Animais de São Tomé

Faz hoje exactamente um mês que eu regressei de São Tomé e por isso achei que estava na altura de recordar uma vez mais esta viagem que me marcou tanto.

Como disse sempre  o melhor de São Tomé são as pessoas e as experiências que com elas passámos. Mas eu não seria uma verdadeira Bióloga de formação se não estivesse sempre atenta a todos os bichos que nos rodeavam.

Pessoalmente adoro todos, e só tenho pena de não ter visto mais (as baleias e as tartarugas terão de ficar para uma próxima, mas é sempre bom ter razões para voltar). Tenho também muita pena de não termos levado uma camera subaquática, mas quando voltarmos não repetiremos o mesmo erro. Há vida linda debaixo daquele mar.

Por isso, e para atenuar um bocadinho as saudades, deixo aqui alguns dos animais que trouxe comigo para casa. Mas só em imagem! A maior parte não tem identificação, por isso se alguém conseguir ajudar, melhor ainda. Quase todas as fotos foram tiradas no Mucumbli

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As garças estavam sempre ao pé da praia, tranquilamente à procura de peixe.
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Havia caranguejos de todas as cores, tamanhos e feitios
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Um destes era perito em esconder-se nos meus sapatos de ir ao banho. Passei a sacudi-los cuidadosamente todas as manhãs.
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Uma das muitas aves belissimas de São Tomé.
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Um dos danadinhos que nos acordava às 5h30 da manhã
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Alvíssaras a quem souber a espécie.
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a rola de São Tomé, espécie endémica.
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Um dos poucos búzios que vimos vivos. Na sua maioria vimos cascas vazias e “descascados” à venda no mercado.
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Um corvo-marinho em vôo.
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Um dos inúmeros lagartitos que faziam barulho durante o dia.
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E o caranguejo terrestre que enchia a noite de sons.
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O “falcão” a descansar.
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O “falcão” a voar mesmo em frente ao nosso bungalow…
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… e a dizer-nos até um dia.

 

 

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Emoções Animais

Not so different

Mais uma vez a plataforma Netgalley proporcionou-me o acesso a um livro interessantissimo, em troca duma opinião honesta. Falarei desta plataforma num dos próximos posts, até porque o balanço da minha utilização até agora está a ser claramente positivo.

Entretanto cada vez mais me sinto atraída por livros que não são ficção, mas que falam de vários temas que me interessam, normalmente viagens ou ciência. Muitas vezes a combinação das duas. Este livro era sobre comportamento animal, e creio que a data de publicação será algures em Maio, versão em inglês.

É um livro que fala de coisas testadas, experimentadas e observadas, ciência na sua verdadeira acepção, no entanto estava escrito dum modo extremamente acessível e interessante. É um livro que questiona. Podemos pensar muitas vezes no que é que define humanidade, de que forma somos diferentes dos animais, mas essa linha de separação é por vezes muito ténue, e aquilo que se chama pensamento consciente pode ser encontrado em varíadissimas espécies, assim estejamos à procura.

O autor leva-nos numa viagem por várias emoções humanas, desde o amor, ciúme, medo, dor da perda dum ente querido, e mostra-nos como num espelho onde podemos encontrar coisas muito semelhantes nos nossos companheiros de planeta. E desengana-nos logo se pensamos que estas coisas estão limitadas às inteligências que consideramos mais próximas das nossas, comos os primatas, pois até de peixes e aves se fala aqui.

Recomendo vivamente a quem gosta de ler sobre ciência, expandir os horizontes e a quem gosta de olhar o mundo com outros olhos.

Goodreads Review

A Revolução Informática

Saiu por estes dias na comunicação social que pela primeira vez um livro escrito por um software de inteligência artificial conseguiu passar a primeira fase dum concurso literário. O livro chama-se, muito a propósito, “The day a computer writes a novel”, e tudo isto se passa obviamente no Japão.

E isso deixou-me a pensar. Não sou uma pessoa purista, nem tenho ideias preconcebidas. Não tive qualquer dificuldade em deixar o suporte de papel e passar a ler (quase) tudo em formato digital. No entanto, isto é um salto mental que ainda me custa dar.

Poderemos fazer grandes reflexões sobre o que define arte e literatura, para saber se este livro será efectivamente um trabalho literário na verdadeira acepção do termo. Mas isso levar-nos-ia a uma longa discussão, quase sempre infrutífera, já que outros autores muito humanos claramente também não se enquadram na definição “artistica” de literatura.

Por isso limito-me a dar a minha opinião de leiga. Para mim, cada livro que leio, daqueles que valem mesmo a pena e não são só para passar o tempo, levam-me a longas investigações online sobre a história e contexto do autor para tentar descortinar um pouco mais sobre o que o terá levado a escrever assim. O que o autor viveu, pensou, experienciou, influencia claramente tudo aquilo que ele escreve. Também a sua ideologia passa para o papel, pela qual nós nos podemos deixar ou não influenciar, mas é importante saber que ela está lá.

Por isso parece-me que estes livros escritos em computador são interessantes enquanto exercicio de inteligência humana, e de teste dos seus limites, mas dificilmente me convencerão a ler algum para já. Especialmente quando ainda tenho tantos humanos para descobrir.

Caminhar com Sentido

Ken Ilgunas_Trespassing Across America

Thanks to Netgalley and Blue Rider Press for an ARC of this book in exchange for an honest review.

Desde que tenho o Kindle que desenvolvi uma preferência por não ficção, especialmente livros de viagens ou ciência. Este livro encerra em si um misto das duas coisas. Por um lado descreve uma jornada dum norte-americano pelo caminho destinado a um novo oleoduto, megalómano como tudo naquele continente. Por outro lado vai-nos levando pelas polémicas do aquecimento global naquele que deve ser o país ocidental que mais nega a sua existência.

É uma jornada ao mais profundo da América da actualidade, ao conflicto de mentalidades naquele país tão bipolar. E é ao mesmo tempo enternecedor. Porque as pessoas são genuinas e multidimensionais e o autor soube retratar bem isso. Ao mesmo tempo, está bem documentado de factos, estudos, correntes de pensamento que nos vai apresentando sem nunca ser entediante.

Escusado será dizer que a minha visão está muito próxima da do autor. É necessário tomar consciência, acção, perceber que gastamos demasiada energia, antes que estejamos no ponto de não retorno (se é que já não estamos). Por vezes é dificil não entrar em desespero, principalmente quando vemos noticias como as da Amazónia, que nunca chegam cá porque estamos demasiado entretidos nas nossas quintas. Mas podem ler-se aquiaqui ou aqui.

Por fim é sempre curioso ver como as coisas são tão culturalmente diferentes noutros sitios. A mim parece-me tão estranho não poder caminhar livremente pelo meu próprio país, observar as belezas naturais. Poucos são os sitios onde não nos é permitido caminhar, onde a figura do “trespassing” está presente. E creio que se passa o mesmo a nivel europeu (o autor aliás menciona isso mesmo). No entanto, na América passa-se o contrário. Tudo está vedado, tudo é propriedade privada onde não se pode caminhar livremente, a ameaça de se ser atingido a tiro é bem real.

Aconselho a todos os que gostam de ler sobre viagens, ciência, o mundo de hoje, questões ambientais. Mas com cuidado, porque dá uma vontade irresistivel de largar a pé até ao fim do mundo.

“When I think about our culture’s addition to fossil fuel, its indifference to the natural world, and the sheer impossibility of any major change happening soon, I can’t help but despair. Almost as depressing as an inevitable collapse is how powerless I feel as an individual.”

Goodreads Review

Running With Rhinos – Ed Warner

Rhinos

Thank you to NetGalley.com and Greenleaf Book Group for the ARC of this novel in exchange for my honest review.

Se há coisa que eu gosto é de ler livros sobre sitios exóticos. Livros de viagens são actualmente os meus favoritos. Se juntarmos a um livro sobre viagens um outro tema interessante, temos o jackpot. Foi o que pensei quando comecei a ler este livro que é sobre as aventuras dum voluntário em projectos conservação de rinocerontes em África.

 Impossivel falhar, pensei eu. Estava errada, descobri penosamente não muitas páginas depois. Ed Warner é um ex geólogo, actual voluntário do programa de conservação de rinocerontes em África, Rhino Ops. É um homem com boas ideias e muitas histórias para contar. No entanto, escolhe fazê-lo da pior maneira possivel. Todas as histórias o têm como personagem central, os pormenores são absurdos e incluem quanto ele pagou por jantares que ofereceu a amigos, e em que denominação eram as notas que lhes deu para fazerem o pagamento. A meio do livro já quase deitava lágrimas de profundo aborrecimento.

 E porque continuei? Porque tenho um pequenino traço obssessivo compulsivo que me obriga quase sempre a levar os livros até ao fim, principalmente quando esperam de mim uma critica. E porque sou no essencial uma optimista que acha sempre que tudo vai melhorar. Não foi o caso. Manteve-se aborrecido, minucioso e presunçoso até ao final.

Recomendado apenas a fanáticos de paisagens africanas que aguentem largas doses de tédio.

Goodreads Review