Acabei de ler – Os Crimes do ABC, Poirot #13

Os-Crimes-do-ABC

Acho que depois de tanto tempo a ler livros que me demoravam um mês, como a saga Wheel of Time, ganhei o gosto por voltar a ler livros de um dia para o outro e peguei em mais um Poirot.

Não sei se já tinha lido este livro no passado, ou visto o episódio da série, mas a base da história era minha conhecida. Um assassino em série que desafia Poirot a apanhá-lo enquanto vai matando pessoas em ordem alfabética. No entanto os pormenores eram-me desconhecidos e deu-me muito prazer ler este livro. Também porque voltou o nosso amigo, Capitão Hastings, que é um personagem quase tão querido como o próprio Poirot.

Mais uma vez a história é fluida e bem construída e com um desfecho surpreendente. A narrativa é novamente diferente, já que todo o livro é narrado por Hastings, que está a documentar o caso em livro. Muito engraçado.

Recomendo a todos os apaixonados por Poirot, ou a quem lhe apetece uma boa história de crime.

Boas leituras!

Goodreads review

Anúncios

Acabei de Ler – Morte nas Nuvens, Poirot #12

Morte-nas-Nuvens

Depois de ter (re)tomado o gosto de ler livros do Poirot, já não quero outra coisa e peguei logo noutro. Este teve a vantagem acrescida de ser uma história que eu ainda não conhecia, coisa rara mas muito agradável.

Voltamos a uma narrativa mais tradicional, Poirot está presente quando se dá o crime, e faz até parte dos suspeitos. Vai trabalhar rápido para evitar mais mortes e limpar o seu nome para a opinião pública.

Gostei, está bem escrito como sempre, e a história é fluida e rápida. Só quase no fim é que percebi quem era o assassino, o que torna a leitura mais apetecível. Poirot mostra aqui os seus dotes de casamenteiro.

Recomendo a todos os que gostam de policiais e boas histórias.

Boas leituras!

Goodreads Review

O Esterco do Mundo

jose tolentino mendonça

Tenho amigos que rezam a Simone Weil;
Há muitos anos reparo em Flannery O’Connor

Rezar deve ser como essas coisas
que dizemos a alguém que dorme
temos e não temos esperança alguma
só a beleza pode descer para salvar-nos
quando as barreiras levantadas
permitirem
às imagens, aos ruídos, aos espúrios sedimentos
integrar o magnífico
cortejo sobre os escombros

Os orantes são mendigos da última hora
remexem profundamente através do vazio
até que neles
o vazio deflagre

São Paulo explica-o na Primeira Carta aos Coríntios,
«até agora somos o esterco do mundo»
citação que Flannery trazia à cabeceira

José Tolentino Mendonça in “A noite abre meus olhos – Poesia reunida”

Finalistas do Man Booker 2019

manbooker

Desde que nasceu o jaquinzinho, o Peixinho parece aqueles jornais regionais que dão as notícias com um mês de atraso. Isto para dizer que já saíu a lista de finalistas para o Man Booker 2019 no dia 3 de Setembro, e só agora venho aqui falar disso.

Este ano temos 6 finalistas de peso, alguns nomes já aqui falados, como Margaret Atwood e Salman Rushdie, outros que quero ler como Elif Shafak. Este ano ainda não tive a oportunidade de ler nenhum deles, mesmo tendo alguns estado disponíveis no Netgalley. Aliás o de Salman Rushdie ainda lá está, mas só em wish list.

Fico curiosa para saber quem vai ser o vencedor, porque este ano promote. Se alguém já leu algum destes livros, partilhe comigo se vale mesmo a pena. A 14 de Outubro saberemos o vencedor, ou, se seguirem pelo Peixinho, algum tempo indeterminado depois. Em baixo, a lista completa.

Margaret Atwood, The Testaments – sequela do Handmaid’s Tale, o seu livro tornado ainda mais famoso pela série de TV. Passa-se 15 anos depois do final do livro anterior.

Lucy Ellmann, Ducks Newburyport – um retrato acutilante da América dos dias de hoje, feito por uma dona-de-casa do Ohio. Pelo resumo que li parece-me bastante interessante.

Bernardine Evaristo , Girl, Woman, Other – seguimos os destinos de 12 personagens negras e britânicas por todo o país.

Chigozie Obioma , An Orchestra of Minorities – amores desencontrados na Nigéria e a história de Chinonso, que por amor vai tentar estudar no Chipre, e o que se segue é uma odisseia inspirada em Homero.

Salman Rushdie, Quichotte – Como este autor já nos habituou, este livro está recheado de humor, acção e ritmo. Um conto de amor quixotesco passado na América dos dias de hoje.

Elif Shafak, 10 Minutes 38 Seconds in This Strange World – talvez o mais interessante de todos os finalistas, na minha humilde opinião. Nos primeiros minutos após a sua morte, Leila vai relembrando as memórias mais relevantes da sua vida, com todos os sentidos, enquanto os amigos a tentam descobrir. Sem dúvida um livro a descobrir.

Boas Leituras!

Acabei de Ler – Frango com Ameixas

ameixas

 

Já sabem que sou grande fã de novelas gráficas, e também de Marjane Satrapi, autora de Persepolis que já aqui recomendei.

Descobri através do Instagram do Peixinho que o Público e a Levoir tinham lançado este Frango com Ameixas e corri a comprá-lo. Claro que nesta fase da vida, livros em que precise das duas mãos para ler tendem a ficar na estante mais tempo (já sou pró a usar o Kindle pousado numa superfície e passar páginas quase com o cotovelo), mas finalmente arranjei um tempinho para me dedicar a ele.

A história é a do tio avô da autora, famoso tocador de tar, a quem partem o precioso instrumento. Depois de muitas tentativas para o substituir, Nasser Ali Khan perde o sentido da vida e decide que quer morrer.

É uma história triste e romântica, cheia de volte faces tão surpreendentes como a natureza humana, simples mas muito bem construída.

Recomendo a todos os que gostam de novelas gráficas, histórias de amor, beleza em geral. Não se vão arrepender.

Boas leituras!

Goodreads Review

Colheita de 98

jose-miguel-silva

Comprei ontem no supermercado
uma garrafa de maduro tinto do Ribatejo.
Se o rótulo não mente, estou perante
um vinho de cor granada, um corpo excelente,
sabor e aroma muito acentuados,
com alguma evolução e persistência.

Talvez não seja o Bem, a Beleza, a Verdade,
mas é melhor do que a minha vida incorpórea,
caprichosa, sem evolução,
de cor avinagrada e aroma nenhum.

Além disso é garantido por testes laboratoriais,
enquanto eu – quem me garante o quê?

José Miguel Silva

Livros que Recomendo – Fernão Capelo Gaivota

fernaocapelogaivota

Quando eu era adolescente Richard Bach estava muito na moda, e este era o seu livro bandeira. Era um daqueles escritores como agora há muitos, de se escrever as frases favoritas em caderninhos e depois escrever nos postais de aniversário dos amigos, no tempo em que não era só uma frase com efeitos no Facebook.

Sendo aviador, os seus livros estão cheios de referências a aviões e ao acto de voar, uma espécie de Saint-Exupery dos pobres. No entanto, e apesar deste começo tão desolador, há méritos neste livros de 1970.

O nosso protagonista é uma gaivota que se cansa da vida diária, das lutas por comida, do quotidiano sem significado, e acredita que voar há-de ser mais que apenas um modo de deslocação. Porque não retirar prazer dessa actividade, aperfeiçoá-la? Ele começa então a fazer acrobacias, a tentar todos os dias voar melhor, e isso faz com que seja incompreendido pelo seu bando e posto de parte. Esta é a primeira parte desta fábula, que fala sobre nós e o nosso desejo de aperfeiçoamento constante, a nossa relação com Deus e com os outros, usando as gaivotas como pano de fundo.

Poderá ter saído de moda, e já não andar nas bocas do mundo, mas não deixa de ser uma boa reflexão, que nos faz pensar, trazida dum modo leve e despretensioso. Não será com certeza pior que os Chagas Freitas desta vida.

Recomendo a todos os que gostam de livros que nos ajudam a pensar, levezinhos e que nos prendem a uma história.

Boas Leituras!

Acabei de Ler – Tragédia em Três Actos, Poirot #11

poirot 11

Fez em Agosto 4 anos que eu comecei a empreitada de ler todos os livros do Poirot por ordem de publicação. 4 anos volvidos e eu vou no número 11, já que isto é uma maratona e não um sprint, como a vida.

Este 11º volume foi bastante refrescante. Na primeira metade do livro mal vemos o nosso detective, apenas aparece como personagem bastante secundária, e é só quase no final que ele se junta aos outros personagens para desvendar o mistério. Uma narrativa diferente do habitual, sem o fiel amigo Hastings, mas bastante interessante e original.

Não vou desvendar muito da história, apenas refiro que os nossos investigadores aqui, um actor de teatro retirado dos palcos e o seu pragmático amigo, são bastante convincentes e eficientes nos seus papeis, e a história é suficientemente interessante para se ler num sopro.

Como sempre, recomendo a fãs do género, e leitores que gostem duma boa história.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Acabei de Ler – Bone Clocks

bone clocks

Mais uma vez estava na altura de fazer uma pausa na saga Wheel of Time, e desta vez resolvi voltar a um dos meus autores favoritos, David Mitchell. Foi ele quem escreveu um livro que já aqui recomendei, Cloud Atlas, e a sua obra está toda interligada como se fosse um romance gigantesco. Um metalivro para usar a terminologia do momento. Por esse motivo, depois de ter lido o Cloud Atlas eu resolvi pegar nos livros do autor por obra de publicação.

Desde que tenho o Peixinho apenas li Os Mil Outonos de Jacob de Zoet, porque, tal como uma tablete de chocolate de São Tomé e Príncipe, comemos pouco de cada vez para durar mais.

Agora resolvi que estava na altura de retomar e ler o livro seguinte, Bone Clocks. Aqui seguimos Holy Sykes desde os seus 15 anos até à velhice. Holy é uma personagem muito interessante e bem construída, rodeada de personagens igualmente bem conseguidas. Algumas já conhecidas de outros livros, alguns conceitos revistos e aumentados, e sempre um elemento fantasioso sem ser um livro de fantasia.

Uma das coisas que eu gosto em David Mitchell, para além da qualidade da escrita e dos temas relevantes que aborda, é o modo como nos faz gostar de personagens amorais. Aqui temos Hugo Lamb, que é detestável mas que não conseguimos detestar, e o escritor Crispin Hershey, que tem pontos em comum com o próprio autor e que eu gostei bastante apesar das suas fraquezas.

Não é talvez o melhor livro de David Mitchell, mas é mesmo assim muito bom. Faz-nos pensar nas consequências dos nossos actos, nas ligações que nos rodeiam e, sobretudo agora com os incêndios na Amazónia, no que o futuro próximo nos reserva.

Aconselho a todos os que gostam de boas histórias, diferentes e originais. Se quiserem ler uma review muito completa, com as ligações aos outros livros incluídas, vejam aqui.

Goodreads review

14

goncalo m tavares

A história da dança não é, não pode ser, o Percurso dos Movimentos traçado no chão.

É, tem de ser, o Percurso dos Movimentos Traçado no ar.

Acreditar que os Pássaros são resto de COREOGRAFIAS. Imagens do corpo que ficaram atrás, suspensas.

(As nuvens ainda, tudo o que é alto, o céu.)

Os pássaros são restos de COREOGRAFIAS.

Gonçalo M Tavares in o Livro da Dança