Festival Internacional da Máscara Ibérica

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Já há vários anos que eu queria assistir a este Festival, mas por uma razão ou por outra acabava sempre por falhar a data e por perder o evento. O ano passado, depois de perceber que não só tinha perdido o evento, mas também um concerto de Galandum Galandaima, meti imediatamente um lembrete no meu Google Calendar já para 2018 e esperei ansiosamente um ano pela data correcta.

Foi por isso com alguma antecipação que fui este sábado que passou assistir ao desfile de todos os grupos que vieram à Praça do Império desfilar em quentíssimos fatos de Inverno debaixo do inclemente sol de Primavera com muita animação e energia.

Tínhamos grupos portugueses, espanhóis, irlandeses e um brasileiro, e a temática demoníaca era comum a todos. Eu adoro não só a estética destes carnavais (para mim os únicos que me interessam), como a música de inspiração celta (adoro percussão), por isso para mim foi uma tarde em cheio.

Os meus grupos favoritos acabaram por ser os caretos de Bragança e os de Podence pela festa que trouxeram e pelas “maldades” que fizeram. Qualquer mulher da organização que andasse lá pelo meio não foi poupada, e mesmo uma fotógrafa não se escapou a ser mandada ao chão e andar a rodopiar nas mãos de vários “diabos”. Uma alegria para nós, menos para ela, imagino eu pela cara de pânico da senhora. Os grupos espanhóis também souberam fazer a festa, e foi uma tarde muito bem passada. Deixo-vos com algumas (más) fotos, todas tiradas a contra-luz.

Para o ano por esta altura espero repetir, o desfile e a sidra asturiana que era bem boa. Mais informações aqui.

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(Más) Notícias de Aljezur

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Eu hoje tinha programado um artigo sobre o último livro que li, precisamente um livro sobre geografia e alterações climáticas, mas tive que alterar e vir aqui falar da minha tristeza com a notícia que soube ontem.

Foi autorizado, sem estudo de impacto ambiental, o furo de prospecção de petróleo ao largo de Aljezur. Tudo isto passa de fininho, no meio de horas sem fim de noticiários sobre o ouro dos tolos que é o futebol, que mostra como, enquanto sociedade e nação ainda nos importamos muito pouco com o que realmente é importante e tem impacto no nosso futuro e no futuro dos nossos filhos.

Gostava de dizer que estou surpreendida com a decisão, mas não estou. Basta passear pelo Alentejo e ver as suas novas mono culturas de pinheiro manso a destruir o património ambiental existente em plena área protegida (e isto é só um exemplo) para perceber que neste país só se vai parar quando já nada restar para destruir.

Enfim, é um desabafo. Gostava de salientar o papel das autarquias que neste caso tanto se têm oposto a esta prospecção. Sabem que o melhor recurso que possuem está no seu mar e na sua paisagem, e que é insubstituível.

A programação normal volta dentro de momentos.

Escapadela a Aljezur

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O pónei e o jardim onde passámos muito tempo a ler ao sol.

Estes 3 últimos livros que li (Verdade sobre Animais, Caminho Imperfeito, e biografia de Luiz Pacheco), foram todos “despachados” numa espécie de retiro que fiz com a cara-metade até à zona de Aljezur.

Depois duns últimos meses complicados e trabalhosos, estávamos os dois a precisar de recarregar baterias e nada melhor para isso do que estar num sítio rural e próximo do mar. Já conhecíamos a zona de Aljezur de escapadas anteriores onde ficámos apaixonados pelo local, por isso foi novamente a zona escolhida este ano.

Fizemos tal e qual como no ano passado. Parámos em Porto Covo para almoçar e partir a viagem em dois, e depois fomos até à nossa morada da semana seguinte, um turismo rural rodeado de vaquinhas, rãs e passarada, que tinha também um pónei e uma cadela do mais simpático com que já nos cruzamos. Foram uma bela companhia durante a semana.

Depois dum primeiro dia de chuva intensa, em que aproveitámos para ficar pelo apartamento a pôr a leitura em dia, nos restantes dias apanhámos um sol bonito e não demasiado quente, que nos acompanhou no reencontro de praias já conhecidas (Vale dos Homens) e descoberta de locais novos (Monte Clérigo, Odeceixe, Bordeira). Este pedaço de Algarve é realmente ao nosso jeito, cheio duma beleza selvagem, poucas pessoas, fracas acessibilidades, poucos apoios de praia (e caros), poucas urbanizações (se bem que infelizmente de ano para ano mais).

Descobrimos muita coisa nova, mas ficou muita mais por descobrir, o que é bom pois desejamos voltar em breve. Há qualquer coisa de mágico naquelas ondas embaladas por arribas dramáticas, campo cheio de relas e rapinas mesmo a dois passos do mar. mas não é zona para picuinhices, porque está abençoada por muita bicheza, Abril então é o mês das carraças, o que nos levou a apelidar a cadelita da casa de Carraceda de Anciães. Maravilhosa.

Boas Leituras!

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A comissão de boas vindas ao alojamento.
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Praia da Amoreira, onde se estava lindamente ao sol
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Amanhecer
Luiz Pacheco
A ler no jardim
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Odeceixe
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Roxy, sempre à espera de festas ou comida.
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Tínhamos sempre escolta em todo o lado.

O Fim do Indie

Sleepwalk
Sleepwalk, de Filipe Melo

Na semana que passou terminou o Indie e ainda tive tempo para ir ver mais duas sessões. Curiosamente este ano as três sessões a que fui foram todas de filmes portugueses, o que demonstra a aposta forte do festival neste tipo de programação, e ainda bem.

Mas, começando pelo início como deve ser nestas coisas, quarta feira passada fui assistir a uma sessão de 4 curtas nacionais, essencialmente por culpa do filme acima, Sleepwalk do Filipe Melo, baseado numa história de BD que ele fez para a revista Granta com o também nosso conhecido (de outras aventuras, como o Pizzaboy e Dog Mendonça), Juan Cavia. Feito nos EUA, é uma curta visualmente muito bonita, com uma história simples mas bem conseguida, bons actores, que em 15 minutos consegue passar uma mensagem forte e inteligente tendo uma fatia de tarte de maçã como pano de fundo. Gostei bastante e recomendo que andem atentos para não perder. Podem ver o trailer aqui.

Seguiram-se mais duas curtas (uma felizmente muito curta, porque realmente não era o meu género de cinema) mas que não me animaram. Demasiado esotéricas/experimentalistas para serem apelativas para os meus gostos mais prosaicos.

Mas terminámos com chave de ouro, a curta mais longa, quase 30 minutos, Os Mortos de Gonçalo Robalo, a minha favorita e que acabou por ser a vencedora do prémio do júri. É um filme diferente, e, tendo em conta a minha história recente e sendo o tema os mortos do autor, confesso que ia um bocadinho de pé atrás e disposta a sair da sala se fosse caso disso. No entanto foram mais os momentos de riso descontraído do que os de tristeza. Para mim esta curta representa o verdadeiro espírito dos filmes do Indie, filmes completamente diferentes daqueles que encontramos nas salas normais, recheados de clichés e super heróis, filmados de modos não convencionais, mas que nos apresentam uma reflexão sobre a vida (neste caso a morte), e nos fazem pensar de modo descontraído e descomprometido, unindo uma plateia de espectadores em torno dum tema comum. Gostei mesmo muito, e recomendo a todos que vejam, se conseguirem, que já se sabe que é dificílimo ver cinema português. Podem ver o trailer aqui.

Terminei o meu périplo pelo festival no Sábado com mais um documentário, este realizado pelo Edgar Pêra e sobre um poeta, Alberto Pimenta. Com direito à presença dos dois na sala, e devida introdução ao que íamos ver, o que sempre dá outro sabor a estas sessões. Gostei também bastante deste filme, e fez-me pensar que realmente a poesia tem vindo a conquistar alguma visibilidade recentemente, quando já há sala cheia para se ver um documentário sobre a vida dum poeta. Claro que Alberto Pimenta é um homem especial, transgressivo, que vai muito para além dum poeta convencional, e isso mesmo pode ver-se neste filme.

Portanto, a avaliar por esta pequena amostra, o cinema independente português vai de boa saúde e recomenda-se, as salas enchem-se quando a programação é boa, e eu acho que fiz definitivamente as pazes com o Festival IndieLisboa.

Para o ano há mais.

IndieLisboa 2018

Cutileiro

Comecei a frequentar o Indielisboa para aí na sua segunda ou terceira edição, já lá vão muitos anos. Nessa altura via imensas sessões, chegava a ver 3 por dia, e saltitava de cinema em cinema (quando deixou de se centrar só na Culturgest), e via coisa indescritíveis como uma sessão de curtas alemãs no finado cinema Londres sem conseguir ver as legendas. Foram quase 3 horas de puro sofrimento.

Vi filmes maravilhosos, outros que nem tanto. Apenas saí da sala uma vez, e mesmo assim só depois de mais de metade da sala ter saído antes de mim. Mas confesso que andava zangada com o indie há já alguns anos. Já não me lembro o último ano que fui, mas lembro-me o último (e penoso) filme que vi, O Sabor do Leite Creme, um filme português que acompanha o dia-a-dia de duas irmãs nonagenárias onde nada mais se passa para além de apanhar sol no jardim de sua casa, fazer crochet, e mexer leite-creme com uma colher de metal num tacho de metal. Durante minutos sem fim aquela alma raspou uma colher de sopa num tacho de metal, e eu estava sentada no meio duma fila, numa sala cheia de gente e tive pudor de incomodar e sair. Mas temi que os ouvidos me sangrassem de dor.

Deve ter sido isto há cerca de 5 anos, e finalmente este ano senti-me suficientemente recuperada para tentar de novo. E ontem lá fomos à aventura, ver um documentário chamado “A Pedra Não Espera” sobre o João Cutileiro, extremamente bem feito, em estreia mundial, com direito a presença do próprio e tudo. Um documentário que nos mostra algumas peças importantes na obra do escultor para ilustrar a sua importância na arte nacional, com imagens de arquivo, entrevistas, maquetas e também poesia.

Tivémos direito a uma pequena introdução feita pela realizadora, e são estes pequenos mimos que tornam o Indie tão especial.

Gostei muito, infelizmente foi sessão única no Indie, mas de certeza que aparecerá em breve, até porque foi feito para uma exposição a realizar em Évora este ano com obras do escultor. Ainda tenho mais algumas sessões na manga, depois darei conta aqui. Até lá vejam a programação aqui.

Indie
A conversa inicial, lá ao fundo. 

Man Booker International 2018

Manbooker 2018

 

No passado dia 12 de Abril, quinta feira, foi anunciada a lista de finalista ao prémio Man Booker International, ou seja livros que foram traduzidos para o inglês. De todos eles apenas conheço o da francesa Virginie Despentes, mas gostei bastante e falei dele aqui no blog.

Os outros serão, como é hábito, uma boa sugestão de livros a conhecer, podem saber a lista toda no site oficial aqui.

Boas Leituras!

Novas oportunidades

Ainda agora fiz um post em que falava das novas aquisições que fiz, mas toda a acção tem uma reacção, e tenho igualmente que arranjar algum espacinho em casa, que como sabem começa a parecer um casulo.

Por isso espreitem novamente ali no canto direito os livros à procura de casa e vejam se algum vos interessa. Alguns falei aqui no Peixinho (Os Jardins da Luz, Os Anjos Não Comem Chocolate) e estão prontos a encontrar quem também os aprecie.

Boas Leituras!

Dado Não É Comprado

Presentes

Não sei se estão recordados, mas um dos desafios que coloquei a mim própria em 2018 foi o de não comprar livros, para ver se finalmente dava um destino aos livros por ler que ainda tenho aqui em casa e arranjar espaço na estante para os que se começam a amontoar em todos os recantos disponíveis (cadeiras, chão, em cima de caixas de arrumação onde estão livros técnicos… começa a ser dramático).

No entanto os meus amigos sabem que pouca coisa me faz mais feliz que um livro novo, e neste aniversário encheram-me de mimos e títulos novos. E eu não podia ter ficado mais agradecida, porque isso significa que tenho coisas novas na estante para ler, sem ter feito batota! Ora então vamos ver o que tenho para ler nas próximas semanas:

Everything is Iluminated – de Jonathan Safran Foer. Curiosamente ainda há poucos dias tinha andado a investigar este livro no Goodreads nem me lembro a propósito de quê, e tinha decidido que seria um dos próximos a adquirir, assim que pudesse adquirir coisas novas. Acontece que é um dos autores favoritos desta minha amiga que partilha comigo o amor por Neil Gaiman, e foi assim que me veio parar às mãos. Estou ansiosa para o ler.

O Caminho Imperfeito – de José Luís Peixoto. Dispensa apresentações, é um dos meus autores de conforto e esta aventura passada na Tailândia estava na nossa lista de livros a ler ainda ele o estava a escrever.

Luiz Pacheco Essencial – de António Cândido Franco. Este é o tiro no escuro, mas à falta de originais disponíveis de Luiz Pacheco será pelo menos interessante ler uma boa biografia desta figura tão complexa, e é isto que eu espero que este livro seja.

E pronto, depois virei prestar contas da leitura destes títulos, bem como do progresso do desafio. Para mim não comprar poesia está a revelar-se de longe a tarefa mais difícil, já que este ano parece que os livros de poesia estão a saltar de baixo das pedras e aparecem de todos os lados, só para me afrontar, e cada vez descubro mais autores que queria MESMO ter. Felizmente ainda não me cruzei com nenhum livro de Manuel de Freitas em pessoa, porque não sei se conseguirei resistir. Vamos ver como corre a Feira do Livro este ano… se calhar não corre…

Boas Leituras!

Dia do Pai

Ludo

Hoje é dia do pai e simultaneamente faz uma semana que o meu pai faleceu, no dia do meu aniversário. Quando escolhi o “poema de segunda” para os meus 43 anos, e subsequente mensagem (relacionada com Douglas Adams), estava longe de antecipar exactamente quão adequados iriam ser, mas o universo tem destas ironias.

No entanto a intenção deste post não é ser triste, mas sim uma celebração de vida e de alegria. O meu pai, como já tive oportunidade de dizer a várias pessoas, foi a pessoa mais alegre que eu conheci. No trabalho, com o seu amigo e colega, por vezes faziam as outras colegas rir tanto que tinham de fugir para a casa de banho.

Quando eu era miúda a nossa casa era o ponto de encontro de todos os adolescentes da zona. Toda a gente era sócia dum clube de vídeo e alugavam filmes à vez que se viam sempre na minha sala. Quando os sofás e cadeiras não chegavam, o chão chegava sempre. Por vezes os meus amigos brincavam mais com o meu pai do que comigo e isso deixava-me dividida entre os ciúmes e o orgulho.

Em 1991 a nossa vida mudou quando o meu pai ficou paralisado do lado direito e dependente de nós. Mas isso não abalou a sua boa disposição e continuou a ser o pilar de alegria da família, a motivar-nos e animar-nos. Para terem uma ideia, conto-vos um episódio em que em Alcoitão, onde o meu pai estava a fazer fisioterapia e não falava nem andava, ele entrou num elevador com a minha mãe e um senhor que tinha dificuldades de locomoção e fala. E o meu pai virou-se para a minha mãe a rir discretamente das dificuldades do outro doente… que estava bem mais saudável que ele.

Mesmo no meio de todas as dificuldades, o bom humor sempre foi a cola que nos manteve unidos e este é o ensinamento que quero levar comigo. Nem toda a gente à nossa volta compreendia o nosso modo de ser peculiar, mas é assim que se exorcisam demónios e gostava de ter apenas uma pequena percentagem do bom humor do meu pai. Menos queixas e mais boa disposição é o ensinamento que me vai ficar para sempre, e que quero partilhar aqui.

Ficam as boas memórias, como a da foto, um jogo que fez as delicias de todos nós lá em casa e da vizinhança em redor por muitos serões.