Livros que Recomendo – A Lagoa do Sherman

Sherman

Não é a primeira vez que falo aqui no Peixinho deste tubarão castiço, meio tolo, que habita numa lagoa tropical dum atol no Pacífico. Vive lá com a sua esposa, e os seus amigos. Uma tartaruga existencialista, um caranguejo vigarista, um peixe adolescente que é um génio de computadores e um urso polar que vai e vem consoante lhe apetece calor. Todos os outros habitantes são mais ou menos território livre de alimentação, incluindo os “macacos peludos” que se passeiam inocentemente pelas praias a desfrutar do lugar paradisíaco.

Por baixo de tudo isto temos uma forte mensagem ambiental e de reflexão sobre a importância de todos os seres marinhos, por mais insignificantes que nos possam parecer, bem como alertas vários sobre situações actuais graças ás viagens que Sherman vai fazendo por outros mares do mundo.

Eu sei isto tudo porque sigo diariamente a tira que vai sendo publicada aqui, já que em Portugal apenas foram publicados dois volumes pela Devir. Mas creio que hoje já não se encontram disponíveis.

Recomendo a todos os que gostam de BD, principalmente com um tom humoristico/educativo.

Boas Leituras!

 

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Planisfério Pessoal de Gonçalo Cadilhe

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Comprei este livro em 2017, na Festa do Livro de Belém e comecei logo a lê-lo. No entanto não passei dos primeiros capítulos e apesar de ter gostado muito, não andava com cabeça para viagens.

Este ano, num dia em que me refugiei numa fresca praia do Oeste para fugir à onda de calor resolvi levá-lo comigo e li-o quase todo duma vez.

Planisfério Pessoal é a compilação de crónicas que Gonçalo Cadilhe escreveu para o Expresso em 2002/4 durante a sua volta ao mundo por terra e por mar. A premissa era dar uma volta ao globo sem utilizar avião, ou utilizá-lo apenas quando esgotadas todas as outras possibilidades.

Este não é um livro de dicas de viagem, nem de melhores lugares para se visitar em cada país, ou melhores transportes para apanhar. Se o fosse, 15 anos depois estaria bastante desactualizado. Neste livro seguimos a jornada pessoal do autor, as partes boas e as partes más. As emoções vibrantes, os encontros felizes e as muitas horas de solidão e aborrecimento. Vemos que estas coisas às vezes são mais giras no papel, outras vezes são perigosas, outras vezes são deliciosas.

Pelo facto de já terem algum tempo podemos também ver como muita coisa mudou no nosso mundo. Sítios que o Gonçalo visitou sozinho em relativa tranquilidade, são hoje um amontoado de turistas. Países como a Colômbia são hoje muito mais seguros e visitáveis, outros como a Venezuela regrediram no tempo. Este livro é também um testemunho de mudança e daquilo que já não volta.

Gosto da maneira como o Gonçalo escreve. Os ingleses diriam que ele não põe sugar coat nas coisas, diz como elas são, para o bem e para o mal, sempre com uma boa dose de humor. Semelhante ao Bill Bryson, mas sem o seu excesso de sarcasmo que muitas vezes percorre a linha ténue da troça. Gonçalo Cadilhe nunca faz pouco dos seus interlocutores, mesmo quando nos mostra situações risiveis, e eu agradeço-lhe por isso. Talvez nisso transpareça a sua Portugalidade, afinal somos melhores a fazer pouco de nós que dos outros.

É um livro duma jornada feita por um ser humano, que também é jornalista e por isso muitas vezes se questiona sobre o que vê e faz opções de acordo com a sua consciência social e ambiental. Aconselho a todos os que gostam de saber mais sobre o mundo em que vivemos, e a sua evolução.

Goodreads Review

Boas leituras!

Livros que Recomendo – Harry Potter

harry potter

Pode parecer estranho à primeira vista vir aqui recomendar um livro infanto-juvenil, mas quem segue este espaço sabe que não é a primeira vez que o faço, uma vez que já falei de livros de banda desenhada e livros para esta faixa etária, como A Rapariga que Roubava Livros, por exemplo. Pode parecer ainda mais estranho recomendar um livro que já toda a gente que queria ler, leu, mas eu acho que este é um livro (ou série de livros) incontornável na minha história e no conhecimento de todos os bibliófilos.

A história é do mais simples que pode haver. Um órfão de pai e mãe é educado por uns tios que o desprezam e maltratam (vêem as semelhanças com tantas outras histórias do género?) mas consegue algum alívio quando descobre que vai passar todos os anos lectivos numa escola de magia onde goza de algum prestígio devido à sua ascendência, e onde é amado por uns e odiado por outros. Vai tornar-se um líder entre os seus pares, atravessar a adolescência superando grandes desafios e tornar-se um jovem adulto no meio de muitas aventuras e consolidando amizades que se transformam numa família alargada.

Até aqui isto é a sinopse de muitos e muitos livros infanto juvenis. Este tem a particularidade de se ter imerso no mundo da magia, ter mexido com o nosso imaginário criando feitiços e criaturas, reaproveitando outras e colocando isso tudo no cenário bem nosso conhecido e também por si só dado à fantasia, da velhinha Inglaterra.

Quando comecei a ler estes livros já era adulta (young adult, se quiserem), mas mesmo assim não fiquei imune ao charme da magia e da história simples mas bem contada, com a dose certa de aventura e personagens antagónicos, com heróis e vilões na medida certa. Estes livros têm também a virtude de me terem introduzido na leitura em inglês. Algures por altura do lançamento do quarto volume percebi que não ia aguentar esperar meses pela tradução, e se dava explicações de Inglês estava na altura de testá-lo na vida real. O meu primo, que era tão fã como eu, foi para a fila da Fnac no dia do lançamento e comprou um exemplar para mim. E a partir daí nunca mais parei. Todos os volumes seguintes li em inglês e daí a ler maioritariamente nessa língua no meu Kindle foi um passo muito pequeno, e as portas que isso me abriu foram inúmeras.

Estes livros são fáceis de ler, proporcionam horas de entretenimento e eu recomendaria a todos os que têm jovens que querem entusiasmar pela leitura, ou adultos que gostam de sonhar de vez em quando. Não são clássicos da literatura mundial, podem ver os filmes em vez de ler os livros, mas ficam mais mal servidos porque nada bate a nossa própria imaginação a funcionar.

Acredito que a grande maioria dos meus seguidores já tenham lido o Harry Potter, e os que não leram também não o vão fazer, mas mesmo assim deixo aqui a minha recomendação.

Boas Leituras!

O Elixir da Eterna Juventude

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Imaginem que aquelas músicas que vocês passaram a vida a cantarolar desde miúdos e que viram dezenas de vezes em concertos são agora transformadas num livro de banda desenhada. Foi o que aconteceu com este “Elixir da Eterna Juventude” de Fernando Dordio, que resolveu pegar no universo de Sérgio Godinho e transformá-lo numa aventura alucinada por páginas bem ilustradas.

É quase impossível não gostar dum livro que está tão imerso no nosso imaginário colectivo, a menos que sejam uma daquelas 15 pessoas em Portugal que não gostam do Sérgio. Mas se esse for o caso, aviso já que o Zeca faz uma aparição especial.

E, melhor que tudo, ainda temos direito à árvore dos patafúrdios, esse clássico de qualquer infância de todos os portugueses com mais de 30 anos. Um bocadinho mais, vá…

No entanto, nem tudo é perfeito neste livro, e para quem já leu as BD’s de Filipe Melo, por exemplo, vê que a cadência e coerência desta história ficam um bocadinho aquém. No entanto eu continuo a achar que vale a pena ler e tentar descobrir todas as referências musicais contidas nas suas páginas. Tenho de agradecer ao programa do Raminhos, Missão 100% Português, por me ter dado a conhecer este livro.

Recomendo a todos os amantes de BD e de boa música portuguesa!

Goodreads Review

Boas Leituras!

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Livros que Recomendo – A Troca

A-Troca

O livro que venho recomendar hoje foi um ícone dos meus anos 90, mas foi escrito em 1975 e a acção é passada na loucura dos anos 60. Foi o primeiro livro que li deste autor, David Lodge, de quem fui seguidora assídua ao longo de toda a década de noventa, e cujos livros ainda leio com prazer.

David Lodge é (era?) um professor universitário inglês de literatura e A Troca centra-se neste meio que ele conhece tão bem. Segue dois professores, um inglês dum meio académico fechado, antiquado e pequeno, e outro americano dum meio bastante maior e mais moderno, a viver em pleno a revolução de costumes dos anos sessenta. Estes dois personagens vão trocar de posto por um semestre, cada qual com as suas motivações, e as situações que daí se despoletam são cheias de humor e um sarcasmo muito característicos deste autor.

Porventura algo datado, já que desde os anos 70 o meio académico inglês evoluiu muito e está hoje a par com o americano, em termos de abertura de espírito, não pretendo discutir aqui méritos educativos que não é a minha área, este livro não deixa de nos divertir e ser uma crónica de costumes muito engraçada. É também uma porta aberta para outros títulos deste autor, nomeadamente os outros dois que finalizam a sua campus trilogy.

A acção passa-se nas cidades ficcionadas de Rummidge e Euphoria, que são baseadas em Birmigham e Berkeley, bastante conhecidas pela sua realidade universitária, e ainda hoje me lembro de algumas situações que me fizeram rir alto. David Lodge é exímio a caricaturar uma certa inadequação e inadaptação à vida real, com a qual muitas vezes nos identificamos.

Vale a pena ler nem que seja como documento dum tempo e dum lugar, e é entretenimento garantido. Haverá por certo por aí perdido em bibliotecas e alfarrabistas.

Boas Leituras!

A Maldição de Hill House

hauting of hill house

Depois de ter lido We Have Always Lived in the Castle desta autora fiquei com o bichinho de ler mais livros. O escolhido para ser o seguinte era o também muito aclamado The Lottery, mas entretanto li um artigo onde escritores que eu prezo (Neil Gaiman e Dan Simmons) diziam que esta Maldição de Hill House era dos livros mais assustadores que já tinham lido, e como o tinha no meu kindle decidi imediatamente que seria a minha leitura seguinte.

Eu tenho particular aversão a filmes de terror, na realidade nem sequer consigo ver nenhum, mas com livros isso não acontece, leio qualquer género, e o pior que pode acontecer é incorporar a história do livro nos meus sonhos, mas isso sinceramente acontece com qualquer livro (passei noites sem fim a bordo dum navio quando li O Terror). Foi por isso que abracei corajosamente a leitura desta mansão assombrada sem olhar para trás.

O começo é bastante interessante, logo a frase de abertura determina qual vai ser o rumo da história. A personagem que nos acompanha, Eleanor Vance, é deliciosa e remete-nos imediatamente para Merricat Blackwood, a personagem principal de “Sempre Vivemos no Castelo”, e de algum modo estranho eu relacionei-me bastante com ela e com os seus modos bizarros. Acho que é este modo peculiar de ter uma vida paralela a decorrer dentro da cabeça para onde nos retiramos quando o que se passa cá fora nos agride ou simplesmente nos aborrece. No entanto, descansem os amigos (e marido) que lêem este blog, estou a anos luz de qualquer uma das duas personagens (acho eu…)

Mas esta “casa dos espíritos” é na realidade um livro bastante interessante porque nada nos é dito, nada nos é mostrado, tudo é insinuado e a linha que separa a ficção da realidade é bastante ténue. De tudo o que está a acontecer, o que é que está realmente a acontecer, e o que é que pertence apenas ao domínio da imaginação de uma ou de todas as personagens?

Shirley jackson é exímia a descrever pessoas perturbadas, complicadas, mas cheias de doçura e com as quais criamos imensa empatia. Qualquer um dos habitantes iniciais da casa são nossos amigos e nós preocupamo-nos genuinamente com o destino deles.

Eleanor Vance é das personagens mais deliciosas com que me cruzei este ano, e eu aconselho este livro a todos os que não se impressionam facilmente e gostam de ler histórias que os deixam a questionar o que se passa. Se lerem a edição da Penguin, como eu, aconselho a lerem a introdução no fim, sob pena de ficarem a conhecer toda a história, incluindo o final, antes de entrarem no próprio livro. Nunca vi tamanho spoiler ser chamado de introdução, e felizmente parei a tempo.

O livro teve também duas adaptações para filme, uma logo em 1963, e outra em 1999. A primeira não vi mas é considerado por muitos um filme de culto e um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. A segunda é ela própria uma sessão de terror pelo modo infantil como assassinou a história original. Vejam por vossa conta e risco.

Goodreads Review

Boas leituras!

No live organism can continue for long to exist sanely under conditions of absolute reality; even larks and katydids are supposed, by some, to dream.

Livros que Recomendo – A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao

oscar wao

O livro que recomendo hoje vem competir com o de Mário de Carvalho em tamanho de título aqui no blog. E acho que as semelhanças não terminam por aqui. Mário de Carvalho, e também Mário Zambujal são profundos conhecedores dum certo tipo de portugalidade e são exímios a descrever os nossos tiques sociais, se assim os quisermos chamar. E quando li este livro de Junot Díaz reconheci nele o mesmo conhecimento profundo das suas gentes, neste caso os dominicanos imigrados nos Estados Unidos.

Este livro fala-nos de Oscar, um jovem dominicano a viver nos Estados Unidos com a sua mãe, muito tradicional, e a sua irmã, rebelde e moderna. Oscar sonha em ser o Tolkien dominicano, e é um jovem nerd em todos os sentidos, vive isolado num mundo de fantasia, é extremamente sensível e sonha desesperadamente com encontrar o amor e dar o seu primeiro beijo. Acresce a isto o facto de ele acreditar que se encontra debaixo de fuku, a maldição caribenha que tem dominado toda a sua família, condenando-os a toda a espécie de infortúnios.

Toda esta história é envolvida no contexto sócio-cultural duma República Dominicana que se encontra debaixo da ditadura de Trujillo, as dificuldades da imigração e da adaptação às regras e à cultura dum novo país sem nunca abandonar os costumes do país natal.

Através das dificuldades amorosas de Oscar de Leon (verdadeiro nome de Oscar Wao), o autor aproveita também para fazer uma crítica subtil ao ideal machista e hiper masculinizado dos homens caribenhos, que precisam de muitas mulheres para se afirmarem, de trair, de muitas vezes ser violentos e agredir. Oscar, por seu lado, tem um ideal romântico e inatingível, e vai fazer por ele verdadeiros sacrifícios.

É um livro muito bem escrito, muito divertido, apesar da história não ser sempre fácil nem directa. Li a versão original, por isso não posso comentar a tradução, mas uma das riquezas deste livro é o uso de spanglish, uma mistura de inglês com espanhol, análogo ao nosso portunhol, bem como o uso de calão e de termos de cultura pop e de ficção científica, que não sei como ficarão traduzidos. Li-o vorazmente e quando terminei fiquei uns tempos a digerir o que tinha acabado de ler, a tentar processar todas as camadas de histórias dentro da história, e a sentir saudades dos personagens que me tinha acompanhado.

Vencedor do Pulitzer de 2008, recomendo este livro a todos aqueles que não têm medo de arriscar numa boa história, num livro diferente, que é muito fácil e muito difícil de ler, se é que isso faz sentido. Não se vão arrepender!

Goodreads Review.

Boas Leituras!

Like they say: Los que menos corren, vuelan.

Os Mil Outonos de Jacob de Zoet

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Depois de ler alguns bons livros do Netgalley senti o desejo de voltar a território conhecido, a um autor que gosto e de quem ando a ler a obra toda por ordem de publicação. Já aqui recomendei o primeiro livro que li dele, Cloud Atlas, e desta vez fui ler este Thousand Autumns of Jacob de Zoet, ainda por traduzir para português.

Apesar de não ter sido o meu livro favorito deste autor, mesmo assim gostei bastante. É um livro bonito, intrincado, com uma história bem contada e bem cimentada na história mundial, num local bem familiar a David Mitchell, o Japão, desta vez algures no final do século XVIII, inicio do XIX. É extraordinária a habilidade que este autor tem em viajar no tempo e sentir-se tão confortável a imaginar sobre a história passada ou extrapolar sobre séculos futuros, mas ele é sobretudo um estudioso das relações humanas e as suas nuances e suponho que aquilo que se denomina “natureza humana” seja transversal a culturas, locais e eras.

Esta história é forte, mas melancólica e mostra-nos que a vida é como é, e não como gostaríamos que fosse. Mas que se segue determinado curso é porque no final havia um desígnio maior a funcionar.

Jacob de Zoet é um escriturário holandês ao serviço da Companhia Holandesa das Índias Orientais que vai trabalhar por uns anos no seu posto de Dejima, perto de Nagasaki no Japão. É suposto ir apenas pelo tempo suficiente para acumular um pé de meia e casar com a sua noiva que deixou à espera na Holanda Natal. Mal sabia todo o mundo diferente que o esperava, o fascínio pela cultura tão diferente da sua, os jogos subtis de poder que o iam enredar, e sobretudo o amor estranho e profundo que o iria arrebatar.

Ao início foi-me dificil criar empatia com esta personagem do Jacob, parecia-me demasiado rígido nos seus ideais, demasiado linear. Por outro lado, e por mais estranho que isto possa parecer, os nomes dos personagens estarem em holandês ou japonês fez com que demorasse algum tempo a distinguir quem era quem, e com isso demorei a entrar na narrativa.

Mas assim que finalmente me deixei enredar pela narrativa tudo começou a fazer sentido e a beleza do livro cativou-me. O fascínio que Mitchell tem pelo Japão, onde viveu alguns anos, está bem presente nas descrições da sua complexa cultura de regras sociais relacionadas com a honra e a posição hierárquica, e o livro tem personagens que amamos, outros que odiamos, e outros que amamos odiar. David Mitchell escreve mesmo muito bem, e é sempre um prazer desenrolar os novelos que foram cuidadosamente tecidos para nós.

Recomendo a todos os que gostam de ficção histórica, os que gostam do Oriente, os que gostam de histórias bem contadas e aqueles que, como eu, são fãs de David Mitchell.

Goodreads Review

Boas Leituras!

“I shan’t claim, men, that faith always saves a man from drowning—enough devout Christians have died at sea to make a liar of me. But this I do swear: faith shall save your soul from death. Without faith, death is a drowning, the end of ends, and what sane man wouldn’t fear that? But with faith, death is nothing worse than the end of this voyage we call life, and the beginning of an eternal voyage in a company of our loved ones, with griefs and woes smoothed out, and under the captaincy of our Creator …”

Livros que Recomendo – The Complete Maus

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À semelhança de Persepolis que eu recomendei a leitura há uns tempos atrás, este foi mais um brilhante volume de banda desenhada para adultos que li através da biblioteca da minha empresa, e que trata de temas delicados e fortes dum modo absolutamente diferente.

The Complete Maus foi escrito/desenhado por Art Spiegelman e conta-nos a história dos seus pais e de como eles sobreviveram ao holocausto. Eu já li bastantes livros sobre este tema, sobre variadissimos ângulos mas este foi sem dúvida dos meus favoritos. Pode parecer estranho à partido lermos um livro de banda desenhada sobre uma temática tão delicada, mas na realidade o autor usou de artifícios apenas disponíveis neste meio para ilustrar o absurdo desta guerra, e do sofrimento dum povo. Aqui os judeus são retratados como ratos, os alemães como gatos, os polacos porcos e os americanos cães, ilustrando assim como é estranho diferenciar as pessoas pelas suas crenças/nacionalidades quase como se as transformássemos numa espécie diferente.

Ao fazer o acompanhamento dos personagens ao longo do tempo, desde a guerra até à altura em que o próprio autor é adulto e interage com o pai que lhe conta a sua história, podemos também ver os efeitos duradouros que o horror vivido teve na vida de todos aqueles que sobreviveram, e como isso perdurou para as gerações seguintes, que mesmo não entendendo, ficaram também profundamente afectadas.

Este era um livro que facilmente poderia ter corrido mal, estava construído numa corda bamba delicada, no entanto é belíssimo, muito bem construído, e mesmo a crueza dos desenhos, na minha opinião, acrescenta à história.

Recomendo a todos os que gostam de banda desenhada, histórias fortes sobre a nossa história mundial e bons livros em geral.

Goodreads Review

Boas Leituras!

 

Livros que Recomendo – O Principezinho

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Pensando em retrospectiva este talvez fosse um dos primeiros livros que eu devesse ter recomendado aqui neste meu espaço. Não tenho livros ou autores favoritos, vou tendo gente que me acompanha em determinadas alturas da vida e leituras que deixam marcas para sempre. No entanto, este livro será o que mais se aproxima dum livro favorito. Dizia uma amiga de infância que o mundo se divide entre pessoas que gostam do principezinho e pessoas que não gostam do principezinho, sendo que estas últimas são para termos cuidado com elas.
Eu não terei porventura uma visão tão radical, mas confesso que me faz arrepiar os cabelos da nuca se alguém confessa não gostar. No entanto, este é um dos livros mais vendidos de sempre, daí não ter tido ainda urgência em vir aqui recomendá-lo.

E o que torna este livro tão especial? Bom, por onde começar? Não nos deixemos iludir pela história simples do menino que anda pelo universo à procura de amigos, nem fiquemos demasiado presos às dezenas de citações que podemos encontrar em todo o lado. Apesar de à primeira vista ser um livro infantil, na realidade os significados ocultos, a dor da perda, o amor, tudo isso se dirige à um público adulto e capaz de entender nas entrelinhas.

E depois o próprio Saint-Exupéry com a sua morte misteriosa e o cunho biográfico imprimido na obra, tornaram este livro um dos mais importantes da literatura do século XX.

Uma ode à descoberta do que realmente é importante na nossa vida, de como podemos cativar e amar os outros à nossa volta, este é daqueles livros que deviam ser de leitura obrigatória para formação pessoal.

Recomendo a todos, sem excepção. E se  não gostarem, por favor não me digam.

Boas leituras!