Desafio Terminado

goodreads 2019

Nem sei bem como, mas com ainda um mês para o final do ano consegui atingir o objectivo de ler 30 livros em 2019. Ajuda que este ano reduzi o objectivo para um número realista, mas fico contente por ver que foi um ano literariamente produtivo.

Que venha 2020 e boas leituras!

Hoje Também Não Recomendo Livros

estante

Já há cerca de dois anos que recomendo livros à sexta feira para nos alegrar os fins de semana. Segundo os meus registos já aqui falei de 86 livros, que de uma maneira ou outra me encheram as medidas, me deixaram recordações e que achei pertinente partilhar com os outros.

O ano passado pedi recomendações e recebi excelentes ideias de leitura, por isso este ano pergunto o mesmo. Que livros vos chamaram a atenção nos últimos tempos e que desejam recomendar?

Boas Leituras!

Os Poirots e a Acuidade Cerebral

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Imagem daqui

Pois como os leitores deste espaço já sabem, temos um jaquinzinho de 7 meses cá em casa. E quem já conviveu com essa realidade sabe o impacto que tem no cérebro duma pessoa. Não é só a falta de dormir, se bem que esse é o factor principal, mas também as mudanças hormonais que perduram no tempo, e o facto de termos sempre tarefas para fazer. Para além das prazeirosas, como brincar com o piolho, cantar para ele, temos também fraldas para mudar, sopas para fazer, biberões a meio da noite, e isso faz com que a capacidade cerebral disponível para outras actividades seja muito diminuta.

Já a contar com isso tinha baixado o meu objectivo anual no Goodreads de 50 para 30. O que não contava é que tivesse tanta dificuldade em seguir livros mais elaborados.

Na tentativa de pôr o cérebro a mexer já pus de lado 5 livros:

Glamorama de Brett Easton Ellis: OK, neste a culpa não é só do meu cérebro. Gostei imenso do American Psycho e outros livros do autor, por isso resolvi pegar neste achando que era um valor seguro. Enganei-me. É uma sátira à star culture dos anos 90, mas o constante desfilar de nomes de celebridades aborreceu-me imenso. Ao fim de 39% de livro desisti e não sei se lá irei voltar.

Death by Black Hole de Neil deGrasse Tyson: talvez um livro de astrofísica seja exagerar um bocadinho nesta altura do campeonato. Ainda aguentei alguns capítulos, mas quando adormeci no autocarro a voltar do trabalho percebi que tenho que o deixar para outra altura. Mas irei ler com certeza, porque está interessante e bem escrito.

The Evolutionary Mechanism of Human Dysfunctional Behavior de Ivan Fuchs: tendo o curso de biologia e interesse em ler sobre o assunto achei que este não poderia falhar. Uma abordagem genética à psiquiatria tinha tudo para correr bem. Só que não. Na realidade isto pareceu-me uma tese de doutoramento transformada em livro, e não dum modo muito apelativo. Fica para mais tarde, mais um para acrescentar à lista.

Dentro da Noute, Contos Góticos, compilado por Ricardo Lourenço: este foi aquele em que cheguei mais longe. Uma antologia de contos de escritores clássicos, portugueses e brasileiros, sempre na vertente gótica e macabra. Li todos os portugueses (desde Eça a Florbela Espanca, para nomear os meus favoritos), mas já não continuei para os brasileiros. Culpa inteiramente minha, que me cansei da linguagem antiga e rebuscada. A vantagem de serem contos é que em qualquer altura leio mais um.

Physics of the Impossible de Michio Kaku: mais um de física, que só um não chegava. Um livro onde um conceituado físico analisa vários exemplos de ficção científica para perceber se são impossibilidades científicas ou se com o avanço da ciência virão um dia a ser possíveis. Passamos por Klingons e Harry Potter, e é muito engraçado. Voltarei a ele com certeza.

E pronto, enquanto não melhoro a minha capacidade cerebral tenho sempre os mistérios do Poirot e do Inspector Maigret para me animar. Mas espero voltar a alguns destes livros num futuro próximo. Se tiverem lido algum, digam se vale a pena.

Boas leituras!

Fui Ver – Variações

variacoes
Os peixes adultos cá de casa aproveitaram umas horas livres que tiveram para ir ao cinema. Queríamos ver uma coisa simples e divertida e resolvemos ir ver o tão falado Variações. Só falhou na parte do divertimento, porque acabou por ser bastante mais triste do que antecipavamos.

No geral o filme está muito interessante e bem conseguido, quer na história quer visualmente. É fácil seguir e perceber o percurso do artista, as suas angústias, a sua vontade de ser bem sucedido no mundo da música, sem nada saber dela para além do que sentia dentro.

Eu senti que se calhar soube a pouco, que não se aprofundou mais para além do que já é do domínio público, ficou por conhecer algo sobre aquilo que o motivava. Por outro lado Sérgio Praia encarnou muito bem no personagem, até os maneirismos estavam parecidos. Uma boa interpretação.

Penso muitas vezes como teria evoluído o “personagem” António Variações caso tivesse sobrevivido até hoje. O que era diferente e espantoso nos anos 80 lisboetas, é hoje banal e corriqueiro. Nunca saberemos.

Entretanto deixo-vos a minha música favorita de António Variações aqui.

Bons filmes e boas leituras!

Finalistas do Man Booker 2019

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Desde que nasceu o jaquinzinho, o Peixinho parece aqueles jornais regionais que dão as notícias com um mês de atraso. Isto para dizer que já saíu a lista de finalistas para o Man Booker 2019 no dia 3 de Setembro, e só agora venho aqui falar disso.

Este ano temos 6 finalistas de peso, alguns nomes já aqui falados, como Margaret Atwood e Salman Rushdie, outros que quero ler como Elif Shafak. Este ano ainda não tive a oportunidade de ler nenhum deles, mesmo tendo alguns estado disponíveis no Netgalley. Aliás o de Salman Rushdie ainda lá está, mas só em wish list.

Fico curiosa para saber quem vai ser o vencedor, porque este ano promote. Se alguém já leu algum destes livros, partilhe comigo se vale mesmo a pena. A 14 de Outubro saberemos o vencedor, ou, se seguirem pelo Peixinho, algum tempo indeterminado depois. Em baixo, a lista completa.

Margaret Atwood, The Testaments – sequela do Handmaid’s Tale, o seu livro tornado ainda mais famoso pela série de TV. Passa-se 15 anos depois do final do livro anterior.

Lucy Ellmann, Ducks Newburyport – um retrato acutilante da América dos dias de hoje, feito por uma dona-de-casa do Ohio. Pelo resumo que li parece-me bastante interessante.

Bernardine Evaristo , Girl, Woman, Other – seguimos os destinos de 12 personagens negras e britânicas por todo o país.

Chigozie Obioma , An Orchestra of Minorities – amores desencontrados na Nigéria e a história de Chinonso, que por amor vai tentar estudar no Chipre, e o que se segue é uma odisseia inspirada em Homero.

Salman Rushdie, Quichotte – Como este autor já nos habituou, este livro está recheado de humor, acção e ritmo. Um conto de amor quixotesco passado na América dos dias de hoje.

Elif Shafak, 10 Minutes 38 Seconds in This Strange World – talvez o mais interessante de todos os finalistas, na minha humilde opinião. Nos primeiros minutos após a sua morte, Leila vai relembrando as memórias mais relevantes da sua vida, com todos os sentidos, enquanto os amigos a tentam descobrir. Sem dúvida um livro a descobrir.

Boas Leituras!

Vieira da Silva no Colombo

Vieira da Silva

Com um cachopo de 4 meses a nossa possibilidade de aproveitar a oferta cultural de Lisboa fica um pouco reduzida, mas mesmo assim nunca é cedo demais para expor uma criança a boa arte. Foi nesse espírito que fomos conhecer mais uma iniciativa do Colombo, desta vez com Vieira da Silva.

No passado já tínhamos ido lá ver Paula Rego e Roy Lichtenstein, e gostámos muito, por isso desta vez íamos com grandes expectativas.

A exposição é na realidade uma instalação artística imersiva, com cor, luz e som, que nos faz literalmente entrar na obra da pintura, recorrendo a muitos quadros que estão expostos no seu Museu do Príncipe Real. A experiência é muito intensa, e por vezes vertiginosa, mas muito interessante. Temos 3 salas, com temáticas e ambientes diferentes, e quando fomos tivémos a sorte de estar sempre sózinhos a apreciar cada uma delas.

No final fomos brindados com a explicação que quem apresentar o programa da exposição no Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva tem um bilhete grátis na compra doutro. Ou seja, mais uma oportunidade de levar o Jaquinzinho a ver pintura.

A exposição está no Colombo até dia 26 de Agosto, aproveitem que é muito interessante, gratuita e uma boa sugestão para uma manhã de férias.

Boas Leituras e Boas Férias!

O Peixinho e os Acentos

acentos

Desde a escola primária que senpre embirrei com os acentos. Para mim quase todas as palavras ficavam melhor sem eles, e os raros erros que dava nos ditados tinham a ver com a falta de acentuação de algumas palavras, ou com acentos postos a mais numa tentativa de não cometer mais erros.

Quando aderi ao digital o problema atenuou-se artificialmente, já que o corrector ortográfico era uma bela ajuda e punha-me religiosamente os acentos no seu devido local.

E porque é que vos falo disto hoje? Porque a plataforma da WordPress tinha um belíssimo corrector incluído e no final de escrever cada post eu fazia uma rápida verificação que me corrigia os sítios onde tinha acentos a mais ou a menos. Mas, pelo menos no meu, essa funcionalidade desapareceu há algumas semanas, o que torna a minha escrita mais lenta na tentativa de não falhar nenhum (odeio textos com erros ortográficos). Claro que poderia escrever primeiro em Word e depois passar para aqui, mas já mal tenho tempo de manter actualizado directamente aqui, não necessito de passos extra.

Portanto, se souberem como repor a funcionalidade do corrector, por favor partilhem comigo. Até lá, acreditem que me estou a esforçar, mas se virem aberrações ortográficas, dêm o devido desconto à minha incapacidade de acentuar!

Boas leituras, sem erros!

Man Booker Internacional 2019

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Como sempre venho dar-vos conta dos vencedores do Prémio Man Booker, desta vez não anglo-saxónicos. Este ano a vencedora foi a escritora de Oman, Jokha Alharthi, a primeira mulher do seu país a ser traduzida para inglês.

Este livro conta-nos a história de 3 irmãs que se tornam adultas ao mesmo tempo que o seu próprio país (Omã) vai evoluindo e modificando depois dos anos do colonialismo britânico.

Agora com a Feira do Livro à porta, pode ser uma boa sugestão.

Boas Leituras!

Prémio Camões 2019

chico buarque

No passado dia 22 ficou conhecido o vencedor do Prémio Camões 2019, o muito aclamado escritor de livros e canções, Chico Buarque.

Mas o que é o Prémio Camões? Instituído em 1988 pelos governos de Portugal e do Brasil, destina-se a premiar um autor cuja obra tenha contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa. Tem um valor pecuniário, mas é também prestigiante sendo o prémio mais relevante da literatura portuguesa.

Apesar de ser de iniciativa luso-brasileira, contempla autores de toda a lusofonia, e até ao momento só não foram contemplados escritores timorenses, guineenses e são tomenses.

Dos 31 premiados até à data apenas li 6, entre portugueses, brasileiros e moçambicanos. Por um lado considero estar em défice (Germano de Almeida está eternamente na minha lista de próximos a ler), por outro lado acho que esta lista tem muito de consensual e óbvio. Premiar Chico Buarque foi de certo modo dar uma pedrada no charco e quebrar com esse padrão, o que me deixou entusiasmada.

Fica a sugestão, e Boas Leituras!

Os Mortos Ainda Dançam

dead can dance
Foto de Rita Carmo, retirada daqui

Em Setembro passado, sensivelmente uma semana antes de saber que estava grávida, os Dead Can Dance anunciaram duas datas para concerto em Lisboa. Sendo o que mais se aproxima do conceito de minha banda favorita, que ao contrário de muitas, não tem perdido qualidade com o passar dos anos. E são muitos, já que a banda formou-se em 1981, tendo começado por ser mais ou menos gótica (editada pela mítica 4AD) mas enveredando mais tarde pelos caminhos da World Music sofisticada.

Comecei a ouvi-los no início dos anos 90, quando uma das minhas alunas (eu dei explicações de matemática e afins durante 16 anos) me ofereceu um CD de Mariah Carey, e eu, depois de agradecer e dizer que gostava muito, fui imediatamente trocar na saudosa Valentim de Carvalho do Fonte Nova. Quando lá cheguei resolvi arriscar no The Serpent’s Egg, porque gostei muito da capa e já me tinham falado bem da banda. E assim começou um amor sincero por músicas que me fazem levantar voo e partir por muitos mundos internos.

E na sexta feira, dia 24, graças a umas queridas amigas que nos ficaram com o jaquinzinho, lá conseguimos ir ao tão esperado concerto.

O que para mim é incrível é a qualidade da voz quer da Lisa quer do Brendan, considerando que já não são meninos novos. As músicas continuam excelentes, tocaram as minhas duas favoritas, Cantara e Host of Seraphim, e eu senti-me levantar voo durante todo o concerto. O ambiente na Aula Magna estava mágico, como se um grande grupo de amigos estivesse a ouvir música. Um privilégio!

Nota também para o concerto de abertura, David Kuckhermann, que tocava uma espécie de discos voadores (handpan), foi acarinhado por todos e preparou lindamente o terreno para o que se passou a seguir.

Boas leituras e boas músicas!