Hoje não recomendo livros

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Faz sensivelmente um ano que comecei este espaço às sexta feiras de recomendar livros que de algum modo foram importantes para mim, e nesse tempo referi 48 títulos de vários géneros, autores portugueses e estrangeiros.

Ainda tenho alguns na manga, fruto de muitos anos como leitora, por isso espero continuar a partilhar convosco os livros que preenchem o meu imaginário.

Mas hoje, no aniversário desta rúbrica, gostava que fosse ao contrário. Quais são os livros que me recomendam a mim? Quais as histórias que enchem a vossa imaginação, coração, mente, e que gostavam de partilhar?

Há sempre espaço para novas ideias de leitura, por isso vou ficar à espera de ser surpreendida.

Boas Leituras!

Ponto da Situação

Goodreads Challenge

O Peixinho este ano tem dois desafios. O maior de todos, autoproposto, de não comprar mais livros em 2018, tem andado a correr bem. Não podemos obviamente contar com livros comprados para oferecer, e sem eles não tenho comprado mais nada. O outro Peixe cá de casa tem prevaricado, mas o desafio não é dele, por isso não conta.

Também já vendemos alguns livros dos quais gostavamos, mas que não se coadunavam com o tipo de livros que queremos manter na biblioteca pessoal, que prima pela falta de espaço. Neste frente, tudo a correr bem.

O outro desafio, puramente de competetividade pessoal, é o número de livros a que me proponho ler no inicio do ano no Goodreads. Este ano, como na maioria dos anos, a meta eram 50 livros, e ainda não a atingi. Nada de novo, isto é uma maratona e não um sprint, e cada livro deve ser saboreado e apreciado. Ainda por cima o livro que tenho em mãos no momento, um épico de fantasia, tem a módica quantia de 814 páginas, por isso não há mesmo pressas.

Mas estamos na reta final dum ano que foi (e continua a ser) para mim muito cheio de eventos, nem todos felizes mas todos com algum grau de stress associado, por isso os livros também ajudam a descontrair e relaxar um bocadinho. Faltam 6, um tirinho como se diz cá por casa.

Boas Leituras!

Sobre a Poesia

poesia

Está quase a fazer um ano que começou a rubrica de poesia às segundas no Peixinho. Dá para perceber que gosto mesmo muito de poesia. Gosto desde miúda. Assim que aprendi a escrever enchi resmas de cadernos pautado com quadras sobre o meu quotidiano infantil.

A adolescência foi passada a escrever longas litanias angustiadas sobre solidão e desespero, e os rapazes que não gostavam de mim, enquanto na realidade eu era completamente cega àqueles que efectivamente estavam presentes. E hoje em dia sempre que a vontade surge dentro de mim escrevo umas linhas num ecrã.

Com o passar do tempo a escrita de poemas foi acompanhada pela leitura, primeiro dos óbvios, depois a descoberta de territórios mais inóspitos.
Tenho com a poesia a mesma relação que com a pintura: se gosto, é boa. Não analiso um poema desde o descalça vai para a fonte Leonor pela verdura, que convenhamos, é bastante convencional.
Tudo o que estudei sobre métrica, metáforas e coisas afins, está soterrado por baixo de anos de conhecimento inútil.

No outro dia pesquisei na net um curso de poesia. Há imensos de teatro, fotografia, dança, pintura, e nem todos vão ser actores, fotógrafos, bailarinos, pintores. Mas todos serão espectadores e consumidores mais informados e participativos.
Gostava que a poesia também se abrisse assim aos comuns mortais, e não ficasse encerrada no Olimpo de onde só se vislumbram umas Adilias, uns José Luíses e outras divindades maiores,  mas que pudéssemos apreciar todo o  panteão.

Ou então a poesia é mais para sentir, como quem vai a uma casa de fados e eu tenho é de encontrar uma tertúlia onde se bebam uns copos e recitem uns poemas.

Até lá vai sendo por aqui, nos postais dos amigos, em casa, onde posso. Poesia ajuda-me a pôr a vida em perspectiva.

Boas Leituras!

Vencedor Man Booker 2018

Manbooker 2018

Há algumas semanas vim aqui partilhar quem eram os finalistas do Man Booker 2018 e as minhas impressões sobre cada um apreciando apenas a sinopse.

Ontem foi finalmente anunciada a vencedora deste ano, que era a primeira finalista, Anna Burns com Milkman. Tal como disse no artigo anterior, parece-me uma aposta interessante e que tenho vontade de ler, contrariamente ao vencedor do ano passado, que me parece apenas chato.

Pelo que leio nos comentários é daqueles livros que se ama ou odeia, por isso considero um desafio lê-lo. Hei-de fazê-lo em breve.

Boas Leituras!

Fim de Semana em Constância

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Ler – A actividade principal do fim-de-semana

Ora depois de andarmos aqui em bolandas, decidimos que o melhor mesmo era aproveitar o previsivelmente último fim de semana de bom tempo e rumar a um sitio perto que ainda não conhecêssemos. A escolha recaiu em Constância, uma vila não muito longe de Lisboa, onde o Zêzere encontra o Tejo, e é isso que a torna especial.

Partimos na sexta para aproveitar o feriado, e fomos direitos ao Castelo de Almourol, outro dos sítios que ainda não conhecíamos. No caminho parámos no Restaurante Almourol para um almoço calmo, e ficámos agradavelmente surpreendidos. Apesar de muito cheio (para a próxima reservamos), o serviço foi bom e a comida bastante interessante. Eu comi um lombo de fataça, peixe que desconhecia, e fiquei fã. O peixe no forno do outro Peixinho já não estava tão bom, por isso win some lose some.

Se chegarem cedo, ou reservarem conseguem ainda uma bela vista para o Tejo que passa mesmo ali ao lado. Recomendo, gostámos muito.

Dali fomos então ver o Castelo de Almourol, para desmoer e conhecer mais uma coisa nova. É realmente bonito, numa paisagem privilegiada, mas para apanhar o barco até lá implicava esperar ao sol, e resolvemos deixar para outra vez. Estará agora uns dias fechado para renovações, mas não será muito tempo.

Finalmente rumo a Constância, ou melhor uma quinta sossegada a cerca de 2kms, que foi a nossa morada durante os 3 dias do fim de semana. Foram uns dias mesmo para descansar. Além dum passeio a Constância à beira Tejo e Zêzere, ainda fomos almoçar ao Dom José Pinhão, um restaurante simpático. Mas a maioria do tempo foi passado a ler à beira de piscina ou a passear pela quinta para ver os animais.

Já fazia falta um tempo assim, relaxado e sem mais preocupações que o grupo gigante de pessoas que ficaram na casa ao lado com uns miúdos que aparentemente tinham pilhas para gritar quase 24h por dia e cujo principal passatempo era fazerem bombas na piscina. Mas não pode ser tudo perfeito, se não custa mais voltar a trabalhar.

Mas Constância é uma zona simpática, com uma envolvente bonita e onde se come uma bela comida ribatejana. Eu pessoalmente recomendo a fataça, que não conhecia, mas que fiquei muito fã. E claro, tem uma imensidão de sítios bonitos e sossegados para ler.

Bons passeios e boas leituras!

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O Castelo de Almourol
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A piscina, local onde se passou toda a leitura
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O Zêzere e o Tejo encontram-se em Constância
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Fataça, uma iguaria que passei a conhecer

Ler nas Salas de Espera

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Por motivos variados o Peixinho tem passado bastante tempo em salas de espera de hospitais, centros de saúde,  finanças e outros serviços em geral. Às vezes temos de andar ao sabor do que a vida nos traz, e tem sido esse o meu périplo ultimamente.

Esperava eu que estando tantas horas sentadinha numa cadeira de Kindle na mão, os livros se sucedessem a um ritmo vertiginoso e eu estivesse a quebrar records de leitura. No entanto não tem sido bem assim.

Na realidade não consigo imaginar sítio menos propício a uma boa leitura que uma sala de espera. Quando estive 5 horas nas urgências devo ter lido no total 2 capítulos, e pouco me lembro do que li. Estando nas urgências estava obviamente preocupada e com pouca cabeça para leituras complexas. Até aí nada de mais, escolhi um Poirot que é uma coisa simples e de processamento mental fácil.

Mas depois temos um número que nos foi atribuído, e sabemos que a qualquer momento somos chamados. Nós e as dezenas de pessoas na mesma sala. O que significa que cada vez que o placard com as senhas apita, e fá-lo quase de 30 em 30 segundos, temos de levantar os olhos para ver se chegou a nossa vez. E este ritual processa-se durante todo o tempo que estamos à espera, impossibilitando qualquer tipo de concentração.

E a sensação é a mesma, quer esteja no hospital, nas finanças ou nos CTT. Por isso continuo alegremente a avançar mais na leitura nas horas que passo no autocarro, ou nalguns serões literários do que em salas de espera onde a vigilância é constante.

Boas Leituras!

Livros e Música no Fim-de-Semana

Lisb-On 2

Este fim-de-semana que passou eu tinha muitas tentações à porta. Era a já famosa Festa do Livro de Belém, à qual fui pela primeira vez o ano passado, diverti-me muito e acabei por não resistir a comprar um livro do Gonçalo Cadilhe que terminei de ler estas férias.

Mas como sabem o Peixinho está determinado em não comprar livros este ano, por isso tinha de encontrar alternativas. Entretanto era também o fim-de-semana do meu festival de música favorito, o Lisb-on, eu já tinha comprado bilhetes para Domingo há meses e estava animadíssima.

Trocar música por livros, parece-me bem, uma tarde bem passada é sempre uma tarde bem passada. Claro que o que eu não contava é que depois de tanto tempo à espera em ansiedade, na semana antes do concerto apanhei uma bicheza qualquer desconhecida e estive com uma febre baixa mas persistente durante mais de uma semana, e estava bastante debilitada.

Por isso o que se esperava uma festa de dançar sem parar, na realidade tornou-se numa dança de cadeiras. Sentadinha num banco de jardim próxima do Hilside Stage, depois sentadinha na colina a ouvir os dois palcos ao mesmo tempo, depois sentadinha a jantar e a ouvir o palco principal. Depois finalmente um pezinho de dança no palca principal durante Larry Heard, que fez com que quase caísse dentro do wc portátil quando fui fazer um xixizinho a seguir.

Mas valeu a pena, como sempre. É o meu festival favorito porque a localização é muito bonita, central, um jardim de música mesmo. Para o ano espero estar mais arrebitada, e quem sabe conseguir usufruir do jardim da música e da escrita.

Boas leituras!

Lisb-On

Ponto da Situação

estante

Logo no início do ano vim aqui fazer um desafio a mim própria de não comprar nenhum livro este ano, na tentativa de ler os que ainda tenho aqui na estante ao mesmo tempo que me vou desfazendo de alguns que tenho cá por casa e que nunca mais relerei. A situação é grave, já tenho duas filas de livros em frente uma à outra, livros por cima, e espalhados pelo resto da casa.

Eu tenho-me mantido fiel ao desafio, recebi livros pelo aniversário, que já li, mas ainda não comprei nada. O outro Peixe cá de casa já comprou alguns livros, mas ele está livre destes meus desafios, obviamente. Também já li os livros que ele comprou.

O balanço é claramente positivo. Este ano que está longe de ter chegado ao fim, já li 9 livros que andavam por cá na estante a ganhar pó, e alguns já ganharam uma nova casa. O ano passado, por comparação, li 8 livros cá de casa no ano todo. O plano para o resto do ano vai ser continuar a ler livros que tenho por aqui, intercalados com outros, para continuar a dar um rumo mais coerente à minha colecção de livros.

Mas mais tarde, porque neste momento, e contrariamente ao que disse num post anterior, que só era capaz de ler um livro de cada vez, estou a ler um livro no Kindle e uma BD. Comecei pela BD, que é longa e complexa e está a demorar-me mais do que eu antecipei. Como não consigo transportá-la comigo, lá tenho de ler outra coisa no autocarro. O que significa que nunca mais acabo nem um, nem outro. Enfim, há problemas piores.

Boas Leituras!

Uma Nova Livraria

Trezor
Foto daqui

Pode sempre parecer estranho nos dias que correm uma nova livraria que abre, quando a tendência é vê-las a fechar e cada vez mais as pessoas que lêem são uma raridade. No entanto ainda vamos tendo algumas boas surpresas, como nos dá conta esta entrevista do Público.

Se razões nos faltassem para (mais) uma visita ao Porto, agora temos mais um motivo para dar lá um saltinho, conhecer a Trezor, escolher um livro, folheá-lo e discuti-lo enquanto bebemos uma cerveja. Tudo isto sem recorrer ao telemóvel, claro, esse grande inimigo da leitura. Se forem até lá antes de mim, digam-me o que acharam.

Boas leituras!