A Gata

Colette

Por razões familiares tenho andado muito pelo Hospital de Santa Maria. Quase todos os dias, ao vir embora, passo pelo Estádio Universitário onde está uma daquelas “Feiras do Livro” que mais não são que uma tenda que alberga uns fundos de catálogo de gosto duvidoso, essencialmente sobre jardinagem e dicas alimentares que estariam em voga nos anos 80.

Mas de tanto lá passar acabei por sucumbir à tentação e ir espreitar. Era mais ou menos o que eu já esperava, uns livros manhosos de auto-ajuda a tentar ajudar a carteira do autor e a falhar redondamente, Feng-Shui e Yoga desactualizado e outras pérolas semelhantes.

Mas, muito bem escondidos lá no meio, pude encontrar verdadeiros tesouros. Por um lado bastantes edições da mesma editora do livro Páscoa Feliz de José Rodrigues Migueis, que faz edições facsimiladas e eu li algures no inicio deste ano. E se são atentos, sabem do fascínio que o Peixinho tem por clássicos da literatura erótica. Pois eis que mesmo à minha frente estava o livro que vêem acima, A Gata, de Colette, uma escritora francesa do início do século XX e que eu já andava de olho há bastante tempo. Com um preço muito simpático, era o último exemplar disponível.

Pronto, não fui capaz de resistir e lá veio comigo para casa. Felizmente na prateleira da poesia não houve nada que me conquistasse o coração, apesar de ter vacilado bastantes vezes.

Só prova que em qualquer lado com livros há a possibilidade de se encontrar bons tesouros. Está na lista de livros a ler em 2018.

Boas leituras.

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Compras na Feira

Compras Feira 2017

 

Já fez mais de uma semana que o Peixinho foi passear na Feira do Livro, mas já que ontem foi o seu último dia é finalmente tempo de fazer o balanço das compras. No final das contas consegui comprar apenas mais 4 livros.

Para além do livro de poesia que tinha falado no post anterior, e do qual já li um pedaço bastante saudável, não consegui também resistir ao humor do Vilhena, como já se tinha percebido. Esse ainda pertence à lista interminável dos livros para ler.

Os outros dois, pequeninos, vieram para enriquecer a minha colecção de eróticos, fazer companhia a outros títulos dos mesmos autores que já lá tenho. Não foram comigo para férias, porque são demasiado pequenos para justificar o esforço de os carregar. Falarei deles quando os ler, para já vão também engrossar a lista dos que estão na calha.

Férias passadas, de volta à escrita!

O Peixinho foi à Feira

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O Peixinho deu um salto à feira do livro depois do trabalho na ideia de dar uma volta descomprometida e tentar atingir a sua meta diária de 10 mil passos. O Peixinho é um incorrigível optimista, pois nenhuma destas coisas foi conseguida.

Esta é supostamente a maior feira de sempre, com inúmeros expositores e mais talhões que no passado. No entanto, os aglomerados editoriais da Porto Editora, Presença, Leya e 20/20 (quem são estes, estou desactualizada! Não encontrei lá nada digno de registo, diga-se), tornam difícil encontrar algo verdadeiramente diferente e original. No entanto deixo aqui a minha penitência pública, porque fui incapaz de resistir a Todas as Palavras de Manuel António de Pina, na Assírio e Alvim, agora detida pela Porto Editora. Estava uma pechincha, em livro do dia, a sorrir para mim e a implorar por um lar. Tive que o trazer.

Mas ainda há pérolas perdidas, na pessoa de pequenas editoras que recuperam autores mais pequenos da nossa história em edições fac-similadas e a preços muito convidativos. Este ano pude desfrutá-los com livros d‘A Bela e o Monstro, na banca da Editorial Planeta, ou na e-Primatur.

E depois, se há coisa que me desgraça é um funcionário simpático que gosta do seu trabalho. Na e-primatur estava calmamente a folhear os livros do Vilhena, pelos quais tenho algum carinho já que me lembram a minha infância. O único senhor da banca estava entretido com um dos seus autores que claramente tinha aparecido de surpresa para ver que destaque estavam a dar aos seus livros, e, muito subtilmente, queria a atenção que a sua posição merecia.

Por mim, óptimo, que eu já tinha esgotado o meu orçamento e não tencionava comprar mais nada. Estava simplesmente deliciada com a qualidade das edições. Assim que o autor deu espaço, o senhor da banca vem ter comigo e diz que não pôde deixar de reparar que eu tinha estado a ver os livros do Vilhena, e começou uma​conversa animada sobre o autor, o plano editorial que têm para as próximas obras, quando é que vão estar em livro do dia com o máximo de desconto. Já adivinharam, vim com o livro que estava em promoção, e ainda trouxe um saquinho com ofertas. Sou uma fácil.

De resto a feira está igual a si própria. Com mais roulottes de comida, mas que me pareceram bem enquadradas no espaço, com muita gente a passear, gente a levar os filhos a ter contato com os livros​, como os meus pais faziam comigo. E claro, passear na feira significa também encontrar amigos por acaso, comer um gelado enquanto nos arrependemos porque assim não podemos folhear os livros que queremos, e todos estes pequenos rituais tornam a experiência mais rica.

A frase do dia veio da boca duma turista brasileira, que gritou para uma amiga que ia mais à frente: “Oh Hilda, vamos embora que já vi que isto são só livros mesmo”!

E agora com licença, que tenho uns poemas para ir ler.

Feira do Livro 2017

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Chegámos àquela altura do ano em que se celebra a grande festa dos livros. Começa já amanhã, dia 1 de Junho, que acumula com o Dia da Criança, desculpa boa para levar lá os petizes, e para todos aqueles que como eu não foram abençoados com essa graça fugirem de lá a sete pés e escolherem outro dia para ir.

Já aqui disse o ano passado que os grandes monopólios editoriais tiraram um bocadinho de glamour à feira. Já não conseguimos encontrar grandes pechinchas, nem fundos de catálogo, apenas os mesmos nomes batidos que encontramos nas livrarias ou nos supermercados, mas mesmo assim a Feira continua a ser uma grande festa e um encontro de gente unida pelo interesse pelos livros e nesse aspecto é uma celebração que se sente no ar.

Como trabalho lá perto gosto de sair dum dia de trabalho e passear por lá a descontrair antes de ir para casa, mesmo que volte de mãos a abanar, ou apenas com algum livro de poesia comprado num alfarrabista.

Este ano espera-se que seja a maior Feira de sempre, com um número record de pavilhões e de expositores. Para não nos perdermos há um mapa aqui, e para podermos escolher cuidadosamente em que dia(s) fazer a visita, podemos consultar o livro do dia aqui

Está quase a começar, e a do Porto virá mais lá para a frente, em Setembro. Não percam, está lá até dia 18.

Feira do Livro

Feira do Livro 2016

Faltam exactamente duas semanas para abrir a Feira do Livro de Lisboa. Quando era miúda era um dos momentos altos do ano, equiparado ao Natal, pois os meus pais levavam-me lá no dia da criança e eu vinha sempre com sacos repletos de livros e brincadeiras.

Mais tarde, em jovem adulta, continuei a fazer a minha peregrinação anual religiosamente, e vinha mais uma vez com sacos carregados de livros, deslumbradas com descontos, oportunidades, novos lançamentos, mundos novos.

Hoje em dia a Feira está diferente. As editoras agruparam-se em gigantes monopólios, aqueles livros escondidos de fundo de catálogo que faziam as minhas delícias são cada vez mais inexistentes, os títulos à venda são sempre os mesmos, os autores são sempre os mesmos, a diversidade é cada vez menor. Nos últimos anos saí de lá apenas com alguma BD e livros de alfarrabista.

Apesar disso, continuo a ir todos os anos passear à Feira, até porque gosto do ambiente e de andar a pé por lá. E parecendo que não é um pulinho do meu trabalho, o Parque Eduardo VII é um sítio muito bonito com uma belissima vista, e há algo de reconfortante em hordas de pessoas reunidas em torno de livros.