Palavra do Dia – Vida

vida

Se AMOR é uma palavra muito comum em títulos de livros, VIDA não lhe fica atrás com certeza. De certeza que todos nos conseguimos lembrar de vários livros que têm esta palavra no título. No entanto ela é mais enigmática, e não nos indica logo sobre o que será a história. Deixo-vos abaixo com 10 exemplos de títulos bem conhecidos. Não incluí nenhum livro que fosse uma biografia, ou auto-ajuda, apenas por critério editorial.

Que mais livros se conseguem lembrar com a palavra VIDA? E qual foi um pecado eu ter-me esquecido?

Walden ou a Vida nos Bosques – Henry David Thoureaux

Walden

Eliete, a Vida Normal – Dulce Maria Cardoso

eliete

A Vida em Surdina – David Lodge

a vida em surdina

A Vida Não É Aqui – Milan Kundera

a vida nao e aqui

A Vida e Opiniões de Tristram Shandy – Laurence Sterne

tristram shandy

Retalhos da Vida de Um Médico – Fernando Namora

retalhos da vida de um medico

Um Sopro de Vida – Clarice Lispector

um sopro de vida

Pequenas Misérias da Vida Conjugal – Honoré de Balzac

as pequenas miserias da vida conjugal

A Vida de Pi – Yann Martel

a-vida-de-pi

A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao – Junot Díaz

oscar Wao

Advertência

a m pires cabral

Nas laudas que aí ficam muito me esforcei,
senhores, por dar caça aos adjectivos
que tanto vos molestam.

Mas nem tudo correu bem.
Houve uns quantos que se barricaram
e ergueram cartazes e gritaram com ira
uma palavra de ordem:

– O sal da poesia somos nós!

Achei graça –
dizerem que são eles o sal da poesia,
quando nem sequer o colorau.

Mas, enfim, enterneceu-me
tanto arreganho, tanto apego
às tetas da musa –
e não tive coragem para os expulsar.

Espero que não pesem, senhores, demasiado
na melindrosa balança de vossas senhorias.

A. M. Pires Cabral in Frentes de fogo

Livros que Recomendo – As Dez Figuras Negras

10 figuras negras

Agatha Christie é um valor seguro em termos de livros, e providencia-nos sempre com algumas horas de entretenimento, e este livro que recomendo hoje é capaz de ser um dos que gosto mais. Começo por dizer que, pasme-se, não é do Poirot. Na realidade nenhum dos personagens mais conhecidos de Christie aparece neste livro, mas isso não o diminui em nada.

10 pessoas que não se conhecem entre sim são convidadas para um fim-de-semana numa pequena ilha privada na costa de Devon. O seu anfitrião é um milionário excêntrico, mas que na realidade não comparece ao seu próprio evento. E é neste contexto que as mortes começam a acontecer, de acordo com uma rima infantil que se encontra espalhada por toda a propriedade. A rima fala de 10 little niggers, e cada personagem vai morrer do modo lá descrito. Ao mesmo tempo vão desaparecendo uma a uma as pequenas figuras negras que se encontram na casa.

Foi esta rima infantil que deu o nome original ao livro, 10 Little Niggers. O nome foi entretanto adaptado para 10 Little Indians, e mais tarde para And Then There Were None, que corresponde ao verso final do poema. Em português temos uma versão intermédia e que foge um bocadinho ao conceito original, que é este de As Dez Figuras Negras.

O clima de tensão que vai crescendo ao longo do livro é muito bom, e todo o ambiente descrito até à conclusão final é muito envolvente e este é daqueles livros que não conseguimos largar até saber como acaba. Um belo exemplar de literatura de mistério, que a própria autora considerava uma das suas melhores obras.

Recomendo para todos os amantes de mistério e livros bem escritos, que nos fazem passar um bom bocado.

Boas Leituras!

Ten little boys went out to dine;
One choked his little self and then there were nine.

Nine little boys sat up very late;
One overslept himself and then there were eight.

Eight little boys traveling in Devon;
One said he’d stay there then there were seven.

Seven little boys chopping up sticks;
One chopped himself in half and then there were six.

Six little boys playing with a hive;
A bumblebee stung one and then there were five.

Five little boys going in for law;
One got in Chancery and then there were four.

Four little boys going out to sea;
A red herring swallowed one and then there were three.

Three little boys walking in the zoo;
A big bear hugged one and then there were two.

Two little boys sitting in the sun;
One got frizzled up and then there was one.

One little boy left all alone;
He went out and hanged himself and then there were none.

Livros que Quero Ler – Dune

Dune

Dune foi um dos primeiros livros a habitar o meu Kindle, nos idos de 2012. No entanto parece que nunca arranjo vontade de atacar as suas cerca de 600 páginas, e não faço ideia porquê. Não é certamente pelo tamanho, porque li entretanto livros bem maiores, como o Game of Thrones, nem é pela temática, porque li imensa ficção cientifica, como a série Hyperion do Dan Simmons. 

Talvez seja por não conseguir deixar de ver o filme na minha cabeça e achar que vou saber a história toda, no entanto o mesmo argumento não me tem impedido de ler todos os Poirots. 

Este ano vai sair um remake do filme de 1984 David Lynch, que estou moderamente curiosa para ver, e o outro leitor aqui de casa finalmente pegou no livro também. Pegou e nunca mais parou, leu os seis livros da série de seguida e agora não pára de me dizer que eu tenho que ler também. 

Dune é sobejamente conhecido, mas para os mais distraídos é a história de Paul Atreides, um rapaz duma família nobre que tem de encetar uma viagem para o planeta mais perigoso em busca da especiaria que é necessária para viajar, e para aumentar quer o tempo de vida que a consciência humana. É aqui que Paul Atreides vai encontrar o seu destino e transformar-se numa lenda. Como em todos os (bons) livros de ficção cientifica há muito mais para além do que se vê à superfície. Aqui reflecte-se sobre ecologia, espiritualidade, poder e jogos políticos e este livro de 1965 está na base de muitos que se lhe seguiram. 

Ainda não me sinto com cabeça suficiente para pegar numa série tão complexa, mas sinto que num futuro muito próximo vou ter que lhe dar uma oportunidade. 

Até lá, boas leituras!

I will not fear.
Fear is the mind-killer.
I will face my fear.
I will let it pass through me.
When the fear has gone,
there shall be nothing.
Only I will remain.

Encantar-te-ás com os poetas até conheceres um

peixoto

Encantar-te-ás com os poetas até conheceres um.
Com calças de poeta, camisa de poeta e casaco
de poeta, os poetas dirigem-se ao supermercado.

As pessoas que estão sozinhas telefonam muitas vezes,
por isso, os poetas telefonam muitas vezes. Querem
falar de artigos de jornal, de fotografias ou de postais.

Nunca dês demasiado a um poeta, arrepender-te-ás.
São sempre os últimos a encontrar estacionamento
para o carro, mas quando chove não se molham,

passam entre as gotas de chuva. Não por serem
mágicos, ou serem magros, mas por serem parvos.
A falta de sentido prático dos poetas não tem graça.

José Luís Peixoto, in Gaveta de Papéis 

Livros que Recomendo – Uma Abelha na Chuva

abelha na chuva

Há alguns anos vi um programa na RTP2 chamado Grandes Livros sobre Uma Abelha na Chuva, e fiquei cheia de vontade de ler o livro. Se bem o pensei, melhor o fiz, e peguei logo nele.

Este é mais um daqueles livros que retratam a época em que foram escritos, neste caso 1953, estávamos ainda muito longe de vislumbrar a democracia, e o Portugal rural era ainda muito pouco desenvolvido, e vivia atolado em pobreza e em ideias antiquadas. Este é o pano de fundo deste livro, que nos fala de natureza humana, de vários tipos de amor (e desamores), de casais mantidos por conveniência e pessoas que se juntam por amor, e como uns e outros enfrentam dificuldades e maledicências.

Carlos de Oliveira escreve aqui uma bela obra do neorealismo português, que pretende mostrar a realidade na esperança de a conseguir mudar. No final deste livro mostra-se a esperança que a morte duma abelha pode fazer a colmeia revoltar-se, no entanto basta uma palavra para a ordem natural das coisas se restabelecer. Na realidade haveria de correr ainda bastante tempo até que a nossa própria colmeia se libertasse do seu opressor.  Aconselho muito este livro a todos aqueles que gostam de literatura portuguesa, bons livros que nos enriquecem, e histórias de amor e desamor. Se optarem pelo caminho mais rápido, vejam o programa aqui.

Boas Leituras!

Palavra do Dia – Amor

amor

Há palavras que se repetem muitas vezes nos títulos dos livros que lemos e que quase definem sobre o que vamos ler. Não conheço estudos oficiais, nem os vou fazer, mas creio que AMOR é uma das mais comuns. Excluindo romances, que raramente leio e conheço pouco, mostro abaixo 10 livros muito conhecidos que têm AMOR no título.

Quantos já leram? Qual é que eu não inclui e que é imperdoável?

Boas Leituras!

Amor de Perdição, Camilo Castelo Branco

amor de perdicao

O Amor nos Tempos de Cólera, Gabriel Garcia Márquez

amor nos tempos de colera

De Amor e de Sombra, Isabel Allende

de amor e de sombra

O Velho que Lia Romances de Amor, Luis Sepúlveda

luis sepulveda

Todos os Poemas São de Amor, Manuel Alegre

todos os poemas sao de amor

Uma Espia na Casa do Amor, Anais Nin

uma espia na casa do amor

O Amor É Fodido, Miguel Esteves Cardoso

o amor e fodido

O Amor, Marguerite Duras

o amor

Sputnik, Meu Amor, Haruki Murakami

sputnik meu amor

Primeiro Amor, Ultimos Ritos, Ian McEwan

primeiro amor ultimos ritos

Acabei de Ler – A Virgem e o Libertino

man with a maid

Começo por fazer o disclaimer que The Way of a Man With a Maid não tem nada a ver com empregadas domésticas. Maid aqui vem de maidenhead, o termo que se usava para virgindade nos idos 1885, ano de publicação deste livro. Pode parecer óbvio, mas passei metade do livro à espera de perceber o que tinha a ver com criadas, não é só vantagens ler em inglês.

Jack é um jovem do final do século XIX que foi recusado por uma bela rapariga, Alice, e que está obcecado em fazê-la pagar por isso. Quando arrenda uma nova casa percebe que esta era parte dum antigo hospício e vem com uma sala especial (a que chama The Snuggery) cheia de cordas, alavancas, mobiliário com algemas, e percebe que a sua vingança será tirar a virgindade de Alice contra a sua vontade.

Estes romances eróticos da era vitoriana (ou eduardiana como este) são muito engraçados e devem ser lidos à luz da altura. Por um lado o consentimento é uma coisa pouco importante, as idades dos participantes também, mas por outro lado são muito mais livres do que os livros pseudoeróticos dos nossos tempos. Aqui encontramos pessoas a explorar a sua sexualidade do modo que querem e acham relevante, sem termos a parte romântica de happily ever after associada.

Mas depois de um começo com algum interesse este livro tornou-se monótono e repetitivo. A vingança sobre Alice teve piada, e eles tornaram-se amigos, mas depois resolveram repetir a experiência com a criada da Alice, com a melhor amiga da Alice, e com uma mãe e filha que não eram as pessoas mais simpáticas para este “casal”. Esta última parte não posso dizer que tenha lido, limitei-me a passar os olhos pelas páginas para confirmar que nada de novo estava a acontecer.

Como quase sempre acontece nestes livros, não temos conclusão nenhuma, ninguém casou com ninguém, não nos foi dito o que se passa com o futuro de cada personagem porque isso é o de menos importância em toda esta jornada.

Recomendo a quem goste de literatura erótica de época e tenha presente que muitas coisas eram diferentes.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Livros que Recomendo – Zeitoun

zeitoun

Em Agosto de 2005 o furacão Katrina desolou a cidade de Nova Orleães, e criou destruição por onde passou. Abdulrahman e Kathy Zeitoun são um casal que tem um pequeno negócio de construção civil. Kathy foge da cidade com os filhos, em procura dum local seguro para ficarem a salvo do furacão, e Abdul fica para trás para pôr os seus instrumentos de trabalho a salvo e tentar salvar a casa de família.

Depois da devastação, Abdul fica pela vizinhança a ajudar idosos presos nas suas casas, cães abandonados, e a dar uma mãozinha por onde pode. Até que chega o exército americano para pôr as coisas nos eixos, e a vida de Zeitoun muda radicalmente.

Zeitoun é um livro complicado de ler, quase um manual de más práticas governativas, ou como não gerir um desastre. Para nós que vimos de fora, tivémos uma ideia de quão mau foi, mas não a extensão de todas as dificuldades que aquelas pessoas passaram. Um bom livro para nos ajudar a reflectir sobre o que significa exactamente ser um país desenvolvido, sobre o que significa proteger os cidadãos de ameaças reais versus ameaças fabricadas, e sobre o que queremos realmente para a nossa sociedade.

Recomendo a todos os que gostam de livros de não-ficção que nos fazem pensar, mas que estão tão bem escritos como qualquer livro de ficção.

Boas Leituras.