De Volta ao Sandman

Neil Gaiman - Brief Lives

Demorou um pouco mais de um ano para, por razões várias, eu conseguir retomar a leitura dos livros do Sandman. Mas creio que valeu bem a espera, porque me parece que tive em mãos o meu volume favorito de toda a saga. O senhor dos Sonhos depois dum desgosto amoroso vai partir numa demanda com a sua irmã Delírio, em busca dum irmão há muito desaparecido na Terra, Destruição.

E, ao longo de belíssimas páginas, vamos conhecendo melhor a familia de Morfeu com as suas dificuldades, bem como a disposição mais depressiva do senhor dos Sonhos. O que é mais interessante nestes livros do Neil Gaiman, em que podemos achar que o visual até já está um pouco datado, são os textos muito bem construídos e que nos convidam sempre a uma profunda reflexão. Neste volume vamos sendo conduzidos por pinceladas sobre a inevitabilidade do Destino, a brevidade da vida, por mais longa que nos possa parecer em anos. No limite, nem 15 mil anos pareceria uma longa vida quando somos confrontados com a iminência da morte. É fabuloso como um “simples” livro de comics pode conter em si tantos mundos.

Para quem gosta de fantasia a sério, mundos paralelos, mitos, lendas e deuses antigos, este autor será sempre uma fonte de inspiração e conhecimento. Mal posso esperar para ler os próximos.

Fiquem com um amuse bouche.

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A História de Raif Efendi

Madonna in a fur coat

Mais uma vez o Netgalley deu-me a oportunidade de ler um livro que de outra maneira não teria tido acesso. Madonna in a Fur Coat foi publicado em 1943 na Turquia e tem sido um grande sucesso desde então, mas só agora foi traduzido para inglês. Confesso que a razão que me levou a escolhê-lo foi simplesmente o título, que me pareceu tão próximo doutro título da literatura clássica que também envolve furs que eu simplesmente não podia deixar de o ler. E se bem que a temática não seja de todo a mesma, lá bem no fundo não deixa de ter algumas semelhanças, quanto mais não seja pela profunda impressão que uma mulher de temperamento forte consegue produzir num homem que não sabe muito bem que rumo dar à sua vida.

Quando começamos a nossa história, seguimos um jovem que arranja emprego numa firma onde trabalha como tradutor de alemão Raif Efendi. E todo o resto do livro vai seguir a história de vida desta misteriosa e incompreensível personagem, começando pelo seu final, e levando-nos depois pelas páginas do seu caderno preto até aos tempos do pós grande guerra, onde Raif conheceu aquela que viria a ser o seu grande amor, e que, para além de o fazer desabrochar, mudaria radicalmente o curso da sua vida e personalidade.

Este livro está profundamente marcado pela época em que foi escrito (1941), e a época em que se desenrola, os anos 20. Anos em que havia esperança pelo fim da Grande Guerra, mas em que se caminhava a passos decididos para um novo conflito. Todo o livro está marcado pelos chamados “what if’s?”, como teria sido a minha vida se em vez de um zig tivesse dado um zag, mas tendo a certeza da inevitabilidade do caminho que se percorreu. Respiram-se e vivem-se as oportunidades perdidas.

É um livro belíssimo, um história dum amor intenso e profundo, mas ao mesmo tempo triste e carregado dum fado quase português. Raif Efendi é um personagem com o qual me identifiquei imenso, ao mesmo tempo que só me apetecia abaná-lo para o obrigar a sair do estupor em que se tinha deixado mergulhar, tão próximo e reconhecível. Por outro lado, a universalidade deste texto é imensa. Foi escrito na Turquia em 1941, como poderia ter sido escrito em Portugal em 2017, de tal maneira é próximo à condição humana.

Não faço ideia se está, ou alguma vez será, traduzido em português. Mas duvido, como tantas outras pérolas obscuras que passam ao lado do nosso pequenino e míope mercado editorial, mas se forem proficientes a ler em inglês, não deixem escapar esta oportunidade.

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He was, in the end, the sort of man who causes us to ask ourselves: ‘What do they live for? What do they find in life? What logic compels them to keep breathing? What philosophy drives them, as they wander the earth?’ But we ask in vain, if we fail to look beyond the surface – if we forget that beneath each surface lurks another realm, in which a caged mind whirls alone.

She searched my face. ‘You are alone in Berlin, right?’ ‘What do you mean?’ ‘I mean . . . alone . . . with no one else . . . spiritually alone . . . How can I put it . . . you have such an air about you that . . .’ ‘I understand . . . I am completely alone . . . But not just in Berlin . . . alone in all of the world . . . since I was a child . . .’ ‘Me too,’ she said.

 

Man Booker 2017

Manbooker 2017

Foi anunciada ontem a lista de nomeados para o prémio Man Booker 2017, um dos mais conceituados das letras da anglofonia. E, tal como tenho dito algumas vezes por aqui, um prémio que costuma distinguir autores com qualidade e onde descubro verdadeiras pérolas para ler.

Este ano a lista tem 13 autores de onde serão escolhidos os finalistas, e alguns já foram traduzidos para português. Temos também um mix interessante de autores consagrados com novatos nestas andanças. O Peixinho já leu um dos nomeados, Outono da Ali Smith, que já tinha sido finalista do mesmo galardão em 2014, e gostei bastante. Curiosa para ler alguns dos outros.

  • “4 3 2 1”, de Paul Auster
  • “Days Without End”, de Sebastian Barry
  • “History of Wolves”, de Emily Fridlund
  • “Exit West”, de Mohsin Hamid
  • “Solar Bones”, de Mike McCormack
  • “Reservoir 13”, de Jon McGregor
  • “Elmet”, de Fiona Mozley
  • “O Ministério da Felicidade Suprema”, de Arundhati Roy
  • “Lincoln no Bardo”, de George Saunders
  • “Home Fire”, de Kamila Shamsie
  • “Outono”, de Ali Smith
  • “Swing Time”, de Zadie Smith
  • “The Underground Railroad“, por Colson Whitehead.

A 13 de Setembro ficamos a conhecer os finalistas e a 17 de Outubro o vencedor.

You know nothing, Jon Snow!

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Se desconfiam que o Peixinho tem andando desaparecido porque tem andado numa maratona infinita de Game of Thrones, como anunciado há uns posts atrás, desconfiam bem. Tal como eu suspeitava, a minha box com quase 10 anos não teve espaço para gravar todas as temporadas (nem uma inteira, na realidade), por isso desde dia 11 que temos andado num contra-relógio cá em casa para despachar o máximo de episódios possíveis antes que desapareçam das gravações automáticas.

Esta semana quase recusámos um convite para jantar só para não perdermos mais uma maratona de episódios, porque mesmo assim só vamos a meio da terceira temporada, mas o bom senso permaneceu e conseguimos privilegiar o contacto humano , e passar um serão com amigos a discutir a série. Entretanto os episódios já desapareceram da box, e só conseguimos despachar as três primeiras temporadas, teremos de encontrar formas alternativas de ver as 3 que faltam.

Claro que tudo já foi debatido até à exaustão mas mesmo assim o Peixinho quer tecer algumas considerações:

  • A série está bem adaptada. Na generalidade dos casos não ando pelos cantos amuada porque assassinaram o carácter das minhas personagens favoritas, ou porque as situações são irreconheciveis. As concessões que se fizeram são perceptiveis e bem justificadas. Há várias dezenas de personagens no livro, que seria impossível de reproduzir na série, por isso os cortes feitos fazem sentido. As personagens que eu mais gostava nos livros (Tyrion, Arya, Lady Olena) continuam a ser as favoritas no pequeno ecrã.
  • Visualmente a série está muito bem conseguida. Não só os cenários, mas também os actores parecem ter sido escolhidos a dedo para encarnar cada papel. Foi como se a minha imaginação tivesse saltado cá para fora. Sinto falta dos direwolfs (tinham um papel mais activo nos livros), mas CGI é caroe o Hodor é talvez o mais diferente do que eu tinha imaginado.
  • Ajuda muito ter lido os livros em 2012, porque assim muitos pormenores estão difusos mas a linha principal da história continua viva, o que me leva de novo ao primeiro ponto, não ando para aí a refilar das coisas que foram omitidas ou alteradas e consigo ver os episódios mais descontraídamente.
  • Como nota final, queria falar da tradução. Eu li os originais em inglês, e sei que ser tradutor não é tarefa fácil, no entanto há coisas que temos de ter em atenção. Os nomes foram todos traduzidos para português, e percebe-se já que os nomes dos locais eram de algum modo descritivos. No entanto há uma dignidade em Highgarden que não existe em Jardins de Cima. O mesmo para Eastwatch/Atalaiaeste, e como estes poderia citar inúmeros exemplos que me fazem encolher de cada vez que aparecem no ecrã. Culminou com a filha do Craster, Gilly, que se traduziu por… Goiva… Goiva nem sequer é um nome que exista, e mesmo que pretendam que seja uma flor (que era o que pretendiam), quem raio sabe o que é uma goiva? Por curiosidade pesquisei goiva no google e deixo-vos com a imagem abaixo.

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Se calhar… rendo-me ao frio!

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Eu sei que aqui há uns tempos tinha dito aqui que não me conseguia entusiasmar com a série do Game of Thrones e que não entendia toda a comoção à volta do fenómeno. Verdade, continua a ser a realidade. Mas também é verdade que já perdi toda a esperança do George R. R. Martin alguma vez terminar a malfadada série A Song of Ice and Fire (não faço ideia de como traduziram isto) e gostava de saber como isto vai acabar. A somar a isso, tinha-me afeiçoado a Ragnar Lothbrok e aos outros Vikings, mas o AMC resolveu não continuar a passar a série, deixando-me orfã de aventuras televisivas e com necessidade de arranjar um substituto.

Posto isto, e já que a sétima temporada do GOT está quase a começar no SyFy, eu resolvi que se calhar é desta que tento. A pensar em pessoas como eu, eles decidiram fazer uma maratona de todas as temporadas, a começar já no dia 11. Muito apropriadamente, temporada 1 no dia 11, 2 no dia 12, e assim sucessivamente, até culminar com a estreia da sétima no dia 17. Para despassaradas como eu, não há melhor.

Ora, como não há cabeça que aguente tantas horas de televisão, espero que a minha box colabore comigo e aguente uma gravação tão intensiva, para eu depois ter tempo para calmamente ir vendo tudo durante o Verão. Sim, porque o Inverno já é suficientemente deprimente por si só, sem adicionarmos ainda mais frio. Se a box se recusar, it was not meant to be.

Relações Inacabadas

Quando era miúda lia vorazmente tudo aquilo a que deitava a mão. Quando ia um mês de férias para a terra, metade da bagagem eram livros que esgotava na primeira quinzena, e depois ficava reduzida a reler Selecções do Readers Digest dos anos 70 (que o meu pai assinava), livros do Harlequim da minha tia-avó (Bianca, Sabrina, que é feito de vocês?), ou a TV Guia que chegava às quintas feiras. Tempos duros.

Nesse tempo todos os livros eram para ser lidos até ao fim, e os melhores relidos incessantemente, até se decorar as partes favoritas. Na nossa visão de crianças somos imortais, com todo o tempo do mundo pela frente para ler todos os livros que existem.

Conforme fui crescendo e apareceu a faculdade, não só o horizonte de livros para ler aumentou exponencialmente com a exposição a pessoas novas de contextos diferentes, como o tempo diminuiu, porque pela primeira vez na vida tive que começar a estudar. Isso obrigou-me a fazer escolhas, decidir estilos que me agradavam mais, autores que se tornavam favoritos. Mas ainda assim não se deixa nunca um livro a meio, é quase um tabu que raramente é quebrado (excepção para o Memorial do Convento, que até hoje não consegui acabar).

Com o Kindle, nos dias de hoje em que já estou nos quarenta (inhos, mas mesmo assim) já percebi que há mais livros interessantes do que terei anos de vida para os ler, e todos os anos novos livros bons saem no mercado. A paciência também já não é a mesma e já não faço fretes. E sinceramente, se não me está a prender o interesse, se  recorrentemente quando tenho um momento livre prefiro ir ver o Facebook do que ir ler aquele livro, se calhar está na altura de seguir para o próximo, sem ressentimentos, amigos como dantes.

Por isso, meu caro Mário de Carvalho, és um dos meus autores portugueses favoritos,  adorei o Era Bom Que Trocássemos Umas Ideias Sobre O Assunto (ainda hoje um dos meus livros portugueses favoritos), mas a minha relação com O Livro Grande de Tebas Navio e Mariana ao fim de 45 páginas vai ter de ficar por aqui.

Mario de Carvalho

A Amante Holandesa

A Amante Holandesa

Acabei de ler A Amante Holandesa do Rentes de Carvalho e ainda tenho um sabor amargo na boca. Este é um autor transmontano, relativamente desconhecido em Portugal, em parte porque abandonou cedo o nosso país, desencantado, em busca da liberdade que não encontrava cá. Acabou por se fixar na Holanda, tem desenvolvido a sua carreira literária a partir de lá, e não tem penetrado muito o nosso minúsculo mercado, saturado que está dos suspeitos do costume. No entanto, tem uma escrita forte, honesta, e ao mesmo tempo quase poética.

Chegou cá a casa pelo livro “O Meças” que ganhamos num passatempo da Time Out e ficamos apaixonados. De tal maneira que o Peixinho Vermelho não perdeu a oportunidade de comprar este.

Tal como O Meças, também este se passa na zona de Bragança, no interior profundo, e o autor não nos trata com paninhos quentes, não romantiza o que é viver num meio rural isolado, pobre e atrasado. Para mim, que estou profundamente cansada da cidade e sonho um dia estabelecer-me no campo, penso os seus livros como um alerta para uma possível realidade.

Tendo passado grandes temporadas numa aldeia minúscula desde miúda sei em primeira mão o poder do mexerico, da pressão social, das verdades instituídas. Mas este livro vai muito mais além e a aldeia é apenas o pano de fundo para a busca que um homem faz sobre o sentido da sua vida. O desespero de quem sente que viveu para as aparências, para as convenções sociais, nunca teve ambição porque nem teve espaço para isso. E chegando à meia idade sente também que chegou a um beco sem saída, preso numa vida sem sentido, onde as fantasias são o seu único escape, e as teias em que se vê enredado formam já um labirinto donde é difícil escapar.

Este livro questiona também quem somos na realidade, e se o modo como vivemos a nossa vida é honesto, ou se pudéssemos viver escondidos de todos seríamos mais fieis a nós próprios e aos nossos instintos. Na realidade, apesar de ter uma escrita muito poética como já disse acima, Rentes de Carvalho consegue ser por vezes brutal, e fez-me voltar atrás muitas vezes para reler várias passagens e ver se estava a entender todos os significados escondidos.

Eu costumo dizer de alguns livros que não são para todos (not for the faint of heart, como dizem os ingleses), mas a crueza serrana deste autor não será certamente do agrado de todos os públicos. Depois de ler o livro fica um sabor amargo, mas fica também um sentimento de reconhecimento, como se aquele narrador pudéssemos ser nós, as suas questões existenciais fossem semelhantes às nossas, os pensamentos em loop que só abrandam quando ele afadiga o corpo em longos passeios na serra não difere assim tanto de algumas pessoas que vemos no ginásio.

Os temas, como disse, não são para todos, mas as angústias são universais. Da minha parte, depois de digerir este, estarei já a pensar onde estará o próximo.

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Para Isabel

Isabel

Acabei há pouco tempo de ler o livro de António Tabucchi, For Isabel, a mandala. Apesar de ser um autor bastante conhecido em Portugal, principalmente por causa de Afirma, Pereira, eu nunca tinha lido nada dele e não sabia o que esperar, para além dum livro dum autor estrangeiro passado no nosso país, que foi publicado após a sua morte.

Nesse sentido não sei sequer se o título que o Netgalley me proporcionou (mais uma vez esta fonte na origem de tantas alegrias) é ou não um típico livro deste autor, mas isso apenas me deixa com o”problema” acrescido de ter de ler outras obras para criar uma base comparativa. Parece-me um bom problema para se ter.

Este livro é tal e qual o que o nome indica, uma mandala. Isabel é uma mulher misteriosa que desapareceu antes do 25 de Abril e que o narrador procura incessantemente em círculos concêntricos, dentro e fora do seu pensamento. Não sabemos bem quem é Isabel, muito menos quem a procura, mas de algum modo isso não é relevante para a história, tanto quanto os círculos que vão sendo feitos na descoberta e que vão revelando um pouco dum país poético à beira da revolução, e a busca de alguém que perdemos e que está escondido no seu nada, que um dia se cruzará com o nosso.

Para quem for fã de histórias lineares em que tudo faça extremo sentido, este não é o livro certo. Mas para quem goste de ser conduzido por um certo realismo místico, lírico, esta pequena obra será uma companhia deliciosa.

Para mim, o único ponto fraco foi a sua tradução para inglês. Se encontrasse versão em português, leria de novo, porque é dos raros casos em que acho que a tradução era tosca. E nem me refiro ao triste bacallá, que demorei uns minutos a perceber que era o nosso fiel amigo.

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Inspector Maigret

Maigret

Eu sou uma pessoa que até gosta de livros policiais, e bastante fã de Agatha Christie, especialmente dos livros do Poirot. No entanto, até o Netgalley me ter apresentado este livro do Inspector Maigret eu nunca tinha lido nada desta série, nem sequer tinha visto nada em cinema ou televisão. Suponho que seja por associar o autor (Georges Simenon) a uma coisa francesa e chata que só passava no canal 2 depois da meia noite, ou livros que eram vendidos em alfarrabistas, e por isso nunca dei o beneficio da dúvida.

Entretanto a minha opinião sobre as coisas que passam no canal 2 depois da meia noite, e sobre os livros que são vendidos em alfarrabistas mudou radicalmente e talvez tenha sido isso que me levou a pedir este livro. E, mais uma vez, ainda bem que o fiz.

O Inspector Maigret é na realidade o equivalente francês do Poirot. As histórias são passadas maioritariamente em Paris, e Simenon foi um escritor incrivelmente prolífico, tal como a Agatha Christie. Maigret foi um personagem largamente inspirado num inspector que existia na vida real, amigo do autor, e, a julgar por esta história, com um feitio especial.

O livro que li, Maigret and the Tall Woman (Maigret et la Grande Perche no original), foi publicado em 1951, sensivelmente a meio da carreira literária dos livros de Maigret, que vão desde 1931 a 1972. Menos cerebral que Poirot, o inspector gosta de pôr as mãos na massa e liderar a investigação, com um séquito de fieis adjuntos. No geral, gostei bastante, principalmente porque saímos das paisagens típicas do mundo anglo-saxonico e estamos num ambiente mais europeu, o que torna o livro mais cativante. Quase que me conseguia imaginar numa esplanada parisiense a beber um Pernod com o Kindle na mão e  a ler o desenrolar do caso.

Tenho mais 74 livros para o poder fazer, mas fica definitivamente na minha bucket list. O livro, aconselho a todos os fãs de histórias policiais que queiram passar um bom bocado. Da minha parte vou investigar mais títulos.

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Mitos do Norte

Norse Mythology

American Gods é uma série que está mesmo quase a estrear (dizem que dia 30 de Abril num canal de cabo americano), e só isso já seria razão suficiente para pegar num livro do Neil Gaiman (outro, para além do Sandman que tenho andado a ler por aqui). Claro que a escolha óbvia seria o homónimo, mas não consegui resistir a este Norse Mythology, acabadinho de sair, que ainda por cima vem complementar lindamente a outra série que ando a acompanhar, Vikings.

Foi por essa razão que os nomes dos deuses e deusas estavam frescos na minha memória, e isso ajudou muito a relacionar as histórias e os mitos. A mitologia nórdica, apesar de grandemente perdida no tempo, é muito rica em personagens e histórias, e talvez seja essa a razão que me levou a achar este um dos livros mais fracos do autor. Normalmente, ele costuma deslumbrar-nos com a riqueza das suas personagens, o envolvimento das suas narrativas, ao ponto de nos sentirmos parte do mundo fantástico que ele criou para nós em cada livro. Neste o começo foi um pouco confuso, como se o autor tivesse de condensar muita informação logo de início para conseguirmos abarcar o mundo todo, mas à medida que íamos progredindo nos contos, o génio contador de histórias de Neil Gaiman ia vindo progressivamente ao de cima. No entanto, nunca me consegui sentir verdadeiramente envolvida no mundo e nas descrições, sempre me senti como se fossem apenas contos avulsos, mal ataviados uns aos outros, sem continuidade, sem aquela sensação de saga que eu estava à espera.

No final de tudo, o meu conto preferido foi o Ragnarok, ou a descrição do final dos tempos e o seu renascimento, que é suposto encher-nos de temos e esperança ao mesmo tempo, e que deixa no ar a questão se já terá ou não sucedido com o final da era desses personagens distantes.

Ler este livro despertou-me a vontade de voltar a ouvir os velhinhos Amorphis, uma banda finlandesa cujos primeiros álbuns eram inspirados na Kalevala, um poema épico finlandês fundamental no desenvolvimento da identidade deste povo, pleno de histórias, mitologia e sagas. Um cheirinho aqui.

E pronto, a caminho do próximo livro, que espero me entusiasme mais.

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