Tantos livros, tanta falta de vontade

Livros

Os escritores descrevem o chamado writer’s block como aquela altura em que ficam encalhados numa história sem saber que volta lhe dar a seguir. Há inúmeras técnicas desenvolvidas para combater isto, cheguei a aprender algumas engraçadas nas aulas de Escrita Criativa.

Neste momento estou com o menos conhecido, mas não menos assustador Reader’s Block. Acabei recentemente o Equador, o 33º livro deste ano, e por mais voltas que dê não consigo ler mais nada.

Quer dizer, já comecei pelo menos 3 livros desde que terminei o último. Tentei a saga Wheel of Time do Robert Jordan, porque me está a apetecer um livro de fantasia, mas as críticas online não são grande coisa, e com os seu já 14 volumes tive de receio de embarcar num novo Game of Thrones sem final à vista, e sejamos sinceros, à segunda só cai quem quer. Por isso abandonei-o.

Depois tentei o Hyperion, do Dan Simmons, que é mais ficção cientifica, mas ao fim de 20 páginas a única coisa que me ficava gravada na memória é que o livro tem quase 500 páginas e sinceramente não me estava a apetecer.

Estou este ano a ler/reler os Poirots da Agatha Christie, mas eu sou (pouco) obsessiva e tenho de os ler cronologicamente (ordem de publicação), e o seguinte na lista era um conjunto de short stories, que mais uma vez não é o que procuro.

Portanto, e depois de olhar para todas as pastas do Kindle, pu-lo de lado. Passei às prateleiras lá de casa. Tenho o próximo volume do Sandman, mas não ando com ele no autocarro, por isso problema não resolvido. Aquilino Ribeiro que trouxe do alfarrabista e também tenho em espera cá por casa, é demasiado complexo para tudo o que se passa na minha cabeça neste momento.

E pronto, estou num beco sem saída. Apetece-me uma história cativante e envolvente, mas a menos que o livro me caia na cabeça, parece-me que não vai acontecer tão cedo.

O Peixinho foi a banhos

Praia Carvalhal

Como todo o português que se preze, se a comunicação social anuncia bom tempo para o fim de semana, o Peixinho também ruma à praia. Desta vez fomos até à Praia do Pego, na zona da Comporta, já que a época balnear ainda não começou e essa zona ainda não se tornou insuportável. São praias bonitas e naturais, mas longe e caras de lá chegar, e normalmente muito cheias mal começa o bom tempo a sério. No entanto nesta altura são ainda muito pacatinhas.

Aproveitámos para dar um salto a Alcácer do Sal primeiro e almoçar no magnífico restaurante Porto Santana. A sério, se não conhecem, vale a pena o desvio só para conhecer. A açorda de tomate é maravilhosa, e isto vem duma pessoa que não gosta de açorda.

Entretanto a minha terceira actividade favorita para fazer na praia a é ler. A primeira é obviamente tomar um belo banho de mar (estava demasiado frio/demasiada açorda hoje) e a segunda uma grande caminhada. Mas logo a seguir vem estar tranquilamente a ler ao som do mar. E como sou um bocadinho… picuinhas… obsessiva… com determinadas coisas, não consigo levar o Kindle para a praia por medo de o estragar com areia em orifícios estranhos. Assim aproveito para finalmente ler os livros em papel que ando a negligenciar, como este que comprei numa promoção da Ler Devagar já no ano passado e ainda não lhe tinha pegado. Li umas páginas (sim, confesso, foi o título que me atraiu), e a estranheza do que li fez-me comprá-lo imediatamente. Finalmente comecei a ler e não estou desiludida. Em breve a review.

Leio por Aí – Café

Leio Por Aqui_Cafe

Almoço quase sempre  (bem) acompanhada nos dias de trabalho, mas sempre que isso não acontece, a companhia é outra.

Aí aproveito para estar sentada num café, de preferência sossegado, com uma bica bem tirada, sem açúcar como manda a praxe, e avançar mais umas páginas ou mesmo mais uns capítulos consoante o livro seja de ler ou de devorar.

Depois disso, mesmo que o veredicto seja voltar ao trabalho por mais umas horas, volta-se mais leve, e com mais vontade.

Culinária

culinaria

Para além de ler e viajar, também adoro cozinhar. Desde pequena que me habituei a ver na cozinha da minha mãe o livro do Cozinheiro Prático, donde ela retirava inúmeros dos petiscos que fazia. Por isso assim que o descortinei numa banca da Feira do Livro não perdi a oportunidade de comprar uma cópia para mim.

Devo confessar que vale mais pelo valor sentimental, porque as receitas são descritas mais para quem já sabe todos os truques de cozinha, o que não é bem o meu caso, e hoje em dia já há imensos recursos online para quem quer pesquisar coisas mais modernas do que aquelas que a Mariazinha nos quer ensinar. E eu sou mais do género de ler várias receitas na net, e depois compilar a minha própria versão, que pode ou não correr bem.

Já o Manual de Cozinha é uma preciosidade de conselhos inúteis, que variam desde a maturação da carne, a como cortar um porco inteiro, coisas que a cozinheira dos nossos dias (felizmente) está dispensada. Também não inclui, como seria de esperar, nada sobre as modernices de seitans, tofus e woks, mas vale pelo entretenimento que nos proporciona.

Notícias do Espaço Ulmeiro

Já tinha falado num post anteriorsobre a Livraria Espaço Ulmeiro, espaço emblemático em Benfica desde 1969 que está neste momento a lutar pela sobrevivência. Conhecida também por Livrarte, ou livraria do gato à porta, está recheada de história e tem vindo a fazer um esforço estóico, desmultiplicando-se em contactos de imprensa, leilões de Facebook (aqui), entre outros.

Domingo no Publico saiu mais uma entrevista muito completa com José Antunes Ribeiro, o dono do espaço, da editora Ulmeiro, co-fundador da Assirio e Alvim, e principal dinamizador dos leilões online. Está aqui e vale a pena ler.

Assim como vale a pena visitar o espaço, ajudando a que ele não feche.

A Terra do Fim do Mundo

Last Tango in Buenos Aires

Thanks to Netgalley and Matador for an ARC of this book in exchange for an honest review.

 
Aqui temos mais uma vez a prova que é preciso mais do que um destino interessante para fazer um bom livro. E este parecia uma receita para o sucesso. Uma viagem pela Argentina, essa terra de promessa e dramatismo, das paisagens inóspitas do fim do mundo que é a Patagónia. 
É um destino que já está vendido à partida para mim, e no entanto soube a tão pouco. Existiram muitos episódios interessantes ao longo do livro, aflorou-se muito sobre a história e as histórias, no entanto os capítulos eram disconexos, não haviam uma sensação de jornada, de caminho percorrido, de intencionalidade. 
Mesmo o próprio trajecto Norte-Sul seguido pelo autor foi dificil de descortinar no meio de tanta inconsequência e a maior parte do tempo eu senti-me perdida geografica e cronologicamente. E o fim foi chocho, sem força. Teve a mais valia de citar um poema de Guerra Junqueiro algures lá pelo meio a propósito de qualquer coisa que não me lembro bem, e aquecem sempre o coração estas referências pátrias.
Portanto, não é um mau livro, mas também não é bom, e de livros mornos estão as prateleiras cheias.

To Sleep, perchance to Dream

sandman-covers

Há mais anos do que aqueles que eu gosto de me lembrar, uma colega de faculdade introduzia-me no fabuloso mundo dos Joy Division e dos livros do Sandman. Foi uma emotion overload, e o meu coração povoado de hormonas, angústia existencial e excesso de horas de estudo conseguiu apenas devotar-se militantemente à música gótica, destino que carrego até hoje de forma mais ou menos evoluida.

O Sandman acabei por ler na Fnac, quase todos os volumes, mas de passagem e sempre com a promessa de voltar. Este ano é o ano do sonho novamente. Por intermédio de outra amiga tenho-me reencontrado com o regente dos sonhos, devagarinho, e temos redescoberto a nossa relação.

Já li os três primeiros volumes, e espero acabar 2016 com os 10 volumes terminados. A delicadeza dos desenhos acentua a crueza das histórias, já que o Neil Gaiman nunca tem pudor em espicaçar a nossa mente e testar os nossos limites.

Verdadeiramente, banda desenhada não é uma coisa de crianças. Pelo menos a que é feita a sério, com mensagem e a expandir os limites da criatividade e realidade.

Quem quiser saber um resumo pode encontrá-lo aqui

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A Livraria do Gato à Porta

Já muito se falou na comunicação social sobre a Livraria Espaço Ulmeiro, em Benfica, que se encontra em risco de fechar (aqui e aqui, por exemplo). Aberta desde 1969, o dono foi também o fundador da Editora Ulmeiro e Assirio e Alvim, entre outras.

Sendo de Benfica, já conhecia há muito este espaço, apesar de não saber da sua importância histórica. Para mim, esteve sempre ali. Parece a casa daqueles senhores, onde eles acumularam tesouros durante anos e pelos quais nos deixam navegar. Há uns anos a esta parte também com o Salvador, um gato amarelo enorme, que se divertiu a deitar ao chão uma pilha de livros quando lá estive a semana passada.

A minha descoberta dos livros em segunda mão foi tardia, começou ao mesmo tempo que me ofereceram o Kindle, em 2012. Fiz para mim a decisao que iria sempre que possivel comprar livros usados. Para bem do planeta, e com uma certa objecção aos preços exorbitantes que as nossas livrarias praticam.

Assim, espaços como a Ulmeiro são cada vez mais o sitio onde me abasteço de tudo aquilo demasiado obscuro ou especifico para encontrar para Kindle. Como toda a literatura portuguesa que me interessa.

Se não quiserem visitar este espaço (fazem mal), podem sempre seguir os leilões online aqui.

Eu já lá fiz umas comprinhas a semana passada. Esta semana, em casa doente, só mesmo seguindo pelo online.

A Angústia do que ler a seguir

Muitas vezes dou por mim sem saber que livro hei-de ler a seguir. Seja porque as novidades não me seduzem, seja porque não há nenhum clássico que me inspire, seja porque simplesmente estou com a chamada “birra de leitor” (termo absolutamente sem conotação científica e cunhado por mim).

Nessas alturas recorro a múltiplos artificios que me permitam retomar a leitura o quanto antes sob pena de ter longas e aborrecidas viagens de autocarro pela frente.

Há algum tempo atrás, por indicação dum amigo que infelizmente já não me lembro quem foi, descobri um site que responde à minha duvida existencial Que devo ler a seguir? da melhor maneira possível. A partir de livros que gostámos, o site elabora uma lista de possibilidades para a nossa próxima leitura. Com um simples registo por email podemos ir acrescentando vários títulos para refinar cada vez mais a busca, ou permitir buscas por géneros especificos.

Sem ser uma Bíblia, permite ter algumas ideias novas e por vezes chegar a alguns autores que ainda não conhecíamos. Fica o conselho.

Link aqui

Leio Por Aqui

Leio Por Aqui_Autocarro

O autocarro, embora não seja o local mais glamouroso do mundo, é efectivamente onde eu leio 80% dos meus livros. Por um lado não enjoo nem me faz diferença aos olhos ler em andamento. Por outro, tenho a “sorte” de ter pelo menos 45 minutos de viagem em cada sentido, o que me permite dar um avanço diário considerável nas minhas histórias.

Ir imersa numa boa história ou numa viagem interessante permite dar outro colorido ao que de outra forma seria uma viagem extremamente monótona e repetitiva. Assim, as minhas idas para o trabalho nunca são iguais.