Dias da Música 2017

Dias da Musica 2017

No próximo dia 29 começa mais uma edição dos Dias da Música em Belém no CCB, evento a que eu gosto muito de assistir, este ano sob o tema “As Letras da Música”, tema bastante literário é que tem muito a ver com o Peixinho.

Olhando para o programa consigo ver já imensos concertos aos quais gostava de assistir, até porque o ambiente no CCB durante estes dias é muito descontraído e contagiante, mas ainda não sei se vou conseguir ir este ano, que tem sido um bocadinho conturbado.

No entanto deixo-vos algumas ideias de coisas que se eu pudesse não perderia com certeza:

Sexta, 28 de Abril às 21:00 – JP Simões: Buarque, Bloom e Outras Canções (A2)

Sábado, 29 de Abril às 14:00 – Orquestra Sinfónica Ensemble: Sedução e Amores Proibidos (B2)

Domingo, 30 de Abril às 13:00 – DSCH – Schostakovich Ensemble: O Carnaval dos Animais (C10)

Espero que gostem.

Mitos do Norte

Norse Mythology

American Gods é uma série que está mesmo quase a estrear (dizem que dia 30 de Abril num canal de cabo americano), e só isso já seria razão suficiente para pegar num livro do Neil Gaiman (outro, para além do Sandman que tenho andado a ler por aqui). Claro que a escolha óbvia seria o homónimo, mas não consegui resistir a este Norse Mythology, acabadinho de sair, que ainda por cima vem complementar lindamente a outra série que ando a acompanhar, Vikings.

Foi por essa razão que os nomes dos deuses e deusas estavam frescos na minha memória, e isso ajudou muito a relacionar as histórias e os mitos. A mitologia nórdica, apesar de grandemente perdida no tempo, é muito rica em personagens e histórias, e talvez seja essa a razão que me levou a achar este um dos livros mais fracos do autor. Normalmente, ele costuma deslumbrar-nos com a riqueza das suas personagens, o envolvimento das suas narrativas, ao ponto de nos sentirmos parte do mundo fantástico que ele criou para nós em cada livro. Neste o começo foi um pouco confuso, como se o autor tivesse de condensar muita informação logo de início para conseguirmos abarcar o mundo todo, mas à medida que íamos progredindo nos contos, o génio contador de histórias de Neil Gaiman ia vindo progressivamente ao de cima. No entanto, nunca me consegui sentir verdadeiramente envolvida no mundo e nas descrições, sempre me senti como se fossem apenas contos avulsos, mal ataviados uns aos outros, sem continuidade, sem aquela sensação de saga que eu estava à espera.

No final de tudo, o meu conto preferido foi o Ragnarok, ou a descrição do final dos tempos e o seu renascimento, que é suposto encher-nos de temos e esperança ao mesmo tempo, e que deixa no ar a questão se já terá ou não sucedido com o final da era desses personagens distantes.

Ler este livro despertou-me a vontade de voltar a ouvir os velhinhos Amorphis, uma banda finlandesa cujos primeiros álbuns eram inspirados na Kalevala, um poema épico finlandês fundamental no desenvolvimento da identidade deste povo, pleno de histórias, mitologia e sagas. Um cheirinho aqui.

E pronto, a caminho do próximo livro, que espero me entusiasme mais.

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Bookcrossing e Cabify

Cabify

Se há coisa que o Peixinho gosta são ideias novas de partilhar livros. O Bookcrossing não é de todo uma ideia nova, o conceito original já existe desde 2001, mas desde aí já muitas variações foram sendo criadas.

Há uns tempos falei aqui de várias bibliotecas de partilha de livros que existem um pouco por toda a Lisboa e ainda há pouco tempo libertei um livro numa aqui perto de casa.

Ora, de dia 23 a 28 a Cabify e a Saida de Emergência juntaram-se para fazer uma iniciativa semelhante. Sempre que andar num Cabify pode levar um livro dos seus e trocar por um livro daquela editora, segundo o que eu recebi deles e em baixo partilho.

Ainda esta semana andei a deslocar-me várias vezes para o centro de saúde e fazer raio-x de Uber e Cabify, portanto uma iniciativa destas teria dado jeito, para renovar o stock que tenho cá em casa, mas fica a dica para a próxima semana.

Adira ao bookcrossing Cabify & Saída de Emergência, a troca de livros em movimento na sua cidade.

No próximo dia 23 de Abril, celebra-se o Dia Mundial do Livro. E haverá melhor forma de viajarmos do que lermos uma boa história? Celebre connosco e junte-se ao movimento de bookcrossing que vamos promover em parceria com as edições Saída de Emergência! 

O que é o bookcrossing? 

O Bookcrossing é um conceito norte-americano que define a prática de deixar um livro num local público para ser trocado por outro livro, e assim sucessivamente.

A partir de domingo, 23 de abril, e até 28 de abril todos os veículos Cabify terão a bordo um livro das edições Saída de Emergência para troca, ou seja, para levar o livro que se encontrar disponível no automóvel o utilizador tem de deixar um para o próximo utilizador, deixando-o partir na sua próxima grande aventura.

Se vai pedir um Cabify, traga um livro consigo.

Boas viagens,

A equipa Cabify

A Fortaleza Impossível

Impossible Fortress

Esta Páscoa, altura que costumo gostar tanto, está a ser um bocadinho diferente das anteriores. Basicamente dei um grande jeito às costas e encontro-me quase imobilizada. Até as tarefas mais básicas são uma dificuldade neste momento (como por exemplo estar no computador a dar os retoques finais neste post que escrevi maioritariamente no telefone), e neste momento só espero que o fim de semana prolongado seja suficiente para recuperar. Aceitam-se dicas de bons acunpuntores na zona de Lisboa.

Mas, por outro lado, e como há limites para a má televisão que se vê, os meus livros vão de vento em popa. E terminei mais um oferecido pelo Netgalley. Este, na realidade, já o tinha pedido há tantos meses como “desejo” que até me tinha esquecido dele, mas veio em boa altura. Um livro ligeiro passado em 1987 e totalmente imerso na cultura dos anos 80. Apesar de eu não ser uma saudosista e preferir até coisas viradas para o futuro, este livro trouxe-me alguns sorrisos e algumas recordações engraçadas, e creio que fará o mesmo a todos os que cresceram neste década.

A história centra-se num rapazinho que é um ás da programação no seu Commodore 64, e tem como sonho fazer jogos de computador, ter a sua própria empresa e ser famoso. Creio que isso será comum a muitos milhares de rapazinhos que viveram aqueles anos, a diferença é que o Billy conheceu uma rapariga à altura, e juntos embarcam numa aventura que os leva a criar a Fortaleza Impossível, o melhor jogo criado até à data.

Tudo isto no meio do que é crescer naquela década, com toda a pressão dos amigos para fazeres parte dos fixes, coisa que se perpetua até hoje.

Uma leitura fácil, simples, mas que entretém e nos deixa com um sorriso, mesmo o que eu estava a precisar nesta altura. Se forem à página do autor aqui, podem jogar o jogo num emulador do Commodore 64.  Eu já o fiz e disse-me que eu era “Just OK”.

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A Vida no Castelo

shirley jackson

Este foi mais um dos livros que estavam na calha e que resolvi pegar agora. Era relativamente curto e foi sugerido por uma amiga que já não via há algum tempo, mas com quem tinha o hábito de partilhar sugestões de leitura, sem nunca ficar desiludida.

Shirley Jackson foi também uma estreia para mim e, até este livro, era uma ilustre desconhecida mas acabou por ser uma agradável surpresa.
A história gira à volta de duas irmãs e um tio que vivem uma rotina rígida numa casa de família desde que o resto da família morreu envenenada 6 anos antes. A história está muito bem contada e é bastante gótica e cinematográfica. Passei todo o livro a lembrar-me da série American Horror Story. Na realidade não fiquei surpreendida quando mais tarde descobri que já há um filme baseado neste livro prestes a sair.

Mas por baixo duma história por vezes claustrofóbica há um subtexto muito interessante, que é o poder e a força das massas. Seja numa pequena cidade norte-americana, numa grande capital europeia, num estádio ou nas redes sociais, a mob mentality é perigosa e poderosa e põe pessoas que noutras circunstâncias seriam consideradas normais a fazer coisas indescritíveis, E isso foi o que eu achei mais bem explorado neste livro.

De resto, a história está muito bem contada, e se mais ou menos a meio eu já previa o desfecho, a mestria das palavras não retirou em nada o prazer de ler a história.

Aconselho a todos os que gostam de histórias diferentes, passadas em cidades pequenas, mas que podiam ser no nosso prédio.

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A Páscoa

broa

Amanhã é Domingo de Ramos e entramos oficialmente na semana da Páscoa. A Páscoa é sem dúvida das minhas épocas favoritas do ano e a festa que mais gosto. Ao contrário do Natal, ainda não foi tomada de assalto por campanhas de marketing publicitário. Pelo menos em Portugal o coelhinho não tem tanta força como o Pai Natal. Por isso, para quem não celebra é só mais um fim de semana grande, e quem celebra, como eu, está mais descontraído.

Por outro lado o Natal é chuva, frio e escuridão. Admito que para quem tenha lareira e goste da nostalgia invernal, isso possa ter algum encanto, mas para mim nem por isso. A Páscoa é renovação, sol e primeiros dias de calor. Pássaros a cantar e flores que voltaram. Há uma alegria inerente à Páscoa que me enche de boa disposição.

Depois a logística natalícia sempre foi pesada. Onde ficam os avós este ano? Passam a meia noite cá ou lá? E o ano novo? E como é o almoço? E compra-se presente para este, ou só nos vamos ver em Agosto e por isso não vale a pena?

A Páscoa sempre foi leve. No fim de semana anterior há a Missa dos Ramos, depois as celebrações pascais propriamente ditas. Quando era mais nova, como teria ainda uma semana de férias antes de retomar os estudos, normalmente punha a mochila às costas e partia para a terra, ter com a avó e com os amigos que lá estivessem para uma semana de descanso e natureza.

E era uma semana maravilhosa, recheada de livros (pelo menos quantos os que eu conseguisse carregar na mochila, porque tinha de apanhar duas camionetas e ainda era coisa para me pesar nas costas), amigos e petiscos que a minha avo fazia, como broa, bola de carne, peixe assado na “patusca”. Na quinta feira íamos de táxi até à feira de Arganil, porque a minha avó gostava de passear comigo.

No Domingo a seguir à Páscoa (a Pascoela) o prior da freguesia ia até à aldeia e entrava em todas as casas para as abençoar, e nós andávamos atrás dele. Para os mais novos era uma diversão, para os mais velhos uma missão, para todos um sentido de comunidade. Ao fim do dia regressava a Lisboa.

Muitos anos se passaram, e a vida de todos nós é hoje muito diferente. Uns ficaram, a maioria partiu. As memórias são boas, e a Páscoa continua a ser a minha altura favorita do ano, e chegando a este fim de semana, uma alegria tranquila entra no meu coração.

Boa Páscoa a todos.

Passeata na Tapada

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Pois quem anda pelo Peixinho já percebeu que isto é tanto um blog de livros como de passeata, e foi isso que aconteceu mais uma vez este Domingo. Depois de alguns fins de semana mais caseiros por causa duma constipação/asma que teimavam em não me deixar em paz, este Domingo resolvi que, mesmo que tossisse os pulmões para fora do peito, estava na altura de caminhar na natureza.

Conseguimos um voucher do Sapo para a Tapada de Mafra, sítio onde marcamos o ponto pelo menos uma vez por ano, e que dava direito a um percurso 360º, incluindo um atelier de apicultura, uma demonstração de aves de rapina e um percurso pedestre.

A ideia inicial era fazer um percurso de 8km, mas como eu queria terminar ainda com pulmões, e eventualmente vir dormir a casa, tivemos de optar por uma solução de compromisso, e dar uma volta a pé pelos caminhos principais, menos íngremes, mas não menos interessantes. No final do passeio o podómetro do Peixinho Vermelho marcava um pouco mais de 7km, por isso parece-me missão cumprida. O meu podómetro marca 12km, mas sendo do chinês tenho as minhas dúvidas.

O melhor da Tapada, para além de ser pouco humanizada e dar para fazer uns percursos pedestres engraçados como se estivéssemos no meio do mato, é que se formos silenciosos (coisa difícil para a maioria das famílias com que nos cruzamos, facto) conseguimos ver imensa fauna, porque os senhores do parque alimentam-nos perto do caminho. Ontem vimos um gamo, veados e javalis. Os machos são muito engraçados e olham-nos duma distância considerável, a tentar perceber se vão investir ou passar ao largo. Felizmente para nós, até hoje optaram sempre pela segunda opção, e ficaram a comer alegremente, sempre de olho em nós não fosse necessário tomar medidas a qualquer momento. Era mútuo, nós também não tirámos os olhos deles e das hastes do senhor veado, que aquilo ainda tem ar de poder aleijar.

Final do passeio ainda teve direito a paragem na Malveira para comer umas trouxas do Oeste, que há que repor as calorias gastas a caminhar. A Tapada é daqueles tesouros mesmo à porta de casa, que por uns tostões nos providencia horas de contacto com a Natureza. Vale a pena.

Tapada01
Os veados no ínicio da refeição

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Uma ponte para um dos caminhos secundários que não pudemos seguir
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Calmamente a ruminar depois do almoço
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As trouxas do Oeste. Alguém comeu duas, mas não fui eu 😉

Páscoa Feliz

Pascoa Feliz

Nada mais apropriado a este tempo de Quaresma que um livro com este título. No entanto devo começar por dizer que a felicidade estava mesmo só no título já que todo o desenrolar desta história é difícil e pesado. Mas vamos por partes e comecemos do inicio.

Este era um dos livros que estava na calha, e foi um presente de aniversário duma amiga, a mesma que me apresentou a vários poetas e ao João Sem Medo, portanto as expectativas eram altas. E posso dizer que não ficaram defraudadas.

O livro está muito bem escrito e esta edição (d’A Bela e o Monstro Edições Lda) é deliciosa. Desde a fonte até à grafia, tudo emula a primeira edição de 1932 e sentimo-nos a viajar no tempo. Por outro lado este é outro daqueles autores que, não sendo hermético e quase místico na sua escrita, tem sido bastante esquecido pelos nossos fazedores de listas de melhores livros, que tendem a premiar escritores mais complexos e no geral mais difíceis de ler.

No entanto, através da simplicidade se consegue transmitir muita beleza, e este livro foi uma vertiginosa viagem dentro da mente dum homem condenado que nos vai contar a sua história. Acho sempre impressionante como um autor consegue transmitir no papel o que é viver dentro duma realidade de loucura duma maneira que pareça verossímil, e já o tinha sentido quando li “A Loucura” de Mário de Sá Carneiro algures em 2015. Este livro pareceu-me mais consistente, e fiquei muitas vezes agarrada à história na antecipação do seu desfecho, que nos é entregue de modo velado e temos nós o ónus de o desvendar de modo satisfatório.

Gostei muito, fiquei com vontade de ler mais coisas deste autor, de o investigar (como faço sempre para ter algum contexto sobre as coisas que leio, nesse aspecto a internet veio enriquecer bastante a experiência de leitura), e tenho pena que seja um semi desconhecido no nosso panteão.

Recomendo a todos os que queiram ler mais autores portugueses.

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Eu já sofri. Já fui um revoltado, um criminoso, se quiserem. Hoje, vivo serenamente. A serenidade é a maior virtude da inteligência.

Mas porque penso eu no mundo? É um hábito que fica. Detesto a vida activa. Os gestos que faço, os passos que dou, perturbam-me a vida interior, que é o meu prazer. Esquecimento, quietação! Doutor, não me pregunte mais nada!… Tenho amor a esta casa onde adquiri a certeza de que existo, porque penso.

Oportunidades

Oportunidades

O Peixinho já estava com dificuldades em navegar no seu aquário, o que em linguagem literária significa que já não temos espaço nas prateleiras. Na realidade, já temos filas duplas, livros por cima, no topo da estante e espalhados pela casa (e na casa dos pais). Ora, está na altura de pôr ordem nisto e ficar apenas com os livros que queremos mesmo, ou que eventualmente um dia gostariamos de reler.

Ao mesmo tempo que já libertámos alguns dos nossos livros em mini-bibliotecas por aí, outros estamos a vender. Podem vê-los aqui, e por enquanto é uma lista pequena (sim, tenho alguns problemas em separar-me de livros), mas de certeza que vai continuar a crescer. Mas vamos por partes:

Eu Assassino. de António Altarriba: uma BD maravilhosa, com uma qualidade visual muito bem conseguida. Temos dois exemplares, por isso estamos a vender um deles, novo.

2666, Roberto Bolano: um livro delicioso, mas que felizmente já temos em Kindle, por isso podemos libertar para outras casas. Em inglês.

V, Thomas Pynchon: a mesma coisa que o anterior. Já o temos na versão kindle, por isso podemos passá-lo a alguém. Também em inglês.

All the Countries We’ve Ever Invaded, Stuart Laycock

Raspberry Pi, a Practical Guide: acho que não preciso dizer que este era do outro peixe cá de casa.

Colecção Adam, BD: Comprei alguns volumes destes comics até perceber que realmente não posso comprar todas as BDs que gosto sob pena de não conseguir entrar em casa um dia. Espero que possa fazer alguém sorrir.

Fall of Hyperion

Fall of Hyperion

Acabei ontem de ler The Fall of Hyperion, a continuação do último livro que li,  que tinha sido incrível e que acabou num momento de intenso suspense. Por isso, acto contínuo, agarrei logo na sequela.

O primeiro e expectável choque, é que a acção começa num ponto diferente, com personagens diferentes, embora conhecidas do volume anterior.
No entanto, depressa nos apercebemos que a qualidade narrativa é a mesma, o crescendo de interesse é o mesmo, e continuamos profundamente envolvidos e cativados por esta história. Já é difícil os livros conseguirem surpreender-me duma forma tão absoluta como este, e dei por mim muitas vezes de boca aberta no autocarro. O final também está muito bem conseguido e as reviravoltas, que muitas vezes parecem um bocadinho forçadas, aqui foram sempre a propósito e inesperadas, o meu pensamento era sempre “I did not see this coming.

Pensei muitas vezes ao longo deste livro que parece incrível ter sido escrito em 1991, já que continua tão actual. Os problemas ecológicos causados pela nossa espécie, a arrogância com que nos achamos donos do planeta e de tudo à sua volta como se estivéssemos sozinhos no Universo levanta um dilema ético e moral sobre o qual raramente reflectimos.
Até onde a nossa relação com as máquinas pode e deve ir, é algo que merece ser pensado também. Estamos (quase) todos (quase) sempre ligados, caminhando a passos largos para tornar ficções científicas em realidades. Eu própria escrevo este post num smartphone a caminho de casa depois de ter lido o livro no Kindle. Infelizmente ainda num autocarro da Carris e não num farcaster, mas baby steps.

É certo que este é um livro de ficção cientifica pura e dura, mas é muito mais que isso. É uma reflexão filosófica sobre o nosso lugar no Mundo e no Universo, sobre o papel da tecnologia nas nossas vidas, a religião como salvadora da humanidade ou como indutora de alienação. Se deixarmos, é um livro que nos faz pensar ao mesmo tempo que nos mantém pregados a uma história interessante e vertiginosa e que não me cansarei de recomendar.

E no final de tudo, o último guardião da empatia humana é um poeta. Não há como não gostar deste livro.

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“My God,” whispered Meina Gladstone, looking down at the body of Admiral Singh. “I’m doing all of this on the strength of a dream.” “Sometimes,” said General Morpurgo, taking her hand, “dreams are all that separate us from the machines”.