Rumo ao Sul

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O Peixinho Vermelho fez anos no fim de semana passado e nós resolvemos tirar um dia para descansar e aproveitar uns raios de sol. São Pedro quase que nos estragava os planos, mas manteve-se firme até ao final, e foi simpático connosco.

Acabou por calhar tudo lindamente, porque morando em Benfica, previa-se um fim de semana um bocadinho mais agitado do que gostaríamos, mais a mais com Salvador e Fátima à mistura. E assim fomos rumo a terras de Aljezur. Mais concretamente um monte perdido perto do Rogil, terrinha que nunca tinha ouvido falar, mas que gostei muito de conhecer.

Andávamos há que tempos para ir para o “outro” Algarve, mas na realidade apenas um fim de semana sabe-nos a pouco, porque parecendo que não ainda são cerca de 3 horas de caminho, e uma viagem tão longa merece que lá estejamos mais tempo a desfrutar. Assim o aniversário do Peixinho Vermelho foi a desculpa perfeita.

Sábado fomos em passo de caracol por aí abaixo e fizemos a nossa primeira paragem num cantinho que gostamos muito, que é Porto Covo, para almoçar um belo peixe grelhado. Fomos ao Torreão, o peixe estava mesmo no ponto, bem grelhado e saboroso, os acompanhamentos é que podiam ser um bocadinho mais elaborados. Um naco gigante de couve cozida e espapaçada já não é coisa que se apresente nos dias de hoje, especialmente com tanto pesadelo na cozinha a passar na televisão. O pudim da sobremesa era delicioso.

Passeio pela vila para desmoer, sentadinhos à beira mar a ver as ondas bater na rocha, e lá nos pusemos a caminho que o Rogil ainda estava a mais de meio caminho. O nosso destino, o Monte da Xara, estava perdido no meio da Costa Vicentina, mesmo a seguir a uma terrinha chamada Azia. Valeu-nos o são GPS para lá chegar, mas valeu bem a pena.

O Monte da Xara é encantador, um oásis de calma e silêncio, uma casinha muito bem decorada, muito funcional, a 10 minutos de praias fantásticas e um pequeno-almoço digno de reis. E claro, a D. Isabel tem dois cães absolutamente maravilhosos, o Mar e a Nala, que sempre que lhes apetece nos vêm fazer uma visita, pedir festas e ver se temos petisquinho para lhes dar.

No dia em que chegámos já estava o dia no final e pouco mais fizemos que passear a pé pelas imediações e deitarmo-nos preguiçosamente no alpendre a apanhar sol e a fingir que líamos. Na realidade acho que passámos pelas brasas. Fomos cedo para dentro de casa, porque apesar de longe ainda havia quem quisesse ver o Benfica ser campeão, e temos de respeitar esses desejos. Essa foi a parte mais engraçada, ver pela televisão todo um  mundo de loucura pelas vitórias nessa noite, e nós virmos até ao alpendre escutar o barulho das rãs nos charcos, que era a única coisa que se conseguia ouvir na noite algarvia. O sossego é uma coisa maravilhosa.

O domingo e a segunda foram muito semelhantes. Fomos até à praia do Vale dos Homens, recomendada pela D. Isabel, a nossa anfitriã, que no auge de ocupação tinha umas 10 pessoas, e aproveitamos a maré baixa para ir até à praia deserta do lado e ficar por lá a torrar ao sol e a tomar banhos de mar numa piscina improvisada. Três dias de Costa Vicentina deram para recarregar baterias para mais umas semanas de trabalho intenso.

Pelo meio ainda conseguimos encaixar uma visita a Aljezur a à praia da Amoreira. Bonitos, mas estávamos mais virados a isolamento. Uma coisa que achei curiosa e me deixou com esperança na humanidade e na sua capacidade de fazer escolhas e encetar lutas, foi que um pouco por toda a parte, nas estradas, nas paredes das casas se podiam ver cruzes vermelhas a dizer não ao petróleo e gás natural no Algarve. E estando na beleza natural daquelas praias selvagens, que ainda esta semana a Conde Nast classificou como um dos melhores lugares do mundo para fazer caminhada em trilhos naturais, parece-me incrível que sequer se pense em trocar uma coisa absolutamente irrecuperável, que pode durar gerações, por um punhado de dólares que vai para o bolso dos mesmos do costume.

Como sempre, estamos distraídos com o nosso fado e futebol, e quem pode faz pela calada, e quando um dia realmente dermos por isso teremos este tesouro irremediavelmente destruído. O Vale do Tua já foi, quanto tempo restará à Costa Vicentina?

E assim deixo as fotos possíveis, mas que vos inspirem a ir até lá, ou pelo menos a estar atentos àquilo a que ninguém quer que estejamos atentos, as decisões que dizem respeito ao nosso futuro e que estão a ser tomadas nas nossas costas.

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O alpendre do Monte da Xara
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Deitados a ver o céu
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A praia de Vale dos Homens
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A vista cá de cima
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As poças de água e os seus tesouros

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O nosso spa
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A praia da Amoreira, mais perto de Aljezur, mais acessível e com apoio de praia. 
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Há que lutar!

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