Acabei de ler – O Natal de Poirot, Poirot #20

poirot 20

Este livro começa com uma introdução da própria Agatha Christie, uma espécie de carta ao seu melhor fã, que se queixou que os crimes dos livros de Poirot estavam a ficar fraquinhos, com pouco sangue. Assim, para satisfazer o cunhado, Christie escreve este mistério onde não há dúvidas que o morto foi assassinado brutalmente, e onde se vê sangue por todo o lado.

Vindo imediatamente a seguir a um dos crimes mais psicológicos da série, este livro prima pelo contraste.

É mais uma vez uma investigação onde todos os principais suspeitos se encontram na mesma casa, em que todos são prováveis mas poucos os possíveis.

O assassino é uma surpresa engraçada, se bem que um pouco rebuscada. Não foi o meu mistério favorito, se bem que está bem escrito como de costume.

Recomendo a todos os fãs de Poirot e de policiais.

Boas leituras!

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Acabei de ler – Jaime Bunda, Agente Secreto

Jaime-Bunda

Há muitos anos que eu ando para ler um livro de Pepetela, desde que a sua filha foi minha colega na faculdade. Fiquei sempre com curiosidade, mas acabei por nunca pegar em nenhum livro da sua já vasta bibliografia. Entretanto este ano achei que estava na hora e era uma maneira de ler mais em português.

A dúvida seguinte foi por onde começar. Depois de mais umas semanas de indecisão achei que este era o título perfeito e prometia muito.

Nem sei o que vos dizer sobre este livro. Foi muito mais surpreendente que o que eu antecipava, e seguramente o melhor que eu li este ano, e mesmo nos últimos tempos.
Jaime Bunda é um personagem delicioso. Agente estagiário da polícia secreta, que tem o emprego graças a ligações familiares, mas que em 2 anos nunca investigou um caso. Cai-lhe agora nas mãos o assassinato duma jovem de 14 anos, pobre, mas que lhe dizem ser muito importante. Depois disto as peripécias sucedem-se, sempre com muito humor e sátira social duma Angola pós guerra civil.

Jaime Bunda é muito parecido com Ignatius Reilly duma “Confederação de Estúpidos“, desde fisicamente até às ilusões de grandeza que tem em relação a si próprio, e as situações em que se vê envolvido acabam por ser hilariantes.

Outra nota original é a dicotomia entre autor e narradores. O autor está constantemente a apreciar o trabalho de cada narrador e a trocá-los por incompetência, dando-nos pontos de vista diferentes da história, e tornando tudo mais divertido.

É um livro que é difícil pousar antes de terminar, e que nos mantém agarrados à história até ao final.

Recomendo a todos os que gostam de literatura em português, de livros divertidos que falam de coisas sérias a brincar.

Boas leituras!

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Acabei de Ler – Morte Entre as Ruínas, Poirot #19

poirot 19

Apesar de ter começado o ano mais virada para a não-ficção, o apelo de continuar a minha lista de obras do Poirot falou mais alto no final de Janeiro, e peguei no décimo nono título publicado, Morte Entre as Ruínas.

Ao ínicio nada me soou familiar, mas à medida que a história ia progredindo comecei lentamente a visualizar os pormenores do episódio televisivo na minha cabeça. Esta é uma história muito psicológica, mais que o normal nestes livros do Poirot, se é que isso é possível. Aqui segue-se uma família americana em férias na zona do Médio Oriente, composta por uma matriarca problemática e a sua prole submissa. Depois temos dois psicólogos/psiquiatras, uma jovem atraente e um cavalheiro francês, que se sentem atraídos pela disfuncionalidade desta família. Poirot é praticamente inexistente em grande parte da história, sendo quase parte do pano de fundo.

Li recentemente uma biografia de Agatha Christie em que se dizia que passados os livros iniciais ela deixou de gostar da personagem que tinha criado, até ficar com uma verdadeira antipatia pelo detective belga. No entanto Poirot sempre foi o favorito do público que “exigia” mais das suas histórias. Por isso a partir de certa altura Poirot passou a quase não aparecer nas suas próprias histórias, e a ser descrito cada vez com mais desdém. Creio que este é um desses casos.

No entanto a história está bastante interessante e eu fiquei sem saber quem era o assassino quase até ao final, o que é sempre positivo.

Recomendo a todos os amantes de policiais, de boas histórias, e fãs de Poirot.

Boas Leituras!

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Acabei de Ler – The Elephant Whisperer

elephant

O facto de ter falado recentemente deste livro aqui no blogue deixou-me ainda com mais vontade de pegar logo nele. Isso e o facto deste ano eu andar virada a viajar nos livros. E foi realmente uma excelente opção que eu tomei. Este livro é belíssimo, e lê-se de um fôlego.

Lawrence Anthony comprou um enorme terreno na África do Sul que converteu numa reserva natural. Tinha bastante fauna, mas não tinha elefantes. Pelo menos até lhe terem oferecido uma manada, completamente de borla. Claro que tinha um custo associado, e neste caso era o facto da manada ter tentado fugir várias vezes, e vários elementos, incluindo a matriarca e a sua cria, terem sido abatidas. Isto fez com que estes elefantes viessem zangados e com sede de vingança. A principal ameaça à vida selvagem em África, como no resto do mundo, é a sobrepopulação e isso afecta especialmente espécies de grande porte que precisam de muito espaço, como os elefantes.

Mas este livro é essencialmente sobre relações entre diferente espécies, nomeadamente a nossa e os elefantes. É sobre usar a inteligência emocional, e admirarmos a inteligência que se apresenta à nossa frente, mesmo que seja diferente da nossa.

Acho que temos muito a aprender com este livro, e mais uma vez fiquei cheia de vontade visitar África e uma reserva que respeite os seus animais.

Recomendo a todos os amantes de vida selvagem, aos conservacionistas, às pessoas que gostam de ler sobre tópicos diferentes.

Boas Leituras!

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Acabei de Ler – The Secret Commonwealth, Book of Dust 2

philip pullman

Pois é, ainda há bem pouco tempo comecei a nova trilogia da Philip Pullman, passada no mesmo universo de “Universos Paralelos” e terminei agora o segundo volume, que foi radicalmente diferente de todos os anteriores.

Neste volume voltamos à nossa personagem favorita, Lyra Belacqua, ou Silvertongue, como agora é chamada. Lyra tem agora 20 anos, é uma jovem adulta universitária que se encontra numa viragem da sua vida, e num profundo afastamento do seu daemon, Pan. Neste universo os daemons são pequenos animais que são manifestações externas da nossa própria personalidade, seres que são parte de cada ser humano. É por isso estranho quando estes casos de afastamento acontecem.

Toda esta dinâmica entre Lyra e Pan está extremamente bem conseguida, e é a parte mais bem conseguida do livro.

De resto é tudo aquilo a que Philip Pullman nos habituou, muita acção, um pano de fundo que incorpora assuntos muito actuais, e uma série de coisas a acontecer que nos deixam de coração nas mão. Aliás, aviso já que o livro não tem final, tudo será revelado no próximo volume que ainda não tem data de publicação.

Recomendo a todos os fãs de Philip Pullman que já tenham lido a trilogia Universos Paralelos (e não conta se só andam a ver na HBO) e que consigam aguentar o facto do livro não ter conclusão. Senão esperem que saia o próximo e leiam os dois ao mesmo tempo (que era o que eu devia ter feito).

Boas Leituras!

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Acabei de Ler – Above the Clouds

boukreev

Talvez por as minhas possibilidades de viajar para sítios exóticos estarem agora mais diminuídas, comecei este ano a ler sobre sítios maravilhosos e encantadores, mas que estão fora do meu alcance. Já li sobre o Everest, Botswana, e agora resolvi voltar ao montanhismo de altitude outra vez.

Quando li a perspectiva de Anatoli Boukreev sobre o desastre de 1996 no Everest, percebi que este russo/casaque era um homem muito interessante, culto e com uma filosofia de respeito pelas montanhas muito especial. E isso levou-me a pegar neste livro, que nada mais é que a compilação de algumas reflexões que ele fazia no seu diário pessoal após cada expedição a altas montanhas, e ele teve inúmeras dessas.

Anatoli Boukreev começou a sua carreira como alpinista na União Soviética, onde o desporto de alta competição era incentivado como um modo de enaltecer a pátria russa e levar o seu nome a todo o lado, nomeadamente ao pico do Everest, batendo records e fazendo história. O desporto era considerado um objectivo colectivo e a vontade do grupo estava acima do sucesso individual.

Entretanto dá-se a desagregação da União Soviética e esse paradigma muda radicalmente. Deixa de haver dinheiro estatal para patrocinar os atletas, a iniciativa privada não vê qualquer vantagem em patrocinar expedições a altas montanhas, e Anatoli vê-se repentinamente sem um meio de financiar a sua paixão e razão de viver. Ao mesmo tempo as expedições comerciais começam a ser uma realidade que pode providenciar emprego e rendimentos, mas a contrapartida é liderar expedições a locais muito perigosos com clientes de condição física questionável.

São estas dúvidas e pedaços de história recente que podemos encontrar neste livro, bem como espreitar a mente de um homem que considerava as montanhas como uma religião e uma forma de superação pessoal, acabndo por vir a falecer numa. Muito interessante, uma leitura que se faz num fôlego.

Recomendo a todos os que gostam de viajar nas palavras, os que gostam de ler sobre desporto, aventura, locais remotos e que exercem fascínio, mesmo que nunca tenhamos a oportunidade de lá ir.

Boas Leituras!

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Acabei de Ler – O Pintor Debaixo do Lava-Loiças

afonso cruz

Recomendaram-me este livro de Afonso Cruz, e como já há algum tempo que tinha curiosidade em ler este autor resolvi aproveitar. Também gosto de intercalar as minhas leituras normais com autores portugueses e por isso resolvi aproveitar.

Não comecei a ler com expectativa nenhuma, tirando o facto de saber que ele é um autor que tem sido muito falado e apreciado nos últimos tempos. E no decorrer do livro lembrei-me dum presente que ofereci ao meu marido no tempo em que éramos apenas bons amigos e que era O Pequeno Livro dos Aforismos, recheado de pequenas frases feitas. Foi essa a sensação que tive com este livro, que era uma sucessão de frases pensadas para serem bonitas e replicadas nas redes sociais ou sites de citações.

No entanto, e ultrapassada a aversão que essa sensação me deu, resolvi persistir na leitura do livro. Por trás das muitas frases complexas há uma belíssima história a querer espreitar. Poderia a história ter funcionado com outro tipo de linguagem? Sinceramente não sei, e acredito que é problema meu esta aversão a este tipo de escrita.

Este pintor é Josef Sors, um pintor que almejava ter uma vida vertical, sempre a crescer na mesma direcção e sem nada que o desviasse do seu objectivo. Não era um personagem muito simpático e as suas acções eram muitas vezes questionáveis, mas o evoluir da sua história foi muito interessante, e as tangentes que fez com a nossa história nacional, e a história pessoal do autor foi mesmo muito bonita.

Resumindo, recomendo a todos os que gostem de histórias interessantes, mas que tenham paciência para uma literatura de frases muito rebuscadas e floreadas. Lá no meio há uma história com pés e cabeça.

Boas Leituras!

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A paixão é o sentimento que contém tudo, por isso, quando um homem se apaixona, dentro dele está tudo. desde a coisa mais pequena à coisa maior, que muitas vezes são a mesma coisa.

Acabei de Ler – The Climb

the climb

Já falei aqui algumas vezes sobre livros de montanhismo. Apesar de não ser desporto para mim, tenho bastante prazer em ler sobre escaladas difíceis e montanhas complicadas. E o Everest é a mãe de todas as montanhas.

 Já recomendei aqui o livro de Jon Krakauer sobre a tragédia de 1996, em que várias pessoas morreram e muitas ficaram com sequelas no decorrer duma tempestade que apanhou duas expedições comerciais ainda no topo da montanha. Não foi a última tragédia, nem a maior, mas graças ao livro do jornalista que ia na expedição foi talvez a mais conhecida e mais debatida.

Muita gente discorda dos factos como são apresentados por Krakauer, e os livros de relato próprio de quem viveu a experiência têm-se multiplicado (o Netgalley proporcionou-me um há algum tempo). No entanto este livro de Anatoli Boukreev é um dos mais conhecidos, já que é uma resposta directa à imagem que Krakauer passou deste montanhista no seu livro, e também porque Anatoli faleceu em no dia de Natal de 1997 enquanto tentava escalar o Annapurna.

O livro foi co-escrito por Weston de-Walt, que não tem o dom das palavras que Krakauer tem, no entanto este livro é muito útil para percebermos outro ponto de vista sobre o que se passou na montanha naquela fatídica escalada. Se pensarmos racionalmente, nenhum cliente da expedição em que Boukreev era um dos guias faleceu naquele dia, nem sequer sofreram danos permanentes, ao contrário do que se passou na expedição em que Krakauer era cliente. Na realidade Boukreev fez um esforço sobre-humano para ainda salvar a vida de 3 pessoas, após ter subido ao cume do Everest. É por isso estranho que tenha sido escolhido como alvo da ira de Krakauer.

Suponho que tenha a ver com o estilo jornalístico americano, em que é sempre necessário encontrar um culpado para queimar na fogueira, e neste caso um russo taciturno com fraco domínio do inglês é mesmo um personagem que está a jeito.

Este livro tem uma boa reconstituição dos eventos que ocorreram em Maio de 1996, bem como a transcrição da reunião que foi feita por quase todos os elementos da expedição Mountain Madness para deixar um registo do que tinha acontecido tal como todos se recordavam.

Recomendo a todos os que são fãs de montanhismo, de aventura, de histórias emocionantes.

Boas Leituras!

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Acabei de Ler – Whatever You Do, Don’t Run

peter allison

Já tinha algumas saudades de ler sobre vida selvagem e foi isso que me levou a pegar neste livro de Peter Allison, um australiano que aos 19 anos foi viver um ano para África para aprender sobre a fauna do continente, e nunca mais saiu de lá. Começou o seu percurso na África do Sul, a trabalhar como barman num parque natural, e foi depois para o Botswana, onde acabou por se tornar um guia de safari. São as suas peripécias neste percurso que o autor nos mostra neste livro, cheio de episódios divertidos e assustadores, que mostram os bastidores dos glamourosos safaris no continente africano.

Se isso fosse possível, fiquei com ainda mais vontade de um dia visitar o Botswana, nomeadamente o delta do Okavango, mesmo com medo que as coisas já não estejam tão bonitas e naturais como quando este livro foi escrito. A descrição de toda a fauna, incluindo aves, é absolutamente deliciosa, e dá vontade de partir já. Ou quando a mais recente aquisição da família já for um adolescente, se calhar é mais realista.

Mas vale muito a pena ler este livro se forem fãs de vida selvagem. Está bem escrito e interessante e aprende-se muita coisa, mesmo não sendo esse o objectivo do livro. Sem dúvida uma excelente leitura para este início de ano.

Recomendo a todos os fãs de vida selvagem, de África e de literatura de viagens. Há aqui qualquer coisa para todos.

Boas Leituras!

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Acabei de Ler – Murder in the Mews, Poirot #18

poirot 18

Nada como começar o ano devagar e confortavelmente depois das festividades, para nos prepararmos para a loucura que estará para vir. Nesse espírito resolvi pegar no volume seguinte das aventuras de Poirot, o livro número 18. Confesso que à partida fiquei logo um pouco desiludida quando percebi que era uma edição com 4 pequenas histórias, em vez do costumeiro mistério completo. Quando são histórias mais curtas acaba por se perder muito dos processos mentais do Poirot, e ficamos com a sensação que nunca poderíamos ter adivinhado o final por falta de informação.

Mesmo assim estas histórias eram bem construídas e até surpreendentes no seu desfecho, o suficiente para achar que este livro vale a pena ler e não foi tempo perdido. Temos quatro histórias, um suicídio duma jovem que estava noiva, mas que tudo aponta para assassinato, o roubo duns planos de guerra importantíssimos, o suicídio dum aristocrata inglês e por fim um perigoso triângulo amoroso na maravilhosa ilha grega de Rodes.

Recomendo a todos os fãs de Poirot e de mistérios em geral.

Boas Leituras e Feliz 2020!

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