Projectos para 2022

gfd 5-10-2021

Depois de um ano em que li 63 livros, coisa que não acontecia desde os meus tempos de jovem e inconsciente, que tipo de planos é que posso fazer para 2022 e que não sejam impossíveis à partida? Boa pergunta, eu própria não sei.

Não vou certamente propor-me a ler a mesma quantidade de livros, para depois não andar a escolher os mais curtos que tenho no Kindle só para atingir metas virtuais. 50 é o meu número mais comum, e é por aí que vamos ficar.

Como já acabei os Poirots, também não há nenhuma série recorrente que eu queira terminar. Se conseguir ler mais um volume de Wheel of Time, já me darei por muito satisfeita.

O maior problema é que neste momento estou numa daquelas fases sem inspiração para ler. Estamos em plena época festiva, o que significa bebé em casa. Depois vamos ter uma semaninha de reflexão, que também significa bebé em casa. E bebé em casa significa pouco tempo para ler, como devem calcular. Por isso é difícil ter projectos elaborados. Mas mesmo assim, fica em baixo o que já alinhavei na minha cabeça para 2022.

  • Ler mais um volume da Roda do Tempo, no caso o oitavo volume, The Path of Daggers. Já comecei a ler, mas ainda estou no prólogo, que nestes livros é coisa para ter dezenas de páginas. Mesmo assim, este livro é o mais pequeno de toda a série, com “apenas” 685 páginas.
  • Ler autores portugueses. É uma coisa que faço todos os anos, e que quero garantir que continuo a fazer, há muita coisa boa por aí que merece ser lida. Com certeza pelo menos mais um de Rosa Lobato de Faria, e um físico que tenho aqui de João Aguiar, antes que fique pitosga de vez e deixe de conseguir ler livros em papel sem lupa. Mas as possibilidades são infinitas!
  • Ler as BDs que ainda tenho aqui por casa que não lhes peguei. Já não são muitas, mas ainda há muita coisinha boa por aqui. Estou especialmente interessada em ler Balada Para Sophie, da dupla Filipe Melo/Juan Cavia, que ainda não li porque estou a guardá-lo como um tesouro para quando possa desfrutar em pleno.
  • Ver menos Booktubes. Os vídeos de Youtube sobre livros foram um dos grandes motivadores do meu sprint de leituras deste final de ano, com muitas recomendações boas, e grande impulsionador das largas dezenas de livros que engrossaram as minhas listas de futuras leituras, no entanto consomem muito tempo que podia ser passado a ler as recomendações que já tinha. Por isso vou deixar de seguir criadores de conteúdo com os quais não me identifico tanto, e cujos gostos são muito díspares dos meus. Mantenho os que me divertem mais e me dão mais ideias de leituras diferentes das minhas habituais.

Mas o meu projecto mais importante é abrandar a minha aquisição de novos livros. Em 2021, de cada vez que ficava numa reading slump a minha solução era adicionar uma mão cheia de títulos à minha lista de livros para ler, como se isso me fosse encher de inspiração para voltar a ler. Não só não encheu, como aumentou a minha ansiedade pela quantidade enorme de livros em lista de espera. Não vou fazer como há uns anos e banir-me de comprar livros, mas serei certamente mais criteriosa na selecção de novos títulos. Daqui a um ano logo direi como isto correu.

Desejo a todos um 2022 em pleno, cheio de Boas Leituras!

The Laughing Heart

hope

your life is your life
don’t let it be clubbed into dank submission.
be on the watch.
there are ways out.
there is light somewhere.
it may not be much light but
it beats the darkness.
be on the watch.
the gods will offer you chances.
know them.
take them.
you can’t beat death but
you can beat death in life, sometimes.
and the more often you learn to do it,
the more light there will be.
your life is your life.
know it while you have it.
you are marvelous
the gods wait to delight
in you.

Charles Bukowski

Balanço de 2021

The Yellow Books by Vincent Van Gogh

 

Apesar das expectativas em contrário, 2021 voltou a ser um ano estranho, e apesar de terminar melhor que 2020, ainda está muito longe da normalidade que tanto ansiávamos. Juntando a isto um jaquinzinho nos terrible two’s, dá para perceber que o ano foi tudo menos fácil. Mas mesmo assim foi recheado de leituras, umas melhores que outras, como seria de esperar. Mas o balanço final é muito positivo. Ora vejamos: 

  • Foi o ano que mais li desde que faço o registo do que leio no Goodreads, 2012, com 63 livros, e já tenho mais alguns começados. Foi um ano muito produtivo e este número deve-se à muita chick lit que li nos últimos meses. Esses livros são como rebuçados, de consumo rápido, porque a atenção que temos que dispensar não é tanta. Mas são divertidos e foram perfeitos para este final de ano. 
  • Este foi também o ano em que terminei a minha maratona de ler todos os Poirots por ordem de publicação. Foi uma tarefa árdua, que começou em 2015, e que me acompanhou estes 6 anos, essencialmente em alturas em que mais nada parecia despertar o meu interesse. O plano seria começar os livros da Miss Marple de seguida, mas tenho sérias dúvidas que isso vá acontecer em breve. 
  • Em 2021 foi também publicado o último volume da série Sandman Slim, por isso foi outro adeus que se deu nas minhas leituras. Foi uma série muito divertida, muito diferente do que eu costumo ler, mas que me proporcionou momentos do mais puro entretenimento. 
  • Consegui ler mais um volume da série da Roda do Tempo, em preparação para a série que acabou de estrear na Amazon Prime. O júri ainda está a deliberar se continuarei esta série ou não, considerando que ainda me faltam 7 dos 14 volumes. 
  • Voltei a ler livros de viagens, e especificamente muitos sobre o Everest (ou montanhismo em geral). Numa altura em que, por muitas razões, viajar é cada vez mais difícil para mim, estes livros são óptimos para manter essa paixão viva, e dão-me muito prazer. 

Mais de 50% dos livros que li foram de autores que ainda não conhecia, e isso foi muito compensador também, gosto sempre de conhecer novos autores que me entusiasmem. Li muitos géneros diferentes, coisas que não costumo ler, foi uma verdadeira festa literária. 

Posso dizer que literariamente 2021 foi um ano bem cheio! Venham mais 63 para o ano!

Até lá, Boas Leituras!

 

Dia de Natal

antonio gedeao

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros — coitadinhos — nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra — louvado seja o Senhor! — o que nunca tinha pensado comprar.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama. Ah!!!!!!!!!!
Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,

Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.

É dia de Natal.

Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão

Acabei de Ler – Lost Girls and Love Hotels

lost girls and love hotels

Keep scrolling if you prefer to read in English

Depois de tanta chick lit, com romances em tons de rosa, resolvi manter o rosa mas ir numa direcção diametralmente oposta para desenjoar. Margaret é uma jovem mulher que vive em Tóquio, um dos muitos lugares onde foi parar numa tentativa de fugir da sua vida familiar no Canadá. Em Tóquio encontra muitas pessoas como ela, que se deixam encantar pela estranheza do país enquanto se refugiam da sua própria estranheza e dificuldades de adaptação. Uma espécie de bando de inadaptados. Acaba por se apaixonar por Kazu, um misterioso japonês, casado e apelativo.

Há muitas substâncias neste livro. E muito sexo. E por vezes pouco sentido da vida. A escrita é muito boa, e sentimo-nos a descer a mesma espiral que Margaret, embriagados, intoxicados, mas sempre fascinados pela estranheza. Não foi surpresa para mim quando no posfácio a autora diz que viveu alguns anos no Japão, e que este livro é como uma carta de amor ao país. Eu senti muita vontade de experienciar este Japão de submundo, com love hotels estranhos, estações de metro sobrepovoadas, trabalhadores que vivem em tendas debaixo duma ponte. Onde nada faz sentido, mas tudo se combina. Foi um prazer perder-me nestas noites e dias com Margaret, e tentar perceber as suas motivações à medida que dávamos saltos temporais na sua vida.

Recomendo a todos os que gostam de livros diferentes, especiais, alternativos.

Boas Leituras!

Goodreads Review

After reading so much chick lit books in a row, I decided to keep the pink but go on a totally opposite direction, much less sugary. And so, I met Margaret, a young woman living in Tokyo, one of the many places she tried to escape from her family life in Canada. In Tokyo she meets many expats like her, that allow themselves to be amazed by the weirdness of the city, while also tending to their own strangeness and difficulties in belonging, like a lovely band of misfits. In the midst of all this, she falls in love with a mysterious Japanese man, only to find out that he is married. 

There are a lot of substances in this book. And a lot of sex. And many times, very little meaning for life. The writing is compelling and interesting, and we feel like we are descending the same spiral that our main character, a little bit high, a little bit intoxicated, but always mesmerised by everything. It was not a surprise to discover that the author had lived in Japan and wrote this book as a love letter to the country. I myself felt the urge to visit this country and experience all this underworld. Visit the love hotels, crowded subway stations, villages of tents under the bridges where some workers live. Places where nothing makes sense, but all falls into place. It was a delight to get to know Margaret and see her nights and days, understand her motivations.

I recommend it to everyone who loves alternative stories and lifestyles, and to see the darker side of life.

Happy Reading!

Acabei de Ler – Viagem Atribulada

the road trip

Keep scrolling if you prefer to read in English.

Para todos aqueles que pensavam que eu já tinha terminado a minha incursão em chick-lit, desenganem-se que isto é como as sobremesas, há sempre espaço para mais um. Como já tinha lido (e gostado) de  Apartamento Partilha-se e A Troca, achei que era valor seguro ler o novo livro da autora. Mas se calhar estava um bocadinho enganada. 

Nesta viagem atribulada vão Addie e Dylan, ex-namorados que terminaram a relação em termos menos que amigáveis há cerca de 2 anos. Ambos vão a um casamento de uma amiga comum, e um acaso como aqueles que só acontecem nos livros, juntam-nos no mesmo carro com a irmã de Addie, o melhor amigo de Dylan e um tipo semi-desconhecido que não se sabe muito bem porque lá está e que sinceramente não acrescenta nada à história.

História que, diga-se, deixa um bocadinho a desejar. Este amor assolapado entre Addie e Dylan não tinha muita substância, sendo que não havia falta de variadíssimas substâncias ao longo de todo o livro. Mas as personagens não convenceram, o desenrolar da história também não, e as reviravoltas finais, pseudocómicas foram só um bocadinho deprimentes. 

Portanto, a questão pertinente depois disto é: sendo que se eu fizesse as contas (que não vou fazer) a quantidade de livros destes que não gosto é largamente superior à que gosto, será que vou continuar a ler livros destes? A resposta é, claro que sim! E porquê? São tantas as razões que dariam um post à parte, mas a razão principal é que são rápidos de ler e divertidos (na maioria dos casos, noutras alturas são irritantes). 

Até ao próximo, Boas Leituras!

Goodreads Review

All of you that thought that I was done with the chick lit books, think again. These books are like desserts, there’s always room for one more. I had previously read Flatshare and The Switch by this author, and really liked both, so I dived into her third book with high expectations. I was biterly disappointed. 

On this Road Trip we have Addie and Dylan, exes that broke up in no amicable terms about 2 years ago. Now they are both heading to a mutual friend’s wedding, and by some freak accident that only happens in books, they find themselves sharing a very small car with Addie’s sister, Dylan’s best friend, and some Rodney guy no one knows for sure what is doing there. 

This was a weird story. Their love story was not very interesting, summer love that becomes permanent nobody knows why, lots of alcohol and ennui, no real substance. I could not relate to the characters at all, they were flat and boring, and the final twist was silly beyond repair and could easily not have been there. Did not seem quite like the same writer at all. 

And this leaves us with a question: considering I tend to dislike more than like these kind of books, how likely is it that I will pick up another one in the near future? You know the answer is Off Course! And why? There numerous reasons, I could write an entire post about it. But I think the main one is they are an easy, quick read and the majority of them are just fun! (ok, some are annoying as well). 

Until the next one, Happy Reading!

 

Sem Título

andreia-faria

No regresso, despi-me em frente à minha mãe
A nudez dir-lhe-ia das paisagens,
das fracturas, solitários minerais
que nos ossos se engastam, da viagem
O que ela viu
era pouco mais que o esforço de dunas,
suave e compacto para emergir
do chão, a flora acidental
Pedi-lhe
que me procurasse os flancos,
o ligeiro afundar da anca, ou debaixo
dos braços, o principiar de um vale,
qualquer sobejo de me ter
contornado o mundo, mas também aí
ela sentia a fragrância
impúbere do que já não cresce

Andreia C. Faria in Flúor

Acabei de Ler – A Crown of Swords, Wheel of Time #7

WOT 7

Keep scrolling if you prefer to read in English.

Muita coisa há para dizer sobre o sétimo volume da série A Roda do Tempo, que estou a ler no original (Wheel of Time) mas começo pelo facto que tenho um bocadinho de vergonha alheia desta capa. Tudo bem que é de 1998, mas ajuda a explicar porque é que fantasia era um género dum nicho muito especial, e pouco divulgada.

Depois, referir que comecei a ler este livro em 2019, quando o rebento tinha 4 meses, e depressa percebi que não ia conseguir acabar. Por isso ficou a marinar até agora, que a série já estreou na Amazon Prime, o que faz com que eu queira terminar de ler os livros antes da série terminar. Pensando que este é o sétimo de 14, ainda me falta um bom bocado.

Depois de ter lido estes 7, não sei bem se me apetece ler os 7 seguintes, por isso em vez duma review, vou fazer uma lista de prós e contras. Começo pelos prós:

  • A história, apesar de seguir uma linha conhecida de rapaz de aldeia pacata que se transforma no salvador do mundo, e que anda em jornada com um grupo de amigos, não deixa de ser interessante e bem contada.
  • O sistema de magia é engraçado, baseado nas diferenças entre homens e mulheres, o que é interessante, mas um pouco redutor às vezes.
  • Tem alguns personagens interessantes e que se desenvolvem bem ao longo da série. Quando li a minha review do primeiro livro, vi que detestei Mat Cauthon, personagem que é actualmente o meu favorito.
  • O mundo está bem construído, bem descrito, e conseguimos sentir como se lá estivéssemos a maior parte do tempo.

Agora, os contras:

  • Demasiados personagens descritos com demasiado detalhe. O que deve ter sido feito para dar realismo ao mundo e à história, acaba por se tornar uma salganhada tal que metade do tempo eu nem sei de quem estão a falar. E já não quero saber. Obviamente que não bastava ter os personagens principais. Mas se virmos, por exemplo, o Senhor dos Anéis, outro gigante de fantasia onde claramente Robert Jordan se inspirou, percebemos que os personagens secundários são apenas os necessários para dar ramificações interessantes à história. Não sabemos o nome de todos os Hobbits que são família do Frodo, nem o nome de todos os servos de cada rei, etc, etc. E não só isso, como a complexidade e semelhança entre os nomes é imensa, o que certamente não ajuda.
  • Em cada página (não falha uma) algum homem diz que é impossível perceber as mulheres, e vice-versa. Ninguém se percebe, nem casais que estão juntos há anos, e sobretudo todos acham coisas horríveis uns dos outros. As mulheres estão sempre a ameaçar puxar as orelhas aos homens, e violência física parece ser a resposta para a maioria dos problemas. É cansativo, e a ideia passava na mesma sem precisar de ser repetida até à exaustão.
  • Já que estamos neste tópico, este senhor não sabia escrever personagens femininas. De todo! Se é suposto serem personagens fortes ele escreve-as como se fossem umas mimadas insuportáveis e arrogantes. Nynaeve al’Meara é para mim o ponto alto disto. É simplesmente uma arrogante agressiva que me enerva em cada capítulo que entra. E não sei em que mundo é que ele “aprendeu” que as mulheres compõem a saia quando estão nervosas, mas isso também acontece em quase todas as páginas. Eu quando usava saias só as compunha quando saiam do lugar, mas se calhar sou que sou estranha. Mas as personagens femininas são quase todas tão más, que só me apetece passar à frente todos os capítulos em que elas são protagonistas.

No final desta lista, parece-me que o pêndulo pende mais para o lado de deixar a série fenecer aqui. Imediatamente após o final do livro, só me apetecia passar para o seguinte, e até comecei o audiolivro. Mas a cada dia que passa a vontade de voltar é menor, ao ponto de já ter lido dois livros completos desde então. Talvez daqui a 2 anos eu termine o oitavo volume.

Até lá, Boas Leituras!

Goodreads Review

There’s a lot to be said about the 7th volume of the Wheel of Time series, but I start by saying this cover makes me feel a bit ashamed, and I was not the one designing it. I understand this was released back in 1998, nonetheless I feel it helps explaining why fantasy was such a niche genre.
I started reading this book back in 2019, when my son was only a few months old, and soon realised it was not the right time to continue. I have never picked it up again, but now that the series has started on Amazon Prime and all the internet is talking about it, I just wanted to get this story through to the end. Considering this is the 7th of 14 instalments, there’s still a long way to go.
And yet, after coming this far I’m not quite sure if I really want to proceed, so instead of a book review, I’m putting here my pros and cons list, to see if I’ll carry on reading. Starting with the pros.
• The story, even though it can hardly be called original (village group of young people that are the saviours of the world), is interesting and well told. We always want to know what the next move will be.
• It has a nice magic system, based in the differences between men and women. However, the same thing that makes it interesting, also makes it a bit redundant at times.
• There are some very interesting characters, and they develop well throughout the series. For example, in the first books I really disliked Mat Cauthon, who is now my absolute favourite.
• The world is well built, believable, and the descriptions are detailed and makes us feel as if we were really there.
And now, the cons:
• Way too many characters all described with too much detail, and with impossible similar names. What was meant as a tool to bring this world to life, becomes such a confusion that it takes me a while to understand who are they talking about, and sometimes I really don’t care anymore. We all know we need some secondary characters to provide other plotlines that keep something this big going, however we didn’t really need to know the names of all Aes Sedai in the White Tower, or all the Ashaman, the minor nobles from all the cities, and so on and so on. You get the idea.
• In every single page (true story), there is a male character complaining he cannot understand women, or the opposite. It seems not even couples that have been together all their lives can actually understand each other, and they all think the other are terrible. Boxing man’s ears and spanking women seems to be the answer to all these problems, that I truly believe are part of the writer more than the world he portrayed (also, they were very prude and very forward at the same time, which is kind of weird. Almost as if Jordan did not quite know which way to go with this).
• But the worst of all are the way female characters are written. It borders on painful, so bad they are. In an effort to portray strong female characters he just managed to write spoiled, bullying brats, with Nynaeve being (so far), the highlight of this with all her braid tugging. She is so arrogant and aggressive that I really struggle to go through the chapters where she is featured. I’m afraid to think where the author got his inspiration for these female characters…
After all things considered, I believe I’m more inclined towards leaving this series unfinished. As soon as I finished this book, I immediately picked up the audiobook for the next one and listened to quite a bit, because the story really is catching. However, as time progresses and other books come in the way, the more I wonder if I’ll ever go back. Maybe 2 years from now I’ll be here reviewing book 8.

Until then, Happy Reading!

Acabei de Ler – Tempo Tardade

tempo tardade

Logo no início da pandemia um amigo emprestou-me este livro para eu ler. Achei a sinopse super interessante, mas como haviam sempre livros novos a chegar ao Kindle, este foi ficando para trás. Essencialmente porque estou a tornar-me uma toupeira, e a letra dos livros impressos é muito pequena para mim.

Mas já com 2021 a chegar ao final resolvi que estava na hora de lhe pegar finalmente. E não me arrependi. Tempo Tardade conta-nos a história de Branca, que após a morte da mãe volta à casa da sua família na aldeia onde cresceu e de onde fugiu. Incerta sobre o seu próprio futuro e rodeada de recordações de infância, vai ler umas cartas que um tio-avô misterioso enviou à família quando emigrou para Buenos Aires e isso vai desvendar alguns segredos.

Gostei bastante da descrição da vida na aldeia, no realismo como um possível regresso foi explorado, sem aquela patine cor-de-rosa de regresso ao paraíso, mas mostrando todas as dificuldades e diferenças do meio urbano. Percebe-se que há conhecimento em primeira mão dessa realidade.

O que gostei menos foi o desenrolar do segredo familiar, que me pareceu pouco coerente com o resto da narrativa. Achei que não houve nada no desenrolar da história que estabelecesse a psicologia do desfecho, se assim quiserem.

Mas foi um bom livro, com uma familiaridade geográfica que me agradou bastante, e um cantarzinho galego na escrita que foi muito interessante.

Boas Leituras!

Goodreads Review