Acabei de Ler – The Last Rhinos

last rhinos

Keep scrolling if you prefer to read in English.

Quando leio muitos livros, muito rapidamente, fico cheia duma certa inquietude que não me permite pegar em mais livro nenhum. Pode parecer estranho, mas é algo que já estou habituada e simplesmente deixo correr. Posso simplesmente não ler por alguns dias, ou fazer como agora e dedicar-me à não ficção. Há dois temas que raramente falham, viagens ou ciência, e neste caso optei pela segunda. Mais concretamente conservacionismo.

Lawrence Anthony era um conservacionista sul-africano muito devotado a elefantes que criou uma reserva natural no seu país onde acolheu uma manada de elefantes problemática e criou com ela laços inexplicáveis. Isso deu origem a um livro que eu já li e falei aqui.

Desta vez a sua atenção está focada nos rinocerontes, que estão ainda em mais perigo que os elefantes. Não só os caçadores furtivos apanham alguns exemplares dentro da sua reserva, como o destino duma subespécie do Congo parece ameaçado por uma guerra civil que dura há décadas. Este livro relata os esforços absolutamente inacreditáveis que Lawrence Anthony vai fazer na tentativa de salvar estes animais ancestrais.

Adorei este livro e ao mesmo tempo detestei-o. Para ler um livro como este é preciso ter estômago, capacidade de resistir à estupidez humana, que existe aqui a rodos, e ser emocionalmente forte. Está muito bem escrito, aprendi muito e passei muito tempo zangada. Muito zangada. É preciso dizer que estas criaturas estão prestes a desaparecer do mundo natural com a conivência de muitos governantes asiáticos, que não só não dissuadem o tráfico dos chifres como muitas vezes se gabam de ser consumidores.

É preciso dizer que as reservas e os Zoos têm um papel vital na conservação destes seres, apesar de muitas vezes estarem na mira de activistas desinformados. É preciso dizer que tudo isto se passa com a nossa conivência porque não queremos saber.

Este foi um livro em que aprendi muito, e fiquei muito zangada, e em que o meu coração se partiu um pouco mais.

Sei que este meu desabafo não vale de nada, mas tenho pena que o meu filho vá crescer num mundo em que se permitiu que tantos animais maravilhosos tenham desaparecido e em que sabemos o nome das Kardashians todas mas não queremos saber que morrem 400 rinocerontes por ano em África.

Aconselho a todos os que gostam de ler sobre conservação, animais e contexto sócio-politico.

Boas leituras!

Goodreads Review

When I read many books very fast, I end up with a certain restlessness that does not allow me to pick up any other books. It might seem weird, but it happens occasionally, so I just let it run its course. I might simply not read for a few days or do as I did now and pick up some non-fiction. There are two subjects that never fail, either travelling or science and in this case, I chose the latter. Namely a book about conservation.

Lawrence Anthony was a South African conservationist devoted to elephants, that created a natural reserve on his country. In there he welcomed a problematic elephant herd with which he bonded in an unexpected way. He wrote a book about that experience that I’ve already discussed here.

This time he focused on rhinos, which are even more endangered than the elephants. Not only the poachers are hunting some specimens in his own reserve, but also the fate of the Congolese white rhino seems ominous due to a civil war that is raging on for decades. This book narrates the absolutely unbelievable efforts that Lawrence Anthony did in the last attempt of saving these ancestral animals.

I loved and hated this book. To read something like this you must have the ability to resist human stupidity and you must be emotionally strong. The book is very well written, I’ve learned a lot, but I was angry most of the time. Very angry. the rhinos are fast disappearing from the natural world, due to being poached for traditional Asian medicine, and many Asian leaders don’t do anything to dissuade this kind of traffic, but many times assume themselves as consumers of rhinoceros horns.

We need to point out that zoos and natural reserves have a crucial part in conservation, despite being targeted by much misinformation. We also need to say that all of this is happening with our silent consent, as we, as a society, really don’t care about all the endangered species we are losing fast. Reading this book I learned a lot, was very angry, but my heart just broke a little bit more.

I know my words mean nothing and will make no real difference, but I cannot help being sad knowing my son will grow up in a world where we allowed so many beautiful animals to disappear, and where we know the names of all the Kardashians, but we don’t want to know that every year 400 rhinos die in Africa.

I recommend this book to everyone that likes to know more about conservation, about wildlife, about history and politics and everything that influences the destinies of these beautiful creatures. All told with an amazing voice, that sadly is no longer with us.

Happy Reading!

Acabei de Ler – How to Walk a Puma

walk a puma

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Peter Allison é um australiano que decidiu desde cedo que um trabalho de escritório não era para si, e resolveu rumar a África para trabalhar como guia de safari. Andou pela África do Sul, Botswana, Namíbia e as suas aventuras nesses locais belíssimos estão relatadas nos seus primeiros livros, de que eu já falei aqui e aqui.  Desta vez Peter decide voltar à natureza depois duma paragem de 10 anos onde tentou enquadrar-se na vida “normal”. Resolve fazer uma viagem pela América do Sul, sempre em busca dum jaguar, o maior felino do continente.

Pelo caminho vai ter aventuras incríveis com pumas, aves, anacondas, e acima de tudo, pessoas. Peter Allison tem o dom de fazer os seus interlocutores contarem histórias incríveis, que por sua vez vêm até nós sempre com muito humor.

Numa época em que as viagens se encontram tão amputadas por causa da pandemia, é um verdadeiro prazer poder viajar através dos livros. Infelizmente, o lado menos glamouroso destes livros é sempre pensar como estarão hoje as zonas que já estavam em perigo grave de destruição pela industria da madeira há 10 anos atrás, quando o autor as visitou. Ou aquela tribo que ainda vivia praticamente em isolamento na Amazónia. Dificilmente estarão melhores, pelos ecos que vamos ouvindo da zona.

De qualquer modo foi um prazer muito grande ler este livro, e recomendo para todos os amantes de literatura de viagem e vida selvagem.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Peter Allison is an australian that decided he was not fit for an office job very early in his life. This lead him to Africa, where he started a carreer as a safari guide, in amazing places like South Africa, Botswana and Namibia. His adventures in those countries are told on his first two books, that I already reviewed here e here. After a city break, where Peter tried to fit in some office jobs, he decides to get back on the road and this time he goes to South America, searching, among others, the elusive jaguar. 

While he’s there he experiences some amazing adventures with pumas, birds, anacondas, but most of all people. He has the gift to make people open up to him and tell him incredible stories that he shares with us, always filled with humour.    

In a time where travelling is has been so hindered by the pandemic, that has no end in sight, it is an absolute joy to be able to travel through books. Unfortunately not all is beautiful. Some of the places the author has visited 10 years ago where already severely under threat from the logging companies and other dangers, so one tends to wonder what has become of those places now. Or that tribe that still lived according to their old ways, always fighting for their land. We can infer that should not be better, especially considering the news we keep seeing from those countries. 

Despite that, it was a real pleasure to read this book, and I cannot recommend it enough to all travel and wildlife lovers. 

Happy Reading!

Livros que Recomendo – Hope For Animals and Their World

hope for animals and their world

De vez em quando gosto de ler livros sobre ciência, principalmente relacionados com animais, sendo eu bióloga de formação. Jane Goodall é uma referência incontornável neste campo, e sempre portadora de esperança.

Neste livro, que infelizmente ainda não está traduzido para português, ela escolhe falar-nos não do seu trabalho de décadas com chimpanzés, mas sim sobre projectos de conservação com espécies bastante ameaçadas e que estão a dar resultados. Sendo de 2009, já muita coisa, boa ou má, se pode ter passado com cada um daqueles projectos, mas é incrível ler sobre a dedicação e empenho de alguns cientistas e comunidades em salvar espécies em risco.

Por exemplo no caso de uma espécie de garças migratórias que tinham perdido a capacidade de efectuar as suas migrações por não haver aves que ainda soubessem a rota, os cientistas usaram um planador coberto de tecido branco para se assemelhar a uma garça e lideraram vários percursos até elas retomarem sozinhas.

Aconselho muito a todos os que gostam de ciência, de livros sobre esperança e de animais no seu estado selvagem. Indicado para estes tempos incertos.

Boas Leituras!

Livros Que Quero Ler – Harvest For Hope

harvest for hope

Jane Goodall é uma cientista sobejamente conhecida e que tem estudado chimpanzés a sua vida toda. Paralelamente tem sido uma porta-voz duma vida mais sustentável, nomeadamente com acções de sensibilização junto das camadas mais jovens.

Uma das coisas que Jane Goodall defende é que devemos ter uma alimentação que cause menos impacto ao nosso planeta. Ela tem visto em primeira mão o impacto de destruição de habitat nos chimpanzés que segue, e que afecta populações humanas e animais.

Por isso Jane Goodall é vegetariana e escreveu Harvest for Hope: A Guide to Mindful Eating para nos fazer pensar nas nossas escolhas diárias, e como podemos com pequenas acções fazer a diferença no mundo que nos rodeia. Não pretende ser um tratado exaustivo de como solucionar o problema da alimentação humana numa população que já aumentou para níveis superiores àqueles que o nosso planeta consegue realisticamente suportar, mas sim pequenas ideias que todos nós podemos fazer no nosso dia-a-dia para diminuir o nosso impacto pessoal.

Está na minha lista de livros para ler já há algum tempo, mas os vários livros de viagem que tenho neste momento têm-se sobreposto aos de ciência, mas espero que essa situação se inverta em breve.

Recomendo a todos os que gostam de pensar sobre estes assuntos de sustentabilidade e alimentação, e se lerem antes de mim digam-me se vale tanto a pena como eu espero.

Até lá, Boas Leituras!

Acabei de Ler – Don’t Look Behind You

peter allison 2

É uma realidade que neste momento grande parte de nós está fechada em casa há cerca de 4 semanas. É também uma realidade que neste contexto para mim tem sido difícil conseguir concentrar-me em leituras novas. Por isso resolvi voltar a um conhecido recente, e viajar através dos livros. No início deste ano tinha lido o primeiro livro deste autor, guia de safaris em África, mais concretamente no Botswana. Esse foi mais um país que acrescentei à lista daqueles que gostava de conhecer, se bem que já andava de olho nele há alguns anos (mas é caro… ). Agora, depois de ler este livro, acrescentei também as paisagens inóspitas da Namibia à minha já longa lista de possíveis viagens.

Peter Allison mostra-nos mais uma vez os bastidores dos campos de safaris, desde os mais glamourosos, aos mais perdidos no interior de África, já que na sua vasta experiência ele fez um pouco de tudo para uma das empresas mais conhecidas de safaris em África. Conta-nos episódios caricatos que lhe foram acontecendo nos seus longos anos de experiência, sempre com muito humor. Neste livro foca-se menos nas descrições de animais e mais nas peripécias da vida num campo africano, mas o humor é o mesmo, e a maneira interessante como cada história é contada é o que nos deixa cativados desde o início. Ele é um guia experiente, mas o modo como descreve as suas aventuras faz parecer que é apenas mais um de nós.

Recomendo a todos os que gostam de viajar, aos que planeiam fazer um safari para perceberem um pouco da etiquete recomendada nestes locais para não perturbar a vida selvagem e desfrutar ao máximo a experiência, mas recomendo também a todos aqueles que, como eu, gostam de ler sobre coisas novas e diferentes.

Goodreads Review

Boas Leituras!

Livros que Quero Ler – Dark Summit

dark summit

Se estão a pensar se este será mais um livro sobre o Everest, digo já que sim. Tenho um fraquinho por livros sobre alta montanha, e o Everest em particular, apenas porque é a montanha mais literária. Na realidade são 14 as montanhas com mais de 8000 metros de altura, e o Everest nem é sequer a mais difícil de escalar, mas, sendo a maior, tornou-se a mais emblemática.

1996 foi um ano difícil e com muitas mortes após várias expedições terem sido apanhadas por uma tempestade quando se encontravam já na fase descendente da aventura. Mas 2006 provou ser um ano ainda mais complicado, e que mostrou que a evolução comercial da escalada não trouxe só benefícios. Nick Heil é um montanhista reconhecido e jornalista de outdoors, que fez uma investigação sobre os factos de 2006 e sobre a fúria mercantilista que invadiu este desporto e a transformou neste livro.

Já está no meu kindle à espera da inspiração certa para ser lido, e como este está a ser um ano de não-ficção, suspeito que será em breve.

Até lá, Boas Leituras!

Acabei de Ler – The Elephant Whisperer

elephant

O facto de ter falado recentemente deste livro aqui no blogue deixou-me ainda com mais vontade de pegar logo nele. Isso e o facto deste ano eu andar virada a viajar nos livros. E foi realmente uma excelente opção que eu tomei. Este livro é belíssimo, e lê-se de um fôlego.

Lawrence Anthony comprou um enorme terreno na África do Sul que converteu numa reserva natural. Tinha bastante fauna, mas não tinha elefantes. Pelo menos até lhe terem oferecido uma manada, completamente de borla. Claro que tinha um custo associado, e neste caso era o facto da manada ter tentado fugir várias vezes, e vários elementos, incluindo a matriarca e a sua cria, terem sido abatidas. Isto fez com que estes elefantes viessem zangados e com sede de vingança. A principal ameaça à vida selvagem em África, como no resto do mundo, é a sobrepopulação e isso afecta especialmente espécies de grande porte que precisam de muito espaço, como os elefantes.

Mas este livro é essencialmente sobre relações entre diferente espécies, nomeadamente a nossa e os elefantes. É sobre usar a inteligência emocional, e admirarmos a inteligência que se apresenta à nossa frente, mesmo que seja diferente da nossa.

Acho que temos muito a aprender com este livro, e mais uma vez fiquei cheia de vontade visitar África e uma reserva que respeite os seus animais.

Recomendo a todos os amantes de vida selvagem, aos conservacionistas, às pessoas que gostam de ler sobre tópicos diferentes.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Acabei de Ler – Above the Clouds

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Talvez por as minhas possibilidades de viajar para sítios exóticos estarem agora mais diminuídas, comecei este ano a ler sobre sítios maravilhosos e encantadores, mas que estão fora do meu alcance. Já li sobre o Everest, Botswana, e agora resolvi voltar ao montanhismo de altitude outra vez.

Quando li a perspectiva de Anatoli Boukreev sobre o desastre de 1996 no Everest, percebi que este russo/casaque era um homem muito interessante, culto e com uma filosofia de respeito pelas montanhas muito especial. E isso levou-me a pegar neste livro, que nada mais é que a compilação de algumas reflexões que ele fazia no seu diário pessoal após cada expedição a altas montanhas, e ele teve inúmeras dessas.

Anatoli Boukreev começou a sua carreira como alpinista na União Soviética, onde o desporto de alta competição era incentivado como um modo de enaltecer a pátria russa e levar o seu nome a todo o lado, nomeadamente ao pico do Everest, batendo records e fazendo história. O desporto era considerado um objectivo colectivo e a vontade do grupo estava acima do sucesso individual.

Entretanto dá-se a desagregação da União Soviética e esse paradigma muda radicalmente. Deixa de haver dinheiro estatal para patrocinar os atletas, a iniciativa privada não vê qualquer vantagem em patrocinar expedições a altas montanhas, e Anatoli vê-se repentinamente sem um meio de financiar a sua paixão e razão de viver. Ao mesmo tempo as expedições comerciais começam a ser uma realidade que pode providenciar emprego e rendimentos, mas a contrapartida é liderar expedições a locais muito perigosos com clientes de condição física questionável.

São estas dúvidas e pedaços de história recente que podemos encontrar neste livro, bem como espreitar a mente de um homem que considerava as montanhas como uma religião e uma forma de superação pessoal, acabndo por vir a falecer numa. Muito interessante, uma leitura que se faz num fôlego.

Recomendo a todos os que gostam de viajar nas palavras, os que gostam de ler sobre desporto, aventura, locais remotos e que exercem fascínio, mesmo que nunca tenhamos a oportunidade de lá ir.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Livros que Quero Ler – The Elephant Whisperer

elephant

Depois de tanto tempo a recomendar livros que tinha lido, resolvi que estava na altura de falar de livros que estão no meu radar para futuras leituras, por variadíssimas razões. Este já me foi recomendado pelo Goodreads há bastante tempo, mas nem sempre estou com a mente virada para livros de não-ficção.

Este ano passa-se exactamente o contrário, apetece-me estar imersa no mundo real através dos livros, por isso parece-me uma excelente altura para me dedicar a esta história.

Lawrence Anthony tinha uma reserva natural na África do Sul e foi-lhe pedido para acolher um grupo problemático de elefantes. Mesmo antes de chegarem a matriarca e a sua cria são abatidas, o que faz com que todo o grupo esteja ainda mais agressivo e difícil de controlar. Este é o ponto de partida para toda uma história de relações entre homens e animais no seu habitat natural, sobre conservação e os esforços que se fazem preservar espécies importantes, mas principalmente sobre uns animais inteligentíssimos que eu muito gosto, os elefantes.

Espero conseguir lê-lo nas próximas semanas, já que 2020 parece ser definitivamente o ano da não ficção e dos livros em localizações exóticas.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Into Thin Air

into thin air

Faz sensivelmente um ano, mais coisa menos coisa, que eu vim aqui recomendar o livro mais conhecido deste escritor. Into the Wild é um dos livros que ainda hoje tem um lugar especial no meu coração, e que eu gosto de partilhar com quem gosta de bons livros.

Mas Jon Krakaeur é um jornalista de actividades ao ar livre, desportos radicais, e por isso embarcou numa expedição ao Everest em 1996 para escrever sobre o assunto para a sua revista da altura, a Outside. Tendo sido uma das mais letais épocas de escalada que há memória, Krakaeur viu a sua vida em risco e vem neste livro contar os factos no seu ponto de vista.

Em 1996 várias expedições e montanhistas a solo estavam a preparar-se para ascender ao cume da montanha mais alta do mundo. Duas dessas expedições, a de Rob Hall (Adventure Consultants) e Scott Fisher (Mountain Madness) estavam entre as maiores e os seus guias eram uma espécie de super estrelas do montanhismo. Muita coisa correu mal nesta expedição. Em resumo, a subida foi começada a 6 de Maio, numa tentativa de evitarem a tempestade que se sabia estava a caminho e chegaria a 10 de Maio, no entanto muitos erros foram cometidos por todos os envolvidos, e a descida acabou por atrasar imenso, tendo sido apanhados em pleno pela enorme tempestade. Houve mortos do lado Norte e Sul (as duas vias de aproximação ao cume), no entanto foi o Sul o lado mais afectado, também porque estava mais sobrelotado. No total, nestes dois dias morreram 8 pessoas, e na época toda 12.

Mas estes são apenas os factos, relatados a frio, e o livro é muito mais que isso. Krakaeur é um exímio escritor, perito em dar vida aos seus personagens, que neste caso eram pessoas bem reais, com história, família, ambições e responsabilidades. Apesar de não ser um olhar isento, já que a sua ascensão ao cume foi feita integrado na equipa de Rob Hall, um neo-zelandês que estava a poucos meses de ser pai, tem uma visão a partir do interior, que muito nos ajuda a viver também esses dias trágicos.

O montanhismo, a escalada destes gigantes terrenos exerce um fascínio em muitos que me ultrapassa. Mas gosto de ler sobre isso sentada no conforto do meu sofá, com os pés quase ao nível da água do mar. Não percebo esta coisa de desejar estar sempre com a adrenalina em alta, sempre no fio da navalha, no entanto respeito quem gosta de se desafiar dessa maneira, e este livro está magistralmente escrito. Tal como em Into the Wild, chorei copiosamente com o final deste livro, já que o autor tem o condão de tornar os personagens em nossos amigos pessoais.

Tal como o anterior, também este livro foi polémico, com muitas respostas de outros dos presentes que contaram as suas versões. Mas este é um dos testemunhos e muito bem escrito. Alguns dos sobreviventes deste desastre já morreram entretanto noutras escaladas, o que nos deixa a pensar.

Foi feito um filme em 2015 (e um telefilme anteriormente do qual nem vale a pena falar), que sem ser espectacular é bastante interessante.

Recomendo a todos os amantes de não ficção, de livros bem escritos, de adrenalina e desportos radicais e da vida em geral.

Boas Leituras!