Colecção Livros B Renascida

livros b

Lembro-me de ser mais miúda e ainda não ter o gosto literário muito amadurecido, e virem-me parar às mãos uns livros de capa preta e letras prateadas com toques de fantástico pelo meio. Um dos volumes que tive foi um de contos de Arthur Conan Doyle, aos quais não dei o devido valor e acabei por perder esses livros na espuma dos dias.

Agora, que já leio coisas diferentes e mais abrangentes, tenho pena de já não os ter para lhes dar uma nova oportunidade. Estes livros eram editados pela entretanto desaparecida Editorial Estampa, e foram no total 55 volumes, editados entre 1970 e 1991.

Ora aparentemente não sou a única a ter saudades desta colecção, porque a E-primatur, editora já nossa conhecida por ter reeditado o livro de Vilhena em edição fac-simile, resolveu retomar a colecção e continuá-la.

Assim, já saiu o volume 56 (na foto), e há pelo menos mais 3 na calha, de nomes que vão de Dumas a Chesterton. Deixo-vos aqui um artigo que fala sobre isso, e não se esqueçam de visitar a página da editora, onde se perfilam os novos projectos que eles planeiam desenvolver e onde temos a oportunidade de praticar mecenato.

Boas Leituras!

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Livros que Recomendo – A Varanda do Frangipani

Mia Couto

A semana passada recomendei aqui um livro de realismo mágico sul-americano, e esta semana, para não fugir muito ao tema, venho recomendar um outro livro de realismo mágico, mas desta vez africano. A literatura africana tem alguns autores com uma voz muito peculiar, e Mia Couto é um desses casos. Este foi o primeiro livro que li deste escritor, já lá vão mais de 20 anos, e fiquei rendida.

É quase poética a maneira como Mia Couto nos conta a história de Ermelindo Mucamga, um fantasma preso nas raízes dum frangipani numa fortaleza do tempo colonial. Através dos seus olhos vamos poder observar Moçambique e as suas adaptações à realidade da independência, vamos poder estar imersos na cultura e nas dificuldades dum povo que luta para se afirmar, e vamos poder também assistir a uma resolução utópica para esta nova fase histórica.

Este é talvez o melhor livro do autor, que é também biólogo de formação, e talvez por isso entrem pangolins e frangipanis na sua escrita, símbolos da riqueza ecológica de Moçambique. Este é um livro muito poético, muito pertinente, e que é um prazer de ler.

Recomendo a todos os que gostam de uma boa história, salpicada de elementos fantásticos, mas que nos retratam realidades muito concretas.

Boas Leituras!

Acabei de Ler – Intimate Ties

intimate ties

Keep scrolling if you prefer to read in English

Robert Musil é um autor que eu desconhecia, mas que resolvi ler tendo em conta a descrição do livro no Netgalley. Entretanto investiguei um bocadinho e percebi que Musil era um escritor austríaco do início do século XX, um dos principais do movimento modernista, e que o seu livro mais importante foi o inacabado “Homem sem Qualidades”.

Estas duas novelas que compõem este livro, Intimate Ties, são uma espécie de treino do autor para aprimorar a sua escrita, uma primeira incursão neste estilo, e o próprio Musil as considerava uma experiência falhada.

Qual então o interesse em ler um livro que é um fracasso à partida? Boa pergunta. Eu só posso falar da minha experiência, que considerei muito enriquecedora. Este livro tem um estilo de escrita muito diferente. Quase faz lembrar o “On The Road” de jack Kerouac, escrito muitos anos depois, no sentido em que parece um desfilar de pensamentos do autor sem edição, quase em escrita automático. Isso teve tanto de desafiante e confuso, como de interessante. Depois, as duas novelas são escritas no ponto de vista feminino, e é como se estivéssemos dentro da cabeça daquelas duas mulheres, a assistir em directo às suas dúvidas, hesitações, convoluções intelectuais. No primeiro conto temos uma mulher casada e feliz, que ao fazer uma viagem sozinha para visitar a filha do primeiro casamento no colégio se vê de algum modo transportada à vida mais livre que viveu antes do casamento, e acaba por cair nos braços dum pedante provinciano mais para provar um ponto a si mesma, do que por verdadeiro interesse. Achei este conto muito interessante, e a corrente dos pensamentos da personagem muito bem escrito.

No segundo conto temos uma mulher indecisa entre dois pretendentes, totalmente diferentes. Este conto foi para mim mais enigmático e difícil de seguir, e não tão interessante como o primeiro.

Mas no geral, foi uma experiência literária interessante, e mais um autor que surgiu na minha lista de leituras futuras.

Boas Leituras!

Goodreads Review

I didn’t know any of Robert Musil’s writings, however I read the book description on Netgalley and decided it was a good book to request. In the meantime I researched the author a bit ans found out that is was a modernist Austrian writer from the early XX century and his most important book was “A Man Without Qualities”.

The two novellas that make this book were a practice before he dove in the modernist style in more depth, and Musil himself considered them a failure.

So, what’s the point in reading a book that the author himself deems a failure? That’s a good point. I can only speak from my experience, and I can assure you I found it very interesting, as the book as an unique writing style. It somehow resembles Jack Kerouac’s “On The Road”, in the sense that it seems written in a spur of a moment, with little to no editing. Just a train of thoughts written in auto pilot. That was  as challenging and confusing, as it was rewarding.

The two novellas are written in the female view point, as if we were inside those women’s minds, inside a live broadcast of their thoughts and emotions. The first one was a happily marries woman, that embarks on a train ride to the country to visit her daughter from a previous marriage. There, she finds herself snow trapped, and starts to recall how was life before marriage, how she was free and experimented everything, and she ends up allowing herself to fall for the sweet talk of a pedantic man of the small village. There are many interesting scenes in this novella, and it makes you think.

The second novella we have a woman that cannot decide between two suitors, and this one was more difficult to follow and a bit less interesting than the first one.

But it was a great experience, that added another author to my list of future readings, and I recommend it to all the curious people out there.

Happy Readings!

Livros que Recomendo – Cem Anos de Solidão

GGM

aqui recomendei um livro de Gabriel García Márquez, um dos mais importantes escritores sul-americanos do século XX, mas depois da compra dos direitos desta obra pela Netflix para uma série, achei que estava na altura de vir aqui recomendar que o leiam antes que saia o produto televisivo.

Cem Anos de Solidão não é um livro fácil, e estou curiosa em saber como resultará em série. Eu própria penso que terei de o reler antes, para me poder indignar com justiça, ou espantar com a qualidade da adaptação. Mas, como o título indica, ao longo de 100 anos, mais coisa menos coisa, vamos seguindo a odisseia da família Buendía Iguaran, fundadores da aldeia fictícia de Macondo, situada num local remoto da América do Sul. Começamos com o casal José Arcádio Buendia e Ursula Iguaran, os patriarcas e pilares desta família, e seguimos a história até aos seus trinetos. O facto da maioria dos filhos homens se chamarem alternadamente José Arcádio ou Aureliano é muito significativo para a história e revela muito sobre os personagens, mas torna a leitura desafiante e, para os menos resistentes, até aborrecida.

Mas este livro é tudo menos aborrecido. Quando eu o li, faz mais de 20 anos, ainda tinha boa memória, e consegui seguir a história sem problemas. Lembro-me de passar noites acordada para acabar o livro, e que chorei imenso quando este terminou, não só pelo final impactante, mas pela angústia da separação daquela família que quase se tornara a minha. Hoje em dia seria impensável o meu cérebro tipo queijo suíço conseguir manter a cadência de todos aqueles filhos, netos, etc, etc, mas há várias estratégias. Há quem tenha feito anotações numa folha metida dentro do livro, para facilidade de consulta, ou, na era das novas tecnologias, há imensas árvores genealógicas disponíveis que nos ajudam nessa tarefa.

Escrito nos anos 60 e publicado em 1967, com uma primeira edição de apenas 10000 exemplares, este livro é hoje em dia um ícone da literatura sul-americana, ficando apenas atrás de D. Quixote de La Mancha em termos de importância para a língua espanhola.

Outra vantagem, é que este livro á tão antigo que certamente encontrarão bons preços nas livrarias, alguém terá para emprestar, ou andará perdido em alfarrabistas. Isto antes de se aproximar muito a febre do Netflix, que com certeza fará inflacionar tudo.

Recomendo a todos os que são fãs de boa literatura, não se deixam assustar com o tamanho e complexidade de um livro, e que gostam de um toque de realismo mágico sul-americano.

Boas Leituras!

Man Booker International 2019

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Já voltámos aquela altura do ano em que o Man Booker começa a mexer e dar-nos ideias sobre o que ler a seguir. Começam por nos apresentar a lista de autores não anglo-saxónicos, mas que foram traduzidos para Inglês e publicados no UK. Este ano são 13 os nomeados, e confesso que destes não li nenhum ainda. Deixo-vos aqui a lista para consultarem.

  • Celestial Bodies by Jokha Alharthi
  • Love In The New Millennium by Can Xue
  • The Years by Annie Ernau
  • At Dusk by Hwang Sok-yong
  • Jokes For The Gunmen by Mazen Maarouf
  • Four Soldiers by Hubert Mingarelli
  • The Pine Islands by Marion Poschmann
  • Mouthful Of Birds by Samanta Schweblin
  • The Faculty Of Dreams by Sara Stridsberg
  • Drive Your Plow Over The Bones Of The Dead by Olga Tokarczuk
  • The Shape Of The Ruins by Juan Gabriel Vásquez
  • The Death Of Murat Idrissi by Tommy Wieringa
  • The Remainder by Alia Trabucco Zeran

 

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – A Cor da Magia

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Já não era sem tempo vir aqui recomendar um livro de Terry Pratchett, um dos autores mais amados no seu género, algo indistinto entre fantasia e ficção cientifica. Ele é o criador do Discworld, um mundo em formato de disco voador suportado por 4 elefantes, que anda à deriva no universo às costas duma tartaruga de sexo desconhecido. Se vos parece uma ideia louca, é porque o é.

Mas mais que louco, estes livros são insanamente divertidos. A Cor da Magia foi onde começou toda a história, que se expande ao longo de cerca de 41 livros, com toda a trama a ser passada neste mundo, se bem que não necessariamente ligada. Temos vários ciclos de histórias, que seguem diferentes personagens chave, e neste livro temos o até agora meu favorito Rincewind, um feiticeiro falhado e com pouca sorte, a quem tudo acontece ao contrario do esperado, e que tem um certo desespero sarcástico com o qual muito me identifico.

Há outras séries de histórias muito interessantes, que seguem personagens engraçados, como a morte, as bruxas, etc, mas destaco este livro, porque embora não sendo o melhor foi a estreia de Terry Pratchett com este mundo.

Há várias teorias de qual a melhor maneira de ler ou abordar esta série gigante de livros que demorou 32 anos a escrever e que creio que só terminou pela doença e consequente morte do seu autor. Eu sou um bocadinho obsessiva, e gosto de ler por ordem de publicação, mas aqui não há regras e podemos escolher um dos arcos da história e seguir por aí. Neste artigo ficam com uma ideia das possibilidades.

Mas peguem no que pegarem, aconselho a darem uma oportunidade a estes livros, porque têm diversão garantida e mesmo algumas reflexões sobre a nossa sociedade e o nosso mundo escondidos pelo meio.

Recomendo a todos os fãs do género, a todos os que gostam de se divertir com um bom livro, e os que gostam de conhecer coisas novas e diferentes.

Boas Leituras!

Acabei de Ler – Message from the Shadows, Antonio Tabucchi

antonio tabucchi

Keep scrolling if you prefer to read in English

Como já devem ter reparado pela falta de posts, tenho andado novamente sem grande capacidade de leitura. Coisa que não se prevê que melhore nos próximos meses, mas faz-se o que se pode.

No meio de todo o marasmo chegou-me às mãos, através do Netgalley, mais uma pérola de Antonio Tabucchi, um dos meus novos autores favoritos. Tabucchi tem uma poesia muito própria na sua escrita, e para além disso tem uma profunda ligação ao nosso país, por isso cada livro é um prazer ler e desfrutar.

Este, como o nome indica, é um livro contos, ou pequenas histórias, que são como olhares furtivos a um momento especifico na vida das personagens que as compõem. Não têm uma história complexa, acção a rodos, mas têm um humor muito particular, uma visão do mundo própria, uma sensualidade suave, e muitas, muitas camadas para lá daquilo que lemos.

Tenho algumas histórias favoritas, começando logo pela primeira (The Reversal Game) que segue um grupo de amigos no Portugal pré 25 de Abril, mas também The Train That Goes to Madras, porque nos faz questionar a nossa ética e a nossa moral, e The phrase that follows this is false: the phrase that precedes this is true, porque é simplesmente estranha e bonita.

Recomendo a todos os fãs de Tabucchi, a todos os que gostam de histórias diferentes e envolventes, e a quem gosta de boa literatura em geral.

Boas Leituras

Goodreads Review

Tadeus didn’t expect much more than their complicity in staying up to the early hours: when he read poetry, he’d lose all notion of time. He said: it’s like when I write poetry, time goes fsssss, like a deflating balloon, I’m in a world with no atmosphere, a vacuum – when I read it, too – don’t you find it has the same effect?

As you might have noticed for the lack of blog posts, I have been on a reading rut lately. I don’t expect it to get better in the coming months, but I’ll do my best.

In the middle of all this boredom, Netgalley provided me with a new Antonio Tabucchi book. He is one of my new favourite authors, due not only to the connection he shares with Portugal, but also because I love his peculiar writing style.

As the name shows, this book is a collection of short stories that are like glimpses into the life of each character, a look at a specific moment in time on their lives. The story is not convoluted and complex, but is rich in peculiar sense of humour, soft sensuality, a unique world vision and many layers behind what we read.

I have a few favourite stories, starting with the first one, The Reversal Game, as it follows a group of friends in the post revolution Portugal, so it is dear to my heart. But I also love The Train That Goes to Madras, as it makes us question our own moral and ethics, and The phrase that follows this is false: the phrase that precedes this is true, because it is just weird and beautiful.

I recommend it to all Tabucchi’s fans, everyone that likes different, engaging stories and good literature fans in general.

Happy Readings!

Livros que Recomendo – A Metamorfose

kafka

Kafka é um daqueles autores que toda a gente conhece nem que seja de nome. Já todos ouviram falar deste escritor checo (austro-hungaro por altura do seu nascimento) e kafkiano é um adjectivo que entrou no léxico comum para descrever situações complexas do quotidiano em que o homem luta sozinho e isolado contra situações absurdas.

Hoje, o livro que venho recomendar aqui é a sua obra mais conhecida, A Metamorfose. Não é bem um romance, já que é uma história mais curta, mas é extremamente impactante e cheia de significados ocultos. A Metamorfose fala-nos de Gregor Samsa, um caixeiro viajante que vive com os pais e irmãos, sendo o único gerador de rendimento na família. Um dia acorda transformado num insecto gigante, incapaz de sair da cama.

É na reacção da família e pessoas à sua volta que encontramos um retrato das relações sociais, do comportamento humano, que passam da repugnância, à aceitação, ao ódio. Quando o outro se torna um estranho torna-se dificil de aceitar, de processar essa informação. E mesmo as pessoas com mais compaixão (personificadas pela irmã de Gregor Samsa) acabem por sucumbir a outras emoções. A própria transformação de Gregor nos diz muito. Ele odiava o seu trabalho, o seu patrão abusava dele porque sabia que toda a familia dependia desse dinheiro, e ao sofrer esta metamorfose Gregor ficou impedido, mesmo que involuntariamente, de voltar a um trabalho que não o satisfazia. Ele acaba por aceitar a sua mudança e sua nova vida como barata, o que também é um ensinamento para todos, como eu, que são resistentes à mudança.

Podemos encontrar na net muitas (e boas) reflexões sobre este livro. Não me vou alongar aqui nessa análise, mas aconselho muito a leitura deste livro. Deixemo-nos abraçar por este conto fantástico, apreciemos a escrita, e pensemos no modo como reagimos às “baratas” que nos rodeiam.

Boas Leituras!

Acabei de Ler – Ardalén

Ardalén

Quem anda pelo Peixinho já sabe que eu gosto muito de BD, e dentro dela tenho algumas preferências. Já falei de Miguelanxo Prado, um autor galego, aqui e aqui. Acho que posso mesmo dizer que é dos meus autores favoritos, com uma estética inconfundível. As suas histórias vão também do humor, à sensualidade, ao fantástico inspirado pela sua Galiza.

Este livro foi-me oferecido no Natal de 2016, no seu galego original e eu andei a guardá-lo como um tesouro, com pena de o ler a acabar a magia. Mas finalmente arranjei tempo de qualidade, com a dedicação que este livro merece, e, obviamente, terminei-o num dia.

Ardalén, que é o nome que se dá a um vento que vem do Atlântico, do imenso mar, e que carrega consigo a nostalgia e a história do povo galego, permeia toda esta história, que é relativamente simples. Sabela, uma mulher de 40 anos que se divorcia e está desempregada, quer saber quem é buscando as duas raízes. Sabe que teve um avô que andou embarcado e que acabou por morrer no estrangeiro, mas não sabe mais nada dele. A não ser a aldeia de onde é originário, e é aí que vai começar a sua busca por mais informações, na esperança de ganhar também um  sentido para a sua vida.

É aí que Sabela conhece o velho Fidel, que está fechado na sua casa rodeado das suas recordações do tempo que passou no mar, e que se senta regularmente à beira da floresta quando sopra o Ardalén, para ver as baleias que vivem no meio dos eucaliptos e retornam ao mar. Entre os dois gera-se cumplicidade e amizade, e as coisas tomam rumos que nós não esperávamos. Como sempre, Miguelanxo tem um olhar acutilante e muito certeiro sobre a vida e a maledicência nas aldeias, e não perde a sua oportunidade de nos mostrar essa dinâmica.

Como sempre com ilustrações belíssimas, de tirar o fôlego e de nos fazer entrar dentro da história. Recomendo a todos os amantes de BD, mas também àqueles que gostam de sonhar com histórias belas e diferentes.

Goodreads Review

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Os Caçadores da Lua Vermelha

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Já aqui falei de Marion Zimmer Bradley quando recomendei As Brumas de Avalon, a série que me iniciou na leitura de livros de fantasia. Mas esta autora teve o mérito de me iniciar também no prazer de ler bons livros de ficção científica.

Há muitos anos atrás, depois de ter esgotado todos os livros da mesma temática das Brumas desta autora, estava eu a fazer o passeio anual pela Feira do Livro quando encontrei no caixote das pechinchas da Caminho este livro. Até então nunca tinha comprado nenhum título desta série de livrinhos azuis, porque tinha uma ideia que a ficção cientifica era para nerds, demasiado complexa e cheia de teorias absurdas. Mas, sendo Marion Zimmer Bradley, tive que comprar.

E a minha surpresa foi imensa quando me deparei com uma boa história, bem escrita, impossível de largar antes de chegar ao fim. Aqui seguimos Dane Marsh, que é raptado enquanto estava no seu barco no Pacífico. Quem o rapta são extraterrestres e, de repente, Dane vê-se a bordo duma enorme nave interestelar, cheia de seres de outros planetas que foram raptados como ele. O propósito é levá-los até à Lua Vermelha, onde farão parte dum jogo onde o prémio final é a sobrevivência. Não me surpreenderia se a escritora dos Hunger Games tivesse vindo beber inspiração aqui.

Não esperem literatura profunda, citações para partilharmos no Instagram e afins. Mas esperem uma história empolgante e bem escrita, recheada de acção e que nos agarra do princípio ao fim. A interacção de Dane com os outros extraterrestres é muito interessante, há personagens muito bem conseguidas, e temos também de nos lembrar que este pequeno livro foi escrito em 1973, por isso os valores eram um bocadinho diferentes (mais liberdade sexual, por exemplo).

Recomendo a todos os amantes de ficção científica, mas sobretudo os que gostam de histórias com muita acção e que não nos deixam pousar o livro até o acabarmos.

Boas Leituras!