Ama Romanta no Blitz

Blitz

Este mês de Março a revista Blitz oferece um CD com raridades da velhinha editora do João Peste, Ama Romanta. E isso fez-me comprar novamente o Blitz e recuar no tempo aos meus 16 anos quando eu comprava o jornal e a primeira coisa que lia eram os “pregões e declarações“. Foi assim que percebi pela primeira vez que havia uma rivalidade entre norte e sul (ou Lisboa e Porto se quiserem) ao ler as Polémicas, que eram obviamente as minhas favoritas.

Mas comprei religiosamente o Blitz por muito mais de 15 anos, lia as reportagens dos concertos a que tinha ido, ficava zangada quando os críticos não gostavam tanto como eu tinha gostado, claramente não percebiam nada de música, ou pelo menos daquele género de música. Lia as críticas aos cds e discordava religiosamente do António Freitas que não gostava do mesmo tipo de metal que eu. Abria horizontes para outros tipos de sonoridades e aprendia sobre a música e a diversidade.

Hoje ao ver a revista fico um bocadinho desiludida, sinto que não é bem a mesma coisa. Sou saudosista, o papel de jornal tem uma mística diferente, mas se calhar é a minha adolescência que me traz a saudade da descoberta. O Blitz (para mim será sempre O Blitz), tal como todos nós tem de se adaptar ao mundo dos androids e dos ios, e conquistar novos públicos para não morrer.

No entretanto fica um cheirinho a passado com este CD. Ainda se encontra por aí até ao fim do mês, para quem quiser aproveitar.

Ode à Noite (Inteira)

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Gosto do momento, exacto ou nem por isso,
em que se torna possível colar cartazes
nas paredes ao lado dos meus ombros (espero
o autocarro, vejo devagar, sorrio). Mas
gosto, sobretudo, dos cães quase sem dono
que roçam as esquinas, pisando restos de garrafas
– ou das pessoas que desconheço
e das bebidas todas que ignoro
(porque me matam menos e se chamam
– como eu – insónia, pesadelo, golpe baixo).
Existem, claro, raparigas louras um tanto
heterodoxas que não te apetece beijar
(a forca do bâton, perfeita – o cigarro aceso
pedindo outro lume). Essas mesmas que hão-de
um dia procriar com zelo, evitando rugas,
tumores e o mundo como representação misógina.
Mais lírica, sem dúvida, é a lavagem das ruas,
com a cerveja a premiar a farda
demasiado verde e os bigodes de serviço.
Outros, alguns, tornam concreto o torpor
de um charro e pedem-te em crioulo básico
um cigarro português que tu vais dar,
sem esforço e sem palavras. Entre shots, piercings,
t-shirts de Guevara e gel, podes não acreditar
por algumas horas no axioma frágil do teu corpo.
Esfumas-te, como eles, no espelho de um bar
qualquer, país de enganos e baratas. E
quase gostas disso, quase: a música de punhais,
servil, um certo e procurado desencontro.
Um táxi te ensinará depois o caminho de casa
– ou o seu contrário, pois só ali (anónimo
e desfocado) eras finalmente tu, ou podias ser.
O resto, a vida, fica para outra vez.

Manuel de Freitas in Sunny Bar

No Dia Mundial da Poesia tinha de haver poesia no Peixinho!

 

Na Calha

Para Ler

A minha pilha de livros para ler deu mais um salto esta semana. Para começar há sempre quem goste de me presentear com livros no meu aniversário, e que bom que assim é. Depois tive umas mini férias onde aproveitei para rever velhas amizades, bibliófilas como eu, e com quem troquei ideias e nomes de livros. Por fim, o Peixinho Vermelho teve um ataque de consumismo e resolveu comprar um livro também. Quatro livros novos, três são portugueses, parece-me muito bem! Mas vamos por partes, e ver o que está na calha.

José Rodrigues Miguéis, Páscoa Feliz: Não conheço este escritor, mas a amiga que me ofereceu este livro é a mesma responsável pelo João Sem Medo e Era Bom Que Trocássemos Umas Ideias Sobre o Assunto, por isso a expectativa é alta. Gosto de literatura assim, cheia de portugalidade mas não daquele lirismo bacoco do antigamente. Com o nosso ADN, as nossas idiossincrasias, a nossa identidade. Depois falarei dele aqui.

Mário de Carvalho, O Livro Grande de Tebas, Navio e Mariana: Um escritor que gostei muito quando li o livro que falei acima, Era Bom Que Trocássemos Umas Ideias Sobre o Assunto. Escrita aparentemente simples, mas um vocabulário muito rico. Precisei mais vezes dum dicionário do que quando leio livros em inglês. Uma história irónica e fluida, um retrato social de costumes que gostei muito. Entusiasmada por começar a ler este.

José Rentes de Carvalho, A Amante Holandesa: Li nas férias passadas, cortesia dum passatempo da TimeOut o último livro deste obscuro autor radicado há anos na Holanda. Gostei bastante, tal como o Peixinho Vermelho, que resolveu que estava na altura de comprar mais um para juntar à nossa biblioteca. Já vem a caminho.

Shirley Jackson, We Have Always Lived in the Castle: Por último, uma amiga que me aconselhou muitas das coisas boas que já li na vida, e com tenho gostos muito parecidos, incluindo Margaret Atwood, aconselhou-me este livro. Pela sinopse parece-me que sai um bocadinho da minha zona de conforto, o que é só mais uma razão para o ler. Estou ansiosa, e depois direi aqui de minha justiça… suspense gótico… se conseguir dizer alguma coisa.

E pronto, por hoje é tudo que ainda tenho 25% do Fall of Hyperion para acabar de ler, o livro que não sei se quero que acabe ou se não me quero separar daquelas personagens nunca.

À Beira-Mar

O Peixinho Vermelho sabe bem que o melhor presente que me pode dar em qualquer ocasião é passeata, por isso toca de me surpreender com um fim de semana de aniversário à beira mar. Como 2016 foi muito intenso de viagens, este ano estamos a recuperar a carteira com pequeninos passeios cá por dentro, mas o entusiasmo dum peixinho é sempre o mesmo, basta haver água.

Pois que a primeira paragem foi no Portinho da Arrábida, para nos esticarmos ao sol a ouvir as ondas. O plano era ler um bocadinho na areia, mas como estou esgotada da minha cabeça acabei por ficar simplesmente a desfrutar do silêncio, dos pássaros e da natureza. Claro que isso durou pouco, porque apareceram dois irmãozinhos deliciosos a brincar com um papagaio e a brincadeira não tinha graça se eles não estivessem a brigar um com o outro com o volume dum jacto supersónico a descolar. Os pais, casal sapiente e sabedor, estava a mais de 500m da sua prole para proteger os próprios ouvidos, o que claro causava a que à briga se juntassem ainda os clamores de: “OH MÃE OLHA O MANO!”

Estávamos nós a pensar para os nossos botões que raio de karma é que nos faz sempre isto, quando um vento maravilhoso (estava um dia com algum vento, parte da areia da praia ainda não saiu dos meus cabelos) deu um sacão e levou o papagaio que deve estar agora algures em Marrocos. O silêncio voltou à praia e pudemos continuar a desfrutar da manhã em tranquilidade.

Depois dum almoço simpático numa das esplanadas da praia, onde fomos muito bem atendidos, rumámos ao destino final do fim-de-semana, Sesimbra. Da última vez que lá tinha ido, há cerca de 30 anos, foi para acampar com a minha madrinha e o meu primo que teria cerca dum anito, e lembrava-me duma vila pequena e simpática, e da longa subida para o parque de campismo.

Digamos que a simpatia da vila perdeu-se algures nestes 30 anos. Simplesmente não há lugar para estacionar em lado nenhum, supostamente há um parque algures, mas não conseguimos dar com ele, paga-se parquimetro todos os dias, incluindo ao fim de semana, e o hotel para onde íamos cobrava 10€ de parque (claro, toda a gente vai pagar, sob pena de ter de andar com o carro debaixo do braço).

Ora, nós somos teimosos e descobrimos um recanto onde não se pagava algures cá para cima, mas a descida era íngreme e com malas foi uma aventura. Enfim, senhores autarcas, não é simpático, não promove o turismo, deixo a minha opinião.

Depois a praia está com muito pouca areia, e também não convida a a passeata, porque nos sentimos ao colo das pessoas no paredão, por isso Sesimbra não deslumbrou. Valeu a piscina interior do hotel, muito acolhedora e onde passámos a tarde a escaldar o resto da cara. À noite fomos comer um belo peixe grelhado a um restaurante muito catita também, O Velho e o Mar, aconselho se forem para aqueles lados, mais uma vez o serviço foi simpático, a comida foi boa e a sobremesa, gigantesca, era bastante interessante.

Domingo começámos por dar uma passeata até ao Castelo de Sesimbra, que nenhum dos dois conhecia. Custou mais do que o previsto chegar lá, porque o meu telemovel estava nos seus estertores finais e o GPS resolveu achar que o castelo era uma casa abandonada no caminho para o Meco, mas depois desse equívoco resolvido valeu a pena o desvio, porque o Castelo verdadeiro está muito bem recuperado e tem uma vista lindíssima sobre a vila de Sesimbra. As exposições também são interessantes e explicam um bocadinho sobre a história da zona, dá para perceber há quanto tempo a fortificação existe e a importância estratégica que teve. Giro para miúdos e graúdos.

Para terminar achámos por bem voltar onde tínhamos sido felizes, e fomos de novo para o Portinho, mas infelizmente íamos levantando voo. Estava um vendaval que ninguém conseguia estar na areia, e o nosso peixinho grelhado acabou por ficar mais temperado do que desejaríamos.

Mas as praias da Arrábida são deslumbrantes, e gostamos muito de lá ir off season, para descontrair um bocadinho e aproveitar o sol de Inverno/Primavera. É sem dúvida das paisagens mais bonitas de Portugal.

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A nossa vista sobre a marginal de Sesimbra
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No Castelo de Sesimbra

42

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42 é, em bom inglês, the Answer to the Ultimate Question of Life, The Universe, and EverythingQue é como quem diz, a resposta para todos os mistérios existentes na vida, no Universo e em Tudo. Pelo menos foi essa a conclusão a que chegou um mega computador chamado Deep Thought após 10 milhões de anos de cálculos intensos.

Para quem nunca leu Douglas Adams, eu aconselho vivamente a sua leitura. O Hitchicker’s Guide to the Galaxy é um livro (ou conjunto de livros) absolutamente deliciosos, cheios de um humor muito britânico e refinado, mas com um conteúdo bastante mais elaborado do que à partida poderia parecer (já falei dele aqui).

Por exemplo, neste pequena paródia sobre o número 42 está subjacente a teoria de Garbage in Garbage out, que os diz que em computação se os dados que introduzimos à partida forem defeitusosos, ou lixo, então os resultados que vamos produzir serão também errados. Ecologista convicto, podemos também encontrar muitas mensagens de protecção da natureza e sobre o modo como o homem é muitas vezes arrogante no seu tratamento. Mas sempre debaixo duma capa de sarcasmo e muito humor. Aconselho muito.

Douglas Adams teria feito 65 anos ontem, dia 11 de Março, mas faleceu de ataque cardiaco em 2001.

Eu faço 42 anos hoje. É uma responsabilidade grande carregar durante 365 dias the meaning of Life, the Universe and Everything, e espero que no minimo isso mude a minha vida e me torne mais sábia. Senão, don’t panic!

Deus ex machina

Men ex machina

Falei num post anterior que certos livros puxam certos álbuns, ou certos tipos de música. Eu gosto de literatura, mas gosto também de muitos outros tipos de artes, e a música tem uma grande influência e uma grande presença no meu dia a dia.

Ora, já acabei de ler a primeira parte da saga Hyperion do Dan Simmons, e isso significa também que já estou noutras músicas e larguei o álbum de Mão Morta. Todo o livro era à volta duma peregrinação ao templo do Shrike, uma divindade biomecânica, e, coincidentalmente ou não, o álbum era também sobre a atração do homem pela tecnologia, a fusão do corpo humano com o metal, enfim tudo relacionado.

Esta semana no autocarro enquanto lia escolhi casualmente uma música para me acompanhar e fui dar a este velhinho album de Tool, Aenima, que curiosamente, ou talvez não, é bastante apocaliptico. Mais uma vez adequa-se imenso a este segundo volume “The Fall of Hyperion”, onde toda a trama se passa à beira da destruição da humanidade. A banda sonora perfeita para aumentar o prazer da leitura.

Videoclip aqui

Some say the end is near.
Some say we’ll see Armageddon soon.
I certainly hope we will.
I sure could use a vacation from this

Bullshit three ring circus sideshow of freaks

Here in this hopeless fucking hole we call L.A.
The only way to fix it is to flush it all away.
Any fucking time. Any fucking day.
Learn to swim, I’ll see you down in Arizona Bay.

Fret for your figure and
Fret for your latte and
Fret for your lawsuit and
Fret for your hairpiece and
Fret for your Prozac and
Fret for your pilot and
Fret for your contract and
Fret for your car.

It’s a bullshit three ring circus sideshow of freaks

Here in this hopeless fucking hole we call L.A.
The only way to fix it is to flush it all away.
Any fucking time. Any fucking day.
Learn to swim, I’ll see you down in Arizona Bay.

Some say a comet will fall from the sky.
Followed by meteor showers and tidal waves.
Followed by fault lines that cannot sit still.
Followed by millions of dumbfounded dip shits.

Some say the end is near.
Some say we’ll see Armageddon soon.
I certainly hope we will cause
I sure could use a vacation from this

Stupid shit, silly shit, stupid shit…

One great big festering neon distraction,
I’ve a suggestion to keep you all occupied.

Learn to swim. [3x]

Mom’s gonna fix it all soon.
Mom’s comin’ round to put it back the way it ought to be.

Learn to swim.

Fuck L Ron Hubbard and
Fuck all his clones.
Fuck all these gun-toting
Hip gangster wannabes.

Learn to swim.

Fuck retro anything.
Fuck your tattoos.
Fuck all you junkies and
Fuck your short memory.

Learn to swim.

Fuck smiley glad-hands
With hidden agendas.
Fuck these dysfunctional,
Insecure actresses.

Learn to swim.

Cause I’m praying for rain
And I’m praying for tidal waves
I wanna see the ground give way.
I wanna watch it all go down.
Mom, please flush it all away.
I wanna see it go right in and down.
I wanna watch it go right in.
Watch you flush it all away.

Time to bring it down again.
Don’t just call me pessimist.
Try and read between the lines.

I can’t imagine why you wouldn’t
Welcome any change, my friend.

I wanna see it all come down.
Bring it down
Suck it down.
Flush it down.

O Dia Internacional da Mulher

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Como já se disse em todo o lado, hoje é Dia Internacional da Mulher. Por isso, feliz dia da mulher. Feliz dia da mulher para todas nós.
Para  todas nós que criticamos a roupa umas das outras. Que dizemos como a Maria está gorda, e a Manuela conduz mal.
A vizinha de baixo não tem filhos, essa egoísta, e a de cima tem filhos a mais, essa egoísta.
A prima direita não faz depilação, que nojo, e a prima esquerda é uma obcecada do ginásio, que nojo.
Feliz dia da mulher para todas nós, que apesar das circunstâncias já serem adversas, ainda ajudamos todos os dias a cavar as nossas próprias sepulturas.

Por isso não me levem a mal, mas eu não desejo feliz dia da mulher a ninguém. Não aceito flores comemorativas com publicidade duma empresa, nem compro batons vermelhos com 50% de desconto. Em vez disso passo todos os dias a tentar ser melhor, a não perpetuar estereótipos, a não deixar que me julguem ou tenham pena de mim por não ter tido filhos. A tentar que cada presente que compro para uma menina tenha um significado, e que lhe mostre que ela pode ser o que quiser, mas sobretudo ser feliz, sem pressões exteriores.

A tentar ser mais liberta que a minha mãe, como sei que ela foi mais que a minha avó, e tentar deixar um mundo melhor.

Hyperion

hyperion

Acabei esta manhã de ler Hyperion de Dan Simmons e ainda estou a digerir esta obra massiva. Dan Simmons não trata os seus leitores como coitadinhos a quem tem de se fazer a papinha toda. Trata-nos como pessoas inteligentes e imaginativas, capazes de perceber o que é a Hegemonia, o que foi a Hegira, o que são farcasters  ou pelo menos inventar para nós próprios explicações suficientemente convincentes. E como não tem de perder tempo com explicações aborrecidas e inúteis, pode concentrar-se a escrever uma história magnifica, que é na realidade a história de sete personagens que embarcam numa peregrinação a um mundo distante, a uma divindade que é uma máquina orgânica, o Shrike.
E com esta base conseguimos pensar em história, poesia, humanidade, religião, ecologia, fragilidades.

Este livro é um grande épico, contado como as histórias clássicas da Antiguidade. Em cada capítulo, que é também a história pessoal de cada um dos personagens, vamos descobrindo mais um pouco deste mundo e das suas convoluções, vamos decifrando mais uma peça do puzzle, e vamos percebendo cada vez mais do funcionamento do Universo após a destruição da Terra e o grande êxodo humano.Escrito em 1989 este livro é estranhamente actual, porque o papel do Homem no mundo, a nossa arrogância de povo para povo, e para com as outras espécies não tem melhorado, quanto muito tem-se acentuado com o passar do tempo, como se prova pelos mais recentes acontecimentos da crise dos migrantes, do culto to medo e da intolerância, do discurso do nós contra eles. Incrível como um livro de ficção cientifica, esse género que é tantas vezes e tão injustamente catalogado como menor, ou livros para nerds, consegue tocar dum modo belíssimo e muito contundente em todos estes aspectos, com uma profundidade que é tocante.

E consegue fazer isso tudo sendo ao mesmo tempo uma história que é impossível deixar a meio. Eu que leio essencialmente no autocarro, como estou sempre a dizer, várias vezes ficava genuinamente desiludida por ter chegado a minha paragem, e ficava parada à porta do elevador só à espera de acabar aquela cena.

A maior parte da acção é passada na cidade dos poetas, o que já por si ganha pontos também. Depois, este livro e o seguinte, “The Fall of Hyperion” eram um só, e foram separados apenas por exigência da editora. Os ingleses têm um termo para o modo como este livro acaba, irrepetível em português: cliffhanger. E foi assim que me senti no final, à beira dum precipício, agarrada pelas pontinhas dos dedos, com alguém a soltá-los um a um. Escusado será dizer que já comecei a ler a sequela.

Goodreads Review

The limb of Hyperion had been glowing white and green and lapis above them for hours when suddenly the old dropship. had cut into the upper layers of atmosphere, flame had briefly filled the window, and then they were flying silently some sixty kilometers above dark cloud masses and starlit seas with the hurtling terminator of Hyperion’s sunrise rushing toward them like a spectral tidal wave of light. “Marvelous,” Paul Duré had whispered, more to himself than to his young companion. “Marvelous. It is at times like this that I have the sense … the slightest sense … of what a sacrifice it must have been for the Son of God to condescend to become the Son of Man.”

From my earliest sense of self, I knew that I would be—should be—a poet. It was not as if I had a choice; more like the dying beauty all about breathed its last breath in me and commanded that I be doomed to play with words the rest of my days, as if in expiation for our race’s thoughtless slaughter of its crib world. So what the hell; I became a poet.

Trainspotting 2

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Depois de uma semana cinzenta em muitos, muitos aspectos, nada como ir passear num Sábado de sol para recuperar energias e bom humor. Como falei no último post, está a decorrer a Restaurant Week e resolvemos mais uma vez aproveitar. Desta vez fomos até ao último piso do Hotel Altis Avenida, desfrutar não só da vista como duma magnífica refeição e dum excelente serviço. Aconselho vivamente, vale a pena.

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A sobremesa, bonita e leve. 

Depois passear a pé, subir o elevador do Chão do Loureiro e tomar um café com vista (mais uma vez). O nosso segredo já não é segredo, que era a esplanada da Pollux, e encontra-se neste momento fechada pra obras de remodelação. Depois de aparecerem na Timeout as coisas estragam-se, é uma realidade a que já nos habituámos.

O plano do dia seguia com cinema. Já não íamos há algum tempo, mas o Trainspotting 2 era um filme que era impossível perder. Em 1996, tinha eu 21 anos, e o Trainspotting foi um filme absolutamente marcante. Ainda me lembro da vertigem das primeiras imagens e daquele discurso quase demasiado rápido para o conseguir absorver, enquanto Renton nos dizia a todos quais as razões pelas quais (não) devíamos escolher a vida. Ou pelo menos aquela vida.

E agora, exactamente 21 anos depois, o que nos diz de novo Mark Renton? Sinceramente ainda não sei. Estou a tentar perceber se gostei ou não do filme. Enquanto Renton, Spud e Sick Boy (agora Simon) reflectem sobre a sua juventude perdida, vivem das memórias do que podia ter sido, é inevitável deixarmo-nos inundar pela nossa própria nostalgia e pensarmos no nosso “Choose Life“. Para onde foram os sonhos que tínhamos quando estávamos sentados na sala de cinema há 21 anos atrás? Onde estão os amigos com quem vimos o filme em 1996? Ainda me lembro sequer de quem eram? Que foi feito de nós?”

Se não tiver mais nenhum mérito, este filme põe pelo menos uma geração a perguntar-se qual foi o seu percurso nos últimos 21 anos.

De resto, ainda estou a absorver. A banda sonora, embora não tão inovadora como a do primeiro filme, continua a ser irrepreensível e cumpre perfeitamente o seu objectivo. Vale com certeza a pena ir ver, e o tempo que se passa na sala do cinema.

Podem ver aqui uma crítica mais séria do The Guardian.

Uma noite com salgadinhos

pz

Sábado passado, que já foi há uma eternidade, resolvemos voltar a ser jovens e sair à noite. Nos meus 20’s e inicio dos 30’s saía muito, era uma festeira, mas entretanto estou mais virada para os prazeres ligeiros dos jantares de amigos, cinema ou teatro. Mas há sempre excepções.

Neste sábado começámos por ir experimentar um restaurante mais pimpão aproveitando a Restaurant Week, o Sessenta. Somos fãs deste evento porque nos permite experimentar restaurantes que estão fora do nosso orçamento habitual, e termos experiências gastronómicas diferentes. Desta vez deliciamo-nos com uns lombos de atum e um risotto de espinafres e queijo da serra. Estava bom e o serviço era simpático, tal como na maioria dos sítios que temos experimentado desta maneira (o nosso favorito até agora foi o Eleven, e esta mania de pôr números nos nomes dos restaurantes é estranha). A Restaurant Week vai até dia 12 de Março, aproveitem.

Logo a seguir rumámos ao Cais do Sodré e sua famosa rua cor de rosa onde íamos ver o PZ no Music Box. Chegámos já depois das 22h, hora que era suposto começar, mas ainda esperámos uma saudável hora, porque concertos em bares devem começar mais tarde para nos permitir ir molhando o bico.

Fomos o caminho todo a planear vodkas e gins, e quando lá chegámos pedimos uma imperial e uma sidra. Ah pois é, os quarenta.

O concerto foi muito divertido, tal como esperávamos. A música é leve e descontraída, as letras às vezes são sérias às vezes são parvas, e o PZ conseguiu reunir uma pequena legião de fãs dedicados que dançaram energicamente, entoaram as músicas em coro e não o deixaram acabar. Literalmente, “Nunca Acaba” foi o que mais se ouviu no final do concerto e obrigou o músico a voltar mais que uma vez e a cantar duas das minhas músicas favoritas, Dinheiro e Croquetes.

Fenómeno interessante esse que consegue galvanizar um pequeno maralhal a cantar em uníssono uma letra sobre o seu amor aos croquetes, como se de uma qualquer devoção se tratasse. Que se foda o bacalhau, e estaremos lá para a próxima.

Vejam o vídeo aqui