Livros que Recomendo – The Lunatic Express

lunatic express

Viajar é uma experiência maravilhosa que a maioria de nós aprecia e muitos vivem intensamente. Planear uma boa viagem, a um lugar remoto é um dos maiores prazeres da vida. Convém ter em atenção o sítio para onde vamos, estudar as opções mais confortáveis e mais seguras. Ou então fazer exactamente o oposto.

Carl Hoffman, experiente escritor de viagens que contribui para publicações como a National Geographic ou a Outside, resolveu pesquisar quais os meios de transporte mais perigosos do mundo e ir conhecê-los em primeira mão. Nada estava fora do seu alcance, desde perigosas companhias aéreas (Cuban Airways) a ferries que causam mil mortos por ano em países como Indonésia ou Bangladesh, autocarros que são assaltados frequentemente em África, ou que simplesmente caem precipício abaixo na Bolívia. Carl Hoffman experimentou tudo e viveu para contar.

Este livro está cheio de histórias deliciosas, quase anedóticas por vezes, mas duas coisas me impressionaram. Primeiro, como mesmo nos locais mais perigosos houve sempre alguém que se dispôs a ajudar e proteger este ocidental meio louco e garantir que ele tinha a melhor experiência possível. Segundo, o que para Hoffman era quase uma experiência sociológica, algo que ele nos conta como curiosidade, para milhões de pessoas é o seu dia a dia, o modo como se deslocam para o trabalho, como têm que viver a vida. Há acidentes enormes, com várias centenas de mortos de modo algo regular nessas partes do mundo, e é aparentemente tão “normal” que nem os ecos nos chegam aos noticiários.

Mas o autor não nos deixa esquecer isso, e mostra-nos a realidade daquelas pessoas, sem condescendência e com muito interesse. Um livro interessante e que nos mostra uma perspectiva diferente, que não virá nos guias de viagem (a não ser no final, naquilo que devemos evitar), mas que hoje em dia talvez já encontremos nalguns blogues mais especificos.

Recomendo a todos os que gostam de viagens, principalmente as loucas e diferentes, e todos os que gostam de saber como vivem os seres humanos em diferentes partes do mundo.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Crónica do Rei Pasmado

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Já lá vão muitos anos desde que li este livro, mas ainda me lembro da boa disposição com que me deixou. Esta Crónica do Rei Pasmado, de Gonzalo Torrente Ballester, autor galego, é uma sátira com várias criticas sociais bem disfarçadas no meio dum episódio caricato.

Filipe IV de Espanha passa a noite com uma prostituta e de manhã contempla o seu corpo nú, o que o deixa pasmado. Depois de ficar a remoer nesse acontecimento decide que quer ver a rainha nua. Seria de pensar que palavra de rei é lei, mas é exactamente aqui que a trama começa, pois todos têm uma opinião sobre o assunto, principalmente a Igreja. Na altura era crime ver uma mulher nua.

A esta distância não me lembro se por alturas do fim do livro o rei conseguiu ou não o seu intento, mas lembro-me bem do sentimento de diversão e boa disposição que ficaram depois de terminada a leitura. Talvez esteja na altura de reler e reflectir mais uma vez no poder das instituições na sociedade.

Recomendo a todos os que gostam dum livro divertido, duma boa alegoria e de uma história bem contada.

Boas Leituras!

Se o Rei consegue ver a Rainha nua, todos teremos pretexto para despir as nossas fêmeas, sejam esposas ou queridas, e despir-se-ão todas as destes reinos, e as mulheres das Índias, e acabarão nuas as mulheres do mundo inteiro, se pega a moda, o que vai sendo hora de que aconteça, porque de camisas de noite compridas e de disputas para que as levantem um pouco mais, estamos nós tão cansados como elas. O único perigo, e este meramente imaginário, reside em que se disponham a sair nuas para a rua, ou com trajos tão transparentes que deixem ver tudo, pois são bem conhecidos os desejos que têm as mulheres de publicarem os seus segredos.

Feira do Livro de Lisboa 2020

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Rejubilemos todos aqueles que têm como peregrinação anual o Parque Eduardo VII. Depois de ter sido cancelada devido à pandemia, a Apel lança novas datas para a Feira do Livro de Lisboa, e espera as reinscrições dos participantes para poder repensar o espaço de acordo com as normas da DGS aplicadas a feiras e mercados ao ar livre.

O único senão é que esta data significa que as feiras de Lisboa e do Porto se realizarão simultaneamente, o que pode ser complicado de gerir para os pequenos editores e livreiros que poderão não ter recursos para estar presentes nas duas. E são precisamente estes editores que tornam a feira interessante e apelativa, porque gigantes como a Leya encontramos em qualquer supermercado. Mas estou optimista!

Por outro lado, antes do covid-19 estava ansiosa por levar o rebento à sua primeira Feira do Livro, tradição anual que os meus pais iniciaram comigo, normalmente no dia da criança quando haviam sempre ofertas especiais. Agora com esta nova realidade, aliado ao facto do rebento não ser propriamente dócil e paciente, terei de pensar se quero iniciar a tradição já este ano. Mas até lá ainda tenho tempo de pensar, e analisar todos os fatores.

Quem puder/quiser aproveite. É um evento ao ar livre, portanto se as normas forem cumpridas a possibilidade de contágio não é grande. Até lá, Boas Leituras!

 

Livros Que Quero Ler – Ilium

Ilium

Há autores que têm um dom especial, e com os quais acabamos por ter uma relação mais próxima que outros, tendo vontade de ler tudo o que escreveram. Comigo esses casos de amor literário vão mudando ao longo do tempo. Se nos meus 20 anos eu lia tudo o que saía de David Lodge, hoje já me sinto mais afastada desse escritor, e novos se impuseram nos meus horizontes, como David Mitchell ou mais recentemente Dan Simmons, autor do fantástico Hyperion Cantos.

Basta olhar para a capa para perceber o toque de Dan Simmons. Tal como como em quase todos os livros da saga Hyperion, também aqui vemos uma criatura (um homem?) de costas com o olhar perdido numa imensa paisagem. Para mim só isso já me dá vontade de agarrar no livro e começar a ler. Depois é clássico Simmons. Passado em Marte, um planeta que foi “terraformado”, ou seja totalmente alterado para conter vida humana, e com ligações aos clássicos, neste caso a mitologia grega.

Apesar de parecer ficção científica pura, estará assim tão longe da realidade quando se estuda a possibilidade de alterar planetas para serem capazes de albergar vida humana? Como se não fosse suficiente termos estragado um, temos de ver se arranjamos mais uns quantos para destruir, ignorando completamente a integridade do que lá existe, seja vida ou não? Há sempre algo para pensar nos livros de ficção científica dignos desse nome, e essa é mais uma das razões que me fazem estar entusiasmada por ler este livro.

Até lá, Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Lituma nos Andes

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Eu gosto muito de autores sul-americanos, e passei grande parte dos anos 90 a ler obras suas. Um dos meus favoritos é Mario Vargas Llosa, a quem entretanto foi atribuído um prémio Nobel. Llosa é autor duma vasta obra, passada quer no seu Perú Natal, quer na Europa, relatando a experiência de imigrantes latinos.

Este Lituma nos Andes é passado no Perú profundo, em meados dos anos 80 e traça-nos um retrato social a político daquele país, principalmente da violência a que as pequenas comunidades estavam sujeitas, quer pelo Sendero Luminoso, quer por forças governamentais. Uma história duma investigação policial (o desaparecimento de várias pessoas numa comunidade andina) vai-nos mostrar o dia a dia daquela população, as suas dificuldades e o que era viver no Perú dos anos 80. O cabo Lituma e o seu ajudante Tomás serão os responsaveis pela investigação, mas a sua história pessoal terá também um papel relevante na história.

Mario Vargas Llosa é um exímio contador de histórias, e este livro é quase impossível de pousar antes de chegar ao final. Na realidade, fiquei com saudades e com vontade de reler.

Recomendo a todos os que gostam duma boa história, impossível de pousar, de cenários sul-americanos, e de aprender enquanto lêm ficção.

Boas Leituras!

 

As Listas de Livros

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Há alturas em que estou em modo furioso de leitura e que a meio de um livro já sei qual vai ser o próximo, e quase que desejo acaba rapidamente um para passar ao outro. Assim se passam muitos meses do ano, numa sucessão vertiginosa de títulos, por vezes sem relação, mas muitas vezes como as cerejas, em que um puxa outro.

Depois há sempre uma altura em que me canso, em que os livros que tinha pensado ler afinal não parecem tão apelativos, em que me apetece uma mudança, ou simplesmente abrandar. Agora, por exemplo, tenho dois livros começados mas sem grande vontade de os continuar, não porque não estou a gostar, mas porque preciso de abrandar o ritmo.

É nestes “tempos mortos” que vou pesquisando aqui e ali novas coisas para ler. Leio outros blogues de livros, sigo editoras, mas uma das minhas grandes inspirações vem do Goodreads. Lá estão sempre livros a ser-me recomendados de acordo com o meu histórico de leitura, e com os livros nas minhas “prateleiras”. Mas quando queremos coisas diferentes, o Goodreads tem uma coisa chamada Listopia, que é basicamente uma lista de listas. Nelas temos imensa coisa, como os livros mais votados de 2020, os melhores livros em português, etc, etc.

As minhas favoritas são sem dúvida a lista dos livros de viagem e a dos livros de natureza. Obviamente que não estou interessada em ler todos os livros da lista, até porque são votados pelos utilizadores e nem sempre são muito científicos, por exemplo, mas encontro sempre ideias novas e coisas que tenho vontade de investigar. Vão até lá espreitar e inspirem-se.

Listopia

Favourite Travel Books

Best Nature Books

Boas Leituras!

Livros que Quero Ler – Ballistic Kiss, Sandman Slim #11

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Quem segue este estaminé sabe que eu gosto de livros de fantasia, e que fiquei rendida a este heroi de fantasia urbana, o Sandman Slim. Ele é basicamente um tipo porreiro a quem a vida pregou umas partidas. Um daqueles duros de coração mole, que não conseguem deixar de nos cativar. Tem muitos trunfos na manga, nomeadamente a capacidade de se deslocar rapidamente entre sitios distantes, e o ser parte homem parte anjo. Ah, e não esquecer que durante um tempo chegou a ser o “director” do Inferno.

É uma série despretensiosa, bem disposta e com muita, muita acção. Ideal para passar umas horas literalmente noutro mundo, ou numa Los Angeles alternativa. Sem ser uma obra prima literária, entretém e cumpre o seu propósito.

Em Agosto sai o 11º volume, e eu estarei na fila da frente para o ler. Até lá, Boas Leituras!

Livraria Às Cegas

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Falei aqui há uns dias da nova iniciativa das pequenas livrarias independentes que se juntaram numa plataforma online de nome RELI, na tentativa de chegar às pessoas e mitigar o impacto económico da Covid-19. Uma das iniciativas presentes era esta Livraria às Cegas, em que definimos uma quantia acima de 15€ e combinamos com a livraria aderente. Eles depois escolherão e enviarão um livro.

Sendo um blogue que fala sobre livros senti que tinha como missão contribuir para esta causa, e nada melhor que aproveitar para ter mais um livro de poesia. Assim, contactei a Livraria Poesia Incompleta, e pedi que me mandassem um livro.

O processo foi facílimo, não podiam ter sido mais simpáticos, e em poucos dias tinha cá em casa 2 belos livros de poesia para saborear nesta quarentena. Se ainda não experimentaram, aconselho muito esta iniciativa, têm imensas livrarias por onde escolher.

Deixo-vos uma foto dos livros que recebi, e Boas Leituras!

Livraria as cegas

Livros Que Quero Ler – Guards! Guards!

guards guards

Em 2013, por recomendação de alguns amigos no trabalho, comecei a ler os livros de Terry Pratchett, nomeadamente o seu universo de fantasia Discworld. Discworld, porque o mundo aqui é um enorme disco, com cataratas nas margens, que repousa nas costas de 4 enormes elefantes, que por sua vez estão às costas duma tartaruga gigante que nada pelo espaço. É um mundo repleto de magia e fortemente influenciado por ela.

É também um mundo repleto de livros, cerca de 41, com vários subtemas de histórias centrados em diferentes personagens (como a Morte, por exemplo, um dos meus favoritos). Em teoria, não precisa de ser lido por ordem de publicação, pode começar-se pelo início de qualquer um dos subtemas, e seguir por aí. Digo em teoria, porque sendo eu a ligeiramente obsessiva que vocês já conhecem, obviamente que para mim não há outra maneira de ler senão por ordem de publicação.

A grande mais valia destes livros é serem extraordinariamente bem escritos, com um fino e subtil humor britânico, cheios de personagens e situações que nos fazem lembrar a vid real e soam a caricaturas. As personagens e os diálogos são de excepção e eu dei por mim muitas vezes a rir abertamente. Li os primeiros, e até já aqui recomendei o início da série, mas o sétimo livro foi mais fraquinho, e entretanto enveredei por novos caminhos e nunca mais retomei a série.

Mas entretanto Terry Pratchett, apesar de já não estar entre nós, voltou a ser muito falado em 2019, graças à série Good Omens, baseada num livro que foi escrito a 4 mãos, entre ele e Neil Gaiman. Good Omens é outro livro que ainda não li, mas o sururu à volta desta série fez-me ter vontade de retomar o mundo de Discworld, e avançar para Guards! Guards!. Este é não só o oitavo livro deste universo, mas é também o começo do subtema Nightwatch, que me dizem ser um dos melhores, por isso espero grandes coisas.

Sei que estes livros foram traduzidos para português e ainda se encontram alguns à venda, mas não sei se todos e se ainda estão disponíveis, por isso a minha leitura tem sido toda feita na lingua original.

Até lá, Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Bad Science

bad science

Ora aqui está um livro que eu acho perfeito para se ler nesta época de pandemia, em que somos inundados de factos que tentam passar como cientificos, mas que muitas vezes não passam de banha da cobra, e onde todos têm uma opinião sobre tudo.

Ben Goldacre é psiquiatra, provém duma família dedicada à ciência, mais concretamente à medicina, e escreve semanalmente no The Guardian, um crónica com o mesmo título do livro, onde tenta desmistificar aquilo que tenta passar como ciência mas que não tem nenhuma aderência real ao assunto. Em Portugal foi editado pela Bizâncio com o prosaico nome de Ciência da Treta, mas não sei se ainda andará em circulação.

Neste livro o autor leva-nos aos meandros da ciência, como são feitos ensaios clínicos, estudos cientificos, como se chegam a conclusões verdadeiras. Ao mesmo tempo mostra-nos com muito humor aquilo que não pode ser levado a sério. Nomeadamente muitas das conclusões e estudos nutricionais que abundam por aí (super alimentos, dietas detox, etc, etc), mas desmonta também muito do jornalismo “cientifico” com que somos inundados, e que não tem ponta por onde se lhe pegue.

Um livro muito simples de ler, divertido, mordaz, mas que nos faz pensar muito naquilo que nos rodeia, ao mesmo tempo que estimula o nosso sentido crítico, e que nos convida a olhar duas vezes para muitos dos “factos” que nos apresentam diariamente, principalmente numa altura como esta.

Se forem crentes em óleos essenciais, terapia de cristais, detoxs estranhos, se calhar vão ficar mais enervados com este livro do que apreciar a sua franqueza, por isso não vos recomendo de todo a leitura. Se forem como eu, pessoas que estudaram ciência mas que a vida vos levou por outros caminhos, e que ficam desiludidos com a falta de rigor cientifico das publicações generalistas que encontramos pela frente, então vão gostar mito deste livro e perceber que não estão sozinhos na vossa percepção do mundo.

Entretanto, Boas Leituras!