Livros que Recomendo – Deaf Sentence

david lodge

Se há um autor do qual eu li quase todos os livros é David Lodge, e não me lembro de alguma vez me ter sentido desiludida. Possuidor dum sentido de humor muito britânico e apurado, os seus livros são sempre divertidos, mesmo quando abordam temas sérios, tal como este que recomendo hoje e que foi o último que escreveu até à data.

Em Deaf Sentence conhecemos a história de Desmond Bates, um professor universitário de Inglês (muitos dos seus personagens são, como ele, professores universitários do departamento de Inglês), que se reforma quando há uma restruturação do seu departamento. Isso faz com que ele comece a lidar com o facto de que está a envelhecer, e sobretudo que está a ficar surdo. Isso dá azo a muitas peripécias engraçadas, mas sobretudo ao desespero do próprio e da família.

Lutando eu com alguns problemas de audição, revi-me muito neste personagem. Não tem graça quando consecutivamente não percebemos o que nos dizem, não conseguimos seguir conversas com muita gente, e sobretudo desespera aqueles à nossa volta o facto de terem que se repetir até ao infinito, mesmo sabendo que não estamos a fazer de propósito. E eu nem sou efectivamente surda, por isso imagino a dificuldade de quem está consideravelmente pior que eu. David Lodge consegue falar de tudo isso com o seu costumeiro bom humor e divertir-nos com coisas sérias. Suponho que muito do que ele escreve neste livro ele saiba por experiência, o que ainda o torna mais interessante.

Recomendo a todos os que gostam de boas histórias, boa literatura e ver a vida real noutra perspectiva.

Boas Leituras!

Livros que Quero Ler – The Elephant Whisperer

elephant

Depois de tanto tempo a recomendar livros que tinha lido, resolvi que estava na altura de falar de livros que estão no meu radar para futuras leituras, por variadíssimas razões. Este já me foi recomendado pelo Goodreads há bastante tempo, mas nem sempre estou com a mente virada para livros de não-ficção.

Este ano passa-se exactamente o contrário, apetece-me estar imersa no mundo real através dos livros, por isso parece-me uma excelente altura para me dedicar a esta história.

Lawrence Anthony tinha uma reserva natural na África do Sul e foi-lhe pedido para acolher um grupo problemático de elefantes. Mesmo antes de chegarem a matriarca e a sua cria são abatidas, o que faz com que todo o grupo esteja ainda mais agressivo e difícil de controlar. Este é o ponto de partida para toda uma história de relações entre homens e animais no seu habitat natural, sobre conservação e os esforços que se fazem preservar espécies importantes, mas principalmente sobre uns animais inteligentíssimos que eu muito gosto, os elefantes.

Espero conseguir lê-lo nas próximas semanas, já que 2020 parece ser definitivamente o ano da não ficção e dos livros em localizações exóticas.

Boas Leituras!

Livros Que Recomendo – O Pequeno Livro dos Medos

sergio godinho

Mesmo sem a perspectiva de algum dia vir a ser mãe, desde sempre fui muito fã de livros infanto-juvenis, e continuei a lê-los muito depois de já ser adulta. Acho que se encontram verdadeiras pérolas de beleza neste mundo de livros, e é uma dessas pérolas que venho hoje recomendar.

Sérgio Godinho é não só um belíssimo escritor de canções, mas também se aventurou no mundo da literatura infantil. Este Pequeno Livros do Medos é a sua segunda incursão neste campo e data de 1991. É um livro pequeno, de 55 páginas, e que leva os seus leitores a reflectir no que é o medo, a racionalizar sobre ele com exemplos da vida do narrador, e no final a conseguir superá-los.

Muito bonito e bem escrito, sobre um tema que é tranversal a miúdos e graúdos e que nos ajuda a reflectir sobre as coisas que nos impedem de olhar em frente.

Recomendo a todos os que têm filhos e querem partilhar histórias com eles, ou todos aqueles que são sempre jovens no coração e apreciam boa escrita.

Boas Leituras!

O Peixinho e as Maratonas Literárias

Livros

O Peixinho gosta de ler o que lhe apetece, quando lhe apetece, e nem sempre sabe exactamente o que lhe apetece. Confuso, eu sei, mas obrigações temos muitas na vida, ler não pode contar como uma delas. Por isso nunca me juntei a nenhum clube de leitura, daqueles que se encontram e debatem livros previamente escolhidos. Sei que provavelmente estou a perder umas belíssimas discussões edificantes, mas na realidade elas acabam por surgir naturalmente quando discutimos livros com outro bookworm como nós.

Mas as maratonas literárias sempre me pareceram mais engraçadas. Aqui temos várias categorias e acabamos por encaixar o livro que estamos a ler na que for mais relevante.  Por exemplo, ler um livro com um tema de inverno.

Nunca me tinha juntado a nenhuma porque me tinha faltado o incentivo certo. Mas agora fui convidada por uma amiga a juntar-me a uma maratona literária espalhada pelas estações do ano, e em que cada estação temos novas categorias para preencher. Começámos, obviamente, no Inverno. Achei a ideia engraçada e os livros que tinha lido desde o início do Inverno eram facilmente distribuídos por algumas categorias.

Neste momento já tenho 4 das 16 categorias preenchidas e, apesar de dificilmente conseguir completar todo o desafio, estou a achar isto muito divertido.

Se têm experiências semelhantes, ou sugestões, apitem no comentários.

Boas Leituras, com ou sem maratonas.

Acabei de Ler – The Climb

the climb

Já falei aqui algumas vezes sobre livros de montanhismo. Apesar de não ser desporto para mim, tenho bastante prazer em ler sobre escaladas difíceis e montanhas complicadas. E o Everest é a mãe de todas as montanhas.

 Já recomendei aqui o livro de Jon Krakauer sobre a tragédia de 1996, em que várias pessoas morreram e muitas ficaram com sequelas no decorrer duma tempestade que apanhou duas expedições comerciais ainda no topo da montanha. Não foi a última tragédia, nem a maior, mas graças ao livro do jornalista que ia na expedição foi talvez a mais conhecida e mais debatida.

Muita gente discorda dos factos como são apresentados por Krakauer, e os livros de relato próprio de quem viveu a experiência têm-se multiplicado (o Netgalley proporcionou-me um há algum tempo). No entanto este livro de Anatoli Boukreev é um dos mais conhecidos, já que é uma resposta directa à imagem que Krakauer passou deste montanhista no seu livro, e também porque Anatoli faleceu em no dia de Natal de 1997 enquanto tentava escalar o Annapurna.

O livro foi co-escrito por Weston de-Walt, que não tem o dom das palavras que Krakauer tem, no entanto este livro é muito útil para percebermos outro ponto de vista sobre o que se passou na montanha naquela fatídica escalada. Se pensarmos racionalmente, nenhum cliente da expedição em que Boukreev era um dos guias faleceu naquele dia, nem sequer sofreram danos permanentes, ao contrário do que se passou na expedição em que Krakauer era cliente. Na realidade Boukreev fez um esforço sobre-humano para ainda salvar a vida de 3 pessoas, após ter subido ao cume do Everest. É por isso estranho que tenha sido escolhido como alvo da ira de Krakauer.

Suponho que tenha a ver com o estilo jornalístico americano, em que é sempre necessário encontrar um culpado para queimar na fogueira, e neste caso um russo taciturno com fraco domínio do inglês é mesmo um personagem que está a jeito.

Este livro tem uma boa reconstituição dos eventos que ocorreram em Maio de 1996, bem como a transcrição da reunião que foi feita por quase todos os elementos da expedição Mountain Madness para deixar um registo do que tinha acontecido tal como todos se recordavam.

Recomendo a todos os que são fãs de montanhismo, de aventura, de histórias emocionantes.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Livros Que Recomendo – História Duma Gaivota e do Gato Que a Ensinou a Voar

sepulveda

Este livro foi publicado em 1996 pela primeira vez e creio que foi pouco depois disso que o li. Lembro-me que nunca tinha lido nada deste autor e que o título chamou-me a atenção numa Feira do Livro. Eu tinha por hábito comprar todos os anos um livro apenas pela sua capa, e nesse ano este foi o escolhido.

E fiquei agradavelmente surpreendida. É um livro curto, para miúdos e graúdos, uma alegoria ou prosa poética, sobre o valor que damos às promessas que fazemos. Já nesta altura passava também uma mensagem ambiental, concretamente acerca de derrames de óleo no oceano.

Foi num deste derrames que uma gaivota foi apanhada, e antes de morrer entrega o seu ovo ao gato Zorba, e ele promete que vai criar a gaivota e ensiná-la a voar. Todo o resto do livro é a história de Zorba a tentar cumprir a sua promessa com a ajuda de outros gatos seus amigos.

É um excelente livro para se ler com os mais pequenos, mas é uma pérola para ser lida em qualquer idade. Recomendo a todos os que gostam de leituras suaves e delicadas, histórias bonitas e bem contadas.

Boas Leituras!

Acabei de Ler – Whatever You Do, Don’t Run

peter allison

Já tinha algumas saudades de ler sobre vida selvagem e foi isso que me levou a pegar neste livro de Peter Allison, um australiano que aos 19 anos foi viver um ano para África para aprender sobre a fauna do continente, e nunca mais saiu de lá. Começou o seu percurso na África do Sul, a trabalhar como barman num parque natural, e foi depois para o Botswana, onde acabou por se tornar um guia de safari. São as suas peripécias neste percurso que o autor nos mostra neste livro, cheio de episódios divertidos e assustadores, que mostram os bastidores dos glamourosos safaris no continente africano.

Se isso fosse possível, fiquei com ainda mais vontade de um dia visitar o Botswana, nomeadamente o delta do Okavango, mesmo com medo que as coisas já não estejam tão bonitas e naturais como quando este livro foi escrito. A descrição de toda a fauna, incluindo aves, é absolutamente deliciosa, e dá vontade de partir já. Ou quando a mais recente aquisição da família já for um adolescente, se calhar é mais realista.

Mas vale muito a pena ler este livro se forem fãs de vida selvagem. Está bem escrito e interessante e aprende-se muita coisa, mesmo não sendo esse o objectivo do livro. Sem dúvida uma excelente leitura para este início de ano.

Recomendo a todos os fãs de vida selvagem, de África e de literatura de viagens. Há aqui qualquer coisa para todos.

Boas Leituras!

Goodreads Review

 

Acabei de Ler – Murder in the Mews, Poirot #18

poirot 18

Nada como começar o ano devagar e confortavelmente depois das festividades, para nos prepararmos para a loucura que estará para vir. Nesse espírito resolvi pegar no volume seguinte das aventuras de Poirot, o livro número 18. Confesso que à partida fiquei logo um pouco desiludida quando percebi que era uma edição com 4 pequenas histórias, em vez do costumeiro mistério completo. Quando são histórias mais curtas acaba por se perder muito dos processos mentais do Poirot, e ficamos com a sensação que nunca poderíamos ter adivinhado o final por falta de informação.

Mesmo assim estas histórias eram bem construídas e até surpreendentes no seu desfecho, o suficiente para achar que este livro vale a pena ler e não foi tempo perdido. Temos quatro histórias, um suicídio duma jovem que estava noiva, mas que tudo aponta para assassinato, o roubo duns planos de guerra importantíssimos, o suicídio dum aristocrata inglês e por fim um perigoso triângulo amoroso na maravilhosa ilha grega de Rodes.

Recomendo a todos os fãs de Poirot e de mistérios em geral.

Boas Leituras e Feliz 2020!

Goodreads Review

 

 

Livros que Recomendo – A Tale For The Time Being

ruth ozeki

Nada como começar o ano a recomendar um livro complexo e desafiante. Este “A Tale For The Time Being”, de Ruth Ozeki, esteve na lista de nomeados ao Booker Prize 2013 e foi assim que cheguei até ele. O próprio título já determina o que vai ser o livro, um jogo sobre a passagem do tempo, que nos vai deixar perplexos.

É um livro que nos faz pensar na passagem do tempo, do que fazemos com ele, mas também nos permite aprender muito sobre uma cultura que nos é muito estranha, a japonesa. Através do diário que a narradora descobre na costa da ilha onde vive, conhecemos a vida de Nao, uma rapariga japonesa com uma avó monja budista, um pai que pensa constantemente em suícidio, e uma vida difícil na escola. É um livro que fala de temas difíceis e complicados, mas que é surpreendemente fácil de ler.

Eu achei-o extremamente envolvente e cativante, e fiquei deslumbrada, mesmo quando começamos a entrar em partes onde se discute física para explicar o progresso da história. Não se deixem intimidar por isso, já que a história é bonita e delicada e merece muito a pena.

Recomendado a todos os que querem uma boa leitura para começar 2020 e não se deixam intimidar por histórias complexas.

Boas Leituras!

Goodreads Review

Livros para 2020

book-stack

Começo 2020 com uma panóplia de livros para ler, à semelhança dos anos anteriores. Vão desde séries que comecei e quero continuar, a livros ou autores que descobri graças a coisas que li, ou livros físicos que me foram oferecidos. É um bom problema para se ter, apesar de raramente eu seguir esta lista à risca. Gosto sempre de ler para onde o vento ou a minha vontade me levam.

Para este ano os livros que estão na calha são os seguintes:

  • A Trança de Inês, de Rosa Lobato Faria: Nunca li nada desta escritora, e este ano o Peixinho Vermelho comprou este livro em segunda mão na net. Nenhum de nós o leu ainda, essencialmente por falta de disponibilidade mental. Está na calha para o início do ano.
  • Love Story à Portuguesa, de Vilhena: oferecido por uma amiga no final do ano, é mesmo o tipo de leitura divertida e socialmente interessante para começar 2020.
  • A Crown od Swords (Wheel of Time 7) de Robert Jordan: Apesar do meu entusiasmo ter esmorecido um bocadinho, não gosto de deixar séries a meio. Algures em 2020 irei pegar novamente nas aventuras de Rand al’Thor e seus companheiros.
  • Vernon Subutex 2, de Virginie Despentes: Será este ano que vou continuar a ler as desventuras de Vernon Subutex, o mais recente sem abrigo de Paris.
  • The Secret Commonwealth (Book of Dust 2), de Philip Pullman: Já que li o primeiro volume desta nova série em 2019 e no final saiu este fresquinho, já o tenho no meu Kindle pronto a seguir.
  • Aquilino Ribeiro: Aqui há uns anos comprei vários livros deste autor num alfarrabista de rua. Acho que está na altura de lhes pegar e rentabilizar o investimento.

E para começar o ano são estes os livros que tenho na calha. Espero que esta lista tenha melhor fim que a do ano anterior.

Boas Leituras e Bom 2020