O Primeiro Maigret

Pietr the Latvian

Aqui há bem pouco tempo o Netgalley deu-me a oportunidade de conhecer o Inspetor Maigret e o seu autor, Georges Simenon. Como gostei tanto, aproveitei as férias para ler aquela que foi a sua primeira história, porque nada como começar pelo início para perceber bem a evolução duma personagem.

Maigret é radicalmente diferente do meu outro inspetor de estimação, o Poirot. Para começar, interessa-se muito mais pelo método científico, as provas, é um homem de acção, de fazer, mais do que ficar parado a pensar. No entanto, tal como o nosso amigo belga, é um profundo conhecedor da natureza humana e do que motiva as pessoas.

O facto de toda a acção se passar em Paris torna o livro muito refrescante, pois é uma quebra com a realidade anglo-saxonica que nos é constantemente apresentada.

O facto de ter sido escrito em 1929 torna este livro muito livre, sem a ditadura do politicamente correto que nos escraviza hoje em dia, por isso podemos encontrar coisas escritas que seriam impensáveis nos dias de hoje.

Aconselho a todos os amantes de policiais, e boas histórias, bem escritas.

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Férias no Sapal

Preparo este post nas notas do telemóvel à beira da piscina no meio do sapal de Castro Marim. Apesar de ter a aplicação do blog, ainda não me entendo a fazer os posts por lá, nem tive paciência para me dedicar a estudar como é que se faz.  Enquanto escrevo, temo pela saúde do telemóvel por causa de dois miúdos com verdadeiras metralhadoras de água que encetam uma guerra sem quartel à volta da piscina, com um intrincado conjunto de regras que faria inveja a um verdadeiro estratega militar. É refrescante ver miúdos que ainda sabem brincar sem ecrãs, mesmo enquanto eu temo pelo meu.

Vim passar uma semana a Castro Marim, no espírito vá para fora cá dentro que pauta este ano. Trouxe tudo o que preciso. Muitos livros novos no Kindle, dos quais vou ler apenas uma fração, revistas para a praia, que sou demasiado picuinhas para sujeitar o meu Kindle a tão altas temperaturas e perigo de roubos, muito protetor solar e, acima de tudo, muito stress acumulado para deixar na água do mar.

O sítio que descobrimos, o Sobral de Baixo, é uma quinta perdida no meio do sapal, com pequenos apartamentos acolhedores e uma piscina onde apetece estar. Está suficientemente isolado para só se ouvirem os passarinhos, mas perto para só demorarmos 5 minutoss para a praia ou restaurante mais próximos. Ideal para o tipo de férias que gostamos.

Os dias são passados entre caminhadas na praia, a tentar retomar alguma da forma física que o problema de costas me tem retirado. 7 a 8 kms por dia, devagarinho na areia rija. Depois muitos banhos de mar, que lavam a alma e levam consigo más energias e maus pensamentos. As tardes, como esta em que vos escrevo, à beira da piscina, a ver as andorinhas beber água e a ouvir pouco mais que os pássaros. Pelo meio tudo o que apeteça, entre gelados e peixe grelhado e muitos livros.

Quando finalmente puser este texto no blog, já estarei a trabalhar, e este vento que toca nas árvores não é mais que uma recordação, ou talvez nem isso, engolido pelo peso dos dias.

Mas enquanto isso não acontece, vou até ali dar umas braçadas, para aproveitar as tréguas na guerra sem quartel que se desenrola à minha volta.

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Caminhadas na praia
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Tardes de piscina
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Muita leitura
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Passeios no pomar, no meio do sapal
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Praia ao amanhecer
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Praia ao anoitecer
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Próxima paragem: Alentejo!

Para Isabel

Isabel

Acabei há pouco tempo de ler o livro de António Tabucchi, For Isabel, a mandala. Apesar de ser um autor bastante conhecido em Portugal, principalmente por causa de Afirma, Pereira, eu nunca tinha lido nada dele e não sabia o que esperar, para além dum livro dum autor estrangeiro passado no nosso país, que foi publicado após a sua morte.

Nesse sentido não sei sequer se o título que o Netgalley me proporcionou (mais uma vez esta fonte na origem de tantas alegrias) é ou não um típico livro deste autor, mas isso apenas me deixa com o”problema” acrescido de ter de ler outras obras para criar uma base comparativa. Parece-me um bom problema para se ter.

Este livro é tal e qual o que o nome indica, uma mandala. Isabel é uma mulher misteriosa que desapareceu antes do 25 de Abril e que o narrador procura incessantemente em círculos concêntricos, dentro e fora do seu pensamento. Não sabemos bem quem é Isabel, muito menos quem a procura, mas de algum modo isso não é relevante para a história, tanto quanto os círculos que vão sendo feitos na descoberta e que vão revelando um pouco dum país poético à beira da revolução, e a busca de alguém que perdemos e que está escondido no seu nada, que um dia se cruzará com o nosso.

Para quem for fã de histórias lineares em que tudo faça extremo sentido, este não é o livro certo. Mas para quem goste de ser conduzido por um certo realismo místico, lírico, esta pequena obra será uma companhia deliciosa.

Para mim, o único ponto fraco foi a sua tradução para inglês. Se encontrasse versão em português, leria de novo, porque é dos raros casos em que acho que a tradução era tosca. E nem me refiro ao triste bacallá, que demorei uns minutos a perceber que era o nosso fiel amigo.

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Compras na Feira

Compras Feira 2017

 

Já fez mais de uma semana que o Peixinho foi passear na Feira do Livro, mas já que ontem foi o seu último dia é finalmente tempo de fazer o balanço das compras. No final das contas consegui comprar apenas mais 4 livros.

Para além do livro de poesia que tinha falado no post anterior, e do qual já li um pedaço bastante saudável, não consegui também resistir ao humor do Vilhena, como já se tinha percebido. Esse ainda pertence à lista interminável dos livros para ler.

Os outros dois, pequeninos, vieram para enriquecer a minha colecção de eróticos, fazer companhia a outros títulos dos mesmos autores que já lá tenho. Não foram comigo para férias, porque são demasiado pequenos para justificar o esforço de os carregar. Falarei deles quando os ler, para já vão também engrossar a lista dos que estão na calha.

Férias passadas, de volta à escrita!

O Peixinho foi à Feira

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O Peixinho deu um salto à feira do livro depois do trabalho na ideia de dar uma volta descomprometida e tentar atingir a sua meta diária de 10 mil passos. O Peixinho é um incorrigível optimista, pois nenhuma destas coisas foi conseguida.

Esta é supostamente a maior feira de sempre, com inúmeros expositores e mais talhões que no passado. No entanto, os aglomerados editoriais da Porto Editora, Presença, Leya e 20/20 (quem são estes, estou desactualizada! Não encontrei lá nada digno de registo, diga-se), tornam difícil encontrar algo verdadeiramente diferente e original. No entanto deixo aqui a minha penitência pública, porque fui incapaz de resistir a Todas as Palavras de Manuel António de Pina, na Assírio e Alvim, agora detida pela Porto Editora. Estava uma pechincha, em livro do dia, a sorrir para mim e a implorar por um lar. Tive que o trazer.

Mas ainda há pérolas perdidas, na pessoa de pequenas editoras que recuperam autores mais pequenos da nossa história em edições fac-similadas e a preços muito convidativos. Este ano pude desfrutá-los com livros d‘A Bela e o Monstro, na banca da Editorial Planeta, ou na e-Primatur.

E depois, se há coisa que me desgraça é um funcionário simpático que gosta do seu trabalho. Na e-primatur estava calmamente a folhear os livros do Vilhena, pelos quais tenho algum carinho já que me lembram a minha infância. O único senhor da banca estava entretido com um dos seus autores que claramente tinha aparecido de surpresa para ver que destaque estavam a dar aos seus livros, e, muito subtilmente, queria a atenção que a sua posição merecia.

Por mim, óptimo, que eu já tinha esgotado o meu orçamento e não tencionava comprar mais nada. Estava simplesmente deliciada com a qualidade das edições. Assim que o autor deu espaço, o senhor da banca vem ter comigo e diz que não pôde deixar de reparar que eu tinha estado a ver os livros do Vilhena, e começou uma​conversa animada sobre o autor, o plano editorial que têm para as próximas obras, quando é que vão estar em livro do dia com o máximo de desconto. Já adivinharam, vim com o livro que estava em promoção, e ainda trouxe um saquinho com ofertas. Sou uma fácil.

De resto a feira está igual a si própria. Com mais roulottes de comida, mas que me pareceram bem enquadradas no espaço, com muita gente a passear, gente a levar os filhos a ter contato com os livros​, como os meus pais faziam comigo. E claro, passear na feira significa também encontrar amigos por acaso, comer um gelado enquanto nos arrependemos porque assim não podemos folhear os livros que queremos, e todos estes pequenos rituais tornam a experiência mais rica.

A frase do dia veio da boca duma turista brasileira, que gritou para uma amiga que ia mais à frente: “Oh Hilda, vamos embora que já vi que isto são só livros mesmo”!

E agora com licença, que tenho uns poemas para ir ler.

Um Ano de Paraíso

Mucumbli - Praia

Está a fazer um ano que viajámos para o que foi até agora a melhor viagem da minha vida, São Tomé. Todos os pormenores estão ainda muito marcados na minha memória, especialmente na afectiva.

Lembro-me de chegar e ser recebida por um cheiro quente, primeiro a alcatrão da pista de aterragem, depois a humidade, calor e mar. De ser já escuro e noite, apesar de ainda ser cedo e do motorista que nos esperava, o Sr. Agnaldo, ser extremamente simpático e explicar-nos tudo o que íamos vendo pelo caminho.

Das casas serem quase todas de madeira, sem janelas para afugentar o calor, e da quantidade imensa de pessoas que estavam na rua a celebrar a noite de sexta. O cheiro a mar que nos esperava no quarto, e um jantar delicioso, prenúncio da melhor comida do mundo que nos iria acompanhar em toda a viagem.

Comida maravilhosa, paisagens lindas, um mar que nos embala, e as pessoas de sorriso fácil e animais maravilhosos. E calor, calor por todo o lado, humidade que se agarra a nós e não nos deixa fazer tudo aquilo que queríamos.

Os sitios que escolhemos para ficar, o Mucumbli e a Sweet Guest House foram não só maravilhosos, como nos proporcionaram conhecer gente muito interessante que vai ficar no coração, e os passeios que fizemos foi só uma pequena amostra do que a ilha tem para oferecer (almoçar na Roça dos Angolares e o chocolate do Claudio Corallo foram experiências inesquecíveis).

Muito ficou por fazer, muitos planos para próximas viagens. São Tomé começa agora a estar na moda, o que pode ser uma boa notícia para as suas gentes, mas eu espero sinceramente que avancem na direcção certa, com respeito pela natureza única que têm, com turismo sustentável e com respeito pelas suas gentes.

Eu espero voltar, conhecer o Príncipe, dar a volta à ilha de barco, ver golfinhos, baleias e tartarugas, e levar a vida leve-leve.

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Barracuda

Mucumbli - Por do Sol

O Cacau

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Trump e o Acordo de Paris

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Como já devem ter percebido o Peixinho não é muito de debater política, pelo menos neste espaço. No entanto, se há tema que me deixa com os cabelos (guelras?) em pé é o ambiente, ou que dele fazemos. Por isso foi com profundo pesar que assisti há pouco na televisão ao discurso do senhor acima em que anunciava a sua saída do acordo de Paris.

Resumindo dum modo muito simplista o senhor diz que não quer saber do dito acordo porque isso vai influenciar negativamente os seus contribuintes, e os seus votantes, e fazer fechar fábricas, e nós temos é que tornar a América grandiosa outra vez.

É como se vivêssemos todos na mesma casa e o vizinho do lado insistisse em ouvir música aos berros às 5h da manhã porque só assim é que se conseguia concentrar, independentemente do que o resto do condomínio tivesse decidido. Ou aquele miúdo que acabava sempre a brincar sozinho porque insistia em mudar as regras dos jogos todos sempre que estava a perder pontos. Irritante, não é?

A minha pergunta (retórica, claro) é porque é que nós temos que aturar isto? Antigamente dizia-se que os malucos deviam deixar-se a falar sozinhos. Se o senhor diz que os carros alemães são muito maus, só por se venderem na América, se os mexicanos são muito maus, só por tentarem entrar na América, se basicamente tudo o que entra/se vende/se consome na América que não seja Americano é inerentemente mau, porque raio temos nós de consumir coisas americanas, a começar pelo tempo de antena incessante que ele tem na nossa comunicação social?

Se todos nós deixássemos de ver filmes, séries, ler livros, consumir produtos, ver as conferências de imprensa do senhor. Se não quiséssemos saber o que andam as Kardashians a fazer (eu já não quero, por isso perdia pouco nesse campo), quem perderia na realidade? Se boicotássemos tudo o que vem dos Estados Unidos?

É certo, que como viciados em Netflix, ao principio seria complicado e sofreriamos sintomas de abstinência. E obviamente que teríamos perdas dolorosas e significativas. Mas passado o choque inicial, descobriríamos que o resto do mundo não é o deserto que pensamos e tem, pasme-se, bom cinema, boa literatura, boa fast (e slow) food. E teríamos um resto de mandato Trumpiano muito mais descansado. E quando o senhor finalmente se fosse embora logo poderíamos retomar a normalidade com o que ainda restasse.

Eu estou a brincar, mas isto é sério. Enquanto andamos distraídos com frivolidades nas redes sociais diariamente, o nosso futuro (ou falta dele) desenha-se nestas decisões populistas que não vêm para além do imediato. Para reflectir.

Feira do Livro 2017

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Chegámos àquela altura do ano em que se celebra a grande festa dos livros. Começa já amanhã, dia 1 de Junho, que acumula com o Dia da Criança, desculpa boa para levar lá os petizes, e para todos aqueles que como eu não foram abençoados com essa graça fugirem de lá a sete pés e escolherem outro dia para ir.

Já aqui disse o ano passado que os grandes monopólios editoriais tiraram um bocadinho de glamour à feira. Já não conseguimos encontrar grandes pechinchas, nem fundos de catálogo, apenas os mesmos nomes batidos que encontramos nas livrarias ou nos supermercados, mas mesmo assim a Feira continua a ser uma grande festa e um encontro de gente unida pelo interesse pelos livros e nesse aspecto é uma celebração que se sente no ar.

Como trabalho lá perto gosto de sair dum dia de trabalho e passear por lá a descontrair antes de ir para casa, mesmo que volte de mãos a abanar, ou apenas com algum livro de poesia comprado num alfarrabista.

Este ano espera-se que seja a maior Feira de sempre, com um número record de pavilhões e de expositores. Para não nos perdermos há um mapa aqui, e para podermos escolher cuidadosamente em que dia(s) fazer a visita, podemos consultar o livro do dia aqui

Está quase a começar, e a do Porto virá mais lá para a frente, em Setembro. Não percam, está lá até dia 18.

Viagens pela América

Bill Bryson - The Lost Continent

Há dois momentos que marcam a minha vida literária. Aos 14 anos quando eu li Os Meus Problemas do Miguel Esteves Cardoso, e que marcou o ínicio da minha leitura de livros de adultos, e quando comecei a trabalhar na empresa onde estou agora, com gente de muitas proveniências e nacionalidades, e começámos a trocar ideias de leitura. Isso foi o abrir dum novo mundo até então desconhecido e que se veio consolidar com a compra do Kindle.

Bill Bryson apareceu nesse segundo momento, emprestado por uma amiga, e foi a minha entrada na literatura de viagens. Não me lembro exactamente o primeiro livro dele que li, porque já li muitos, mas é capaz de ter sido Neither here or there, que relata viagens pela Europa com um amigo seu em interrail, e achei delicioso, com o seu sentido de humor mordaz e percepção aguda da realidade. Depois disso vieram muitos mais, mas acho que o meu favorito é A Short History of Nearly Everythingum livro cujo título não deixa margem para dúvidas, mas que é uma espécie de história das ciências. Inclusivamente já o ofereci algumas vezes.

Agora estava numa daquelas fases que não sabia no que havia de pegar e decidi-me por este livro que tinha aqui para ler há bastante tempo, Travels in Small Town America. Ora, este foi o primeiro livro deste autor, escrito nos finais dos anos oitenta, acerca dumas viagens que fez pelo interior da America na tentativa de recrear as férias de verão que passava em família na sua infância.

Como retrato histórico e sociológico tem algum interesse, pois estamos em plena era Reagan e podemos ver as mudanças que se operaram (ou não) desde essa altura na America. Há comportamentos que pressentimos que seriam hoje em dia impensáveis, ou pelo menos mais disfarçados, o mundo já passou por alguns momentos de crise económica e isso terá afectado severamente algumas das áreas por onde o autor passou (Detroit, por exemplo, onde num momento de clarividência o autor se pergunta o que acontecerá à cidade se no futuro a indústria automóvel deixar de estar tão florescente).

Mas no geral é um livro que não tem a mesma chama dos outros que li, e nalguns momentos quase que me invadia um desespero por o tormento nunca mais acabar. Numa visão puramente objectiva, eu podia simplesmente fechar o livro e partir para outra, já o tenho feito outras vezes, mas alguma coisa me impossibilitou de tomar essa decisão e continuei estoicamente até ao fim. Parecia que havia sempre a esperança que houvesse alguma pérola de sabedoria escondida nas páginas finais. Não havia.

Se não conhecem este autor, aconselho vivamente, tem um humor sarcástico delicioso, uma visão da vida que nos deixa mais do que um sorriso, com uma sonora gargalhada, mas não aconselho este livro. Aconselho os outros dois que falei acima, para começar. Deixo-vos um momento do passado que era no entanto estranhamente relevante para o nosso presente.

On Fifth Avenue I went into the Trump Tower, a new skyscraper. A guy named Donald Trump, a developer, is slowly taking over New York, building skyscrapers all over town with his name on them, so I went in and had a look around. The building had the most tasteless lobby I had ever seen-all brass and chrome and blotchy red and white marble that looked like the sort of thing that if you saw it on the sidewalk you would walk around it. Here it was everywhere-on the floors, up the walls, on the ceiling. It was like being inside somebody’s stomach after he’d eaten pizza.

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Fátima e a festa do cinema

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Esta semana que passou viu passar mais uma Festa do Cinema, em que durante 3 dias e por apenas 2.5€ podemos ter acesso a qualquer filme que queiramos ver, apenas pagando mais as taxas de 3D ou VIP, se for aplicável. Nós aproveitámos o último dia, quarta-feira, para celebrar o cinema português e fomos ver o Fátima de João Canijo.

Não podia ser mais apropriado ao mês em que estamos, com as comemorações do centenário das aparições, já que o filme segue o percurso de 11 mulheres que durante 9 dias fazem o percurso mais longo de peregrinação no nosso país, desde Vinhais até Fátima.

No entanto, a religião aqui é um mero pano de fundo do filme, já que a verdadeira história se centra nas relações entre aquelas 11 mulheres numa situação limite, e nas dinâmicas entre elas.

Eu pessoalmente gostei bastante do filme. Houve pormenores bastante bem conseguidos, as actrizes eram genuinamente transmontanas, e os diálogos muito verossímeis. É fácil acreditar que na realidade não houvesse um guião estruturado, e simplesmente indicações e depois lhes dessem rédea livre para improvisar conversas, de tal modo tudo soa natural. E claro, a Rita Blanco é uma belíssima actriz, como já nos tem habituado, mas devo dizer que a achei muito bem acompanhada, e aquelas jovens  não lhe ficaram atrás.

Depois achei a fotografia bastante interessante. Conseguimos apreciar as mudanças geográficas à medida que vamos descendo o país, a paisagem deixa de ser tão bela e dramática, como era em Trás-os-Montes e passa a ser um aglomerado de pinheiro e eucalipto quando entramos nas Beiras, e mesmo pormenores como a quase ausência de trânsito para a opressão constante dos camiões quanto mais nos aproximamos de Fátima, também está muito bem conseguida.

Depois, tendo eu passado por vezes verões inteiros na aldeia da minha avó, consigo ver claramente aquelas interações entre aquelas mulheres como tão possíveis. Aquela intrusão na vida alheia, o “não tenho nada a ver com isso, tu é que sabes, mas se fosse eu” constante.

E mesmo a organizadora da peregrinação está muito bem conseguida. Num dos verões que passei na aldeia, a minha avó quis levar-me a Vigo numa excursão. E eu pensei que seria engraçado passar esse tempo com ela, gostava desses programas que fazíamos só as duas, acabávamos sempre a divertirmo-nos. Bom, a organização era indescritível. O autocarro teria os normais 55 lugares, por aí, e ainda antes do último sítio de recolha de passageiros já ia gente sentada nas escadas de entrada. As últimas pessoas já foram deixadas “em terra”. E depois foi sempre a piorar. Passámos a noite em Vigo, mas o único sítio para dormir era o autocarro, o tempo de visitar a cidade foi entre as 7:30 da manhã e as 8:00, e só havia um motorista que à volta para casa já vinha a dormir a fazer as curvas do Luso. Um pesadelo, mas que faz perceber que há muita verdade na D. Isaura do filme.

Tendo dito tudo isto, aconselho vivamente, mas também aviso que devem ir preparados para um filme que dura cerca de 2:30, porque uma peregrinação nunca é curta.