Acabei de Ler – My Sister, the Serial Killer

my sister the serial killer

Por vezes penso que no Peixinho há um certo défice de novidades, livros que são muito recentes e andam nas bocas do mundo, que é como quem diz nos grupos de leitura em que ando inserida, ou noutros blogues que leio. Pessoalmente isso não me faz muita confusão porque há mais livros para ler que anos de vida para o fazer, e nuita coisa publicada no passado que me desperta verdadeiro interesse. Mas de vez em quando há livros recentes que à custa de os ver mencionados tantas vezes eu acabo mesmo por sucumbir à curiosidade.

Foi o caso deste My Sister the Serial Killer, da nigeriana Oyinkan Braithwaite, que causou furor um pouco por todo o lado. Passado na Nigéria, país natal da autora, é um livro diferente e refrescante. Nele conhecemos Korede e a sua irmã mais nova, Ayoola, que ficamos imediatamente a saber tem uma queda para matar os seus namorados. Aquilo que vamos descobrindo ao longo do livro é o que nos leva a ter um sentido de lealdade quase cega (educação, constrangimentos culturais) e onde é que fica o limite daquilo que somos capazes de fazer por aqueles que amamos.

Um dilema interessante, muito bem escrito e que é impossível de pousar até terminarmos o livro. O facto de ser passado em Lagos, na Nigéria, e não numa qualquer cidade europeia ou americana, é também uma mudança refrescante de cenário. Foi uma leitura perfeita para o final do ano.

Recomendo a todos os que gostam duma leitura simples, rápida, interessante e sem preconceitos. Mente aberta e desperta é o que se espera.

Boas leituras!

Goodreads Review

Desafio Terminado

goodreads 2019

Nem sei bem como, mas com ainda um mês para o final do ano consegui atingir o objectivo de ler 30 livros em 2019. Ajuda que este ano reduzi o objectivo para um número realista, mas fico contente por ver que foi um ano literariamente produtivo.

Que venha 2020 e boas leituras!

Acabei de Ler – Baise-Moi (Rape Me)

virginie despentes

Conheci Virginie Despentes em 2017 com um livro excelente proporcionado pelo Netgalley, Vernon Subutex. Tenho andado à espera do segundo volume traduzido em inglês, que ainda não consegui arranjar para o meu Kindle. Enquanto espero resolvi que estava na altura de ler mais qualquer coisa desta senhora, já que foi uma autora que me impressionou. Tem o tipo de linguagem que eu gosto, moderna, do nosso tempo e do nosso mundo. Sem contemplações e sem filtro. Por isso atirei-me de cabeça a este livro, sabendo que ia ter uma jornada dura.

E foi uma jornada bastante dura, mas um livro que devorei em dois dias. E isso tem sido tarefa impossível ultimamente, já que o tempo disponível para ler tem sido curto. O livro é rápido, alucinante, difícil de digerir e muito violento. Nele conhecemos Nadine e Manu, duas jovens francesas duma cidade média, que vivem um pouco à margem da sociedade. Abusam de álcool e drogas, recorrem a prostituição para ganhar dinheiro e não têm uma vida fácil, nem a facilitam. Nadine e Manu não se conhecem, mas cruzam-se por coincidência e nunca mais se vão largar. São atraídas uma para a outra um pouco como a expressão “misery loves company” e a “aventura” que vão viver marca-nos pela dureza e pela crueza.

É um livro muito simples, mas cheio de emoções complexas. Tal como em Vernon Subutex, fala-se aqui de situações que preferimos acreditar que não existem, e pessoas com as quais nunca nos queremos cruzar. Mas estas pessoas existem, e estas situações, principalmente as que acontecem a Nadine e Manu antes de se conhecerem, acontecem mais frequentemente do que queremos admitir.

O título em inglês deixa um bocadinho a desejar. Depois de alguma investigação percebi que uma interpretação mais literal seria “Fuck Me”, mas os editores anglo-saxónicos devem ter achado este título mais chocante. Go figure!

Não recomendo a toda a gente. Se quiserem ler este livro vão preparados para muita violência gratuita, para muitas imagens gráficas e de cariz sexual, nem sempre consensual. Tem muito sexo, sem ser de todo um livro erótico. É preciso estômago, mas é uma viagem que não esqueceremos.

Noutra nota, já tenho na minha lista de autores a ler Georges Bataille e Dennis Cooper, que foram muitas vezes mencionados na sinopse deste livro. A ver em 2020, que agora sigo para leituras mais “limpas” para desintoxicar.

Boas Leituras!

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Acabei de Ler – Travelling to Work, Diário Michael Palin #3

michael palin diary 3

Tal como quando li os contos de Hyperion, pegar neste terceiro volume dos diários do Michael Palin foi como voltar a algo conhecido e familiar como a nossa casa. Eu tinha ficado com a pulga atrás da orelha para ler este terceiro volume, não só porque foi quando se deu a morte do único Python até à data, Graham Chapman, que foi co-autor com John Cleese de alguns dos melhores sketches deles, como o dead parrot sketch, mas também porque foi neste altura que a carreira de Palin como apresentador e escritor de viagens se lançou com força.

Assim aqui podemos ver o lado mais pessoal de projectos como A Volta ao Mundo em 80 Dias, ou de Polo a Polo, toda a preparação que é necessária, a pós-produção, a luta para arranjar financiamentos para começar enquanto ao mesmo tempo se tenta garantir alguma independência, e depois a agonia de seguir as audiências televisivas ou as vendas de livros para saber se o esforço valeu a pena. Foi também interessante ler sobre todo o trabalho preparatório dum livro que eu li este ano, Hemingway’s Adventure. Não é só viajar e registar, há muito trabalho envolvido antes e depois.

Mesmo no fim dos 40 início dos 50’s, Michael Palin mantêm-se um jovem de espírito, sempre com vontade de fazer mais, descobrir mais e fazer algo de bom pela sociedade onde se insere, já que é muito consciente do seu papel social. Ao mesmo tempo continua com as mesmas inseguranças sobre o seu trabalho, o que nos mostra que é realmente uma pessoa de pés bem assentes na terra. É também refrescante ver que depois de todos estes anos os Python mantêm a amizade, se encontram regularmente e ainda gostam de colaborar juntos, mesmo que em moldes diferentes.

Recomendo a todos os fãs de Monty Python e de Michael Palin em geral.

Boas Leituras!

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Acabei de Ler – Vénus na India

venus na india

Eu acho que já falei aqui algures que os meus pais tinham uma pequena colecção de livros eróticos (mal) escondidos, e aos quais eu acedi em tenra idade. Este foi um deles, que ajudou a preencher algumas tardes em vez de ver desenhos animados. Encontrei-o perdido na net, e resolvi descarregar para o Kindle e reler.

Este é supostamente um livro biográfico que narra as aventuras do capitão inglês, Charles Devereaux, aquando o seu destacamento na Índia e no Afeganistão, no final dos 1800. A primeira coisa que salta à vista é a escrita delicada, floreada e profundamente vitoriana. A quantidade de pormenores, nomes carinhosos e metáforas é bastante interessante, e está ao nível de alguns contos que eu li naquele livro que comecei, Dentro da Noute, contos góticos, e que falei aqui.

A segunda coisa que salta à vista é que a moralidade vitoriana é muito diferente da nossa, mas que em alguns aspectos se este livro fosse publicado hoje o seu autor seria preso por pedofilia. Talvez seja leitura difícil para quem não se consiga abstrair de como as coisas eram diferentes há mais de um século atrás, em que uma rapariga de 15 anos já estava em idade de casar.

Mas em geral é um livro muito bem escrito, um clássico deste género, e com uma história engraçada. Tem supostamente uma sequela, mas essa não a consegui encontrar em lado nenhum.

Aconselho a quem gosta de literatura erótica, e livros de época.

Boas Leituras!

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Acabei de Ler – Hyperion Tales

shrike

Como falei anteriormente, a minha escolha de leitura tem andado bastante reduzida e muito centrada em Agatha Christie. Mas como tudo o que é demais enjoa, resolvi pesquisar as coisas que tinha perdidas no Kindle e procurar algo que me satisfizesse.

Quem segue o blog sabe que Hyperion, de Dan Simmons, e subsequentes títulos da série, são dos melhores livros de ficção científica que li desde sempre. Por isso nada como “voltar a casa”, que neste caso significa ao Universo de Hyperion, e ler uma compilação de 3 contos passados no mesmo universo.

Estes contos foram uma forma do autor voltar a mostrar-nos o que se passava naquele universo, quer antes dos acontecimentos de Hyperion, quer algum tempo depois do final de Endymion, sem no entanto fazer uma sequela propriamente dita. O primeiro conto, Orphans of the Hellix foi o meu favorito, o que se passa muitos anos depois dos eventos de Rise of Endymion, e foi bonito e triste como deveria ser a despedida deste Universo. Porque é esse o sentimento que fica, de que nos estamos a despedir de um amigo que tanto nos agradou mas que não voltaremos a ver.

Remembering Siri, o segundo conto, esteve quase integralmente incluido em Hyperion, por isso não foi novidade. O terceiro conto, The Death of the Centaur, é talvez o mais biográfico dos 3, já que é uma alegoria contada por um professor de literatura à sua turma numa comunidade rural. Vemos um cheirinho da presença do Shrike, só para nos aguçar o apetite (tal como no primeiro conto, aliás).

Gostei muito, recomendo imensamente a todos os que leram os quatro Cantos de Hyperion. Aos que não leram, sinceramente não sei o que esperam. Ficção científica é tão mais do que naves espaciais aos tiros. Aqui reflecte-se sobre degradação ambiental, religião, filosofia, liberdades individuais versus obediência ao colectivo, política, e muito, muito mais, tudo com um monstro assassino de 4 braços à mistura. Recomendo!

Boas Leituras!

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Acabei de ler – Cards on the Table, Poirot #15

poirot 16

Como já devem ter percebido entusiasmei-me com os Poirots e tenho lido em catadupa. Ajuda o facto do cérebro ainda não estar a 100% e estas leituras são interessantes e mais fáceis.

Este décimo quinto volume conseguiu mais uma vez surpreender.  O prefácio escrito pela autora estabelece logo o tom. Estamos perante um caso em que apenas 4 pessoas que se encontram a jogar Bridge poderiam ter cometido o crime, todas têm motivos e oportunidade. Será um trabalho de dedução chegar ao assassino. É o caso favorito do Poirot, mas o Hastings acha-o aborrecido. A autora lança-nos um repto, com quem nos identificamos mais?

Após a leitura do livro eu cheguei à conclusão que estou próxima do Poirot. Não sei se é o meu livro favorito, mas certamente não tem nada de aborrecido, é tem algumas voltas interessantes.

Como sempre aconselho a fãs do Poirot, de policiais e boas histórias em geral.

Boas leituras!

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Acabei de ler – Crime na Mesopotâmia, Poirot #14

crime na mesopotâmia

Se bem me lembro este foi um dos primeiros livros do Poirot que eu li, por volta dos meus 14/15 anos, quando estava de férias na terra. Li a versão dos Livros do Brasil, que tinha dois mistérios num só volume. Este vinha acompanhado de Morte no Nilo, talvez por serem os dois em locais exóticos.

Depois disso já o reli, e vi o respectivo episódio, mas resolvi reler de novo, agora em inglês. Também porque é o volume seguinte do Poirot que eu continuo a ler obsessivamente por ordem.

É um livro muito pitoresco. Não só é passado na Síria no início do século XX, como a narradora é uma das personagens participantes da trama. Poderíamos pensar que isso elimina logo uma das suspeitas, mas quem leu os Poirots anteriores sabe que ser narrador não é garantia de idoneidade.

Mas é esta enfermeira que narra a história que confere um toque ainda mais especial a esta história intrincada. Profundamente inglesa, vê com desconfiança e condescendência tudo e todos os que são estrangeiros, é isso dá uma cor muito engraçada à história. Creio que podemos vislumbrar um pouco da verdadeira Agatha Christie nesta personagem.

Mais uma vez recomendo a todos os que gostam de policiais e histórias bem contadas que nos prendem a atenção.

Boas leituras!

Goodreads Review

Acabei de Ler – A Change of Time

change of time

Keep scrolling if you prefer to read in English

Depois do último título do Netgalley ter sido um prazer tão grande de ler, entusiasmei-me e pesquisei que mais tinha na minha pastinha do Kindle. E descobri este livro, duma autora dinamarquesa pouco conhecida entre nós, mas bastante relevante no seu país, e agora traduzida para inglês. Quem segue o Peixinho sabe que eu gosto de me afastar da hegemonia do mundo anglo-saxónico sempre que tenho essa oportunidade, e esta foi mais uma dessas vezes.

A Change of Time é uma narrativa construída com base no diário escrito pela protagonista, uma professora primária retirada, casada com o médico duma pequena vila dinamarquesa. A trama passa-se no início do século XX, quando o mundo era muito diferente e se encontrava em grande mudança. Quando fica viúva, de repente todo um mundo de possibilidades se abre, tão vasto como assustador.

E tal como o nome indica, este livro reflecte a passagem do tempo, desde as estações do ano, aos anos que passam pela nossa vida. O que muda em nós quando o tempo passa, o que muda no mundo que nos rodeia, e a percepção que temos dele. É um livro bonito e introspectivo, um pouco ao estilo dos filmes escandinavos, que nos fazem pensar sem grandes explosões a acontecer no ecrã.

Como sempre, acho difícil que este livro seja traduzido para português, graças à pequena dimensão do nosso mercado, dominado pelos suspeitos do costume, mas se dominarem o inglês isso não será obstáculo.

Recomendo a todos os que gostam de livros bonitos, diferentes, com tempo.

Boas Leituras

Goodreads Review

After having so much pleasure reading the last Netgalley book, I decided to look at my Kindle once again and choose another one. And I came across this one, a book from a Danish author, not very known in Portugal, but well known in her home country. This has now been translated into English and as you might know, I like to experiment with other books that are not from the Anglo-Saxon universe.

A Change of Time is built from diary entries from a former school teacher that is married to the local doctor. He is a domineering husband, and when he dies she is left with all the choices that are now in front of her.

This book reflects the passage of time, either in our lives, the seasons, the world around us and our perception of it. Everything changes and we change with it. It’s a beautiful and introspect book, just like Scandinavian movies, that make us think without all the fireworks we see nowadays.

Unfortunately I find it difficult that this book will be translated into Portuguese, as our market is so small, nonetheless if you are proficient in English you will not find it difficult to read.

Recommend it to all those that like beautiful slow paced books.

Happy Reading!

Acabei de Ler – Berezina

berezina

Please scroll down if you prefer to read in English.

Depois de vários livros do Poirot, resolvi investigar que livros do Netgalley ainda tinha para ler para ver se me apetecia algum deles. Deparei-me com este Berezina, do francês Sylvain Tesson e pensei que era mesmo isto que me estava a apetecer, um misto de livro de viagens e história.

Ainda hoje em França Berezina refere-se a estar em sarilhos, numa situação complicada de que é difícil sair. Berezina é também o nome do local onde se deu uma das mais brutais batalhas entre o exército russo e o que restava do grande exército napoleónico que se encontrava em fuga depois duma campanha sem sucesso na Rússia.

Em 2012, 200 anos depois de Napoleão ter tentado unificar toda a Europa através da conquista da Rússia, Sylvain Tesson resolveu reconstituir o caminho seguido pelos franceses na sua fuga desde Moscovo até Paris, em pleno inverno, onde os inimigos se multiplicavam, desde o exército russo, a grupos de cossacos, camponeses e pior que todos o frio extremo. Para isso juntou-se a mais 2 franceses e dois russos, em motas russas com side-car da marca Ural e deu-nos a conhecer a história daqueles homens.

De uma força de quase 500 mil homens que entraram pela Rússia directamente até Moscovo, e sem nunca serem derrotados no campo de batalha, os franceses foram de vitória em vitória até à aniquilação final, pelo frio, fome e doenças. Nada correu como Napoleão planeara nesta empreitada, e as consequências foram sérias, não só para os homens que o seguiram, mas também politicamente. Pode dizer-se que foi o princípio do fim do império. 200 anos depois a viagem destes 3 franceses e 2 russos é muito interessante e informativa, e dá-nos vontade de ir conhecer aquelas cidades, ver como são nos dias de hoje. Fiquei principalmente fascinada com as descrições da Bielorússia e da Lituânia, e deu-me vontade de fazer a minha própria road trip.

Recomendo a todos os que gostam de literatura de viagem, com um toque de história, e todos os que gostam de ler livros fora do universo anglófono.

Boas Leituras!

Goodreads Review

After Reading several Poirot books I decided to check which Netgalley books I still had outstanding and see if I felt like reading any of them. I came across this Berezina, from French author Sylvain Tesson, and it was exactly what I was looking for, a mix of travel and history book.

To this day in France, Berezina refers to impending disaster, something that will go really wrong. But it is also the place of one of the most important battles between The Grande Armée and the Russian army, when the first one was trying to escape from Russia after a disastrous campaign.

In 2012, 200 years after Napoleon tried unifying Europe by conquering Russia, Sylvain Tesson decided to gather some friends, some Ural bikes, and recreated the escape path followed by Napoleon’s army on their desperate attempt to return to Paris. This was in the peak of winter, and their enemies multiplied, as they were chased by the Russian army, the Cossacks, extreme cold and famine, and at last disease.

From nearly half a million soldiers that started the russian campaign, the French went from victory to victory until total annihilation. Nothing went as planned, and the consequences were dire, not only in casualties, but also in the turn the French empire had afterwards. It was like Napoleon’s luck ran out. 200 years later, 3 french and 2 russian friends embark on this trip and tell us about it in an interesting and informative way, and make us want to go and see these cities, and check how they are today. I was delighted with the depictions of Belarus and Lithuania.

Recomendo a todos os que gostam de literatura de viagem, com um toque de história, e todos os que gostam de ler livros fora do universo anglófono.

Recommend it to all those that enjoy travel literature, with a touch of history and to all those that like to read books that fall out from the anglo-saxon scope.

Happy Reading!