Finalistas do Man Booker 2019

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Desde que nasceu o jaquinzinho, o Peixinho parece aqueles jornais regionais que dão as notícias com um mês de atraso. Isto para dizer que já saíu a lista de finalistas para o Man Booker 2019 no dia 3 de Setembro, e só agora venho aqui falar disso.

Este ano temos 6 finalistas de peso, alguns nomes já aqui falados, como Margaret Atwood e Salman Rushdie, outros que quero ler como Elif Shafak. Este ano ainda não tive a oportunidade de ler nenhum deles, mesmo tendo alguns estado disponíveis no Netgalley. Aliás o de Salman Rushdie ainda lá está, mas só em wish list.

Fico curiosa para saber quem vai ser o vencedor, porque este ano promote. Se alguém já leu algum destes livros, partilhe comigo se vale mesmo a pena. A 14 de Outubro saberemos o vencedor, ou, se seguirem pelo Peixinho, algum tempo indeterminado depois. Em baixo, a lista completa.

Margaret Atwood, The Testaments – sequela do Handmaid’s Tale, o seu livro tornado ainda mais famoso pela série de TV. Passa-se 15 anos depois do final do livro anterior.

Lucy Ellmann, Ducks Newburyport – um retrato acutilante da América dos dias de hoje, feito por uma dona-de-casa do Ohio. Pelo resumo que li parece-me bastante interessante.

Bernardine Evaristo , Girl, Woman, Other – seguimos os destinos de 12 personagens negras e britânicas por todo o país.

Chigozie Obioma , An Orchestra of Minorities – amores desencontrados na Nigéria e a história de Chinonso, que por amor vai tentar estudar no Chipre, e o que se segue é uma odisseia inspirada em Homero.

Salman Rushdie, Quichotte – Como este autor já nos habituou, este livro está recheado de humor, acção e ritmo. Um conto de amor quixotesco passado na América dos dias de hoje.

Elif Shafak, 10 Minutes 38 Seconds in This Strange World – talvez o mais interessante de todos os finalistas, na minha humilde opinião. Nos primeiros minutos após a sua morte, Leila vai relembrando as memórias mais relevantes da sua vida, com todos os sentidos, enquanto os amigos a tentam descobrir. Sem dúvida um livro a descobrir.

Boas Leituras!

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Livros que Recomendo – Fernão Capelo Gaivota

fernaocapelogaivota

Quando eu era adolescente Richard Bach estava muito na moda, e este era o seu livro bandeira. Era um daqueles escritores como agora há muitos, de se escrever as frases favoritas em caderninhos e depois escrever nos postais de aniversário dos amigos, no tempo em que não era só uma frase com efeitos no Facebook.

Sendo aviador, os seus livros estão cheios de referências a aviões e ao acto de voar, uma espécie de Saint-Exupery dos pobres. No entanto, e apesar deste começo tão desolador, há méritos neste livros de 1970.

O nosso protagonista é uma gaivota que se cansa da vida diária, das lutas por comida, do quotidiano sem significado, e acredita que voar há-de ser mais que apenas um modo de deslocação. Porque não retirar prazer dessa actividade, aperfeiçoá-la? Ele começa então a fazer acrobacias, a tentar todos os dias voar melhor, e isso faz com que seja incompreendido pelo seu bando e posto de parte. Esta é a primeira parte desta fábula, que fala sobre nós e o nosso desejo de aperfeiçoamento constante, a nossa relação com Deus e com os outros, usando as gaivotas como pano de fundo.

Poderá ter saído de moda, e já não andar nas bocas do mundo, mas não deixa de ser uma boa reflexão, que nos faz pensar, trazida dum modo leve e despretensioso. Não será com certeza pior que os Chagas Freitas desta vida.

Recomendo a todos os que gostam de livros que nos ajudam a pensar, levezinhos e que nos prendem a uma história.

Boas Leituras!

Acabei de Ler – Tragédia em Três Actos, Poirot #11

poirot 11

Fez em Agosto 4 anos que eu comecei a empreitada de ler todos os livros do Poirot por ordem de publicação. 4 anos volvidos e eu vou no número 11, já que isto é uma maratona e não um sprint, como a vida.

Este 11º volume foi bastante refrescante. Na primeira metade do livro mal vemos o nosso detective, apenas aparece como personagem bastante secundária, e é só quase no final que ele se junta aos outros personagens para desvendar o mistério. Uma narrativa diferente do habitual, sem o fiel amigo Hastings, mas bastante interessante e original.

Não vou desvendar muito da história, apenas refiro que os nossos investigadores aqui, um actor de teatro retirado dos palcos e o seu pragmático amigo, são bastante convincentes e eficientes nos seus papeis, e a história é suficientemente interessante para se ler num sopro.

Como sempre, recomendo a fãs do género, e leitores que gostem duma boa história.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Livros que Recomendo -O Deus das Moscas

o senhor das moscas

O Peixinho continua a sua senda de recomendar livros, principalmente neste tempo de férias que temos mais disponibilidade temporal e mental para pôr alguma leitura em dia.

O Deus das Moscas não é um livro fácil, e às vezes é mesmo muito gráfico, mas é uma excelente alegoria sobre o ser humano e a sua capacidade de gerar caos quando se encontra numa sociedade sem regras e sem punição. Foi o primeiro romance de William Golding, que acabaria por ganhar o Nobel em 1983, e talvez o seu título mais conhecido.

Neste livro seguimos um grupo de jovens rapazes que fica preso numa ilha após um desastre de avião. Lá vão tentar sobreviver e criar a sua própria sociedade, aproveitando os recursos que a ilha lhes dá. Mas o que começa como uma empreitada já de si difícil, depressa descamba num caos agressivo, em que as disputas pela liderança, pelo que deve ser prioritário e a total liberdade levam a situações cada vez mais desastrosas.

Uma alegoria sobre a condição humana faz-nos também reflectir na “inocência” infantil, e as ideias preconcebidas que temos a seu respeito.

Aconselho a todos os que gostam de ler clássicos, livros para reflectir, e boa literatura em geral.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Cemitério de Pianos

cemiterio de pianos

 

Hoje venho recomendar um livro de José Luís Peixoto, autor que gosto particularmente, apesar de não ser fã militante e de frequentemente precisar de intervalos para digerir a sua prosa.

Este livro foi particularmente interessante para mim. É uma história familiar, estendida no tempo, com vários pontos de vista e vários personagens a relatar as suas memórias de forma intercalada. É necessário muita concentração para não perder o fio à meada, mas vale certamente a pena. Está recheado de personagens fortes e interessantes, que relatam a maravilha que é a vida quotidiana ao longo de gerações, com as suas alegrias, mas sobretudo com os seus sofrimentos.

Tem o bónus adicional de uma das personagens ser baseada na história verídica do maratonista português que morreu na maratona de Estocolmo em 1912. A morte está muito presente neste livro, e a forma como lidamos com ela e a encaramos. A morte como parte da vida.

Recomendo a todos os fãs do José Luís, e de boa literatura que nos faz pensar.

Boas Leituras.

 

 

Livros que Recomendo – Nem Aqui, Nem Ali

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Já não é a primeira vez que recomendo um livro do Bill Bryson no meu estaminé, e o mesmo se aplica a livros de viagens, no entanto é o primeiro livro de viagens deste autor que recomendo. O que é estranho, porque este é o seu principal género, e ele é muito bom a escrever estes livros. Mas Uma Breve História de Quase Tudo é tão genial que tive que o recomendar primeiro.

Este livro relata a viagem que o autor faz pela Europa, recreando os passos que deu na sua juventude com um amigo da escola. 20 anos depois parte em busca do que mudou e do que se manteve igual. Dotado dum sentido de humor bastante sarcástico, que por vezes roça o ofensivo, o livro é delicioso de se ler, tendo em conta que Bill Bryson é um turista americano no sue melhor.

Por cada país que passa faz observações mordazes e certeiras e podemos ter a certeza que nos divertiremos. Tendo sido escrito algures nos anos 90, o nosso país era ainda um alegre desconhecido, por isso estamos ausentes desta narrativa. Fica a questão, se nos dias de hoje os estudantes americanos que planeiam viagens de mochila às costas pela Europa já incluirão ou não o nosso país. Pelo estado em que eu encontro a nossa Baixa de Lisboa sempre que lá vou eu diria que sim, apesar de não ser das melhores coisas para a paisagem tradicional.

Recomendo a todos os que gostam de livros de viagens, de se divertir enquanto lêem e de meditar nas diferenças culturais.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Os Filhos da Meia Noite

rushdie

Hoje venho recomendar um livro que me foi oferecido há alguns anos, e que demorei algum tempo a conseguir. É complexo, por vezes confuso, mas quando finalmente entramos na história e bastante recompensador.

Salman Rushdie é um grande contador de histórias, com um modo refinado de nos mostrar também a história do seu próprio país. Aqui fala-se de Saleem Sinai, um rapaz que nasceu exactamente à meia noite do dia em que a Índia se tornou independente. Isso conferiu-lhe poderes especiais, no seu caso relacionados com a audição e o olfacto, e também a capacidade de estar espiritualmente ligado às outras mil crianças que nasceram à mesma hora e que possuem outros poderes.

Através da história da sua família e do que o rodeia vamos descobrindo uma Índia em evolução, as suas convulsões sociais e religiosas, tudo muitíssimo bem escrito e contado. Este livro ganhou o Man Booker de 1981, se precisasse de mais recomendações.

Recomendo a todos os que gostam de boa literatura, não têm medo de mergulhar de cabeça numa história complexa, e gostam de paragens mais exóticas.

Se quiserem uma review mais completa, vejam aqui.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Ensaio Sobre a Cegueira

saramago

O livro que venho recomendar hoje é bastante diferente do que já fiz até agora. Mais concretamente porque vos venho recomendar um livro que eu própria não li. Quando estava no 9º ano, era sócia do Círculo de Leitores e comprei o Memorial do Convento, e confesso que isso me vacinou de vez contra os livros de Saramago. Nunca consegui ultrapassar o facto daquilo não ter pontuação, e a história era qualquer coisa de surreal e surrealmente aborrecida para a minha mente de 14 anos.

Claro que já uma vida se passou, e acho que deve estar na altura de fazer as pazes com o nosso único Nobel. Ou pelo menos tentar reatar a relação. Resolvi escolher este livro porque me parece kamikaze retomar o Memorial do Convento. Por outro lado gostei bastante do filme de Fernando Meirelles retirado deste livro e parece-me uma aposta mais segura.

Já todos conhecemos a história, uma epidemia de cegueira atinge a maioria da população duma cidade e as consequências na estrutura social que daí advêm. Uma premissa simples, mas poderosa.

Recomendo a todos os amantes de Saramago, ou aqueles que, como eu, estão a tentar começar uma relação com ele. Se tiverem alguma sugestão a fazer, sejam livres! Se quiserem ler uma excelente crítica, vão aqui.

Boas Leituras!

Livros Que Recomendo – A Arte de Viajar

a arte de viajar

Viajar é uma das actividades favoritas do Peixinho, no entanto está neste momento em banho maria devido à recente adição familiar. No entanto isso não significa que não se continue a fazer planos futuros e a ler sobre o assunto.

E é sobre este assunto o livro que hoje vos recomendo. Alain de Botton é um filósofo suíço que se dedica a reflectir sobre diversos temas dum modo que seja apelativo aos comuns mortais. Já falou sobre o amor, relações, religião, mas neste livro reflecte sobre viagens. Porque temos o desejo de viajar? Porque escolhemos determinados sítios em detrimento de outros? O que é realmente viajar?

Este é um livro muito fácil de ler e ao mesmo tempo muito enriquecedor. Está recheado de pequenos episódios e histórias de outros viajantes famosos, ou famosos que viajam. Mas famosos a sério, como Van Gogh, Baudelaire, Flaubert. Gente que viajou dum modo muito diferente do nosso, mas com motivações semelhantes.

Podemos ler sobre a antecipação da viagem, as motivações associadas. Viajar para descobrir a beleza, para entrar em contacto com a natureza ou a arte, para procurar o exotismo. Mas o mais importante é que qualquer que seja o destino, não podemos fugir a nós próprios.

Termina com Xavier de Maistre, que fez viagens no seu quarto, para nos mostrar que muitas vezes basta olhar para o que nos rodeia com olhos de viajante para termos uma percepção muito diferente.

Recomendo a todos os que gostam de viajar, de pensar e reflectir sobre o quotidiano e nós próprios.

Boas leituras!

Livros Que Recomendo – Graças e Desgraças na Corte de El-Rei Tadinho

alice vieira

Agora que tenho um jaquinzinho cá em casa tenho andado a remexer na minha memória de infância em busca de livros que gostaria de partilhar com ele. Alice Vieira é uma escolha óbvia, mas dentro da panóplia de títulos desta escritora, este é um dos menos óbvios mas muito divertido.

Algures no final dos anos 80, no mesmo ano da eleição Soares-Freitas do Amaral, a minha professora de português do ciclo resolveu convidar escritores conhecidos para nos visitar e fazer-nos encenar partes dos seus livros. À nossa turma calhou este, a história dum rei desajeitado que se casa com uma fada desempregada e as peripécias em que ele envolve a família.

Dentro do livro resolvemos encenar o último capítulo, em que a princesa, filha dos dois, passa por dificuldades na escola porque acredita que todas as palavras ficam mais bonitas com muitos hhhh no meio, no príncipio e no fim. Eu fiz o papel de professora desesperada que tenta por todos os meios corrigir a princesa, e ainda hoje me lembro muito bem desse teatro que fizemos.

É um livro muito divertido, cheio de ironia e uma caricatura ao típico desenrascanço português. Excelente leitura para toda a família.

Recomendo a todos os que gostam de livros infantis, ou que querem partilhar boa literatura com os seus pequenotes.

Boas Leituras!