Acabei de Ler – Vénus na India

venus na india

Eu acho que já falei aqui algures que os meus pais tinham uma pequena colecção de livros eróticos (mal) escondidos, e aos quais eu acedi em tenra idade. Este foi um deles, que ajudou a preencher algumas tardes em vez de ver desenhos animados. Encontrei-o perdido na net, e resolvi descarregar para o Kindle e reler.

Este é supostamente um livro biográfico que narra as aventuras do capitão inglês, Charles Devereaux, aquando o seu destacamento na Índia e no Afeganistão, no final dos 1800. A primeira coisa que salta à vista é a escrita delicada, floreada e profundamente vitoriana. A quantidade de pormenores, nomes carinhosos e metáforas é bastante interessante, e está ao nível de alguns contos que eu li naquele livro que comecei, Dentro da Noute, contos góticos, e que falei aqui.

A segunda coisa que salta à vista é que a moralidade vitoriana é muito diferente da nossa, mas que em alguns aspectos se este livro fosse publicado hoje o seu autor seria preso por pedofilia. Talvez seja leitura difícil para quem não se consiga abstrair de como as coisas eram diferentes há mais de um século atrás, em que uma rapariga de 15 anos já estava em idade de casar.

Mas em geral é um livro muito bem escrito, um clássico deste género, e com uma história engraçada. Tem supostamente uma sequela, mas essa não a consegui encontrar em lado nenhum.

Aconselho a quem gosta de literatura erótica, e livros de época.

Boas Leituras!

Goodreads review

Acabei de Ler – Hyperion Tales

shrike

Como falei anteriormente, a minha escolha de leitura tem andado bastante reduzida e muito centrada em Agatha Christie. Mas como tudo o que é demais enjoa, resolvi pesquisar as coisas que tinha perdidas no Kindle e procurar algo que me satisfizesse.

Quem segue o blog sabe que Hyperion, de Dan Simmons, e subsequentes títulos da série, são dos melhores livros de ficção científica que li desde sempre. Por isso nada como “voltar a casa”, que neste caso significa ao Universo de Hyperion, e ler uma compilação de 3 contos passados no mesmo universo.

Estes contos foram uma forma do autor voltar a mostrar-nos o que se passava naquele universo, quer antes dos acontecimentos de Hyperion, quer algum tempo depois do final de Endymion, sem no entanto fazer uma sequela propriamente dita. O primeiro conto, Orphans of the Hellix foi o meu favorito, o que se passa muitos anos depois dos eventos de Rise of Endymion, e foi bonito e triste como deveria ser a despedida deste Universo. Porque é esse o sentimento que fica, de que nos estamos a despedir de um amigo que tanto nos agradou mas que não voltaremos a ver.

Remembering Siri, o segundo conto, esteve quase integralmente incluido em Hyperion, por isso não foi novidade. O terceiro conto, The Death of the Centaur, é talvez o mais biográfico dos 3, já que é uma alegoria contada por um professor de literatura à sua turma numa comunidade rural. Vemos um cheirinho da presença do Shrike, só para nos aguçar o apetite (tal como no primeiro conto, aliás).

Gostei muito, recomendo imensamente a todos os que leram os quatro Cantos de Hyperion. Aos que não leram, sinceramente não sei o que esperam. Ficção científica é tão mais do que naves espaciais aos tiros. Aqui reflecte-se sobre degradação ambiental, religião, filosofia, liberdades individuais versus obediência ao colectivo, política, e muito, muito mais, tudo com um monstro assassino de 4 braços à mistura. Recomendo!

Boas Leituras!

Goodreads Review

 

Livros que Recomendo – Ghostwritten

david mitchell

Já não é a primeira vez que falo aqui de David Mitchell, já que li alguns livros dele desde que comecei o Peixinho, e até já recomendei o Cloud Atlas. Foi com Cloud Atlas que conheci este autor. Primeiro vi o filme, depois li o livro que achei muito original e entusiasmante, e depois disso resolvemos ler toda a obra do autor por ordem de publicação, o que nos leva a Ghostwritten, o seu primeiro livro.

David Mitchell viveu alguns anos no Japão o que deu um toque muito especial e exótico à sua escrita, que tem muitos temas asiáticos. Este seu primeiro livro é uma colecção de histórias, aparentemente sem relação umas com as outras, mas que facilmente nos apercebemos que um aspecto da anterior passa sempre para a história seguinte. Como diz um jornalista da TVI, isto anda tudo ligado. Mas neste caso não se percebe imediatamente o que liga cada história, e se há algum fio condutor que una todo o livro. Isso vai sendo desvendado ao longo do livro, e tudo está conectado, tal como dum modo mais abrangente toda a obra de David Mitchell se comporta como se fosse uma história gigante.

Foi ao ler recentemente o Bone Clocks que me lembrei deste livro, já que uma entidade presente no primeiro livro está consideravelmente mais desenvolvida no mais recente. Também vários personagens de Ghostwritten vão aparecer mais tarde noutros livros do autor, sempre com outro prisma e com algo mais adicionado à sua história.

Recomendo a todos aqueles que gostam de boas histórias, bem contadas, que nos mantêm agarrados ao livro ansiosos por saber o fim. Também a quem gosta de histórias exóticas e que nos deixam ansiosos por mais.

Boas leituras!

Acabei de ler – Cards on the Table, Poirot #15

poirot 16

Como já devem ter percebido entusiasmei-me com os Poirots e tenho lido em catadupa. Ajuda o facto do cérebro ainda não estar a 100% e estas leituras são interessantes e mais fáceis.

Este décimo quinto volume conseguiu mais uma vez surpreender.  O prefácio escrito pela autora estabelece logo o tom. Estamos perante um caso em que apenas 4 pessoas que se encontram a jogar Bridge poderiam ter cometido o crime, todas têm motivos e oportunidade. Será um trabalho de dedução chegar ao assassino. É o caso favorito do Poirot, mas o Hastings acha-o aborrecido. A autora lança-nos um repto, com quem nos identificamos mais?

Após a leitura do livro eu cheguei à conclusão que estou próxima do Poirot. Não sei se é o meu livro favorito, mas certamente não tem nada de aborrecido, é tem algumas voltas interessantes.

Como sempre aconselho a fãs do Poirot, de policiais e boas histórias em geral.

Boas leituras!

Goodreads review

Man Booker 2019

Man Booker 2019

Já fio há alguns dias que foram anunciados os finalistas do Man Booker deste ano, mas já sabem que no Peixinho a moda agora são as notícias atrasadas. Falei há algum tempo de todos os finalistas aqui, e este ano pela primeira vez escolheram-se duas vencedoras, Margaret Atwood e Bernardine Evaristo.

Dois livros e autoras muito diferentes, mas de certa forma literatura feminina, sobre a condição das mulheres. Em relação a The Testaments tenho sentimentos contraditórios. Por um lado quero ler porque gostei muito do Handmaid’s Tale, por outro tenho algum receio que este livro só tenha aparecido por causa do sucesso da série e que eu vá acabar por me desiludir.

No entanto, ao ritmo que tenho andado a ler ultimamente, estará na minha lista de livros a ler até 2035, por isso não é caso para me preocupar já.

Se lerem algum dos dois venham cá dizer-me se vale a pena.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Retrato Dum Artista Quando Jovem

james joyce

Por algum motivo que me escapa, sempre confundi este livro com o Retrato de Dorian Gray, que recomendei aqui no Peixinho há algum tempo. Creio que foi por os ter lido na mesma altura, e por ambos terem retrato no nome. No entanto as semelhanças não são muitas mais, exceptuando talvez o facto que James Joyce e Oscar Wilde eram irlandeses.

Este livro foi o primeiro que li deste autor, e único até agora. Não sei o tamanho dos outros me intimida, se simplesmente ainda não me senti suficientemente motivada para os ler, mas a impressão com que fiquei deste livro foi bastante boa.

O retrato do artista quando jovem é mesmo o que o título diz. Uma ficção inspirada na juventude do próprio autor, e em que Stephen Dedalus é como que o seu espelho. Tal como James Joyce, Stephen também nasceu na Irlanda, filho de pais muito católicos, e com uma relação conturbada. Com uma infância conturbada, e depois de uma passagem traumática por um colégio católico,  Stephen questiona a sua identidade e os seus valore e acaba por sair da sua Irlanda natal e embarcar rumo à Europa, mais liberta de tradicionalismos.

Escrito num estilo modernista, em que a linguagem se vai adaptando ao crescimento da personagem, este livro tem também inspiração no mito grego de Dédalo, o grande artesão. Foi também aqui que Joyce lançou as fundações para a sua obra maior Ulysses.

Recomendo a todos os que gostam de literatura clássica, de ler livros bem escritos e diferentes. Aqui deixo-vos o link onde podem obter a versão digital gratuita, pois já está em domínio público.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – A Máquina do Tempo

HGWElls

O Peixinho anda virada aos clássicos nas últimas semanas. Desta vez escolhi um clássico de ficção científica, por um dos mestres, H. G. Wells. A máquina do tempo foi uma expressão que apareceu pela primeira vez nesta novela e a partir daí nunca mais deixou de ser utilizada. Uma máquina como instrumento para nos fazer viajar através de diferentes épocas foi uma ideia que apelou ao nosso imaginário colectivo e que tem sido utilizada infinitamente desde a publicação deste livro em 1895.

O nosso viajante do tempo, como a personagem é apresentada, é um cientista e um inventor, explica aos seus convidados de jantar que descobriu que o tempo é uma quarta dimensão que pode ser percorrida como as outras e que está a construir uma máquina para o fazer.

Na semana seguinte convida as mesmas pessoas e assume a narração da história para contar tudo aquilo que viu nas suas viagens. A partir daí entramos num mundo fantástico em que nos é relatada a evolução do planeta através das paragens que o nosso viajante vai fazendo, descobrindo cada vez mais diferenças até à espécie humana estar quase irreconhecível. Temos aqui uma forte alegoria à diferença entre classes, à industrialização e ao fim do mundo como o conhecemos.

Este livro já deu azo a muitos estudos académicos, e inúmeras obras relacionadas, quer em livro, quer em teatro e cinema.  Todo um mundo de obras que se baseiam nesta simples premissa, que viajar no tempo é possível e desejável.

Recomendo muito este livro, não só a amantes de ficção científica, mas a todos os que gostam de ler os clássicos, de descobrir livros bem escritos e que serviram de inspiração a tantos outros. Eu gostei muito e sinto que tenho de o reler em breve.

Boas Leituras!

Acabei de Ler – A Change of Time

change of time

Keep scrolling if you prefer to read in English

Depois do último título do Netgalley ter sido um prazer tão grande de ler, entusiasmei-me e pesquisei que mais tinha na minha pastinha do Kindle. E descobri este livro, duma autora dinamarquesa pouco conhecida entre nós, mas bastante relevante no seu país, e agora traduzida para inglês. Quem segue o Peixinho sabe que eu gosto de me afastar da hegemonia do mundo anglo-saxónico sempre que tenho essa oportunidade, e esta foi mais uma dessas vezes.

A Change of Time é uma narrativa construída com base no diário escrito pela protagonista, uma professora primária retirada, casada com o médico duma pequena vila dinamarquesa. A trama passa-se no início do século XX, quando o mundo era muito diferente e se encontrava em grande mudança. Quando fica viúva, de repente todo um mundo de possibilidades se abre, tão vasto como assustador.

E tal como o nome indica, este livro reflecte a passagem do tempo, desde as estações do ano, aos anos que passam pela nossa vida. O que muda em nós quando o tempo passa, o que muda no mundo que nos rodeia, e a percepção que temos dele. É um livro bonito e introspectivo, um pouco ao estilo dos filmes escandinavos, que nos fazem pensar sem grandes explosões a acontecer no ecrã.

Como sempre, acho difícil que este livro seja traduzido para português, graças à pequena dimensão do nosso mercado, dominado pelos suspeitos do costume, mas se dominarem o inglês isso não será obstáculo.

Recomendo a todos os que gostam de livros bonitos, diferentes, com tempo.

Boas Leituras

Goodreads Review

After having so much pleasure reading the last Netgalley book, I decided to look at my Kindle once again and choose another one. And I came across this one, a book from a Danish author, not very known in Portugal, but well known in her home country. This has now been translated into English and as you might know, I like to experiment with other books that are not from the Anglo-Saxon universe.

A Change of Time is built from diary entries from a former school teacher that is married to the local doctor. He is a domineering husband, and when he dies she is left with all the choices that are now in front of her.

This book reflects the passage of time, either in our lives, the seasons, the world around us and our perception of it. Everything changes and we change with it. It’s a beautiful and introspect book, just like Scandinavian movies, that make us think without all the fireworks we see nowadays.

Unfortunately I find it difficult that this book will be translated into Portuguese, as our market is so small, nonetheless if you are proficient in English you will not find it difficult to read.

Recommend it to all those that like beautiful slow paced books.

Happy Reading!

Acabei de ler – Os Crimes do ABC, Poirot #13

Os-Crimes-do-ABC

Acho que depois de tanto tempo a ler livros que me demoravam um mês, como a saga Wheel of Time, ganhei o gosto por voltar a ler livros de um dia para o outro e peguei em mais um Poirot.

Não sei se já tinha lido este livro no passado, ou visto o episódio da série, mas a base da história era minha conhecida. Um assassino em série que desafia Poirot a apanhá-lo enquanto vai matando pessoas em ordem alfabética. No entanto os pormenores eram-me desconhecidos e deu-me muito prazer ler este livro. Também porque voltou o nosso amigo, Capitão Hastings, que é um personagem quase tão querido como o próprio Poirot.

Mais uma vez a história é fluida e bem construída e com um desfecho surpreendente. A narrativa é novamente diferente, já que todo o livro é narrado por Hastings, que está a documentar o caso em livro. Muito engraçado.

Recomendo a todos os apaixonados por Poirot, ou a quem lhe apetece uma boa história de crime.

Boas leituras!

Goodreads review

Acabei de Ler – Morte nas Nuvens, Poirot #12

Morte-nas-Nuvens

Depois de ter (re)tomado o gosto de ler livros do Poirot, já não quero outra coisa e peguei logo noutro. Este teve a vantagem acrescida de ser uma história que eu ainda não conhecia, coisa rara mas muito agradável.

Voltamos a uma narrativa mais tradicional, Poirot está presente quando se dá o crime, e faz até parte dos suspeitos. Vai trabalhar rápido para evitar mais mortes e limpar o seu nome para a opinião pública.

Gostei, está bem escrito como sempre, e a história é fluida e rápida. Só quase no fim é que percebi quem era o assassino, o que torna a leitura mais apetecível. Poirot mostra aqui os seus dotes de casamenteiro.

Recomendo a todos os que gostam de policiais e boas histórias.

Boas leituras!

Goodreads Review