Acabei de Ler – La Belle Sauvage, Book of Dust 1

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Quem segue o Peixinho sabe que eu sou grande apreciadora de Philip Pullman, mais concretamente a sua trilogia “Mundos Paralelos (His Dark Materials)”, que já recomendei aqui. Este seu novo livro andou bastante tempo no meu Kindle sem que eu tivesse grande vontade de lhe pegar. Em parte porque é novamente o primeiro volume duma trilogia e eu já estou um bocado escaldada com o Game of Thrones. No entanto, Philip Pullman não é o George R R Martin, e o segundo volume vai ser editado já em Outubro, por isso resolvi que estava na altura de lhe pegar.

A primeira coisa que reparei foi na qualidade da escrita. O que vem provar mais uma vez que o Wheel of Time que ando a ler não prima pelas frases bem construídas. Depois, nada é desperdiçado nestes livros. As descrições são as suficientes para entrarmos neste mundo, o que é dito serve tanto para nos informar como para aguçar a curiosidade sobre o que vem a seguir. Depois o mundo em si é maravilhoso, mesmo sendo distópico. Cada pessoa ter o seu daemon (que prefiro á versão portuguesa génio) que é parte dela, uma espécie de consciência, e ter a forma de um animal que ajuda a definir a pessoa é uma ideia simples mas muito eficaz. Quem de nós não gostaria de olhar para outra pessoa e apenas pelo seu daemon poder ter uma noção da sua natureza?

Voltamos a encontrar Lyra Belacqua, aqui apenas um bebé, e os nossos protagonistas são Malcolm e Alice, duas crianças muito especiais. O modo como o autor retrata crianças é muito realista. As crianças nestes livros (como na vida) fazem o que é preciso para sobreviverem, mesmo que isso seja mentir, atacar inimigos, ou mesmo matar. Tal como os adultos fazem escolhas que os definem, e não são retratados como seres angélicos, ou inocentes. São heróis realistas.

Estou ansiosa pelo segundo volume da trilogia porque gostei muito da personagem principal, Malcom. Recomendo a todos os que leram a trilogia Mundos Paralelos, e se não leram não sei do que estão à espera.

Boas Leituras!

Goodreads Review

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Acabei de Ler – Poesia de Alberto Caeiro

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Para quem tem um e-reader há um recurso em português que é incontornável, que é o projecto Adamastor. Nele encontramos vários livros gratuitos para download que já estão em domínio público.

Uma das coisas que tirei de lá foram vários livros de poemas de Fernando Pessoa e seus heterónimos. Desta vez escolhi ler Alberto Caeiro.

Não me vou alongar em considerações sobre quem era este heterónimo, a sua biografia ou filosofia. Há muitos recursos disponíveis na Internet que o explicarão melhor que eu. Saliento apenas que era um poeta profundamente ligado à natureza e ao visível, que sentia a realidade com os seus sentidos em vez de com o pensamento. “Pensar é estar doente dos olhos” diria ele num dos seus poemas do Guardador de Rebanhos.

Eu gosto da sua visão realista sobre a natureza e o que nos rodeia. A forma simples como ele encara o mundo fá-lo viver no aqui e agora, sem ansiedades sobre o futuro, ou expectativas irrealizáveis. Por isso não teme a morte nem o dia de amanhã, uma porque é natural, o outro porque não existe.

Acho que é uma visão libertadora do mundo, e que nos pode beneficiar a todos.

Aconselho a todos os amantes de poesia, e de pensar.

Boas leituras!

Goodreads Review

Acabei de Ler -Lord of Chaos, Wheel of Time #6

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Desta vez fui mais rápida e já terminei o sexto volume da saga Wheel of Time. Ainda não peguei no sétimo porque estou a fazer um esforço para diversificar a leitura, mas fiquei com vontade de mergulhar já na continuação da história.

Quem tem lido as minhas opiniões sobre estes livros sabe que eles são bons e com uma boa história, mas que têm algumas falhas que me enervam um bocadinho. Por um lado as personagens femininas que são em geral irritantes. Por outro há imagens que o autor repete até à exaustão. Já não posso ler um dos 3 personagens principais masculinos dizer que não percebem nada de mulheres e os amigos é que são especialistas nesse assunto. Isto é dito 4 a 5 vezes por livro. Ou a Nynaeve a dar puxões à sua trança porque está enervada, o que acontece dezenas de vezes por capítulo no qual ela aparece.

Mas neste sexto volume a história finalmente ganhou um bom ritmo, coisas surpreendentes aconteceram que me fizeram ficar agarrada ao livro. Eu sou uma leitora chata, que está sempre a tentar perceber o que vai acontecer a seguir, e infelizmente já é difícil ser surpreendida por algum volte-face, por isso sempre que isso acontece fico contente e não dou o meu tempo por perdido.

Alguns dos meus personagens favoritos também reapareceram e deram um bom contributo à história, por isso estou optimista para o volume seguinte que marca exactamente metade do total desta saga.

Recomendo a quem leu os outros 5 e quer seguir uma história de fantasia bem contada.

Boas leituras!

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Acabei de Ler – Michael Palin’s Hemingway Adventure

Michael Palin

Ando numa fase em que, por variados motivos, não tenho tido muita cabeça/tempo para ler. No entanto, há sempre tempos mortos para preencher, nem que seja antes de adormecer e resolvi recorrer a um velho amigo (Michael Palin) e um tema que me é confortável, a literatura de viagens.

Assim, dos vários livros dele que tenho no Kindle, resolvi escolher um que toca o tema da literatura em geral. Por altura do centenário do nascimento de Hemingway, Michael Palin fez um documentário para a BBC, a partir do qual escreveu depois este livro. A intenção era viajar por todos os sítios onde o escritor viveu ou viajou, e que foram impactantes na sua vida e na sua escrita. Ao mesmo tempo pudémos avaliar também o impacto que a presença de Hemingway teve nos próprios locais, quer em quartos de hotel onde esteve que foram transformados em verdadeiros santuários (Espanha e Cuba, por exemplo), ou como na Florida onde se faz anualmente um concurso de sósias. Mas um pouco por todo o lado que o escritor pisou, a indústria do turismo capitalizou esse facto, e verdadeiros magotes de gente tentam recriar os passos de Hemingway.

Considerando que este livro foi escrito há exactamente 20 anos atrás, é também interessante ver como muitos desses sítios mudaram e se ajustaram nos dias de hoje, em que há mais turismo que nunca.

De Hemingway ainda só li o Velho e o Mar, há muitos anos, e apesar de ter gostado fiquei com a sensação que muito do significado me estava a escapar pelos dedos da juventude. Agora, depois de ler este livro e de ter ficado a conhecer um pouco melhor a vida do escritor, fiquei com mais vontade de pegar num livro dele e perceber porque é considerado por muitos um semi deus da escrita. Ficará para breve.

Até lá, recomendo este livro a todos os fãs de Hemingway, ou do Michael Palin, ou de literatura de viagem em geral.

Boas Leituras!

Goodreads Review

 

Livros que Recomendo – A Cor da Magia

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Já não era sem tempo vir aqui recomendar um livro de Terry Pratchett, um dos autores mais amados no seu género, algo indistinto entre fantasia e ficção cientifica. Ele é o criador do Discworld, um mundo em formato de disco voador suportado por 4 elefantes, que anda à deriva no universo às costas duma tartaruga de sexo desconhecido. Se vos parece uma ideia louca, é porque o é.

Mas mais que louco, estes livros são insanamente divertidos. A Cor da Magia foi onde começou toda a história, que se expande ao longo de cerca de 41 livros, com toda a trama a ser passada neste mundo, se bem que não necessariamente ligada. Temos vários ciclos de histórias, que seguem diferentes personagens chave, e neste livro temos o até agora meu favorito Rincewind, um feiticeiro falhado e com pouca sorte, a quem tudo acontece ao contrario do esperado, e que tem um certo desespero sarcástico com o qual muito me identifico.

Há outras séries de histórias muito interessantes, que seguem personagens engraçados, como a morte, as bruxas, etc, mas destaco este livro, porque embora não sendo o melhor foi a estreia de Terry Pratchett com este mundo.

Há várias teorias de qual a melhor maneira de ler ou abordar esta série gigante de livros que demorou 32 anos a escrever e que creio que só terminou pela doença e consequente morte do seu autor. Eu sou um bocadinho obsessiva, e gosto de ler por ordem de publicação, mas aqui não há regras e podemos escolher um dos arcos da história e seguir por aí. Neste artigo ficam com uma ideia das possibilidades.

Mas peguem no que pegarem, aconselho a darem uma oportunidade a estes livros, porque têm diversão garantida e mesmo algumas reflexões sobre a nossa sociedade e o nosso mundo escondidos pelo meio.

Recomendo a todos os fãs do género, a todos os que gostam de se divertir com um bom livro, e os que gostam de conhecer coisas novas e diferentes.

Boas Leituras!

Livros que Recomendo – Into Thin Air

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Faz sensivelmente um ano, mais coisa menos coisa, que eu vim aqui recomendar o livro mais conhecido deste escritor. Into the Wild é um dos livros que ainda hoje tem um lugar especial no meu coração, e que eu gosto de partilhar com quem gosta de bons livros.

Mas Jon Krakaeur é um jornalista de actividades ao ar livre, desportos radicais, e por isso embarcou numa expedição ao Everest em 1996 para escrever sobre o assunto para a sua revista da altura, a Outside. Tendo sido uma das mais letais épocas de escalada que há memória, Krakaeur viu a sua vida em risco e vem neste livro contar os factos no seu ponto de vista.

Em 1996 várias expedições e montanhistas a solo estavam a preparar-se para ascender ao cume da montanha mais alta do mundo. Duas dessas expedições, a de Rob Hall (Adventure Consultants) e Scott Fisher (Mountain Madness) estavam entre as maiores e os seus guias eram uma espécie de super estrelas do montanhismo. Muita coisa correu mal nesta expedição. Em resumo, a subida foi começada a 6 de Maio, numa tentativa de evitarem a tempestade que se sabia estava a caminho e chegaria a 10 de Maio, no entanto muitos erros foram cometidos por todos os envolvidos, e a descida acabou por atrasar imenso, tendo sido apanhados em pleno pela enorme tempestade. Houve mortos do lado Norte e Sul (as duas vias de aproximação ao cume), no entanto foi o Sul o lado mais afectado, também porque estava mais sobrelotado. No total, nestes dois dias morreram 8 pessoas, e na época toda 12.

Mas estes são apenas os factos, relatados a frio, e o livro é muito mais que isso. Krakaeur é um exímio escritor, perito em dar vida aos seus personagens, que neste caso eram pessoas bem reais, com história, família, ambições e responsabilidades. Apesar de não ser um olhar isento, já que a sua ascensão ao cume foi feita integrado na equipa de Rob Hall, um neo-zelandês que estava a poucos meses de ser pai, tem uma visão a partir do interior, que muito nos ajuda a viver também esses dias trágicos.

O montanhismo, a escalada destes gigantes terrenos exerce um fascínio em muitos que me ultrapassa. Mas gosto de ler sobre isso sentada no conforto do meu sofá, com os pés quase ao nível da água do mar. Não percebo esta coisa de desejar estar sempre com a adrenalina em alta, sempre no fio da navalha, no entanto respeito quem gosta de se desafiar dessa maneira, e este livro está magistralmente escrito. Tal como em Into the Wild, chorei copiosamente com o final deste livro, já que o autor tem o condão de tornar os personagens em nossos amigos pessoais.

Tal como o anterior, também este livro foi polémico, com muitas respostas de outros dos presentes que contaram as suas versões. Mas este é um dos testemunhos e muito bem escrito. Alguns dos sobreviventes deste desastre já morreram entretanto noutras escaladas, o que nos deixa a pensar.

Foi feito um filme em 2015 (e um telefilme anteriormente do qual nem vale a pena falar), que sem ser espectacular é bastante interessante.

Recomendo a todos os amantes de não ficção, de livros bem escritos, de adrenalina e desportos radicais e da vida em geral.

Boas Leituras!

Acabei de Ler – The Doll Maker

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O terceiro livro que li este ano foi o primeiro que verdadeiramente me entusiasmou. Mais uma oferta do Netgalley, escolhi-o essencialmente pelo titulo e pela pequena sinopse, porque me pareceu uma história diferente do habitual, e não estava enganada.

The Doll Maker apresenta-nos a história de Andrew e Bramber, duas pessoas diferentes e especiais mas que têm em comum o amor por bonecas de colecção, daquelas de porcelana feitas à mão. Na realidade, Andrew é o Doll Maker do título do livro, um mestre na sua arte. A história é-nos revelada lentamente, nada é dado antes de ser necessário, arte que se encontra perdida em tantos livros de agora, em que tudo é exposto preto no branco logo de inicio, como se os leitores não fossem capazes de relacionar conceitos, ler nas entrelinhas ou tolerar um pouco de ignorância inicial para ir descobrindo tudo a seu tempo, como quem desembrulha um presente.

Dentro deste livro temos ainda outro. Um livro de contos de Ewa Chaplin, uma fazedora de bonecas também, que escreveu estes contos que são tão fantásticos e grotescos como as bonecas que a tornaram famosa. Este livro é um dos favoritos de Bramber, e Andrew lê-o na esperança de a conhecer melhor. Acho que ambos se identificam com toda aquela estranheza e as histórias dão um pano de fundo às personagens principais, fazendo-nos vê-las com outros olhos, e percebendo as suas motivações.

Mas esta dualidade faz com que tenhamos que estar sempre a prestar muita atanção à trama, porque a menor distracção faz-nos perder o rasto aos personagens, ficar sem saber muito bem onde estamos, quer na história, quer geograficamente (Andrew está a fazer uma viagem por Inglaterra), quer cronologicamente, já que a vida das histórias principais vai-nos sendo revelada aos poucos sem nenhum marcador temporal para sabermos às quantas andamos.

Esta é uma história de amor, diferente e esquisita, mas é essencialmente um livro que nos fala sobre a diferença, sobre como sobreviver num mundo cheio de preconceito e julgamento sendo especial, e os mecanismos de sobrevivência que as pessoas desenvolvem. Foi um belissimo livro, uma mistura do fantástico com o real (há quem o considere ficção especulativa) que esteve comigo bastante tempo, como um tesouro.

Recomendo a todos os que gostam de histórias novas, diferentes, sobre o bizarro e o inexplicável, no fundo sobre todos nós.

Boas Leituras!

Goodreads Review

The third book I read this year was the first one that really excited me. It was another one requested on Netgalley, and I chose it essentially because of its title and description. It seemed to be an unusual story, and indeed it was.

The Doll Maker shows us the story of Andrew and Bramber, two very different and special people that share the love for collectible handmade dolls. In all fact, Andrew is the Doll Maker from the book’s title, or at least one of them, and he is a master in what he does. The story comes to us slowly, nothing is given before it is really necessary, and this was also an art. In most books nowadays we are told everything from the start, as if we could not think for ourselves or cope with the suspense of not knowing all the details immediately.

 Then there’s the book inside the book. Andrew is making a trip around the UK, and while he does so he reads the short story book from Ewa Chaplin, also a doll maker, and who is Bramber’s favourite author. He does so in the hopes to get some insight about Bramber, but while he is at it, he finds out the stories really relate to him on a very personal level. These stories help us understand some of the background for the main plot, historically, emotionally and help us understand the characters motivations.

 Due to this, we can never stop paying full attention while reading this book, as we might lose the plot, or stop understanding where and when we are in the main story. It is a challenge, as we are unaware of the exact timescales in which we navigate, but it is this challenge that makes this a great book.

This is a love story, but a different, special one. Essentially this book celebrates difference, how to embrace it and survive in a world full of prejudice and judgement, and the coping mechanisms we end up developing. This book was a treasure that stayed with me a long time.  

 I recommend it to all of those who like beautiful , weird stories, about the bizarre and the unexplained, which means about each and every one of us.

Happy Readings!

Acabei de Ler – One Part Woman

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Ano a terminar e eu resolvi prolongar a pausa na série Wheel of Time para ler mais um livro do Netgalley. Este é passado na Índia rural, algures no passado recente, e é escrito por um autor indiano de origem Tamil.

Conta-nos a história de Kali e Ponna, um casal novo mas já com 12 anos de casamento. Não têm filhos, apesar das inúmeras oferendas a muitos deuses diferentes e isso torna-os motivo de escárnio do resto da aldeia e preocupação/recriminação para o resto da família.

Kali e Ponna amam-se profundamente, e são muito felizes a dois, mas o peso da pressão social leva-os a tentar medidas cada vez mais desesperadas para conseguirem ser abençoados com uma criança e voltar a pertencer ao seu círculo social.

Este livro, que descreve a sociedade indiana dum modo tão cru e por vezes sarcástico, levou a violentos protestos no Sul da Índia por parte de grupos religiososos hindus, culminando com o livro a ser banido. Mais tarde o Supremo Tribunal considerou que isso era ilegal, e admoestou o Estado para proteger melhor os seus escritores. Essa foi a importância social que este livro já atingiu.

Podemos ler este livro como o retrato dum país numa determinada época, ou podemos aproveitar para fazer uma reflexão sobre nós próprios. Quantas vezes nos deixamos influenciar por aquilo que os outros esperam de nós, quantas vezes perseguimos uma coisa porque é aquilo que era suposto termos ou sermos, quantas vezes moldamos os nossos desejos à medida dos outros, mesmo inconscientemente? Não vivemos numa aldeia da Índia rural, mas as redes sociais e os seus justiceiros tornam a nossa vida bem mais pequenina. Se acham que não, pensem em quantas pessoas já foram despedidas ou fizeram pedidos de desculpas públicos por pressão das redes sociais. E quem de nós achar que está imune, é só fazer um dia o comentário errado no sítio errado.

E mais importante, quantos de nós, tal como Kali e Ponna, já são felizes sem o saberem?

Recomendo a todos os que gostam duma boa história, diferente e que nos faz pensar.

Boas Leituras!

Goodreads Review

As we near the end of the year I decided to prolong my break on the Wheel of Time series I’ve been Reading, and dive into another Netgalley book. This is set in rural India and was written by a Tamil writer.
It tells us the story of Kali and Ponna, a young couple with a childless, 12 years marriage. They still don’t have any children, despite all the offers they have made to countless deities and penances made to appease the gods.

Kali and Ponna love each other deeply and are very happy as a couple, however the social pressure takes them to the brink of despair, and they escalate the sacrifices made to the gods in the attempt of finally conceiving a child and come back to the good graces of family and neighbors alike.

We can look at this book as a portrait of a country on a particular time, or we can choose to make a reflection about ourselves. How many times do we let ourselves be influenced by other people’s expectations about how we should lead our lives? How many things do we pursue just because we believe we were meant to have them, or be a certain way to achieve happiness? How many times do we shape our wishes according to other people’s own desires, even without realizing it? We may not live in rural India, but the social media nowadays can make our world very small indeed. If you do not believe it, think about people that have lost their jobs or were forced to public apologies as a consequence of social media pressure. And if you believe you are immune to it, wait until unwillingly you make the wrong comment in the wrong place.

And, the most important thing of all, how many of us, just like Kali and Ponna, are already happy without realizing it?

I recommend it to everyone who likes a good story that also makes you think.

Happy Readings!

Acabei de Ler: The Quiet You Carry

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Apesar do que eu disse num dos últimos posts, acabei por conseguir descolar um bocadinho da série Wheel of Time. Quando peguei no quarto volume, percebi que afinal queria mesmo alguma coisa nova e diferente e por isso fui até às minhas sugestões do Netgalley buscar qualquer coisa radicalmente diferente para me entreter. E não me arrependi.

The Quiet You Carry é o romance de estreia de Nikki Barthelmess, uma escritora americana que passou parte da sua juventude em lares de acolhimento (dos 12 aos 18 anos percorreu 6 casas diferentes) e resolveu traduzir a sua experiência num livro. Como ela própria diz no posfácio, a história que ela conta não é a dela, nem a de ninguém próximo dela, mas o resultado de anos de experiência com um sistema que por vezes falha, e que ela conhece por dentro.

Neste livro seguimos a história de Victoria, uma jovem de 17 anos que vê a sua vida virada do avesso numa noite em que determinados acontecimentos com o seu pai precipitam a sua saída de casa e realojamento num lar de acolhimento com uma mãe adoptiva que gere as suas “filhas” como se fosse um militar num quartel. A partir daí acompanhamos as suas dificuldades de adaptação, as suas inseguranças, a falta de confiança em toda a gente quando a pessoa em quem ela mais confiava lhe falhou.

As reacções são muito verossímeis, conseguimos imaginar que a cabeça duma adolescente abusada tenha aquela espiral de pensamentos, oscilando entre a culpa, a raiva, a suspeita e a dúvida, causando um turbilhão interno que se estende ao meio envolvente.

Como sempre com estes livros do Netgalley não faço ideia se será editado em português, e ainda é cedo para saber porque o livro só será comercializado em Março de 2019, mas de qualquer modo fica já a recomendação para quem gosta de histórias bem contadas, sobre temas difíceis, sem melodramatismos desnecessários.

Boas Leituras!

Goodreads Review

No one can really see the quite you carry, unless you let them.

Despite what I said in one of my previous posts, that I would not be able to let go the Wheel of Time series to embark on a different reading, I managed to do just so. When I started the 4th book of the series I just felt like I wanted something different, so I opened my Netgalley folder on my Kindle and picked “The Quiet You Carry” on the hopes that it would be different enough. And I wasn’t wrong.

This book is Nikki Barthelmes debut novel, an american writer that spent part of her teen years in foster care in Nevada (from 12 to 18 years old she had 6 different homes) and she decided to translate her experience into a book. This story is not her personal story, or from anyone she knows, but a conjunction of the experiences she learned while in foster care, a system that is flawed and she knows from inside out.

We follow Victoria’s story, a 17 year old young girl that finds herself thrown out of her home by her own father overnight, and sees her life be turned upside down just when she was about to graduate. One night events send her to foster care, to Connie’s house that is ruled with an iron fist and is filled with rules and regulations. We then go on to see how she adapts to her new school, how she struggles to fit in, and how she has a difficulty in trusting someone else, seeing that the person she should trust the most failed her.

Her reactions are very believable, and it’s not hard to believe that those conflicted emotions would fill the mind of an abused teenage girl. She goes from guilt to anger to self-doubt causing such turmoil that will escalate to her environment.

As usual with Netgalley books, I have no idea if this will ever be translated to Portuguese, and it is still early to tell, as the book is only coming out next March, but I leave the recommendation anyway to all of those who like good stories, well told, about different things and settings than the ones we are used to.

Happy Readings.

 

 

Acabei de Ler: The Great Hunt, Wheel of Time 2

Wheel of time

Foi há mais de 15 dias que terminei de ler o primeiro (e grande) volume desta série. Na altura, apesar da escrita não ser deslumbrante, a história era suficientemente interessante para decidir pegar no próximo volume.

Pelo meio, ainda tentei ler um livro de não-ficção, mas que infelizmente se revelou tão desinteressante que nem dei conta dele aqui. Por isso sem demoras voltei ao mundo de Rand al’Thor e seus amigos, na expectativa de continuar a seguir a história do Dragão.

Este segundo volume está muito mais bem conseguido. A história é contada com bom ritmo, as coisas fazem sentido e têm um encadeamento lógico, e temos muitas surpresas e ligações desconhecidas lá pelo meio. A trama continua centrada no pequeno grupo que saiu de Dois Rios em fuga dos Darkfriends, mas desta vez eles encontram-se todos separados e envolvidos em questões próprias. Quase desesperamos por vezes, mas no final temos uma conclusão suficientemente coesa para conseguirmos voltar a respirar.

Esta é outra das vantagens destes livros. Em cada um dos volumes a história fica suficientemente resolvida para conseguirmos respirar de novo e esperar calmamente por vontade de ler o próximo, mas como a história está a desenvolver bem não conseguimos espaçar muito a leitura.

Recomendo a todos os amantes de livros de fantasia, a quem gosta de histórias bem contadas, com um sistema de magia bem desenvolvido e coerente.

Boas Leituras!

Goodreads Review