Livros que Recomendo – A Rapariga que Roubava Livros

book thief

O livro que recomendo hoje é um dos muitos que nos fala sobre a Segunda Guerra Mundial. Se calhar não será o melhor ou o mais completo, e é certamente controverso, daqueles que se ama ou odeia. Eu enquadro-me na primeira categoria.

Creio que foi a cara-metade que sugeriu a leitura, mas seja como for lemos os dois, e gostámos igualmente. Apesar do pano de fundo pouco original (há largas dezenas de livros passados na Segunda Guerra Mundial), este livro consegue manter alguma frescura na história e na forma como é narrado. Começa por se enquadrar num género denominado em inglês de Young Adult, que na nossa língua teria mais ou menos a correspondência à literatura infanto-juvenil, mas que na realidade não é bem a mesma coisa. Young Adult pressupõe não crianças a entrar na adolescência, mas sim jovens adultos em formação, que estão precisamente a sair dos anos da adolescência e a entrar na idade adulta. Os vintes, diria eu. E nesta categoria incluem-se livros muito interessantes e de temáticas muito ricas, este é um deles.

Começa pelo facto da guerra nos ser mostrada com um olhar alemão, contrariamente ao que estamos habituados, e percebemos que há impactos negativos dos dois lados da barricada, e que as pessoas comuns vêem as suas vidas afectadas sempre. Depois o narrador é também pouco convencional, a morte, e o modo sarcástico como ela interage com os leitores e a história foi o que para mim ganhou pontos, mas que para muitos leitores os fez desgostar do livro.

Depois as demonstrações de sensibilidade e amor escondidas nos sítios e nas pessoas mais improváveis são também uma pérola desta história, que nos faz descobrir que toda a gente tem um coração, por mais que se esforce por o esconder. Depois, é um livro sobre livros, não há como não gostar.

A história é sobre Liesel, uma jovem alemã que vai viver com uma família de acolhimento numa pequena cidade alemã perto de Munique em plena Segunda Guerra Mundial, a sua adaptação ao local, às pessoas e à realidade da guerra. Pelo meio ajudam um rapaz judeu a esconder-se e os livros desempenham um papel crucial de união.

Tal como muitos dos livros que já recomendei aqui, também deste se fez um filme. Já vi, não é mau, mas falta-lhe algo da intimidade do livro, como seria de esperar.

Recomendo a todos os que gostam de histórias fortes, ver temas sérios por diferentes ângulos e que lidam bem com emoções.

Goodreads Review.

Boas Leituras!

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Orçamento Participativo 2018 – eLivro

orcamento

 

Este ano no orçamento participativo há uma proposta que pode agradar a todos aqueles que gostam de ler e que querem ver a literatura mais acessível a todos. Tomámos conhecimento dela através dum post do blog do Projecto Adamastor, aqui, que já prima ele próprio por tornar acessíveis títulos portugueses que estão em domínio público, no formato digital. Eu própria já li alguns livros de lá, e continuo com alguns no Kindle em lista de espera.

Mas este projecto do orçamento participativo vai mais além e prevê que as bibliotecas possam disponilibilizar gratuitamente para empréstimo eBooks, tendo mesmo ereaders e tablets para empréstimo a quem os solicitar.

Nos Estados Unidos, por exemplo, onde há uma cultura de utilização de bibliotecas públicas muito superior à nossa e é mesmo o recurso mais utilizado pelos leitores, isto é já prática comum, e há apps especializadas, como Overdrive e Libby, que nos mandam o livro que requisitámos para o Kindle (ou qualquer ereader, tablet ou app no telemóvel) assim que fica disponível, e o “devolve” à biblioteca quando expiram os 15 dias regulamentares.

Acho que ainda estaremos a anos luz duma realidade tão simples como esta (eu ainda não consigo comprar livros portugueses facilmente para o meu kindle, de tal maneira vêm protegidos com protecções bacocas), mas fico esperançosa que este seja um primeiro passo para tornar os livros mais acessiveis a todos, principalmente aqueles que não vivem nas grandes cidades.

Se quiserem votar, podem fazê-lo aqui. Eu já votei.

 

Leituras em Simultâneo

domino

Há hoje uma tendência nos blogues de leitura que sigo em aconselhar as pessoas a ler vários livros ao mesmo tempo, para aumentar a performance e número de livros lidos no final do ano. Vários estudos pseudo científicos acompanham isto, dizendo que aumenta a capacidade cognitiva e entre outros benefícios.

Eu admiro quem consegue ler vários livros em simultâneo, ou até mesmo apenas dois. As pessoas que o conseguem são realmente dotadas duma grande capacidade de concentração e de foco. Eu, por meu lado, só me consigo concentrar num livro de cada vez. Sou uma mulher de amores em cadeia, e não simultâneos, se assim quiserem.

Quando estou a ler um livro, se ele for bom, estou completamente imersa na história, vivo a vida daquelas personagens, partilho as suas angústias e as suas alegrias, e dificilmente consigo ser assim intrusiva em duas “famílias” ao mesmo tempo. Mesmo quando estou a ler não ficção, estou totalmente dedicada aquele autor e ao que ele tem para me dizer, e não consigo dividir a minha atenção com mais ninguém.

Normalmente se lá para meio de um livro começo a pensar muito no próximo título que vou ler, se começo a fazer listas dos livros que se vão seguir, se começo a pensar muito quão boa será a sequela daquele livro que li há 3 anos atrás… é sinal que o que eu tenho entre mãos não está a cumprir o seu papel e que lê-lo está a ser penoso. É nessa altura que tenho de responder a minha própria pergunta: vale a pena continuar a perder tempo com isto?

Felizmente somos todos diferentes, e há muita gente que lê alegremente vários livros, outros como eu que vão calmamente com um de cada vez, outros ainda que precisam de vários dias para digerir o final de um livro antes de começar o próximo.

Ler é uma maratona, não um sprint, e não está ninguém na meta para contar o nosso tempo, a não que façamos disso profissão.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Andam Faunos Pelos Bosques

aquilino ribeiro

Não sei quantas vezes referi aqui que tirei o curso de Biologia, nomeadamente Biologia Ambiental na sua variante de recursos terrestres. Isso fez-me ter cadeiras interessantíssimas, como por exemplo Fauna de Portugal. O professor dessa cadeira era em si mesmo um personagem, mas isso fez com que fosse das cadeiras onde mais informação me ficou retida na memória, e aprendi imenso com ele. Um dos  muitos ensinamentos que ele nos transmitiu é que Aquilino Ribeiro era um autor português onde era possível aprender imenso sobre a fauna do nosso país, e isso fez-me andar desde então em romaria à procura dos seus livros.

Longe estava eu de imaginar que seria tão difícil de encontrar livros dele à venda, pelo menos há uns anos atrás não se encontrava nada nas livrarias. Ora, eu não sou de me atrapalhar, e consegui uns quantos volumes a 2€ cada um num alfarrabista e comecei por ler este Andam Faunos Pelos Bosques, porque bosques e criaturas míticas apelam ao meu lado amante de fantasia.

Ler num Kindle tem a vantagem de se ter um dicionário na ponta dos dedos. Quando se pega novamente em papel percebe-se que essa facilidade deixa de estar lá. Normalmente não é problemático porque em papel leio essencialmente em português, mas Aquilino Ribeiro é uma leitura muito desafiante. Há imensas palavras que não sei o significado, e como são especificas das beiras (ou inventadas pelo escritor?), não consegui encontrar no dicionário. Talvez pelo seu intenso domínio do português e pela sua temática tão regional ande tão desaparecido dos escaparates.

Mas isso não diminuiu em nada o prazer de ler esta história fantástica, carregada de crónica de costumes dum Portugal que já não existe a não ser de forma residual. Algures nas serras das Beiras as donzelas andam a perder a sua pureza e atribuem esse facto a uma criatura peluda e viril, que não as força, mas que as deixa sem vontade de resistir. O fauno tem bom gosto e escolhe as mais jovens e mais belas, as feias e desinteressantes só Deus quer. Instala-se o pânico, os homens organizam-se e faz-se uma batida por essas serras fora para encontrar o culpado. Que obviamente nunca será encontrado, e são os padres da região, reunidos em Viseu, quem desvendará o mistério.

No meio desta história simples faz-se uma crítica social apurada, onde não escapa nem povo, nem clero, nem nenhum dos costumes estranhos que definem a nossa portugalidade rural. Os padres são, aliás, um dos principais alvos desta crónica, e não escapam a uma crítica mordaz, mas são também a chave de todo o livro. Uma pérola que recomendo muito a todos os que gostam de literatura portuguesa que nos ajuda a viajar no tempo e na história. Estão na calha pelo menos mais 3 títulos deste escritor, assim que tiver novamente cabeça para andar confundida com a minha língua mãe.

Goodreads Review

Boas Leituras!

Prova Superada

Feira do Livro 2018

Feira do Livro terminada e orgulhosamente digo que consegui superar o desafio de 2018 e não comprar nem mais um livro para as minhas estantes cá de casa. Que neste momento mais que estantes são já cadeiras, topos de móveis, entre outras coisas onde caibam livros em condições de semi precaridade.

E, perguntam vocês, como consegui semelhante proeza? Não fui. Custou-me, até porque trabalho a um pulinho de lá, mas evitei-a como quem evita a peste. E pronto, para o ano haverá mais, e se me ajudarem a libertar as minhas estantes eu poderei comprar mais qualquer coisa. Ali, no canto do Peixinho, há sempre livros à procura de casa.

Boas Leituras!

O Terror de Dan Simmons

the terror

Durante várias semanas um colega de trabalho quase diariamente tentava convencer-me a ver esta série que passa correntemente no AMC e eu lá lhe explicava que não sou muito de séries. Entretanto nas férias estava eu à procura de coisas novas para ler e fui ver os títulos do meu novo autor fetiche, Dan Simmons, o mesmo que escreveu Hiperyon e Endimyon, quando encontrei um livro dele chamado, precisamente, The Terror. Mau, estaríamos a falar da mesma coisa?

Ignorei e comecei a ler um Poirot, porque ainda estava a digerir o livro anterior. À noite estava a ver os blogues que sigo quando me deparei com este post no blogue do Nuno onde ele fala exactamente da série e confirma que é baseada no livro do Dan Simmons do mesmo nome. Fiquei rendida, deixei o Poirot de lado, e ataquei o terror.

Se ignorarmos o sobrenatural, este livro, que é uma ficção sobre a expedição de Franklin ao Ártico que se perdeu para sempre, é uma elegia à Lei de Murphy. Tudo o que pode correr mal, vai correr mal. Mas como em muita coisa na vida, o que conta é a jornada até lá chegarmos, e Dan Simmons dá-nos uma jornada e pêras. Ainda não sei como será a série, mas digo-vos que o livro é passado com o coração nas mãos, e as mãos à vez na boca ou no estômago, ora vociferando ora pensando porque raio serão necessários tantos detalhes. Se, como eu, tiverem uma mente muito visual, dificilmente a série terá mais impacto do que a vossa própria imaginação. Mas este autor fez aqui o mesmo que em Hyperion, mantém-nos agarrados às mais de 700 páginas, a ler avidamente, sempre à espera do que vem a seguir, mesmo sabendo em traços largos o que vai acontecer.

Temos também a beleza do elemento das lendas Inuit que são o pano de fundo para muito do fantástico que se passa no livro, e o enchem com uma roupagem mais densa e mais bela do que uma simples história de terror. E por fim, depois do que muito reclamei quando finalizei a saga de Hyperion e Endymion, é bom ver finalmente um livro do Dan Simmons traduzido para português e pode ser que isto crie o interesse necessário para se abrir a porta a mais títulos.

Recomendo a todos os valentes que andam por aí e que gostam de bons livros, que não se deixam impressionar facilmente com descrições muito realistas, e que não sonham de noite com o que leram durante o dia (a mim acontece-me, mas não é necessariamente mau). A todos os que gostam de histórias fortes e fora do comum, e a todos os que gostaram da série.

Boas Leituras!

Goodreads Review

The sixam ieua knew through their forward-thoughts that when the Tuunbaq’s domain was finally invaded by the pale people — the kabloona — it would be the beginning of the End of Times. Poisoned by the kabloonas’ pale souls, the Tuunbaq would sicken and die. The Real People would forget their ways and their language. Their homes would be filled with drunkenness and despair. Men would forget their kindness and beat their wives. The inua of the children would become confused, and the Real People would lose their good dreams. When the Tuunbaq dies because of the kabloona sickness, the spirit-governors-of-the-sky knew, its cold, white domain will begin to heat and melt and thaw. The white bears will have no ice for a home, so their cubs will die. The whales and walruses will have nowhere to feed. The birds will wheel in circles and cry to the Raven for help, their breeding grounds gone. This is the future they saw. The sixam ieua knew that as terrible as the Tuunbaq was, this future without it — and without their cold world — would be worse.

Deus

nuno judice

À noite, há um ponto do corredor
em que um brilho ocasional faz lembrar
um pirilampo. Inclino-me para o apanhar
– e a sombra apaga-o. Então,
levanto-me: já sem a preocupação
de saber o que é esse brilho, ou
do que é reflexo.
Ali, no entanto, ficou
uma inquietação; e muito tempo depois,
sem me dar conta do motivo autêntico,
ainda me volto no corredor, procurando a luz
que já não existe.

Nuno Júdice, in “Meditação sobre Ruínas”

Livros que Recomendo – Kitchen Confidential

Kitchen Confidential

Acho que os eventos recentes ditam que eu venha falar deste livro neste momento. Já o tinha posto na minha lista de livros a recomendar, mas um pouco mais lá para a frente, mas infelizmente repensei e vim falar dele agora. Kitchen Confidential, o livro que lançou a carreira de Anthony Bourdain, aquele que até então tinha sido um chef executivo dum restaurante de Manhatan, sem grande história, mas que decidiu, primeiro num artigo de jornal, depois nesta expansão para livro, contar tudo do que sabia das entranhas deste negócio da restauração, com uma clareza e sangue frio que me deixou deslumbrada.

Claro que a maioria das coisas que Anthony Bourdain desvenda neste livro nós intuitivamente sabíamos. Que se um restaurante está às moscas, o melhor é evitá-lo porque a probabilidade de nos servirem comida fresca é muito pequena. Que se a casa-de-banho, que é aquilo que os clientes vêem de certeza, está nojenta, qual a probabilidade de a cozinha, que nós nem vemos, estar limpa e imaculada? Mas mais que todos esses conselhos é o modo como são escritos, e o facto de terem como pano de fundo a sua biografia até então que nos fascina e cativa. O homem sabe escrever e descrever, como tão bem continuou a demonstrar ao longo das suas inúmeras séries televisivas.

É um livro que vale muito a pena, e se só o vão ler agora de certeza que o lerão com uma carga diferente. Quanto ao resto, já muito foi dito na comunicação social nestes últimos dias, e não vale a pena acrescentar muito mais. Na minha humilde opinião, que já tinha comentado cá por casa, ele era uma pessoa melancólica. Era isso que me cativava nele, eu sentia que partilhava com ele uma certa nostalgia por aquilo que já não existe, mesmo que nunca o tenhamos conhecido, o sentimento de perda dum mundo a mudar em muita coisa que não é para melhor. Muitos dos que admiram a sua postura rock n’roll são dos principais militantes da brigada do politicamente correcto que estamos inundados hoje, e nem sequer percebem a ironia. Mas sobretudo, a lição que espero que se tire disto tudo é que quem vê caras não vê corações, e uma vida que nós julgamos idílica (e julgar aqui em todo o sentido da palavra) pode esconder um inferno por trás.

“Conhecer” a figura pública é não conhecer nada, por vezes nem sabemos o que a pessoa ao nosso lado está a passar. Por isso, menos julgamentos e mais compreensão, a começar pelos que estão mesmo ao nosso lado, e a terminar nos que estão na ponta dos dedos do teclado é o que desejo a todos.

De resto, se nunca leram este livro, recomendo que não se arrependem certamente e aprenderão muito sobre restauração. Também aqui quem vê caras não vê corações.

Os Ingleses

l'anglaise

Keep scrolling if you prefer to read in English

Depois de Underwater Breathing, o Netgalley voltou a presentear-me com uma história bonita, difícil, sobre relações complicadas entre pessoas que foram profundamente marcadas por pais com doenças mentais. Novamente uma autora inglesa, desta vez o segundo livro de Helen E. Mundler, autora que eu também não conhecia.

Neste livro seguimos Ella, uma inglesa que vive em Estrasburgo e aí trabalha no meio académico literário. No entanto, como não casou nem tem filhos, nada do que faça poderá satisfazer as ambições da sua mãe para a sua vida. Margaret, a mãe, não teve propriamente um casamento feliz, e ambos os pais de Ella nunca foram muito presentes na sua vida.

Após a morte do pai ela conhece Max, mas terá de resolver muitos dos seus diálogos internos até estar preparada para uma relação.

Esta é a premissa deste livro, que está bem escrito e nos faz pensar mais uma vez no impacto que os pais têm na vida dos seus filhos, mesmo sem querer, mas que nos mostra também o sentimento de abandono que se sente quando se muda de país e já não se pertence bem nem cá nem lá.

Comparando com Underwater Breathing, a sua escrita é um pouco mais confusa e senti que por vezes algumas ideias ficavam a meio. Mas partilhou com este personagens muito bem construídas e das quais tive pena de me separar no final, e obriga os seus leitores a pensar mais, a escavar nas palavras para perceber os significados que estão escondidos por baixo e não nos são dados como papa para bebés, e isso também é muito gratificante.

Recomendo a todos os que gostam de uma boa história, bem contada, forte, e que nutrem como eu um certo carinho por França.

Goodreads Review

In English:

After Underwater Breathing I was again presented with a beautiful yet difficult  story from Netgalley, about complicated relationships between people that were deeply scarred by parents that struggled with mental health issues. Again a British author, another one that I was unfamiliar with.

In this book we follow Ella’s story, an English woman living in Strasbourg where she works in the academic literary world. Unmarried and childless, nothing that she has accomplished will be enough to satisfy her mother’s ambitions for her life. Margaret, her mother, has struggled through an unhappy marriage, and both her and her husband Hugo were in different ways absent from Ella’s upbringing and uninvolved in her life.

When her father passes away she meets Max, however she will have to deal with a lot of her own internal issues before she is ready to commit to a relationship.

This is basically the background story of this very well written book, that makes us think about the impact that the parents have in their children’s lives, even when they don’t mean to, but it also shows us the feeling of not belonging that we have when we move countries, and we are neither here nor there there anymore.

If compared with Underwater Breathing, the writing was a bit more confused and I sometimes felt some ideas were unclear, nonetheless it shared with it some very well constructed characters that I was really sad to part ways in the end and it also forced the readers to think more, and dig deeper in the words to find the hidden meanings that are not just given to us like baby food, and that was very gratifying.

I recommend it to everyone who likes a good story, strong and well told and all those, like me, who cherish France.