Tempo de Voltar

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Uma loja típica

Enquanto escrevo estas linhas estou já embalada pelos movimentos pendulares de volta para casa. Hoje foi o nosso último dia no Porto, embora só vá passar isto para o blog daqui a algum tempo, não quis deixar de escrever já as últimas impressões.

Depois dos dois dias intensos de visitas e caminhadas e passeios, sobre os quais ainda nem tive tempo de reflectir, hoje foi um dia mais calmo, finalmente. Deixar o nosso apartamento que se tinha tornado uma casa (sítio acolhedor, antigo quartel de bombeiros redecorado, aconselho muito), mochila às costas e dar as últimas voltinhas na cidade que já deixa saudades. A pergunta que se faz sempre que se sai de casa (seria capaz de viver aqui? não sei). Como sempre nos últimos dias, tínhamos um planos gastronómico em mente. Faltava comer a francesinha obrigatória em cada visita. Desta vez, de GPS na mão, íamos em busca do Café Santiago. Dá última vez que estivémos no Porto, há 3 anos, assim que chegámos largámos num sprint Rua de Santa Catarina acima para ir experimentar o Bufete Fase, porque a parva que viu o caminho só viu que era ao cimo da rua, e esqueceu-se do pequeno pormenor de ver a escala. Deixem que vos diga que eram 1.6 km do sítio onde estavamos hospedados, e onde já chegámos à hora de almoço. Largámos em passo rápido, e só depois percebemos que não estávamos assim tão perto. E quando lá chegámos, bofes de fora… o Bufete Fase estava fechado para férias. E naquela zona já não havia nada aberto. Não há palavras que descrevam o nosso desalento.

Este ano não fizémos sprint, era cedo, e estavamos a 550 metros do Café Santiago, que era o escolhido, nosso e da Time Out. Quando o GPS nos indica que chegámos, e nos deparámos com um café fechado para obras, íamos tendo uma apoplexia nervosa. Já era quase meio dia e um quarto, e o que vale é que tínhamos tempo até ao comboio. Plano b, Capa Negra, largámos a caminho, mas eis senão quando, falso alarme e lá está outro Café Santiago, com UMA mesa acabadinha de vagar mesmo para nós (a que horas é que alguém começou a comer uma francesinha para estar terminado às 12:15?).

E pronto, foi um pedacinho de céu. 5 minutos depois estivémos tentados a pôr um papel na janela a dizer: trespassa-se mesa à janela por 50€, tal era o número de pessoas lá fora à espera, mas aguentámos estoicamente a pressão e deliciamo-nos com duas belas francesinhas. Agora podemos esperar mais dois ou três anos, que aquilo é demasiado forte para se comer muitas vezes.

O resto da tarde foi passado em calmaria, que tanta carne não nos deixa andar assim tão rápido. Fomos até aos Poveiros beber café, andámos até ao Bolhão, em eternas obras de melhoramentos, passeámos nos Aliados, Igreja da Trindade. Entretanto eram horas para o Alfa de regresso, e agora enquanto o Peixinho Vermelho dorme tranquilamente eu vou pondo a leitura em dia.

Adeus Porto, até breve.

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Porquê açúcar na água com gás?
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A francesinha!
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A dona do Bolhão
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Igreja da Trindade

E o Porto aqui tão perto

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Dia de passear na Foz

Este ano era para ter passado no Porto em Abril e ver a exposição do Miró. Como fiquei de cama com uma crise de coluna, que me anulou os planos todos de Abril (e Maio, e ainda estou em recuperação), tivemos de repensar as nossas passeatas. Felizmente o Miró vem à capital e o Porto ficou só adiado até agora.

O Porto é como um daqueles velhos amigos que só vemos esporadicamente, com anos de intervalo, mas que quando nos encontramos novamente parece que não se passou tempo nenhum, tantas são as coisas que temos em comum. Desta vez resolvemos ir de comboio, e fizemos uma mui tranquila viagem de alfa, nos dois sentidos. Um luxo. Escolhemos para ficar um Airbnb muito catita, bem situado, e que nos proporcionou um anfitrião 5 estrelas, cheio de boas dicas e boa conversa sobre o Porto. A home away from home.

Como já não era a nossa primeira visita, resolvemos passear numa zona que nenhum dos dois conhecia, a Foz. Mas antes de lá chegar, paragem na Casa Guedes para abastecer com uma sandes de pernil e queijo da serra, que havia muitos quilómetros de caminhada pela frente. No norte come-se mais cedo, e apesar de termos chegado poucos minutos depois do meio-dia, quase não arranjávamos lugar sentado. Mas, como esperado, foi de comer e chorar por mais. Daí, a pé até aos Guindais, funicular para a Ribeira, e de lá o 500 até à Foz, mais concretamente o Forte São João. Paragem para admirar a vista e preparar para a subida até ao Castelo do Queijo.

Estava um dia lindo de sol, mas imenso vento. Só muita militância permitia a meia dúzia de pessoas estarem na praia, apesar de em muitas estar bandeira verde. A paisagem é muito bonita, e calmamente se faz um belo passeio a admirar as praias dum lado, e o bairro estival por outro. Apesar de ser Agosto, estava pouca gente e foi um passeio descontraído.

Como ainda tínhamos pernas, resolvemos continuar a caminhar até Matosinhos para apanhar o Metro de volta para o Porto. Ainda parámos para um belo gelado na praia, de frutos vermelhos e banana, enquanto fugíamos do sol e nos preparávamos para o resto do caminho. Descobrimos que Matosinhos também tem o seu encanto, e finalmente estávamos de regresso a casa.

As vantagens de estar num apartamento é que num dia como este, em que nos tínhamos levantado incrivelmente cedo (eu antes das 6h), bastava comprar qualquer coisa num supermercado, comer por casa sem complicações, e estar na caminha à hora que apetecesse. Missão cumprida, o podómetro marcava 13km de caminhada, os pés diziam que foram pelo menos mil, e no dia seguinte havia comboio histórico.

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A sandes da Casa Guedes
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A vista do autocarro 500
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Tecnicamente, esta é mesmo A Foz. 
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Restos perdidos de outro tempo.
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O Castelo do Queijo
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A vista da nossa casa. Charme antigo. 
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Não se pode ir ao Porto sem comer um destes croissants… nham nham… 

Lisboa ao Fundo

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A vista do Ponto Final

Dizer que não gosto de tirar férias em Agosto é pecar gravemente por defeito. Os sítios estão cheios de gente que não tem outra solução de férias, e são mais caros. No entanto, por razões várias que não interessam inumerar, há muitos anos que nos calha a fava dos primeiros 15 dias, e férias são férias e há que tirar o melhor partido delas.

Já experimentámos todas as combinações possíveis, e na realidade vamos sempre encontrando umas coisas engraçadas e que desafiam exactamente a lógica que estava a dizer acima. Hoje vou falar-vos dum passeio bem jeitoso que nos ocupou o dia todo e onde estávamos tão tranquilos que nem parecia Agosto.

Não foi preciso acordar muito cedo, porque às vezes sabe bem não madrugar. Foi preciso, isso sim, pegar no passe e apanhar transportes públicos, que estão bastante mais aliviados nesta altura. O metro não desilude (Carris… eu tinha de estar muito desesperada para me meter nessa aventura em tempo de férias… já me basta o resto do ano). E depois uma pequenina viagem num cacilheiro até, exactamente, Cacilhas.

Do lado de lá encontramos um pontão mal amanhado, ladeado por edificios em ruínas, mas que nos leva sempre ao lado do Tejo que nos embala e que nos mostra a Lisboa que nunca vemos, a do lado de lá. Uma paisagem deslumbrante que nos permite ver a luz branca que emana da nossa cidade quando o sol lhe bate, e perceber porque tantos turistas andam agora encantados. Uma caminhada curta mas intensa leva-nos até dois restaurantes com esplanadas onde apetece ficar. Escolhemos o Ponto Final. Não foi preciso reservar mesa, porque era cedo, e dia de semana, mas aconselho a fazê-lo porque é um sítio bastante concorrido. Os senhores foram incansaveis a descobrir-nos a sombra perfeita onde pudémos desfrutar os nossos carapaus com arroz de tomate, que estavam bastante bons. Sem pressas, ficámos por ali a saborear um almoço a ver o rio passar.

Continuando o nosso passeio, vamos dar a um pequeno jardim que foi todo arranjado onde se vêem pessoas a aproveitar o rio. É sempre bom ver que os habitantes fizeram as pazes com o Tejo, que nos esteve tantos anos vedado. Ali pudemos escolher se queriamos ir em frente até ao Museu Naval, ou subir o elevador até Almada. Escolhemos o elevador, estávamos em dia de ar livre. Lá em cima, a vista só melhora, e pode passear-se por Almada velha. Para os mais afoitos ir até ao Cristo Rei, para os menos aventureiros, a Casa da Cerca está já ali e vale bem a pena a visita. Foi o que fizémos. Quase só para nós, não fazemos ideia onde páram as multidões de Agosto, mas ali não era de certeza. Jardim, exposição de arte moderna, esplanada, vista, tudo à nossa disposição com paz e sossego.

Quando nos cansámos foi só fazer o percurso inverso, relaxados e descansados, turistas na própria cidade.

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Uma dose foi generosa o suficiente para os dois. 
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A ponte é uma passagem… 
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Cadê um livro quando precisamos dele?
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A vista cá de cima do elevador
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A caminho da Casa da Cerca
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Exposição nos jardins da Casa da Cerca

 

 

You know nothing, Jon Snow!

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Se desconfiam que o Peixinho tem andando desaparecido porque tem andado numa maratona infinita de Game of Thrones, como anunciado há uns posts atrás, desconfiam bem. Tal como eu suspeitava, a minha box com quase 10 anos não teve espaço para gravar todas as temporadas (nem uma inteira, na realidade), por isso desde dia 11 que temos andado num contra-relógio cá em casa para despachar o máximo de episódios possíveis antes que desapareçam das gravações automáticas.

Esta semana quase recusámos um convite para jantar só para não perdermos mais uma maratona de episódios, porque mesmo assim só vamos a meio da terceira temporada, mas o bom senso permaneceu e conseguimos privilegiar o contacto humano , e passar um serão com amigos a discutir a série. Entretanto os episódios já desapareceram da box, e só conseguimos despachar as três primeiras temporadas, teremos de encontrar formas alternativas de ver as 3 que faltam.

Claro que tudo já foi debatido até à exaustão mas mesmo assim o Peixinho quer tecer algumas considerações:

  • A série está bem adaptada. Na generalidade dos casos não ando pelos cantos amuada porque assassinaram o carácter das minhas personagens favoritas, ou porque as situações são irreconheciveis. As concessões que se fizeram são perceptiveis e bem justificadas. Há várias dezenas de personagens no livro, que seria impossível de reproduzir na série, por isso os cortes feitos fazem sentido. As personagens que eu mais gostava nos livros (Tyrion, Arya, Lady Olena) continuam a ser as favoritas no pequeno ecrã.
  • Visualmente a série está muito bem conseguida. Não só os cenários, mas também os actores parecem ter sido escolhidos a dedo para encarnar cada papel. Foi como se a minha imaginação tivesse saltado cá para fora. Sinto falta dos direwolfs (tinham um papel mais activo nos livros), mas CGI é caroe o Hodor é talvez o mais diferente do que eu tinha imaginado.
  • Ajuda muito ter lido os livros em 2012, porque assim muitos pormenores estão difusos mas a linha principal da história continua viva, o que me leva de novo ao primeiro ponto, não ando para aí a refilar das coisas que foram omitidas ou alteradas e consigo ver os episódios mais descontraídamente.
  • Como nota final, queria falar da tradução. Eu li os originais em inglês, e sei que ser tradutor não é tarefa fácil, no entanto há coisas que temos de ter em atenção. Os nomes foram todos traduzidos para português, e percebe-se já que os nomes dos locais eram de algum modo descritivos. No entanto há uma dignidade em Highgarden que não existe em Jardins de Cima. O mesmo para Eastwatch/Atalaiaeste, e como estes poderia citar inúmeros exemplos que me fazem encolher de cada vez que aparecem no ecrã. Culminou com a filha do Craster, Gilly, que se traduziu por… Goiva… Goiva nem sequer é um nome que exista, e mesmo que pretendam que seja uma flor (que era o que pretendiam), quem raio sabe o que é uma goiva? Por curiosidade pesquisei goiva no google e deixo-vos com a imagem abaixo.

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Paula Rego no Colombo

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Estávamos nós aqui por casa hoje um bocadinho sem ideias do que nos apetecia fazer, quando de repente me lembrei que tinha visto no Facebook duma amiga esta semana uma visita à exposição da Paula Rego que está no Colombo este Verão. Como o Colombo até é um pulinho da nossa casa, e o Peixinho Vermelho estava de olho noutras coisas que por lá se vendem achámos que podia ser um programa adequado, embora centros comerciais ao fim de semana não seja bem a nossa praia.

E em boa hora fomos, porque realmente a exposição está muito bem montada, com um stand todo em esferovite para isolar o ruído do centro comercial e fazer parecer que estamos num espaço à parte, e uma selecção de obras (são na realidade litografias, mas com muito bom aspecto) que nos conta uma história sobre “O Mundo Fantástico de Paula Rego”. De tal modo, que agora fiquei com vontade de ler Jane Eyre.

Está até 27 de Setembro e é grátis, por isso se passarem no Colombo não percam.

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Sala de Aula, Série Jane Eyre

 

Sunsets no CCB

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Começou este fim-de-semana no CCB uma das propostas de animação de Verão que nós mais gostamos cá em casa. Os concertos de fim de tarde no Jardim das Oliveiras, sentados na relva, a ver o pôr-do-sol, enquanto ouvimos um jazz ou uma música do mundo a embalar-nos para o começo da noite.

O ano passado acabámos por ir duas vezes, e adorámos as duas. Um ambiente tranquilo e intimista, proximidade com os artistas, nada de enchentes, passam-se uns momentos relaxados que nos descontraem da loucura da semana.

Podem ver a programação aqui, há muita coisa boa por onde escolher.

Férias no Sapal

Preparo este post nas notas do telemóvel à beira da piscina no meio do sapal de Castro Marim. Apesar de ter a aplicação do blog, ainda não me entendo a fazer os posts por lá, nem tive paciência para me dedicar a estudar como é que se faz.  Enquanto escrevo, temo pela saúde do telemóvel por causa de dois miúdos com verdadeiras metralhadoras de água que encetam uma guerra sem quartel à volta da piscina, com um intrincado conjunto de regras que faria inveja a um verdadeiro estratega militar. É refrescante ver miúdos que ainda sabem brincar sem ecrãs, mesmo enquanto eu temo pelo meu.

Vim passar uma semana a Castro Marim, no espírito vá para fora cá dentro que pauta este ano. Trouxe tudo o que preciso. Muitos livros novos no Kindle, dos quais vou ler apenas uma fração, revistas para a praia, que sou demasiado picuinhas para sujeitar o meu Kindle a tão altas temperaturas e perigo de roubos, muito protetor solar e, acima de tudo, muito stress acumulado para deixar na água do mar.

O sítio que descobrimos, o Sobral de Baixo, é uma quinta perdida no meio do sapal, com pequenos apartamentos acolhedores e uma piscina onde apetece estar. Está suficientemente isolado para só se ouvirem os passarinhos, mas perto para só demorarmos 5 minutoss para a praia ou restaurante mais próximos. Ideal para o tipo de férias que gostamos.

Os dias são passados entre caminhadas na praia, a tentar retomar alguma da forma física que o problema de costas me tem retirado. 7 a 8 kms por dia, devagarinho na areia rija. Depois muitos banhos de mar, que lavam a alma e levam consigo más energias e maus pensamentos. As tardes, como esta em que vos escrevo, à beira da piscina, a ver as andorinhas beber água e a ouvir pouco mais que os pássaros. Pelo meio tudo o que apeteça, entre gelados e peixe grelhado e muitos livros.

Quando finalmente puser este texto no blog, já estarei a trabalhar, e este vento que toca nas árvores não é mais que uma recordação, ou talvez nem isso, engolido pelo peso dos dias.

Mas enquanto isso não acontece, vou até ali dar umas braçadas, para aproveitar as tréguas na guerra sem quartel que se desenrola à minha volta.

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Caminhadas na praia
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Tardes de piscina
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Muita leitura
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Passeios no pomar, no meio do sapal
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Praia ao amanhecer
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Praia ao anoitecer
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Próxima paragem: Alentejo!

O Peixinho foi à Feira

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O Peixinho deu um salto à feira do livro depois do trabalho na ideia de dar uma volta descomprometida e tentar atingir a sua meta diária de 10 mil passos. O Peixinho é um incorrigível optimista, pois nenhuma destas coisas foi conseguida.

Esta é supostamente a maior feira de sempre, com inúmeros expositores e mais talhões que no passado. No entanto, os aglomerados editoriais da Porto Editora, Presença, Leya e 20/20 (quem são estes, estou desactualizada! Não encontrei lá nada digno de registo, diga-se), tornam difícil encontrar algo verdadeiramente diferente e original. No entanto deixo aqui a minha penitência pública, porque fui incapaz de resistir a Todas as Palavras de Manuel António de Pina, na Assírio e Alvim, agora detida pela Porto Editora. Estava uma pechincha, em livro do dia, a sorrir para mim e a implorar por um lar. Tive que o trazer.

Mas ainda há pérolas perdidas, na pessoa de pequenas editoras que recuperam autores mais pequenos da nossa história em edições fac-similadas e a preços muito convidativos. Este ano pude desfrutá-los com livros d‘A Bela e o Monstro, na banca da Editorial Planeta, ou na e-Primatur.

E depois, se há coisa que me desgraça é um funcionário simpático que gosta do seu trabalho. Na e-primatur estava calmamente a folhear os livros do Vilhena, pelos quais tenho algum carinho já que me lembram a minha infância. O único senhor da banca estava entretido com um dos seus autores que claramente tinha aparecido de surpresa para ver que destaque estavam a dar aos seus livros, e, muito subtilmente, queria a atenção que a sua posição merecia.

Por mim, óptimo, que eu já tinha esgotado o meu orçamento e não tencionava comprar mais nada. Estava simplesmente deliciada com a qualidade das edições. Assim que o autor deu espaço, o senhor da banca vem ter comigo e diz que não pôde deixar de reparar que eu tinha estado a ver os livros do Vilhena, e começou uma​conversa animada sobre o autor, o plano editorial que têm para as próximas obras, quando é que vão estar em livro do dia com o máximo de desconto. Já adivinharam, vim com o livro que estava em promoção, e ainda trouxe um saquinho com ofertas. Sou uma fácil.

De resto a feira está igual a si própria. Com mais roulottes de comida, mas que me pareceram bem enquadradas no espaço, com muita gente a passear, gente a levar os filhos a ter contato com os livros​, como os meus pais faziam comigo. E claro, passear na feira significa também encontrar amigos por acaso, comer um gelado enquanto nos arrependemos porque assim não podemos folhear os livros que queremos, e todos estes pequenos rituais tornam a experiência mais rica.

A frase do dia veio da boca duma turista brasileira, que gritou para uma amiga que ia mais à frente: “Oh Hilda, vamos embora que já vi que isto são só livros mesmo”!

E agora com licença, que tenho uns poemas para ir ler.

Feira do Livro 2017

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Chegámos àquela altura do ano em que se celebra a grande festa dos livros. Começa já amanhã, dia 1 de Junho, que acumula com o Dia da Criança, desculpa boa para levar lá os petizes, e para todos aqueles que como eu não foram abençoados com essa graça fugirem de lá a sete pés e escolherem outro dia para ir.

Já aqui disse o ano passado que os grandes monopólios editoriais tiraram um bocadinho de glamour à feira. Já não conseguimos encontrar grandes pechinchas, nem fundos de catálogo, apenas os mesmos nomes batidos que encontramos nas livrarias ou nos supermercados, mas mesmo assim a Feira continua a ser uma grande festa e um encontro de gente unida pelo interesse pelos livros e nesse aspecto é uma celebração que se sente no ar.

Como trabalho lá perto gosto de sair dum dia de trabalho e passear por lá a descontrair antes de ir para casa, mesmo que volte de mãos a abanar, ou apenas com algum livro de poesia comprado num alfarrabista.

Este ano espera-se que seja a maior Feira de sempre, com um número record de pavilhões e de expositores. Para não nos perdermos há um mapa aqui, e para podermos escolher cuidadosamente em que dia(s) fazer a visita, podemos consultar o livro do dia aqui

Está quase a começar, e a do Porto virá mais lá para a frente, em Setembro. Não percam, está lá até dia 18.

Fátima e a festa do cinema

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Esta semana que passou viu passar mais uma Festa do Cinema, em que durante 3 dias e por apenas 2.5€ podemos ter acesso a qualquer filme que queiramos ver, apenas pagando mais as taxas de 3D ou VIP, se for aplicável. Nós aproveitámos o último dia, quarta-feira, para celebrar o cinema português e fomos ver o Fátima de João Canijo.

Não podia ser mais apropriado ao mês em que estamos, com as comemorações do centenário das aparições, já que o filme segue o percurso de 11 mulheres que durante 9 dias fazem o percurso mais longo de peregrinação no nosso país, desde Vinhais até Fátima.

No entanto, a religião aqui é um mero pano de fundo do filme, já que a verdadeira história se centra nas relações entre aquelas 11 mulheres numa situação limite, e nas dinâmicas entre elas.

Eu pessoalmente gostei bastante do filme. Houve pormenores bastante bem conseguidos, as actrizes eram genuinamente transmontanas, e os diálogos muito verossímeis. É fácil acreditar que na realidade não houvesse um guião estruturado, e simplesmente indicações e depois lhes dessem rédea livre para improvisar conversas, de tal modo tudo soa natural. E claro, a Rita Blanco é uma belíssima actriz, como já nos tem habituado, mas devo dizer que a achei muito bem acompanhada, e aquelas jovens  não lhe ficaram atrás.

Depois achei a fotografia bastante interessante. Conseguimos apreciar as mudanças geográficas à medida que vamos descendo o país, a paisagem deixa de ser tão bela e dramática, como era em Trás-os-Montes e passa a ser um aglomerado de pinheiro e eucalipto quando entramos nas Beiras, e mesmo pormenores como a quase ausência de trânsito para a opressão constante dos camiões quanto mais nos aproximamos de Fátima, também está muito bem conseguida.

Depois, tendo eu passado por vezes verões inteiros na aldeia da minha avó, consigo ver claramente aquelas interações entre aquelas mulheres como tão possíveis. Aquela intrusão na vida alheia, o “não tenho nada a ver com isso, tu é que sabes, mas se fosse eu” constante.

E mesmo a organizadora da peregrinação está muito bem conseguida. Num dos verões que passei na aldeia, a minha avó quis levar-me a Vigo numa excursão. E eu pensei que seria engraçado passar esse tempo com ela, gostava desses programas que fazíamos só as duas, acabávamos sempre a divertirmo-nos. Bom, a organização era indescritível. O autocarro teria os normais 55 lugares, por aí, e ainda antes do último sítio de recolha de passageiros já ia gente sentada nas escadas de entrada. As últimas pessoas já foram deixadas “em terra”. E depois foi sempre a piorar. Passámos a noite em Vigo, mas o único sítio para dormir era o autocarro, o tempo de visitar a cidade foi entre as 7:30 da manhã e as 8:00, e só havia um motorista que à volta para casa já vinha a dormir a fazer as curvas do Luso. Um pesadelo, mas que faz perceber que há muita verdade na D. Isaura do filme.

Tendo dito tudo isto, aconselho vivamente, mas também aviso que devem ir preparados para um filme que dura cerca de 2:30, porque uma peregrinação nunca é curta.