O Fim do Indie

Sleepwalk
Sleepwalk, de Filipe Melo

Na semana que passou terminou o Indie e ainda tive tempo para ir ver mais duas sessões. Curiosamente este ano as três sessões a que fui foram todas de filmes portugueses, o que demonstra a aposta forte do festival neste tipo de programação, e ainda bem.

Mas, começando pelo início como deve ser nestas coisas, quarta feira passada fui assistir a uma sessão de 4 curtas nacionais, essencialmente por culpa do filme acima, Sleepwalk do Filipe Melo, baseado numa história de BD que ele fez para a revista Granta com o também nosso conhecido (de outras aventuras, como o Pizzaboy e Dog Mendonça), Juan Cavia. Feito nos EUA, é uma curta visualmente muito bonita, com uma história simples mas bem conseguida, bons actores, que em 15 minutos consegue passar uma mensagem forte e inteligente tendo uma fatia de tarte de maçã como pano de fundo. Gostei bastante e recomendo que andem atentos para não perder. Podem ver o trailer aqui.

Seguiram-se mais duas curtas (uma felizmente muito curta, porque realmente não era o meu género de cinema) mas que não me animaram. Demasiado esotéricas/experimentalistas para serem apelativas para os meus gostos mais prosaicos.

Mas terminámos com chave de ouro, a curta mais longa, quase 30 minutos, Os Mortos de Gonçalo Robalo, a minha favorita e que acabou por ser a vencedora do prémio do júri. É um filme diferente, e, tendo em conta a minha história recente e sendo o tema os mortos do autor, confesso que ia um bocadinho de pé atrás e disposta a sair da sala se fosse caso disso. No entanto foram mais os momentos de riso descontraído do que os de tristeza. Para mim esta curta representa o verdadeiro espírito dos filmes do Indie, filmes completamente diferentes daqueles que encontramos nas salas normais, recheados de clichés e super heróis, filmados de modos não convencionais, mas que nos apresentam uma reflexão sobre a vida (neste caso a morte), e nos fazem pensar de modo descontraído e descomprometido, unindo uma plateia de espectadores em torno dum tema comum. Gostei mesmo muito, e recomendo a todos que vejam, se conseguirem, que já se sabe que é dificílimo ver cinema português. Podem ver o trailer aqui.

Terminei o meu périplo pelo festival no Sábado com mais um documentário, este realizado pelo Edgar Pêra e sobre um poeta, Alberto Pimenta. Com direito à presença dos dois na sala, e devida introdução ao que íamos ver, o que sempre dá outro sabor a estas sessões. Gostei também bastante deste filme, e fez-me pensar que realmente a poesia tem vindo a conquistar alguma visibilidade recentemente, quando já há sala cheia para se ver um documentário sobre a vida dum poeta. Claro que Alberto Pimenta é um homem especial, transgressivo, que vai muito para além dum poeta convencional, e isso mesmo pode ver-se neste filme.

Portanto, a avaliar por esta pequena amostra, o cinema independente português vai de boa saúde e recomenda-se, as salas enchem-se quando a programação é boa, e eu acho que fiz definitivamente as pazes com o Festival IndieLisboa.

Para o ano há mais.

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IndieLisboa 2018

Cutileiro

Comecei a frequentar o Indielisboa para aí na sua segunda ou terceira edição, já lá vão muitos anos. Nessa altura via imensas sessões, chegava a ver 3 por dia, e saltitava de cinema em cinema (quando deixou de se centrar só na Culturgest), e via coisa indescritíveis como uma sessão de curtas alemãs no finado cinema Londres sem conseguir ver as legendas. Foram quase 3 horas de puro sofrimento.

Vi filmes maravilhosos, outros que nem tanto. Apenas saí da sala uma vez, e mesmo assim só depois de mais de metade da sala ter saído antes de mim. Mas confesso que andava zangada com o indie há já alguns anos. Já não me lembro o último ano que fui, mas lembro-me o último (e penoso) filme que vi, O Sabor do Leite Creme, um filme português que acompanha o dia-a-dia de duas irmãs nonagenárias onde nada mais se passa para além de apanhar sol no jardim de sua casa, fazer crochet, e mexer leite-creme com uma colher de metal num tacho de metal. Durante minutos sem fim aquela alma raspou uma colher de sopa num tacho de metal, e eu estava sentada no meio duma fila, numa sala cheia de gente e tive pudor de incomodar e sair. Mas temi que os ouvidos me sangrassem de dor.

Deve ter sido isto há cerca de 5 anos, e finalmente este ano senti-me suficientemente recuperada para tentar de novo. E ontem lá fomos à aventura, ver um documentário chamado “A Pedra Não Espera” sobre o João Cutileiro, extremamente bem feito, em estreia mundial, com direito a presença do próprio e tudo. Um documentário que nos mostra algumas peças importantes na obra do escultor para ilustrar a sua importância na arte nacional, com imagens de arquivo, entrevistas, maquetas e também poesia.

Tivémos direito a uma pequena introdução feita pela realizadora, e são estes pequenos mimos que tornam o Indie tão especial.

Gostei muito, infelizmente foi sessão única no Indie, mas de certeza que aparecerá em breve, até porque foi feito para uma exposição a realizar em Évora este ano com obras do escultor. Ainda tenho mais algumas sessões na manga, depois darei conta aqui. Até lá vejam a programação aqui.

Indie
A conversa inicial, lá ao fundo. 

Um Filme que é um Poema

Paterson

Aqui há umas semanas, num daqueles domingos à tarde frios e cinzentos, pesquisámos os filmes que tínhamos aqui por casa para ver e decidimo-nos pelo Paterson. Eu ia completamente sem expectativas porque não sabia bem sobre o que era, só sabia que era de Jim Jarmush e que era com o herdeiro do Darth Vader. Por isso fui completamente surpreendida quando me deparei com um belíssimo filme sobre poesia, cheio dela, com tantas referências a autores que eu ainda não conhecia que estou há semanas a digeri-lo.

Paterson é o nome do personagem principal, um condutor de autocarros na cidade com que partilha o nome, e todo o ritmo do filme é como se fosse um poema. Vemos o acordar diário de Paterson, a sua ida para o emprego, o almoço a contemplar a paisagem enquanto trabalha nos seus poemas num caderno de anotações, até terminarmos com o passeio nocturno com o seu cão e uma cerveja no bar do costume. Toda esta rotina lhe permite observar pessoas e rituais e isso lhe serve de inspiração para a sua poesia, seguindo uma corrente americana que dizia no ideas but in things (expressão que podemos encontrar num poema de Williams Carlos Williams, poeta que serviu de inspiração a este filme) como quem diz que temos que olhar em volta para ter inspiração. Esse é um tema que ecoa muito em mim, que nas minhas fantasias de escrita procuro sempre inspirar-me no meu quotidiano e naquilo que me rodeia, só ainda não tinha descoberto que havia uma corrente literária que o explorava. Também não tenho a disciplina deste condutor de autocarros que escrevia religiosamente todos os dias, como quem se exercita. E vemos toda esta rotina e quotidiano através de imagens muito bonitas, um poema visual também. Um tesouro!

Os poemas do filme, que podemos ouvir serem escritos ao mesmo tempo que vemos as palavras desfilarem no ecrã para melhor nos envolvermos neles foram escritos por um poeta americano chamado Ron Padgett, amigo do realizador, que foi desafiado a trabalhar como consultor poético numa primeira abordagem e mais tarde a contribuir com os poemas que vemos o protagonista trabalhar. Gostei bastante e isso fez-me pesquisar mais sobre o autor, bem como outros autores relacionados.

Portando depois disto tudo posso dizer que se ainda não viram este filme, vejam. Não esperem grande acção, ou mesmo qualquer acção, porque não é essa a intenção do autor. Na realidade este filme é um poema de amor à própria poesia e por isso não poderia deixar de falar nele aqui. Se quiserem ler os poemas do filme vejam aqui. Se quiserem ler uma apreciação interessante vejam aqui, e se quiserem ler o poeta que escreveu os poemas de Paterson espreitem aqui.

Recomendo a todos os amantes de poesia, os que andam todos os dias de autocarro a ver pedaços de vida e a tomar notas mentais, a todos os que têm um emprego repetitivo e monótono mas que o vêem como uma estrofe do seu próprio poema. A todos os que sonham acordados e a dormir, a todos os que não se conformam na sua vida de conformidade, a todos os amantes da beleza.

Water falls from the bright air
It falls like hair
Falling across a young girl’s shoulders
Water falls
Making pools in the asfalt
Dirty mirrors with clouds and buildings inside
It falls on the roof of my house
Falls on my mother and on my hair
Most people call it rain

O Último Jedi

SW

Atenção, este post está carregadinho de spoilers e se ainda não viram o filme e tencionam ver em alguma altura, não leiam. Mas também, fiquem já a saber que não há nada de novo mesmo, por isso os spoilers não são nada de especial.

O Peixinho foi este Domingo ver o novo episódio da saga Star Wars, mais por um sentimento de militância do que por achar que iria ser deslumbrada ou surpreendida.

O primeiro erro que cometi foi ter ido ao Alegro à tarde. Eram pipocas por todo o lado, conversas paralelas, adultos a explicar a crianças o sentido do universo (não há, não vale a pena). O segundo erro foi termos ido, ponto. Já resolvemos entre nós que o próximo vemos no aconchego do lar e poupamos o trabalho e o dinheiro.

Quer dizer, eu sei que isto é ficção científica e não tem que ter muita aderência à realidade, mas sinceramente há limites. A princesa Leia a navegar no espaço sem fato e ainda conseguir voltar à nave apenas com o poder da mente, onde lhe abrem a portinha para ela entrar. Vácuo. Diz alguma coisa a alguém? Leis da física? Ok, podemos suspender algumas e continuar com a nossa vida, mas não exageremos.

Depois também há limites para a quantidade de bichos fofinhos ewok inspired para fazer o jeito à Disney e animar a criançada. E mais uma cena em que se entra num bar cheio de extraterrestres manhosos à procura dum mercenário que eventualmente os vai trair e juro que grito.

O problema destes novos filmes é que não trazem nada de novo, a não ser efeitos especiais e mais explosões. As histórias nem são reinvenções, são cópias politicamente correctas das originais, e não surpreendem nem animam.

E pronto, tenho pena que assim seja porque gostei muito dos originais, revi-os muitas vezes, e não estava à espera que as sequelas fossem dignas do Festival de Cannes, mas acho que se tentam colar demasiado ao universo da Marvel e afins que atolou as nossas salas de cinema nos dias de hoje.

Safa-se disto o honroso Rogue 1, que conseguiu entreter sem ser pretensioso.

E pronto, acho que terminei a minha refilice, aconselho os fãs indefectíveis a ver na mesma, eu própria fui, mas não esperem uma maravilha cinematográfica.

Blade Runner 2049

Jared Leto

Hoje foi dia de ir ao cinema ver o Blade Runner 2049. Curiosamente só em Janeiro deste ano tinha colmatado a minha falha cultural e tinha visto o Blade Runner original graças ao Cinepop, mas fiquei rendida, mesmo sendo um filme de 1982 e sem a espectacularidade dos efeitos especiais de hoje em dia. Ou se calhar, por isso mesmo.

Quem segue o Peixinho sabe que tenho gostos muito ecléticos, mas ficção cientifica está no topo das minhas preferências. Da boa, daquela que nos faz pensar na posição do ser humano no mundo, no universo se quiserem, na nossa postura, na maneira como interagimos uns com os outros, com o espaço que nos rodeia, com as instituições politicas e religiosas. Quem acha que ficção cientifica são apenas naves aos tiros é porque está confinado à visão que Hollywood nos quis dar, porque também é essa que vende.

Mas felizmente há muito mais para além disso, e boa ficção cientifica em todas as suas vertentes, é um dos ramos da literatura que se aproxima da filosofia. E o primeiro Blade Runner certamente é um exemplo disso. Baseado no livro de Philip K. Dick “Do Androids Dream of Electric Sheep” que já está alegremente no meu Kindle à espera de vez para ser lido. Se tiverem paciência para ler uma boa opinião sobre este fenómeno podem ler esta crónica do Observador, cujo autor conseguiu ser bem mais eloquente do que eu.

Mas de volta ao Blade Runner 2049, em que substituimos um muito convincente Rutger Hauer por uns valores seguros de Hollywood, o Ryan Gosling e o Jared Leto. E confesso que isso já me fazia ir com a pulga atrás da orelha. E na realidade encontrei exactamente aquilo que estava à espera. O filme é bom, visualmente continua a ser uma beleza, a música (já não de Vangelis, mas de Hans Zimmer) é espectacular e super adequada, e não se pode dizer que esteja sobrecarregado de efeitos especiais ou lutas infinitas, como os normais blockbusters do género (no entanto não vale a pena ser visto em 3D na minha humilde opinião).

Mas onde o primeiro era subtileza e suavidade, onde eramos conduzidos subtilmente a tirar as nossas próprias conclusões (ficou sempre no ar a pergunta se Deckard é ou não um replicant), neste somos levados pela mão quase como crianças e tudo nos é mostrado e explicado, nada nos é deixado à imaginação. Se calhar deve-se ao facto de eu já ter visto o director’s cut, sem a narração em off que tinha esse mesmo propósito, de explicar ao pobre público aquilo que estavam a ver.

E o monólogo final do Rutger Hauer “Tears in the Rain imprime um toque final de humanidade ao filme, que não esteve presente nesta sequela. Portanto, gostei mas não achei que tivesse o toque de genialidade da versão de 1982. Ainda assim, bastante melhor do que qualquer dos filmes que nos mostraram nas apresentações.

 

Fátima e a festa do cinema

fatima-filme-cartaz

Esta semana que passou viu passar mais uma Festa do Cinema, em que durante 3 dias e por apenas 2.5€ podemos ter acesso a qualquer filme que queiramos ver, apenas pagando mais as taxas de 3D ou VIP, se for aplicável. Nós aproveitámos o último dia, quarta-feira, para celebrar o cinema português e fomos ver o Fátima de João Canijo.

Não podia ser mais apropriado ao mês em que estamos, com as comemorações do centenário das aparições, já que o filme segue o percurso de 11 mulheres que durante 9 dias fazem o percurso mais longo de peregrinação no nosso país, desde Vinhais até Fátima.

No entanto, a religião aqui é um mero pano de fundo do filme, já que a verdadeira história se centra nas relações entre aquelas 11 mulheres numa situação limite, e nas dinâmicas entre elas.

Eu pessoalmente gostei bastante do filme. Houve pormenores bastante bem conseguidos, as actrizes eram genuinamente transmontanas, e os diálogos muito verossímeis. É fácil acreditar que na realidade não houvesse um guião estruturado, e simplesmente indicações e depois lhes dessem rédea livre para improvisar conversas, de tal modo tudo soa natural. E claro, a Rita Blanco é uma belíssima actriz, como já nos tem habituado, mas devo dizer que a achei muito bem acompanhada, e aquelas jovens  não lhe ficaram atrás.

Depois achei a fotografia bastante interessante. Conseguimos apreciar as mudanças geográficas à medida que vamos descendo o país, a paisagem deixa de ser tão bela e dramática, como era em Trás-os-Montes e passa a ser um aglomerado de pinheiro e eucalipto quando entramos nas Beiras, e mesmo pormenores como a quase ausência de trânsito para a opressão constante dos camiões quanto mais nos aproximamos de Fátima, também está muito bem conseguida.

Depois, tendo eu passado por vezes verões inteiros na aldeia da minha avó, consigo ver claramente aquelas interações entre aquelas mulheres como tão possíveis. Aquela intrusão na vida alheia, o “não tenho nada a ver com isso, tu é que sabes, mas se fosse eu” constante.

E mesmo a organizadora da peregrinação está muito bem conseguida. Num dos verões que passei na aldeia, a minha avó quis levar-me a Vigo numa excursão. E eu pensei que seria engraçado passar esse tempo com ela, gostava desses programas que fazíamos só as duas, acabávamos sempre a divertirmo-nos. Bom, a organização era indescritível. O autocarro teria os normais 55 lugares, por aí, e ainda antes do último sítio de recolha de passageiros já ia gente sentada nas escadas de entrada. As últimas pessoas já foram deixadas “em terra”. E depois foi sempre a piorar. Passámos a noite em Vigo, mas o único sítio para dormir era o autocarro, o tempo de visitar a cidade foi entre as 7:30 da manhã e as 8:00, e só havia um motorista que à volta para casa já vinha a dormir a fazer as curvas do Luso. Um pesadelo, mas que faz perceber que há muita verdade na D. Isaura do filme.

Tendo dito tudo isto, aconselho vivamente, mas também aviso que devem ir preparados para um filme que dura cerca de 2:30, porque uma peregrinação nunca é curta.

Mistérios de Lisboa

Misterios de Lisboa

Graças a um passatempo da Leopardo Filmes ontem tivemos a oportunidade de passar a tarde e parte da noite numa maratona cinematográfica a assistir aos 6 episódios da mini-série muito premiada Mistérios de Lisboa. Nos intervalos tivemos ainda o privilégio de assistir a uma conversa com parte do elenco e o produtor Paulo Branco, que essencialmente nos falaram do génio do realizador Raúl Ruiz, ilustrando tudo com episódios das filmagens. Foi mágico.

Confesso que ia um pouco apreensiva, porque sempre eram 6 horas de visionamento e eu não sou particularmente Camiliana. O género novelesco e romântico do autor não me apelam muito, e como nunca foi obrigatório ler para a escola acabei por nunca lhe pegar.

No entanto, tudo foi uma agradável surpresa. Sim, a história era tudo o que se esperava. Todos são uns desgraçados, uns sofredores, os amores nunca são correspondidos, ou quando são, são impossíveis de concretizar. Tudo é muito, tudo é barroco e exagerado. Mas a realização é absolutamente deslumbrante, e as 6 horas passam num fôlego. A beleza dos diálogos, das cenas, do décor, faz-nos estar absolutamente imersos no mundo romântico da Lisboa de então, e seguir com aqueles personagens numa vertigem constante sem nunca esmorecer.

O filme foi reposto agora, está de novo nas salas de cinema, e eu não poderia aconselhar mais. Creio que são cerca de 4h, mas da minha experiência vale todos os minutos. O livro já está no meu kindle, algures na minha lista de livros a ler em breve.

Misterios de Lisboa 2

A conversa podia ter continuado noite dentro, e as perguntas sucediam-se como as cerejas. A última sessão começaria às 21h, e às 20h20 uma senhora pergunta pragmaticamente: “A próxima sessão é às 9h?” Nada como confirmar com o próprio produtor do filmes estes pormenores técnicos, se alguém sabe é ele. Depois do Paulo Branco confirmar, peremptória: “Então se calhar agora é melhor irmos comer alguma coisa, não?” E fomos, pois claro!

50 Sombras de Nada

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Domingo é muitas vezes o dia muito pouco glamorouso de fazer coisas necessárias como passar a ferro. Ontem não foi excepção. Normalmente alio a isso pôr em dia as minhas séries de eleição, que já são poucas, ou um pouco de televisão pop para entreter. Ontem vi a uns episódios antigos da Ellen, onde falavam do grande sucesso que estava a ter o 50 Shades of Grey. E pensei, “porque não? Já que estou em modo dona de casa, mais vale fazê-lo como deve de ser!

E pronto, resolvi ver o filme. Não estava à espera de nada de bom, uma vez que já não tinha gostado dos livros. Mas por alguma razão que eu própria desconheço, li os 3, de enfiada, apesar de os ter achado uma bela xaropada, falando bem e depressa. Mas é o chamado efeito train wreck (inventado por mim, óbvio), aquela coisa que apesar de saber que é má não consigo deixar de ler. A quantidade de trilogias que já li à conta disso é incrível.

Nesse aspecto o filme não desiludiu. Nada mesmo. Eu ri-me bastante com todo aquele pseudo-erotismo de gente a tentar retratar um mundo do qual não percebe nada e onde um morder de lábios é o supra sumo da sensualidade. E os actores escolhidos também não ajudaram. A Dakota é desenxabida, e o outro senhor não é minimamente convincente ou sensual (no meu entendimento, como diria a minha mãe).

Gostei da música, achei bem escolhida, e acho que foi isso. A parte boa é que sou mais resistente nos filmes e não me sinto minimamente com vontade de ver os restantes. Literatura erótica gosto muito e em breve hei-de fazer um artigo sobre os livros que me entusiasmaram.

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