Fantasy Block

ron padgett

I would like to have a sexual fantasy
about the young girl I see in the gym,
the one who undulates up and down
on an aerobic machine revealing
the smooth skin of her lower back
as it swells out toward her hips,
her hair pulled up in back
with a tortoiseshell clasp
and a misty blush spreading
from her high cheekbones back
to her ears in each of which
a small silver ring is glittering,
but I can’t think of anything.

Ron Padgett

Hoje não recomendo livros

book-stack

Faz sensivelmente um ano que comecei este espaço às sexta feiras de recomendar livros que de algum modo foram importantes para mim, e nesse tempo referi 48 títulos de vários géneros, autores portugueses e estrangeiros.

Ainda tenho alguns na manga, fruto de muitos anos como leitora, por isso espero continuar a partilhar convosco os livros que preenchem o meu imaginário.

Mas hoje, no aniversário desta rúbrica, gostava que fosse ao contrário. Quais são os livros que me recomendam a mim? Quais as histórias que enchem a vossa imaginação, coração, mente, e que gostavam de partilhar?

Há sempre espaço para novas ideias de leitura, por isso vou ficar à espera de ser surpreendida.

Boas Leituras!

Acabei de Ler: The Eye of the World, Wheel of Time 1

Wheel of time

Já há muito tempo que andava com esta série no Kindle à espera de vontade de a começar a ler. Wheel of Time é um épico de fantasia considerado por muitos como dos melhores do género, e por outros uma cópia descarada do universo de Tolkien. Escrito quase na totalidade por Robert Jordan, que viria a morrer antes de terminar a saga (careful Game of Thrones), mas que deixou notas suficientes para permitir a Brandon Sanderson (outro escritor de fantasia) concluir a história. Eu estava curiosa para saber o que iria achar.

Começar a ler esta série não é coisa que se faça de ânimo leve, já que tem 14 volumes, todos de dimensão considerável. É preciso gostar-se mesmo para se chegar até ao fim. Tal como no Senhor dos Anéis, a história segue um grupo de jovens duma aldeia remota e pacata onde todos vivem uma vida ligada à agricultura e pecuária. Como é recorrente neste tipo de livros, a inspiração é a Europa da Idade Média, com o seu romantismo e as suas dificuldades.

Demorei cerca de 15 dias a dar cabo deste gigante, mais tempo do que para ler Game of Thrones que normalmente tinham mais 200 páginas em cima. Isso diz alguma coisa do ritmo do livro (ou falta dele) e da quantidade de capítulos puramente descritivos que me custaram a ler.

No geral gostei da história e não me incomodou grandemente a colagem à imagética do Tolkien. A história tem méritos próprios que a tornam interessante e que nos mantêm agarrados para perceber o que se passa a seguir. O sistema de magia, dividido em masculino e feminino, e em que as personagens que detêm o Poder Único são ao mesmo tempo admiradas e temidas, está bem conseguido.

Para mim foi um livro de 3 estrelas (de 1 a 5), e que me manteve interessada. O final acaba em suspense, para garantir que continuamos presos à saga, no entanto, e apesar de ter a certeza que vou continuar a seguir as aventuras de Rand e os seus amigos, para já preciso de um novo livro para intervalar. De preferência de não-ficção, para o corte ser total. Depois logo se vê.

Goodreads Review

Passarinhos

Poemas à Segunda

Subo às tuas cavalitas

como quando tinha cinco anos

e a vida era simples.

Dos teus ombros vejo o mundo

até perder de vista.

Vejo uma linha reta

até um dia em que já não estás

para me dares a mão

e irmos aos passarinhos,

mesmo que eu ache que isso não se faz.

O mundo ficou mais vazio,

mesmo que tenha mais passarinhos.

Peixinho de Prata, 2018

Livros que Recomendo – Middlesex

middlesex

Já não é a primeira vez que aqui falo deste livro, já o tinha mencionado aquando da review a outro título deste autor, Fresh Complaint. Já aí fiz um pequeno resumo deste que é um grande livro, em tamanho e qualidade.

Middlesex conta-nos uma história longa, duma família grega que emigra para os EUA para fugir à invasão turca do seu território e aí se estabelecem e se adaptam. Seguimos a história da família Stephanides e ao mesmo tempo a história dos Estados Unidos no início do século XX. Desde a era da Proibição, ao advento da cidade de Detroit à boleia da expansão da indústria automóvel. Os conflitos raciais da década de 60, o movimento hippie e por aí fora. É uma história de mudança, transformação pessoal e histórica. Isso é imediatamente visível no início do livro, que nos relata que a família cultivava bichos-da-seda como actividade económica. Isso marca a tónica do que se vai passar daí para a frente. O narrador, Calíope, tranforma-se em Cal, já que por vários motivos nasceu com os dois sexos.

Há muitos temas fortes ao longo de todo o livro, como intersexualidade, incesto, prostituição. Mas todos são tratados com uma delicadeza e uma naturalidade que acabam por não só não parecer estranhos, mas aceites como uma parte normal da vida.

Já li este livro há alguns anos, recomendado por um familiar, e agora recomendo a todos aqueles que gostam duma história belíssima, bem contada e diferente. Aos que não têm medo de ler sobre o diferente imerso no banal, como é a vida de todos os dias.

Para uma review muito completa, mas que pode desvendar alguns aspectos da história, vejam aqui.

Boas Leituras!

Ponto da Situação

Goodreads Challenge

O Peixinho este ano tem dois desafios. O maior de todos, autoproposto, de não comprar mais livros em 2018, tem andado a correr bem. Não podemos obviamente contar com livros comprados para oferecer, e sem eles não tenho comprado mais nada. O outro Peixe cá de casa tem prevaricado, mas o desafio não é dele, por isso não conta.

Também já vendemos alguns livros dos quais gostavamos, mas que não se coadunavam com o tipo de livros que queremos manter na biblioteca pessoal, que prima pela falta de espaço. Neste frente, tudo a correr bem.

O outro desafio, puramente de competetividade pessoal, é o número de livros a que me proponho ler no inicio do ano no Goodreads. Este ano, como na maioria dos anos, a meta eram 50 livros, e ainda não a atingi. Nada de novo, isto é uma maratona e não um sprint, e cada livro deve ser saboreado e apreciado. Ainda por cima o livro que tenho em mãos no momento, um épico de fantasia, tem a módica quantia de 814 páginas, por isso não há mesmo pressas.

Mas estamos na reta final dum ano que foi (e continua a ser) para mim muito cheio de eventos, nem todos felizes mas todos com algum grau de stress associado, por isso os livros também ajudam a descontrair e relaxar um bocadinho. Faltam 6, um tirinho como se diz cá por casa.

Boas Leituras!

Sobre a Poesia

poesia

Está quase a fazer um ano que começou a rubrica de poesia às segundas no Peixinho. Dá para perceber que gosto mesmo muito de poesia. Gosto desde miúda. Assim que aprendi a escrever enchi resmas de cadernos pautado com quadras sobre o meu quotidiano infantil.

A adolescência foi passada a escrever longas litanias angustiadas sobre solidão e desespero, e os rapazes que não gostavam de mim, enquanto na realidade eu era completamente cega àqueles que efectivamente estavam presentes. E hoje em dia sempre que a vontade surge dentro de mim escrevo umas linhas num ecrã.

Com o passar do tempo a escrita de poemas foi acompanhada pela leitura, primeiro dos óbvios, depois a descoberta de territórios mais inóspitos.
Tenho com a poesia a mesma relação que com a pintura: se gosto, é boa. Não analiso um poema desde o descalça vai para a fonte Leonor pela verdura, que convenhamos, é bastante convencional.
Tudo o que estudei sobre métrica, metáforas e coisas afins, está soterrado por baixo de anos de conhecimento inútil.

No outro dia pesquisei na net um curso de poesia. Há imensos de teatro, fotografia, dança, pintura, e nem todos vão ser actores, fotógrafos, bailarinos, pintores. Mas todos serão espectadores e consumidores mais informados e participativos.
Gostava que a poesia também se abrisse assim aos comuns mortais, e não ficasse encerrada no Olimpo de onde só se vislumbram umas Adilias, uns José Luíses e outras divindades maiores,  mas que pudéssemos apreciar todo o  panteão.

Ou então a poesia é mais para sentir, como quem vai a uma casa de fados e eu tenho é de encontrar uma tertúlia onde se bebam uns copos e recitem uns poemas.

Até lá vai sendo por aqui, nos postais dos amigos, em casa, onde posso. Poesia ajuda-me a pôr a vida em perspectiva.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Oryx and Crake

oryx and crake

Margaret Atwood é uma escritora que se dedica principalmente a Ficção Especulativa (diferente de Ficção Cientifica, mas varia o significado consoante quem está a discutir sobre o assunto), e defende que a maioria das coisas sobre as quais escreve já aconteceram no passado ou estão a acontecer correntemente. A sua obra mais falada, até por causa da série televisiva, é The Handmaid’s Tale, mas não é sobre ela que venho falar hoje.

Hoje venho falar-vos no livro que realmente me entusiasmou e apelou ao meu coração de bióloga, Oryx and Crake. Este é o início duma trilogia, a MaddAdam Trilogy, que se passa num futuro distópico mas não muito distante, onde a humanidade desapareceu como resultado de um evento desconhecido e a única pessoa que sobre é Snowman, Jimmy de seu nome, que sobrevive neste novo mundo com a ajuda duns humanoides intitulados Children of Crake, que são uns seres de pele azul, dóceis e não violentos, que acreditam em Crake como se de um Deus se tratasse. Estes seres são perfeitos geneticamente, não têm doenças, são desprovidos de maldade e violência, mas também de qualquer sentimento artístico, aparte a habilidade de cantar.

Jimmy, aka Snowman, vai relembrando a sua infância e juventude e é assim que nós ficamos a saber o que se passou para chegarmos àquela situação.

Este livro confronta-nos com coisas muito reais que já se passam hoje em dia, como a manipulação genética e as suas consequências, os limites da ciência (ou falta deles), mas também as desigualdades sociais, as empresas que são donas das alterações genéticas e controlam o que os comuns mortais podem usar, desde a agricultura a medicina, etc. Para qualquer pessoa minimamente atenta às notícias diárias (talvez as estrangeiras, que os nossos telejornais pouco mais falam do que de futebol, do calor do verão e do frio do inverno, e outras insignificâncias destinadas a manter o cidadão comum adormecido e galvanizado atrás de causas que não interessam), não é nenhuma surpresa as linhas que escrevi acima. Sabe-se da hegemonia da Monsanto e da sua tentativa de controlar as sementes usadas na agricultura mundial, gigante esse que foi recentemente adquirido pela Bayer, outro colosso da agroquimica. Sabem-se de experiências de ética duvidosa, por isso nada que se passa no livro surpreende, mas assusta.

O começo é lento e demoramos algum tempo a adaptar-nos ao ambiente e às personagens. Mas quando a história começa a desenvolver nunca mais pára, e é difícil interromper a leitura, de tal modo queremos sempre saber o que vem a seguir. O livro termina num cliffhanger (ainda não temos um termo em português que descreva tão bem um final inacabado como este), e temos imensa vontade de pegar no próximo volume, The Year of the Flood, e foi exactamente isso que fiz.

Recomendo a todos os amantes de livros diferentes, futuros distópicos mas não inverossímeis, histórias coesas e bem contadas.

Boas Leituras!

Goodreads Review

They understood about dreaming, he knew that: they dreamed themselves. Crake hadn’t been able to eliminate dreams. We’re hard-wired for dreams, he’d said. He couldn’t get rid of the singing either. We’re hard-wired for singing. Singing and dreams are entwined.