Livros que Recomendo – Peito Grande Ancas Largas

mo yan

Mais uma vez escolho para vos recomendar um livro que li há algumas décadas. Ainda me lembro que nas minhas incursões na Feira do Livro havia sempre um livro que eu escolhia apenas porque a capa/título me chamavam a atenção, e este foi um deles. A beleza da capa e a estranheza do título, associadas a uma boa sinopse, fizeram-me levar este livro para casa e começar a lê-lo imediatamente. Anos mais tarde, em 2012, Mo Yan recebeu o Nobel da literatura e eu relembrei este livro, embora ainda não o tenha relido.

A beleza desta história não está na complexidade dos personagens, ou nos intrincados diálogos, mas sim no retrato da história e comoções sociais dum país, contados por dentro. Neste caso particular, Mo Yan conta a saga das mulheres da família Shangguan através da história da China no século XX. Muitas das descrições são duras e cruas, e muitas partes estão recheadas daquele realismo mágico que é tão característico de determinada literatura asiática, mas a visão abrangente que recebemos da evolução dum país vale muito a pena. Ainda passados todos estes anos me lembro da descrição acerca dos pés ligados da matriarca da família, da obrigação que foi passar por isso, e da desonra que isso passou a ser nos tempos da revolução cultural.

A invasão japonesa, a revolução cultural, os anos pós Mao, tudo vem retratado através da vida desta família e da sua adaptabilidade a um mundo em mudança. Muito bem recebido no mundo ocidental, não teve a mesma aclamação na sua China natal, e o autor foi mesmo obrigado a escrever uma auto-censura e o livro foi retirado de circulação. O modo cru como a realidade comunista foi retratada, bem como algum conteúdo de caracter sexual (o personagem principal tem um fetiche por seios) foram os principais motores desta reacção.

Recomendo a todos os que gostam de um livro de história imersa em História, os que gostam de realismo mágico, de literatura asiática, de bons livros em geral, ou têm a obsessão de ler todos os prémios Nobel.

Boas Leituras!

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Livros para 2019

livros

Como também já é hábito, depois de todos os balanços e projectos, venho também partilhar os livros que tenciono começar a ler em 2019. Às vezes não passa de boas intenções, mas na maioria das vezes eu consigo mesmo despachar alguns dos pendentes/desejos a que me proponho. Assim vou partilhar aqui como tenciono começar o ano.

– Terminar (ou pelo menos tentar) a saga de Wheel of Time. Neste momento estou a ler o quarto volume, mas é uma leitura lenta e cada livro tem demorado quase um mês a terminar. Como já disse aqui esta série tem 14 livros, por isso ainda me falta penar muito. Mas devagar se vai ao longe e já que comecei quero mesmo saber como acaba esta história. Sem fim, já basta o Game of Thrones.

– Terminar os 4 livros que tenho na lista de espera do Netgalley antes de pedir novos. Tenho neste momento quatro livros que são bastante interessantes mas que têm sido deixados para trás por causa do ponto anterior. Tenho de continuar a intercalar os vários tipos de leitura não me enjoar, nem ficar de horizontes fechados.

– Continuar pacatamente a ler os livros do Poirot. Neste momento já vou para o 11º, e vou lendo vagarosamente alguns por ano. Na maioria dos casos reler é o termo adequado, porque na minha adolescência varri quase toda a colecção Vampiro da Livros do Brasil que eram com este personagem, mas isso já lá vai há muitos anos, e agora lê-se com outros olhos.

– Poesia, toda aquela a que conseguir deitar as mãos! Quer em livros, quer em revistas como a Nervo ou a Eufeme, o importante é ir preenchendo a vida com poesia.

E para já chega, porque 2019 vai ser menos ambicioso em termos de leituras. Mas o que importa é o que retiramos delas!

Boas Leituras!

 

Projectos para 2019

New Year

Imagem daqui

 

Tal como nos anos anteriores, depois de ver como correu 2018 vem a altura de projectar 2019. Mas este ano, ao contrário dos anteriores, não fiz grandes planos. Poderia dizer que quero viajar mais, ou ver a minha poesia editada, mas na realidade 2019 vai ser um ano de grande mudança, e absolutamente imprevisível.

Por isso por agora a única coisa que sei é que vou fazer novamente um desafio do Goodreads, mas este ano apenas para ler 30 livros, e logo se vê como corre. Vou continuar a usar o Netgalley como fonte de livros recentes e interessantes, e vou continuar a tentar arranjar nova casa para livros que tenho aqui e que não devo voltar a ler.

Das mudanças, das imprevisibilidades irei dando conta por aqui.

Um Bom 2019 a todos, cheio de felicidade, livros e coisas boas.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo -O Retrato de Dorian Gray

Dorian Gray

Quase no final do ano continuo a tendência da semana passada de recomendar clássicos com um toque de diferença e que foram polémicos na altura do seu lançamento. Este livro de Oscar Wilde é ao mesmo tempo incrivelmente simples e misterioso, mostra-nos um lado da natureza humana e acredita-se que cada personagem diferente mostre uma faceta do escritor.

A história não é complexa e ecoa Fausto de Goethe. Dorian Gray é um rapaz novo, belo e de uma classe abastada, completamente virado para uma vida hedonista. É amigo e mecenas dum pintor, Basil, que é um homem da moralidade e ao mesmo tempo apaixonado por Dorian. No entanto, quando se dá o encontro com Lord Henry, amigo de Basil  que advoga um novo hedonismo, Dorian mergulha mais fundo no culto da beleza e do prazer transitório. Angustiado com a perspectiva de envelhecer faz um pacto com o Diabo de modo a que apenas o seu retrato, pintado por Basil, envelheça e não ele.

Esta é a base da história que pretendia ser uma sátira aos princípios morais vigentes na época vitoriana, muito rígidos mas que ao mesmo tempo escondiam vidas duplas e duplicidade.

Tal como Orlando, se bem que de modo diferente, este livro é mágico e um reflexo duma época mas que se podia aplicar bem aos dias de hoje, em que nos damos aos outros em redes sociais onde mostramos felicidade e prazer perpétuos, sempre dedicados a actividades que permitam mais um clique, mais uma foto no Instagram, algo que nos dê validação externa.

Recomendo a todos os que gostam de clássicos despretensiosos e de fácil leitura, aos que gostam de livros que nos agarram, nos fazem pensar ao mesmo tempo que nos divertem.

Boas Leituras!

Balanço de 2018

balanco

Como sempre nesta altura do ano, gosto de reflectir sobre o que se passou no ano que termina, e os objectivos que foram ou não conseguidos. Um balanço, na verdadeira acepção da palavra.

2018 foi um ano de desafios na minha vida. Não teve um começo nada brilhante e houve eventos que tiveram um impacto profundo na minha vida. Mas foi mais um ano de muitas e diversificadas leituras, e é essencialmente sobre isso que vou fazer o meu balanço.

Terminei 2017 fazendo alguns planos, vamos ver como correram.

Regressar às viagens. Acabei 2017 cheia de vontade de viajar, no entanto os acontecimentos andaram sempre à minha frente e não foi possível voltar ao estrangeiro. No entanto fiz umas belas passeatas cá dentro a sítios que já são como segunda casa, como Aljezur e as aldeias de xisto, e outros que fui conhecer, como Miranda do Corvo e Constância. Valeram a pena.

50 livros como objectivo do Goodreads. Como já falei aqui, este foi um objectivo atingido, mesmo a finalizar o mês. Dever literário cumprido.

Continuar a minha utilização frequente do Netgalley e manter a percentagem  de feedback acima dos 80%. Dos 50 livros lidos em 2018, 18 foram do Netgalley, o que significa que foram títulos novos, por vezes autores novos que acabei por conhecer. O balanço é claramente positivo, venha mais um ano.

Mais poesia, no blog como na vida! O blog continua alegremente a mostrar poesia todas as segundas-feiras, essencialmente portuguesa mas não só. A minha poesia também já apareceu aqui no blog, mas a escrita foi mais irregular. A minha casa está cheia de revistas belas como a Nervo e a Eufeme para trazer versos à vida.

– O Peixinho está cheio de histórias cá dentro que querem ver a luz do dia. Mas ainda não foi em 2018 que elas sairam cá para fora.

2018 foi um ano diferente e estranho para mim, e 2019 promete trazer muitas surpresas. Vamos ver o que lá vem.

Boas Leituras e Boas Festas!

Livros que Recomendo – Orlando

orlando

O livro que venho recomendar hoje é assim como um sonho estranho. Tão estranho que eu creio que quando o li não consegui abarcar toda a sua complexidade e creio que o deveria ler novamente.

Orlando foi escrito por Virginia Woolf, uma escritora inglesa do início do século XX tendo como inspiração a sua amiga/amante Vita Sackville-West. O livro é a história de Orlando, que nasce algures no século XVI no reinado de Elizabeth I de Inglaterra. É de origem nobre e cresce na corte, onde se apaixona por uma princesa russa, que mais tarde acaba por traí-lo. Isso leva a que retome um poema que tinha começado anos antes Into the Oak Tree. Este poema vai acompanhá-lo por toda a vida, que se prolonga misteriosamente no tempo até ao século XIX.

Aos 30 anos Orlando sofre também outra mudança drástica, onde após dormir vários dias, acorda transformado numa mulher. Essencialmente Orlando continua a ser a mesma pessoa, com a mesma personalidade, o mesmo intelecto, mas atravessou uma mudança de sexo, e passa agora a ver o mundo de outro prisma.

Ao longo do livro percebemos que para Orlando o tempo é fluido, às vezes numa semana atravessamos muitos anos, ou ficamos parados em alguns momentos. Fluida é também a sua sexualidade, já que ao longo do livro Orlando oscila entre o feminino e o masculino, acabando por casar com um capitão dum navio no final do século XIX, e publica finalmente o seu poema em 1928, que é bem recebido pela critica.

Este livro aborda muitos temas à frente do seu tempo, como as questões de género, a sexualidade, mas também o feminismo. Essencialmente passa-nos a mensagem que somos intrinsecamente nós próprios, independentemente da roupagem exterior, ou dos constrangimentos temporais. Orlando, mesmo viajando com ciganos romenos e desejando pertencer à sua tribo, nunca conseguiu distanciar-se do facto que tinha nascido como aristocrata inglês e perder esses privilégios.

Apesar dos temas fortes, Orlando é um livro suave e divertido, cheio de sátiras escondidas à sociedade inglesa e mesmo à própria Sackville-West. É uma leitura rica, complexa, em que temos de estar atentos ao que é escrito, mas onde nos podemos perder numa espécie de nevoeiro mágico.

Recomendo a todos os que gostam de grandes clássicos da literatura, histórias belas e etéreas.

Boas Leituras!

Desafio Cumprido

reading challenge

Terminado o livro do Netgalley que vos falei aqui, acabei também por atingir o meu objectivo pessoal de ler 50 livros em 2018. Já sabem que é uma competição essencialmente comigo mesma, e que não ficaria assim tão triste se não chegasse lá, no entanto sabe sempre bem chegar ao final do ano e ver que consegui ler mais 50 livros, e quase todos bons.

Das mais de 15 mil páginas que li, apenas 3 livros mereceram 2 estrelas, e a grande maioria estava nas quatro. Foi uma boa colheita.

Em 2019 serei mais comedida no meu objectivo, vamos ver que desafios o novo ano nos trás.

Boas leituras!

Os meus livros do ano.

Livros que Recomendo – A Lua de Joana

Lua de Joana

Este é um daqueles livros que li bem no final da adolescência, e ficou para sempre comigo. Perdi a conta à quantidade de vezes que o reli e ficava sempre emocionada. A autora deste livro, Maria Teresa Maia Gonzalez, foi professora de Português e Inglês e escreveu inúmeros títulos infanto-juvenis, incluindo vários volumes do Clube das Chaves, outra das minhas séries de eleição.

Neste “A Lua de Joana” falam-se de temas importantes na adolescência, como a perda dum amigo, pais que são ausentes, a sensação de que ninguém nos compreende nem vê o mundo como nós.

Joana era uma miúda certinha, que tinha um baloiço em forma de lua no quarto onde se sentava a pensar, ou a afastar a tristeza. A sua melhor amiga, Marta, morreu de overdose e ela tem alguma dificuldade em lidar com isso. Vai então escrever uma série de cartas para a amiga que partiu onde descreve o seu dia-a-dia e os seus sentimentos. Joana vai iniciar o seu próprio caminho de descida e descoberta, e perceber as razões da amiga.

É um livro muito forte, mas bem escrito e, na minha opinião, indicadíssimo para se ler no início da adolescência. Aliás, poucas foram as pessoas que o leram e não ficaram marcadas por ele. Sei que há alguns (muitos) anos atrás ele fazia parte do programa escolar, mas não sei se ainda é assim. Também não sei se isso é bom ou mau, na realidade. Para certo tipo de miúdos, ler por imposição ainda os afasta mais da palavra escrita.

Recomendo a todos os que ainda não leram, que não devem ser muitos, aos que querem ver o mundo com outros olhos e não têm medo de recordar a adolescência.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – O Nome da Rosa

nome da rosa

Já não me lembro exactamente há quanto tempo atrás li este livro, mas lembro-me bem de onde ele veio. Daquelas colecções Mil Folhas, se não estou em erro do Público, da qual eu recebi bastantes livros vindos duma amiga da minha mãe.

Já tinha visto o famoso filme de Jean-Jacques Annaud em 1986, com o Sean Connery num belíssimo papel, e isso espicaçou a minha curiosidade para pegar neste livro, o único até agora que eu li do Umberto Eco, escritor italiano, professor universitário de semiótica, e detentor duma escrita rica, densa e recheada de referências a autores clássicos e outras obras.

E é exactamente isso que este Nome da Rosa é, um livro denso e cheio de referências a outros autores, mas ao mesmo tempo com uma história bem desenvolvida e interessante. Não é para se ler de animo leve, mas para saborear lentamente e tentar abarcar tudo. Tenho a certeza que não consegui entender todas as ligações e pistas escondidas que o autor deixou para nós, mas um dia voltarei a ler este livro, numa fase em que esteja mais introspectiva que agora.

A história é simples, um monge morre num convento beneditino na Idade Média, e é pedida ajuda a um frade franciscano, de nome William Baskerville numa clara invocação de Sherlock Holmes. A partir daí os assassinatos sucedem-se e a investigação tem de ser célere para impedir que alguém vá parar injustamente às mãos da Inquisição.

Recomendo a todas as pessoas que gostam de “policiais”, de mistério, de aprender conceitos e História enquanto lêem, a todos os que gostam de se sentir desafiados.

Boas Leituras!

 

Os Livros e as Gripes

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O Peixinho teve de ficar de molho por causa duma bela carraspana. À primeira vista seria a oportunidade ideal para dar andamento aquela série de livros que estou a ler, já que a maior parte do tempo é passado na cama. Ou pegar em coisas novas, e seguir por novos caminhos.

Mas na realidade, tal como nas salas de espera, quando estamos doentes nem sempre temos a capacidade que esperamos para decifrar histórias complexas, ou seguir enredos intricados. Quando tento ler, dou por mim no meio duma névoa estranha, em que tenho dificuldade de seguir os nomes dos personagens, e as paragens para tossir/espirrar a cada 5 minutos também não ajudam a manter o ritmo.

O meu kindle tem uma função que nos diz quanto tempo falta para terminar o livro, adaptado ao nosso ritmo do leitura. Faltam-me os últimos 20% do livro e cerca de duas horas e meia… desde o início da semana, apesar de me parecer que já li imenso.

Por isso vou fazendo como o Calvin ali em cima e passo a maior parte do tempo enfiada debaixo dos cobertores a ver episódios antigos da Anatomia de Grey, só para me lembrar como realmente não gosto da série. Ou pior, episódios do Dr. Phil, por algum motivo doentio. Acho que nunca vi um programa destes sem ser estando em casa doente.

De qualquer modo já me alonguei muito fora das mantas e sofá, e acho que já começou um episódio repetido das Mentes Criminosas, algures do início deste século.

Boas Leituras!