Barbatana de Molho

pedemolho

Por razões inusitadas e francamente inexplicadas, o Peixinho tem uma barbatana de molho. Que é como quem diz, estou com um problema num pé que faz com que passe a maior parte do tempo, sentada/deitada/sem conseguir andar.

Em teoria isso dar-me-ia muito mais tempo para ler, acabar livros que tenho pendentes, etc, mas na realidade não é bem assim. Quando o cérebro está demasiado focado e preocupado, fico com menos espaço mental para conseguir acompanhar leituras mais complexas e histórias com muitas ramificações. Considerando que estou a ler Endymion, do Dan Simmons, não há muitas hipóteses de não estar completamente concentrada naquilo que se está a desenrolar nas “páginas” do meu Kindle.

Assim sendo tenho complementado com leituras menos exigentes, como a Avelina, ou no caso mais extremo de cérebro desligado, alguns episódios do Dr. Phil. Não sei como explicar, mas de cada vez que fico doente em casa acabo sempre por ver alguns episódios deste psicólogo texano, deve ter a ver com aquele famoso provérbio misery loves company.

Isto tudo para dizer que gostaria muito de colocar críticas interessantíssimas a livros de literatura fina nos próximos dias (semanas?), mas se calhar o mais provável é vir discutir teorias de psicologia de algibeira.

Até lá, boas leituras!

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Update de Janeiro

alfarrabista

Agora que estamos bem dentro do novo mês, como é que correram as coisas neste Janeiro? Para começar fui ao cinema e ao teatro e só isso já é um bom indicador, mas os livros também não estiveram nada mal.

Consegui terminar 5 livros, dois dos quais estavam na minha lista de livros a ler no inicio de 2018, o que é uma vitória. Mas o mais importante é que, apesar de muitas tentações e solicitações, consegui passar o primeiro mês do ano sem comprar nenhum livro, tal como me propus. É incrível como pelo facto de ter escolhido não comprar livros este ano a vontade automaticamente multiplicou. Enfim, por enquanto tudo tranquilo, tenho-me mantido afastada de poesia e deixei de seguir alguns alfarrabistas no Instagram, veremos como corre o resto do ano.

Para além disso já ando com o meu Kindle novo para todo o lado e, após uma fase de habituação às características novas, tenho-me adaptado muito bem. Claro que como este vem com iluminação de ecrã incluída tenho andado a dormir menos horas, porque fico a ler até mais tarde, mas ler na cama é outro dos prazeres da vida.

Mais actualizações destes desafios virão ao longo do ano, até lá boas leituras!

Desafio Man Booker 50

Man booker

Este ano é atribuido o quinquagésimo prémio Man Booker de ficção e a organização resolveu celebrar em grande oferecendo a um felizardo a oportunidade de participar no seu evento de Julho. Para isso só temos de ler o maior número de vencedores que conseguirmos e documentarmos no Instagram com o hashtag #Manbooker50 no post oficial. Parece fácil, e sobretudo uma oportunidade de lermos bons títulos de qualidade certificada.

Já sabem que o Peixinho não é muito dado a estes desafios, é demasiado rebelde para se conformar a ler por uma lista, mas ainda assim é uma lista de referência que vou aqui partilhar para a ela voltar sempre que me faltar inspiração para um bom livro. Em português, sempre que exista.

Até à data já li os anos de 1981, 1992, 1999, 2002 e 2013 e vejo alguns que não me apanhavam a ler nem que mos oferecessem (como o vencedor do ano passado), mas há aqui muita margem de escolha e se tiver tempo no meio dos que tenho na calha, ainda pego no da Margaret Atwood.

Boas Leituras!

2017Lincoln no Bardo de George Saunders

2016O Vendido de Paul Beatty

2015Breve História de Sete Assassinatos de Marlon James

2014A Senda Estreita para o Norte Profundo de Richard Flanagan

2013Os Luminares de Eleanor Catton

2012O Livro Negro de Hillary Mantel

2011O Sentido do Fim de Julian Barnes

2010A Questão Finkler de Howard Jacobson

2009Wolf Hall de Hillary Mantel

2008O Tigre Branco de Aravind Adiga

2007Corpo Presente de Anne Enright

2006A Herança do Vazio de Kiran Desai

2005O Mar de John Banville

2004A Linha da Beleza de Alan Hollinghurst

2003Vernon Little: O Bode Expiatório de D. B. C. Pierre

2002A Vida de Pi de Yann Martel

2001A Verdadeira História do Bando de Ned Kelly de Peter Carey

2000O Assassino Cego de Margaret Atwood

1999Desgraça de J. M. Coetzee

1998Amesterdão de Ian McEwan

1997O Deus das Pequenas Coisas de Arundhati Roy

1996Últimas Vontades de Graham Swift

1995The Ghost Road de Pat Barker

1994How Late it Was, How Late de James Kelman

1993Paddy Clarke Ha Ha Ha de Roddy Doyle

1992O Paciente Inglês de Michael Ondaatje

1991The Famished Road de Ben Okri

1990Possessão de A. S. Byatt

1989Os Despojos do Dia de Kazuo Ishiguro

1988Oscar e Lucinda de Peter Carey

1987Anel de Areia de Penelope Lively

1986Os Velhos Diabos de Kingsley Amis

1985The Bone People de Keri Hulme

1984Hotel du Lac de Anita Brookner

1983A Vida e o Tempo de Michael K de J. M. Coetzee

1982A Lista de Schindler de Thomas Keneally

1981Os Filhos da Meia Noite de Salman Rushdie

1980Ritos de Passagem de William Golding

1979Correntezas de Penelope Fitzgerald

1978O Mar, o Mar de Iris Murdoch

1977Staying On de Paul Scott

1976Saville de David Storey

1975Heat and Dust de Ruth Prawer Jhabvala

1974O Conservador de Nadine Gordimer

1973O Cerco de Krishnapur de J. G. Farrel

1972G. de John Berger

1971Num País Livre de V. S. Naipaul

1970The Elected Member de Bernice Reubens

1969Something to Answer For de P.H.Newby

 

O Último Jedi

SW

Atenção, este post está carregadinho de spoilers e se ainda não viram o filme e tencionam ver em alguma altura, não leiam. Mas também, fiquem já a saber que não há nada de novo mesmo, por isso os spoilers não são nada de especial.

O Peixinho foi este Domingo ver o novo episódio da saga Star Wars, mais por um sentimento de militância do que por achar que iria ser deslumbrada ou surpreendida.

O primeiro erro que cometi foi ter ido ao Alegro à tarde. Eram pipocas por todo o lado, conversas paralelas, adultos a explicar a crianças o sentido do universo (não há, não vale a pena). O segundo erro foi termos ido, ponto. Já resolvemos entre nós que o próximo vemos no aconchego do lar e poupamos o trabalho e o dinheiro.

Quer dizer, eu sei que isto é ficção científica e não tem que ter muita aderência à realidade, mas sinceramente há limites. A princesa Leia a navegar no espaço sem fato e ainda conseguir voltar à nave apenas com o poder da mente, onde lhe abrem a portinha para ela entrar. Vácuo. Diz alguma coisa a alguém? Leis da física? Ok, podemos suspender algumas e continuar com a nossa vida, mas não exageremos.

Depois também há limites para a quantidade de bichos fofinhos ewok inspired para fazer o jeito à Disney e animar a criançada. E mais uma cena em que se entra num bar cheio de extraterrestres manhosos à procura dum mercenário que eventualmente os vai trair e juro que grito.

O problema destes novos filmes é que não trazem nada de novo, a não ser efeitos especiais e mais explosões. As histórias nem são reinvenções, são cópias politicamente correctas das originais, e não surpreendem nem animam.

E pronto, tenho pena que assim seja porque gostei muito dos originais, revi-os muitas vezes, e não estava à espera que as sequelas fossem dignas do Festival de Cannes, mas acho que se tentam colar demasiado ao universo da Marvel e afins que atolou as nossas salas de cinema nos dias de hoje.

Safa-se disto o honroso Rogue 1, que conseguiu entreter sem ser pretensioso.

E pronto, acho que terminei a minha refilice, aconselho os fãs indefectíveis a ver na mesma, eu própria fui, mas não esperem uma maravilha cinematográfica.

Desafio para 2018

Livros

Sei que 2018 ainda mal começou, e que na realidade ainda há poucos dias eu estive aqui a debitar os meus objectivos para o ano, bem como a série de livros que tinha na calha para começar a ler.

Mas, como já devem ter percebido, isto da leitura tem muito a ver com a disposição e com aquilo que nos apetece fazer, e eu percebi que quero ganhar algum espaço na minha casa, fazer algum decluttering, libertar-me de livros que nunca mais vou ler para poder guardar apenas aqueles que fazem sentido para mim. Por isso comecei já a ler alguns dos que estavam eternamente pendentes na estante, como aquele que encerrou 2017, e vou seguir por aí fora enquanto me apetecer.

Mas o grande objectivo deste ano que se avizinha vai ser não comprar livros. Nem um.  Ler apenas os que ainda me faltam ler, os que ainda tenho para o Kindle, os que me chegam através do Netgalley e se tudo isso falhar, as mini bibliotecas que me rodeiam. Reciclar e reaproveitar também na literatura, se assim quiserem.

O grande perigo que poderá fazer soçobrar esta decisão será se me deparar com alguma pechincha poética, que não sei se conseguirei resistir!

Vamos ver como corre, irei dando notícias do progresso da empreitada por aqui.

Boas Leituras!

Livros para 2018

Livros

Agora que está a começar o novo ano, e que como sempre tenho uma meta ambiciosa no Goodreads, venho aqui partilhar os livros que tenho planeados para ler de seguida. São vários, de temas e proveniências diversas, e devem manter-me entretida por bastante tempo. Como sempre, a probabilidade que apareçam alguns novos pelo meio para me desviar destas minhas boas intenções é altissima, e isso explica o facto de alguns destes livros apareçam recorrentemente nas minhas listas de boas intenções. Mas, ainda assim, aqui vai.

Planisfério Pessoal, de Gonçalo Cadilhe – Foi um livro que comprei quando fui à Festa do Livro em Belém mas ainda não tive oportunidade de começar. Às vezes o facto de no kindle ser tão fácil começar livros novos, não deixa tanto espaço para os livros em papel, mas este ano decidi que vou rectificar isso. Ou pelo menos, tentar. Este será com certeza um bom motivo.

The Golden House, de Salman Rushdie – Um dos livros que requisitei no Netgalley, já o comecei, mas entretanto outros se puseram de permeio e nunca mais tive ânimo para pegar neste. Mas as primeiras páginas pareceram-me interessantes o suficiente para voltar à história.

The Wake, de Neil Gaiman – Este ano tenho, obviamente, de ler o último volume das histórias do Senhor dos Sonhos, mesmo que seja penoso ou que se anteveja uma narrativa um pouco mais triste. Será o culminar de toda uma saga que acabou por me acompanhar quase dois anos e que encheu a minha vida de cor e realidades paralelas.

Endymion e The Rise of Endymion, de Dan Simmons – tenho de acabar a saga que comecei com Hyperion e Fall of Hyperion e que foi da melhor ficção científica que li nos últimos anos, se não mesmo de sempre. O facto destes 2 últimos volumes terem uma classificação ligeiramente menor tem-me feito adiar a leitura, já que tenho medo de manchar a imagem de quase perfeição que os outros me deixaram, mas tendo em conta que as pessoas a quem aconselhei o Hyperion continuaram alegremente a saga anima-me também a continuar.

Os Cus de Judas e As Naus, de António Lobo Antunes – Este é um autor que tenho muita dificuldade em ler, tenho mesmo uma embirração particular. Mas resolvi trazer estes dois livros de casa do meu pai para ver se 2018 é finalmente o ano em que se quebra o feitiço ou desisto de vez.

Dentro da Noute: Contos Góticos – Uma antologia de contos góticos portugueses e brasileiros, organizada por Ricardo Lourenço e que está disponível no Projecto Adamastor aqui.

Estes 8 livros, em teoria, já me dariam para os primeiros meses do ano. Mas cheira-me que vou andar entretida mais tempo, até porque com brinquedo novo há sempre coisas diferentes para experimentar.

Boas leituras!

Prendas Natalícias

Kindle Paperwhite

Anteriormente alonguei-me bastante sobre as vantagens e desvantagens de ter um Kindle (ou outro e-reader qualquer), mas a realidade é que nesta altura já me seria muito difícil não ter um. A quantidade de portas que me abre (como o Netgalley ou Edelweiss), e a variedade de títulos que disponibiliza, principalmente a alguém que, como eu, lê principalmente em inglês tornam este pequenote numa ferramenta essencial.

Tendo em conta a provecta idade do meu Kindle anterior e o facto de que a bateria já estava a dar sinais de querer descanso, o senhor Peixinho Vermelho resolveu obsequiar-me com um novíssimo Kindle Paperwhite este Natal (e aniversário, e se calhar por vários anos).

Claro que como bom Peixinho estou aqui cheia de pena do velhinho que me foi tão fiel durante estes quase 6 anos, ao mesmo tempo que estou cheia de excitação para experimentar o brinquedo novo e explorar todas as suas potencialidades. Uma das maravilhas que este tem é que já traz uma luz incorporada, por isso acabaram-se as noites a ler com uma lanterna de mola agarrada ao Kindle, ou (pior ainda), com a lanterna do telemóvel apontada ao ecrã. Sim, é verdade, isso aconteceu algumas vezes, e durante mais horas do que vou admitir aqui.

Como a capa protectora que encomendei demorou a chegar (e autocarros da Carris são ambientes hostis a tecnologia desprotegida) a rodagem está a ser feita pelo próprio obsequiador do presente, que estas coisas têm que ter um test drive como deve ser. Mas em breve darei notícias do comportamento do bicho novo.

Boas Leituras!

Projectos para 2018

New Year

Tal como no ano passado, depois de fazer o balanço está na altura de pensar em projectos. O que é que eu espero deste ano que se avizinha, para além do que é espectável, saúde, paz e amor? Vejamos, por pontos, que o Peixinho é amigo de listas.

– Regressar às viagens. Um ano de descanso foi o suficiente para pôr o Peixinho de novo com vontade de aventura e à procura do novo destino. Vontade há muita e há um destino em particular que me anda a falar ao ouvido, mas tenho de ver para onde o vento sopra em 2018, porque algumas surpresas podem estar detrás da porta. A ver.

– Não vale a pena fazer por menos, e lá vão os 50 livros do costume como objectivo do Goodreads. Se for mais é lucro, se for menos ninguém morre por isso.

– Continuar a minha utilização frequente do Netgalley e manter a percentagem  de feedback a 80%. Neste momento está a 85%.

– Poesia, poesia e mais poesia, no blog como na vida!

– O Peixinho está cheio de histórias cá dentro que querem ver a luz do dia. Será este ano?

E pronto, estes são os meus objectivos literários e bloguisticos para 2018 que se vão juntar aos pessoais no brinde das 12 badaladas.

FELIZ 2018!!

Balanço de 2017

Balance
Imagem daqui

Tal como no ano passado, em chegando o final do ano gosto de fazer uma retrospectiva e perceber o que fiz e o que deixei por fazer. No final de 2016 tinha deixado um post com uma série de intenções para 2017, e posso começar por os rever.

– Um ano de descanso das viagens, já que 2016 tinha sido tão intenso. Como puderam ver aqui pelo blog, isso foi um objectivo mais que cumprido, já que andei alegremente a passear dentro de portas, a conhecer locais novos como Mértola e Aljezur onde ainda não tinha ido. Infelizmente era para ter ido também a Montesinho em Abril, mas as minhas costas não me deixaram ir a lado nenhum. Viagem adiada apenas.

– Apesar de ter dito que ia apostar em 40 livros no Goodreads, acabei por me propor a ler 50 (sem pressão). Com certeza que ultrapassei este número, porque nem todos os livros gratuitos a que tenho acesso acabo por rever, mas não sinto que tenha andado a correr para cumprir calendário, nem tive de fazer concessões aos títulos que escolhia. Como sempre, li apenas o que me apeteceu. Muitos livros valeram a pena este ano, desde BD do Sandman, a ficção científica fenomenal de Dan Simmons, empréstimos de amigos e muita coisa do Netgalley. Foi um ano em cheio, e tecnicamente ainda me falta um livro para atingir os 50.

– Continuar a  ler Agatha Christie e Terry Pratchett foi o mais retumbante fracasso. Não li nenhum de Terry Pratchett e o que li de Agatha Christie era tão mauzinho que nem me dei ao trabalho de falar dele aqui, e vacinou-me para o resto do ano. Enfim, estas coisas são uma maratona não um sprint, e fretes não se fazem, por isso voltarei a eles um dia.

– Acabar a saga do Sandman do Neil Gaiman, que comecei em 2016, era outro dos objectivos. No entanto, por variadíssimas razões, este foi um projecto que andou devagarinho este ano, e ainda me falta o décimo volume. Com certeza acabará em 2018.

– Continuar rodeada de poesia. Acho que esse foi um objectivo superado, já que publico recorrentemente poesia de expressão portuguesa no blog, e isso faz-me estar sempre muito atenta e pesquisar muito. Continuará a ser uma coisa que faço com prazer, por isso poesia espera-se neste estaminé.

De resto foi um ano de pausa, com algumas complicações de saúde minhas e muitas na família, um ano de recuperar baterias e energias, e fazer um ponto de situação interior. Neste momento estou em modo de meditação e preparação para o ano que se avizinha, que espero que seja melhor que este a todos os níveis.

Boas leituras.