Curiosidades Estéticas

antonio botto

 

O mais
importante na vida
É ser-se criador – criar beleza.

Para isso,
É necessário pressenti-la
Aonde os nossos olhos não a virem.

Eu creio que sonhar o impossível
É como que ouvir uma voz de alguma coisa
Que pede existência e que nos chama de longe.

Sim, o mais importante na vida
É ser-se criador.
E para o impossível
Só devemos caminhar de olhos fechados
Como a fé e como o amor.

António Botto

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Livros que Recomendo – Como Água para Chocolate

agua para chocolate

Já não sei há quantos anos terei lido este livro, mas foram com certeza 20 ou mais. Apesar de ser um livro que adoro e que já ofereci muitas vezes, não tenho nenhuma cópia minha, porque sempre que li foi por empréstimo (a maravilha da partilha de livros).

Já falei aqui dele, quando fiz uma lista dos 5 melhores livros de amor, porque realmente é uma belíssima história de amor, daquelas como só os sul-americanos sabem escrever, cheia de realismo mágico.

O livro conta-nos a história de Tita, a filha mais nova duma mãe à antiga, que segue as tradições à risca, no início do século XX. Tita e Pedro apaixonam-se, mas Tita nunca poderá casar porque o dever das filhas mais novas é ficarem solteiras e cuidarem das mães até estas morrerem. Assim Pedro casa com a irmã mais velha para poder pelo menos ficar perto do seu amor.

Este é o resumo da história, mas muita da beleza deste livro passa pelo modo como ela está contada. Está dividido em 12 capítulos, um para casa mês do ano, apesar da história se passar ao longo duma geração. Começamos sempre com uma receita tradicional mexicana, que Tita prepara como ninguém, e é na explicação de como executar cada receita que a trama nos é apresentada. A comida e a culinária como transmissores de emoções e de estados de espírito é algo que permeia toda a narrativa.

Existe também um filme, mexicano, que faz realmente juz à obra e que eu recomendo tanto como o livro.

Recomendo a todos os que gostam de livros de amor, de realismo mágico, de histórias bonitas e contadas com algum humor.

Boas Leituras!

Each of us is born with a box of matches inside us but we can’t strike them all by ourselves; we need oxygen and a candle to help. In this case, the oxygen for example, would come from the breath of the person you love; the candle would be any kind of food, music, caress, word, or sound that engenders the explosion that lights one of the matches. For a moment we are dazzled by an intense emotion.

A pleasant warmth grows within us, fading slowly as time goes by, until a new explosion comes along to revive it. Each person has to discover what will set off those explosions in order to live, since the combustion that occurs when one of them is ignited is what nourishes the soul. That fire, in short, is its food. If one doesn’t find out in time what will set off these explosions, the box of matches dampens, and not a single match will ever be lighted.

 

 

 

Vencedor Man Booker 2018

Manbooker 2018

Há algumas semanas vim aqui partilhar quem eram os finalistas do Man Booker 2018 e as minhas impressões sobre cada um apreciando apenas a sinopse.

Ontem foi finalmente anunciada a vencedora deste ano, que era a primeira finalista, Anna Burns com Milkman. Tal como disse no artigo anterior, parece-me uma aposta interessante e que tenho vontade de ler, contrariamente ao vencedor do ano passado, que me parece apenas chato.

Pelo que leio nos comentários é daqueles livros que se ama ou odeia, por isso considero um desafio lê-lo. Hei-de fazê-lo em breve.

Boas Leituras!

Acabei de Ler: The Woman Who Kept Everything

woman who kept

Keep scrolling if you prefer to read in English

Desta vez escolhi no Netgalley um livro que me pareceu divertido e descontraído e não estava enganada. The Woman Who Kept Everything conta-nos a história de Gloria, uma idosa de 79 anos, uma acumuladora de tralhas, revistas, recordações avulsas e lixo, de tal modo que a sua casa se torna inabitável e ela tem de ser temporariamente realojada, primeiro num lar e depois em casa do seu filho único.

Isso será o factor despoletador de mudanças profundas na sua vida, ajudada pelo seu amigo de infância Tilsbury e uma grande aventura de auto-descoberta vai mudar completamente o seu final de vida e a sua visão do mundo.

Se estiverem à espera dum livro extremamente preciso em relação aos problemas de acumulação, desenganem-se. Não é esse o objectivo desta história. No entanto conseguem abordar-se temas sérios, como doença mental e a falta de independência dos idosos. A certa altura da vida parece que se assume que uma pessoa já não é capaz de tomar conta de si própria e perde-se o direito a tomar decisões, escolher o que queremos, viver aventuras ou experimentar o amor.

Duma forma leve e descontraída este livro vem lembrar-nos que nunca é tarde demais para agarrar a vida com as próprias mãos e fazer as mudanças e decisões difíceis que nos levarão a tomar o rumo que queremos e achamos melhor para nós.

Recomendo a todos os que gostam duma história leve, bem contada e divertida. É apenas um livro descomprometido, mas nem sempre isso é mau, pois não?

Boas Leituras!

Goodreads Review

This time the book I chose on Netgalley was one that seemed fun, relaxed and I wasn’t wrong about it. The Woman Who Kept Everything tells us Gloria’s story, a 79 year old hoarder that accumulates magazines, memories and all kinds of junk on her house. This eventually leads to trouble and she needs to be rehomed, first in an old people’s home, later in her son’s house.

This will be the trigger that will provoke profound changes in Gloria’s life, first not pleasant ones but after a push from her long-time friend Tilsbury, she will experience a journey of self-discovery that will radically change her outlook on life.

If you are expecting an accurate depiction of hoarding problems, this book is not the place to look. That is not the purpose of the story. Nonetheless the author can still include some serious issues, like mental illness, depression, and the fact that we expect old people to give up on their lives as we deem them unable to make decisions, know what is best for them, live adventures or even find love.

In a light-hearted way this book reminds us that is never too late to grab our lives in our own hands and make all the necessary changes and adjustments to do what is best for us.

I recommend it to everyone who likes a light story, fun and well told. It is a light read, but that’s not always a bad thing, is it?

Happy Readings!

 

Livros que Recomendo: Asterix o Gaulês

Asterix o gaules

Não consigo enumerar as vezes que li este livro, mas foram largas dezenas. Este não foi o primeiro livro do Asterix que li. Essa honra cabe a Astérix e Cleópatra, depois duma amiga dos meus pais me ter levado a ver o filme de animação, mas desde aí nunca mais parei.

Todos os anos, na nossa visita anual à Feira do Livro, eu comprava pelo menos mais um volume da colecção. E sempre que isso acontecia eu voltava religiosamente a ler todos os outros. Tinha alguns preferidos (ainda hoje me lembro do Astérix entre os Helvéticos, ou entre os Bretões). Na realidade, se pensar bem, os meus favoritos eram todos aqueles em que Astérix e Obélix viajavam para terras distantes para ajudar algum amigo em apuros. Isso fez-me aprender imenso sobre outros países e a sua história, tudo em suave brincadeira.

Estes livros são mágicos, divertidos e podemos aprender alguma coisa com eles. Claro que estes dois amigos improváveis resolvem quase tudo à pancada, e neste mundo em que vivemos hoje do branqueamento do politicamente correcto, tenho a certeza que alguém se há-de insurgir contra isso. No entanto, eu que não acredito em politiquices e nunca resolvi nada pela força, tinha nestes livros os meus favoritos de infância.

A história deste livro é simples, e centra-se no rapto de Panoramix pelos romanos para obterem o segredo da poção mágica, com todas as peripécias que já sabemos virão a seguir. Acaba como sempre, com um grande banquete em que o bardo é de algum modo impedido de cantar!

Recomendo a todos os jovens de espírito, a todos os que gostam de BD e bons livros, a todos os que querem passar um bom momento com os seus filhos em leituras conjuntas.

E quem não se lembra das famosas palavras de abertura?

Estamos no ano 50 a.C.. Toda a Gália está ocupada pelos Romanos… Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis Gauleses resiste agora e sempre ao invasor.

Boas Leituras!

Fim de Semana em Constância

Constancia_04
Ler – A actividade principal do fim-de-semana

Ora depois de andarmos aqui em bolandas, decidimos que o melhor mesmo era aproveitar o previsivelmente último fim de semana de bom tempo e rumar a um sitio perto que ainda não conhecêssemos. A escolha recaiu em Constância, uma vila não muito longe de Lisboa, onde o Zêzere encontra o Tejo, e é isso que a torna especial.

Partimos na sexta para aproveitar o feriado, e fomos direitos ao Castelo de Almourol, outro dos sítios que ainda não conhecíamos. No caminho parámos no Restaurante Almourol para um almoço calmo, e ficámos agradavelmente surpreendidos. Apesar de muito cheio (para a próxima reservamos), o serviço foi bom e a comida bastante interessante. Eu comi um lombo de fataça, peixe que desconhecia, e fiquei fã. O peixe no forno do outro Peixinho já não estava tão bom, por isso win some lose some.

Se chegarem cedo, ou reservarem conseguem ainda uma bela vista para o Tejo que passa mesmo ali ao lado. Recomendo, gostámos muito.

Dali fomos então ver o Castelo de Almourol, para desmoer e conhecer mais uma coisa nova. É realmente bonito, numa paisagem privilegiada, mas para apanhar o barco até lá implicava esperar ao sol, e resolvemos deixar para outra vez. Estará agora uns dias fechado para renovações, mas não será muito tempo.

Finalmente rumo a Constância, ou melhor uma quinta sossegada a cerca de 2kms, que foi a nossa morada durante os 3 dias do fim de semana. Foram uns dias mesmo para descansar. Além dum passeio a Constância à beira Tejo e Zêzere, ainda fomos almoçar ao Dom José Pinhão, um restaurante simpático. Mas a maioria do tempo foi passado a ler à beira de piscina ou a passear pela quinta para ver os animais.

Já fazia falta um tempo assim, relaxado e sem mais preocupações que o grupo gigante de pessoas que ficaram na casa ao lado com uns miúdos que aparentemente tinham pilhas para gritar quase 24h por dia e cujo principal passatempo era fazerem bombas na piscina. Mas não pode ser tudo perfeito, se não custa mais voltar a trabalhar.

Mas Constância é uma zona simpática, com uma envolvente bonita e onde se come uma bela comida ribatejana. Eu pessoalmente recomendo a fataça, que não conhecia, mas que fiquei muito fã. E claro, tem uma imensidão de sítios bonitos e sossegados para ler.

Bons passeios e boas leituras!

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O Castelo de Almourol
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A piscina, local onde se passou toda a leitura
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O Zêzere e o Tejo encontram-se em Constância
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Fataça, uma iguaria que passei a conhecer

Acabei de Ler: A Morte de Lord Edgware (Poirot 9)

A-Morte-de-Lord-Edgware

Ultimamente tenho tido alguns dias em que a concentração não é muita, e, como disse anteriormente, nada como recorrer a velhas apostas seguras para proporcionar entretenimento e passar um bom bocado a ler descomprometidamente. Nessa categoria encontram-se os Poirots, até porque incumbi a mim própria a tarefa de os ler por ordem cronológica (de acordo com a lista do Goodreads e intercalados com o Inspector Maigret).

Assim, chegou a vez desta Morte de Lord Edgware. Foi mais um daqueles livros em que a Agatha Christie estava em alta e o mistério conseguiu manter-se mais ou menos até ao fim. Mesmo quando comecei a suspeitar de quem seria o assassino, não consegui de todo perceber o mecanismo do crime, o que foi bastante refrescante.

Esta autora vai tendo altos e baixos, e é muito bom quando ela consegue manter o mesmo nível durante dois livros seguidos, já que o anterior também foi bastante bem conseguido.

Recomendo a todos os amantes do género, fanáticos de Poirot e quem gosta duma boa leitura descomprometida.

Goodreads Review

Livros que Recomendo: O Hobbit

hobbit

Como grande fã de livros de fantasia faltava vir aqui recomendar um livro do mestre do género, aquele que lançou as bases para muito do que se escreve actualmente e que criou todo um mundo novo, repleto de criaturas, linguagens, complexas relações sociais e uma beleza delicada.

Seria de esperar que recomendasse a trilogia do Senhor dos Anéis, já que é sem dúvida a obra maior e mais representativa. No entanto, caso ainda não tenham reparado, o Peixinho é um nadinha obsessivo-compulsivo e acredita nestas coisas estranhas de ler uma história por ordem, e na realidade o que dá o pontapé de saída em toda esta história é este Hobbit. Aqui ficamos a conhecer detalhadamente esta raça, que vai ser fulcral no resto da história, bem como percebemos de onde vem o anel, como foi introduzido na história, mas acima de tudo é uma história muitíssimo bem contada.

Não se deixem por favor enganar pela xaropada comercial que foram aqueles 3 filmes em que este livro se transformou, e que não lhe fizeram justiça. A história não se arrasta assim tanto, os anões são muito mais divertidos, e a acção é real e dinâmica.

Tolkien inspirou-se nas histórias que contava aos seus filhos, bem como no seu próprio interesse noutros trabalhos de fantasia, nas lendas nórdicas e até mesmo no contexto social que o rodeava. Apesar de ser considerado um livro juvenil, a qualidade da história e da escrita tornam-no acessível a todas as idades.

Recomendo este livro a todos aqueles que gostam de se deixar seduzir e encantar por uma história fantástica, cheia de significado e com personagens que nos fazem sonhar.

Boas Leituras!