Os Vampiros de Filipe Melo

vampiros

Depois de ter lido toda a série do Dog Mendonça e Pizza Boy estava ansiosa por ler o novo e radicalmente diferente livro da dupla Filipe Melo/Juan Cavia. O Peixinho Vermelho ofereceu-mo como prenda de Natal e leu-o vorazmente nessa mesma noite, mas eu tinha estado a guardá-lo para um dia em que estivesse mesmo com disposição para uma boa novela gráfica.

O livro impressiona. Desde a qualidade do papel, às cores, à qualidade do desenho, passando pelo argumento, que rivaliza com qualquer BD internacional, mas é cravado na nossa história não tão distante e tantas vezes escondida debaixo do tapete.

Diz a sinopse que a trama se passa na Guiné em 1972, onde seguimos um grupo de soldados portugueses destacados para uma missão no Senegal. À medida que se vão embrenhando na selva estes homens terão de lidar com sucessivos demónios – os da guerra e os que trouxeram consigo.

As cores imprimem o quente da Guiné, o sufoco da guerra colonial e o ritmo do argumento é o exacto para nos embrenhar na história e ficarmos ansiosos e expectantes com cada frame. O final, quanto a mim, é um pouquinho mal resolvido, mas não deixa de ser forte mesmo assim.

Gostei muito do livro e do tema que explora, já que, ao contrário dos americanos por exemplo, nós parecemos muito pouco em paz com os tempos da guerra colonial e temos muita dificuldade em falar sobre esse assunto enquanto nação.

Por outro lado, li este livro enquanto faço uma pausa no Miss Burma, uma visão da independência da Birmânia pelos olhos duma das suas minorias étnicas, e o que é incrível é perceber que na realidade a guerra é semelhante em todo o lado, afecta homens e mulheres sempre do mesmo modo e desumaniza-nos sempre da mesma maneira independentemente da nacionalidade ou da parte do mundo em que vivemos.

A capacidade humana para causar sofrimento nunca deixa de me impressionar, a guerra é apenas a sua face mais visível. Na realidade em qualquer caixa de comentários duma rede social temos um pequeno vislumbre destes ímpetos.

Recomendo a todos os amantes de BD, da nossa história e de uma história bem contada.

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Para Ler – BD

bd-2017

Como Peixinho organizado que sou, começo o ano já com muitos livros de cada categoria para ler. Ou então podemos dizer que deixei acumular livros que não consegui ler o ano passado. É como preferirem.

Em BD, um dos géneros que me agrada muito mas que não leio tanto como gostaria, tenho na calha os 3 livros que se vêem na foto desfocada acima.

Eu, Assassino foi prémio num passatempo da Timeout já há algum tempo, mas ainda não lhe consegui pegar. É um livro muito premiado e uma edição esteticamente muito apelativa, cujo argumento também ganhou vários prémios, por isso estou expectante. O Peixinho Vermelho já o leu e recomenda.

Ardalén, dum dos meus autores de BD favoritos, o galego Miguelanxo Prado. E na sua língua original, será um desafio e um encanto lê-lo. Foi um presente de Secret Santa, por isso ainda está a marinar, que esta época foi pouco dada a leituras.

Os Vampiros, do Filipe Melo. Depois de ter lido toda a brilhante saga do Dog Mendonça e Pizzaboy sei que este livro não pode desiludir, apesar de ser radicalmente diferente. Prenda de Natal do Peixinho Vermelho, que o leu dum trago assim que mo ofereceu.

E claro, retomar a saga do Sandman do Neil Gaiman, assim chegue cá a casa o volume 7 pela mão da minha fornecedora habitual.

Nada mau para começo de ano. Boas Leituras!

O último Pizzaboy

Dog Mendonça

Na realidade o último Pizzaboy é quase exclusivamente sobre o nosso amigo lobisomem Dog Mendonça. Posso agradecer aos passatempos da TimeOut o facto de poder ter lido este livro, porque apesar de ter comprado todos os outros volumes da colecção ainda não me tinha decidido a comprar este. Mas assim que a oportunidade apareceu agarrei-a e fui uma das contempladas. Já tinha falado desta série aqui.

Este livro tem 4 episódios e não uma única narrativa central como os outros, uma vez que tinha sido uma encomenda da editora americana Dark Horse para uma colectânea de vários autores. Talvez por isso se note que não há a mesma força das histórias mirabolantes dos outros volumes. No entanto, a qualidade gráfica continua a ser deslumbrante (e a justificar em pleno o convite da Dark Horse), e a cumplicidade entre os personagens é deliciosa. O sentido de humor que salta de cada página é também o que já nos foi acostumando desde sempre.

Aconselho também lerem esta review de quem segue BD mais que eu, a Cristina do blog Rascunhos.

Aconselho a quem gosta de BD, de bons livros, e de fantasia.

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Terceiro Apocalipse em Lisboa

Dog Mendonca

Esta saga de BD do Filipe Melo é uma pérola para todos os amantes do género. Não só é visualmente muito bonita, com um traço delicado e envolvente, como tem uma luz quente que nos lembra muito o ambiente duma certa Lisboa decadente mas sempre vibrante, a cidade do Bairro Alto, de Alfama, e até de Sintra. A ponte 25 de Abril também costuma fazer sempre uma cameo appearance, porque é tão cinematográfica.

Este é já o terceiro volume da série e eu creio que o tinha comprado há mais de um ano, mas uma certa nostalgia antecipada por ser o último duma série que não vai continuar tinham-me impedido de o ler até agora. Estava a custar-me despedir-me destes personagens, especialmente o Pazuul, um demónio milenar que habita o corpo duma menina de 12 anos. O livro não desiludiu, era mais intimista e põe realmente um ponto final na história. Para quem, como eu, está quase a fazer 41 anos, foi aconchegante ver o carinho com que se lida com envelhecer, o passar do tempo.

pazuul

Aconselhado a todos os que acham que banda desenhada é intemporal, os Lisbon Lovers e todos os que gostam duma boa história.

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