O Peixinho e as Maratonas Literárias

Livros

O Peixinho gosta de ler o que lhe apetece, quando lhe apetece, e nem sempre sabe exactamente o que lhe apetece. Confuso, eu sei, mas obrigações temos muitas na vida, ler não pode contar como uma delas. Por isso nunca me juntei a nenhum clube de leitura, daqueles que se encontram e debatem livros previamente escolhidos. Sei que provavelmente estou a perder umas belíssimas discussões edificantes, mas na realidade elas acabam por surgir naturalmente quando discutimos livros com outro bookworm como nós.

Mas as maratonas literárias sempre me pareceram mais engraçadas. Aqui temos várias categorias e acabamos por encaixar o livro que estamos a ler na que for mais relevante.  Por exemplo, ler um livro com um tema de inverno.

Nunca me tinha juntado a nenhuma porque me tinha faltado o incentivo certo. Mas agora fui convidada por uma amiga a juntar-me a uma maratona literária espalhada pelas estações do ano, e em que cada estação temos novas categorias para preencher. Começámos, obviamente, no Inverno. Achei a ideia engraçada e os livros que tinha lido desde o início do Inverno eram facilmente distribuídos por algumas categorias.

Neste momento já tenho 4 das 16 categorias preenchidas e, apesar de dificilmente conseguir completar todo o desafio, estou a achar isto muito divertido.

Se têm experiências semelhantes, ou sugestões, apitem no comentários.

Boas Leituras, com ou sem maratonas.

Livros para 2020

book-stack

Começo 2020 com uma panóplia de livros para ler, à semelhança dos anos anteriores. Vão desde séries que comecei e quero continuar, a livros ou autores que descobri graças a coisas que li, ou livros físicos que me foram oferecidos. É um bom problema para se ter, apesar de raramente eu seguir esta lista à risca. Gosto sempre de ler para onde o vento ou a minha vontade me levam.

Para este ano os livros que estão na calha são os seguintes:

  • A Trança de Inês, de Rosa Lobato Faria: Nunca li nada desta escritora, e este ano o Peixinho Vermelho comprou este livro em segunda mão na net. Nenhum de nós o leu ainda, essencialmente por falta de disponibilidade mental. Está na calha para o início do ano.
  • Love Story à Portuguesa, de Vilhena: oferecido por uma amiga no final do ano, é mesmo o tipo de leitura divertida e socialmente interessante para começar 2020.
  • A Crown od Swords (Wheel of Time 7) de Robert Jordan: Apesar do meu entusiasmo ter esmorecido um bocadinho, não gosto de deixar séries a meio. Algures em 2020 irei pegar novamente nas aventuras de Rand al’Thor e seus companheiros.
  • Vernon Subutex 2, de Virginie Despentes: Será este ano que vou continuar a ler as desventuras de Vernon Subutex, o mais recente sem abrigo de Paris.
  • The Secret Commonwealth (Book of Dust 2), de Philip Pullman: Já que li o primeiro volume desta nova série em 2019 e no final saiu este fresquinho, já o tenho no meu Kindle pronto a seguir.
  • Aquilino Ribeiro: Aqui há uns anos comprei vários livros deste autor num alfarrabista de rua. Acho que está na altura de lhes pegar e rentabilizar o investimento.

E para começar o ano são estes os livros que tenho na calha. Espero que esta lista tenha melhor fim que a do ano anterior.

Boas Leituras e Bom 2020

Projectos para 2020

new years resolution

À semelhança do ano passado, este ano também não vou fazer grandes planos. Depois da surpresa que a natureza me fez de me dar um jaquinzinho aos 44 anos acho que fazer planos é capaz de ser redundante. Por isso em 2020 planeio aproveitar o que a vida me trouxer e o cachopo me deixar.

Acho que viagens ainda estarão fora de questão e espero conseguir ir para fora cá dentro sem grandes complicações. Seria bom se conseguisse juntar a isso umas idas ao teatro, cinema ou algum concerto. Se alguém se sentir com vontade de fazer babysitting é só avisar.

Em termos de leituras vou manter as minhas expectativas realistas. Se conseguir ler novamente 30 livros já me vou sentir contente, e tenho muitas horas de transportes públicos pela frente para me permitir fazer isso.

Vamos ver o que 2020 nos traz. É um número bonito, redondo e trará com certeza muitas surpresas. Coração aberto e paciência ao máximo para tudo o que aí vem.

Bom Ano e Boas Leituras!

 

 

Balanço de 2019

equilibrista

2019 foi um ano muito diferente para mim, um ano em que me tenho dedicado mais a fraldas e biberons do que a grandes literaturas. Como já disse aqui a minha capacidade intelectual também se encontra diminuída, por isso as leituras foram as possíveis. Foi também um ano em que não fiz muitos projectos, porque já estava grávida no início de 2019 e previa grandes mudanças de vida.

Mesmo considerando tudo isto, consegui atingir o objectivo que me tinha proposto no início do ano de ler pelo menos 30 livros. Três da série Wheel of Time, que ando a ler. Depois tive que fazer uma pausa e voltar ao Poirot, onde dei um grande avanço.

Voltei também a alguns territórios familiares e conhecidos, como voltar ao conforto da nossa casa. Nomeadamente com Philip Pullman, Dan Simmons e os diários de Michael Palin, que me deixaram ao mesmo tempo satisfeita e triste por não ter mais nada desses ambientes para ler.

E como sempre o Netgalley não desilude e proporciona leituras interessantes às quais não teria acesso de outra maneira.

Mas acima de tudo foi um ano de muitas noites sem dormir, muitas fraldas, muitas gargalhadas e colheres de sopa. Uma mudança drástica de vida depois dos 40 e nunca mais nada vai ser como dantes.

Boas Leituras!

Hoje Também Não Recomendo Livros

estante

Já há cerca de dois anos que recomendo livros à sexta feira para nos alegrar os fins de semana. Segundo os meus registos já aqui falei de 86 livros, que de uma maneira ou outra me encheram as medidas, me deixaram recordações e que achei pertinente partilhar com os outros.

O ano passado pedi recomendações e recebi excelentes ideias de leitura, por isso este ano pergunto o mesmo. Que livros vos chamaram a atenção nos últimos tempos e que desejam recomendar?

Boas Leituras!

Os Poirots e a Acuidade Cerebral

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Imagem daqui

Pois como os leitores deste espaço já sabem, temos um jaquinzinho de 7 meses cá em casa. E quem já conviveu com essa realidade sabe o impacto que tem no cérebro duma pessoa. Não é só a falta de dormir, se bem que esse é o factor principal, mas também as mudanças hormonais que perduram no tempo, e o facto de termos sempre tarefas para fazer. Para além das prazeirosas, como brincar com o piolho, cantar para ele, temos também fraldas para mudar, sopas para fazer, biberões a meio da noite, e isso faz com que a capacidade cerebral disponível para outras actividades seja muito diminuta.

Já a contar com isso tinha baixado o meu objectivo anual no Goodreads de 50 para 30. O que não contava é que tivesse tanta dificuldade em seguir livros mais elaborados.

Na tentativa de pôr o cérebro a mexer já pus de lado 5 livros:

Glamorama de Brett Easton Ellis: OK, neste a culpa não é só do meu cérebro. Gostei imenso do American Psycho e outros livros do autor, por isso resolvi pegar neste achando que era um valor seguro. Enganei-me. É uma sátira à star culture dos anos 90, mas o constante desfilar de nomes de celebridades aborreceu-me imenso. Ao fim de 39% de livro desisti e não sei se lá irei voltar.

Death by Black Hole de Neil deGrasse Tyson: talvez um livro de astrofísica seja exagerar um bocadinho nesta altura do campeonato. Ainda aguentei alguns capítulos, mas quando adormeci no autocarro a voltar do trabalho percebi que tenho que o deixar para outra altura. Mas irei ler com certeza, porque está interessante e bem escrito.

The Evolutionary Mechanism of Human Dysfunctional Behavior de Ivan Fuchs: tendo o curso de biologia e interesse em ler sobre o assunto achei que este não poderia falhar. Uma abordagem genética à psiquiatria tinha tudo para correr bem. Só que não. Na realidade isto pareceu-me uma tese de doutoramento transformada em livro, e não dum modo muito apelativo. Fica para mais tarde, mais um para acrescentar à lista.

Dentro da Noute, Contos Góticos, compilado por Ricardo Lourenço: este foi aquele em que cheguei mais longe. Uma antologia de contos de escritores clássicos, portugueses e brasileiros, sempre na vertente gótica e macabra. Li todos os portugueses (desde Eça a Florbela Espanca, para nomear os meus favoritos), mas já não continuei para os brasileiros. Culpa inteiramente minha, que me cansei da linguagem antiga e rebuscada. A vantagem de serem contos é que em qualquer altura leio mais um.

Physics of the Impossible de Michio Kaku: mais um de física, que só um não chegava. Um livro onde um conceituado físico analisa vários exemplos de ficção científica para perceber se são impossibilidades científicas ou se com o avanço da ciência virão um dia a ser possíveis. Passamos por Klingons e Harry Potter, e é muito engraçado. Voltarei a ele com certeza.

E pronto, enquanto não melhoro a minha capacidade cerebral tenho sempre os mistérios do Poirot e do Inspector Maigret para me animar. Mas espero voltar a alguns destes livros num futuro próximo. Se tiverem lido algum, digam se vale a pena.

Boas leituras!

Fui Ver – Variações

variacoes
Os peixes adultos cá de casa aproveitaram umas horas livres que tiveram para ir ao cinema. Queríamos ver uma coisa simples e divertida e resolvemos ir ver o tão falado Variações. Só falhou na parte do divertimento, porque acabou por ser bastante mais triste do que antecipavamos.

No geral o filme está muito interessante e bem conseguido, quer na história quer visualmente. É fácil seguir e perceber o percurso do artista, as suas angústias, a sua vontade de ser bem sucedido no mundo da música, sem nada saber dela para além do que sentia dentro.

Eu senti que se calhar soube a pouco, que não se aprofundou mais para além do que já é do domínio público, ficou por conhecer algo sobre aquilo que o motivava. Por outro lado Sérgio Praia encarnou muito bem no personagem, até os maneirismos estavam parecidos. Uma boa interpretação.

Penso muitas vezes como teria evoluído o “personagem” António Variações caso tivesse sobrevivido até hoje. O que era diferente e espantoso nos anos 80 lisboetas, é hoje banal e corriqueiro. Nunca saberemos.

Entretanto deixo-vos a minha música favorita de António Variações aqui.

Bons filmes e boas leituras!

Finalistas do Man Booker 2019

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Desde que nasceu o jaquinzinho, o Peixinho parece aqueles jornais regionais que dão as notícias com um mês de atraso. Isto para dizer que já saíu a lista de finalistas para o Man Booker 2019 no dia 3 de Setembro, e só agora venho aqui falar disso.

Este ano temos 6 finalistas de peso, alguns nomes já aqui falados, como Margaret Atwood e Salman Rushdie, outros que quero ler como Elif Shafak. Este ano ainda não tive a oportunidade de ler nenhum deles, mesmo tendo alguns estado disponíveis no Netgalley. Aliás o de Salman Rushdie ainda lá está, mas só em wish list.

Fico curiosa para saber quem vai ser o vencedor, porque este ano promote. Se alguém já leu algum destes livros, partilhe comigo se vale mesmo a pena. A 14 de Outubro saberemos o vencedor, ou, se seguirem pelo Peixinho, algum tempo indeterminado depois. Em baixo, a lista completa.

Margaret Atwood, The Testaments – sequela do Handmaid’s Tale, o seu livro tornado ainda mais famoso pela série de TV. Passa-se 15 anos depois do final do livro anterior.

Lucy Ellmann, Ducks Newburyport – um retrato acutilante da América dos dias de hoje, feito por uma dona-de-casa do Ohio. Pelo resumo que li parece-me bastante interessante.

Bernardine Evaristo , Girl, Woman, Other – seguimos os destinos de 12 personagens negras e britânicas por todo o país.

Chigozie Obioma , An Orchestra of Minorities – amores desencontrados na Nigéria e a história de Chinonso, que por amor vai tentar estudar no Chipre, e o que se segue é uma odisseia inspirada em Homero.

Salman Rushdie, Quichotte – Como este autor já nos habituou, este livro está recheado de humor, acção e ritmo. Um conto de amor quixotesco passado na América dos dias de hoje.

Elif Shafak, 10 Minutes 38 Seconds in This Strange World – talvez o mais interessante de todos os finalistas, na minha humilde opinião. Nos primeiros minutos após a sua morte, Leila vai relembrando as memórias mais relevantes da sua vida, com todos os sentidos, enquanto os amigos a tentam descobrir. Sem dúvida um livro a descobrir.

Boas Leituras!

Vieira da Silva no Colombo

Vieira da Silva

Com um cachopo de 4 meses a nossa possibilidade de aproveitar a oferta cultural de Lisboa fica um pouco reduzida, mas mesmo assim nunca é cedo demais para expor uma criança a boa arte. Foi nesse espírito que fomos conhecer mais uma iniciativa do Colombo, desta vez com Vieira da Silva.

No passado já tínhamos ido lá ver Paula Rego e Roy Lichtenstein, e gostámos muito, por isso desta vez íamos com grandes expectativas.

A exposição é na realidade uma instalação artística imersiva, com cor, luz e som, que nos faz literalmente entrar na obra da pintura, recorrendo a muitos quadros que estão expostos no seu Museu do Príncipe Real. A experiência é muito intensa, e por vezes vertiginosa, mas muito interessante. Temos 3 salas, com temáticas e ambientes diferentes, e quando fomos tivémos a sorte de estar sempre sózinhos a apreciar cada uma delas.

No final fomos brindados com a explicação que quem apresentar o programa da exposição no Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva tem um bilhete grátis na compra doutro. Ou seja, mais uma oportunidade de levar o Jaquinzinho a ver pintura.

A exposição está no Colombo até dia 26 de Agosto, aproveitem que é muito interessante, gratuita e uma boa sugestão para uma manhã de férias.

Boas Leituras e Boas Férias!