Fátima e a festa do cinema

fatima-filme-cartaz

Esta semana que passou viu passar mais uma Festa do Cinema, em que durante 3 dias e por apenas 2.5€ podemos ter acesso a qualquer filme que queiramos ver, apenas pagando mais as taxas de 3D ou VIP, se for aplicável. Nós aproveitámos o último dia, quarta-feira, para celebrar o cinema português e fomos ver o Fátima de João Canijo.

Não podia ser mais apropriado ao mês em que estamos, com as comemorações do centenário das aparições, já que o filme segue o percurso de 11 mulheres que durante 9 dias fazem o percurso mais longo de peregrinação no nosso país, desde Vinhais até Fátima.

No entanto, a religião aqui é um mero pano de fundo do filme, já que a verdadeira história se centra nas relações entre aquelas 11 mulheres numa situação limite, e nas dinâmicas entre elas.

Eu pessoalmente gostei bastante do filme. Houve pormenores bastante bem conseguidos, as actrizes eram genuinamente transmontanas, e os diálogos muito verossímeis. É fácil acreditar que na realidade não houvesse um guião estruturado, e simplesmente indicações e depois lhes dessem rédea livre para improvisar conversas, de tal modo tudo soa natural. E claro, a Rita Blanco é uma belíssima actriz, como já nos tem habituado, mas devo dizer que a achei muito bem acompanhada, e aquelas jovens  não lhe ficaram atrás.

Depois achei a fotografia bastante interessante. Conseguimos apreciar as mudanças geográficas à medida que vamos descendo o país, a paisagem deixa de ser tão bela e dramática, como era em Trás-os-Montes e passa a ser um aglomerado de pinheiro e eucalipto quando entramos nas Beiras, e mesmo pormenores como a quase ausência de trânsito para a opressão constante dos camiões quanto mais nos aproximamos de Fátima, também está muito bem conseguida.

Depois, tendo eu passado por vezes verões inteiros na aldeia da minha avó, consigo ver claramente aquelas interações entre aquelas mulheres como tão possíveis. Aquela intrusão na vida alheia, o “não tenho nada a ver com isso, tu é que sabes, mas se fosse eu” constante.

E mesmo a organizadora da peregrinação está muito bem conseguida. Num dos verões que passei na aldeia, a minha avó quis levar-me a Vigo numa excursão. E eu pensei que seria engraçado passar esse tempo com ela, gostava desses programas que fazíamos só as duas, acabávamos sempre a divertirmo-nos. Bom, a organização era indescritível. O autocarro teria os normais 55 lugares, por aí, e ainda antes do último sítio de recolha de passageiros já ia gente sentada nas escadas de entrada. As últimas pessoas já foram deixadas “em terra”. E depois foi sempre a piorar. Passámos a noite em Vigo, mas o único sítio para dormir era o autocarro, o tempo de visitar a cidade foi entre as 7:30 da manhã e as 8:00, e só havia um motorista que à volta para casa já vinha a dormir a fazer as curvas do Luso. Um pesadelo, mas que faz perceber que há muita verdade na D. Isaura do filme.

Tendo dito tudo isto, aconselho vivamente, mas também aviso que devem ir preparados para um filme que dura cerca de 2:30, porque uma peregrinação nunca é curta.

O Peixinho e a Imprensa Cor-de-Rosa

 

Eduardo Beaute
Foto tirada daqui

 

Quando eu tinha uns 11, 12 anos a minha mãe ou a minha madrinha, que eram as minhas personal stylists da altura, compraram-me uma saia de ganga. Era enorme, comprida, rodada, e eu estava muito orgulhosa, apesar de na realidade poder ser um bocadinho pindérica. Afinal estávamos nos anos 80.

Levei-a comigo quando fui passar férias à terra da minha avó, e andava sempre com ela para trás e para a frente. A nossa vizinha do lado uma tarde disse-me, no meio da rua que era onde se passava toda a vida da aldeia: “que saia horrível filha, eu não queria isso nem dado para andar ao mato”.

Ao que eu, um bocadinho magoada no meu amor-próprio, respondi: “não se preocupe Ti’Eugénia, que eu também não lha dou.”

E rimo-nos as duas, juntamente com a minha mãe e a minha avó que tinham assistido a esta altercação. Eu achei que a Tia Eugénia era uma velhota sem sentido estético, e ela deve ter achado que eu era uma miúda pespineta, mas isso não mudou em nada o carinho que sentíamos uma pela outra, ou sequer a vida daquela pequena comunidade.

O problema de hoje em dia é que toda a gente é uma Tia Eugénia, sem sentido de humor nenhum, e com a sua voz amplificada pelo anonimato dum Facebook.

E é só isto que tenho a dizer sobre estes não assuntos que circulam por aí.

Rumo ao Sul

Alj_05

O Peixinho Vermelho fez anos no fim de semana passado e nós resolvemos tirar um dia para descansar e aproveitar uns raios de sol. São Pedro quase que nos estragava os planos, mas manteve-se firme até ao final, e foi simpático connosco.

Acabou por calhar tudo lindamente, porque morando em Benfica, previa-se um fim de semana um bocadinho mais agitado do que gostaríamos, mais a mais com Salvador e Fátima à mistura. E assim fomos rumo a terras de Aljezur. Mais concretamente um monte perdido perto do Rogil, terrinha que nunca tinha ouvido falar, mas que gostei muito de conhecer.

Andávamos há que tempos para ir para o “outro” Algarve, mas na realidade apenas um fim de semana sabe-nos a pouco, porque parecendo que não ainda são cerca de 3 horas de caminho, e uma viagem tão longa merece que lá estejamos mais tempo a desfrutar. Assim o aniversário do Peixinho Vermelho foi a desculpa perfeita.

Sábado fomos em passo de caracol por aí abaixo e fizemos a nossa primeira paragem num cantinho que gostamos muito, que é Porto Covo, para almoçar um belo peixe grelhado. Fomos ao Torreão, o peixe estava mesmo no ponto, bem grelhado e saboroso, os acompanhamentos é que podiam ser um bocadinho mais elaborados. Um naco gigante de couve cozida e espapaçada já não é coisa que se apresente nos dias de hoje, especialmente com tanto pesadelo na cozinha a passar na televisão. O pudim da sobremesa era delicioso.

Passeio pela vila para desmoer, sentadinhos à beira mar a ver as ondas bater na rocha, e lá nos pusemos a caminho que o Rogil ainda estava a mais de meio caminho. O nosso destino, o Monte da Xara, estava perdido no meio da Costa Vicentina, mesmo a seguir a uma terrinha chamada Azia. Valeu-nos o são GPS para lá chegar, mas valeu bem a pena.

O Monte da Xara é encantador, um oásis de calma e silêncio, uma casinha muito bem decorada, muito funcional, a 10 minutos de praias fantásticas e um pequeno-almoço digno de reis. E claro, a D. Isabel tem dois cães absolutamente maravilhosos, o Mar e a Nala, que sempre que lhes apetece nos vêm fazer uma visita, pedir festas e ver se temos petisquinho para lhes dar.

No dia em que chegámos já estava o dia no final e pouco mais fizemos que passear a pé pelas imediações e deitarmo-nos preguiçosamente no alpendre a apanhar sol e a fingir que líamos. Na realidade acho que passámos pelas brasas. Fomos cedo para dentro de casa, porque apesar de longe ainda havia quem quisesse ver o Benfica ser campeão, e temos de respeitar esses desejos. Essa foi a parte mais engraçada, ver pela televisão todo um  mundo de loucura pelas vitórias nessa noite, e nós virmos até ao alpendre escutar o barulho das rãs nos charcos, que era a única coisa que se conseguia ouvir na noite algarvia. O sossego é uma coisa maravilhosa.

O domingo e a segunda foram muito semelhantes. Fomos até à praia do Vale dos Homens, recomendada pela D. Isabel, a nossa anfitriã, que no auge de ocupação tinha umas 10 pessoas, e aproveitamos a maré baixa para ir até à praia deserta do lado e ficar por lá a torrar ao sol e a tomar banhos de mar numa piscina improvisada. Três dias de Costa Vicentina deram para recarregar baterias para mais umas semanas de trabalho intenso.

Pelo meio ainda conseguimos encaixar uma visita a Aljezur a à praia da Amoreira. Bonitos, mas estávamos mais virados a isolamento. Uma coisa que achei curiosa e me deixou com esperança na humanidade e na sua capacidade de fazer escolhas e encetar lutas, foi que um pouco por toda a parte, nas estradas, nas paredes das casas se podiam ver cruzes vermelhas a dizer não ao petróleo e gás natural no Algarve. E estando na beleza natural daquelas praias selvagens, que ainda esta semana a Conde Nast classificou como um dos melhores lugares do mundo para fazer caminhada em trilhos naturais, parece-me incrível que sequer se pense em trocar uma coisa absolutamente irrecuperável, que pode durar gerações, por um punhado de dólares que vai para o bolso dos mesmos do costume.

Como sempre, estamos distraídos com o nosso fado e futebol, e quem pode faz pela calada, e quando um dia realmente dermos por isso teremos este tesouro irremediavelmente destruído. O Vale do Tua já foi, quanto tempo restará à Costa Vicentina?

E assim deixo as fotos possíveis, mas que vos inspirem a ir até lá, ou pelo menos a estar atentos àquilo a que ninguém quer que estejamos atentos, as decisões que dizem respeito ao nosso futuro e que estão a ser tomadas nas nossas costas.

Alj_01
O alpendre do Monte da Xara
Alj_02
Deitados a ver o céu
Alj_03
A praia de Vale dos Homens
Alj_04
A vista cá de cima
Alj_06
As poças de água e os seus tesouros

Alj_07

Alj_11
O nosso spa
Alj_08
A praia da Amoreira, mais perto de Aljezur, mais acessível e com apoio de praia. 
Alj_09
Há que lutar!

Alj_10

 

Inspector Maigret

Maigret

Eu sou uma pessoa que até gosta de livros policiais, e bastante fã de Agatha Christie, especialmente dos livros do Poirot. No entanto, até o Netgalley me ter apresentado este livro do Inspector Maigret eu nunca tinha lido nada desta série, nem sequer tinha visto nada em cinema ou televisão. Suponho que seja por associar o autor (Georges Simenon) a uma coisa francesa e chata que só passava no canal 2 depois da meia noite, ou livros que eram vendidos em alfarrabistas, e por isso nunca dei o beneficio da dúvida.

Entretanto a minha opinião sobre as coisas que passam no canal 2 depois da meia noite, e sobre os livros que são vendidos em alfarrabistas mudou radicalmente e talvez tenha sido isso que me levou a pedir este livro. E, mais uma vez, ainda bem que o fiz.

O Inspector Maigret é na realidade o equivalente francês do Poirot. As histórias são passadas maioritariamente em Paris, e Simenon foi um escritor incrivelmente prolífico, tal como a Agatha Christie. Maigret foi um personagem largamente inspirado num inspector que existia na vida real, amigo do autor, e, a julgar por esta história, com um feitio especial.

O livro que li, Maigret and the Tall Woman (Maigret et la Grande Perche no original), foi publicado em 1951, sensivelmente a meio da carreira literária dos livros de Maigret, que vão desde 1931 a 1972. Menos cerebral que Poirot, o inspector gosta de pôr as mãos na massa e liderar a investigação, com um séquito de fieis adjuntos. No geral, gostei bastante, principalmente porque saímos das paisagens típicas do mundo anglo-saxonico e estamos num ambiente mais europeu, o que torna o livro mais cativante. Quase que me conseguia imaginar numa esplanada parisiense a beber um Pernod com o Kindle na mão e  a ler o desenrolar do caso.

Tenho mais 74 livros para o poder fazer, mas fica definitivamente na minha bucket list. O livro, aconselho a todos os fãs de histórias policiais que queiram passar um bom bocado. Da minha parte vou investigar mais títulos.

Goodreads Review

20 anos de Placebo

Placebo

 

A primeira vez que ouvi Placebo foi no festival Sudoeste em 2000 ainda eles eram suficientemente obscuros para tocarem no primeiro dia antes do sol se pôr, e eu não fazia ideia de quem eles eram.

A viagem até ao festival foi atribulada por vários motivos, incluiu vários kms finais a pé por teimosias várias, e eu cheguei ao recinto cansada e fula da vida. Assim que cheguei deitei-me no chão a pensar na vida e como me apanhava em situações daquelas, e comecei a achar que a banda que estava a tocar era bastante boa. E lembro-me de pensar que, se naquele estado de espírito eu conseguia perceber isso, eles deviam ser mesmo bons. O festival depois compôs-se, e acabei por me divertir muito, e com Placebo foi o início duma história de amor que durou os três primeiros álbuns e muitos outros concertos.

Esta terça feira eles voltaram ao Coliseu para festejar os 20 anos e eu não sabia bem o que esperar porque não conhecia os últimos álbuns e há muito não os via ao vivo. Mas no fundo isto era também uma celebração à minha juventude passada, por isso não quis deixar de participar, e há muitos meses atrás comprei os​ bilhetes. Claro que a juventude era mesmo passado, e neste momento estou com uma grande crise de coluna que ameaçava tornar a experiência num festival de dor e desconforto, e passei o fim de semana todo semi-arrependida.

Mas resolvi o assunto ficando sentada nas cadeirinhas e só me levantando nas músicas que valiam mesmo a pena. E esse foi o problema do concerto, mas vamos por partes.
Quando entrou a banda de apoio eu pensei que já era a sério, e depois percebi a confusão. O guitarrista, Stefan Osdal, faz parte, mas nem isso foi o suficiente para encantar. Uma mix de batida com instrumentos de cordas e vozes ocasionais que não convenceu, nem deu grande vontade de dançar. Passemos aos próximos.

Os próximos só demoraram o costume destas ocasiões, qual atraso institucional de noiva, e cedo encheram o palco para começar a festa de aniversário. Aparentemente haviam 3 ecrãs gigantes, mas do lugar dos doentes não consegui ver nenhum, a não ser no ecrã do telemóvel das dezenas de pessoas à minha volta a filmar/fotografar. Aliás, já ninguém simplesmente vê um concerto. Toda a gente tem de validar que lá esteve. Alguns, como eu, tiram meia dúzia de fotos/vídeos. Outros filmam quase tudo. Outros ainda vão documentando tudo nas redes sociais em tempo real. #vidamoderna

Mas a música propriamente dita só lá para meio do concerto é que me começou a animar, o primeiro set de canções pareceu-me muito chocho. Claro que o facto de estar em pior forma física e o Coliseu estar criminosamente quente (a sério, o incentivo à venda de cerveja não pode justificar tudo!) contribuíram, mas na realidade é como tentar reatar uma relação em que ambas as partes sabem que acabou. Foi bom enquanto durou, mas seguimos caminhos diferentes (e àquela temperatura o meu dificilmente voltará a passar pelo Coliseu).

A última parte foi mais arrebitada, com êxitos mais dançáveis, e deu para abanar o que a coluna deixou. No final saímos com um até sempre, pela colina acima, a caminho de novas sonoridades.

Para fotos como deve ser, da fotógrafa de sempre Rita Carmo, vejam a reportagem no Blitz aqui.

Por Aldeias de Xisto

Penela_04
Uma rua em Gondramaz

Como já referi em vários posts anteriores, este ano vai ser a oportunidade de ir para fora cá dentro. No fim de semana passado os planos eram passar pelo Porto para ver a exposição de Miró em Serralves que já vos tinha sugerido aqui, e depois rumar até Bragança para passarmos uns dias imersos no Parque Natural de Montesinho, sítio onde estive há alguns anos atrás e onde desejo muito voltar.

Infelizmente uma crise muito grande de coluna há umas semanas deixou-me imprópria para consumo, caminhadas longas, e longos percursos de carro. Aliás, até bem perto do fim de semana nem sabia se conseguiria sair da cama, mas finalmente, com ajuda de muitos analgésicos lá voltei ao mundo da mobilidade e fomos até Penela, para um hotel já nosso conhecido, para uns dias de descanso à beira duma piscina rodeada por rãs verdes e momentos de zen.

No primeiro dia resolvemos ir explorar um bocadinho a região e fomos dar a uma aldeia de xisto próximo de Miranda do Corvo, mesmo no cimo duma encosta da Serra da Lousã, chamada Gondramaz. Muito diferente das aldeias que eu conheço na zona, principalmente pela cor do xisto que aqui é mais avermelhado, é uma aldeia encantadora, super arranjadinha, cheia de percursos pedestres e mesmo um centro de BTT. E, apesar de muito pequenina, tem dois turismos rurais com um ar muito interessante.

Mas nós fomos até lá para eu apanhar um bocadinho de sol e ar de montanha depois de tanto tempo fechada em casa, e ao mesmo tempo para almoçarmos num sítio catita, porque andamos sempre à cata de sítios onde se coma bem com boa vista. No final da aldeia temos o Pátio do Xisto, restaurante pequeno e com ementa exclusivamente feita de pratos do dia. É preciso ir de mente aberta para este restaurante. A senhora tem o que eu chamaria de “simpatia serrana”. Eu, que passei os verões na Serra do Açor, mesmo ali ao lado, estou perfeitamente habituada a ouvir comentários como: não queria a tua saia nem dada para ir ao mato, de pessoas da minha família, por isso os modos directos da dona do restaurante não nos chocaram minimamente, mas pude ver pelos comentários do trip advisor que algumas pessoas ficaram mais melindradas.

A chanfana foi das melhores que já comi num restaurante e sinceramente fez-me lembrar a da minha avó. A única diferença é que a caçoila não era de barro preto mas vermelho. Mas sinceramente quando me lembro ainda me cresce água na boca. A sopa era normal, e as sobremesas também não estavam mal. Com tanta medicação apenas bebi uma águinha, mas ouvi dizer que os vinhos eram bons. Sinceramente, só aconselho a quem esteja alojado na aldeia, porque a estrada sinuosa precisa dos sentidos bem alerta. E no final a conta foi muito simpática.

O resto da tarde foi passada à beira da piscina a aproveitar o sol que fez o fim de semana passado envergonhar este. Não consegui não ficar enervada por ver 2 pessoas a tarde toda a guardar 9 cadeiras de piscina, não deixando mais nenhuma vaga para as pessoas que chegavam, e para pessoas fantasma que nunca chegaram a aparecer. Sinceramente não percebo a fobia que os portugueses têm a ficar uns minutos sem cadeiras. Sempre nestas situações, ou em centros comerciais cheios, acumulam cadeiras como se fosse um bem precioso que fosse acabar a qualquer momento e que toda a humanidade dependesse disso, e eles, machos e fêmeas alfa e muito mais espertos que os outros mortais, sobrevivessem rodeados de cadeiras vazias.

Enfim, normalmente ter-me-ia sentado no chão sem problema, mas as costas não mo permitiram. Felizmente apanhamos um casal a ir embora quando saímos da piscina e pudemos sentar-nos tranquilamente sem ter de perturbar os acumuladores e tudo terminou em bem.

O resto do fim de semana foi passado em serena tranquilidade Penelense, entre piscina com relas e D. Sesnando, como quem revê velhos amigos. É sempre um prazer voltar e ser tão bem recebido.

Penela_02
Mesmo à entrada da aldeia de Gondramaz está esta casa de sonho, com um poço e tudo. 
Penela_07
As casas do largo
Penela_03
Um pouco por toda a aldeia podemos encontrar estas esculturas nas paredes das casas.
Penela_05
A vista do Pátio do Xisto
Penela_06
Chanfana… hum…
Penela_01
A piscina das relas no Duecitânia… 

Dias da Música 2017

Dias da Musica 2017

No próximo dia 29 começa mais uma edição dos Dias da Música em Belém no CCB, evento a que eu gosto muito de assistir, este ano sob o tema “As Letras da Música”, tema bastante literário é que tem muito a ver com o Peixinho.

Olhando para o programa consigo ver já imensos concertos aos quais gostava de assistir, até porque o ambiente no CCB durante estes dias é muito descontraído e contagiante, mas ainda não sei se vou conseguir ir este ano, que tem sido um bocadinho conturbado.

No entanto deixo-vos algumas ideias de coisas que se eu pudesse não perderia com certeza:

Sexta, 28 de Abril às 21:00 – JP Simões: Buarque, Bloom e Outras Canções (A2)

Sábado, 29 de Abril às 14:00 – Orquestra Sinfónica Ensemble: Sedução e Amores Proibidos (B2)

Domingo, 30 de Abril às 13:00 – DSCH – Schostakovich Ensemble: O Carnaval dos Animais (C10)

Espero que gostem.

Mitos do Norte

Norse Mythology

American Gods é uma série que está mesmo quase a estrear (dizem que dia 30 de Abril num canal de cabo americano), e só isso já seria razão suficiente para pegar num livro do Neil Gaiman (outro, para além do Sandman que tenho andado a ler por aqui). Claro que a escolha óbvia seria o homónimo, mas não consegui resistir a este Norse Mythology, acabadinho de sair, que ainda por cima vem complementar lindamente a outra série que ando a acompanhar, Vikings.

Foi por essa razão que os nomes dos deuses e deusas estavam frescos na minha memória, e isso ajudou muito a relacionar as histórias e os mitos. A mitologia nórdica, apesar de grandemente perdida no tempo, é muito rica em personagens e histórias, e talvez seja essa a razão que me levou a achar este um dos livros mais fracos do autor. Normalmente, ele costuma deslumbrar-nos com a riqueza das suas personagens, o envolvimento das suas narrativas, ao ponto de nos sentirmos parte do mundo fantástico que ele criou para nós em cada livro. Neste o começo foi um pouco confuso, como se o autor tivesse de condensar muita informação logo de início para conseguirmos abarcar o mundo todo, mas à medida que íamos progredindo nos contos, o génio contador de histórias de Neil Gaiman ia vindo progressivamente ao de cima. No entanto, nunca me consegui sentir verdadeiramente envolvida no mundo e nas descrições, sempre me senti como se fossem apenas contos avulsos, mal ataviados uns aos outros, sem continuidade, sem aquela sensação de saga que eu estava à espera.

No final de tudo, o meu conto preferido foi o Ragnarok, ou a descrição do final dos tempos e o seu renascimento, que é suposto encher-nos de temos e esperança ao mesmo tempo, e que deixa no ar a questão se já terá ou não sucedido com o final da era desses personagens distantes.

Ler este livro despertou-me a vontade de voltar a ouvir os velhinhos Amorphis, uma banda finlandesa cujos primeiros álbuns eram inspirados na Kalevala, um poema épico finlandês fundamental no desenvolvimento da identidade deste povo, pleno de histórias, mitologia e sagas. Um cheirinho aqui.

E pronto, a caminho do próximo livro, que espero me entusiasme mais.

Goodreads Review

 

Bookcrossing e Cabify

Cabify

Se há coisa que o Peixinho gosta são ideias novas de partilhar livros. O Bookcrossing não é de todo uma ideia nova, o conceito original já existe desde 2001, mas desde aí já muitas variações foram sendo criadas.

Há uns tempos falei aqui de várias bibliotecas de partilha de livros que existem um pouco por toda a Lisboa e ainda há pouco tempo libertei um livro numa aqui perto de casa.

Ora, de dia 23 a 28 a Cabify e a Saida de Emergência juntaram-se para fazer uma iniciativa semelhante. Sempre que andar num Cabify pode levar um livro dos seus e trocar por um livro daquela editora, segundo o que eu recebi deles e em baixo partilho.

Ainda esta semana andei a deslocar-me várias vezes para o centro de saúde e fazer raio-x de Uber e Cabify, portanto uma iniciativa destas teria dado jeito, para renovar o stock que tenho cá em casa, mas fica a dica para a próxima semana.

Adira ao bookcrossing Cabify & Saída de Emergência, a troca de livros em movimento na sua cidade.

No próximo dia 23 de Abril, celebra-se o Dia Mundial do Livro. E haverá melhor forma de viajarmos do que lermos uma boa história? Celebre connosco e junte-se ao movimento de bookcrossing que vamos promover em parceria com as edições Saída de Emergência! 

O que é o bookcrossing? 

O Bookcrossing é um conceito norte-americano que define a prática de deixar um livro num local público para ser trocado por outro livro, e assim sucessivamente.

A partir de domingo, 23 de abril, e até 28 de abril todos os veículos Cabify terão a bordo um livro das edições Saída de Emergência para troca, ou seja, para levar o livro que se encontrar disponível no automóvel o utilizador tem de deixar um para o próximo utilizador, deixando-o partir na sua próxima grande aventura.

Se vai pedir um Cabify, traga um livro consigo.

Boas viagens,

A equipa Cabify

A Fortaleza Impossível

Impossible Fortress

Esta Páscoa, altura que costumo gostar tanto, está a ser um bocadinho diferente das anteriores. Basicamente dei um grande jeito às costas e encontro-me quase imobilizada. Até as tarefas mais básicas são uma dificuldade neste momento (como por exemplo estar no computador a dar os retoques finais neste post que escrevi maioritariamente no telefone), e neste momento só espero que o fim de semana prolongado seja suficiente para recuperar. Aceitam-se dicas de bons acunpuntores na zona de Lisboa.

Mas, por outro lado, e como há limites para a má televisão que se vê, os meus livros vão de vento em popa. E terminei mais um oferecido pelo Netgalley. Este, na realidade, já o tinha pedido há tantos meses como “desejo” que até me tinha esquecido dele, mas veio em boa altura. Um livro ligeiro passado em 1987 e totalmente imerso na cultura dos anos 80. Apesar de eu não ser uma saudosista e preferir até coisas viradas para o futuro, este livro trouxe-me alguns sorrisos e algumas recordações engraçadas, e creio que fará o mesmo a todos os que cresceram neste década.

A história centra-se num rapazinho que é um ás da programação no seu Commodore 64, e tem como sonho fazer jogos de computador, ter a sua própria empresa e ser famoso. Creio que isso será comum a muitos milhares de rapazinhos que viveram aqueles anos, a diferença é que o Billy conheceu uma rapariga à altura, e juntos embarcam numa aventura que os leva a criar a Fortaleza Impossível, o melhor jogo criado até à data.

Tudo isto no meio do que é crescer naquela década, com toda a pressão dos amigos para fazeres parte dos fixes, coisa que se perpetua até hoje.

Uma leitura fácil, simples, mas que entretém e nos deixa com um sorriso, mesmo o que eu estava a precisar nesta altura. Se forem à página do autor aqui, podem jogar o jogo num emulador do Commodore 64.  Eu já o fiz e disse-me que eu era “Just OK”.

Goodreads Review