12 Livros Para 2022 (mais coisa menos coisa)

estante

Já aqui falei várias vezes que não sou muito dada a fazer listas de leitura, porque prefiro ler o que me apetece em cada momento, sem sentimentos de culpa. Mas isso não impede que eu eu, como boa livrólica, não goste de ter alguma ideia de livros que gostava de ler num futuro próximo. Vi algumas pessoas a fazer este desafio, de listar 12 livros para o este ano, e achei uma excelente ideia. Não consegui arranjar mesmo 12 livros, fiquei-me pelos 6 abaixo.

Balada Para Sophie, Filipe Melo – A única BD deste autor que ainda tenho por ler. Já comprei em 2020, mas estou a guardá-lo como um tesouro para ler quando conseguir dedicar atenção completa e desfrutar desta obra de arte. Espero que seja já este ano.

Slade House, David Mitchell – Comecei há vários anos a ler os livros deste autor por ordem de publicação. Acho que é o que mais se aproxima do conceito de autor favorito para mim. Os seus livros são histórias independentes, no entanto deixam sempre traços uns nos outros, quer em personagens, quer em pedaços de história. O último que li já em 2019, Bone Clocks, foi tão bom que me fez ter medo de pegar no seguinte e ter uma desilusão. Mas creio que está na hora.

Dune, Frank Herbert – Anda toda a gente a ler por causa do novo filme, e na realidade está no meu Kindle desde que tenho um, ou seja há 10 anos. Juntando a isso a pressão do outro leitor cá de casa, está na hora de pegar nele. Assim haja cabeça para entrar num mundo tão complexo.

Navegador Solitário, João Aguiar – Um dos livros de João Aguiar que comprei no OLX há algum tempo, e que tenho vindo a ler lentamente para saborear. Gosto muito deste autor, principalmente a sua ficção proto-histórica. Mas toda a sua prosa é muito boa, um dos autores subvalorizados da nossa língua. Recomendo muito!

A Trança de Inês, Rosa Lobato de Faria – Escolhi este, como poderia ter escolhido outro qualquer. Na realidade quero muito ler mais livros da Rosa, com o seu ar de senhora dondoca, mas que escondia dentro de si uma prosa escorrida, directa e cheia de humor. Uma maravilha!

Abraço, José Luis Peixoto – Outro dos autores cujo gosto partilhamos aqui em casa. Comprámos este livro quando saiu o ano passado, mas ainda nenhum de nós o leu. Está na lista de livros para serem lidos este ano.

Junto a isto um livro de poesia, um livro de viagens, uma não ficção sem ser de viagens, e tenho a minha lista de desejos completa. Veremos quantos destes consigo mesmo ler.

Até lá, Boas Leituras!

Projectos para 2022

gfd 5-10-2021

Depois de um ano em que li 63 livros, coisa que não acontecia desde os meus tempos de jovem e inconsciente, que tipo de planos é que posso fazer para 2022 e que não sejam impossíveis à partida? Boa pergunta, eu própria não sei.

Não vou certamente propor-me a ler a mesma quantidade de livros, para depois não andar a escolher os mais curtos que tenho no Kindle só para atingir metas virtuais. 50 é o meu número mais comum, e é por aí que vamos ficar.

Como já acabei os Poirots, também não há nenhuma série recorrente que eu queira terminar. Se conseguir ler mais um volume de Wheel of Time, já me darei por muito satisfeita.

O maior problema é que neste momento estou numa daquelas fases sem inspiração para ler. Estamos em plena época festiva, o que significa bebé em casa. Depois vamos ter uma semaninha de reflexão, que também significa bebé em casa. E bebé em casa significa pouco tempo para ler, como devem calcular. Por isso é difícil ter projectos elaborados. Mas mesmo assim, fica em baixo o que já alinhavei na minha cabeça para 2022.

  • Ler mais um volume da Roda do Tempo, no caso o oitavo volume, The Path of Daggers. Já comecei a ler, mas ainda estou no prólogo, que nestes livros é coisa para ter dezenas de páginas. Mesmo assim, este livro é o mais pequeno de toda a série, com “apenas” 685 páginas.
  • Ler autores portugueses. É uma coisa que faço todos os anos, e que quero garantir que continuo a fazer, há muita coisa boa por aí que merece ser lida. Com certeza pelo menos mais um de Rosa Lobato de Faria, e um físico que tenho aqui de João Aguiar, antes que fique pitosga de vez e deixe de conseguir ler livros em papel sem lupa. Mas as possibilidades são infinitas!
  • Ler as BDs que ainda tenho aqui por casa que não lhes peguei. Já não são muitas, mas ainda há muita coisinha boa por aqui. Estou especialmente interessada em ler Balada Para Sophie, da dupla Filipe Melo/Juan Cavia, que ainda não li porque estou a guardá-lo como um tesouro para quando possa desfrutar em pleno.
  • Ver menos Booktubes. Os vídeos de Youtube sobre livros foram um dos grandes motivadores do meu sprint de leituras deste final de ano, com muitas recomendações boas, e grande impulsionador das largas dezenas de livros que engrossaram as minhas listas de futuras leituras, no entanto consomem muito tempo que podia ser passado a ler as recomendações que já tinha. Por isso vou deixar de seguir criadores de conteúdo com os quais não me identifico tanto, e cujos gostos são muito díspares dos meus. Mantenho os que me divertem mais e me dão mais ideias de leituras diferentes das minhas habituais.

Mas o meu projecto mais importante é abrandar a minha aquisição de novos livros. Em 2021, de cada vez que ficava numa reading slump a minha solução era adicionar uma mão cheia de títulos à minha lista de livros para ler, como se isso me fosse encher de inspiração para voltar a ler. Não só não encheu, como aumentou a minha ansiedade pela quantidade enorme de livros em lista de espera. Não vou fazer como há uns anos e banir-me de comprar livros, mas serei certamente mais criteriosa na selecção de novos títulos. Daqui a um ano logo direi como isto correu.

Desejo a todos um 2022 em pleno, cheio de Boas Leituras!

Balanço de 2021

The Yellow Books by Vincent Van Gogh

 

Apesar das expectativas em contrário, 2021 voltou a ser um ano estranho, e apesar de terminar melhor que 2020, ainda está muito longe da normalidade que tanto ansiávamos. Juntando a isto um jaquinzinho nos terrible two’s, dá para perceber que o ano foi tudo menos fácil. Mas mesmo assim foi recheado de leituras, umas melhores que outras, como seria de esperar. Mas o balanço final é muito positivo. Ora vejamos: 

  • Foi o ano que mais li desde que faço o registo do que leio no Goodreads, 2012, com 63 livros, e já tenho mais alguns começados. Foi um ano muito produtivo e este número deve-se à muita chick lit que li nos últimos meses. Esses livros são como rebuçados, de consumo rápido, porque a atenção que temos que dispensar não é tanta. Mas são divertidos e foram perfeitos para este final de ano. 
  • Este foi também o ano em que terminei a minha maratona de ler todos os Poirots por ordem de publicação. Foi uma tarefa árdua, que começou em 2015, e que me acompanhou estes 6 anos, essencialmente em alturas em que mais nada parecia despertar o meu interesse. O plano seria começar os livros da Miss Marple de seguida, mas tenho sérias dúvidas que isso vá acontecer em breve. 
  • Em 2021 foi também publicado o último volume da série Sandman Slim, por isso foi outro adeus que se deu nas minhas leituras. Foi uma série muito divertida, muito diferente do que eu costumo ler, mas que me proporcionou momentos do mais puro entretenimento. 
  • Consegui ler mais um volume da série da Roda do Tempo, em preparação para a série que acabou de estrear na Amazon Prime. O júri ainda está a deliberar se continuarei esta série ou não, considerando que ainda me faltam 7 dos 14 volumes. 
  • Voltei a ler livros de viagens, e especificamente muitos sobre o Everest (ou montanhismo em geral). Numa altura em que, por muitas razões, viajar é cada vez mais difícil para mim, estes livros são óptimos para manter essa paixão viva, e dão-me muito prazer. 

Mais de 50% dos livros que li foram de autores que ainda não conhecia, e isso foi muito compensador também, gosto sempre de conhecer novos autores que me entusiasmem. Li muitos géneros diferentes, coisas que não costumo ler, foi uma verdadeira festa literária. 

Posso dizer que literariamente 2021 foi um ano bem cheio! Venham mais 63 para o ano!

Até lá, Boas Leituras!

 

Vencedor Prémio Booker 2021

booker 2021

Foi anunciado no passado dia 3 de Novembro o vencedor do prémio Booker deste ano. The Promise, do sul-africano Damon Galgut, que nos fala da história duma família que vive numa quinta perto de Pretória, como a sua dinâmica vai mudando ao mesmo tempo que o panorama do país também evolui e cria novos desafios.

Tem um excelente rating no Goodreads, 4.09, e as pessoas são consensuais a descrever que a narrativa e a escrita são o grande motor do livro, o que deixa o leitor mesmo agarrado às páginas.

Parece-me interessante e complexo, e certamente entrou na minha lista de livros para ler. Já o leram?

Até lá, Boas Leituras!

Prémio Camões 2021 Foi Para Paulina Chiziane

Paulina Chiziane

No passado dia 20 de Outubro foi anunciado o Prémio Camões 2021 que foi para a escritora moçambicana Paulina Chiziane. Apenas li um livro dela até ao momento, Niketche, uma história de poligamia, e gostei mesmo muito. Fiquei com esta escritora no radar para ler mais coisas dela, mas infelizmente até hoje ainda não aconteceu.

O seu primeiro romance, Balada de Amor ao Vento, escrito em 1990, foi também o primeiro romance escrito por uma mulher moçambicana. Questões do papel da mulher e do feminismo são muito presentes na sua obra, principalmente na sua realidade moçambicana.

Creio que este prémio Camões pode vir dar um novo alento para eu pegar noutros livros dela, e espero que isto lhe traga mais visibilidade junto do grande público, mais que merecida.

Vencedor do Women’s Prize for Fiction

piranesi

Foi anunciado no passado dia 8 de Setembro a vencedora do Women’s Prize for Fiction e fiquei muito contente por ter sido Piranesi de Susanna Clarke, de longe um dos melhores livros que li este ano e que ainda me vem à memória de vez em quando. Falei sobre ele aqui, podem ir lá espreitar.

Susanna Clarke tinha escrito anteriormente outro livro que gostei muito, Jonathan Strange & Mr. Norrel, que apesar de ser também fantasia, era completamente diferente em tudo, até no tamanho. Os dois valem muito a pena.

Foi a primeira vez que dei atenção a este prémio, mas fiquei entusiasmada por ver um livro que gostei tanto sair vencedor por isso definitivamente vou continuar a manter este prémio debaixo de olho.

Boas Leituras!

Feira do Livro de Lisboa 2021

Peixinho de Prata_Feira do Livro 2021

Ainda têm até Domingo para visitar a Feira do Livro, se ainda não o fizeram. Eu, que já não ia desde 2017, consegui ir nas minhas férias. E que bem que soube passear ao sol, depois de tantos confinamentos/isolamentos e covidices em geral, e simplesmente ver capas e mais capas de livros que queria comprar.

A primeira diferença é que agora perdi muito mais tempo a ver livros de crianças e a querer comprar todos para trazer para casa. Mas, considerando que o jaquinzinho ainda é muito destrutivo, vamos aumentar a biblioteca dele mais tarde.

Gostei muito de passear na feira, de ver muita gente imersa em livros, com muitos sacos na mão. Eu, por variadíssimos motivos, acabei por só comprar um livrinho infantil com autocolantes e nada para mim. Por um lado, ainda tenho muitos livros físicos cá em casa por ler, e pouco espaço para albergar mais e isso ajuda-me a controlar os impulsos gastadores. Por outro lado, estou a ficar cada vez mais pitosga, e cada livro que abria parecia que tinha a letra minúscula. Isto porque já aumentei o tamanho de letra no Kindle umas 5 vezes, já só tenho umas três frases por página. Enfim, tenho mesmo que me começar a habituar a audiobooks.

Ia com a ideia de comprar finalmente um livro de João Reis, mas não fiz bem o trabalho de casa e acabei por não perceber que estava logo num dos primeiros pavilhões que tinha visitado. Assim, no fim de ter visto tudo, voltei ao pavilhão da 20/20 em busca de João Reis. Quando lá chego, os livros estavam na prateleira mais alta do expositor e euq eu sou baixota tive que pedir ajuda a um colaborador. Tive que escolher um para ver, ele tirou e foi prontamente à sua vida. Como esperado, achei a letra demasiado pequena, mas isso nem me ia deter desta vez. Mas a sinopse não me seduziu, achei um bocadinho tristonho e não estou em fase de ler coisas assim. Só que o colaborador já tinha ido à sua vida, eu já tinha 2h30 de feira debaixo dum belíssimo sol que me estava a deixar doida, e acabei por desistir e ir à minha vida também.

Já em casa, cheguei à conclusão que se tivesse lido a sinopse em inglês não acharia que o livro era tristonho, e teria possivelmente voltado com ele para casa, mas enfim. Ficará certamente para outras núpcias porque ando mesmo de olho neste autor.

Para o ano, se tudo correr bem, haverá mais feira e com mais livros. Este ano contentei-me com um belo gelado, uma água fresca, e um passeio que me alentou a alma.

Boas Leituras!

Faltam Duas Semanas

feira livro lisboa 2021

Tenho a certeza que todos os amantes de livros lisboetas estão bem cientes que a Feira do Livro vai iniciar-se exactamente daqui a duas semanas, mas nunca é demais relembrar. 

Este ano será diferente, com muita gente já vacinada, ou recuperada de Covid-19, a liberdade para visitar este espaço será maior. Eu sei que tenciono lá ir, mesmo sabendo que a minha crónica falta de espaço não me permite comprar mais livros. Mas vale a pena nem que seja para absorver o ambiente. 

E vocês, estão a pensar lá ir? Contem-me as vossas compras!

 

Resumo do 1º Semestre

The Yellow Books by Vincent Van Gogh

Já vamos quase no fim de Julho, mas ainda venho a tempo de reflectir sobre os primeiros 6 meses de 2021. Ao contrário do optimismo do final de 2020 parecia indicar, o ano novo não veio trazer grandes mudanças drásticas em matéria de covid. Temos finalmente vacinas, e parece vislumbrar-se alguma luz ao fundo do túnel, mas o comprimento do túnel ainda é uma incógnita. Esta incerteza, aliada aos confinamentos e isolamentos profiláticos, não deixam muita disponibilidade para ler, quer em termos de tempo, quer em termos de disposição para o fazer. 

No entanto, 2021 foi o ano em que fiz duas descobertas. A primeira foi o Booktube, nome pomposo para canais de pessoas que fazem vídeos e leituras. A segunda foram audiolivros que efectivamente consigo ouvir e me têm ajudado na tarefa de continuar a saga dos Poirots. 

Os vídeos do Youtube são engraçados, porque tal como no Goodreads e afins, conseguimos encontrar pessoas que têm um gosto parecido com o nosso e assim ter boas e acertadas recomendações, mas também pessoas que lêem coisas diferentes e que nos sugerem livros que de outro modo não leríamos. Por outro lado, há algo estranhamente motivador em ver pessoas a mostrar os livros que compraram/leram num determinado mês, e acho que isso me incentivou bastante. 

Nos primeiros 6 meses de 2021 consegui ler 24 livros . 5 foram em português, 2 foram BD’s, 5 foram Poirots. Um dei duas estrelas, 9 dei 3 estrelas, 10 com 4 estrelas e apenas 4 levaram as 5 estrelas. Deixo-vos as minhas recomendações 5 estrelas, que sinceramente acho que valem a pena. A diferença para os outros livros que leio, é que meses depois de os ter lido, a história ainda ressoa cá dentro, e lembro-me deles muitas vezes. 

Piranesi, de Susanna Clarke – A escritora do aclamado Jonathan Strange & Mr. Norrel voltou este ano com um livro completamente diferente em tudo, inclusivamente no tamanho. A história de Piranesi é simultaneamente estranha e envolvente, que nos agarra devagarinho até não o conseguirmos pousar. Recomendo imenso!

Comer/Beber, de Filipe Melo e Juan Cavia – as BD’s desta dupla não precisam de grande explicação. Ilustrações lindíssimas, aliadas a histórias interessantes e bem desenhadas, fazem estes livros ser dos melhores que se fazem em BD. 

Romance de Cordélia, de Rosa de Lobato Faria – Esta escritora foi uma agradável surpresa para mim, porque ia com baixas expectativas. Na realidade a escrita é limpa, escorreita e as histórias são muito interessantes. Recomendo muito também.

A Biblioteca da Meia-Noite, de Matt Haig – O último a que dei 5 estrelas e que foi recentemente traduzido para português. Uma história interessante que nos fala de escolhas e o seu impacto na nossa vida. Ideal para pessoas que pensam demais. Fiquei de olho neste autor e tenciono continuar a ler livros dele. 

Se já leram algum, digam se gostaram. Se têm alguma recomendação 5 estrelas para mim, podem deixar também, que eu tentarei ler. Neste momento estou a ler um livro que acho que supera qualquer um dos anteriores, falarei aqui em breve!

Até lá, Boas Leituras!

 

 

Vantagens e Desvantagens de Ser Mood Reader

nature books

Estive durante o confinamento com muita falta de vontade de ler, mas isso não quer dizer que tenha andado afastada dos livros. Na realidade descobri o Booktube, que nada mais é que o conjunto de pessoas que fazem vídeos no Youtube com conteúdos relacionados com livros. Há muitos, para todos os géneros e feitios, mas no meio de muita coisa consegui encontrar alguns interessantes e com quem me identifico em termos de gostos literários. E foi aí que descobri este conceito de mood reader, que me descreve na realidade.

Mas afinal o que é um mood reader?

Um mood reader é uma pessoa que lê apenas aquilo que lhe apetece no momento, aquilo que o seu cérebro lhe indica. Mas não somos todos assim? Nem por isso. Há pessoas que têm listas de livros para ler, consoante os que adquiriram recentemente, ou leituras conjuntas com amigos, ou clubes de leitura. Ser um mood reader significa que nunca se faz ideia do que se vai ler a seguir, depende do apetite quando acabamos o livro em que estamos. Obviamente que tenho uma ideia geral de coisas que quero ler. No início do ano costumo fazer uma lista de objectivos que quero atingir, mas tenho que admitir que raramente me guio por ela ao longo do ano, tirando coisas muito específicas, como ler os livros do Poirot por ordem de publicação, por exemplo. Às vezes há novidades literárias que gostava de ler para comentar aqui no blog, compro o livro, mas pode passar meses no Kindle sem que me decida a pegar-lhe.

Como tudo na vida, tem vantagens e desvantagens e funciona de maneira diferente para todos. Comecemos pelas vantagens:

– Ler é um prazer e não uma obrigação. Como lemos sempre apenas aquilo que nos apetece, nunca parece mais um frete que temos que fazer, ou mais uma tarefa que temos que cumprir. É um prazer livre, entretenimento puro.

– Em geral, os mood readers lêm géneros muito variados. Posso ler 2 ou 3 Poirots de seguida e depois perceber que afinal me apetece qualquer coisa radicalmente diferente e passar para um livro de viagens, a seguir poesia ou fantasia, e seguir por aí ao sabor do momento. Não é comum termos um género favorito, vamos passeando ao sabor do momento.

– É mais raro ficarmos encalhados sem vontade de ler. Em qualquer ponto do tempo existe sempre um tipo de livro que nos apetece ler, nem que seja simplesmente uma banda desenhada para descontrair.

Mas não são só maravilhas, e também têm algumas desvantagens.

– Encontrar o livro que nos apetece pode demorar um bocado. Por vezes acabamos um livro já com a mente no próximo, ao ponto de ser quase penoso terminar o que estamos a ler porque só pensamos como vai ser a próxima leitura. Mas a maior parte das vezes não tenho ideia do que me apetece a seguir, e posso demorar um dia a “folhear” livros no meu kindle até perceber exactamente o que me vai apetecer.

– Somos incapazes de pertencer a um clube de leitura, ou um desafio de leitura como muitos que se vêem na net. A ideia de ter leituras pré-definidas até faz comichão. O facto de sabermos que temos que ler um livro a seguir, é o suficiente para nunca mais na vida o querermos ler. Exageros à parte, estava aqui a tentar lembrar-me como é que tinha feito com as leituras obrigatórias do secundário. E na realidade a maioria delas foram feitas no verão anterior, enquanto ainda era minha escolha, o que mostra que isto já vem de longe.

– Ficamos com muitos livros a meio. Eu pelo menos fico. Começo e passado um bocado o livro não corresponde às minhas expectativas ou a minha disposição mudou. Agora que sou mais relaxada com isso (antes era-me penoso interromper um livro, agora que os anos de leitura pela frente se começam a tornar mais curtos já não me custa nada) tendo a deixar o livro assim que me começa a custar lê-lo, e normalmente retomo uns dias/semanas mais tarde. Neste momento tenho 9 livros na minha lista de leituras correntes do Goodreads. Alguns se calhar não volto a pegar, mas outros estão apenas em pausa.

No meu caso acho que estas características se foram acentuando com o passar do tempo. Há medida que as obrigações se vão acumulando (laborais, parentais, familiares), custa muito que uma coisa que é suposto ser um hobby que nos dá prazer se assemelhe a essas obrigações. Tenho que me sentir completamente livre. Por isso também nunca procurei parcerias com editoras. Tenho uma com o Netgalley, e já acumulo alguns livros deles por terminar no meu kindle.

E desse lado? São mais mood readers, preferem guiar-se por uma lista pré-definida, ou estão saudavelmente no meio?

Boas Leituras!