Livros que Recomendo – O Nome da Rosa

nome da rosa

Já não me lembro exactamente há quanto tempo atrás li este livro, mas lembro-me bem de onde ele veio. Daquelas colecções Mil Folhas, se não estou em erro do Público, da qual eu recebi bastantes livros vindos duma amiga da minha mãe.

Já tinha visto o famoso filme de Jean-Jacques Annaud em 1986, com o Sean Connery num belíssimo papel, e isso espicaçou a minha curiosidade para pegar neste livro, o único até agora que eu li do Umberto Eco, escritor italiano, professor universitário de semiótica, e detentor duma escrita rica, densa e recheada de referências a autores clássicos e outras obras.

E é exactamente isso que este Nome da Rosa é, um livro denso e cheio de referências a outros autores, mas ao mesmo tempo com uma história bem desenvolvida e interessante. Não é para se ler de animo leve, mas para saborear lentamente e tentar abarcar tudo. Tenho a certeza que não consegui entender todas as ligações e pistas escondidas que o autor deixou para nós, mas um dia voltarei a ler este livro, numa fase em que esteja mais introspectiva que agora.

A história é simples, um monge morre num convento beneditino na Idade Média, e é pedida ajuda a um frade franciscano, de nome William Baskerville numa clara invocação de Sherlock Holmes. A partir daí os assassinatos sucedem-se e a investigação tem de ser célere para impedir que alguém vá parar injustamente às mãos da Inquisição.

Recomendo a todas as pessoas que gostam de “policiais”, de mistério, de aprender conceitos e História enquanto lêem, a todos os que gostam de se sentir desafiados.

Boas Leituras!

 

Os Livros e as Gripes

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O Peixinho teve de ficar de molho por causa duma bela carraspana. À primeira vista seria a oportunidade ideal para dar andamento aquela série de livros que estou a ler, já que a maior parte do tempo é passado na cama. Ou pegar em coisas novas, e seguir por novos caminhos.

Mas na realidade, tal como nas salas de espera, quando estamos doentes nem sempre temos a capacidade que esperamos para decifrar histórias complexas, ou seguir enredos intricados. Quando tento ler, dou por mim no meio duma névoa estranha, em que tenho dificuldade de seguir os nomes dos personagens, e as paragens para tossir/espirrar a cada 5 minutos também não ajudam a manter o ritmo.

O meu kindle tem uma função que nos diz quanto tempo falta para terminar o livro, adaptado ao nosso ritmo do leitura. Faltam-me os últimos 20% do livro e cerca de duas horas e meia… desde o início da semana, apesar de me parecer que já li imenso.

Por isso vou fazendo como o Calvin ali em cima e passo a maior parte do tempo enfiada debaixo dos cobertores a ver episódios antigos da Anatomia de Grey, só para me lembrar como realmente não gosto da série. Ou pior, episódios do Dr. Phil, por algum motivo doentio. Acho que nunca vi um programa destes sem ser estando em casa doente.

De qualquer modo já me alonguei muito fora das mantas e sofá, e acho que já começou um episódio repetido das Mentes Criminosas, algures do início deste século.

Boas Leituras!

 

Ler Séries de Livros

serie

Quem segue o Peixinho já se apercebeu que eu comecei recentemente a ler uma série de fantasia, Wheel of Time de Robert Jordan. Ora, esta série é um portento com 14 volumes, se ignorarmos os spin offs, todos eles com um tamanho bastante respeitável.

Vários motivos me levaram a começar uma série tão ambiciosa nesta altura. Primeiro, estou muito próxima de terminar o meu desafio de leitura do Goodreads, só me faltam 3 livros, por isso não tenho pressa, nem motivos para ler livros mais pequenos. Depois, neste momento sei que tenho tempo, cabeça e paciência para me dedicar a uma empreitada destas, no futuro não sei se será assim, por isso mais vale despachar já.

Mas ler uma série tem implicações práticas, especialmente para um Peixinho esquisito como eu. Primeiro, é preciso muita paciência. Quando li o Game of Thrones, ou O Senhor dos Anéis, sabia que não eram muitos volumes, por isso o facto de algum poder ter mil páginas, não era nada de especial porque num instante tudo estaria lido. Por outro lado, quando li o Harry Potter, que teve mais “prestações”, os livros eram mais pequenos, muito fluidos e a história absolutamente viciante. Nesse caso eu estava a ler ao mesmo tempo que eram editados (em Inglês), por isso não tinha outro remédio que não esperar pelo próximo e entreter-me com outras coisas no intervalo.

Agora não é o caso. Tenho todos os volumes no meu Kindle, por isso quando termino um a caminho do trabalho posso pegar imediatamente no outro, e normalmente é isso que faço porque acabam sempre com qualquer coisa mal resolvida da qual queremos saber o desfecho (e invariavelmente o livro seguinte começa noutro ponto qualquer da história, completamente disconexo, só para prolongar a agonia).

Já vou no terceiro volume, mas começo a sentir falta de ler outras coisas, ver outros mundos, entrar dentro de outros imaginários. Mas isto é como uma dependência, e enquanto não se vir o fundo ao tacho, dificilmente conseguirei desprender. A consequência para este espaço é que faço muito menos posts, tenho menos do que falar, sou um peixe menos interessante em geral.

Enfim, vou continuar a dar conta do que vou lendo por aqui, mas não pensem que me fui embora ou que isto ficou em auto-gestão. Simplesmente estou presa na história do Dragão Renascido até nova ordem.

Boas Leituras!

Se Existe Uma Chave

Vasco Gato

 

Se existe uma chave,
se existe uma chave que não derreta na boca,
se existe uma boca capaz de se abrir para outra boca,
então eu amo, eu beijo, eu deixo de esperar.

Então tu saltas e arrastas contigo toda a terra.
Convidas-me para o teu corpo
no gesto sem mágoa de um ombro que se expõe.
Tens anos de combustão solar,
e moves-te assim:
tocando simultaneamente o resgate e o perigo.

Ah forte como a loucura é o amor,
o amor como a electricidade dos campos.
O amor-pirâmide,
o amor-trevo-de-quatro-folhas,
o amor-moeda-achada-no-chão.
Não digas sorte, diz privilégio.
Não peças perdão, pede chuva.
Não recues, assombra-te.

Vasco Gato

Livros que Recomendo – O Perfume

Perfume

Mais uma vez o Peixinho vem recomendar livros que a maioria da população de leitores já conhece e já leu. Mas mesmo assim não quis deixar de vir falar deste livro que é uma estranha história muito bem escrita.

O Perfume passa-se nos bairros pobres de Paris, algures no século XVIII e conta a história de Jean-Baptiste Grenouille que nasce absolutamente sem odor mas com um sentido de olfacto muito poderoso. Pelo facto de não ter cheiro, Grenouille é ostracizado pelas outras pessoas. Como qualquer outro animal, os humanos também não reagem muito bem àquilo que não conseguem compreender, ou processar, mesmo que não percebam bem qual o problema. Uma breve passagem pelas caixas de comentários de uma qualquer rede social mostra-nos que não se mudou muito nestes últimos séculos. Isso vai levar a que Grenouille viva obcecado em gerar o perfume perfeito, sem olhar a meios para atingir os seus fins.

O personagem principal não é muito simpático nem cria muita empatia, mas não conseguimos deixar de ter alguma pena do seu percurso e sofrer com ele. Mas o modo como está escrito e como todos os factos nos vão sendo apresentados é a verdadeira mais-valia deste livro. É envolvente, a história flui e estamos continuamente ligados às páginas a querer ver o que se vai passar a seguir.

Como muitos outros este livro também originou um filme, que até nem foi mau e tinha bons actores. No entanto na minha memória resta muito mais o livro e os cenários que construi na minha imaginação do que a versão de Hollywood.

Aconselho a todos os que gostam de histórias diferentes, bem contadas, com bom ritmo e que nos deixam agarrados ao livro até ao fim.

Boas Leituras!

Acabei de Ler: The Great Hunt, Wheel of Time 2

Wheel of time

Foi há mais de 15 dias que terminei de ler o primeiro (e grande) volume desta série. Na altura, apesar da escrita não ser deslumbrante, a história era suficientemente interessante para decidir pegar no próximo volume.

Pelo meio, ainda tentei ler um livro de não-ficção, mas que infelizmente se revelou tão desinteressante que nem dei conta dele aqui. Por isso sem demoras voltei ao mundo de Rand al’Thor e seus amigos, na expectativa de continuar a seguir a história do Dragão.

Este segundo volume está muito mais bem conseguido. A história é contada com bom ritmo, as coisas fazem sentido e têm um encadeamento lógico, e temos muitas surpresas e ligações desconhecidas lá pelo meio. A trama continua centrada no pequeno grupo que saiu de Dois Rios em fuga dos Darkfriends, mas desta vez eles encontram-se todos separados e envolvidos em questões próprias. Quase desesperamos por vezes, mas no final temos uma conclusão suficientemente coesa para conseguirmos voltar a respirar.

Esta é outra das vantagens destes livros. Em cada um dos volumes a história fica suficientemente resolvida para conseguirmos respirar de novo e esperar calmamente por vontade de ler o próximo, mas como a história está a desenvolver bem não conseguimos espaçar muito a leitura.

Recomendo a todos os amantes de livros de fantasia, a quem gosta de histórias bem contadas, com um sistema de magia bem desenvolvido e coerente.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Rêve Oublié

Antonio Maria Lisboa

 

Neste meu hábito surpreendente de te trazer de costas
neste meu desejo irreflectido de te possuir num trampolim
nesta minha mania de te dar o que tu gostas
e depois esquecer-me irremediavelmente de ti

Agora na superfície da luz a procurar a sombra
agora encostado ao vidro a sonhar a terra
agora a oferecer-te um elefante com uma linda tromba
e depois matar-te e dar-te vida eterna

Continuar a dar tiros e modificar a posição dos astros
continuar a viver até cristalizar entre neve
continuar a contar a lenda duma princesa sueca
e depois fechar a porta para tremermos de medo

Contar a vida pelos dedos e perdê-los
contar um a um os teus cabelos e seguir a estrada
contar as ondas do mar e descobrir-lhes o brilho
e depois contar um a um os teus dedos de fada

Abrir-se a janela para entrarem estrelas
abrir-se a luz para entrarem olhos
abrir-se o tecto para cair um garfo no centro da sala
e depois ruidosa uma dentadura velha
E no CIMO disto tudo uma montanha de ouro

E no FIM disto tudo um Azul-de-Prata.

António Maria Lisboa, in “Ossóptico e Outros Poemas”

Livros que Recomendo – Sem Penas

woody allen

Hoje venho aqui recomendar um dos livros mais cómicos que já li. Pense-se/diga-se o que se quiser de Woody Allen, ele será sempre uma pessoa com muita piada, muita capacidade de se rir de si próprio, e com uma visão acutilante do mundo que nos rodeia.

Sem Penas (em inglês Without Feathers, uma alusão ao poema de Emily Dickinson “Hope is the thing with feathers”) é uma colecção de textos do autor, uma espécie de caderno de notas, em que mais tarde alguns foram mais desenvolvidos em peças ou filmes. Todos partilham um humor muito non sense, às vezes intelectual, às vezes simplesmente parvo.

Eu já o li há muitos anos, e a sua escrita influenciou claramente a minha, principalmente quando eu tive o meu primeiro blog há mais de 10 anos atrás, e o enchia com textos de ficção e banalidades do quotidiano.

Aconselho a todos os que gostam duma boa gargalhada, de ler humor de qualidade, de ter um momento de descompressão do dia a dia. Eu própria acho que está na altura de o reler.

Boas Leituras!

Should I marry W.? Not if she won’t tell me the rest of the letters in her name.

What if everything is an illusion and nothing exists? In that case, I definitely overpaid for my carpet. If only God would give me some clear sign! Like making a large deposit in my name at a Swiss bank.

Fantasy Block

ron padgett

I would like to have a sexual fantasy
about the young girl I see in the gym,
the one who undulates up and down
on an aerobic machine revealing
the smooth skin of her lower back
as it swells out toward her hips,
her hair pulled up in back
with a tortoiseshell clasp
and a misty blush spreading
from her high cheekbones back
to her ears in each of which
a small silver ring is glittering,
but I can’t think of anything.

Ron Padgett