Vae Para Um Convento!

antonio-nobre-1

Falhei na Vida. Zut! Ideaes caidos!
Torres por terra! As arvores sem ramos!
Ó meus amigos! todos nós falhamos…
Nada nos resta. Somos uns perdidos.

Choremos, abracemo-nos, unidos!
Que fazer? Porque não nos suicidamos?
Jezus! Jezus! Resignação… Formamos
No mundo, o Claustro-pleno dos Vencidos.

Troquemos o burel por esta capa!
Ao longe, os sinos mysticos da Trappa
Clamam por nós, convidam-nos a entrar…

Vamos semear o pão, podar as uvas,
Pegae na enxada, descalçae as luvas,
Tendes bom corpo, Irmãos! Vamos cavar…

António Nobre, in ‘Só’

Acabei de Ler – It Was a Good Plan

it was a good plan

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Mais uma vez me apeteceu ler uma não ficção para desanuviar um bocadinho, e o Netgalley providenciou-me a oportunidade certa. Nada como um livro sobre uma viagem épica numa época em que eu posso viajar tão pouco.

Quando duas pessoas planeiam atravessar um continente de mota devem preparar-se para todas as eventualidades e imprevistos. Assim aconteceu com o inglês Mark e a sua companheira italiana Selly, que decidiram fazer a auto-estrada panamericana, que liga a Patagónia ao Alaska, e demorar cerca de um ano a fazê-lo. Pensaram em tudo, inclusive fizeram pequenas viagens preparatórias pela Europa para testar o equipamento de campismo e perceber que necessitavam de tudo novo. Prepararam todas as coisas que acharam possível acontecer no caminho, só não estavam preparados para ser atingidos por uma pandemia mesmo a meio da viagem.
Mark e Selly decidiram começar pela Patagónia em Outubro de 2019, para conseguir chegar ao Alaska no verão de 2020, única altura aconselhável para desfrutar do Alaska em cima de uma mota. Levavam um itinerário mais ou menos construído, com paragens estratégicas para verem coisas interessantes e desfrutar do melhor que cada país tinha para lhes oferecer. Começaram a subir lentamente pela Argentina, Chile, Perú, Equador, e estavam a passar momentos maravilhosos.
Das poucas vezes que conseguiam ver notícias viam umas menções a um vírus que estava a causar problemas na China. Mas de cada vez que tinham tempo para algo mais, iam percebendo que a coisa ia aumentando de dimensão. Primeiro começou por atingir a Itália, mas o Reino Unido não demorou muito a ser atingido severamente também. Até que a realidade que parecia tão remota começa a entrar nas suas vidas também, e por alturas da América Central a decisão a tomar é: em que país queremos ficar retidos indefinidamente?
E a decisão que tomaram moldou o rumo da vida deles de um modo muito diferente de companheiros de viagem que tomaram outras decisões, e pode nem ter sido tudo mau. Afinal, às vezes há que saber transformar os limões da vida num cocktail de final de dia.
Gostei bastante do livro. É muito actual, e cria genuína curiosidade em saber o que vão fazer a seguir, e como acabou a história daquela viagem. Dá para ver não só diferenças entre a Europa e a América do Sul, mas também entre os diferentes países por onde eles iam passando, o que tornou a leitura muito interessante.
Para mim só teve dois contras. No início do livro as descrições das alterações feitas à mota foram muito extensas e técnicas para quem, como eu, não percebe nada de motas e mecânica. Por outro lado, se gostarem e perceberem vão ter aqui muita coisa boa. O outro foi que, depois de termos seguido este casal por quase um ano nas suas aventuras, o final foi um bocadinho apressado e deixou algumas coisas no ar. Eu pelo menos queria saber mais, até de planos futuros para terminar coisas que ficaram por fazer na viagem.
Aconselho muito a quem gosta de literatura de viagem, mas também a quem gosta de ler coisas actuais, e tem interesse em ver um impacto da pandemia numa perspectiva completamente nova.
Boas Leituras!

I decided to pick up some nonfiction again, and Netgalley provided me with just the right opportunity. Nothing like a book about an epic journey on a time when my own travelling is so reduced.

When two people plan to cross a continent on a motorcycle, there is a lot of planning involved, and you prepare for a lot of unexpected events in advance. That exactly what the British Mark and his Italian partner Selly did when they decided to ride the whole extent of the pan American highway, from Patagonia to Alaska, in little under a year. They thought about everything, they even did some smaller rides in Europe to test the camping gear and the bike’s endurance, and realized they need some new equipment and adjustments to the bike. They prepared for everything they could think of that could happen; they just didn’t think they could be hit by a worldwide pandemic right in the middle of their journey.

Mark and Selly started in Patagonia in October 2019, so they could reach Alaska in the following summer, when it is easier and safer to ride there. They had planned a loose itinerary, with many sight seeing stops, and smaller trips included, so they could enjoy the best each country in their path had to offer. They started their route up slowly, from Argentina, to Chile, to Peru, Ecuador and they were having an amazing time.

On the few occasions that they could watch the news, they saw some reports about a distant virus in China, but that seemed a remote event that had nothing to do with their journey. But then it reached Italy, and after that the UK, and suddenly things were growing bigger, and what seemed so remote was now threatening their journey as well. By this time, they had reached Central America and the decision to make was: in what country to we want to get stranded?

The decision they made impacted their lives for the following 8 months, in a quite different way than their road friends that took different decisions, and it might not have been that bad. Sometimes, when life gives you lemons, you can use them on an after-hours cocktail.

I really enjoyed this book. It’s very current and keeps us engaged wanting to know what they will do next and how will this trip evolve. We can also see some differences on how this pandemic was handled by different countries and continents, and that was also very interesting.

There were just two things I did not enjoy as much. Right in the beginning the lengthy explanations about the bike and its alterations, with many names and details, were a little boring for someone like me, that does not know much about bikes and their parts. The ending was also a bit rushed. After being part of Mark and Selly’s lives for almost a year, there were many things I would like to know how they played out. I wanted to know what happened to the bike, and if they have future plans to finish their adventure.

Overall, I really recommend it to all those that love travelling books, but also to all those that like to read about current events and would like to see a different and unique angle about the impact of the pandemic.

Happy Reading!

Acabei de Ler – My Year of Rest and Relaxation

rest and relaxation

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Já acabei este livro há algum tempo e ainda não sei bem o que li. Em meados de 2000 uma jovem de 24 anos decide que dormir é a resposta para todos os seus problemas e desalento com a vida. Para a ajudar a dormir ininterruptamente recorre à que deve ser a pior psiquiatra de Nova Iorque. Basicamente a história segue as tentativas da nossa protagonista de recomeçar a vida depois dum sono renovador e as suas interações com a melhor amiga, o ex-namorado e mesmo as pessoas com quem se cruza no dia a dia.

Parece pouco, parece simples, mas não é. A narradora não é uma personagem que crie empatia por aí além, o restante elenco idem, mas por algum motivo queremos saber até onde vai esta história, que mais não é que uma divertida sátira à nossa sociedade de aparências.

Gostei do livro, principalmente da psiquiatra completamente tresloucada que deu uma cor engraçada à história. E a quem nunca apeteceu ficar a dormir um ano e fazer reset à vida que atire a primeira pedra.

Boas Leituras!

Goodreads Review

I have finished this book a while back and I am still unsure about what I read. By mid-2000 a 24-year-old woman decides she needs to sleep for a full year to be able to forget her problems and get rid of her anxiety and ennui. To help her complete this dauting task, she resorts to what must be the worst psychiatrist in New York, who fills her up with prescribed medicine. The plot basically focuses on the protagonist’s attempts at sleep, and her interactions with her ex-boyfriend, her best friend, her doctor, and random people she meets in her (much reduced) daily life.

Seems simple, seems a small affair, but it is not. The protagonist is not a likeable character, same for all the other characters, and even though we don’t really care for them, we are invested in the story and want to see it unfold. And what unfolds is a clever satire to our society, as you might expect.

I enjoyed the book, it is worth reading, and the completely crazy psychiatrist was my absolute favourite. And to be honest, who has never contemplated hibernating until all our problems go away?

Until then, Happy Reading!

Poema do Tráfego

rui manuel amaral

Tombou uma gota, depois outra,

em seguida numerosas gotas tombaram

sobre os vidros e o tejadilho.

As velhotas fecharam as janelas

e o ar ficou mais quente.

Agora é um imenso casulo azul,

cercado pelo murmúrio da chuva.

Em volta há milhares de flores intermitentes

brilhando na escuridão.

Flores vermelhas, verdes

e amarelas.

O rádio explode: 20 horas no continente e madeira,

19 nos açores.

Enquanto as velhotas cabeceiam,

o autocarro avança mais um metro

por dentro da eternidade.

Rui Manuel Amaral

Feira do Livro de Lisboa 2022

FLL 2022

Já foram anunciadas as datas para a Feira do Livro de Lisboa 2022 que vai ser na mesma altura do ano passado. Vai realizar-se de 25 de Agosto a 11 de Setembro, cerca de duas semanas e meia de muita animação e sugestões de leitura.

O ano passado consegui finalmente lá ir, depois de alguns anos de interregno, e este ano calha novamente em altura de férias, por isso espero conseguir ir laurear a pevide no meio dos livros, mesmo que acabe por só comprar um gelado e uma água como em 2021.
O ambiente é sempre maravilhoso, e é um local onde dá prazer passear. Quem consegue ir ao final do dia, mesmo na hora final de abertura da feira, tem sido ainda presenteado com descontos especiais, por isso se não têm cachopos pequenos, ou têm uma boa babysitter, aproveitem para fazer um belo rombo na carteira.
Até lá, Boas Leituras!

Acabei de Ler – Isto Vai Doer

this is going to hurt

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De vez em quando tenho que fazer o meu périplo por livros de não-ficção para limpar o palato e voltar com ânimo renovado. Desta vez escolhi um livro que foi recentemente adaptado para série no UK e dei o meu tempo por muito bem empregue.

Adam Kay seguiu a tradição familiar e formou-se em medicina, é quando começou a exercer no sistema nacional de saúde inglês deparou-se com a dura realidade. As horas de trabalho são absurdas, as condições escassas, as folgas são uma miragem e manter qualquer espécie de vida pessoal é impossível.

Este livro é uma compilação dos seus diários durante os cerca de 10 anos em que trabalhou no NHS, e em que se especializou em ginecologia/obstetrícia. Está cheio de relatos incríveis, mas escrito com um impecável humor britânico. Apesar de se falar de assuntos sérios e por vezes difíceis, muitas foram as vezes em que me ri com gosto.

É uma leitura que aconselho vivamente e que nos pode trazer algum apreço por aqueles médicos que encontramos quando vamos a uma urgência, e que nos ajuda a valorizar um sistema de saúde universal como o NHS e o SNS, mesmo com todas as falhas que conhecemos bem. Agora vou tentar ver a série.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Every once in a while, I return to non-fiction books to cleanse the palate and renew the spirit. This time I chose a book that has been recently adapted into a TV show in the UK, and it was time well spent.

Adam Kay followed his family tradition and went to medical school. He graduated as a doctor and went on to practice on the NHS, first as a junior doctor, later as an ob-gyn specialist. He worked there for nearly 10 years, before quiting and becoming a television writer. While in the NHS he came across the harsh reality. The working hours are absurd, the working conditions scarce, days off are non-existing and personal life is a mirage.

This book compiles his time working on the NHS and was based on the diaries he kept at the time. It is full of amazing anecdotes and delightful stories, all written with the known British sense of humour. Even though some of the events were painful, and the matters discussed were serious, I often found myself laughing with gusto.

It is a book I sincerely recommend, and that brought me a new appreciation for all those that work on the front line, and for all the doctors i came across every time I had to go to the emergencies. It made me value a system like the NHS or the portuguese SNS, even with all its known flaws. Now it’s on to the series.

Until then, Happy Reading!

Joana d’Arc

andreia-faria

Decerto guardou a pétala do primeiro sangue
entre a malha das calças
e o dorso do cavalo branco. Imagino-a
sofrendo o golpe e queixando-se dos solavancos,
de um relento negro, um punhado
de amoras que esmagou sem querer.

Imagino-a na margem de um riacho
lavando as coxas ruivas,
desenfaixando o peito,
afagando a penugem do queixo
para engrossá-la
e cuspir aos pés dos homens no sobrado

e à noite, sozinha, raspá-lo,
reunindo as lascas de madeira para erguer
uma cabeça de rapaz, uma fronde suada
e feroz que lhe espreite os pensamentos
e lhe sopre pela gola do camisolão
e se deixe despentear, fotografar, ser visto
nos bares, um rapaz cujo rosto rejuvenesça
após um desgosto de amor.

Ou nos dias livres imagino-a
abrindo as persianas para rasgar
olhos ao poente, testemunha do seu corpo,
de como se feriu no voo e soube
suturar-se
como fazem os velhos aos seus pombos-correio.

Andreia C. Faria in Tão Bela Como Qualquer Rapaz

As Revoluções da Matéria

luiza-neto-jorge

A divisibilidade: A visibilidade a dois

A mulher divide-se em gestos particulares

o homem divide-se também. Se o átomo é

divisível só poeta o diz.

a mulher divide-se em gestos

extremos coloridos arenosos destilados

dois homens são duas divisões de uma
casa que já foi um animal de costas

para o seu polo mágico.

A divisibilidade da luz aclara os mistérios.
A mulher tem filhos. Descobrem-se
partículas soltas um dedo mínimo
o peso menos pesado da balança
um cabelo eloquente em desagregação
Gestos estrídulos dividem a mulher
o homem divide-a ainda.

Luiza Neto Jorge in O Seu Tempo a Seu Tempo

Acabei de Ler – De Noite Todo o Sangue É Negro

de noite todo o sangue e negro

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Este pequeno livro, de apenas 145 páginas, foi o vencedor do Prémio Booker International 2021, e foi escrito por David Diop, um escritor francês que passou a infância no Senegal e se especializou em estudos africanos do século XVIII, que leciona numa universidade francesa.

Este livro fala-nos duma realidade pouco descrita nos nossos livros de história, a dos jovens africanos que foram recrutados para integrar a Primeira Guerra Mundial para ir lutar por um país que apenas tecnicamente era seu. Assim, jovens que nunca antes tinham saído das suas pequenas aldeias africanas, vêem-se transportados para a Europa para uma guerra horrível, de trincheiras, fértil em mortes e em histórias de horror.

E é precisamente a uma dessas histórias de horror que nós vamos assistir, quando Alfa Ndiaye assiste à morte lenta do seu irmão de coração Mademba Diop, sem ter coragem de lhe aliviar o sofrimento, e o impacto que isso tem na sua mente que vai lentamente espiralando para a insanidade. Ao mesmo tempo vamos sabendo como era a sua vida anterior, na sua pacata aldeia, para termos uma maior certeza da dimensão do impacto que tudo teve naquelas famílias e naqueles jovens.

Um livro duro, mas necessário, que justifica plenamente os muitos prémios que recebeu e que nos mostra uma realidade que não é falada muitas vezes. Posso dizer que é um dos meus favoritos do ano, que já vai fértil em bons livros.

Boas Leituras!

Goodreads Review

“Yes, I understood, God’s truth, that on the battlefield they wanted only fleeting madness. Madmen of rage, madmen of pain, furious madmen, but temporary ones. No continuous madmen. As soon as the fighting ends, we’re to file away our rage, our pain, and our fury. Pain is tolerated, we can bring our pain home on the condition that we keep it to ourselves.”

This small, 145 pages book was the winner of the International Booker Prize 2021, and was written by David Diop, a French writer that grew up in Senegal and currently teaches African Studies in a French university.

In this book he tells us about a reality very seldom described in our history books, the young African men that were enlisted in the European armies during WWI, to fight for a country that was theirs in little more than name. Young men that had never left their villages before, were now being thrown into a gruesome fight, a war rich in trenches, casualties and horror stories.

And it’s precisely one of these stories that we are going to follow, when Alfa Ndiaye watches is almost brother Mademba Diop die, without having the courage to end is suffering like he is being asked. We watch the impact that has on his mind, and his slow descent into madness. At the same time, we are shown bits and pieces of his previous life, so we can also fully perceive the impact the war had on these communities and families. Truly stunning writing.

A tough and necessary book, that fully justifies all the received accolades and that shows a reality we are not used to see. I can already say it has been one of my favourites for this year.

Happy Reading!

Acabei de Ler – The Wolf and The Woodsman

wolf and woodsman

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Acabei de ler este livro há mais de um mês, mas neste Abril tem sido mais fácil ler que escrever. Mesmo assim nunca é tarde para se vir falar de um livro.

Ultimamente tem-me apetecido ler fantasia mas o género está muito saturado de livros direcionados ao público jovem adulto que já não me dão muito prazer ler, apesar de ter bastantes em lista de espera. Mas este livro posicionou-se mais no mercado adulto e foi isso que me atraiu.

Baseado em lendas do folclore húngaro e lendas judaicas, conta-nos a história de Évike, a única mulher sem magia numa aldeia pagã, e Gáspar, um cavaleiro da ordem dos Woodsmen, que detém o poder da maioria do país. No entanto, para manter o seu poder o rei necessita da magia duma mulher pagã em intervalos regulares, e a vila de Évike decide mandá-la para poupar a vida a alguém com poderes reais. A história parte daí, é segue o desenvolvimento duma relação estranha entre os dois personagens.

É muito interessante a maneira como a história está alicerçada em duas mitologias tão diferentes do que é costume encontrar neste género. O modo como aborda política e religião também está bem conseguido e no geral foi uma leitura interessante sem ser espectacular. Os personagens principais não geraram a empatia necessária para estarmos realmente interessados com o que lhes acontece, e pareceu-me excessivo o uso de episódios sangrentos, um modo um pouco artificial de conferir maturidade à história.

No geral foi bom, mas já passou. Não fiquei particularmente entusiasmada com a autora. Se quiserem boa fantasia para um público adulto, já falei por exemplo de Susanna Clarke aqui e aqui (este Piranesi ainda está no meu coração).

Boas leituras!

Goodreads Review

I finished this book over a month ago, but in April reading has been far easier than writing. Luckily, it is never too late to talk about a book.

I have been in the mood for Fantasy for quite some time, but there are a lot of YA options in this genre, and I wanted something more mature, as I’m not enjoying YA that much. Still, my TBR is still full of them, just not sure when I’ll get to them. What appealed to me about this book was exactly the way it was advertised as an adult Fantasy.

Based in legends both from Hungarian and Jewish folklore, this book tells us about Évike, the only women without magic in a pagan village full of witches, and Gáspar, a Knight from the religious order of the Woodsman, responsible for helping the country’s King to keep its throne. However, in order to remain in charge, the King needs a pagan woman at regular intervals, and Évike’s village is where he gets them. However, this time, instead of sacrificing a powerful witch, they decide to send Évike and deal with the consequences later. And that’s how these two come across each other and start a cross country journey that will leave them questioning a lot about themselves.

It is very interesting the way the book is built around two very different mythologies, and so different from the ones we usually find in Fantasy tropes. Also, the way it deals with complicated issues like politics and religion is also well done, and makes us think about our own world, as good fantasy usually does. All in all, it was a good book, without being a spectacular one. I could not really relate to both main characters, and didn’t really care what happened to them. Also, there was no need to display so many gruesome details to confer maturity to the story, that’s not what being adult means.

It was a good book, but now is done and dusted. I was not particularly impressed with the author, so I don’t think I will hold my breath waiting for the next books. If you are in the mood for really adult and interesting fantasy, I’ve talked about Susanna Clarke here and here.

Happy Reading!