Acabei de Ler – O Canto de Aquiles

achilles

Cheguei a este livro por ver falar do mais recente livro desta autora, Circe, em todo o lado. Por algum motivo, apeteceu-me começar por um título mais antigo, este Song of Achilles. Começo por dizer que às vezes as traduções dos títulos para português me enervam um bocadinho, e este é um bom exemplo disso. Em quase todas as línguas que reconheço, o título foi traduzido tal como é, A Canção de Aquiles. Mas nós, na nossa ansia de ser diferentes, ou mais eruditos ou sei lá o quê, tivémos que ser diferentes e traduzir por O Canto de Aquiles, que não é de todo tão adequado. A canção é aqui utilizada como forma de imortalizar Aquiles, no sentido da canção com o seu feito épico que foi cantada através dos tempos, e não como a sua capacidade de cantar. Mas indignações à parte, que isso não tira mérito ao livro.

Não sou profundamente conhecedora de mitologia grega, apesar de ter tido um interesse fugaz durante a minha adolescência, por isso não corria o risco de ficar chocada com inconsistências. No entanto, pelo que tenho lido nas reviews, parece-me que a autora se manteve fiel ao cerne da história. E que história é essa? A de Aquiles, pois claro, o melhor de entre os gregos, guerreiro afamado filho de um homem e uma deusa, e que aqui é contada pelo seu fiel companheiro Patroclus. A visão desta autora é interessante e segue estes dois desde crianças, tornando-os humanos aos nossos olhos, mais do que meros mitos, mas pessoas com sentimentos, inseguranças, decisões importantes a tomar que moldam as suas vidas e as dos que os rodeiam. Isto aliado a uma boa escrita, segura, sem floreados desnecessários, com acção que corre pelas páginas e nos leva atrás.

Era mesmo um livro assim que me andava a apetecer ler, bem escrito, cheio de acção de nos fazer ficar agarrados às páginas, e este livro não desiludiu. Recomendo a todos os que gostam de uma boa história, bem ritmada, mais ainda se forem fãs de mitologia. Mas não precisam de o ser para apreciarem devidamente este livro, em que todos os personagens são ricos e interessantes.

Boas Leituras!

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Acabei de Ler – Pole to Pole

pole to pole

Não mantenho estatísticas elaboradas de leitura, mas este é bem capaz de ser o ano em que mais li livros de viagens. Certamente uma medida correctiva ao facto de não poder viajar.

Quando lemos livros de viagens que foram escritos há várias décadas temos que considerar que estão obviamente desactualizados. Mas quando o livro não é um guia, mas o relato duma jornada empreendida, o resultado final assemelha-se a um documento histórico, uma espécie de retrato duma época passada. Isto é especialmente verdade neste Pole to Pole de Michael Palin, a road-trip gigante que levou este Monty Python desde o Polo Norte ao Polo Sul ao longo do meridiano 30, por cerca de 5 meses em 1991. Chernobyl tinha acontecido em 1986, o muro de Berlim tinha caído em 1989 e em 1991 dá-se o colapso da União Soviética, sensivelmente 3 dias depois de Michael Palin ter passado por lá (suponho que sem relação causa-efeito). Na realidade, a Ucrânia, onde os seus entrevistados viam como uma miragem a independência, libertou-se da URSS 10 dias após a sua visita.

Mas ler este livro é como ter acesso a velhas polaroids que descobrimos numa gaveta há muito fechada. Palin comenta com admiração como todos os habitantes duma região do Ártico tinham telemóvel devido ao isolamento em que viviam, o que era uma coisa ainda pouco comum.  Também atravessar de ferry de Helsinquia para Tallin era entrar na URSS. E foi assim um pouco por todo o lado. Andou no Sudão que estava na altura devastado por uma guerra civil, entrou na Etiópia 3 meses depois duma revolução que levou à deposição do líder da altura, Mengistu Haile Mariam, e esteve na África do Sul meses depois do fim do apartheid.

Uma verdadeira aventura, e apesar de nos descrever as condições de muitos dos sítios onde ficou, que eram muitas vezes pior que más, nunca cede à tentação de deixar que seja esse o factor mais importante da jornada, nem as saudades de casa se sobrepõem à brilhante narrativa. Um livro muito mais interessante de ler que o último que tinha lido, do Ewan McGregor (nota-se que fiquei mesmo mal impressionada com esse livro?).

Recomendo a todos os que gostam de aventura, viagens, humor, mas também história e cultura. Não sairão defraudados.

Boas Leituras!

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At the station, all the destination boards are in Arabic, and I have to ask a porter the platform for Luxor. ‘Nine,’ he assures me with confidence. ‘No, no!’ another man shakes his head with equal confidence, ‘eight.’ I appeal to a sensible-looking man with glasses, ‘Is it eight or nine for Luxor?’ ‘Luxor?… Eleven.’ By now it’s beginning to sound like a bingo session, as passers-by helpfully shout numbers in my general direction. Fortunately a passageway is marked ‘8, 9, 10, 11’, so I take that and am met at the other end by an extremely helpful and courteous railway official: ‘Yes … it is Number Eight, sir’. The train for Luxor leaves at half-past seven, from Platform Ten.

Acabei de Ler – Sangue na Piscina, Poirot #26

Poirot 26

Ora cá está finalmente um livro do Poirot que eu desconhecia verdadeiramente. Que refrescante poder ler sem qualquer tipo de ideia preconcebida, ou memória visual. E este foi um bom mistério, bem escrito, em que na maior parte do tempo parecia que tínhamos mais informação que o nosso herói, ou pelo menos que sabíamos pormenores importantes primeiro.

Uma série de convidados vão juntar-se na mansão chamada The Hollow, um nome já de si sugestivo. Até o crime acontecer tínhamos apenas leves suspeitas sobre quem ia ser assassinado, ou seja nem a vítima era óbvia. E durante a maior parte da trama eu tive apenas leves suspeitas de quem era o assassino. Um luxo.

O mais giro neste livro, para além do facto de não ser óbvio, é que nós estávamos sempre à frente do Poirot na trama. Como não tem um companheiro de investigações, um Hastings ou um Japp, tal como no livro anterior, nós não sabemos os factos por conversas entre eles, mas é-nos mostrada a narrativa à medida que ela decorre, e as deduções psicológicas vão-nos sendo apresentadas através de avanços ou recuos na trama. Mesmo a descoberta final é diferente da habitual, sem a habitual reunião de suspeitos e monólogo de Poirot, mas mais uma vez é com um acontecimento que descobrimos a verdade.

Gostei bastante, recomendo a todos os fãs de Poirot, e de mistérios em geral.

Boas Leituras!

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Acabei de Ler – Quarto de Despejo

"Quarto de Despejo - Diário de uma favelada"

Já tinha este livro na minha lista de livros para ler há algum tempo quando esta semana vi menção a ele noutro blog que sigo (aqui). Resolvi que seria o próximo livro a ler, e assim fiz.

Carolina Maria de Jesus era uma mulher negra, que apanhava lixo (papel, ferros, latas) para vender e assim arranjar dinheiro para alimentar os seus 3 filhos. Apesar de ter apenas 2 anos de escola tiha muito prazer em ler e escrever. A escrita do seu diário ajudava a mascarar a fome e a dispersar a tristeza que a pobreza lhe causava. No final da década de 50 do século passado foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas que percebeu a riqueza que se encontrava nestes diários e a ajudou a publicá-los. Foram um tremendo êxito e permitiram-lhe sair da favela para uma casa de alvenaria, e mudou radicalmente a sua vida.

Estes diários são fortíssimos, um relato duma vida dura e por vezes cruel, onde a cada dia há a incógnita se vai haver o que comer. Os vizinhos debatem-se com o mesmo problema e a convivência nem sempre é pacífica. O alcóol é uam realidade diária, a doença, a falta de condições de vida. É difícil ler e pensar que ainda nos dias de hoje há muita gente a viver nas mesmas condições, que mesmo quando o resto do mundo evolui a pobreza extrema está sempre presente.

Quero crer que hoje em dia temos uma consciência diferente, e alguns mecanismos mais para ajudar em situações extremas como esta, pelo menos aqui na velha Europa, mas se calhar sou eu que estou a ter uma visão romântica da realidade.

Vale muito a pena ler e reflectir. No final do livro queria saber mais sobre como mudou a vida de Carolina Maria e dos seus 3 filhos, se a vida tinha sido mais suave depois do sucesso do livro. Após alguma investigação fiquei a saber que a filha mais nova é professora, mas dos mais velhos pouco descobri. Espero que tenham tido uma vida mais fácil que a da sua mãe.

Curiosamente este livro passa-se entre 1955 e 1960, poucos anos depois do último livro brasileiro que li, Agosto, e faz-se alusão a muitos dos factos que lá foram descritos, o que me deu um sentimento de familiaridade interessante.

Recomendo a todos os que gostam de livros de não ficção, de ler sobre realidades nem sempre bonitas mas que nos podem fazer olhar para os outros com outros olhos.

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O senhor Manoel apareceu dizendo que quer casar-se comigo. Mas eu não quero porque já estou na maturidade. E depois, um homem não há de gostar de uma mulher que não pode passar sem ler. E que levanta para escrever. E que deita com lápis e papel debaixo do travesseiro.

Acabei de Ler – Os Cinco Suspeitos, Poirot #25

Poirot 25

Depois de ler 4 livros seguidos que não eram do Poirot cheguei a uma encruzilhada em que não sabia bem o que me apetecia ler a seguir. Nas últimas semanas, nem sei bem como, acrescentei largas dezenas de livros à minha interminável lista de livros para ler, ao ponto de ter ficado um bocadinho assoberbada e sem vontade de ler nada. Quando isso acontece, Poirot é sempre um porto seguro, um livro que se lê rápido, entretém, sem necessitar duma dose extra de células cinzentas, que nem sempre estão disponíveis nesta altura.

E portanto lá fui eu para este 25º título da série. Mais uma vez ao fim dumas páginas comecei a ver o episódio da série na minha cabeça, e já sabia perfeitamente quem era o assassino e como tinha feito o crime, mas o mais importante nestas coisas é a jornada e não o destino final.

E esta jornada é de excelência, do melhor que Agatha Christie nos habituou. Aqui Poirot vai investigar um crime cometido há 16 anos atrás, a pedido da filha da condenada pelo mesmo, que morreu um ano depois. Pode parecer confuso, mas na realidade é muito simples, e muito interessante. Todos os participantes da trama são entrevistados habilmente por Poirot, e é-lhes pedido um relato escrito do que se lembram do acontecimento, que vem incluido na narrativa. Poirot está muito presente neste livro, e temos acesso aos seus pensamentos, coisa que não acontecia nos livros anteriores. Talvez por não ter um contraponto, como Hastings, para nos ajudar a perceber os meandros do seu raciocinio.

O culpado não é de todo óbvio e pela primeira vez sai impune, o que também é uma raridade nestes livros de Agatha Christie. Apesar de conhecer tão bem a história, foi um prazer ler, e recomendo a todos os que são fãs, mesmo sem ser incondicionais. Este é um mistério mesmo bem montado. Vamos ao próximo!

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Acabei de Ler – Long Way Round

long way round

E aqui termina mais um livro de viagens lido em 2020, para manter a chama acesa enquanto estamos mais ou menos confinados. Este sobre uma épica viagem de mota à volta do globo, indo de Londres a Nova Iorque pelo caminho mais longo, em direcção a Este.

Toda a gente sabe quem é Ewan McGregor. Para alguns Obi-Wan Kenobi, para mim o eterno Mark Renton de Trainspotting. Na sua vida privada Ewan McGregor tem desde miúdo um amor profundo por motos, que aumentou quando conheceu o seu grande amigo Charley Boorman. Juntos decidiram fazer esta viagem de Londres a Nova Iorque pelo lado mais longo, sempre de mota, nem sempre por estradas dignas desse nome. O resultado encontra-se neste livro e numa série televisiva.

Talvez seja por ter lido este livo quando ia a meio de Pole to Pole de Michael Palin que foi inevitável para mim fazer comparações. Apesar dos meios de transporte escolhidos serem diferentes, existem algumas semelhanças na tarefa de atravessar o globo, seja porque lado for. Mas comparado com a escrita escorreita e sóbria de Palin, mesmo permeada do seu humor, a destes dois autores fica muito aquém. Palin existe nos seus livros, porque é ele que faz a jornada, mas é como se fosse um pano de fundo para a beleza e estranheza que é o mundo que o rodeia e passa por ele, e que ele tem prazer em apresentar. McGregor e Boorman são o principal factor dos seus livros, o que poderia não ser mau se eles não fossem tão chatos. Páginas e páginas a descrever porque escolheram uma BMW em vez duma KTM, ou como sentem saudades das suas família. A beleza dos lugares e a magia da viagem perdem-se no meio dum queixume constante.

É difícil acreditar no final do livro quando eles dizem que foi a melhor viagem das suas vidas, e que vão ter imensas saudades, quando as páginas anteriores apenas nos mostraram as dificuldades, as discussões, a eterna saudade da família. Todos sabemos que uma jornada como esta há-de ser extremamente difícil, e é por isso que apenas uma fracção da humanidade tem a oportunidade de a fazer. Mas se apenas mostrarmos o lado mau, os leitores ficam sem perceber porque é que se deram ao trabalho.

Lá pelo meio percebemos que atravessaram algumas das paisagens mais belas do planeta (mas estavam demasiado deprimidos para as apreciar) e que na generalidade dos casos foram sempre acolhidos pelos locais com carinho, e que foram mais que uma vez salvos do desastre por estranhos de passagem, mas esses factos são apenas um fait-divert no meio da sua depressão constante.

Gostaria de recomendar este livro, mas acho que não o vou fazer. Leiam apenas se forem fanáticos do Ewan McGregor, ou de motas, mas vão avisados. Agora, de volta a livros de viagens a sério.

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Acabei de Ler – Uma Educação

educated

Está a ser um ano recheado de livros de não-ficção. Dos 24 lidos até agora, 7 são memórias, livros de viagem e afins. E um dos que estou a ler intermitentemente é outro livro de viagens. Viver a vida por proxi, indicado para os tempos que experienciamos.

Este foi um livro muito difícil de ler, não literariamente falando, mas porque aborda questões complicadas dum modo muito directo e sem rodeios. Educated, em português Uma Educação, é exactamente sobre isso, a educação da protagonista, Tara Westover. Tara nasceu no Idaho, no seio duma familia mormone que acreditava que o fim dos tempos estava próximo e que tinham que se preparar para tal. O pai tinha uma profunda desconfiança do governo, por isso os filhos nunca foram à escola, e Tara só teve direito a uma certidão de nascimento aos 9 anos, e mesmo essa sem certeza da data.

É no meio do negócio de sucata do pai, e de ervanária da mãe que Tara cresce, ajudando um e outro, consciente do seu papel no mundo como mulher e como devota. Tudo isso começa lentamente a mudar quando Tara decide ir para a faculdade e estuda sozinha para o conseguir. Permeando tudo isto temos a doença mental do pai (nunca reconhecida pelo próprio e pelos mais próximos), o fanatismo religioso, e a relação abusiva dum irmão.

Tara é uma pessoa muito especial que habitou um mundo tão diferente do nosso que parece impossível que seja deste século. Mas é, num país ocidental, nos anos 90 e 2000 que se desenrola a acção deste livro. Com internet, telemóveis e todos os confortos modernos, ao lado duma mentalidade do século XIX. Foi um livro muito interessante, mostra muito o impacto que recebemos da nossa família e da nossa educação primordial, mas também o poder de abrir mentes que tem estudar e ler muito.

Recomendo a todos os que gostam de bons livros, com histórias cativantes e de superação, e que gostam de estar bem informados. Livros sobre o nosso poder interior de superação.

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Acabei de Ler – Agosto

Agosto

Rubem Fonseca faleceu a 15 de Abril, um dia antes de Luís Sepúlveda, mas sem ter o mesmo alcance mediático, pelo menos aqui em Portugal. O que me impressionou foi o meu desconhecimento deste autor. Com imensa gente a referir-se a ele como um nome maior da literatura brasileira contemporânea e eu nunca tinha ouvido falar dele. Como leitora, senti-me envergonhada. Depois, pus-me a pensar nos escritores brasileiros que já tinha lido (Jorge Amado, Chico Buarque, Patricia Melo, Moacyr Scliar, João Ubaldo Ribeiro, André Sant’Anna) e pensei que realmente conheço muito pouco de tão rica literatura e resolvi começar a colmatar isso desde já.

Foi neste contexto que escolhi Agosto, de Rubem Fonseca para começar esta incursão. O início do livro foi difícil. Não só o vocabulário é muito calão brasileiro, no qual não sou versada, como a história entra simultaneamente por várias frentes, com transições abruptas. Por vezes passavam-se várias frases até eu perceber que estávamos noutro contexto. Claro que este cérebro mal dormido de pessoa em quarentena com um bebé em casa há mês e meio não me ajudam a ser brilhante, mas mesmo assim sentia-me a desmotivar. Depois resolvi investigar um bocadinho sobre o contexto histórico do livro. Passa-se em Agosto de 1954, nas semanas que culminam com o suicídio do presidente em exercício Getúlio Vargas, e embora seja ficção, muito da história assenta no ambiente que se vivia na época. Essa pequena pesquisa deu-me uma nova perspectiva e foi com entusiasmo que retomei o livro.

O Comissário Mattos é o heroi desta história. O único polícia incorrupto de toda a força, o que não aceita dinheiro dos bicheiros e que se preocupa com as condições dos presos na sua cadeia, é um homem desenquadrado do seu ambiente, que os outros respeitam e odeiam ao mesmo tempo. Ele vai ser encarregado de investigar um estranho assassinato que se deu no início do mês, e que tem implicações políticas escondidas. É a partir daqui que toda a trama se desenrola, sempre entrelaçada com os factos históricos que iam ocorrendo, e que enriqueceram muito a história. Um livro com imagens fortes, com sexo e violência, com trama política e policial, uma viagem muito intensa. Mais que o assassinato que lhe dá o mote, e que está resolvido a meio do livro, é a caminhada política de Getúlio Vargas em pano de fundo que dá o tom principal ao livro. Coisas que continuam tão actuais, como manipulação da imprensa, corrupção política, manobras de bastidores, são a trama real desta obra, onde a realidade e ficção se misturam primorosamente. Muito rica e interessante.

Recomendo a todos os amantes de boa literatura, crua e forte como a vida, que gostam de literatura brasileira e boas histórias em geral.

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Acabei de Ler – Contos da Montanha

contos da montanha

Ainda há pouco tempo vim aqui recomendar o Bichos, de Miguel Torga, e o que me fez lembrar deste livro foi ter começado a ler o também seu Contos da Montanha. Ou se calhar foi ao contrário, agora não consigo precisar. O que é certo é que este livro me acompanhou nas últimas semanas, alguns contos de cada vez, antes de mudar para um novo livro. Porque este livro é assim, um tesouro para ser saboreado aos poucos e nos encher de arte.

Miguel Torga é transmontano, e a montanha que esse livro se refere são as terras altas transmontanas, onde a vida era (e ainda será?) difícil, dura, dependente dos caprichos da natureza, que tanto dá e tanto exige. Cada conto destes é uma pequena porta de entrada para um mundo que se passava no nosso país, mas que bem podia ser na lua. Há histórias duras, diferentes, outras cheias de beleza, mas todas nos marcam de algum modo.

A primeira de todas, Maria Lionça, é fortíssima, uma espécie de Pietá transmontana, e marca logo o tom de todo o livro, dureza, dignidade e beleza.

Gostei muito, consegue perceber-se porque Miguel Torga foi candidato a um Nobel, e recomendo a todos os que gostam de boa literatura, de clássicos portugueses, que gostam dum livro que é para ser saboreado aos poucos. Uma pérola.

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Acabei de Ler – Morte na Praia, Poirot #24

Poirot 24

Mais uma vez, com espírito de missão, resolvi pegar no Poirot seguinte para me entreter nos poucos minutos que tenho livres agora. Foi difícil levar esta história avante, pois mal “abri” o livro e vi um pequeno mapa ilustrativo do local onde se passa a trama, percebi imediatamente de que história se tratava, e lembrei-me quem era o assassino. Isso foi um bocadinho desanimador, e quase desisti de ler, mas como tenho que ler estas coisas por ordem para ter algum equilibrio interno, perseverei.

E ainda bem que o fiz, pois já não me lembrava das motivações do crime, e tenho que reconhecer que esta trama está muito bem desenhada. E depois, como em todos os anteriores, é uma delícia ler em inglês e ver pedaços da personalidade da escritora a permear a história.

É uma história simples, um triangulo amoroso, em que um homem casado se apaixona por uma deslumbrante mulher, também casada. Enquanto passam férias todos juntos num pitoresco hotel da costa inglesa, ela aparece morta por estrangulamento numa praia. Suspeitos óbvios não faltam, mas a história, como sempre, não cai em facilitismos.

Recomendo a todos os fãs de Agatha Christie e Poirot, mas também a todos os que gostam duma boa história para estar entretidos nestes tempos de pandemia.

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