Acabei de Ler – The Fires of Heaven, Wheel of Time #5

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Levei cerca de um mês e uma semana para terminar mais um volume da série de fantasia que comecei a ler o ano passado. Pelo meio, para não me aborrecer, ainda despachei dois livros de poesia e um policial. Estes livros não são um verdadeiro page turner, especialmente porque eu embirro solenemente com as persoangens femininas. São todas aborrecidas, irritantes e cheias de tiques repetitivos. A ideia do autor duma mulher forte era alguém que discutia com todos, comportava-se como uma criança mimada, e aparentemente isso garantia-lhe o respeito dos homens, mas não das outras mulheres igualmente irritantes e criançolas.

Infelizmente este volume centrou-se bastante nessas personagens femininas e não noutras que eu gosto bastante (Perrin), que não tiveram sequer direito a aparecer. Então porque continuo eu a ler isto, considerando que ainda me falta 9 volumes? Porque a história em si não é má, está bem construída, faz sentido, e agora quero saber como acaba.

Não sei se recomendo este livro a alguém que não seja fã incondicional de fantasia e deseje ler todas as obras de referência do género.

Boas Leituras!

Goodreads Review

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Livros que Recomendo – Os Filhos da Meia Noite

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Hoje venho recomendar um livro que me foi oferecido há alguns anos, e que demorei algum tempo a conseguir. É complexo, por vezes confuso, mas quando finalmente entramos na história e bastante recompensador.

Salman Rushdie é um grande contador de histórias, com um modo refinado de nos mostrar também a história do seu próprio país. Aqui fala-se de Saleem Sinai, um rapaz que nasceu exactamente à meia noite do dia em que a Índia se tornou independente. Isso conferiu-lhe poderes especiais, no seu caso relacionados com a audição e o olfacto, e também a capacidade de estar espiritualmente ligado às outras mil crianças que nasceram à mesma hora e que possuem outros poderes.

Através da história da sua família e do que o rodeia vamos descobrindo uma Índia em evolução, as suas convulsões sociais e religiosas, tudo muitíssimo bem escrito e contado. Este livro ganhou o Man Booker de 1981, se precisasse de mais recomendações.

Recomendo a todos os que gostam de boa literatura, não têm medo de mergulhar de cabeça numa história complexa, e gostam de paragens mais exóticas.

Se quiserem uma review mais completa, vejam aqui.

Boas Leituras!

Acabei de Ler – Inspector Maigret #4

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Já há bastante tempo que tenho o projecto de ler/reler todos os livros de Poirot pela sua ordem de publicação, tarefa hérculea que eu tenho desempenhado lentamente (como sempre, é uma maratona, não um sprint). Depois de ter conhecido o Inspector Maigret através do Netgalley, acabei por estender esse projecto também aos livros de Simenon que são protagonizados por esta personagem.

Ora, como comecei mais tarde, naturalmente estou mais atrás, e supostamente deveria ter lido o livro número 2, The Late Mousieur Gallet. Infelizmente o meu cérebro de recém mamã está severamente debilitado, fiz confusão e saltei directamente para o quarto volume. Após um curtíssimo episódio de pânico obsessivo-compulsivo, resolvi que não era assim tão importante e retomarei a ordem no próximo livro. Mas ainda tenho alguns restos de urticária.

Então, acabei de ler The Carter of La Providence, e foi um livro muito desafiante. Como sabem faço a maioria das minhas leituras em inglês, mas nem sempre isso corre sem sobressaltos. Desta vez todo o livro é passado em cenário náutico, nos canais franceses, e o vocabulário era extremamente específico e também datado. Começa logo pelo título, o que é um carter, sendo que La Providence era o nome de um pequeno barco. O dicionário não foi ajuda neste caso, e depois de alguma investigação acabei por perceber que é uma figura que reboca barcos através dos canais quando estes estão impossibilitados de navegar, nomeadamente quando atravessam elevadores. Neste caso o reboque era feito por dois cavalos.

Passado este percalço inicial, fiquei com uma história bem interessante e onde o culpado não era óbvio, nem o enredo nos era dado de mão beijada. Talvez por não conhecer tanto de Simenon como de Agatha Christie, este ainda consegue ter algum mistério.

Não me vou alongar a relatar a história, mas recomendo-a a todos os que gostam de livros policiais, com uma história bem contada e longe dos estafados cenários anglo-saxónicos.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Livros que Recomendo – Ensaio Sobre a Cegueira

saramago

O livro que venho recomendar hoje é bastante diferente do que já fiz até agora. Mais concretamente porque vos venho recomendar um livro que eu própria não li. Quando estava no 9º ano, era sócia do Círculo de Leitores e comprei o Memorial do Convento, e confesso que isso me vacinou de vez contra os livros de Saramago. Nunca consegui ultrapassar o facto daquilo não ter pontuação, e a história era qualquer coisa de surreal e surrealmente aborrecida para a minha mente de 14 anos.

Claro que já uma vida se passou, e acho que deve estar na altura de fazer as pazes com o nosso único Nobel. Ou pelo menos tentar reatar a relação. Resolvi escolher este livro porque me parece kamikaze retomar o Memorial do Convento. Por outro lado gostei bastante do filme de Fernando Meirelles retirado deste livro e parece-me uma aposta mais segura.

Já todos conhecemos a história, uma epidemia de cegueira atinge a maioria da população duma cidade e as consequências na estrutura social que daí advêm. Uma premissa simples, mas poderosa.

Recomendo a todos os amantes de Saramago, ou aqueles que, como eu, estão a tentar começar uma relação com ele. Se tiverem alguma sugestão a fazer, sejam livres! Se quiserem ler uma excelente crítica, vão aqui.

Boas Leituras!

Acabei de Ler – Go

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Quem segue o Peixinho sabe que sempre que posso gosto de me debruçar em literatura asiática, porque há muitas maneiras de viajar e ler é uma delas. Assim, quando surgiu a hipótese de ler este livro através da Amazon First Reads, eu não perdi a oportunidade.

Go é classificado como uma “coming of age novel”, que é como quem diz uma história para quem está a entrar na idade adulta. Neste caso, a história de amor entre um rapaz de ascendência coreana, e uma rapariga duma familia tradicional japonesa. Foi muito interessante ler este livro, principalmente porque foca muita a descriminação a que estão sujeitos todos aqueles que não são considerados verdadeiros japoneses. Principalmente os descendentes de coreanos, que mesmo tendo nascido e sido criados no Japão (bem como já os seus pais tinham sido), continuam a ter que se registar como estrangeiros, e sentem que não pertencem verdadeiramente a pátria nenhuma.

O livro tem uma história rápida, e quase que nos sentimos a percorrer as ruas de Tóquio com os protagonistas, e a extensa rede de metro.

Recomendo a todos os que gostam de literatura asiática e que gostam de aprender enquanto lêem uma boa história.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Livros Que Recomendo – Graças e Desgraças na Corte de El-Rei Tadinho

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Agora que tenho um jaquinzinho cá em casa tenho andado a remexer na minha memória de infância em busca de livros que gostaria de partilhar com ele. Alice Vieira é uma escolha óbvia, mas dentro da panóplia de títulos desta escritora, este é um dos menos óbvios mas muito divertido.

Algures no final dos anos 80, no mesmo ano da eleição Soares-Freitas do Amaral, a minha professora de português do ciclo resolveu convidar escritores conhecidos para nos visitar e fazer-nos encenar partes dos seus livros. À nossa turma calhou este, a história dum rei desajeitado que se casa com uma fada desempregada e as peripécias em que ele envolve a família.

Dentro do livro resolvemos encenar o último capítulo, em que a princesa, filha dos dois, passa por dificuldades na escola porque acredita que todas as palavras ficam mais bonitas com muitos hhhh no meio, no príncipio e no fim. Eu fiz o papel de professora desesperada que tenta por todos os meios corrigir a princesa, e ainda hoje me lembro muito bem desse teatro que fizemos.

É um livro muito divertido, cheio de ironia e uma caricatura ao típico desenrascanço português. Excelente leitura para toda a família.

Recomendo a todos os que gostam de livros infantis, ou que querem partilhar boa literatura com os seus pequenotes.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Post Office

bukowski

Charles Bukowski é um dos meus poetas favoritos e já aqui partilhei um poema dele. Só não o faço mais frequentemente porque tento privilegiar poesia escrita em português, que é vasta e com muita qualidade. Mas dos estrangeiros Bukowski tem certamente um toque especial.

Mas ele não se limitou a escrever poesia, escreveu também outros livros de “ficção”, grandemente baseados na sua própria vida e onde também deixou o seu cunho único. Bukowski tem o condão de pegar nas situações mais corriqueiras e cruas da nossa vida e pintá-las com cores de genialidade. Este foi o seu primeiro romance, escrito em 1971, quando ele já tinha 50 anos de idade. Aparentemente nunca é tarde para se ser descoberto e começar a publicar, e isso é uma esperança a que me agarro.

Mas voltando a este livro, nele seguimos Henry Chinaski, a versão autobiográfica do próprio Bukowski nos dois períodos em que ele trabalhou para os correios americanos nos anos 50, como carteiro primeiro e mais tarde como distribuidor de correspondência (sorter). A crueza com que ele descreve a sua própria realidade, a falta de condescendência para consigo próprio e o humor cínico com que vê a sua realidade são as grandes mais valias da escrita deste autor. Bukowski não é um modelo a seguir. Alcoólico, viciado em jogo e em mulheres, Bukowski não é sem dúvida um escritor dos nossos tempos politicamente correctos e asséticos. Ele diz as coisas como elas são, sem paninhos quentes, e na sua vida, como tantas vezes na nossa, as coisas não são flores e passarinhos. São erros, excessos, vertigem, culpa e situações complicadas, mas que mesmo assim conseguem ser poesia e mestria.

Recomendo o livro a todas as pessoas que não se impressionam ou escandalizam facilmente, que conseguem ver para lá das aparências, que gostam de escrita crua e apaixonada, que abraçam a diferença e se deixam surpreender.

Boas Leituras!

Can you remember who you were, before the world told you who you should be?

Man Booker Internacional 2019

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Como sempre venho dar-vos conta dos vencedores do Prémio Man Booker, desta vez não anglo-saxónicos. Este ano a vencedora foi a escritora de Oman, Jokha Alharthi, a primeira mulher do seu país a ser traduzida para inglês.

Este livro conta-nos a história de 3 irmãs que se tornam adultas ao mesmo tempo que o seu próprio país (Omã) vai evoluindo e modificando depois dos anos do colonialismo britânico.

Agora com a Feira do Livro à porta, pode ser uma boa sugestão.

Boas Leituras!

Livros Que Recomendo – Budapeste

budapeste

Na sequência do recente prémio Camões atribuído a Chico Buarque, hoje venho recomendar o único livro dele que li até hoje. Na realidade, gostei tanto deste livro que não percebo porque ainda não li outros, mas a minha lista de livros para ler é vasta como o universo.

Budapeste junta duas coisas que eu gosto muito, livros e a cidade que lhe dá o nome. Budapeste é sem dúvida uma das cidades que mais gostei de visitar.

Mas voltando ao livro, aqui conta-se a história de José Costa, um escritor fantasma, que escreve livros, artigos e o que mais lhe encomendarem, mas sempre em nome de outra pessoa. Apesar de ter uma vasta bibliografia, na realidade é como se não existisse, já que o seu nome nunca aparece.

José Costa vai passar um tempo em Budapeste, quase acidentalmente, e aí enamora-se pela língua e por uma mulher húngara que vai ser a sua professora. Vai andar dividido entre o Brasil e a Hungria, entre a esposa e a professora, e a sua vida e visão do mundo vão mudar radicalmente.

Este é um livro sobre identidade, linguagem e relações humanas, aquilo que nos define e as nossas aspirações. Apesar de o ter lido há muitos anos, a sua essência ainda permanece comigo.

Recomendo a todos os fãs de Chico Buarque, de boas histórias, os que já visitaram ou desejam visitar Budapeste, e os que, como eu, acham o húngaro uma língua fascinante.

Boas leituras!

Prémio Camões 2019

chico buarque

No passado dia 22 ficou conhecido o vencedor do Prémio Camões 2019, o muito aclamado escritor de livros e canções, Chico Buarque.

Mas o que é o Prémio Camões? Instituído em 1988 pelos governos de Portugal e do Brasil, destina-se a premiar um autor cuja obra tenha contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa. Tem um valor pecuniário, mas é também prestigiante sendo o prémio mais relevante da literatura portuguesa.

Apesar de ser de iniciativa luso-brasileira, contempla autores de toda a lusofonia, e até ao momento só não foram contemplados escritores timorenses, guineenses e são tomenses.

Dos 31 premiados até à data apenas li 6, entre portugueses, brasileiros e moçambicanos. Por um lado considero estar em défice (Germano de Almeida está eternamente na minha lista de próximos a ler), por outro lado acho que esta lista tem muito de consensual e óbvio. Premiar Chico Buarque foi de certo modo dar uma pedrada no charco e quebrar com esse padrão, o que me deixou entusiasmada.

Fica a sugestão, e Boas Leituras!