Vieira da Silva no Colombo

Vieira da Silva

Com um cachopo de 4 meses a nossa possibilidade de aproveitar a oferta cultural de Lisboa fica um pouco reduzida, mas mesmo assim nunca é cedo demais para expor uma criança a boa arte. Foi nesse espírito que fomos conhecer mais uma iniciativa do Colombo, desta vez com Vieira da Silva.

No passado já tínhamos ido lá ver Paula Rego e Roy Lichtenstein, e gostámos muito, por isso desta vez íamos com grandes expectativas.

A exposição é na realidade uma instalação artística imersiva, com cor, luz e som, que nos faz literalmente entrar na obra da pintura, recorrendo a muitos quadros que estão expostos no seu Museu do Príncipe Real. A experiência é muito intensa, e por vezes vertiginosa, mas muito interessante. Temos 3 salas, com temáticas e ambientes diferentes, e quando fomos tivémos a sorte de estar sempre sózinhos a apreciar cada uma delas.

No final fomos brindados com a explicação que quem apresentar o programa da exposição no Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva tem um bilhete grátis na compra doutro. Ou seja, mais uma oportunidade de levar o Jaquinzinho a ver pintura.

A exposição está no Colombo até dia 26 de Agosto, aproveitem que é muito interessante, gratuita e uma boa sugestão para uma manhã de férias.

Boas Leituras e Boas Férias!

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O Peixinho e os Acentos

acentos

Desde a escola primária que senpre embirrei com os acentos. Para mim quase todas as palavras ficavam melhor sem eles, e os raros erros que dava nos ditados tinham a ver com a falta de acentuação de algumas palavras, ou com acentos postos a mais numa tentativa de não cometer mais erros.

Quando aderi ao digital o problema atenuou-se artificialmente, já que o corrector ortográfico era uma bela ajuda e punha-me religiosamente os acentos no seu devido local.

E porque é que vos falo disto hoje? Porque a plataforma da WordPress tinha um belíssimo corrector incluído e no final de escrever cada post eu fazia uma rápida verificação que me corrigia os sítios onde tinha acentos a mais ou a menos. Mas, pelo menos no meu, essa funcionalidade desapareceu há algumas semanas, o que torna a minha escrita mais lenta na tentativa de não falhar nenhum (odeio textos com erros ortográficos). Claro que poderia escrever primeiro em Word e depois passar para aqui, mas já mal tenho tempo de manter actualizado directamente aqui, não necessito de passos extra.

Portanto, se souberem como repor a funcionalidade do corrector, por favor partilhem comigo. Até lá, acreditem que me estou a esforçar, mas se virem aberrações ortográficas, dêm o devido desconto à minha incapacidade de acentuar!

Boas leituras, sem erros!

Man Booker Internacional 2019

190521 winner graphic

Como sempre venho dar-vos conta dos vencedores do Prémio Man Booker, desta vez não anglo-saxónicos. Este ano a vencedora foi a escritora de Oman, Jokha Alharthi, a primeira mulher do seu país a ser traduzida para inglês.

Este livro conta-nos a história de 3 irmãs que se tornam adultas ao mesmo tempo que o seu próprio país (Omã) vai evoluindo e modificando depois dos anos do colonialismo britânico.

Agora com a Feira do Livro à porta, pode ser uma boa sugestão.

Boas Leituras!

Prémio Camões 2019

chico buarque

No passado dia 22 ficou conhecido o vencedor do Prémio Camões 2019, o muito aclamado escritor de livros e canções, Chico Buarque.

Mas o que é o Prémio Camões? Instituído em 1988 pelos governos de Portugal e do Brasil, destina-se a premiar um autor cuja obra tenha contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa. Tem um valor pecuniário, mas é também prestigiante sendo o prémio mais relevante da literatura portuguesa.

Apesar de ser de iniciativa luso-brasileira, contempla autores de toda a lusofonia, e até ao momento só não foram contemplados escritores timorenses, guineenses e são tomenses.

Dos 31 premiados até à data apenas li 6, entre portugueses, brasileiros e moçambicanos. Por um lado considero estar em défice (Germano de Almeida está eternamente na minha lista de próximos a ler), por outro lado acho que esta lista tem muito de consensual e óbvio. Premiar Chico Buarque foi de certo modo dar uma pedrada no charco e quebrar com esse padrão, o que me deixou entusiasmada.

Fica a sugestão, e Boas Leituras!

Os Mortos Ainda Dançam

dead can dance
Foto de Rita Carmo, retirada daqui

Em Setembro passado, sensivelmente uma semana antes de saber que estava grávida, os Dead Can Dance anunciaram duas datas para concerto em Lisboa. Sendo o que mais se aproxima do conceito de minha banda favorita, que ao contrário de muitas, não tem perdido qualidade com o passar dos anos. E são muitos, já que a banda formou-se em 1981, tendo começado por ser mais ou menos gótica (editada pela mítica 4AD) mas enveredando mais tarde pelos caminhos da World Music sofisticada.

Comecei a ouvi-los no início dos anos 90, quando uma das minhas alunas (eu dei explicações de matemática e afins durante 16 anos) me ofereceu um CD de Mariah Carey, e eu, depois de agradecer e dizer que gostava muito, fui imediatamente trocar na saudosa Valentim de Carvalho do Fonte Nova. Quando lá cheguei resolvi arriscar no The Serpent’s Egg, porque gostei muito da capa e já me tinham falado bem da banda. E assim começou um amor sincero por músicas que me fazem levantar voo e partir por muitos mundos internos.

E na sexta feira, dia 24, graças a umas queridas amigas que nos ficaram com o jaquinzinho, lá conseguimos ir ao tão esperado concerto.

O que para mim é incrível é a qualidade da voz quer da Lisa quer do Brendan, considerando que já não são meninos novos. As músicas continuam excelentes, tocaram as minhas duas favoritas, Cantara e Host of Seraphim, e eu senti-me levantar voo durante todo o concerto. O ambiente na Aula Magna estava mágico, como se um grande grupo de amigos estivesse a ouvir música. Um privilégio!

Nota também para o concerto de abertura, David Kuckhermann, que tocava uma espécie de discos voadores (handpan), foi acarinhado por todos e preparou lindamente o terreno para o que se passou a seguir.

Boas leituras e boas músicas!

Feira do Livro 2019

feira do livro 2019

Pois é, já estamos a chegar àquela altura do ano em que qualquer amante de livros se sente entusiasmado e predisposto a separar-se de alguns euros em troca de boa leitura (hum… talvez isso seja o ano todo).

Na realidade, como eu já tenho falado aqui, a Feira do Livro tem sido tomada de assalto pelos grandes grupos editoriais e tem perdido ao longo dos anos aquela mística de livros esquecidos no fundo de baús que são verdadeiros tesouros a preços simpáticos. Quantas vezes eu descobri autores novos simplesmente porque a capa e o ser livro do dia me chamava a atenção e saía da feira com mais um “amigo”.

Mas mesmo assim a feira não perde a sua aura de festa, de local privilegiado para se dar um passeio no meio de gente com o mesmo interesse que nós, ao mesmo tempo que se come um gelado ou outra iguaria das muitas que hoje populam o espaço. Quando era miúda, feira era sinónimo de queijadas de Sintra, já que os meus pais compravam um pacote para a família partilhar.

Por isso de 29 de Maio a 16 de Junho passem pelo Parque Eduardo VII e digam-me como aquilo está, que este ano parece-me que vou ter de passar a oportunidade.

Ainda o Game of Thrones

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Não deve haver ninguém com acesso ao mundo digital que não saiba que está a ser transmitida a tão esperada última temporada do Game of Thrones. Mesmo aqueles que aproveitam todas as oportunidades para nos relembrar que nunca assistiram a um episódio. Ora, eu tive uma relação tardia com esta série. Li os livros e estava bem assim, tirando o facto de que o senhor George R. R. Martin nunca mais se digna a terminar os últimos volumes para finalmente percebermos o que iria acontecer em Westeros.

Quando finalmente perdi a esperança de alguma vez saber o final da história via livro, resolvi que ver a série era melhor que nada, já que pelo menos me traria algum sentimento de conclusão a uma história que andou comigo desde 2012. Por isso o ano passado vi todas as seasons de empreitada e fiquei pacientemente à espera que este ano terminasse a agonia.

Eu nem sou pessoa de estar sempre a refilar do que está diferente na série/filme em relação ao livro que lhe deu origem. Há concessões que têm que ser feitas, liberdades artísticas que têm que ser tomadas, etc. Mas esta é a primeira temporada que não tem rigorosamente nada dos livros em que se apoiar, e isso é gritante. As incongruências, soluções fáceis e previsiveis que nos têm sido apresentadas são mais que muitas.

No fundo, parece as coisas que eu escrevia, com as devidas distâncias. Quando eu era miúda adorava escrever contos. Começava sempre com histórias muito elaboradas, um belo plano de acção. Depois aborrecia-me, mas como não queria deixar aquilo por terminar, dava assim um final a correr, escrito às 3 pancadas, só para me livrar daquilo. Na realidade, se pensar bem no assunto, era também assim que eu fazia os meus exames de faculdade. Não tinha paciência para estar 3 horas fechada numa sala a escrever, começava a ter ataques de liberdade, e acabava tudo de qualquer maneira só para poder sair da sala.

Na realidade os argumentistas do GOT parecem estar a ter uma maciço ataque de liberdade.

Depois, é incrivelmente mais dificil seguir uma série quando se tem um piolho de mês e meio cuja principal função na vida é chorar, tentar ensurdecer os pais ou levá-los à loucura. Temos sorte se conseguirmos acabar de ver um episódio antes de ser transmitido o da semana seguinte. O que significa que andar no Facebook é como pisar terreno minado, porque aparentemente o novo desporto é inundar as redes sociais de spoilers e tentar estragar a experiência a todos os desgraçados que não estão agarrados à televisão às 2 da manhã.

E pronto, queria partilhar o meu descontentamento sobre o GOT, coisa na realidade pouco relevante, mas que se coaduna com a minha capacidade cerebral do momento.

Boas Leituras!

Novidades do Cardume

Bebe Peixinho

No passado dia 1 de Abril o cardume cá de casa aumentou para 3 membros. Depois de durante anos me dizerem que não era possível engravidar, a natureza resolveu que ela é que mandava e mandou-nos o Pedro.

Como podem imaginar, para além de toda a vida mudar de repente, também os hábitos de leitura têm que ser ajustados.
Durante a gravidez parecia que tinha deixado de ter custódia de parte dos meus neurónios e simplesmente não conseguia ler nada elaborado. Não me conseguia concentrar e tinha sempre o cérebro ocupado com imensa coisa.

Agora que o bebé nasceu e é um malandro chorão, estou sempre mais perto do estado de zombie contemplativo do que de leitora. Além disso tenho alguns “livros técnicos” (ver foto acima) para ler para esta nova vida.

Assim sendo, em Abril consegui ler um livro de viagens e dar um bom avanço no volume seguinte da série Wheel of Time, o que considero uma grande vitória. Em Maio vou continuar pacatamente a ler o livro de Robert Jordan, e quem sabe consigo mais parte de outro. Devagar se vai continuando por aqui.

Boas leituras!

A Verdade no Teatro Aberto

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Mais uma vez o Peixinho não deixou escapar uma peça em cena no Teatro Aberto. Na realidade desta vez tivemos que escolher se queríamos saber a Verdade ou a Mentira, já que são dois os espectáculos em cena, com os mesmos actores/personagens, mas histórias sensivelmente diferentes que nos confrontam com o peso de dizer ou esconder verdades e mentiras. Acabámos por escolher a Verdade, quer por questões de calendário, quer por questões de argumento. É possível ver as duas, claro, mas ficámos por aqui.

O espectáculo é uma comédia, para variar um bocadinho dos últimos que temos visto, mas apesar disso consegue, duma maneira leve, falar das dificuldades dos relacionamentos, das escolhas diárias que fazemos naquilo que revelamos ou não aos outros, e das teias relacionais em que muitas vezes estamos enredados. Foi uma boa experiência, como sempre com aquele toque de Teatro Aberto, onde os figurinos e os cenários são muito bem pensados e caem que nem luvas na história.

Aconselho muito a todos os que gostam de teatro, ou os que gostam dumas horas bem passadas em boa companhia. tudo é bom para nos libertar da ditadura do pequeno ecrã.

Boas Leituras, e Bons Espectáculos!

A Ulmeiro Renascida

ulmeiro

 

O Peixinho já se fartou de aqui falar da livraria Ulmeiro (nome correcto Livrarte, embora ninguém a conheça por esse nome), um alfarrabista/editor de Benfica que se encontrou em risco de fechar e que tem vindo lentamente a recuperar visitantes e a ser dinamizado. Podem ver artigos aqui e aqui.

Esta semana saiu mais uma notícia acerca deste renascimento, já que o dono e editor da Ulmeiro vai voltar à carga com novas edições de literatura portuguesa e brasileira. Para serem vendidos na livraria própria e não só.

Vai fazer também uma exposição sobre os 50 anos de história da sua editora na Fábrica do Braço de Prata sem data marcada ainda.

Eu fico muito contente por ver quando passo por lá diariamente no meu regresso a casa que a livraria tem sempre gente a desbravar aquelas largas centenas de títulos à procura dum tesouro especial. Eu própria já passei por lá muitas vezes, essencialmente em busca de poesia, mas ainda não encontrei o livro que me espera.

Se estiverem em Lisboa/Benfica passem por lá, vale a pena. Até lá, boas leituras!

Notícia e foto aqui.