Revista Nervo

Nervo

Eis que chegou às mãos do Peixinho mais uma revista de Poesia. Felizmente nos últimos tempos parece que finalmente a Poesia deixou de ser um género obscuro e destinado apenas a algumas elites para, graças ao esforço de muitas pessoas que se dedicam a procurar e editar poetas, estar mais acessível ao comum dos mortais.

Já aqui vos tinha falado da Eufeme, a primeira revista que adquiri para o estaminé, que lançou recentemente o seu sétimo número, e acima temos a Nervo, que já vai no seu segundo número, com autores nacionais e estrangeiros.

É uma revista lindíssima, com imenso cuidado visual, que dá gosto folhear e recheada de belos poemas. Recomendo a todos os amantes de poesia e boa literatura em geral. Vão espreitar a página deles aqui.

Boas Leituras!

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Vencedor Man Booker International 2018

Manbooker internacional

No passado dia 22 de Maio foi anunciado o vencedor deste ano do Prémio Man Booker International, para o melhor livro traduzido para inglês em 2017. Esse título coube à polaca Olga Tokarczuk num livro que é sobre viagens no século XXI e gostaria de dizer sobre o que mais, mas o resumo do meu Goodreads está em polaco.

No entanto fiquei com vontade de ler este livro, já que é muito raro eu ficar desiludida com vencedores deste prémio. Fica a sugestão.

Boas leituras!

Feira do Livro 2018

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Começa já amanhã a 88º Feira do Livro de Lisboa, no sítio do costume e dizem que este ano vai estar ainda maior. Ver para crer, como São Tomé, e nem sempre maior tamanho significa maior qualidade ou maior diversidade de escolha, mas isso digo eu que sou uma céptica.

No entanto este ano tenho um dilema acrescido que é, como raio me vou manter fiel ao meu próprio desafio de não comprar livros em 2018, se já as pontas dos dedos me tremem só de pensar em aumentar a minha colecção de poesia. Quer dizer, há que perceber que ainda não tenho nenhum exemplar de Manuel de Freitas, por exemplo.

Infelizmente acho que a solução terá de passar por evitar o local do crime, e nem sequer passar por lá.

Mas, todos vocês, pessoas normais e sem problemas sérios de espaço como este Peixinho de aquário demasiado pequeno para os seus livros, aproveitem a ocasião. É um sítio encantador para passear, e saem de lá com um saco cheio de guloseimas se assim quiserem.

Boas Leituras!

Festival Internacional da Máscara Ibérica

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Já há vários anos que eu queria assistir a este Festival, mas por uma razão ou por outra acabava sempre por falhar a data e por perder o evento. O ano passado, depois de perceber que não só tinha perdido o evento, mas também um concerto de Galandum Galandaima, meti imediatamente um lembrete no meu Google Calendar já para 2018 e esperei ansiosamente um ano pela data correcta.

Foi por isso com alguma antecipação que fui este sábado que passou assistir ao desfile de todos os grupos que vieram à Praça do Império desfilar em quentíssimos fatos de Inverno debaixo do inclemente sol de Primavera com muita animação e energia.

Tínhamos grupos portugueses, espanhóis, irlandeses e um brasileiro, e a temática demoníaca era comum a todos. Eu adoro não só a estética destes carnavais (para mim os únicos que me interessam), como a música de inspiração celta (adoro percussão), por isso para mim foi uma tarde em cheio.

Os meus grupos favoritos acabaram por ser os caretos de Bragança e os de Podence pela festa que trouxeram e pelas “maldades” que fizeram. Qualquer mulher da organização que andasse lá pelo meio não foi poupada, e mesmo uma fotógrafa não se escapou a ser mandada ao chão e andar a rodopiar nas mãos de vários “diabos”. Uma alegria para nós, menos para ela, imagino eu pela cara de pânico da senhora. Os grupos espanhóis também souberam fazer a festa, e foi uma tarde muito bem passada. Deixo-vos com algumas (más) fotos, todas tiradas a contra-luz.

Para o ano por esta altura espero repetir, o desfile e a sidra asturiana que era bem boa. Mais informações aqui.

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Escapadela a Aljezur

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O pónei e o jardim onde passámos muito tempo a ler ao sol.

Estes 3 últimos livros que li (Verdade sobre Animais, Caminho Imperfeito, e biografia de Luiz Pacheco), foram todos “despachados” numa espécie de retiro que fiz com a cara-metade até à zona de Aljezur.

Depois duns últimos meses complicados e trabalhosos, estávamos os dois a precisar de recarregar baterias e nada melhor para isso do que estar num sítio rural e próximo do mar. Já conhecíamos a zona de Aljezur de escapadas anteriores onde ficámos apaixonados pelo local, por isso foi novamente a zona escolhida este ano.

Fizemos tal e qual como no ano passado. Parámos em Porto Covo para almoçar e partir a viagem em dois, e depois fomos até à nossa morada da semana seguinte, um turismo rural rodeado de vaquinhas, rãs e passarada, que tinha também um pónei e uma cadela do mais simpático com que já nos cruzamos. Foram uma bela companhia durante a semana.

Depois dum primeiro dia de chuva intensa, em que aproveitámos para ficar pelo apartamento a pôr a leitura em dia, nos restantes dias apanhámos um sol bonito e não demasiado quente, que nos acompanhou no reencontro de praias já conhecidas (Vale dos Homens) e descoberta de locais novos (Monte Clérigo, Odeceixe, Bordeira). Este pedaço de Algarve é realmente ao nosso jeito, cheio duma beleza selvagem, poucas pessoas, fracas acessibilidades, poucos apoios de praia (e caros), poucas urbanizações (se bem que infelizmente de ano para ano mais).

Descobrimos muita coisa nova, mas ficou muita mais por descobrir, o que é bom pois desejamos voltar em breve. Há qualquer coisa de mágico naquelas ondas embaladas por arribas dramáticas, campo cheio de relas e rapinas mesmo a dois passos do mar. mas não é zona para picuinhices, porque está abençoada por muita bicheza, Abril então é o mês das carraças, o que nos levou a apelidar a cadelita da casa de Carraceda de Anciães. Maravilhosa.

Boas Leituras!

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A comissão de boas vindas ao alojamento.
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Praia da Amoreira, onde se estava lindamente ao sol
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Amanhecer
Luiz Pacheco
A ler no jardim
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Odeceixe
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Roxy, sempre à espera de festas ou comida.
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Tínhamos sempre escolta em todo o lado.

O Fim do Indie

Sleepwalk
Sleepwalk, de Filipe Melo

Na semana que passou terminou o Indie e ainda tive tempo para ir ver mais duas sessões. Curiosamente este ano as três sessões a que fui foram todas de filmes portugueses, o que demonstra a aposta forte do festival neste tipo de programação, e ainda bem.

Mas, começando pelo início como deve ser nestas coisas, quarta feira passada fui assistir a uma sessão de 4 curtas nacionais, essencialmente por culpa do filme acima, Sleepwalk do Filipe Melo, baseado numa história de BD que ele fez para a revista Granta com o também nosso conhecido (de outras aventuras, como o Pizzaboy e Dog Mendonça), Juan Cavia. Feito nos EUA, é uma curta visualmente muito bonita, com uma história simples mas bem conseguida, bons actores, que em 15 minutos consegue passar uma mensagem forte e inteligente tendo uma fatia de tarte de maçã como pano de fundo. Gostei bastante e recomendo que andem atentos para não perder. Podem ver o trailer aqui.

Seguiram-se mais duas curtas (uma felizmente muito curta, porque realmente não era o meu género de cinema) mas que não me animaram. Demasiado esotéricas/experimentalistas para serem apelativas para os meus gostos mais prosaicos.

Mas terminámos com chave de ouro, a curta mais longa, quase 30 minutos, Os Mortos de Gonçalo Robalo, a minha favorita e que acabou por ser a vencedora do prémio do júri. É um filme diferente, e, tendo em conta a minha história recente e sendo o tema os mortos do autor, confesso que ia um bocadinho de pé atrás e disposta a sair da sala se fosse caso disso. No entanto foram mais os momentos de riso descontraído do que os de tristeza. Para mim esta curta representa o verdadeiro espírito dos filmes do Indie, filmes completamente diferentes daqueles que encontramos nas salas normais, recheados de clichés e super heróis, filmados de modos não convencionais, mas que nos apresentam uma reflexão sobre a vida (neste caso a morte), e nos fazem pensar de modo descontraído e descomprometido, unindo uma plateia de espectadores em torno dum tema comum. Gostei mesmo muito, e recomendo a todos que vejam, se conseguirem, que já se sabe que é dificílimo ver cinema português. Podem ver o trailer aqui.

Terminei o meu périplo pelo festival no Sábado com mais um documentário, este realizado pelo Edgar Pêra e sobre um poeta, Alberto Pimenta. Com direito à presença dos dois na sala, e devida introdução ao que íamos ver, o que sempre dá outro sabor a estas sessões. Gostei também bastante deste filme, e fez-me pensar que realmente a poesia tem vindo a conquistar alguma visibilidade recentemente, quando já há sala cheia para se ver um documentário sobre a vida dum poeta. Claro que Alberto Pimenta é um homem especial, transgressivo, que vai muito para além dum poeta convencional, e isso mesmo pode ver-se neste filme.

Portanto, a avaliar por esta pequena amostra, o cinema independente português vai de boa saúde e recomenda-se, as salas enchem-se quando a programação é boa, e eu acho que fiz definitivamente as pazes com o Festival IndieLisboa.

Para o ano há mais.

IndieLisboa 2018

Cutileiro

Comecei a frequentar o Indielisboa para aí na sua segunda ou terceira edição, já lá vão muitos anos. Nessa altura via imensas sessões, chegava a ver 3 por dia, e saltitava de cinema em cinema (quando deixou de se centrar só na Culturgest), e via coisa indescritíveis como uma sessão de curtas alemãs no finado cinema Londres sem conseguir ver as legendas. Foram quase 3 horas de puro sofrimento.

Vi filmes maravilhosos, outros que nem tanto. Apenas saí da sala uma vez, e mesmo assim só depois de mais de metade da sala ter saído antes de mim. Mas confesso que andava zangada com o indie há já alguns anos. Já não me lembro o último ano que fui, mas lembro-me o último (e penoso) filme que vi, O Sabor do Leite Creme, um filme português que acompanha o dia-a-dia de duas irmãs nonagenárias onde nada mais se passa para além de apanhar sol no jardim de sua casa, fazer crochet, e mexer leite-creme com uma colher de metal num tacho de metal. Durante minutos sem fim aquela alma raspou uma colher de sopa num tacho de metal, e eu estava sentada no meio duma fila, numa sala cheia de gente e tive pudor de incomodar e sair. Mas temi que os ouvidos me sangrassem de dor.

Deve ter sido isto há cerca de 5 anos, e finalmente este ano senti-me suficientemente recuperada para tentar de novo. E ontem lá fomos à aventura, ver um documentário chamado “A Pedra Não Espera” sobre o João Cutileiro, extremamente bem feito, em estreia mundial, com direito a presença do próprio e tudo. Um documentário que nos mostra algumas peças importantes na obra do escultor para ilustrar a sua importância na arte nacional, com imagens de arquivo, entrevistas, maquetas e também poesia.

Tivémos direito a uma pequena introdução feita pela realizadora, e são estes pequenos mimos que tornam o Indie tão especial.

Gostei muito, infelizmente foi sessão única no Indie, mas de certeza que aparecerá em breve, até porque foi feito para uma exposição a realizar em Évora este ano com obras do escultor. Ainda tenho mais algumas sessões na manga, depois darei conta aqui. Até lá vejam a programação aqui.

Indie
A conversa inicial, lá ao fundo. 

Man Booker International 2018

Manbooker 2018

 

No passado dia 12 de Abril, quinta feira, foi anunciada a lista de finalista ao prémio Man Booker International, ou seja livros que foram traduzidos para o inglês. De todos eles apenas conheço o da francesa Virginie Despentes, mas gostei bastante e falei dele aqui no blog.

Os outros serão, como é hábito, uma boa sugestão de livros a conhecer, podem saber a lista toda no site oficial aqui.

Boas Leituras!

Actores no São Luiz

actores

Na quarta-feira passada o Peixinho foi fazer uma coisa que lhe dá imenso prazer e que já não fazia há algum tempo, que é ir ao Teatro. Fomos até ao São Luiz onde, até 28 de Janeiro, está a peça Actores de Marco Martins, com Nuno Lopes, Bruno Nogueira, Miguel Guilherme, Rita Cabaço e Carolina Amaral.

Não sei se ainda irão a tempo de comprar bilhetes porque com tanta gente conhecida aquilo tem estado com muitas lotações esgotadas, mas eu aconselho vivamente a que tentem ir. Achei a peça mesmo muito boa, e as actrizes que eu ainda não conhecia foram uma agradável surpresa. A Rita Cabaço principalmente é um portento de energia e talento. Andarei atenta no futuro para apanhar mais coisas com ela.

Mas esta peça é um trabalho conjunto do encenador e dos actores (Carolina Amaral está ali em substituição de Luísa Cruz, por isso as histórias originais são dela, mas até isso foi bem integrado no espectáculo) e é uma reflexão sobre o que é ser actor, a relação com o trabalho preparatório, os ensaios, os encenadores, a vida pessoal e o público, que pode ser por vezes intrusivo, insensível, ou a melhor coisa do mundo.

Feito a partir das histórias pessoais dos actores em cena, e de espectáculos em que participaram, esta é uma peça desconstruída, onde somos espectadores duma máquina do tempo através das suas vidas, principalmente dos tempos em que passaram dificuldades.

É um espectáculo experimental, diferente, e muito português, mas ao mesmo tempo urbano e moderno. Vão ver, de mente aberta e à espera de ser desafiados, que não se irão arrepender.

Desafio Man Booker 50

Man booker

Este ano é atribuido o quinquagésimo prémio Man Booker de ficção e a organização resolveu celebrar em grande oferecendo a um felizardo a oportunidade de participar no seu evento de Julho. Para isso só temos de ler o maior número de vencedores que conseguirmos e documentarmos no Instagram com o hashtag #Manbooker50 no post oficial. Parece fácil, e sobretudo uma oportunidade de lermos bons títulos de qualidade certificada.

Já sabem que o Peixinho não é muito dado a estes desafios, é demasiado rebelde para se conformar a ler por uma lista, mas ainda assim é uma lista de referência que vou aqui partilhar para a ela voltar sempre que me faltar inspiração para um bom livro. Em português, sempre que exista.

Até à data já li os anos de 1981, 1992, 1999, 2002 e 2013 e vejo alguns que não me apanhavam a ler nem que mos oferecessem (como o vencedor do ano passado), mas há aqui muita margem de escolha e se tiver tempo no meio dos que tenho na calha, ainda pego no da Margaret Atwood.

Boas Leituras!

2017Lincoln no Bardo de George Saunders

2016O Vendido de Paul Beatty

2015Breve História de Sete Assassinatos de Marlon James

2014A Senda Estreita para o Norte Profundo de Richard Flanagan

2013Os Luminares de Eleanor Catton

2012O Livro Negro de Hillary Mantel

2011O Sentido do Fim de Julian Barnes

2010A Questão Finkler de Howard Jacobson

2009Wolf Hall de Hillary Mantel

2008O Tigre Branco de Aravind Adiga

2007Corpo Presente de Anne Enright

2006A Herança do Vazio de Kiran Desai

2005O Mar de John Banville

2004A Linha da Beleza de Alan Hollinghurst

2003Vernon Little: O Bode Expiatório de D. B. C. Pierre

2002A Vida de Pi de Yann Martel

2001A Verdadeira História do Bando de Ned Kelly de Peter Carey

2000O Assassino Cego de Margaret Atwood

1999Desgraça de J. M. Coetzee

1998Amesterdão de Ian McEwan

1997O Deus das Pequenas Coisas de Arundhati Roy

1996Últimas Vontades de Graham Swift

1995The Ghost Road de Pat Barker

1994How Late it Was, How Late de James Kelman

1993Paddy Clarke Ha Ha Ha de Roddy Doyle

1992O Paciente Inglês de Michael Ondaatje

1991The Famished Road de Ben Okri

1990Possessão de A. S. Byatt

1989Os Despojos do Dia de Kazuo Ishiguro

1988Oscar e Lucinda de Peter Carey

1987Anel de Areia de Penelope Lively

1986Os Velhos Diabos de Kingsley Amis

1985The Bone People de Keri Hulme

1984Hotel du Lac de Anita Brookner

1983A Vida e o Tempo de Michael K de J. M. Coetzee

1982A Lista de Schindler de Thomas Keneally

1981Os Filhos da Meia Noite de Salman Rushdie

1980Ritos de Passagem de William Golding

1979Correntezas de Penelope Fitzgerald

1978O Mar, o Mar de Iris Murdoch

1977Staying On de Paul Scott

1976Saville de David Storey

1975Heat and Dust de Ruth Prawer Jhabvala

1974O Conservador de Nadine Gordimer

1973O Cerco de Krishnapur de J. G. Farrel

1972G. de John Berger

1971Num País Livre de V. S. Naipaul

1970The Elected Member de Bernice Reubens

1969Something to Answer For de P.H.Newby