who was a child actress a long time ago, and now leaves a secluded life. She gave up acting when she could no longer tolerate the intrusion on her private life. Our story starts in the present, when Ryan discovers in the papers a picture from when she was a child, which was in the possession of a man being charged with child abuse, and it had been gifted to him by her mother. From here onwards we will see the story unfold in a dual timeline, the present and the time when Ryan was a child on the path of becoming an actress.

As I said, I didn’t know this author, but I really enjoyed her writing. Ryan is an interesting and complex character, and the subjects broached are not light, but it was all very elegantly written. There are no unnecessary details, but also no unnecessary restraint, everything is in the story for a reason. The story will leads to an ending that we can foresee, but not quite guess.

I really liked it, it was an interesting read, and I will certainly look up other books by this author. I recommend it to all those that love literary fiction and interesting stories, well told.

On to the next. Until then, Happy Reading!

Vencedor do Prémio Booker 2022

almeida

No passado dia 17 de Outubro, segunda-feira, foi finalmente anunciado o vencedor do Prémio Booker deste ano. A honra coube a Shehan Karunatilaka, com o seu “The Seven Moons of Maali Almeida“. Este é o segundo romance deste autor do Sri-Lanka que tem na escrita o seu modo de vida, mas que tem trabalhado mais em publicidade e social media.

Na  realidade, esta experiência pode ser uma mais-valia, para pessoas como eu que preferem escrita mais escorreita e directa, e histórias contadas com simplicidade e humor. Que é o que parece ser esta história de Maali Almeida (excelente apelido, volto a frisar), que acorda morto sem saber quem o matou, e que tem exactamente sete luas para contactar os seus entes mais queridos e conduzi-los a uma revelação. Parece-me uma sinopse com muito potencial, e fiquei com bastante vontade de ler este livro. Acho que vai engrossar a minha já interminável lista de livros que quero ler.

Se já leram este livro, partilhem a vossa experiência. Até lá, Boas Leituras!

Acabei de Ler – One Last Stop

one last stop

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Agosto Leve estava para durar e voltei a pegar num romance. One Last Stop tem feito furor nos youtubes internacionais, mas ainda não está traduzido para português. É uma história de amor entre duas mulheres jovens, mas com um toque sobrenatural, já que uma delas se encontra presa numa linha de comboio em Nova Iorque.

August muda-se para a grande cidade na expectativa de terminar a faculdade e encontrar o seu lugar no mundo. Aluga um quarto, arranja um part-time e fascina-se por uma estranha que conhece no comboio. Mas quando percebe que Jane não consegue sair da linha, vai desencadear-se uma investigação e um plano para resolver este mistério.

O livro está bem escrito, e a história é muito interessante. Ficamos presos às páginas na expectativa de saber o que se está a passar, e se será possível ter solução. Ao mesmo tempo vamos conhecendo os amigos de August, que se vão tornando família. Os personagens secundários também estão muito bem escritos, e dão vida a toda a história. É uma mistura de romance com thriller que nos deixa bem dispostos.

Foi um livro perfeito para o Verão, que se está a revelar um sucesso literário. Passemos ao próximo! Até lá, boas leituras!

Goodreads Review

The light August mood was here to stay, and I picked up another romance novel. One Last Stop has been all over YouTube but hasn’t been translated to Portuguese yet. It’s a romance between two girls with a supernatural twist, as one of them is stuck on a New York train line, who knows since when.

August just moved to the big city in the hopes of finishing college and finding her purpose in life. She rents a room, finds a part-time job and becomes fascinated with a young woman she meets on a train ride. But soon she discovers this girl, Jane, is stuck on the train, with no ability to leave. She will start an investigation on this, in the hope of understanding who Jane is, and how she can be released from the train.

The book is good, well written and a page turner. We get glued to the pages trying to understand what is happening and how will it be sorted. At the same time, we get to see August’s relationship with her new flatmates flourish, and they become her newfound family, which warms our hearts. The supporting characters are well written and bring the story to life. It’s a romance/thriller that leaves us in a good mood.

It was a perfect summer book, continuing the trend of good books I read this August. On to the next. Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – A Trilogia do Príncipe Cruel

cruel prince

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Depois de fantasia hollywoodesca da Evelyn Hugo, resolvi continuar a ler coisas leves e simples, mas virei para a fantasia a sério. Mais uma vez tinha visto boas opiniões desta trilogia, mas confesso que fui um bocado a medo. A experiência com a Sarah J Maas deixou-me de pé atrás em relação a fantasia moderna.

As fadas (fairy ou faery) existem na mitologia popular europeia desde tempos imemoriais, e crê-se que foram trazidas da ainda mais antiga mitologia persa. São seres míticos e nem sempre muito simpáticos. Podem ser trapaceiros e brincalhões, nas versões mais moderadas, ou mesmo perigosos e agressivos, em versões mais radicais. Mais recentemente a sua história cruza-se e confunde-se com a dos elfos, e ganharam novo folêgo na literatura fantástica.

Há traços mais ou menos comuns a todos, mas depois cada autor cria o seu mundo, com as suas próprias regras. Foi isso que Holly Black fez, criando um mundo de fadas que vive muito próximo do nosso, mas com criaturas diferentes e regras próprias.

Jude tem 7 anos quando a história começa. Está em casa com os seus pais e as duas irmãs, quando um homem estranho aparece e assassina os seus pais. Como dívida de honra leva as três irmãs consigo de volta para o Reino de Elphane, terra de fadas e criaturas míticas. Jude vai crescer neste ambiente que lhe é hostil, mas vai acabar por considerar como sua verdadeira casa. E vai tentar construir uma vida no meio de intrigas políticas , esquemas e tramas. Os Fae não podem mentir, mas são exímios a torcer a verdade. A sua nemesis é o mais jovem herdeiro do trono, o príncipe Cardan.

A partir daqui é mais ou menos óbvio o que vai acontecer. Esta é uma história de enemies to lovers, uma das minhas tramas favoritas. Mas sem a crueza e a deselegância de ACOTAR. O princípio base é o mesmo nas duas séries, uma rapariga humana obrigada a viver no mundo Fae, mas esta história é mais bem conseguida. Uma das críticas que lhe é apontada é que o mundo não está bem desenvolvido e o esquema de magia pouco explorado, mas para uma pessoa com pouca paciência como eu, isso acabou por ser uma vantagem.

A história tem princípio, meio e fim com os três livros, está recheada de acção, e era difícil pousar o livro para fazer tarefas comezinhas do dia a dia, como trabalhar ou cuidar da criança, por isso considero esta série um sucesso.

Perfeita para ler num mês de verão, à beira da piscina, mas ainda melhor no Outono que aí vem, enrolados numa manta.

Vamos ver o que mais me trouxe o Agosto Leve, mas até lá, Boas Leituras!

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After reading Evelyn Hugo’s Hollywood fantasy I decided to keep the lighter mood for August and dive into some real fantasy. I picked up Holy Black’s trilogy, The Cruel Prince, because I saw very good reviews about it, but I was a bit reluctant at first. The bad experience I had with Sarah J. Maas tainted this new wave of modern fantasy, and I was afraid I was going to be disappointed.

Fae creatures have existed on folk stories across Europe for a very long, and it is believed they first appeared in Persian mythology. They are mythical beings, not known for being nice. They range from tricksters to dangerous and recently their history blends with the elves and they have become fantastic creatures that often appear in this genre of literature.

There are common traits to all, but every author creates their own world with their own peculiarities, and Holly Black was no different. She has blended Fae’s world with ours, with everyone living within their boundaries, but some people able to dabble in both worlds.

Jude, our protagonist is 7 years old when the story starts. She is at home with her parents and her 2 sisters when a stranger appears and murders her parents. He brings the girls back with him to Elphane, in the Fae world, as a debt of honour to be repaid. Jude grows up in this hostile environment but cannot help to consider it her true home, where she so wishes to belong. She will try to build her life amidst intrigue, scheming and political alliances. Fae people cannot lie, but nothing stops them from bending the truth. Her nemesis is the youngest prince, Cardan.

We all know what goes on from here. This is an enemies to lovers trope, which happens to be one of my favourites. But it was so much better than ACOTAR, with none of its nonsense and much less sex (which is a good thing). The principle is the same on both series, that of a human girl that has to live in the Fae world, but it was so much better explored here. Some people complaint the world building is weak, and the magic system is not well explained, but someone as impatient has me, that was actually a good thing.

This story becomes complete with the 3 books, is packed full of action and it was very difficult to put it down to go about my daily life and do simple stuff like feeding my child or working. It was that entertaining. It is perfect as a summer read by the pool, but even better to read in the upcoming Autumn, with its cozy vibes.

Stick around to see what else the light August allowed me to read. Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – Slade House

slade house

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David Mitchell é o que mais se aproxima do que se pode chamar o meu autor favorito. É pelo menos um autor do qual eu leio tudo o que é publicado, e, obviamente sendo eu, eu, por ordem de publicação. Slade House é de 2015 e o penúltimo a ser publicado. Andei a guardá-lo religiosamente porque não quero acabar os livros dele sem ter outro no horizonte.

Se não conhecem David Mitchell começo por vos dizer que todos os seus livros estão ligados, mais subtilmente ou à bruta, como este com o anterior (The Bone Clocks). O autor considera que toda a sua obra é um grande romance que se passa num universo próprio, muito semelhante ao nosso mas com algumas regras próprias e algumas peculiaridades. É comum existirem personagens que vão fazendo aparições especiais em vários livros, e encontrar referências a obras anteriores é quase um passatempo adicional à normal leitura dos livros. No entanto todos podem ser lidos separadamente e sem conhecimento prévio dos anteriores. Há aí pela internet fora várias páginas que falam sobre as ligações entre os vários livros e são muito interessantes. Por outro lado, David Mitchell tem também uma história de vida muito rica, viveu em muitos lugares diferentes e a sua escrita tem essa matriz embebida e isso é outro dos factores que a torna deliciosa. É um dos autores que conheço que melhor consegue escrever vozes diferentes e todas soam realistas, o que é uma coisa bastante difícil. Mas vamos ao livro.

Este Slade House vem imediatamente a seguir a The Bone Clocks e está muito ligado a ele. A história não está relacionada, mas as personagens sim, e muito do vocabulário utilizado também. Não será obrigatório ler um antes do outro, mas certamente desejável. Eu já não me lembrava de algumas especificidades, mas elas foram sendo explicadas ao longo do livro, por isso nunca me senti perdida, tirando no primeiro capítulo em que não se sabia bem o que estava a passar, mas isso fez parte da jornada.

Este não é o melhor livro de David Mitchell. Mas, sendo ele quem é, foi mesmo assim um livro muito bom. A cada 9 anos, numa pequena viela duma cidade inglesa, aparece um pequeno portão de ferro. É a entrada para a Slade House, e quando cada convidado entra  nunca mais vai querer sair. Ou poder… Esta é a história em traços largos, sem estragar nenhuma surpresa. Está muito bem escrita, cada capítulo é contado na perspectiva dum convidado diferente, e tem momentos de bastante suspense. Conhecer os livros anteriores faz-nos sorrir de cada vez que aparece um nome familiar, e saber mais ou menos o que esperar em determinadas situações, o que amplifica a experiência.

Como disse, é um livro bom, umas sólidas 4 estrelas (em 5), um prazer de ler, mas não o melhor para quem se quer estrear neste autor. Para isso, continuo a achar que Cloud Atlas é o melhor. Agora só me falta o último, Utopia Avenue, mas vou esperar até estar quase a ser publicado o seguinte.

Até lá, Boas Leituras!

Goodreads Review

David Mitchell is the closest I have to a favourite author. I am reading everything he writes in publication order, as per usual with me. Slade House was published in 2015 and there is only one more after it, so I have been saving it for a long time.

If you are not familiar with Mitchell’s books, let me start by saying that they are all connected, either on a subtle way, or more bluntly, as is the case with this one and the previous, The Bone Clocks. The author considers that all his works form one big novel, all taking place in a big metaverse, similar to our own reality but with some different rules and peculiarities. In each book we can find characters that have appeared previously and will appear again, relatives of previous characters, and references to previous situations. However, they can all be read and enjoyed separately, and this previous knowledge is not necessary to understand the stories. We can find many pages online that refer to these connections, try to explain them, or at least cross reference the books, and they are all interesting. David Mitchell’s life story was also interesting, he lived in many different countries, like Japan, and all that he has learned and experienced now permeates his books and make them so rich. He is also one of the best author’s I know to write stories with different POV’s and making them all sound real, which is quite an accomplishment.

As I said, Slade House comes immediately after Bone Clocks and the two are very connected. The story is not related, but some of the characters are, and so is a lot of the vocabulary used. It is not mandatory to read one before the other, but in this case, I think it will make the experience better. As I read Bone Clocks a while back, I did not remember some of the details, but luckily those were explained throughout the book, so I never felt lost. The first chapter seems a bit confusing, but that is part of the experience, do not let it deter you.

This is not Mitchell’s best work, but it is still a very good book, with a delightful story. Every 9 years, on a narrow alley on an English town an iron gate appears. This is the entry to the Slade House, and when a guest goes in, they will not want to come out. Or might not be able to. This is the brief summary of the story, with no spoilers. Each chapter is written in the guest’s point of view, and we can really feel their personality. Knowing the previous books makes us smile in some situations, or when someone appears, and we can envision what might come next, which is always exciting.

This was a delightful book, 4 out of 5 stars, and a joy to read. If you have never read David Mitchell I recommend you start with something else, being Cloud Atlas the best choice. Now I only have the last one left, Utopia Avenue, but I will hold on to it for a while longer, as I do not want to run out of Mitchell’s books.

Until then, Happy Reading!

Nomeados Booker 2022

booker 2022

Saiu na passada terça-feira dia 26 a lista dos nomeados para o prémio Booker deste ano. São 13 e, ao contrário de anos anteriores, há na lista um que já li em pré-venda, graças ao Netgalley. Como habitual, vou mostrar-vos em baixo a lista dos nomeados com algumas consideraçãos minhas baseadas nas sinopses.

The Colony de Audrey Magee – Este foi o livro que vi mais vezes citado nas fontes que leio como um possível candidato, e que parece reunir mais consenso. Passa-se numa ilha irlandesa remota, em 1979, que vai ser visitada por um italiano e um francês que têm visões radicalmente diferentes sobre o que deve ser o destino da ilha. Ao mesmo tempo, os seus habitantes também querem ter uma palavra a dizer. Este livro parece-me interessante, até porque junta a isto a pano de fundo que se vivia na Irlanda nesta altura, fiquei com vontade de ler!

After Sapho de Selby Wynn Schwartz – Este é um livro sobre mulheres que quebraram padrões e que forçaram barreiras nos inícios do século XX. Tem excelentes críticas no Goodreads, mas não parece ser muito ao meu gosto. 

Glory de NoViolet Bulawayo – O que se segue num país quando um líder ditatorial de longa data finalmente é afastado? E se essa nação for no reino animal? Esta é a premissa desta sátira à queda de Mugabe no Zimbabwe em 2017. Parece ser um livro muito interessante, e esta autora já não é nova nestas andanças de ser nomeada para os Booker. 

Small Things Like These de Claire Keegan – Mais um livro passado na Irlanda, em 1985, sobre Bill Furlong, um homem normal com uma vida banal, mas que tem a oportunidade de fazer uma coisa extraordinária. Esta sinopse dá-me imensa vontade de pegar já no livro, e o facto de ser só 118 páginas ajuda muito também. 

Nightcrawling de Leila Mottley – a história de dois irmãos adolescentes que moram em Oklahoma City e que precisam de sobreviver sozinhos num mundo complicado e cheio de dificuldades. O retrato da probreza, da adversidade que podemos encontrar em grandes centros urbanos. Pareceu-me muito interessante e fiquei com imensa vontade de ler, apesar de pressentir que vai ser bastante difícil. Esta foi a autora mais nova de sempre a ser nomeada, com 20 anos. 

Maps of Our Spectacular Bodies de Maddie Mortimer – Este é um título fabuloso para um livro, e só por aí já chama a atenção. Conta-nos a história de Lia, o seu marido e a sua filha adolescente, e o seu percurso após Lia ser diagnosticada com cancro terminal. Se alguém ler, que me diga se é tão bom como parece. Não está na minha lista de livros para ler, porque nesta altura do campeonato tento proteger-me de sofrimento desnecessário.  

Case Study de Graeme Macrae Burnet – Este livro mistura realidade com ficção, já que um dos personagens, o Dr. Collins Braithwaite, existiu mesmo e tem uma história curiosa. Neste livro a nossa personagem principal acha que a irmã cometeu suicídio depois de ser paciente de Braithwaite, e assume uma nova identidade para se tornar também ela paciente e tentar descobrir o que aconteceu com a irmã. A premissa parece-me muito interessante, quase um thriller, e fiquei definitivamente curiosa por ler. Vai para a lista. 

Treacle Walker de Alan Garner – Este livro tem críticas excelentes, mas devo dizer que mesmo após ter lido a sinopse, não sei bem do que se trata. A amizade entre um rapaz e um caminhante, imersa em mitos e lendas rurais, pelo que percebi. Não está na minha lista de prioritários para ler. 

The Trees de Percival Everett – Uma série de assassinatos estranhos no Mississipi são difíceis de ser investigados por pouca colaboração da polícia local, mas quando se começa a perceber as ramificações, percebe-se que estamos perante algo muito estranho. Esta é a premissa inicial dum livro que é muito estranho e muito actual, já que se foca nas tensões raciais na América, que continuam a ser ainda tema corrente. Parece-me uma boa aposta!

Trust de Hernan Diaz – Ficção histórica sobre um casal dos anos 20 do século passado, que enriquece  imensamente sem se saber bem como. Não me pareceu muito o meu género, não me parece que vá ler. 

Booth de Karen Joy Fowler – Mais uma ficção histórica, desta vez sobre a família de John Wilkes Booth, antes e depois dele ter assassinado o presidente Lincoln. Ficção histórica não é muito a minha praia, este livro tem 480 páginas e as críticas no Goodreads não são famosas. Para já não está na minha lista de livros para ler.

Treacle Walker de Alan Garner – Este livro tem críticas excelentes, mas devo dizer que mesmo após ter lido a sinopse, não sei bem do que se trata. A amizade entre um rapaz e um caminhante, imersa em mitos e lendas rurais, pelo que percebi. Não está na minha lista de prioritários para ler. 

Seven Moons of Maali Almeida de Shehan Karinatilaka – Tendo a personagem principal um apelido tão maravilhoso, obviamente que este livro tem que ser lido. Quero também realçar que tem sido delicioso ver vídeos sobre os nomeados de booktubers anglófonos, e ver como tentam pronunciar isto. That being said, o autor é do Sri Lanka e a trama passa-se na sua capital, Colombo. Maali Almeida aparece morto e tem sete luas para conseguir descobrir como isso aconteceu. Parece-me delicioso, e está no topo da minha lista de livros a ler. 

Oh William! de Elizabeth Strout – O único livro desta lista que eu já li, há precisamente 1 ano, cortesia do Netgalley. É com personagens de livros anteriores, nomeadamente Lucy Barton, mas mesmo se não leram não perdem nada, porque a autora explica tudo o que é necessário, que é pouco. Gostei bastante, é  um livro que se lê muito rápido, e Lucy Barton é uma personagem deliciosa com a qual nos identificamos muito. Não deve ser o vencedor, porque há outros nomeados que são mais falados, mas é um livro que vale a pena ler. 

Já leram algum, ou planeiam ler algum? Partilhem comigo se valeu a pena. 

Boas Leituras!

Acabei de Ler – Crime no Vicariato

murder at the vicariage

Keep scrolling if you prefer to read in English.

Terminei a minha “tarefa” de ler todos os Poirots por ordem de publicação o ano passado, mas não consegui ficar longe da Agatha Christie por muito tempo e resolvi experimentar a Miss Marple, sem compromisso de permanência desta vez. Comecei pelo primeiro livro dela, sendo que tecnicamente a sua primeira aparição foi num livro de contos, para os quais eu não tenho paciência em policiais. Sinto que falta tempo para desenvolver a trama de maneira satisfatória.

Mas atirei-me a esta Miss Marple com algumas saudades das peculiaridades da Senhora Agatha Christie, e não fiquei desiludida. Na realidade até fiquei alegremente surpreendida.

Não ia com expectativas muito elevadas para este livro. Sempre gostei muito de Poirot, e a série televisiva só veio reforçar essa ideia, mas a Miss Marple parecia-me chochinha, e nunca consegui interessar-me muito pela série televisiva. Mas em livro o caso muda de figura. Miss Marple nem aparecia assim tanto na história, que era narrada pelo vigário duma pequena aldeia inglesa. Mas o crime foi muito interessante, e acima de tudo, as descrições da vida numa pequena comunidade rural eram deliciosas. Mesmo sendo em Inglaterra, consegui sentir um cheirinho do que experiencei por terras lusas nas pequenas aldeias por onde andei. O retrato social da época está muito bem feito, os estereotipos estão todos lá, e há frases absolutamente deliciosas espalhadas por toda a parte. O facto da velhinha Miss Marple ser retratada como a bisbilhoteira da aldeia é também maravilhoso. Agatha Christie nem sempre era caridosa a descrever as suas personagens principais, e isso esteve bem patente neste livro.

De resto, a história não é surpreendente, é um clássico mistério ao estilo whodunnit, como dizem os nossos amigos britânicos. Há um homicídio, há um leque reduzido de suspeitos que são todos conhecidos e que todos podem ter motivo ou oportunidade para o cometer, e tudo vai sendo lentamente desvendado ao longo do livro. Não sabia quem era o culpado, mas isso nem foi o mais importante. Depois de ter lido tantos livros de Agatha Christie pensei que ela não tivesse nada de novo para me oferecer, mas aí sim estava redondamente enganada. Estava bem escrito, interessante, e deixou-me o gosto por ler os seguintes.

Recomendo vivamente a todos os que gostam de mistérios, policiais, thrillers, como quiserem chamar. Na minha humilde opinião, que só interessa a mim, não se pode ser fã de mistérios sem ter lido a raínha do género.

Rumo ao próximo. Até lá, Boas Leituras!

Goodreads Review

“The young people think the old people are fools — but the old people know the young people are fools.”

Last year I reached the end of my self-imposed task of reading all Poirot novels in publication order, but I could not stay way from Dame Agatha Christie for long. So, I dived into the Miss Marple series, but with no formal commitment this time. I started with her first full novel, and disregarded the first short stories that were published, as I don’t like short mystery books, they feel incomplete to me.

I started this book missing Agatha Christie’s peculiarities and was not disappointed. Quite the opposite, I was pleasantly surprised.

My expectations weren’t high when I started this book. I loved Poirot, both the novels and the TV series and I had the feeling Miss Marple was dull in comparison. I also could not relate to the TV series, did not bond with the actresses chosen for the part. But the book is so much better. Miss Marple is almost a secondary role in the story, which was narrated by the village’s vicar. The crime was interesting and the depictions of life in a small British village were delicious, and it could portray any small village in the world. It was also a very good portrait of its time, with all the expected stereotypes, and it was filled with glorious cheeky phrases. Miss Marple keeps getting portrayed as the town gossip, which spends her time gardening to better be able to see and listen everything that goes on. Brilliant. Agatha Christie was not very charitable in her characters descriptions and that was amazing.

The story itself is not a novelty, it’s a classic whodunnit mystery. There is a murder and a reduced cast of people that could have committed it. Many people had motive and opportunity, but the plot is slowly unveiled throughout the book. I could not guess who did it, but that was not the most important to enjoy this book. For someone that thought that Agatha Christie didn’t have anything more to offer, I was gladly proved wrong. I might even read the next ones.

I recommend it to all that like murder mysteries and thrillers. You cannot be a true fan of this genre without having read at least one Agatha Christie book, in my humble opinion.

On to the next. Until then, Happy Reading!