O Primeiro Maigret

Pietr the Latvian

Aqui há bem pouco tempo o Netgalley deu-me a oportunidade de conhecer o Inspetor Maigret e o seu autor, Georges Simenon. Como gostei tanto, aproveitei as férias para ler aquela que foi a sua primeira história, porque nada como começar pelo início para perceber bem a evolução duma personagem.

Maigret é radicalmente diferente do meu outro inspetor de estimação, o Poirot. Para começar, interessa-se muito mais pelo método científico, as provas, é um homem de acção, de fazer, mais do que ficar parado a pensar. No entanto, tal como o nosso amigo belga, é um profundo conhecedor da natureza humana e do que motiva as pessoas.

O facto de toda a acção se passar em Paris torna o livro muito refrescante, pois é uma quebra com a realidade anglo-saxonica que nos é constantemente apresentada.

O facto de ter sido escrito em 1929 torna este livro muito livre, sem a ditadura do politicamente correto que nos escraviza hoje em dia, por isso podemos encontrar coisas escritas que seriam impensáveis nos dias de hoje.

Aconselho a todos os amantes de policiais, e boas histórias, bem escritas.

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Para Isabel

Isabel

Acabei há pouco tempo de ler o livro de António Tabucchi, For Isabel, a mandala. Apesar de ser um autor bastante conhecido em Portugal, principalmente por causa de Afirma, Pereira, eu nunca tinha lido nada dele e não sabia o que esperar, para além dum livro dum autor estrangeiro passado no nosso país, que foi publicado após a sua morte.

Nesse sentido não sei sequer se o título que o Netgalley me proporcionou (mais uma vez esta fonte na origem de tantas alegrias) é ou não um típico livro deste autor, mas isso apenas me deixa com o”problema” acrescido de ter de ler outras obras para criar uma base comparativa. Parece-me um bom problema para se ter.

Este livro é tal e qual o que o nome indica, uma mandala. Isabel é uma mulher misteriosa que desapareceu antes do 25 de Abril e que o narrador procura incessantemente em círculos concêntricos, dentro e fora do seu pensamento. Não sabemos bem quem é Isabel, muito menos quem a procura, mas de algum modo isso não é relevante para a história, tanto quanto os círculos que vão sendo feitos na descoberta e que vão revelando um pouco dum país poético à beira da revolução, e a busca de alguém que perdemos e que está escondido no seu nada, que um dia se cruzará com o nosso.

Para quem for fã de histórias lineares em que tudo faça extremo sentido, este não é o livro certo. Mas para quem goste de ser conduzido por um certo realismo místico, lírico, esta pequena obra será uma companhia deliciosa.

Para mim, o único ponto fraco foi a sua tradução para inglês. Se encontrasse versão em português, leria de novo, porque é dos raros casos em que acho que a tradução era tosca. E nem me refiro ao triste bacallá, que demorei uns minutos a perceber que era o nosso fiel amigo.

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Viagens pela América

Bill Bryson - The Lost Continent

Há dois momentos que marcam a minha vida literária. Aos 14 anos quando eu li Os Meus Problemas do Miguel Esteves Cardoso, e que marcou o ínicio da minha leitura de livros de adultos, e quando comecei a trabalhar na empresa onde estou agora, com gente de muitas proveniências e nacionalidades, e começámos a trocar ideias de leitura. Isso foi o abrir dum novo mundo até então desconhecido e que se veio consolidar com a compra do Kindle.

Bill Bryson apareceu nesse segundo momento, emprestado por uma amiga, e foi a minha entrada na literatura de viagens. Não me lembro exactamente o primeiro livro dele que li, porque já li muitos, mas é capaz de ter sido Neither here or there, que relata viagens pela Europa com um amigo seu em interrail, e achei delicioso, com o seu sentido de humor mordaz e percepção aguda da realidade. Depois disso vieram muitos mais, mas acho que o meu favorito é A Short History of Nearly Everythingum livro cujo título não deixa margem para dúvidas, mas que é uma espécie de história das ciências. Inclusivamente já o ofereci algumas vezes.

Agora estava numa daquelas fases que não sabia no que havia de pegar e decidi-me por este livro que tinha aqui para ler há bastante tempo, Travels in Small Town America. Ora, este foi o primeiro livro deste autor, escrito nos finais dos anos oitenta, acerca dumas viagens que fez pelo interior da America na tentativa de recrear as férias de verão que passava em família na sua infância.

Como retrato histórico e sociológico tem algum interesse, pois estamos em plena era Reagan e podemos ver as mudanças que se operaram (ou não) desde essa altura na America. Há comportamentos que pressentimos que seriam hoje em dia impensáveis, ou pelo menos mais disfarçados, o mundo já passou por alguns momentos de crise económica e isso terá afectado severamente algumas das áreas por onde o autor passou (Detroit, por exemplo, onde num momento de clarividência o autor se pergunta o que acontecerá à cidade se no futuro a indústria automóvel deixar de estar tão florescente).

Mas no geral é um livro que não tem a mesma chama dos outros que li, e nalguns momentos quase que me invadia um desespero por o tormento nunca mais acabar. Numa visão puramente objectiva, eu podia simplesmente fechar o livro e partir para outra, já o tenho feito outras vezes, mas alguma coisa me impossibilitou de tomar essa decisão e continuei estoicamente até ao fim. Parecia que havia sempre a esperança que houvesse alguma pérola de sabedoria escondida nas páginas finais. Não havia.

Se não conhecem este autor, aconselho vivamente, tem um humor sarcástico delicioso, uma visão da vida que nos deixa mais do que um sorriso, com uma sonora gargalhada, mas não aconselho este livro. Aconselho os outros dois que falei acima, para começar. Deixo-vos um momento do passado que era no entanto estranhamente relevante para o nosso presente.

On Fifth Avenue I went into the Trump Tower, a new skyscraper. A guy named Donald Trump, a developer, is slowly taking over New York, building skyscrapers all over town with his name on them, so I went in and had a look around. The building had the most tasteless lobby I had ever seen-all brass and chrome and blotchy red and white marble that looked like the sort of thing that if you saw it on the sidewalk you would walk around it. Here it was everywhere-on the floors, up the walls, on the ceiling. It was like being inside somebody’s stomach after he’d eaten pizza.

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Inspector Maigret

Maigret

Eu sou uma pessoa que até gosta de livros policiais, e bastante fã de Agatha Christie, especialmente dos livros do Poirot. No entanto, até o Netgalley me ter apresentado este livro do Inspector Maigret eu nunca tinha lido nada desta série, nem sequer tinha visto nada em cinema ou televisão. Suponho que seja por associar o autor (Georges Simenon) a uma coisa francesa e chata que só passava no canal 2 depois da meia noite, ou livros que eram vendidos em alfarrabistas, e por isso nunca dei o beneficio da dúvida.

Entretanto a minha opinião sobre as coisas que passam no canal 2 depois da meia noite, e sobre os livros que são vendidos em alfarrabistas mudou radicalmente e talvez tenha sido isso que me levou a pedir este livro. E, mais uma vez, ainda bem que o fiz.

O Inspector Maigret é na realidade o equivalente francês do Poirot. As histórias são passadas maioritariamente em Paris, e Simenon foi um escritor incrivelmente prolífico, tal como a Agatha Christie. Maigret foi um personagem largamente inspirado num inspector que existia na vida real, amigo do autor, e, a julgar por esta história, com um feitio especial.

O livro que li, Maigret and the Tall Woman (Maigret et la Grande Perche no original), foi publicado em 1951, sensivelmente a meio da carreira literária dos livros de Maigret, que vão desde 1931 a 1972. Menos cerebral que Poirot, o inspector gosta de pôr as mãos na massa e liderar a investigação, com um séquito de fieis adjuntos. No geral, gostei bastante, principalmente porque saímos das paisagens típicas do mundo anglo-saxonico e estamos num ambiente mais europeu, o que torna o livro mais cativante. Quase que me conseguia imaginar numa esplanada parisiense a beber um Pernod com o Kindle na mão e  a ler o desenrolar do caso.

Tenho mais 74 livros para o poder fazer, mas fica definitivamente na minha bucket list. O livro, aconselho a todos os fãs de histórias policiais que queiram passar um bom bocado. Da minha parte vou investigar mais títulos.

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A Fortaleza Impossível

Impossible Fortress

Esta Páscoa, altura que costumo gostar tanto, está a ser um bocadinho diferente das anteriores. Basicamente dei um grande jeito às costas e encontro-me quase imobilizada. Até as tarefas mais básicas são uma dificuldade neste momento (como por exemplo estar no computador a dar os retoques finais neste post que escrevi maioritariamente no telefone), e neste momento só espero que o fim de semana prolongado seja suficiente para recuperar. Aceitam-se dicas de bons acunpuntores na zona de Lisboa.

Mas, por outro lado, e como há limites para a má televisão que se vê, os meus livros vão de vento em popa. E terminei mais um oferecido pelo Netgalley. Este, na realidade, já o tinha pedido há tantos meses como “desejo” que até me tinha esquecido dele, mas veio em boa altura. Um livro ligeiro passado em 1987 e totalmente imerso na cultura dos anos 80. Apesar de eu não ser uma saudosista e preferir até coisas viradas para o futuro, este livro trouxe-me alguns sorrisos e algumas recordações engraçadas, e creio que fará o mesmo a todos os que cresceram neste década.

A história centra-se num rapazinho que é um ás da programação no seu Commodore 64, e tem como sonho fazer jogos de computador, ter a sua própria empresa e ser famoso. Creio que isso será comum a muitos milhares de rapazinhos que viveram aqueles anos, a diferença é que o Billy conheceu uma rapariga à altura, e juntos embarcam numa aventura que os leva a criar a Fortaleza Impossível, o melhor jogo criado até à data.

Tudo isto no meio do que é crescer naquela década, com toda a pressão dos amigos para fazeres parte dos fixes, coisa que se perpetua até hoje.

Uma leitura fácil, simples, mas que entretém e nos deixa com um sorriso, mesmo o que eu estava a precisar nesta altura. Se forem à página do autor aqui, podem jogar o jogo num emulador do Commodore 64.  Eu já o fiz e disse-me que eu era “Just OK”.

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Fall of Hyperion

Fall of Hyperion

Acabei ontem de ler The Fall of Hyperion, a continuação do último livro que li,  que tinha sido incrível e que acabou num momento de intenso suspense. Por isso, acto contínuo, agarrei logo na sequela.

O primeiro e expectável choque, é que a acção começa num ponto diferente, com personagens diferentes, embora conhecidas do volume anterior.
No entanto, depressa nos apercebemos que a qualidade narrativa é a mesma, o crescendo de interesse é o mesmo, e continuamos profundamente envolvidos e cativados por esta história. Já é difícil os livros conseguirem surpreender-me duma forma tão absoluta como este, e dei por mim muitas vezes de boca aberta no autocarro. O final também está muito bem conseguido e as reviravoltas, que muitas vezes parecem um bocadinho forçadas, aqui foram sempre a propósito e inesperadas, o meu pensamento era sempre “I did not see this coming.

Pensei muitas vezes ao longo deste livro que parece incrível ter sido escrito em 1991, já que continua tão actual. Os problemas ecológicos causados pela nossa espécie, a arrogância com que nos achamos donos do planeta e de tudo à sua volta como se estivéssemos sozinhos no Universo levanta um dilema ético e moral sobre o qual raramente reflectimos.
Até onde a nossa relação com as máquinas pode e deve ir, é algo que merece ser pensado também. Estamos (quase) todos (quase) sempre ligados, caminhando a passos largos para tornar ficções científicas em realidades. Eu própria escrevo este post num smartphone a caminho de casa depois de ter lido o livro no Kindle. Infelizmente ainda num autocarro da Carris e não num farcaster, mas baby steps.

É certo que este é um livro de ficção cientifica pura e dura, mas é muito mais que isso. É uma reflexão filosófica sobre o nosso lugar no Mundo e no Universo, sobre o papel da tecnologia nas nossas vidas, a religião como salvadora da humanidade ou como indutora de alienação. Se deixarmos, é um livro que nos faz pensar ao mesmo tempo que nos mantém pregados a uma história interessante e vertiginosa e que não me cansarei de recomendar.

E no final de tudo, o último guardião da empatia humana é um poeta. Não há como não gostar deste livro.

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“My God,” whispered Meina Gladstone, looking down at the body of Admiral Singh. “I’m doing all of this on the strength of a dream.” “Sometimes,” said General Morpurgo, taking her hand, “dreams are all that separate us from the machines”.

O Inferno segundo Patricia Melo

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 Acabei recentemente de ler mais um livro brasileiro. A literatura brasileira é muito refrescante, e esta autora, que eu não conhecia, consegue fazer um retrato muito realista sem ser miserável duma realidade da qual ouvimos falar, vemos por vezes em filmes (A Cidade de Deus é o que mais vem à ideia), mas que mesmo assim parece muito distante.

Reizinho é um menino duma favela do Rio de Janeiro, e durante todo o livro vamos seguir a sua história e a de todos que com ele se cruzam. Patricia Melo trabalha também como guionista, e isso é patente em todo o livro, de tal modo são intensas as suas descrições. Como leio essencialmente nos meus percursos de autocarro, às vezes quando levantava os olhos do livro para ver onde estava, tinha dificuldade em situar-me, de tal modo estava imersa no Rio de Janeiro.

Mas a história foi também muito cativante. Em retrospectiva, nenhum dos personagens, nem mesmo o Reizinho, conseguem criar empatia, e com muitos (a irmã dele por exemplo) eu sentia-me genuinamente irritada. Todos vivem de subterfúgios, de esquemas, todos querem ser mais espertos, mais ricos, mais fortes, melhores que os outros. E isso é verdade na favela, em Copacabana, ou em qualquer outro lugar do mundo.

Muito rápido de ler, estou curiosa em relação a mais livros da escritora. Recomendo a todos os que queiram ver mais do Brasil do que a Globo mostra.

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A arte de mudar e viajar

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Aqui há uns dias (bastantes) terminei de ler mais um livro proporcionado pelo Netgalley. Este será publicado algures no início de 2017 e relata-nos a história verídica de Kim Dinan e o seu marido que largaram casa, emprego estável, família e largaram pelo mundo a viajar. Para puderem de algum modo ser parte deste projecto, uns amigos próximos ofereceram-lhes um envelope amarelo com dinheiro para distribuírem como achassem relevante, sem grandes preocupações a não ser sentirem-se bem a fazê-lo.

Este é o ponto de partida daquele que à primeira vista é um livro de viagens, mas que na realidade é uma história sobre a procura do auto-conhecimento, uma jornada de crescimento, e o que é que cada um de nós precisa realmente para nos sentirmos felizes.

Kim precisou de 2 anos a viajar e um envelope amarelo para fazer uma busca interior e perceber o que é que a fazia sentir feliz e realizada. Outros precisarão de mais ou de menos, mas acho que a mensagem mais importante deste livro é que nunca é tarde para fazermos alguma coisa por nós e realmente olharmos para dentro e percebermos o que nos faz felizes. Se nesse processo conseguirmos trazer felicidade a mais alguém, melhor ainda.

A vida de Kim é muito diferente hoje, e podemos segui-la no seu blog, onde ela ainda tenta espalhar alegria.

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A Canção de Taduno

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Este ano tenho aproveitado para explorar um pouco mais a literatura africana, já que a par da asiática é onde eu tenho maiores lacunas.

O Netgalley, de que eu já falei num post anterior, tem sido uma ajuda preciosa nesse capítulo pois tem-me dado a conhecer imensos livros e autores aos quais eu não chegaria de outra forma. Só a título de exemplo, o argelino Yasmina Khadra e a moçambicana Paulina Chiziane.

Esta foi mais uma vez uma aposta ganha, ao ter tido o prazer de ler o livro de estreia deste autor nigeriano. Uma espécie de história alegórica que nos remete a um passado recente em que a Nigéria esteve debaixo do jugo duma junta militar, mas que faz eco de qualquer país que tenha vivido a realidade duma ditadura.

E nessa realidade fala-nos do poder da música como catalizador de mudança, como agregador dum povo, e também do dilema de ser fiel aos nossos princípios ou ser fiel àqueles que nos são próximos.

Não é um livro perfeito, e em certos pontos a narrativa é um pouco monótona e confusa, mas de qualquer forma é um livro que aconselho pela originalidade com que aborda um tema delicado. Por enquanto apenas disponível em inglês.

A Vegetariana ou o mundo dos sonhos

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Falei há uns tempos no vencedor do Man Booker International deste ano, The Vegetarian, e finalmente tive a oportunidade de o terminar. Mesmo agora que a versão traduzida para português está quase a chegar.

Foi um livro difícil de entrar a principio, e durante as primeiras páginas estive um pouco indecisa se gostava ou não do que lia. O primeiro narrador não é um personagem por quem se sinta simpatia, e as diferenças culturais são notórias e nem sempre fáceis de gerir, principalmente para nós mulheres. No entanto a história começa a desenrolar-se e a ser cada vez mais envolvente e leva-nos de arrasto pelo estranho mundo dos sonhos.

Na realidade o vegetarianismo não é o ponto central do livro e serve apenas como ponto de partida, ou se quisermos, como ponto de referência. Neste caso é um símbolo de quebra das normas e convenções, de asserção de individualidade pessoal e de como isso pode ser incómodo para os que nos rodeiam.

Até que ponto é fácil para nós seguirmos os nossos sonhos e as nossas convicções, ou estamos na realidade presos a ideias pré concebidas, e conceitos de normalidade e sobretudo a uma ideia muito generalizada de como a vida deve ser vivida e a que padrões devemos aderir. Até que ponto seguir indiscriminadamente um sonho sem apoios acaba por nos poder levar à loucura.

Um livro que é por vezes lindíssimo, com imagens de pura beleza, principalmente no segundo capítulo, noutras vezes frio e brutal, lê-se num sopro e deixa-nos a pensar.

Recomendo a todos que gostam de histórias pouco convencionais, do colorido asiático e de reflectir.

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“Perhaps this is all a kind of dream” She bows her head. But then, as though suddenly struck by something, she brings her mouth right up to Yeong-hye’s ear and carries on speaking, forming the words carefully, one by one. “I have dreams too, you know. Dreams… and I could let myself dissolve into them, let them take me over… but surely the dream isn’t all there is? We have to wake up at some point, don’t we? Because… because then…”