Hyperion

hyperion

Acabei esta manhã de ler Hyperion de Dan Simmons e ainda estou a digerir esta obra massiva. Dan Simmons não trata os seus leitores como coitadinhos a quem tem de se fazer a papinha toda. Trata-nos como pessoas inteligentes e imaginativas, capazes de perceber o que é a Hegemonia, o que foi a Hegira, o que são farcasters  ou pelo menos inventar para nós próprios explicações suficientemente convincentes. E como não tem de perder tempo com explicações aborrecidas e inúteis, pode concentrar-se a escrever uma história magnifica, que é na realidade a história de sete personagens que embarcam numa peregrinação a um mundo distante, a uma divindade que é uma máquina orgânica, o Shrike.
E com esta base conseguimos pensar em história, poesia, humanidade, religião, ecologia, fragilidades.

Este livro é um grande épico, contado como as histórias clássicas da Antiguidade. Em cada capítulo, que é também a história pessoal de cada um dos personagens, vamos descobrindo mais um pouco deste mundo e das suas convoluções, vamos decifrando mais uma peça do puzzle, e vamos percebendo cada vez mais do funcionamento do Universo após a destruição da Terra e o grande êxodo humano.Escrito em 1989 este livro é estranhamente actual, porque o papel do Homem no mundo, a nossa arrogância de povo para povo, e para com as outras espécies não tem melhorado, quanto muito tem-se acentuado com o passar do tempo, como se prova pelos mais recentes acontecimentos da crise dos migrantes, do culto to medo e da intolerância, do discurso do nós contra eles. Incrível como um livro de ficção cientifica, esse género que é tantas vezes e tão injustamente catalogado como menor, ou livros para nerds, consegue tocar dum modo belíssimo e muito contundente em todos estes aspectos, com uma profundidade que é tocante.

E consegue fazer isso tudo sendo ao mesmo tempo uma história que é impossível deixar a meio. Eu que leio essencialmente no autocarro, como estou sempre a dizer, várias vezes ficava genuinamente desiludida por ter chegado a minha paragem, e ficava parada à porta do elevador só à espera de acabar aquela cena.

A maior parte da acção é passada na cidade dos poetas, o que já por si ganha pontos também. Depois, este livro e o seguinte, “The Fall of Hyperion” eram um só, e foram separados apenas por exigência da editora. Os ingleses têm um termo para o modo como este livro acaba, irrepetível em português: cliffhanger. E foi assim que me senti no final, à beira dum precipício, agarrada pelas pontinhas dos dedos, com alguém a soltá-los um a um. Escusado será dizer que já comecei a ler a sequela.

Goodreads Review

The limb of Hyperion had been glowing white and green and lapis above them for hours when suddenly the old dropship. had cut into the upper layers of atmosphere, flame had briefly filled the window, and then they were flying silently some sixty kilometers above dark cloud masses and starlit seas with the hurtling terminator of Hyperion’s sunrise rushing toward them like a spectral tidal wave of light. “Marvelous,” Paul Duré had whispered, more to himself than to his young companion. “Marvelous. It is at times like this that I have the sense … the slightest sense … of what a sacrifice it must have been for the Son of God to condescend to become the Son of Man.”

From my earliest sense of self, I knew that I would be—should be—a poet. It was not as if I had a choice; more like the dying beauty all about breathed its last breath in me and commanded that I be doomed to play with words the rest of my days, as if in expiation for our race’s thoughtless slaughter of its crib world. So what the hell; I became a poet.

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2 thoughts on “Hyperion

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