Livros que Recomendo – Persepolis

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Nas passadas semanas tenho vindo aqui recomendar livros que me marcaram ou que acho importantes de algum modo. Até agora (e já passaram 5 títulos) ainda não tinha entrado no território das novelas gráficas, ou banda desenhada como são mais conhecidas, mas já não era sem tempo. Muita gente pode pensar que apenas se falam de heróis da Marvel, histórias fantásticas e sobrenaturais, ou coisas da Disney e afins. No entanto as novelas gráficas são um meio como outro qualquer para se falar de coisas muito sérias, e por vezes produzem-se livros com uma qualidade fenomenal, como este que vos apresento hoje.

Persepolis veio até mim primeiro na versão filme (animado também, pois claro), mas assim que tive a oportunidade (graças à biblioteca que gentilmente a minha empresa disponibiliza) agarrei a versão livro e fiquei deslumbrada. Esta é uma auto biografia da autora que cresceu no Irão na altura em que este se transformava politica e religiosamente, e que mais tarde veio para a Europa terminar os seus estudos. Mostra-nos a dificuldade de crescer num sítio onde a realidade dentro de portas contrasta largamente com a que se tem na rua, como é ter-se uma opinião num sítio onde isso é potencialmente perigoso, mas que nunca deixa de lado o bom humor.

Todo o livro (e o filme) é a preto e branco, com um traço forte, mediterrânico, e foi daqueles livros que eu li, partilhei e tenho vindo a aconselhar a plenos pulmões desde que me cruzei com ele. Recomendo a todas as pessoas, de todas as idades, pois é uma maneira muito oportuna de descobrirmos um pouco da história duma zona do mundo que por vezes nos é tão desconhecida. Deixo-vos algumas vinhetas, muito exemplificativas.

Persepolis 1

Persepolis 2

Eu e os Clubes de Leitura

Garfield

No que toca a livros que vou ler a seguir eu sou o que se pode chamar um espírito livre. Tenho uma lista de livros que gostaria de ler, uma série de livros em espera, mas na realidade tudo vai depender do que me apetece (ou não) em determinado momento. O meu lema hoje em dia é que a vida é demasiado curta para se fazer fretes numa actividade de lazer.

Por isso também não me apela juntar-me a nenhum Book Club. Já tentei no passado, mas a obrigatoriedade de ter o livro X lido até determinada data para depois o discutir com outras pessoas, simplesmente não é para mim.

É claro que estou potencialmente a perder sugestões de livros bons, e sobretudo discussões interessantes, pontos de vista diferentes, e olhares sobre os livros que iriam revelar coisas que eu não consegui ver, mas encontrarei isso noutras fontes.

Como por exemplo os blogs que vou seguindo por aqui. São sempre uma fonte de inspiração.

Boas Leituras.

Traço de Giz

traço de giz

Por nenhuma razão em especial, o Verão é para mim tempo por excelência para ir pondo a minha leitura de novelas gráficas em dia. Talvez porque apetece menos ficar em frente à televisão embrulhada em cobertores, e mais a ler na varanda, ou porque apetecem coisas coloridas, o certo é que nesta altura dou um despacho às minhas BD’s que foram acumulando na estante.

Há umas semanas (meses?) atrás o Público lançou este pequeno livro de Miguelanxo Prado na sua colecção de novelas gráficas, e como sou grande fã deste autor não perdi a oportunidade de aumentar a minha colecção de títulos que possuo. E ainda bem. Bastante diferente do seu registo satírico e de crítica social a que nos habituou, Miguelanxo quis aqui fazer uma homenagem a Hugo Pratt escrevendo uma história em que o mar é personagem principal.

Este traço de giz que se fala é uma pequena ilha perdida no Atlântico, com um farol desactivado e uma população de 2 pessoas, mãe e filho. São as outras personagens que vão e vêm nos barcos que ancoram num pontão demasiado grande, cíclica e hipnoticamente que vão imprimir o ritmo estranho e por vezes claustrofóbico à narrativa.

Vale pela história, simples mas eficaz, mas sobretudo pela mestria das ilustrações, duma beleza e suavidade absolutamente únicas. Aconselho a todos os que gostam de BD, de histórias de amor, de histórias com algum mistério associado.

Goodreads review

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Eu, Assassino

Eu, Assassino

 

O Peixinho resolveu começar uma maratona de BD para finalmente ler alguns livros que já estão cá em casa há algum tempo à espera de atenção, e resolvi começar pelo mais negro de todos, Eu, Assassino, de Antonio Altarriba com desenhos de Keko.

Este livro segue um assassino em série que é simultaneamente um professor catedrático de história da arte numa universidade basca, em crise de meia idade.

O livro é muito violento e cru, as ilustrações em negro com pinceladas vermelhas ajudam a criar o ambiente opressivo que vai em crescendo até ao final. A história deste assassino nada mais é que um pano de fundo para nos fazer reflectir sobre alguns temas mais profundos, como a arte e tudo o que gira à sua volta, o mundo universitário com as suas bolsas e políticas associadas, as feridas que ficam num país que foi assolado por uma ditadura, uma guerra civil e atentados terroristas. Tudo isto faz com que a leitura deste livro se faça num ápice.

Fiquei com vontade de conhecer mais deste artista e recomendo a todos que gostem de novelas gráficas e não se impressionem facilmente.

Goodreads review

Na era da informação, existir implica gerar dados… A notoriedade cria-nos… Dir-se-ia que a privacidade, longe de reforçar a identidade, a bloqueia. Já não importa que nos conheçamos a nós próprios, mas sim que os outros nos conheçam… Quantos mais melhor, e não quanto mais melhor. Ser, depende do outro e só somos o que o outro quer que sejamos.

Oportunidades

Oportunidades

O Peixinho já estava com dificuldades em navegar no seu aquário, o que em linguagem literária significa que já não temos espaço nas prateleiras. Na realidade, já temos filas duplas, livros por cima, no topo da estante e espalhados pela casa (e na casa dos pais). Ora, está na altura de pôr ordem nisto e ficar apenas com os livros que queremos mesmo, ou que eventualmente um dia gostariamos de reler.

Ao mesmo tempo que já libertámos alguns dos nossos livros em mini-bibliotecas por aí, outros estamos a vender. Podem vê-los aqui, e por enquanto é uma lista pequena (sim, tenho alguns problemas em separar-me de livros), mas de certeza que vai continuar a crescer. Mas vamos por partes:

Eu Assassino. de António Altarriba: uma BD maravilhosa, com uma qualidade visual muito bem conseguida. Temos dois exemplares, por isso estamos a vender um deles, novo.

2666, Roberto Bolano: um livro delicioso, mas que felizmente já temos em Kindle, por isso podemos libertar para outras casas. Em inglês.

V, Thomas Pynchon: a mesma coisa que o anterior. Já o temos na versão kindle, por isso podemos passá-lo a alguém. Também em inglês.

All the Countries We’ve Ever Invaded, Stuart Laycock

Raspberry Pi, a Practical Guide: acho que não preciso dizer que este era do outro peixe cá de casa.

Colecção Adam, BD: Comprei alguns volumes destes comics até perceber que realmente não posso comprar todas as BDs que gosto sob pena de não conseguir entrar em casa um dia. Espero que possa fazer alguém sorrir.

Os Vampiros de Filipe Melo

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Depois de ter lido toda a série do Dog Mendonça e Pizza Boy estava ansiosa por ler o novo e radicalmente diferente livro da dupla Filipe Melo/Juan Cavia. O Peixinho Vermelho ofereceu-mo como prenda de Natal e leu-o vorazmente nessa mesma noite, mas eu tinha estado a guardá-lo para um dia em que estivesse mesmo com disposição para uma boa novela gráfica.

O livro impressiona. Desde a qualidade do papel, às cores, à qualidade do desenho, passando pelo argumento, que rivaliza com qualquer BD internacional, mas é cravado na nossa história não tão distante e tantas vezes escondida debaixo do tapete.

Diz a sinopse que a trama se passa na Guiné em 1972, onde seguimos um grupo de soldados portugueses destacados para uma missão no Senegal. À medida que se vão embrenhando na selva estes homens terão de lidar com sucessivos demónios – os da guerra e os que trouxeram consigo.

As cores imprimem o quente da Guiné, o sufoco da guerra colonial e o ritmo do argumento é o exacto para nos embrenhar na história e ficarmos ansiosos e expectantes com cada frame. O final, quanto a mim, é um pouquinho mal resolvido, mas não deixa de ser forte mesmo assim.

Gostei muito do livro e do tema que explora, já que, ao contrário dos americanos por exemplo, nós parecemos muito pouco em paz com os tempos da guerra colonial e temos muita dificuldade em falar sobre esse assunto enquanto nação.

Por outro lado, li este livro enquanto faço uma pausa no Miss Burma, uma visão da independência da Birmânia pelos olhos duma das suas minorias étnicas, e o que é incrível é perceber que na realidade a guerra é semelhante em todo o lado, afecta homens e mulheres sempre do mesmo modo e desumaniza-nos sempre da mesma maneira independentemente da nacionalidade ou da parte do mundo em que vivemos.

A capacidade humana para causar sofrimento nunca deixa de me impressionar, a guerra é apenas a sua face mais visível. Na realidade em qualquer caixa de comentários duma rede social temos um pequeno vislumbre destes ímpetos.

Recomendo a todos os amantes de BD, da nossa história e de uma história bem contada.

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Sonhos no Publico

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Já referi várias vezes este ano que estou a reler a colecção do Sandman do Neil Gaiman, graças a uma amiga que a está a reconstruir na versão original. Tem sido um processo saboreado e que me tem transportado a um passado não muito longinquo onde a vida era possibilidades e promessas.

A partir de hoje e durante 11 semanas o Publico oferece-nos a possibilidade de ter esta colecção nas nossas casas, versão portuguesa. Tivesse eu mais espaço em casa para uma biblioteca como deve ser e não hesitava.

Boas leituras.

 

O último Pizzaboy

Dog Mendonça

Na realidade o último Pizzaboy é quase exclusivamente sobre o nosso amigo lobisomem Dog Mendonça. Posso agradecer aos passatempos da TimeOut o facto de poder ter lido este livro, porque apesar de ter comprado todos os outros volumes da colecção ainda não me tinha decidido a comprar este. Mas assim que a oportunidade apareceu agarrei-a e fui uma das contempladas. Já tinha falado desta série aqui.

Este livro tem 4 episódios e não uma única narrativa central como os outros, uma vez que tinha sido uma encomenda da editora americana Dark Horse para uma colectânea de vários autores. Talvez por isso se note que não há a mesma força das histórias mirabolantes dos outros volumes. No entanto, a qualidade gráfica continua a ser deslumbrante (e a justificar em pleno o convite da Dark Horse), e a cumplicidade entre os personagens é deliciosa. O sentido de humor que salta de cada página é também o que já nos foi acostumando desde sempre.

Aconselho também lerem esta review de quem segue BD mais que eu, a Cristina do blog Rascunhos.

Aconselho a quem gosta de BD, de bons livros, e de fantasia.

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