Livros que Recomendo – Calvin e Hobbes

calvin e hobbes

Esta é daquelas recomendações que na realidade não é preciso fazer, porque não haverá ninguém que não conheça o Calvin e Hobbes e que não tenha lido já pelo menos algumas tiras deste piratinha de 6 anos, pesadelo de qualquer pai. Calvin & Hobbes foi uma tira de comics que foi publicada em jornais um pouco por todo o mundo e que correu desde 1985 a 1995, com dois períodos de pausa pelo meio. O seu autor, Bill Watterson, batalhou sempre pela liberdade criativa e conseguiu mesmo que as suas tiras de domingo quebrassem o tamanho convencional e lhe permitissem aventurar-se em outros voos.

Calvin é um menino de 6 anos cujo melhor amigo é um tigre de peluche. Os seus pais sofrem bastante na tentativa de o educar, mas são também possuidores dum sarcasmo delicioso. Susie é a amiguinha/vizinha, mas como é rapariga deve ser evitada a todo o custo. Estes são os principais ingredientes destas tiras de BD, onde vivemos a maior parte do tempo no mundo interno do Calvin onde Hobbes é um tigre a sério que o acompanha em muitas aventuras. Longe de ser uma BD infantil, aqui se reflecte sobre temas importantes e filosóficos, normalmente o sentido da vida e de como ocupamos o nosso tempo.

10 anos não foi muito tempo para uma BD tão genial, mas mesmo assim temos vários livros editados para poder relembrar estas tiras, que são intemporais. Ou, no meu caso, olhar para o futuro com alguma apreensão. Recomendo a todos os fãs de BD, e em geral a quem gosta de se divertir com coisas sérias.

Boas Leituras!

calvin strip

Nomeados para Prémio Booker 2020

Booker 2020

Foram anunciados na terça-feira dia 28 de Julho os nomeados para o prémio Booker 2020. Não tendo lido ainda nenhum, deixo-vos algumas impressões dos que me parecem mais interessantes olhando para as sinopes.

  • The New Wilderness de Diane Cook – Este é o segundo livro desta jovem autora, e tal como o primeiro foca-se nos problemas ambientais e alterações climáticas. Bea tem uma filha de 5 anos, Agnes, que está a morrer com doenças provocadas pela poluição. Para a sua sobrevivência têm que ir para uma zona remota e intocada, para permitir a Agnes recuperar. Parece-me uma premissa extremamente interessante, mas um livro demasiado negro para o meu estado de espírito presente.
  • This Mournable Body de Tsitsi Dangarembga – Este é o terceiro livro desta jovem escritora do Zimbabwe, que escreve sobre a luta duma mulher para encontrar o seu lugar num mundo em permanente mudança, e a sua relação com o país e o seu passado. Os seus dois livros anteriores foram sobre a mesma personagem, por isso para mim eu teria que começar pelo primeiro antes de chegar aqui, por uma questão de contexto.
  • Burnt Sugar de Avni Doshi – Mais uma história escrita por uma jovem autora, e mais uma história sobre a relação entre mãe e filha, neste caso quando a mãe começa a ter dificuldades de memória e precisa que tomem conta dela. Mais uma vez me parece um pouco negro para a minha disposição actual.
  • Who They Was de Gabriel Krauze – Primeiro livro escrito por um homem, e primeiro desta lista que genuinamente me interessou. Daniel Krauze cresceu na zona Norte de Londres e viveu uma juventude ligada a crime e gangs. Este livro, o seu primeiro, é a sua história ficcionada, e mostra um lado da cidade que nós preferimos nem saber que existe.
  • The Mirror & The Light de Hilary Mantel – Temos aqui pela primeira vez uma autora consagrada, e cujos dois primeiros livros desta trilogia ganharam o Booker Prize, por isso este livro é um sério concorrente mais uma vez. Thomas Cromwell é a personagem central e comum a estes livros, e este começa após a decapitação de Ana Bolena. Ficção histórica não é dos meus géneros favoritos, apesar de já ter lido alguns que gostei. Não me entusiasma muito, apesar de ter a certeza que será um bom livro.
  • Apeirogon de Colum McCan – Este é um livro escrito duma forma não convencional para nos falar de algo que é comum a todos os seres humanos, a dor da perda de um filho. Isso é que o que une dois amigos improváveis, um palestiniano e um israelita, que vivem tempos conturbados.
  • The Shadow King de Maaza Mengiste – Retiro o que disse anteriormente, a propósito do livro da Hilary Mantel, porque afinal há ficção histórica que me interessa. Este livro conta a história dum conflito pouco falado aquando da Segunda Guerra Mundial, que é a invasão italiana da Etiópia. Contado na perspectiva duma orfã que é empregada dum oficial do exército etíope e que se torna uma lutadora contra os italianos. Fiquei bastante interessada.
  • Such a Fun Age de Kiley Reid – um livro aparentemente mais leve, mais uma vez duma jovem escritora. O primeiro livro de Kiley Read fala-nos de problemas de raça nos Estados Unidos, tópico muito actual e pertinente. Primeiro livro publicado por esta autora, parece-me ter um tema interessante e uma história simpática.
  • Real Life de Brandon Taylor – Um jovem autor afro-americano conta-nos a história dum jovem cientista gay, oriundo duma pequena cidade americana, que tenta fugir ao seu passado ao mesmo tempo que mantém a distância dos seus amigos do presente para preservar a sua intimidade. Mas os acontecimentos obrigá-lo a lidar com a sua realidade.
  • Redhead by The Side of The Road de Anne Tyler – Uma autora já consagrada, vencedora dum Pulitzer, vem falar-nos da história dum homem absolutamente vulgar, apesar de ter algumas especificidades, e como algumas surpresas vêm completamente revolucionar a sua vida. Parece-me um dos livros mais interessantes desta seleção.
  • Shuggie Bain de Douglas Stuart – outra sólida aposta, o primeiro livro deste autor escocês sobre as dificuldades vividas na Escócia em plena era Thatcher, onde se lutava com o desemprego, a dependência de drogas e alcóol, onde ter uma vida melhor parecia um sonho distante. A história de 3 filhos duma mãe alcoólica e um pai ausente, e o que é preciso fazer para sobreviver.
  • Love and Other Thought Experiments de Sophie Ward – mais uma estreia, desta vez da autora Sophie Ward. Este é mais uma vez um livro diferente, inspirado em experiências filosóficas sobre o pensamento, particularmente filosofia da mente. Tem boas reviews em geral, e parece interessante.
  • How Much of These Hills is Gold de C Pam Zhang – Mais um livro de estreia duma jovem escritora, coisa que foi o tema dos prémios Booker este ano. Aqui temos outro romance histórico, passado com dois irmãos de origem chinesa que perdem os pais em plena época de corrida ao ouro americana, e que partem numa aventura para sobreviver nesse território inóspito e hostil. Mais um que me pareceu muito interessante.

No meio destes 13 títulos pelo menos 5 parecem-me uma boa aposta, e livros que potencialmente poderia ler no futuro imediato, apesar da minha lista de livros a ler ter mais de 500 em espera.

Já leram algum destes, algum vos parece interessante? Têm algum favorito para a vitória? Digam o que vos parece.

Boas Leituras!

Acabei de Ler – Os Trabalhos de Hércules, Poirot #27

poirot 27

Pois que eu continuo na minha própria versão dos trabalhos de Hércules, estoicamente a ler (quase) todos os livros do Poirot por ordem de publicação, e cheguei ao vigésimo sétimo de 42. Digo quase todos porque já decidi que não vou ler os livros de contos, e este volume veio mais uma vez reforçar esta ideia.

Nos Trabalhos de Hércules Poirot decide, mais uma vez, que chegou a altura da reforma. Mas antes de isso acontecer tem a ideia de deslindar mais 12 casos, todos inspirados nos trabalhos do seu homónimo. E aí reside o problema deste livro, que não é mais que uma colecção de 12 contos, interligados apenas por um conceito, e que mesmo assim muitas vezes é demasiado rebuscado. A maior parte das histórias tinha um fim demasiado previsível, e a única coisa que o salvou, na minha opinião, foi o aparecimento fugaz da Condessa Rossakoff, o interesse romântico do nosso herói, que deu um bocadinho de cor a este livro tão cinzento.

Na realidade não recomendo este livro a ninguém, excepto os obsessivos-compulsivos como eu, que têm a mania de ler bibiografias inteiras por ordem de publicação. Eu lá continuarei os meus trabalhos, e de acordo com a lista do Goodreads, que foi a que escolhi seguir, faltam-me 12 livros com histórias completas do Poirot até chegar ao final.

Boas Leituras!

Goodreads Review

 

Livros que Recomendo – Manual de Civilidade Para Meninas

Manual civilidade

Pierre Louÿs foi um escritor do final do séc. XIX, principio do século XX que escreveu poesia e romances. Centrou-se bastante em literatura e poesia eróticas, e queria expressar sexualidade pagã com perfeição estilistica. O Manual de Civilidade para Meninas é, como o nome indica, um manual para jovens raparigas. Mas o que será a definição de civilidade para Pierre Louÿs?

Não esperem um manual de boas maneiras como o da Paula Bobone. Aliás, esperem tudo menos isso. Também não é um livro erótico no sentido tradicional. É mais uma sátira aos bons costumes, às coisas que se fazem às escondidas enquanto se mantém uma aparência virginal, e sobretudo a uma moral vigente castradora e redutora. É baseado nos manuais de boa educação vigentes na altura, e uma paródia aos mesmos.

É preciso ter uma grande dose de sangue frio e a capacidade de não nos chocarmos com nada, para conseguirmos retirar o fino humor que está embuído deste livro. Para pessoas mais sensiveis, que não suportem palavrões, não serão capazes de se abstrair da crueza da escrita e chegar à mensagem por trás. Mas se tiverem mente livre serão capazes de apreciar o humor nestas páginas. Esta versão está enriquecida com umas belas ilustrações que pontuam o discurso e que valem a pena ver.

Recomendo a todos os que gostam de livros diferentes, interessantes, que nos fazem rir e pensar.

Boas Leituras!

Livros que Quero Ler – Os Cus de Judas

antonio lobo antunes

Nunca li nada de António Lobo Antunes, e na realidade não tenho bem a certeza de querer ler. Tenho algum receio que seja demasiado depressivo para mim, que já sou dada a melancolias. No entanto sinto que isso é uma falha importante no meu conhecimento literário, já que ele é uma das figuras mais incontornaveis da nossa literatura actual, e já foi falado para o Nobel. Tem uma obra vastíssima e imensos prémios, para além de que muita gente a quem admiro o gosto literário fala muito bem dele. Portanto, tenho mesmo que colmatar a minha falha.

Tenho cá por casa muitos livros dele, e um deles é este, Os Cus de Judas, que só pelo nome já dá vontade de lhe pegar. Depois, o livro começa assim:

Do que eu gostava mais no Jardim Zoológico era do rinque de patinagem sob as árvores e do professor preto muito direito a deslizar para trás no cimento em elipses vagorosas sem mover um músculo sequer, rodeado de meninas de saias curtas e botas brancas, que, se falassem, possuíam seguramente vozes tão de gaze como as que nos aeroportos anunciam a partida dos aviões, sílabas de algodão que se dissolvem nos ouvidos à maneira de fins de rebuçado na concha da língua.

E depois segue com toda uma descrição longa sobre o Jardim Zoológico e como era viver  perto dele. Eu própria vivi durante 27 anos numa rua próxima do Jardim Zoológico e todo aquele começo soa muito familiar. Tal como o ringue de patinagem onde passei longas tardes a aprender com o mesmo professor preto, mas que já era mais velho e não andava de patins. Estava simplesmente lá, a ensinar crianças avulsas que iam lá passar as tardes, e sem receber nada em troca. Ensinou-me a fazer a posição de borboleta, o carrinho, e corrigia-me constantemente a posição de patinar. Dizia-me que no hoquei a velocidade é importante, por isso patina-se em frente, e não para os lados. O meu eu de 6 anos, sem apetência para o hóquei, pensava que lhe apetecia era patinar livremente, mas o meu eu de 45 entende o privilégio que tive.

Por todas estas razões, este parece-me um bom livro para começar na obra de António Lobo Antunes, apesar de ainda não saber quando terei capacidade emocional para o fazer. Se alguém tiver outra sugestão dum livro melhor, por favor partilhem comigo.

Até lá, Boas Leituras!

Acabei de Ler – 30 e Poucos

30 e poucos

Estava outro dia a fazer zapping à noite antes de adormecer e passei pelo Canal Q, mais concretamente o programa Quem Desdenha, da Susana Romana. A convidada era a Joana Marques e supostamente aqui discutem-se coisas universalmente adoradas, mas que os convidados não gostam. Uma ideia engraçada e decidi ficar a ver. A certa altura Joana Marques falou deste livro como sendo muito bom, ao ponto de ela agora querer ler tudo deste autor. A maneira como ela falou despertou-me o interesse e resolvi ler o livro também.

Quem é Antonio Prata? Antonio Prata é um cronista brasileiro que escreve uma crónica semanal para o jornal A Folha de São Paulo. É também guionista da Globo. É uma espécie de Ricardo Araújo Pereira brasileiro, com as devidas distâncias. E este livro é uma colectânea das suas melhores crónicas e acompanham a vida dos escritor. Ele fala de coisas banais e quotidianas dum modo muito divertido, mas é também capaz de abordar temas mais profundos, como a paternidade, o envelhecimento, o ser brasileiro, sempre com muito humor e leveza. Para mim o único senão foi não ter abarcado alguns temas na sua totalidade, porque eram muito especificamente brasileiros e faltou-me aquele conhecimento de piada privada.

Recomendo muito a quem gosta de crónicas, de se divertir enquanto lê, de pensar levemente sobre coisas interessantes. Excelente livro para o verão. No final, também eu fiquei com vontade de ler mais coisas do autor.

Boas Leituras!

Goodreads Review

 

The Fool’s Song

william carlos williams

I tried to put a bird in a cage.
O fool that I am!
For the bird was Truth.
Sing merrily, Truth: I tried to put
Truth in a cage!

And when I had the bird in the cage,
O fool that I am!
Why, it broke my pretty cage.
Sing merrily, Truth: I tried to put
Truth in a cage!

And when the bird was flown from the cage,
O fool that I am!
Why, I had nor bird nor cage.
Sing merrily, Truth: I tried to put
Truth in a cage!
Heigh-ho! Truth in a cage.

William Carlos Williams

Livros que Recomendo – Em Casa

em casa bill bryson

Em Casa é mais um livro de Bill Bryson que eu venho recomendar. Depois de se ter dedicado durante anos a livros de viagens, Bill Bryson embarcou na pesquisa histórica e apresentou-nos o brilhante Breve História de Quase Tudo, onde nos levou à descoberta da história do conhecimento cientifico e os seus principais protagonistas.

Neste Em Casa – Breve História da Vida Privada ele vai mais uma vez passear connosco pela história, mas desta vez de modo diferente. Pegando numa casa de campo tipicamente britanica (um rectory, ou casa dedicada a um membro do clero), que foi em tempos a sua casa, Bill Bryson mostra-nos cada divisão, e nela fala-nos na sua história, significados, mas também a evolução dos modos e materiais de construção. No fundo, tal como o nome indica, é a história da nossa vida de todos os dias que nos é mostrada aqui, coisa que fica longe dos maçudos livros que apenas nos mostram acontecimentos grandiosos mas distantes e (aparentemente) sem conexão com a nossa vida actual.

Aqui é exactamente o percurso oposto, tudo o que existe agora, como o humilde autoclismo, teve uma génese, foi pensado em resposta a um problema (neste caso de saneamento e saúde pública) e é de uso comum ainda hoje. Aqui reside a beleza deste livro. Levar-nos com bom humor e leveza num passeio pela história que não é normalmente contada, mas que é muito relevante. Se todos os livros de história fossem assim bem escritos, e as aulas assim tão interessantes, não haveria tanto desconhecimento sobre o assunto.

Recomendo a todos os que gostam de livros bem dispostos mas sobre assuntos sérios e interessantes, os que gostam de aprender enquanto se distraem com os livros.

Boas Leituras!

Dicas Para Suportar Esta Onda de Calor

himalaias

O Peixinho sofre muito com o calor. Fico com dificuldade em dormir, as pernas inchadas e uma má disposição generalizada. Mas tenho algumas dicas que quero partilhar convosco para ultrapassar uma onda de calor como estes últimos dias.

  • Carreguem sempre o kindle no máximo, para diminuir o número de vezes que o fazem. Sempre é menos um carregador ligado à corrente a produzir calor.

 

  • Se estiverem a ler livros em papel, escolham livros com poucas páginas, para dispenderem menos energia a segurá-los e assim produzirem menos calor corporal.

 

  • Talvez agora não seja a melhor altura para ler aquele livro que se passa na selva tropical do Bornéu. Mantenham-se em sitios frescos, ou histórias passadas no inverno. Eu, por exemplo, estou a ler um livro sobre uma viagem aos Himalaias e delicio-me com aquelas descrições de paisagens cheias de neve.

 

  • Na eventualidade de nada disto resultar, ou o livro que começaram há dias se passar numa ilha das Caraíbas, ponham água num alguidar com umas pedras de gelo e mergulhem os pés lá dentro. Se o livro estiver bem escrito vão conseguir imaginar-se na praia.

 

  • Se tiverem a sorte de estar de férias num sitio com água, melhor. Não saiam de lá (de dentro de água!)

Espero ter ajudado a suportar dias como o de hoje. Claro que nestes extremos quase nada bate um bom ar condicionado na minha opinião, mas para aqueles que não têm (como eu), toda a ajuda é pouca.

Boas, e fresquinhas, leituras!